S05#15 - WONDERWALL - PARTE II Seguir história

lara-one Lara One

Continuação da fic anterior. A tensão se estabelece diante de um fato inusitado. A guerra de interesses se declara, colocando os homens de poder e os aliens uns contra os outros. A famosa frase ‘não confie em ninguém’ é constatada como verídica. Mas afinal, quem é o culpado?


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S05#15 - WONDERWALL - PARTE II

“Today is gonna be the day, that they're gonna throw it back to you.”

(Hoje vai ser o dia que eles vão devolver isso para você. )


Oasis – Wonderwall



INTRODUÇÃO AO EPISÓDIO:

[Fade in]

[Som: Oasis - Wonderwall]

MULDER (OFF): - Uma vez, uma criança me ensinou uma grande verdade. O que poderia saber aquele garotinho ruivo sobre batalhas? O que poderia saber aquela criança amadurecida pelos percursos da vida? Aquele pequeno Mulder ruivo com DNA da família Scully? Aquelas palavras sábias vindas da boca de uma criança, nunca mais foram esquecidas por mim... Foram elas que impulsionaram minha coragem. Foi olhar naqueles olhos e ver a esperança. E depois lembrar do horror que tramam e do futuro negro que as espera. ‘O que você faz aqui, tio? Por que caça os alienígenas, eles são maus?’ Respondi: Busco a verdade, Will, mas os inimigos sempre a ocultam e eu acabo perdendo a batalha. Ele olhou pra mim e disse: “Lutar e vencer todas as batalhas não é a glória suprema. A glória suprema consiste em quebrar a resistência do inimigo sem lutar”... Aquelas palavras sábias vindas de uma criança... Por que os homens não escutam as crianças? Não veem eles que elas são o nosso futuro? O futuro deste planeta? O que restará para elas? O que estamos deixando para nossos filhos?... Eu estou com medo... Nunca senti tanto medo na vida, pois agora estou sozinho... Revivendo monstros do passado e habitando com eles... Quebrando as pernas do inimigo... Preparando o futuro de nossas crianças... A guerra se aproxima e não sou eu o messias genético. Mas cabe a mim salvar esse messias... Algumas vezes fico com medo disso tudo, mas não posso falar isso a você... Eu sou a sua força agora. Me foi entregue a espada da justiça. Sinal de que então eu posso erguê-la contra eles. Você se foi, e com você, um pedaço meu... Mas eu sei que você está em paz... E isso é o que importa... Você está no céu. Eu fiquei no inferno, para que você pudesse ascender até o paraíso... Mas no final das contas... No momento somos eu e você contra todos. Você um anjo de luz. Eu, apenas um anjo negro.

VINHETA DE ABERTURA: TRUST NO ONE


BLOCO 1:

O caminhão guincho retira o carro completamente amassado que está contra as árvores. Os paramédicos agitam-se de um lado para outro, entre os policiais.

Corta para o carro que estaciona na estrada. O vidro negro desce rapidamente. Krycek observa o tumulto, falando ao celular.

KRYCEK: - Estão retirando o carro. Pela placa é o carro de Mulder. Está com a frente toda ferrada... Foi feio... Não, eu não o vejo, mas tem ambulância por aqui e policiais... Não a vi também... Espere...

Corta para Mulder, ainda de smoking, sendo levado na maca, às pressas, desacordado, com um tubo de oxigênio no nariz.

KRYCEK: - Mulder está vivo... Mande o pessoal verificar o local. Pode haver pistas... Vou seguir a ambulância... Aconteceu alguma coisa aqui e muito séria. Acho que foi retaliação, tentaram matar Mulder e talvez levaram Scully.


Hospital do Condado de Auburn - Maine - 7:09 A.M.

Krycek entra apressado no corredor da emergência. Observa pelos vidros das portas. Vê um médico e duas enfermeiras. Mulder deitado numa maca, cheio de escoriações no rosto. Ele reluta, ninguém consegue tocá-lo. Krycek entra na sala exibindo uma falsa credencial.

KRYCEK: - FBI, todo mundo fora!

O médico assume uma fisionomia de irritação.

MÉDICO: - Estou com um paciente aqui...

KRYCEK: - Ele é do governo, afastem-se. Já chamamos nossos médicos.

Mulder olha para Krycek numa fisionomia de angústia. Krycek olha para o médico.

KRYCEK: - Tire sua gente daqui. Ele é meu parceiro.

MÉDICO: - Não podemos liberar um paciente nesse estado. Ele precisa fazer uma tomografia, não sabemos até que ponto não comprometeu suas funções cerebrais...

KRYCEK: - Fora!

O médico sai irritado. As enfermeiras atrás dele. Mulder senta-se na maca, meio tonto. Krycek olha pra ele.

KRYCEK: - Vamos embora daqui.

MULDER: - Eu sabia que viria.

KRYCEK: - É, eu tinha que vir. Não ia ter como explicar para essa gente a presença de objetos metálicos pelo seu corpo e um tumor na cabeça de origem desconhecida. Dos nossos nós tratamos. Vou levar você pra um médico.

MULDER: - Onde está a Scully? Ela está bem?

KRYCEK: - Não sabemos onde ela está.

Mulder olha pra ele.

MULDER: - (ANGUSTIADO) Como assim?

KRYCEK: - Vamos sair daqui, Mulder. Quero explicações suas do que aconteceu.

MULDER: - (MEDO) Onde está a Scully? Não brinca comigo...

Mulder tenta se levantar, mas fica tonto. Segura-se na mesa. Krycek o ajuda a sair.

Corte.


Krycek ajuda Mulder a entrar no carro. Entra também e dá a partida, tomando a estrada.

KRYCEK: - Onde está a Scully?

MULDER: - Eu... Eu não sei!... Minha cabeça dói.

KRYCEK: - Vou levar você pra um médico.

MULDER: - Eu não quero ir a médico nenhum! Eu quero voltar lá e achar a Scully!

KRYCEK: - Ela não está lá ou a teriam trazido com você!

O celular de Krycek toca. Ele atende.

KRYCEK: - Estou com ele... Certo, me mantenham informado.

Krycek desliga. Olha pra Mulder.

KRYCEK: - O que aconteceu Mulder?

Mulder abaixa a cabeça.

KRYCEK: - Mulder?

MULDER: - (CHORANDO) ...

KRYCEK: - Não vai ajudar Scully se ficar chorando!

MULDER: - (SEGURA O CHORO) Luzes... E-ela... Deus! Eles levaram a Scully!

KRYCEK: - Eles quem Mulder?

MULDER: - (ÓDIO/GRITA) Eu disse pra se manterem afastados dela!

KRYCEK: - Não sabemos de nada! Quem levou a Scully? O que aconteceu lá?

Mulder põe as mãos no rosto.

MULDER: - Eles levaram a Scully...

KRYCEK: - Droga, Mulder! Está falando de alienígenas?

MULDER: - E-eu não sei, não me lembro! Era uma luz... E-eu só sei que acordei sobre o volante, então a procurei e ela não estava mais no carro... E-eu pensei que tivesse ido buscar ajuda. Então saí pra fora do carro e desmaiei.

KRYCEK: - ...

MULDER: - Krycek, pelo amor de Deus! Eu nunca imaginei pedir isto pra você, mas precisa me ajudar a encontrar a Scully!

KRYCEK: - Vamos encontrá-la, Mulder.

Mulder abaixa a cabeça e começa a chorar. Krycek olha pra ele. Coloca a mão em seu ombro.

KRYCEK: - Vou levar você ao médico. Precisa fazer um exame nessa cabeça dura.

MULDER: - (CHORANDO) Eu não quero exame... Eu estou bem... Eu só quero a Scully... Me ajuda!

KRYCEK: - Então vou levar você pra casa. Precisa dormir.

MULDER: - (GRITA) Eu não quero dormir! Eu quero voltar lá e encontrar pistas!

KRYCEK: - (GRITA) Já estão lá, Mulder! Não acharam Scully. Reviraram seu carro todo, as bagagens de vocês dois estão lá ainda... A batida arrebentou todo o painel do carro, você se escapou porque estava com o cinto.

Mulder continua cabisbaixo, chorando.

MULDER: - Eu quero ir até lá... Me leve até lá, por favor.

KRYCEK: - Ora, Mulder, como vou negar vendo meu inimigo chorando feito criança do meu lado. Se tivesse dado ouvidos, poderia tê-la poupado! Deveria ter aceitado a oferta!

Mulder esmurra o painel do carro.

MULDER: - Eu sei que errei! Foi minha culpa... Mas não preciso que jogue isso na minha cara! Não existe humanidade dentro de você, rato?

Krycek olha pra ele.

KRYCEK: - Vamos pro aeroporto, um dos nossos vai deixar você em sua casa e eu vou atrás da Scully. Você não tem condições de continuar com isso, não hoje.

MULDER: - Eu não confio em você pra achá-la!

KRYCEK: - Não tem outra alternativa. Acha que sou burro de tentar algo contra ela? Preciso de você, Mulder. E não é sacrificando a Scully que vou conseguir sua colaboração.


11:43 A.M.

Os sapatos altos e bege escuro, aproximam-se pelo extenso corredor, contrastando com os ladrilhos negros. Param em frente à porta fechada. A porta abre-se.

Um tailleur bege claro é jogado sobre uma das duas cadeiras, juntamente com uma bolsa, que pela aparência, revela-se ser muito cara.

A cadeira ao lado é puxada pelas mãos femininas de unhas compridas e pintadas de tom claro.

O fone sobre a mesa é tomado com cuidado.

Close das pernas magras e bem torneadas que se cruzam, revelando pela justa saia social, um pedaço da renda das meias sete oitavos.

A delicada e bem cuidada mão, aproxima-se apertando o pequeno botão do monitor de TV sobre a mesa. Percorre mais outros quatro monitores pequenos, ligando-os.

Ela gira a cadeira com as pernas, detendo-se na frente de um deles. A tela vai abrindo-se revelando o show diário a ser assistido. Como em todos os outros dias. Como em todas as outras vezes.

Foco na imagem que surge na tela.

Mulder em seu aparatamento, sentado no sofá, cabisbaixo, com as mãos no rosto, chorando.

Os olhos de Marita Covarrubias pousam sobre a imagem do agente na tela. Ela ajeita os fones de ouvido, sem desgrudar os olhos de Mulder, que tem sua privacidade roubada.

Marita leva os dedos ao pequeno receptor ao lado. Liga-o. Olhos atentos ao movimento naquele pequeno apartamento. Mulder aproxima-se do aquário, ao mesmo tempo em que, aproxima-se da câmera instalada dentro dele.

Marita olha fixamente. Mulder começa a dar comida ao peixe, derrubando lágrimas.

MARITA: - Hum... Mais um capítulo do ‘Show de Mulder’... Será que ele sobrevive sem ela? ... Mulheres adoram novelas com astros sensuais...


Rua 46 Este – New York - 12:21 P.M.

O Canceroso anda de um lado para o outro. Fuma feito louco, de nervosismo. Garganta Profunda, olha pela janela. O Homem das Unhas Bem Feitas, sentado, com o cotovelo apoiado no braço da poltrona, amassa um pedaço de papel na mão. Todos em silêncio, em olhares preocupados e confusos.

