2449 miles Seguir história

notaqueenakhaleesi Writer Lay

Em três partes, sabemos sobre o futuro de Marley Rose e como ela está eternamente ligada a ninguém menos do que Hunter Clarington. 2449 Miles é a terceira parte da série Clarington Heirs.


Fanfiction Seriados/Doramas/Novelas Impróprio para crianças menores de 13 anos.

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Parte 1: Marley POV

— Ok, já verificaram se estão com as suas identidades no bolso?

— Mãe, essa é a quinta vez que você pergunta isso pra gente. — Madilyn afirmou, com uma expressão que misturava divertimento e incredulidade.

— Mesmo? — Marley perguntou, a testa franzida, enquanto assistia a filha caçula confirmar com um aceno rápido. — Ah… É que eu não quero passar pelo mesmo sufoco de quando fomos visitar a casa da sua avó em Londres, até porque esse voo foi agendado com tanta antecedência que…

— Marley, querida. Calma. — Charles disse, passando a alça de sua bolsa pelo ombro. Deu alguns passos para encerrar a distância entre ele e a mulher, passando uma das mãos no braço da esposa, tranquilizando-a. — Estamos mais do que prontos pra ir ao aeroporto. Ninguém vai perder o voo dessa vez. — Lhe sorriu de canto, enquanto entrelaçava sua mão na dela, dando-lhe um ligeiro aperto. — Vai dar tudo certo.

— Espero que sim… — Rose comentou, deixando um suspiro cansado escapar.

— Hey, sem pessimismo. Energias negativas atraem outras energias negativas. — Ele lhe alertou.

— Ok. — Marley concordou, se dando por vencida. Sorrindo para Charles, ela disse em tom de voz baixo: — Obrigada por todo o apoio.

— Eu vou sempre te apoiar, meu amor. Não importa em que seja.

E Rose sabia que era uma das promessas mais verdadeiras que algum dia iria ouvir.


×


Los Angeles, 9 anos antes


As malas estavam por toda a sala de estar do apartamento em Beverly Hills. O clima quente de Los Angeles havia me feito prender o cabelo no alto da cabeça, enquanto conferia de tempos em tempos se estava tudo no seu devido lugar. Era a primeira turnê mundial de minha carreira. A ideia fazia meu corpo gelar. Primeiro, viajaria por todo o país; em seguida, cantaria em pelo menos três palcos de cada país onde o desempenho de vendas do álbum foi alto. Era muito mais do que eu já havia enfrentado e meu estômago se revirava em nervosismo sempre que eu pensava demais no assunto. Para me tranquilizar, eu focava na conversa que se desenrolava no sofá mais afastado de mim, as vozes animadas me fazendo sorrir de tempos em tempos.

— Então, eu digo “Je suis un grand homme”. Significa “Eu sou um homem alto”. Se você fosse utilizar a mesma frase, ficaria… — Charles dizia, em tom educativo, para Madilyn.

— Ficaria… Je suis un petite fille? — A garota de seis anos questionou, parecendo bem incerta de sua colocação.

— Não exatamente, querida. O correto é unne, porque está falando no feminino. — O mais velho explicou, com toda a sua paciência.

Me virei a tempo de ver Madilyn balançando a cabeça, enfaticamente, confirmando que havia entendido a lição.

— Então, se você fosse falar sua versão da frase, ficaria como? — Charles perguntou, a observando, arriscando um olhar de milissegundos em minha direção, fazendo a nós dois sorrirmos.

Je suis unne petite fille! — Madilyn exclamou, contente por ter a chance de acertar.

Parfaite! — Charles lhe disse, um sorriso orgulhoso nos lábios. Eu não precisava de espelho para saber que fazia o mesmo, parada no meio da sala.

— Madilyn, querida, está na hora de dormir. — Avisei, com gentileza, enquanto me dirigia ao sofá. Me sentei ao lado de Charles, que em um movimento sincronizado passou um dos braços ao redor de minha cintura.