Krycek entra porta à dentro, indignado. Coloca as mãos na cintura.

KRYCEK: - Ok. Minha paciência com vocês esgotou. O que está havendo? Não fomos avisados de que vocês abduziriam a Scully! O acordo é de colaboração. Isto implica que devemos estar por dentro de todas as atividades.

O Canceroso treme levando o cigarro à boca. Krycek percebe que o ambiente está tenso.

GARGANTA PROFUNDA: - Não fizemos isso. Vocês fizeram.

KRYCEK: - (RI) Como assim?

CANCEROSO: - Você deve ter feito. Você quebrou o nosso acordo! E eu vou matar você por isso! Ficou lá do meu lado para que eu não suspeitasse!

KRYCEK: - Eu? Eu não toquei um dedo na Scully! Por que faria isso? Vocês tem mais motivos do que eu!

CANCEROSO: - Não sei, mas vou descobrir. Tem menos de uma hora pra devolvê-la. Avise seu governo.

O Canceroso esmurra a mesa olhando pra Krycek com ódio. Krycek olha com raiva pra ele e o intimida.

KRYCEK: - Não vão inverter o jogo, senhores. Vocês a pegaram. Não vou servir de bode expiatório novamente.

HOMEM DAS UNHAS BEM FEITAS: - (NERVOSO) Não a pegamos.

Krycek olha para o Homem das Unhas Bem Feitas. Percebe o nervosismo dele, que amassa o papel na mão, em movimentos automáticos.

KRYCEK: - O que está havendo por aqui? Não estou entendendo mais nada.

CANCEROSO: - Se você não a pegou... Então os alienígenas a pegaram.

KRYCEK: - Pra nos exigirem Mulder como troca? Mas poderiam tê-lo pego. Por que justamente ela?

CANCEROSO: - Querem negociar alguma coisa... Ou afastar Mulder de nós. Sabem que pra atingi-lo, basta tocar em Scully.

O Homem das Unhas Bem Feitas perde a compostura.

HOMEM DAS UNHAS BEM FEITAS: - Filhos de uma...

Krycek olha pra Garganta Profunda. Este observa o céu pela janela. Krycek aponta pra ele.

KRYCEK: - E o que ele pensa disso? Já que sempre foi o mais sensato por aqui.

Garganta Profunda vira-se.

GARGANTA PROFUNDA: - Os alienígenas pegaram a agente Scully. Vão usar isto contra nós e Mulder. Querem a criança. Se não a entregarmos, matarão Scully. Aposto minhas fichas nisso.

KRYCEK: - Mas eu não estou com o filho deles! Eu entreguei o feto errado pra eles por causa de vocês! Se tivesse entregado o verdadeiro, nada disso teria acontecido. Estamos ferrados!

HOMEM DAS UNHAS BEM FEITAS: - Para! Você me deixa mais nervoso do que estou!

CANCEROSO: - Precisamos ter calma. Vão entrar em contato conosco.

HOMEM DAS UNHAS BEM FEITAS: - Deus! Isso não está acontecendo! Eu disse que era loucura envolver Mulder nisso tudo!

CANCEROSO: - O FBI pode acusar Mulder de ter matado Scully... Me ocorreu isto agora.

KRYCEK: - O quê?

CANCEROSO: - Strughold. Penso se não é ele quem está por trás do desaparecimento de Scully. Talvez ele saiba que estamos manipulando Carter usando Diana pra isso. Ele sabe que sem Mulder não estaríamos por dentro de suas artimanhas. Por que acha que ele colocou Carter e Kersh lá dentro censurando Mulder? Por que Kersh fez aquela baixaria para tirar Mulder do FBI? Strughold está desconfiado de que Mulder está conosco. Quer arrancar isso dele!

HOMEM DAS UNHAS BEM FEITAS: - Mate o Carter e todos os problemas acabam.

CANCEROSO: - Você acha que matar resolve tudo? Strughold pode colocar Kersh como diretor! E aí será o caos! Antes um idiota sentado naquela cadeira falando sobre elefantes cor de rosa do que um ex-fuzileiro com sede de sangue!

HOMEM DAS UNHAS BEM FEITAS: - (RAIVA) Strughold... Se eu soubesse onde se esconde, eu mesmo o mataria...

KRYCEK: - Por que não armamos uma pra ele?

CANCEROSO: - Senhores, daqui à pouco estarão sugerindo que façamos Watergate 2. Não temos atualmente um peão no tabuleiro que se sacrifique a um bom preço por um escândalo nacional pra encobrir a verdade.

Eles estão cada vez mais nervosos. Krycek olha pro Canceroso.

KRYCEK: - Se não foi Strughold foram os alienígenas.

GARGANTA PROFUNDA: - Antes éramos um grupo. Agora somos dissidências. E a experiência me diz que dissidências não funcionam. E logo o topo da pirâmide vai cair sobre nós alegando nossa incompetência.

CANCEROSO: - Quer oferecer sua amizade àquele nazista desgraçado do Strughold? Ele deve estar precisando de mais cobaias para continuar seus milhos híbridos e abelhas no deserto africano. E laboratórios de processamento de medicamentos com o agente do óleo negro para disseminar na população! Quando propus a aliança rebelde, vocês disseram que estariam comigo. Sabiam dos riscos desde o início.

GARGANTA PROFUNDA: - Começo a me questionar se não deveria ter ido embora e deixado você com sua loucura. A retaliação foi forte. Pensou que ele iria se abalar com sua deposição da organização? Tudo o que conseguimos foi deixá-lo mais furioso e dividir o que estava unido. Provoque a CIA. Você pode ter o Departamento de Defesa do seu lado, o exército do seu lado, tentar conseguir o FBI novamente, mas tente provocar a CIA de Strughold!

HOMEM DAS UNHAS BEM FEITAS: - Absurdo! Ele ainda não tomou consciência do perigo de negociar com esses... Esses gafanhotos gigantes.

KRYCEK: - Precisamos nos acalmar. Agir com a cabeça fria.

HOMEM DAS UNHAS BEM FEITAS: - Poderíamos inventar uma guerra. Explodir de uma vez com Strughold! Já fizemos isso antes no oriente médio, disfarçadamente sem que ele suspeitasse do nosso envolvimento!

GARGANTA PROFUNDA: - Por favor, outra guerra no Golfo não. O ‘petróleo’ que havia lá foi destruído, nós vencemos. Deixe a África em paz. É mais sensato e seguro pedir que Mulder e Krycek sabotem pontos estratégicos! Eles são jovens, são ágeis, são espertos.

CANCEROSO: - Matar, comprar, explodir, guerras... Não percebem que a situação aqui é diferente? Sem ela, Mulder não funciona. E sem os dois, nunca acharemos a criança. Mulder vai desistir. Scully é quem o incita a procurar o filho. E precisamos de alguém para encontrar essa criança. Nada melhor do que os pais que tem interesse nisso.

KRYCEK: - (DESCONFIADO) O que acordou com Mulder realmente, para fazê-lo trabalhar no nosso time?

CANCEROSO: - Que ele nos manteria informado sobre Carter e Kersh, os homens de Strughold no FBI. E teria liberdade e apoio total pra encontrar o filho. Só queríamos uma amostra do sangue dessa criança e ele poderia ficar com ela. Scully mesmo faria isso, caso não confiassem em nós para fazê-lo.

KRYCEK: - (MAIS DESCONFIADO) E fará isso mesmo?

O Canceroso olha debochado para Krycek. Sopra a fumaça.

CANCEROSO: - (EMPOLGADO) Imagine se tivéssemos esse menino aqui? Trabalhando conosco?

GARGANTA PROFUNDA: - (REVOLTADO) Ele não tem palavra. Ele não quer apenas uma vacina. Ele quer o neto para continuar com essa loucura toda. Entregar esta grande herança para ele. Criá-lo como um híbrido altamente assassino. Uma máquina de matar.

CANCEROSO: - Você é poético, meu amigo. Muito poético. Essa criança é uma arma. Acha que pode ficar nas mãos de quem não saberá usá-la? Os aliens a temem. Querem um aliado mais forte do que esse menino?

KRYCEK: - Você é louco... Quer fazer com ele o que teria feito com seu filho Gibson?

CANCEROSO: - Gibson... Gibson não chega aos pés do poder que esta criança tem.

HOMEM DAS UNHAS BEM FEITAS: - E acha que realmente pode prever o que essa criança será? E se for um alienígena completo de forma humana, programado geneticamente para acabar com nossa raça? Ele vai ter acesso a todas as nossas mentes! Ele pode pressentir a quilômetros o perigo! Colocar essa criança aqui seria uma ameaça mortal! Precisa deixá-la com os pais mesmo. Uma educação errada e não sabemos o que viria a acontecer!

CANCEROSO: - E se foi Mulder quem sumiu com Scully? Já pensaram nessa possibilidade?

KRYCEK: - (RI) Acha que Mulder faria uma imbecilidade dessas? Com qual motivo?

Eles se entreolham.

CANCEROSO: - (DESCONFIADO) O filho... E se Mulder descobriu onde está a criança e forjou tudo pra que ela ficasse com o filho?

KRYCEK: - (REVOLTADO) Você está maluco! O homem está uma pilha de nervos, perdido, desesperado! Mulder não tem neurônios pra bolar um plano maquiavélico desses! Passou a viagem toda chorando e se lamentando de não ter aceitado sua oferta!

CANCEROSO: - Seria estupidez se o fizesse. Ele nem sabe o que essa criança pode vir a ser.

KRYCEK: - É claro que ele sabe. E você sabe. Todos aqui sabem! Confesse que está distorcendo tudo porque tem medo! Quer tomá-la deles e usá-la a seu favor. O perigo que você vê é que essa criança possa destruir tudo o que vocês criaram. Você teme que ela será seu maior inimigo neste jogo, prevendo todos os seus passos e colocando a verdade exposta pra todos e ajudando Mulder a fazer isso!

GARGANTA PROFUNDA: - Você está certo, Krycek. Muito certo. Ele teme que tudo acabe. E teme mais ainda que acabe antes de derrotarmos os aliens. Quando extirparmos a ameaça de invasão, poderemos parar de nos preocupar!

KRYCEK: - (REVOLTADO) Acusar Mulder de estar envolvido no desaparecimento de Scully é ridículo! Mulder nunca sumiria com ela! Não teria motivo algum pra fazer isso, nem pelo filho! Ele sabe que o encontraríamos mais cedo ou mais tarde! Mulder não fica longe daquela mulher nem por um segundo. Basta olhar pra fisionomia dele. Ele está morrendo de câncer! Acham que ela concordaria em deixá-lo numa situação dessas? Que o deixaria morrer sozinho? Ela nunca faria isso nem pelo filho! Deixem o homem sofrer em paz, pelo amor de Deus! Vocês me dão nojo às vezes, sabiam?

CANCEROSO: - Mulder está sofrendo porque quer.

GARGANTA PROFUNDA: - Não, ele está sofrendo porque tem honra. E é o único de nós que ainda tem isso. Me pergunto sinceramente se Mulder é seu filho. Porque felizmente ele não tem o seu caráter!

O Canceroso acende outro cigarro. Sopra a fumaça.


Apartamento de Mulder - 1:59 P.M.

Mulder anda de um lado para o outro dentro do apartamento, parece estar enlouquecendo. Batidas na porta. Mulder abre. Dois agentes do FBI mostram a identidade.

AGENTE FORBES: - Agente Mulder, tem o direito de permanecer calado. Vamos levá-lo preso para interrogatório. Ordens do diretor delegado Alvin Kersh.

MULDER: - O quê?

AGENTE FORBES: - Você está sendo acusado pelo desaparecimento de uma agente federal.

MULDER: - Não vou, não sem ordens de Skinner. Ele é o superior da agente Scully.

AGENTE FORBES: - O diretor Skinner não está no caso. Nos acompanhe ou teremos de levá-lo à força.


Rua 46 Este – New York - 2:06 P.M.

Marita entra na sala.

MARITA: - (NERVOSA) Strughold pegou Mulder. Usou o FBI pra isso.

O Canceroso se engasga com a fumaça do cigarro.

MARITA: - Skinner não está no caso, foram ordens de Kersh. Acabo de ouvir Skinner. Estava conversando com Frohike ao telefone. Disse que Mulder ameaçou Kersh na festa. Talvez Strughold tenha realmente pego Scully como retaliação... E vai jogar a culpa disso em Mulder.

KRYCEK: - Ótimo! Era o que nos faltava! Bem que você falou que Strughold deveria estar por trás disso. Agora vai jogar lá dentro via Kersh e Carter e vão matar Mulder! Isso virou uma grande merda!

HOMEM DAS UNHAS BEM FEITAS: - Foi coisa daquele nazista desgraçado! Só podia ser. Da outra vez, a ideia de pegar Scully e entregá-la na base alienígena foi dele!

GARGANTA PROFUNDA: - Mas confessem que vocês se saíram bem... Armaram sua morte, entregaram a vacina para Mulder e provaram que ela fazia efeito no sistema inteiro da nave. Usaram o plano de Strughold contra ele mesmo! E pobre Mulder! Mais uma vez foi usado sem saber de nada!

KRYCEK: - (INDIGNADO) E quem deu a vacina? Quem? Eu! E Marita que pagou por isso! Sabe de uma coisa? Na verdade estão apavorados porque perderam a segunda cobaia favorita de vocês: Scully!

O Canceroso respira fundo. Olha pra eles, com os olhos cerrados de ódio.

CANCEROSO: - Quero nossos homens infiltrados no FBI. Quero a arma na cabeça do Carter agora mesmo. Skinner deve entrar na investigação do desaparecimento de Scully. Se Carter se recusar a entregar o caso para Skinner, sabem o que fazer. E se Carter recusar Mulder de volta, eu mesmo vou até lá e explodirei aquela maldita cabeça oca que ele tem!

O Homem das Unhas Bem Feitas esmurra a mesa.

HOMEM DAS UNHAS BEM FEITAS: - Está falando há minutos sobre nossos métodos e propõe agora um método arcaico?

CANCEROSO: - O futuro está em jogo. Não vou arriscar que Kersh entregue Mulder para Strughold!

HOMEM DAS UNHAS BEM FEITAS: - Você não entende...

CANCEROSO: - (ÓDIO) Você é quem não entende! Precisamos de Mulder! Somos nós que estamos nas mãos de Mulder agora! Embora eu não confie nele plenamente. Quero saber essa verdade, e vou sangrar qualquer um até descobrir quem pegou Dana Scully! E pouco me importa de quem seja o sangue!

O Canceroso olha pra Krycek.

CANCEROSO: - Sabe o que fazer. Tire Mulder do FBI, ele agora está preso como cidadão, não é mais um agente federal. Assuste Mulder. Quero saber a verdade. Não vou confiar cegamente nele.

KRYCEK: - Não vou fazer isso. Não vou machucar Mulder.

Eles olham pra Krycek.

KRYCEK: - Se não fosse por Mulder eu estaria no espaço agora! Servindo de cobaia. Arranje outro pra esse serviço sujo. Não tocarei mais em Mulder.

CANCEROSO: - Como ousa me desafiar, Alex Krycek? Você não passa de um rato de esgoto que só chegou até aqui por ameaças.

KRYCEK: - Pelo menos joguei honesto desde o início. Não precisei mentir o que não era. Nem tentar matar ninguém numa explosão de carro.

CANCEROSO: - Quer perder sua cabeça agora?

KRYCEK: - Não vou perder mais nada, senhores. Eu entreguei pra vocês a primeira vacina. Eu ajudei vocês. Nunca recebi nada em troca. Apenas perdi um braço, ganhei uma mutação no lugar dele e quase morri diversas vezes. Se pensam que Chernobyl fracassou, que estamos morrendo de fome e de falta de memória, deveriam ver os mísseis que temos apontados pra vocês ainda. Não terão tempo de saber o que atingiu a América.

Krycek sai furioso da sala. Marita sai com ele. O Canceroso olha pra Garganta Profunda.

CANCEROSO: - Sabe o que fazer.

GARGANTA PROFUNDA: - Não farei. Já disse a você que não tocaria em nenhum fio de cabelo de Mulder. Quando me pediu para ser seu informante eu o fiz, em respeito a Bill Mulder. Mas machucar Mulder, não.

O Canceroso abre um sorriso debochado.

CANCEROSO: - Impressão minha ou todos aqui estão conspirando contra mim? Passaram para o lado de Mulder?

O Canceroso olha pro Homem das Unhas Bem Feitas.

CANCEROSO: - E você?

HOMEM DAS UNHAS BEM FEITAS: - Estou velho demais pra isso.

CANCEROSO: - Ótimo! Mulder entra aqui e agora vocês me dispensam. Daqui à pouco ele sentará em minha cadeira e mandará vocês dançarem mambo em cima da mesa e vocês o farão.

Eles viram o rosto. O Canceroso apaga o cigarro no cinzeiro.

CANCEROSO: - Ótimo. Eu resolvo isso. Se foi Mulder quem armou essa, ele vai ter o troco.

HOMEM DAS UNHAS BEM FEITAS: - E se não foi? Vai mutilar seu próprio filho por nada?

CANCEROSO: - Não vou mutilá-lo. Vou dar-lhe um susto. Arrancar a verdade dele.

O Canceroso sai. Garganta Profunda escora-se na mesa. Fecha os olhos.

GARGANTA PROFUNDA: - Deus, eu sonho todas as noites com um tiro na cabeça. Eu não quero mais viver. Tem horas que um homem cansa da vida.

HOMEM DAS UNHAS BEM FEITAS: - Não penso em morrer. Tenho meus netos. Eles precisam de segurança.

GARGANTA PROFUNDA: - Sorte sua ter alguém ainda. Você foi o único que não entregou um filho para eles. Eu convivo todos os dias com a lembrança das minhas filhas e da minha esposa entrando naquela nave... Meu Deus! Se há um Deus realmente que ele me mande para o inferno sem piedade. Eu mereço o fogo eterno!

O Homem das Unhas Bem Feitas suspira. O telefone toca. Garganta Profunda atende.

GARGANTA PROFUNDA: - Sim... (FECHA OS OLHOS) ... Estamos aqui.

Garganta Profunda desliga. Olha para o Homem das Unhas Bem Feitas.

HOMEM DAS UNHAS BEM FEITAS: - Qual a desgraça agora que nos ronda?

GARGANTA PROFUNDA: - Strughold. Quer saber por que pegamos Scully.

O Homem das Unhas Bem Feitas fecha os olhos.

HOMEM DAS UNHAS BEM FEITAS: - Então foram os alienígenas. Agora o problema aumenta.

GARGANTA PROFUNDA: - Não sei. Mas eu não confio em ninguém. Tenho a certeza de que eu não fiz isso.

HOMEM DAS UNHAS BEM FEITAS: - Quem pode saber? São tantos mentirosos convivendo juntos que ninguém acredita em mais ninguém!


BLOCO 2:

FBI – Washington D.C. - 2:34 P.M.

Mulder sai algemado do elevador entre dois agentes que o acompanham. Hematomas pelos braços, arranhões pelo rosto.

Tumulto no corredor. Kersh sai de sua sala e olha pra Mulder.

KERSH: - O que aconteceu com ela?

Mulder olha com ódio pra ele. Kersh olha para os agentes.

KERSH: - Quero um grupo de agentes encarregados de descobrirem o que aconteceu com a agente Scully. Quero que verifiquem o apartamento dela e do agente Mulder em busca de pistas. Ela ainda é uma agente federal, portanto estamos investigando um crime federal.

Mulder olha pra ele, olhos brilhando de raiva. Começa a rir alto. Todos olham pra Mulder, que parece louco, fora de si.

MULDER: - (DEBOCHADO) Não vai encontrá-la, ‘Alvin’...

Kersh olha pra ele.

MULDER: - (RINDO) Eu a matei, precisava protegê-la...

Mulder ergue as mãos, mostrando as algemas. Rindo debochado.

MULDER: - Eu a matei... (RI) Matei!

KERSH: - Tirem-no daqui e o interroguem. Levem-no à psicóloga para avaliação. Está louco!

Mulder continua rindo, fora de si. Os agentes o levam pelos braços. Ele continua rindo e gritando.

MULDER: - Eu a matei!!!!!!! (RINDO) Cortei em pedaços e a enterrei! Nunca a acharão! Antes matá-la pra poupá-la de sofrer nas mãos dos outros. Foi por amor...

Skinner sai de sua sala com o barulho. Olha pra Mulder que já está no elevador. A porta fecha-se. Skinner caminha furioso até Kersh. Aponta pro elevador.

SKINNER: - O que está fazendo?

KERSH: - A agente Scully desapareceu nessa madrugada. Apenas o agente Mulder foi testemunha, não há evidência alguma...

SKINNER: - Não está acusando o Mulder de matar a Scully!

KERSH: - Está se alterando, diretor-assistente.

Skinner dá meia volta, ficando com a fisionomia vermelha. Cerra os punhos.

SKINNER: - (GRITA) Não me viu alterado ainda diretor-delegado!

Todos se viram olhando pra Skinner. Skinner aponta o dedo na cara de Kersh.

SKINNER: - Eles são meus agentes e eu comandarei as investigações!

KERSH: - Não são mais. Mulder não é mais um agente! Scully não pertence mais à sua jurisdição. E você não está nesse caso Skinner e está sendo insubordinado com seu superior.

SKINNER: - Vai me chamar de vadia do Bureau pra me demitir também?

KERSH: - Ele é suspeito! Ele estava com ela na hora do sequestro!

SKINNER: - Sequestro? Eu vou dizer o que sei sobre sequestro. Alguma coisa me coça atrás da orelha dizendo que você sabe o que aconteceu e que tem dedo daquela gente do Sindicato nisso!

KERSH: - Eu não sei do que está falando. Mas eu quero descobrir o que aconteceu com a agente Scully! E para isso preciso de Mulder em condições normais para o interrogatório.

SKINNER: - Por que não o amarrou numa camisa de força? Já percebeu que você destrata um dos melhores agentes do Bureau?

KERSH: - Qual é o seu caso com o Mulder, diretor-assistente?

SKINNER: - Vou relatar seu abuso de autoridade aqui dentro.

KERSH: - O corredor não é lugar propício para discutirmos assuntos de diretoria.

SKINNER: - Qualquer lugar é propício dentro do FBI para discutirmos crimes de abuso de poder.