— Mas eu estava no meio da aula de francês, mamãe. — Ela tentou argumentar, fazendo beicinho.

— Mas nós vamos levantar de madrugada para viajar, meu amor. Precisa descansar um pouco. — Afirmei, sendo firme, porém gentil. Assisti a garota se conformar a poucos centímetros de mim, descendo do sofá e parando a minha frente.

— Boa noite, então? — Ela me perguntou, limpando de sua vista os fios da franja que precisava de um corte.

— Boa noite. Não se esqueça de escovar os dentes antes de se deitar. — A lembrei, enquanto me inclinava e lhe beijava a testa.

— Pode deixar. Boa noite, mamãe. — Madilyn então se voltou na direção de Charles, com o seu sorriso doce, antes de enlaçar o pescoço do mais velho em um abraço meio desajeitado. — Boa noite, Charles. Durma bem quando for embora. E obrigada pela aula.

— Foi um prazer, petite princesse. — Traynor falou, entre uma risada curta, abraçando minha filha de volta por alguns segundos. — Boa noite.

Madilyn se retirou do ambiente com seus passos até que ágeis para uma garota de seu tamanho e idade. Restou na sala de estar apenas eu, Traynor e todas as vinte malas com roupas e figurinos e coisas de minha menina. Por um hábito desenvolvido por nós, assim que ficamos sozinhos, Charles puxou as pernas para cima do sofá e se reclinou no móvel, permitindo que eu me deitasse confortavelmente em seu peito. Estávamos juntos havia três anos, desde quando nos conhecemos em Berlim, em um dia de EMA. Ao assinar os papéis do divórcio, eu pensei que nunca mais iria ter meu coração batendo em descompasso por causa do toque de alguém, novamente. Mas ali estava eu, me sentindo em casa e com o coração em disparada enquanto Traynor brincava com meus cabelos recentemente tingidos de loiro.

— Eu preferia quando eles eram castanhos. — Ele comentou em voz baixa, enrolando e soltando uma mecha entre seus dedos. — Mas o loiro também cai bem em você.

— Obrigada. — Agradeci, em seu mesmo tom, por saber que não havia necessidade de falar mais alto. E porque amava nossas conversas quase murmuradas. — Não só pelo elogio. Pelo que tem feito por Madilyn também.

Pude ouvir sua risada baixa, acompanhada por um som de descrença.

— Eu não vejo pelo que agradecer, Marls. Eu adoro essa garota, e já que eu posso ensiná-la algo, é mais do que minha obrigação o fazê-lo. — Ele me explicou, e senti os movimentos dos seus ombros se encolhendo, ao final. — Apesar de que...

— Eu sei o que vai dizer... — Falei, balançando a minha cabeça em uma negativa.

— Não que eu queira me meter na criação de sua filha, longe disso. Mas… Não seria melhor para ela, não sei, conviver com outras crianças? — Charles me questionou, mais uma vez. Há quase sete meses ele estava tentando me convencer sobre Madilyn ter um ensino tradicional ao invés de ser educada em casa por mim. E por quem mais quisesse colaborar, na verdade. — Eu sei que ela deve achar divertida essa vida de não ter horários fixos e dormir em aviões e hotéis cruzando o país durante a semana. Mas a rotina também seria algo bom para Madilyn.

— Você não entende, baby… — Tentei argumentar, erguendo meu tronco e me virando para encará-lo, enquanto carregava uma expressão pesarosa no rosto.

— Então me explica. — Ele me pediu, com sinceridade. — Me diz porquê é melhor levá-la por todo o país com você do que deixá-la ter aulas com outras crianças.