Skinner sai enfezado, entrando no elevador.


Sala de Interrogatórios - 2:56 P.M.

Mulder, sentado numa cadeira, de frente pra mesa, olhar perdido. Brinca com o maço de cigarros. Skinner o observa através do espelho falso. O agente Niles se aproxima.

NILES: - Não, diretor. Ele passou no detector de mentiras.

SKINNER: - (SORRI) Eu sabia disso. Solte o agente Mulder.

NILES: - Não posso fazer isso, senhor. Preciso da autorização do diretor-delegado Kersh. Ele está comandando esta investigação.

SKINNER: - ... Vou entrar. Quero falar com ele.

Skinner entra na sala. Senta-se ao lado de Mulder. Mulder está cabisbaixo.

SKINNER: - Não bastou tirarem você do FBI e levarem seu filho. Agora tiram Scully de você, lhe acusam de matá-la...

Mulder olha pra Skinner.

MULDER: - Fique fora disto. Você não sabe de nada.

SKINNER: - Aquele homem armou pra você!

MULDER: - Fique fora disso.

SKINNER: - Mulder você sabe mais do que eu e estou começando a ficar muito aborrecido por não me contar o que sabe. Pensei que confiasse em mim.

Mulder olha pra ele.

MULDER: - Eu confio em você. Você é meu amigo. Mas um homem que sabe demais corre perigo de vida. Portanto, não saiba demais.

SKINNER: - Pelo menos pode me dizer que armação é essa que fizeram?

MULDER: - ...

SKINNER: - Mulder, algumas vezes tenho a impressão que você passou para o time errado. Scully sempre me disse que tinha medo de que você se deixasse enganar pelos seus sentimentos em relação àquele homem.

MULDER: - ...

SKINNER: - Você não está trabalhando pra ele... Está?

MULDER: - ...

SKINNER: - Tudo bem, Mulder. Eu quero ajudar você, mas não tenho como fazer isso se você não me ajudar.

MULDER: - Apenas acate as suas ordens se quer me ajudar.

SKINNER: - Como pode confiar em homens que colocam Kersh no seu encalço?

Mulder olha pra ele.

MULDER: - Não foram eles. Há uma dissidência entre os homens que ditam as regras: Resistência e Aliados. A Resistência tentou eliminar os Aliados. Mas um deles se safou da morte. E agora cria problemas. Os métodos usados para resistir não são os mais heroicos. Mas precisam tentar. E Kersh está no time errado.

SKINNER: - ???

MULDER: - É tudo o que precisa saber. Você é uma peça útil à Resistência.

Skinner sorri indignado.

SKINNER: - Eu não acredito que você está me tratando como uma peça do jogo!

MULDER: - Você é uma peça do jogo. Muito estratégica. Só não sabe disso. Continue não sabendo. Ou vão fazer você deitar na cama.

SKINNER: - ...

MULDER: - Portanto, fique fora disso. Eu sei onde estou me metendo.

SKINNER: - Vai deixá-los fazerem o que querem?

Mulder acende um cigarro. Olha pra Skinner. Skinner o olha como se não o reconhecesse.

MULDER: - Meu pai vai me colocar aqui dentro de novo. Você está comigo. E não vou deixar que ninguém ataque você aqui, bem como eles. Kersh e Carter vão deitar na cama. Acredite. Porque se não deitarem... Vamos fazer eles deitarem pra sempre.

Skinner olha pra Mulder apavorado.

SKINNER: - Mulder... O que fizeram com você?

MULDER: - ... (ÓDIO)

SKINNER: - Está acreditando naquele homem? Naquele homem que desgraçou sua vida? No mesmo sujeito que levou seu filho? Que matou seu pai? A irmã da Scully? Que mentiu a vida toda sobre a sua natureza?

MULDER: - Se você está entre cobras peçonhentas, tente ficar perto das que levam mais tempo para te matar com o veneno. É a única chance que têm. Vai ser mordido do mesmo jeito, mas ganha algumas horas pra correr ao hospital.

Skinner levanta-se. Olha pra Mulder.

SKINNER: - Eles tomaram Scully de você!

MULDER: - Não foram eles.

SKINNER: - Mulder, pelo amor de Deus! É você mesmo? Aquele agente que eu conheci, que enfrentava a morte em busca da verdade? Que dava seu sangue pelos inocentes? Que protegia Scully nem que pra isso tivesse que matar?

MULDER: - O que vai fazer, Skinner? Abrir uma investigação sobre o caso da Scully, me colocar nisso, eles colocarão agentes do time deles e uma imensa teia de mentiras que o idiota aqui vai seguir achando que é a verdade. Mentiras, pistas falsas e termino de mãos vazias, sem nenhuma prova, como sempre foi e sempre será. Vai negociar o duvidoso? Não, Skinner. Use a cabeça. Aprenda. Eu já aprendi.

Skinner olha pra ele incrédulo.

MULDER: - Eles vão fazer o que tem de ser feito. Lutar contra todos eles é apenas levar tabefes na cara, tomar tiros e terminar numa mentira, sem prova alguma nas mãos. Sempre foi assim. E sempre será.

SKINNER: - ...

MULDER: - Há um preço alto pra algumas coisas, Skinner. E eu vou pagá-lo. Pode custar minha vida, mas eu vou pagá-lo. Porque existe uma única coisa que me importa na vida agora.

SKINNER: - Scully?

MULDER: - Meu filho. Ele me pertence, é meu por natureza. Fique fora disso.

Skinner sai indignado da sala. Mulder abaixa a cabeça, chateado.


3:21 P.M.

Dois agentes entram na sala.

AGENTE 1: - Agente Mulder?

MULDER: - Sim.

AGENTE 1: - Nos siga.

Eles entregam um papel para o agente Niles. Niles lê o papel e libera Mulder. Eles saem com Mulder, pelo corredor, o segurando pelos braços.

MULDER: - Pra onde estão me levando?

Silêncio.

MULDER: - Eu tenho o direito de saber! Não sou mais um agente federal! Sou um cidadão comum!

Silêncio.

MULDER: - Vocês não são do Bureau!

Eles empurram Mulder rapidamente por uma porta. Mulder tenta reagir, pressentindo o pior. Um deles acerta uma coronhada na cabeça de Mulder. Ele cai ao chão com a testa sangrando, tenta fugir e é segurado, enquanto o outro aplica uma injeção em seu braço. Mulder desmaia. Eles o agarram pelos braços e o arrastam.


No lado de fora do corredor, dois agentes passam, indo em direção a Niles.

AGENTE 3: - Agente Niles, temos ordens do diretor Carter para soltar o agente Mulder. O diretor-delegado Kersh não está mais no caso. Reporte-se agora ao diretor-assistente Skinner. O agente Mulder está nos Arquivos X novamente.

NILES: - Mas... Mulder saiu agora daqui com dois agentes...

Os agentes se entreolham.

AGENTE 4: - Como assim??

NILES: - Aqui, aqui está o papel, assinado pelo diretor-delegado Kersh!

AGENTE 3: - Pra onde foram?

NILES: - Pelo corredor, não sei.

AGENTE 3: - Informe a segurança! Ninguém deve sair do prédio!

Os agentes puxam as armas e saem correndo pelo corredor.


6:27 P.M.

Uma sala, que mais parece um depósito, com caixas de papéis. Apenas uma janela pequena no alto da parede, onde um homem não pode passar devido ao tamanho. Mulder amarrado na cadeira de dentista. Testa sangrando. Está tonto, fora de si. Atrás dele um sujeito forte, bem vestido. Strughold se aproxima de Mulder. Inclina-se sobre ele e olha em seus olhos.

STRUGHOLD: - Se não é o filho do demônio... A aberração genética...

MULDER: - ...

STRUGHOLD: - A maldita cobaia híbrida... Você causou muito prejuízo, nem um gene seu valeria tanta dor de cabeça.

Mulder olha pra ele.

MULDER: - (DEBOCHADO) Muito prazer, sou o herdeiro do inferno.

STRUGHOLD: - Tentei ferrar sua vida tantas vezes... Mas eu não sabia quem o protegia e nem porquê. Até que aquele russo descobriu que você era a experiência genética, seu judeu bastardo. Foi quando descobri que fui traído por aqueles covardes seguidores do seu pai. Fizeram tudo isto sem meu conhecimento. Enquanto eu dava ordens pra criarem a raça perfeita humana-alien, eles faziam você paralelamente, como uma cura genética. Agora entendo porque a minha experiência não funcionou. Na verdade funcionou, só eu que não sabia. E eu pensei que você fosse filho natural de Bill Mulder... Todos vocês mancomunados contra mim, durante muitos anos, lutando pela resistência aos alienígenas... Não há resistência, Mulder. Só aliados.

MULDER: - Me chamou aqui pra contar historinhas?

STRUGHOLD: - Chamei você aqui porque quero saber onde está Scully.

MULDER: - Não sei. Você é quem deveria me dizer.

STRUGHOLD: - O que estão tramando? Por que precisam dela?

MULDER: - Vocês é que estão tramando! O que querem com ela? Peguem a mim! Sou eu quem vocês querem!

STRUGHOLD: - Do que está falando?

MULDER: - Não se faça de idiota, Conrad Strughold! Eu faço o que quiser, mas me devolva a Scully!

STRUGHOLD: - Não estou com ela.

MULDER: - Então foram os seus amiguinhos gafanhotos!

STRUGHOLD: - Não acredito em você. Os aliens teriam me dito alguma coisa.

Strughold vira-se para trás. Mulder o observa. Lentamente ele vira-se, mostrando uma broca de obturação.

STRUGHOLD: - Muito bem, Mulder. Tem duas opções. Me contará a verdade ou vou fazer você sentir na pele o que meu pai fazia naqueles judeus miseráveis na segunda guerra.

MULDER: - Você não vai tocar em mim. Se encostar em um fio do meu cabelo, o Fumacinha te mata.

STRUGHOLD: - Eu vou me livrar dele e de você. E daqueles cretinos todos que forjaram suas mortes pra saírem ilesos, enquanto meus homens ficavam lá e morriam numa atitude covarde de negociação do seu pai com aqueles Rebeldes. Você nunca teria impedido nada se não tivesse sido informado do que acontecia!

MULDER: - ...

STRUGHOLD: - Onde está Scully?

MULDER: - Eu não sei!

Strughold olha para o homem atrás de Mulder. O homem consente e prende a cabeça de Mulder na cadeira, colocando uma espécie de fórceps em sua boca, que lhe obriga a ficar com a boca aberta. Strughold liga a broca.

STRUGHOLD: - Vou perguntar pela última vez. Onde está Scully?

MULDER: - (GRITA/ OLHOS ARREGALADOS/ MEDO) Eu não sei!

Strughold coloca a broca sobre um dente de Mulder. Mulder começa a gritar.

STRUGHOLD: - Sabe, Mulder, há muito tempo eu não trabalho como dentista... Posso pegar um nervo sem querer e você vai ficar aí pro resto da sua vida vegetando. Onde está Scully?

MULDER: - (GRITA) Eu não sei!

Mulder dá um grito de dor intensa. O sangue começa a escorrer de sua boca. Strughold retira a broca.

STRUGHOLD: - Acho que está escondendo alguma coisa. Aposto que você sumiu com ela porque ela está com a criança.

Mulder, meio tonto, mal consegue falar.

STRUGHOLD: - Onde está Scully?

MULDER: - (CHORANDO DE DOR) Eu não sei! Eu juro que não sei!

Strughold troca a broca por outra mais fina. Aproxima-se. Mulder tenta mover a cabeça, mas não consegue. Fecha os olhos.

STRUGHOLD: - Tenho muito tempo, Mulder. Não vou deixar você morrer. Quero a resposta primeiro e vou torturar você até que me confesse onde está Scully. Nem que pra isso, você morra.

MULDER: - (DESESPERADO) Eu não sei!

Strughold coloca a broca em outro dente de Mulder.

STRUGHOLD: - Sabe que na segunda guerra, muitos judeus porcos morriam assim?

MULDER: - (GRITANDO)

STRUGHOLD: - Não está doendo Mulder... Obturações sem anestesia não doem. Ah, me esqueci de dizer que não doem se usar brocas com água. Eu prefiro brocas secas.

MULDER: - (GRITANDO/ SE BATENDO CONTRA A CADEIRA)

STRUGHOLD: - Por que não me conta a verdade, Mulder? Por que protege aquele cretino?

Strughold retira a broca.

STRUGHOLD: - Desculpe. Acho que peguei um canal...

MULDER: - (SANGUE ESCORRENDO PELA BOCA)

STRUGHOLD: - Onde está a Scully?

MULDER: - (QUASE DESMAIANDO) Eu... não... sei.

Mulder desmaia. Strughold olha pro homem.

STRUGHOLD: - Me chame quando ele acordar. Ele só sai daqui se confessar. Ou então morto.


7:11 P.M.

Mulder acorda-se. Sujo de sangue pela boca e roupas. Strughold, encostado numa mesa, olha pra ele friamente. Mulder está desatinado de dor, confuso, tonto.

STRUGHOLD: - Onde está a agente Scully?

MULDER: - ... Eu não sei...

STRUGHOLD: - Recapitulando... Você sentiu-se ameaçado por mim com sua demissão do FBI e resolveu ameaçar Kersh com o apoio de seu pai. Você e aqueles homens estão juntos. Então vocês somem com a agente Scully. Isso me faz crer que vocês estão com a criança. Afinal, nada como uma mãe para criar um filho longe dos olhos de todos.

MULDER: - ... Eu não sei onde ela está.

Strughold aproxima-se de Mulder com a broca. Mulder grita aos prantos.

MULDER: - Eu não sei, pelo amor de Deus! Eu não sei! (CHORANDO) Eu juro que não sei... Eu não sei...

STRUGHOLD: - Não acredito em você Mulder.

MULDER: - Me escuta... Me escuta... Eu não sei onde ela está. Talvez eles a tenham tirado de mim sem eu saber...

STRUGHOLD: - ...

MULDER: - (CHORANDO) Eles me traíram... Mentiram pra mim... Disseram que não tocariam nela... Estou cansado... Eu perdi a Scully!

Strughold olha pra Mulder, o analisando. Mulder chora, cansado.

MULDER: - Pode me matar... Mas eu não sei... Eu só quero a Scully de volta... Me devolva ela... Por favor!

STRUGHOLD: - Sabe que não estou com ela.

Strughold aproxima-se e coloca a broca na boca de Mulder. Mulder tenta reagir.

MULDER: - Espera...

Strughold retira a broca. Olha nos olhos de Mulder.

MULDER: - (TONTO) Se você parar... De me machucar... Eu conto.

STRUGHOLD: - Fale. Se me disser algo interessante eu deixo você sair vivo.

MULDER: - Estou com dor...

STRUGHOLD: - Vou passar um anestésico local. E você vai falar.

Strughold passa um anestésico na gengiva de Mulder. Mulder fecha os olhos, sentindo um alívio.

MULDER: - Alguém sumiu com meu filho. Nenhum deles sabe quem foi... Se não acharem a criança, não haverá vacina contra os aliens. Porque estou estéril... Não restaram óvulos da Scully e mesmo que restassem precisaria que o filho fosse meu.

STRUGHOLD: - Então o que querem com você?

MULDER: - Eu posso ler a mente dos alienígenas... Essa é a minha utilidade para a Resistência.

STRUGHOLD: - E a mente dos humanos?

MULDER: - Não... Só a dos alienígenas... Eu sou a segurança que eles têm de que nenhum outro alien se infiltre na organização. Eu não sirvo pra mais nada. Nem para procriar.

STRUGHOLD: - (SORRI) Então os idiotas se ferraram pelas próprias mãos... Foram pegar seu filho e acabaram sem o seu filho e com você estéril... Tolos... Mas Mulder, por que me contaria isso? Não está ao lado do seu pai?

MULDER: - Porque eu os odeio! Eles tiraram a Scully de mim! Eu odeio aquele homem, eu quero é matá-lo!

STRUGHOLD: - E sabe por que eles fariam isso?

MULDER: - Porque eles a querem morta! Assim eu acabo me entregando completamente nas mãos deles!

STRUGHOLD: - Mulder, você não está me convencendo. Será que está mentindo pra mim?

Strughold coloca a broca na boca de Mulder. Mulder crava as unhas no braço da cadeira.

MULDER: - (DESESPERADO) Não... Eu juro pra você...

STRUGHOLD: - Onde está a Scully? Vou acabar matando você!

MULDER: - (GRITA/ DESESPERADO) Eu juro por Deus que não sei!!!!!!!!!! Pode me matar, mas eu não sei!

[Fade in]

[Som da broca e dos gritos de Mulder]

[Fade out]


Rua 46 Este – New York - 10:14 P.M.

O Canceroso e o Homem das Unhas Bem Feitas saem do prédio. Krycek ao lado deles. Ficam parados na calçada.

HOMEM DAS UNHAS BEM FEITAS: - Não vão deixar Mulder viver. E sem Mulder, não temos mais esperanças. Não temos mais nada contra os alienígenas.

CANCEROSO: - Strughold não é idiota. Ele sabe que Mulder pode achar a criança. Ele também a quer. Não para resistir, mas para entregar aos aliens.

HOMEM DAS UNHAS BEM FEITAS: - Imbecil... Strughold é um imbecil. Talvez isso sirva pra ele aprender de que lado deveria estar. Do lado da raça dele. Aposto com você que os alienígenas pegaram Scully. E mentiram para Strughold.

CANCEROSO: - Se alguém tiver alguma notícia, comuniquem. Estamos em alerta. Vou para Washington agora.

A limusine preta para rapidamente na frente deles. Eles recuam assustados. A porta traseira abre-se. Empurram Mulder na calçada, todo sujo de sangue, amarrado e com um bilhete preso na camisa. Partem rapidamente. O Homem das Unhas Bem Feitas vira o rosto.

HOMEM DAS UNHAS BEM FEITAS: - Meu Deus! O mataram?

Os pedestres olham apavorados. Burburinho de gente. Krycek agacha-se e puxa Mulder pelos braços.

KRYCEK: - Precisamos dar o fora daqui. Estão chamando a atenção.

CANCEROSO: - Leve-o pro aeroporto. Nos encontramos no avião.

O Canceroso acena para um táxi. Krycek coloca Mulder no banco de trás. Entra no carro.

KRYCEK: - (NERVOSO) Mulder, fale comigo... Mulder, não perca a consciência! Fala comigo! Mulder, se não falar comigo, vou meter um beijo de língua na sua ruiva.

Mulder olha pra ele e sinaliza algo obsceno com o dedo. Krycek sorri e fecha a porta. O Canceroso entra rapidamente em outro táxi.


BLOCO 3:

Apartamento de Diana Fowley – Washington - 1:11 A.M.

Mulder abre os olhos, sentindo o calor do edredom e a cama macia. Percebe que está sem camisa. Diana sorri pra ele enquanto passa um pano molhado em seus lábios.

DIANA FOWLEY: - A dor aliviou?

MULDER: - ... (TONTO)

DIANA FOWLEY: - Ele acordou!

Krycek entra no quarto.

KRYCEK: - Mulder, o que ele disse?

MULDER: - ...

DIANA FOWLEY: - Ele não está em condições de falar. Olha como está com o rosto inchado. Chame o médico até aqui.

Mulder olha pra Krycek e fecha os olhos, abrindo-os novamente.

KRYCEK: - Foi Strughold mesmo?

MULDER: - (CANSADO) Sim...

O médico entra no quarto. Diana e Krycek saem.


Corta para a sala.

O Canceroso fumando de um lado pra outro. Krycek apoiado na janela. Diana olha pra eles. O Canceroso olha para o bilhete aberto sobre a mesa: ‘da próxima, mato o seu filho’.

KRYCEK: - E agora? Alguma ideia?

DIANA FOWLEY: - ... Eu fico com ele. Não podem deixá-lo voltar. Eles vão pegá-lo novamente.

CANCEROSO: - Tome conta de Mulder. Eu sei o que vou fazer.

Krycek olha pra ele.

CANCEROSO: - Primeiramente quero saber se posso contar com você.

KRYCEK: - Sabe que pode. Já aprendi a minha lição quando tentei negociar com Strughold.

CANCEROSO: - Vamos convocar uma reunião. Se o culpado não se manifestar, quero seu apoio. Tenho você e os alienígenas Rebeldes.

DIANA FOWLEY: - Estou com você. Sempre estive. Só espero que agora saiba disso e não tente nada contra mim de novo.

CANCEROSO: - ...

KRYCEK: - Acho que não podemos perder mais gente. Dê uma chance a ela. Ela estava cumprindo o acordo, você é que descumpriu sua palavra.

CANCEROSO: - Se não descobrirmos quem está com Scully, a guerra está decretada. A partir de hoje se Strughold iniciar alguma experiência, a tomaremos dele. Quero Diana de olho em Kersh e Carter, enquanto Mulder está fora.

DIANA FOWLEY: - Carter está sob controle. É só uma questão de tempo e ele estará totalmente do nosso lado. Mas quer proteção.

CANCEROSO: - Terá proteção. Ele cumpriu sua palavra desistindo de demitir Mulder do FBI. Mas precisamos eliminar Kersh.

DIANA FOWLEY: - E se Scully não voltar? Posso assumir os Arquivos X ao lado de Mulder?

CANCEROSO: - Os Arquivos X são Mulder e Scully. Se Scully não voltar, Mulder ficará sozinho. E assunto encerrado. Você fica na crimes violentos. Não vai chamar atenção por lá.

DIANA FOWLEY: - ...

CANCEROSO: - Krycek, quero que trabalhe com Mulder fora do FBI. Fique de olho nele. Vamos começar a agir como animais. Quero o pessoal espalhado, caçando os homens de Strughold. Matem, queimem, destruam. Não me oporei a nada. Acabem com as experiências dele!

Krycek olha pra porta do quarto. Mulder segura-se na porta olhando pra eles.

MULDER: - Eu estou... Com vocês.

CANCEROSO: - Quero saber por que Strughold torturou você.

MULDER: - Queria... Que eu confessasse... Que estávamos com Scully.

KRYCEK: - Eu não disse? Os alienígenas a pegaram!

CANCEROSO: - Disse mais alguma coisa para Strughold?