— Porque se eu deixá-la para trás por alguns meses corro o risco de nunca mais vê-la! — Exclamei, causando seu espanto. Respirei fundo, me sentando com a coluna ereta, em sua frente. Traynor fez o mesmo, ficando com uma expressão séria. — Eu… Eu consegui a guarda total de Madilyn depois de um acordo com o pai dela. — Fiz uma pausa, engolindo em seco antes de continuar. Era difícil falar sobre isso, mesmo depois de tanto tempo. — Hunter queria criá-la em New York. Como aos outros. E eu sei que se assim fosse ele colocaria todas as barreiras possíveis para que eu não a visitasse, como ele faz com Hazel e Franz. Eu não podia perder mais uma filha. Eu não ia conseguir viver com isso… Então brigamos pela guarda dela. — Acabei rindo, sem humor nenhum, antes de continuar a falar. – Ela não tinha nem três meses e já estava num cabo de guerra promovido pelos próprios pais, por Deus! — Balancei a cabeça em negativa mais uma vez, enquanto relembrava o doloroso processo judicial. E todas as tentativas de Hunter de provar que eu não teria como criar nossa filha sozinha. — Foi sugerido então, que dividíssemos a guarda. Como no processo anterior, dos meninos. Hunter disse que aceitava, mas eu disse que não. Ela era minha filha. Ele não estava por perto nem mesmo no seu nascimento, ele não tinha o direito. — Sabia que estava prestes a me exaltar, então fiz uma pausa. Talvez por instinto, eu não saberia dizer, Charles passava a mão em meu braço com gentileza. Acabou funcionando e consegui voltar aos trilhos. — Então nos reunimos para conversar. Ele me perguntou porque Madilyn era mais importante que os outros. Ele me culpou pelo que aconteceu quanto a custódia de Haz e Franz, como todas as outras vezes que nos encontramos. Só que eu estava exausta daquilo. E argumentei que ele não a queria, em primeiro lugar, e o lembrei que a primeira pergunta que me fez sobre Madilyn não foi se ela estava saudável ou qualquer coisa parecida, e sim se ela era dele. — Soltei um longo suspiro, observando o rosto cada vez mais perplexo de Charles em minha frente. — Então ele disse que se eu fazia tanta questão, eu deveria ficar mesmo com a guarda. Mas que ele não iria desistir dela, como eu costumo fazer com tudo. — Senti que estava prestes a chorar, então parei de falar.

Charles me puxou para um abraço apertado, onde apoiei minha testa na curvatura de seu pescoço e respirei fundo. Várias vezes, em intervalos regulares, até que consegui voltar ao normal. Eu não queria me soltar de seus braços, de tão acolhida que me senti. Desde o primeiro encontro tinha essa sensação. E depois certeza, quando o observei trocar suas saídas à noite para ficar comigo e Madilyn em casa, ou para me ajudar a planejar seu aniversário, ou apenas nos acompanhar a uma viagem a Disney. E eu o amava por isso. Mas esse não era o foco no momento. Ainda em seus braços, decidi terminar a história.

— E é por isso que não a deixo longe de mim. Porque eu sei que se houver a mínima chance de Hunter me tirar a Madilyn, ele vai. Apenas por tirar. Apenas porque… Porque eu não o quis mais. — Concluí, em um último suspiro.

— Eu sinto muito… Por tudo isso. Por ter que conviver com todo esse drama. — Ele me dizia, fazendo carinho em meus cabelos. — E eu prometo te apoiar na criação da Madilyn, daqui pra frente. Mais do que antes. Em qualquer escolha que faça, quanto a qualquer coisa. — Ele se soltou minimamente de mim, erguendo meu rosto para que pudesse me fitar diretamente nos olhos. — Nós não vamos deixá-lo vencer, está bem? Jamais.

Eu levei alguns segundos para entender o que ele dizia. Até que finalmente percebi que ele estava comigo nisso. De bom grado. Por sua própria escolha. Eu não precisava mais lutar só, e isso pareceu encher meu coração de esperança. E podia jurar que havia me apaixonado um pouco mais por Charles Traynor naquele momento.

30 de Agosto de 2019 às 16:26 0 Denunciar Insira 1
Leia o próximo capítulo Parte 2: Madilyn POV

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