MULDER: - (CÍNICO) Não sou um agente duplo... Não disse nada... Eu trabalho pra vocês... Não sou como o Krycek que trabalha em causa própria.

Mulder perde o equilíbrio. Diana o segura.

DIANA FOWLEY: - Fox, deve descansar...

MULDER: - Não vou descansar enquanto não souber o que fizeram com Scully.

DIANA FOWLEY: - Volte pra cama, venha...

Diana o leva para o quarto. O Canceroso olha pra Krycek.

CANCEROSO: - Fique de olho nessa mulher. Não a quero envolvida com Mulder.

KRYCEK: - Certo.

CANCEROSO: - Estou dando carta branca para você no jogo. Espero que saiba aproveitar. Porque se fizer alguma coisa errada, eu mato você sem misericórdia alguma.

O Canceroso sai. Krycek respira fundo.


2:19 A.M.

Diana senta-se na cama. Mulder de olhos fechados. Ela passa a mão em seu rosto.

MULDER: - (CANSADO) Gosto disso...

DIANA FOWLEY: - Fox, espero que agora esteja vendo com seus próprios olhos... Entende agora por que apoiei estes homens? Eles estão a favor da humanidade. Sei que os métodos não são os melhores, mas alguém precisa fazer isso. O que são algumas vidas em troca de muitas?

Mulder olha pra ela.

DIANA FOWLEY: - ... Está melhor?

Os olhos de Mulder estão parados.

DIANA FOWLEY: - Fox...

MULDER: - ...

DIANA FOWLEY: - Você vai ficar bom. Mas é melhor que até lá permaneça aqui comigo. Vou cuidar de você.

Mulder vira-se na cama. Envolve o braço na cintura dela, recostando sua cabeça no quadril dela. Diana afaga seus cabelos.

DIANA FOWLEY: - Está cansado, Fox. Durma um pouco. Você sabe que pode contar comigo. Não deixarei que ninguém te machuque.

MULDER: - Não sei... O que planejam... Preciso saber... Pelo meu filho e por mim...

DIANA FOWLEY: - ...

MULDER: - Eu tenho medo deles... Se Scully se foi... (CHORA) Como eu acho que se foi... Só me resta meu filho... E-eu preciso ter forças, mas não sei onde encontrá-las... Preciso saber de tudo o que estão fazendo... E de forças pra esquecer a Scully... Não confio no Canceroso... Eu estou só... Só e perdido.

DIANA FOWLEY: - ... Como sempre, o eterno garotinho...

MULDER: - Dói estar só... Dói não ter mais em quem confiar... Estou sozinho, carente... Ninguém me ajuda a encontrar meu filho... Eles segredam coisas de mim pelos cantos, e eu não tenho como saber disso...

DIANA FOWLEY: - Eu ajudo você, Fox. Eu o manterei informado. Sabe que pode confiar em mim. Estou aqui e vou cuidar de você. Vamos encontrar seu filho. Juntos.

MULDER: - ... Eu fui tão mau pra você... Por que cuida de mim?

DIANA FOWLEY: - Sempre gostei de você Fox. De um jeito diferente, mas sempre gostei.

Mulder beija o quadril dela. Diana fecha os olhos, respirando profundamente, num sorriso de vitória. Afaga os cabelos dele. Mulder fecha os olhos.


4:46 A.M.

Os pés descalços caminham pela sala. Mulder veste suas roupas em silêncio, na penumbra. Pega uma caneta e começa a escrever um bilhete. Abre a porta do apartamento de Diana e sai.


8:41 A.M.

Krycek esmurra a parede, enquanto lê o bilhete. Diana fica em silêncio.

KRYCEK: - Como pôde tê-lo deixado sair?

DIANA FOWLEY: - Eu não ia adivinhar que ele sairia daqui no meio da madrugada pra procurar Scully!

KRYCEK: - Pois deveria ter adivinhado! Agora vou ter que catar Mulder por aí! Se duvidar, ele voltou para o Maine!

DIANA FOWLEY: - Então vá atrás dele!

KRYCEK: - Se alguma coisa acontecer com o Mulder, ou ele fizer besteira, a responsabilidade é sua!

DIANA FOWLEY: - Minha? Não sou eu quem trabalha com ele.

KRYCEK: - Não conhece Mulder tão bem quanto acha que conhece.

DIANA FOWLEY: - Eu conheço Mulder! Eu sei que Fox está desesperado e tenho pena dele! Mas não posso prever suas atitudes!

KRYCEK: - Então você não o conhece como pensa que conhece. Porque minha namorada sabe até a palavra que eu vou dizer em determinadas situações.

DIANA FOWLEY: - Talvez porque você seja previsível.

KRYCEK: - Escute um conselho: fique longe do Mulder, entendeu?

Diana vai para o quarto. Krycek amassa o bilhete, olhando em direção à porta do quarto.

KRYCEK: - (RESMUNGA) Vadia...

Krycek abre a porta e sai furioso.


FBI – Gabinete do Diretor-Assistente - 4:26 P.M.

Skinner serve um copo de uísque. Entrega para Mulder, sentado no sofá, à sua frente. Mulder ainda com o rosto inchado, olheiras, completamente abatido.

SKINNER: - ... Onde estava? Fiquei preocupado com você.

MULDER: - Voltei ao Maine... Mas não há nada... Nada... Nenhuma pista...

SKINNER: - ... Não encontramos também.

MULDER: - ... Não sei... Me sinto estranho... De mãos atadas, cansado de lutar, perdido nas mentiras...

Skinner entrega a arma e o distintivo pra Mulder.

SKINNER: - E como você previu na noite da festa...Bem vindo ao FBI novamente, agente Mulder. Só não previu que, infelizmente, voltaria para ficar encarregado oficialmente das investigações sobre o desaparecimento de Scully.

MULDER: - ... Outra vez...

SKINNER: - Mulder...

MULDER: - ... Um dia eu vou me ajoelhar e pedir desculpas pra você. Por ter mentido.

SKINNER: - Eu não entendo porque está com eles.

MULDER: - Porque é preciso. E agora, mais do que nunca é preciso.

SKINNER: - ...

Mulder levanta-se. Skinner olha pra ele preocupado.

MULDER: - Faz um favor pra mim? Não fale mais nela... Dói menos.

Mulder sai da sala cabisbaixo. Skinner perde o olhar no nada.


Arquivos X – 5:11 P.M.

Mulder entra, fechando a porta. Observa a sala vazia. Olha pra mesa de Scully. Sorri. Senta-se na cadeira dela. Pega o porta lápis cheio de desenhos de ursinhos. Brinca com ele, derrubando lágrimas.

MULDER (OFF): - Como será minha vida agora? Eu... Eu não sei viver sem você... Sem a sua voz, a sua presença, nem que fosse para brigar comigo... Deus, como isso dói! Não existe dor mais profunda do que essa que estou sentindo... Nem mesmo aquela maldita tortura... Nada... Nada dói mais do que isto...


Uma semana depois...

Mulder sentado à mesa do restaurante caríssimo. O Canceroso levanta-se, indo embora. Diana Fowley olha pra Mulder.

DIANA FOWLEY: - Finalmente sozinhos.

MULDER: - (SORRI) ...

DIANA FOWLEY: - Quer falar sobre conspirações?

MULDER: - Acho que não.

Mulder pega a rosa do arranjo sobre a mesa. Coloca na frente de Diana. Ela sorri. Pega a rosa e aspira o perfume.

DIANA FOWLEY: - Você sempre surpreende uma mulher.

MULDER: - É, elas dizem isso. Não é intencional. É apenas um hábito de ser agradável.

Diana coloca sua mão sobre a de Mulder. Olha pra ele.

DIANA FOWLEY: - Estamos sozinhos nesse hotel. Eles vão embora hoje.

MULDER: - Todos?

Ela afirma com a cabeça num sorriso malicioso.

MULDER: - Foram fazer o quê? Você sabe me dizer?

DIANA FOWLEY: - Estão subornando um dos homens de Strughold pra conseguirem um mapa dos pontos estratégicos. Os locais onde eles estão trabalhando. Fox, por favor, se eles desconfiarem...

MULDER: - Você sabe que eu não colocaria você em risco. Você é o que me sobrou... A única em quem posso confiar.

DIANA FOWLEY: - Peço a champanhe? No seu ou no meu apartamento?

Mulder abaixa a cabeça.

MULDER: - Diana... Me desculpe.

Mulder pega as mãos dela e as beija.

MULDER: - Eu não quero ser grosso com você. Não consigo fazer isso. Nem que eu tente. Sem cabeça pra transar, entende? Eu não estou bem, nem física e nem emocionalmente pra fazer sexo. Seria bom relaxar, mas... Não vou conseguir fazer nada.

DIANA FOWLEY: - Scully?

MULDER: - Sim... Olha, não é fácil você aceitar uma perda. Eu não quero admitir isso, mas pra você, em quem confio, eu posso admitir: algo dentro de mim me diz que ela está morta.

DIANA FOWLEY: - ... Sinto isso também, Fox. Lamento.

MULDER: - E eu estou sofrendo com isso. É tudo muito recente.

DIANA FOWLEY: - Fox, não vou dizer que posso fazer você esquecer dela. Mas posso fazer você esquecer disso por algumas horas. Vai ser melhor pra você.

Mulder sorri cansado. Olha pra ela.

MULDER: - (PIDÃO) Você sabe como sou. Me dá um tempo para colocar minhas ideias no lugar, começar a pensar em refazer a minha vida do zero. Com certeza há um lugar pra você nela. Mas agora não. Eu estou sofrendo. Sei que entende isso.

DIANA FOWLEY: - (SORRI) Certo Fox... Eu espero.

Mulder levanta-se. Ajuda Diana a se levantar. Ela olha pra ele.

DIANA FOWLEY: - Tem certeza?

MULDER: - Tenho.

Diana aproxima os lábios dos de Mulder, mas ele desvia e beija seu rosto.

MULDER: - Vá dormir. Foi um dia cansativo.

DIANA FOWLEY: - E você?

MULDER: - Vou andar um pouco pela praia, chorar a minha perda e tentar catar meus restos. Preciso disso. E preciso estar só pra fazer isso... Diana, você é a mulher dos sonhos de qualquer homem... Eu estou sendo sincero. Preciso admitir que você combina tanto comigo, que nunca divergiu dos meus pensamentos, das minhas teorias... Eu enterrei aquele passado. Todo mundo erra. Você errou comigo, eu errei com você. Mas a gente amadurece. Somos diferentes daqueles dois do passado. A maturidade ensina. Só que eu preciso de tempo para me recompor. Scully foi muito importante na minha vida. Ainda dói.

DIANA FOWLEY: -(SORRI) Entendo.

MULDER: - Depois que eu superar isso, vamos começar de novo. Numa noite intensa, como os dois animais que éramos na cama quando nos conhecemos. Isso não mudou.

Diana sorri. Beija-o na testa. Caminha até a saída do restaurante. Mulder a acompanha com os olhos. Ela vira-se e sorri. Mulder acena pra ela sorrindo. Diana sai. Mulder tira o sorriso dos lábios.



11:28 P.M.

[Som: Duran Duran - Do You Believe in Shame?]

Mulder sentado no bar do hotel. Olha pela janela, enquanto bebe um uísque. Observa o mar, perdido em lembranças.


FLASH BACK:

Apartamento de Mulder – 2:21 A.M.

Um Mulder bem mais jovem sai do elevador. Donald ao lado dele, mascando chicletes, também mais jovem. Mulder revira os bolsos procurando as chaves.

MULDER: - Não faz barulho.

DONALD: - Ok. Não vou atrapalhar o sono de ninguém.

MULDER: - Vou pegar o maldito arquivo e já vamos pra Ohio. Estamos atrasados, já devíamos estar lá.

DONALD: - Você também, né Mulder? Que cabeça! Já podíamos estar lá há horas, se não fosse você ter esquecido essa droga e termos que voltar. Tá com a cabeça aonde?

Mulder escora-se na parede. Suspira. Olha pra Donald.

MULDER: - As coisas não vão bem.

DONALD: - Quer falar disso? Já estamos atrasados mesmo.

Mulder abaixa a cabeça.

MULDER: - Não dá certo... Eu exagero... Me instalei na casa dela até ela dizer que éramos apenas namorados... Depois fomos morar juntos e não deu certo. Ela quer sair, mas eu prefiro ficar em casa. Sei que sou teimoso, mas ela não me faz mudar! Temos muitos assuntos pra conversar, mas sempre termina em ‘eu estou cansada, hoje não’. Donald, eu não estou mais aguentando isso. Eu não tenho uma mulher do meu lado! Nem transar comigo ela quer! Não éramos assim. Ontem eu toquei nela pra fazer um carinho e ela me acusou de só pensar em sexo. Tento dormir abraçado nela, ela me empurra dizendo que dormir agarrado dá dor na coluna. De manhã ela acorda e sai bem antes de mim.

DONALD: - ... Conversou com ela?

MULDER: - Claro que sim! Ela implica até que eu durmo com a TV ligada. ‘Faz claridade no quarto, Fox! Vá ver TV na sala e me deixe dormir’.

DONALD: - Mulder, larga essa mulher... Eu já te disse que você merece coisa melhor... Sem querer ofender, mas me sinto seu amigo o suficiente pra dizer que ela não me parece boa coisa.

MULDER: - Ah, Donald, esquece... Aquilo que te falei... Ela jurou que não e eu confio nela. Eu vejo coisas onde não existem, entende? Eu sou paranoico e ela sofre!

DONALD: - Ah tá certo, Mulder. Você é estranho, mas não é louco! E de quem era o relógio então, Mulder?

MULDER: - Era do pai dela.

DONALD: - Ah sei... Ela resolve pegar o relógio que o pai lhe deu e justamente deixar no lado da sua cama...

MULDER: - Coincidências acontecem.

DONALD: - Olha Mulder, por menos coincidências que esta eu teria aberto meus olhos.

MULDER: - Ah, Donald. O que sabe você de relacionamentos?

DONALD: - Tanto quanto você. Mulder, essa é a segunda mulher com quem você divide seu espaço. Não tem moral pra dizer que eu não entendo. Você também não!

MULDER: - (SORRI) Ok, Padre, desculpe...

DONALD: - (SORRI) Pelo menos no seminário não havia esses problemas... Mas não me arrependo de ter saído. Não tinha vocação. Não dá pra portar armas usando batina.

MULDER: - Obrigado por me ouvir.

Mulder coloca a chave na porta. Empurra a porta lentamente. Os dois entram silenciosamente. Donald encosta a porta. Mulder caminha lentamente e acende o abajur da sala.

[Som de gemidos]

Mulder fica estático. Donald olha pra ele. Mulder fecha os olhos, cerrando os lábios. Donald fica constrangido.

DONALD: - (SUSSURRA) Acho melhor eu... Esperar você lá fora.

Mulder fica parado, com uma expressão de incredulidade e ódio. Cerra os punhos. Donald olha pra ele angustiado.

DONALD: - Mulder... Estou lá fora. Não faz besteira cara. Não vale a pena.

Donald abaixa a cabeça e sai. Mulder puxa a arma do coldre. Avança em direção ao quarto.


BLOCO 4:

TEMPO PRESENTE:

Mulder olha para o copo à sua frente, mergulhado em lembranças. Sai do transe com Krycek lhe cutucando o braço.

KRYCEK: - Ei, dormindo acordado?

MULDER: - Não... Lembrando coisas desagradáveis ao som de Duran Duran... Quando pela primeira vez eu bati numa mulher...

KRYCEK: - Ah não, me conta isso. Você bateu numa mulher? Você, o Don Juan? Espera aí.

Krycek senta-se à mesa e sinaliza para o garçom. O garçom aproxima-se.

KRYCEK: - Traz a garrafa desse que ele está tomando.

O garçom afasta-se. Krycek olha pra Mulder.

KRYCEK: - (CURIOSO) Você bateu numa mulher? O bom garoto???

MULDER: - É. Eu tive uma vida antes da Scully. Não era bem uma vida, mas eu tive um passado. Terrível, mas não dá pra negar.

KRYCEK: - Mas bateu mesmo ou foi um tapa?

MULDER: - Bati pra valer. E não foi com uma rosa. A deixei estirada no chão. Ficou roxa por um mês. Sabe o que mais dói num homem? A traição.

KRYCEK: - Concordo. Faz você ficar cego. Um homem não admite ser traído, é algo genético.

O garçom coloca a garrafa sobre a mesa e outro copo. Vai servir, mas Krycek o impede. O garçom afasta-se. Krycek serve seu copo e enche mais o de Mulder.

KRYCEK: - ... E o que fez depois?

MULDER: - Transei com uma testemunha do caso que investigava. Alanna... Que mulher! E transei sem culpa alguma. E realmente, foi cinematográfico. Então contei pra traidora que eu também havia traído.

KRYCEK: - E ela? Argumentou algo?

MULDER: - Não falou nada. Pediu perdão e jurou que nunca faria mais aquilo. Que foi um momento de fraqueza. Eu a perdoei, arrependido de ter batido nela. Mas ela esfregava aquilo na minha cara, todo o dia, e eu não tinha coragem de dizer que aquilo havia acontecido porque eu fui traído. Porque ela estava certa: não há justificativa pra uma atitude violenta.

KRYCEK: - E ela não traiu mais você.

MULDER: - Fez mais três vezes escondido. Sempre com agentes que me conheciam. Eu era o corno da Crimes Violentos. Ouvia piadinhas dos velhos: lá vai o alce.

KRYCEK: - (BALANÇA A CABEÇA INDIGNADO)

MULDER: - Até que ela apanhou de novo. Já tava virando rotina e eu estava perdendo minha saúde mental. Estava virando um canalha violento e bêbado. Mas quando descobri essa nova traição dela, saí de casa.

KRYCEK: - Foi embora?

MULDER: - Não. (RI) Peguei a primeira prostituta que encontrei na rua e levei pro meu apartamento. Mandei a traidora dormir na sala porque eu tinha companhia. Fiz a maior festa.

KRYCEK: - (INCRÉDULO/ RINDO) ... E ela?

MULDER: - Perdão de novo... (RI DE SI MESMO) E eu chorei aos pés dela arrependido de ter batido nela, de tê-la traído... Como homem é idiota! Eu me sentia culpado, acredita? E ela não. Mas chega um ponto em que você percebe que não é uma relação saudável. Viver com uma mulher em quem não confia... Transava com ela só usando preservativo. Não sabia quem havia andado por ali. Chegava mais tarde e ambos desconfiavam um do outro.

KRYCEK: - (SORRI) E a tal Alanna era interessante?

MULDER: - Ela era gostosa. Fizemos sexo a noite toda, intensamente. No outro dia não dei explicações pra cara amarrada da outra, sentada no meu sofá, com um olho roxo, me pedindo desculpas.

KRYCEK: - E como acabou o relacionamento? Você deixou dela?

MULDER: - (RI DE SI MESMO) Ela me deixou, colocando um processo contra mim. Fui quase preso por espancamento. E ela foi embora, porque estava há meses negociando uma promoção. Ela já tinha tudo planejado, bem antes dessas traições acontecerem. Assumiu que ia me deixar mesmo que aquilo não tivesse acontecido. Ou seja: ela me usou pra conseguir uma recomendação e ia me passar a perna profissionalmente também.

KRYCEK: - Puxa, Mulder... Que barra!

MULDER: - Daquele dia em diante, comecei a comprar revistas e deixar espalhadas pelo quarto. Mulheres de papel não dão dor de cabeça e não traem sua confiança. Incendiei a cama, tirei minhas roupas dali e tranquei aquele quarto. Nunca mais dormi ali. Jurei que nunca mais teria nenhuma mulher na minha vida.

KRYCEK: - Até que Scully chegou.

MULDER: - Exatamente. Mas mesmo assim o quarto continuou fechado por um bom tempo. Por via das dúvidas...

KRYCEK: - (SORRI) ... Impressão minha ou estamos falando de Diana Fowley?

MULDER: - Ah, deixa pra lá, enterrei isso.

KRYCEK: - Marcaram uma reunião com todos. Vamos nos encontrar sozinhos no Colorado. Alguém vai ter que dizer o que houve com Scully.

MULDER: - Sabe, Krycek... Quando você tá numa pior, as piores lembranças lhe vêm à tona... E eu estava comparando os relacionamentos que tive com o relacionamento que tinha com Scully... Em porquê eu gosto da Scully... Nas coisas diferentes que ela me deu...

KRYCEK: - Mulder... Eu sinto por ela. Deixando nossas divergências de lado, eu... Vocês salvaram a minha vida quando eu arruinei a de vocês diversas vezes e estou agradecido por isso. Portanto confie em mim. Sei que eu trabalho por mim e sei que você trabalha por você. Não adianta apostar nesses homens. É preciso ficar jogando o jogo deles em interesse próprio. Acho que você já entendeu isso.

MULDER: - Eu sei. Se encontrar meu filho eu desisto disso. Sei que o preço é a morte, mas dane-se.

KRYCEK: - Acha que também não sei que vão me matar se eu cair fora?

MULDER: - Me diz uma coisa que tento entender: o que você quer com eles? Eu faço isso pra achar meu filho e agora Scully. Mas e você? O que quer achar?

KRYCEK: - Quero me sentir vivo.

MULDER: - Como assim?

KRYCEK: - Mulder, ao contrário de você eu nunca tive nada na minha vida. Nem carreira, nem mulher, nem dinheiro... Eu fui humilhado minha vida toda. Quando entrei pra KGB eu achei que ali encontraria alguma resposta pra mim, alguma emoção... Até que cometi a burrice de vender informações em troca de dinheiro. Quando você tá na pior não pensa. Então recebi asilo político. Mas em troca o governo russo me respeitou. Quando acabou a guerra fria, eu não tive mais utilidade. Não podia mais voltar pra Rússia, eles queriam me matar. Então aceitei a oferta do seu pai. E foi quando descobri que todos os governos são iguais. Porque eu me tornei representante do governo oculto da Rússia. Entendeu?

MULDER: - ... Complicado...

KRYCEK: - O tempo todo eu trabalhava pensando que estava vendendo meu governo, mas na verdade, mesmo que não tivessem aliança com o seu governo política e economicamente, eles tinham essa aliança oculta. Agora me diz: o que você espera das pessoas? Do mundo? Tudo é uma mentira. Você tem mais é que pensar em si e tirar vantagem do que puder. Eles só usam você mesmo. Jogando você de um lado pra outro.

MULDER: - Entendo...

Krycek serve o copo novamente. Sorri.

KRYCEK: - Eu também tenho sonhos. Eu sou um ser humano.

MULDER: - Marita?

KRYCEK: - Não sei... Quando você negocia com alguém, não há sentimento verdadeiro. Nos conhecemos nessa encrenca toda. Não que eu não confie nela, mas... Não sei. Não penso muito na minha vida porque posso ficar louco. Talvez ela esteja comigo porque eu tenho poder. Mas ela se deitou com o Lorde Inglês também, porque ele tem poder... Entende?

MULDER: - Entendo. Como confiar?

KRYCEK: - Exatamente. Eu invejo você por ter tido uma mulher como a Scully. Eu... (SORRI) Acho que daria meu outro braço pra ter uma mulher assim.

MULDER: - (SORRI) Me desculpe pelo braço.

KRYCEK: - Não, não peça desculpas. Eu mereci. Não vamos ficar aqui remoendo isso tudo, porque ambos aprontamos e merecemos. Eu fiz muita burrada na minha vida. E você também fez.

MULDER: - Fiz... Krycek, zere a conta. Se parar pra pensar, você não matou meu pai. Ele apenas recebeu o final que alguém que entra nesse jogo recebe. Como a minha mãe. A única pessoa inocente mesmo nisso tudo foi a irmã de Scully.

KRYCEK: - ... Eu sei... Eu mesmo entrei em pânico quando fiz aquilo. Mas o cara que estava comigo se precipitou.

MULDER: - Você teria matado Scully?

KRYCEK: - Na época teria... Eu não sabia o que estava fazendo. Eu era um idiota nas mãos deles... Estava por fora dos planos... Quando descobri a coisa toda... Odeio que me enganem.

MULDER: - Zere a conta, Krycek. Zerei a minha. Vamos ter que trabalhar juntos e precisamos concentrar nosso ódio e magoa em Strughold.

KRYCEK: - Seu pai me pediu pra vigiar você.

MULDER: - Eu sei, ele me pediu o mesmo em relação a você.

KRYCEK: - Mulder... Você é um cara legal. E eu tenho raiva disso.

MULDER: - Não inveje minha desgraça, Krycek. Pelo menos você não tem ninguém pra perder.

Krycek levanta-se.

KRYCEK: - Vá dormir Mulder. Eu vou pro Colorado.

MULDER: - Estou sem sono. Vou terminar esse e voltar pra casa. Preciso dormir, mas na minha cama... Sonhar com Scully me faz querer acordar, entende?

KRYCEK: - Nós vamos achá-la Mulder.

MULDER: - Eu quero acreditar, Krycek... Pelo menos saber o que houve com ela.

Krycek levanta-se. Sai. Mulder abaixa a cabeça. Começa a chorar.


Deserto do Colorado – 5:46 A.M.

Geral. Câmera alta focalizando quatro pessoas que se aproximam vindo de direções opostas.

Corta para os quatro que se aproximam: Canceroso, Strughold, o Caçador de Recompensas e Krycek.

Os quatro se encaram.

CANCEROSO: - Muito bem senhores, hora da verdade. Quem está com a agente Scully?

CAÇADOR: - Vocês estão com ela. Não vamos cair em seu jogo. Podemos ler mentes e sabemos que estão nos escondendo alguma coisa.

CANCEROSO: - Ora, o que escondemos não é referente a esse assunto. E segredos são vitais diante de quem não nos manteve a palavra desde o início.

KRYCEK: - Quem estiver com ela deve dizer e propor o que quer em troca. Ninguém sequestra alguém sem ter um objetivo. Eu não a peguei!

STRUGHOLD: - Não estou com ela.

CANCEROSO: - Não fizemos isso.

CAÇADOR: - Não a abduzimos.

KRYCEK: - Ora, alguém aqui é o responsável pela abdução dela! E a presença de luzes significa alguma coisa, bem como interferência em rádios!

CAÇADOR: - Não costumamos destruir carros para apagar provas. Vocês é que o fazem.

STRUGHOLD: - A palavra Maine significa algo? Não foi a primeira vez! Isso foi coisa sua, Mr. Tabaco. Sua e dos Rebeldes! Estão fazendo outra criança, não é? Conselho: pare de fumar, porque da próxima vez que eu investir na indústria do fumo, não serão vermezinhos que invadirão os pulmões.

CANCEROSO: - Suas ameaças são infantis, Strughold.

STRUGHOLD: - Eu só quero saber o que me escondem. Porque sei os seus medos.

CANCEROSO: - Encoste um dedo no meu filho de novo e não vão sobrar pedaços seus para serem juntados! Está me ouvindo? Eu vou pegar sua família e o diabo que lhe ajude!

KRYCEK: - Ok, ok... Não há evidências que nos provem nada! Tudo é muito confuso e dúbio. Mas alguém aqui fez isso.

STRUGHOLD: - Este será o pior incidente que algum de vocês cometeu contra nós. Esperem a reação.

CANCEROSO: - Reação? Vocês são suspeitos! Esperem vocês pela reação!

KRYCEK: - Todos aqui são, todos temos interesses em comum!

CAÇADOR: - Se alguma coisa acontecer a ela, não vamos retardar mais nada.

STRUGHOLD: - Vou dizer uma coisa. Alguém aqui fez e está tentando criar um incidente maior, colocando-nos uns contra os outros. E infelizmente, por não acreditarmos em ninguém, isso vai acontecer.

CANCEROSO: - De todos os golpes esse foi o mais sujo, esperto e mais certeiro. Se não houver quem confesse, não vamos descobrir nunca. A única coisa que podemos dizer é que foi um de nós. Ninguém mais teria capacidade, inteligência e coragem pra fazer isso. O culpado está aqui. Pois que se confesse!


Apartamento de Mulder - 6:21 A.M.

Mulder entra no apartamento. Fisionomia de cansaço estampada no rosto. Ele pega uma garrafa de uísque. Caminha até o aparelho de som. Coloca um CD.

[Som: Oasis – Wonderwall]

Mulder senta-se no sofá. Começa a beber no gargalo da garrafa.

MULDER (OFF): - Uma vez, uma criança me ensinou uma grande verdade. O que poderia saber aquele garotinho ruivo sobre batalhas? O que poderia saber aquela criança amadurecida pelos percursos da vida? Aquele pequeno Mulder ruivo com DNA da família Scully? Aquelas palavras sábias vindas da boca de uma criança, nunca mais foram esquecidas por mim... Foram elas que impulsionaram minha coragem. Foi olhar naqueles olhos e ver a esperança. E depois lembrar do horror que tramam e do futuro negro que as espera. ‘O que você faz aqui, tio? Por que caça os alienígenas, eles são maus?’ Respondi: Busco a verdade, Will, mas os inimigos sempre a ocultam e eu acabo perdendo a batalha. Ele olhou pra mim e disse: “Lutar e vencer todas as batalhas não é a glória suprema. A glória suprema consiste em quebrar a resistência do inimigo sem lutar”... Aquelas palavras sábias vindas de uma criança... Por que os homens não escutam as crianças? Não veem eles que elas são o nosso futuro? O futuro deste planeta? O que restará para elas? O que estamos deixando para nossos filhos?... Eu estou com medo... Nunca senti tanto medo na vida, pois agora estou sozinho... Revivendo monstros do passado e habitando com eles... Quebrando as pernas do inimigo... Preparando o futuro de nossas crianças... A guerra se aproxima e não sou eu o messias genético. Mas cabe a mim salvar esse messias... Algumas vezes fico com medo disso tudo, mas não posso falar isso a você... Eu sou a sua força agora. Me foi entregue a espada da justiça. Sinal de que então eu posso erguê-la contra eles. Você se foi, e com você, um pedaço meu... Mas eu sei que você está em paz... E isso é o que importa... Você está no céu. Eu fiquei no inferno, para que você pudesse ascender até o paraíso... Mas no final das contas... No momento somos eu e você contra todos. Você um anjo de luz. Eu, apenas um anjo negro.

Cookie vem até Mulder. Ele olha pro cachorrinho e bate no sofá. Cookie pula no sofá, deitando-se ao lado de Mulder. Mulder o afaga, derrubando lágrimas.

MULDER: - A casa fica triste sem ela... Até você sente isso, né companheiro?

Mulder abaixa a cabeça e chora.


Corta para Marita que o observa pelo monitor. As escutas ligadas. Garganta Profunda ao lado dela, também observando.

MARITA: - Está em crise... Nunca o vi assim antes, nesse estado de nervos... Bebendo feito louco... Está sofrendo pela ausência dela... Estou com pena dele. Se eu soubesse quem foi o desgraçado que fez isso, eu mesma contaria.

GARGANTA PROFUNDA: - Tenho pena do Mulder também... E acredito que nunca mais vamos ver Scully de novo. A essas alturas, já devem tê-la matado, seja quem foi que a levou.

MARITA: - Pobre Mulder... Ele nunca foi esperto...


Corta pra Mulder. Ele retira da carteira a correntinha do filho. Coloca-a no pescoço. Passa os dedos por sobre a cruz. Derruba lágrimas. Inclina a testa contra a garrafa. Chora, fechando os olhos.


FLASH BACK:

Mulder entra no carro. Ele e Scully acenam pros outros. Scully dá a partida e toma a estrada.

SCULLY: - O que Donald quis dizer com 'ela vai comer fogo na minha mão'?

MULDER: - Donald não gosta de Diana.

SCULLY: - Por quê?

MULDER: - ... Uma hora eu te conto. Agora vamos pro Maine.

Mulder respira fundo. Scully morde os lábios, nervosa.

MULDER: - (TENSO) Vamos pro Maine, fazer sexo selvagem porque eu preciso desligar um pouco. O dia hoje foi demais pra nós dois.

SCULLY: - (TENSA) Você só pensa em sexo, Mulder!

Mulder liga o som.

[Som: Oasis – Wonderwall]

Mulder e Scully se olham nervosos. Mulder respira fundo. Então se agacha e mexe nos fios debaixo do painel.

SCULLY: - Hum... Sabe que ficar sozinha com você me faz ficar mais animada.

MULDER: - Olha que posso acreditar e me empolgar com isso. Então, o que teremos pro jantar amanhã? Será que eu tenho direito a um mousse de maracujá?

SCULLY: - Está pedindo demais, sabia?

MULDER: - (RINDO) Puxa vida, só um miserável de um mousse...

O rádio começa a falhar. Mulder olha pra ela. Scully respira fundo, nervosa.

SCULLY: - Mulder, o que está acontecendo?

Mulder continua a mexer nos fios.

MULDER: - Talvez estejamos passando por um campo elétrico... Scully, o carro morreu.

Scully para o carro no meio da estrada. Respira fundo. Mulder senta-se no banco, segurando um fio do painel e o alicate. Mãos trêmulas. Scully de olhos fechados.

SCULLY: - O quê?

MULDER: - ...

SCULLY: - (ASSUSTADA) Mulder!

MULDER: - O que foi?

SCULLY: - (PÂNICO) Mulder o que é aquilo?

MULDER: - Ah meu Deus!!!!!

SCULLY: - (GRITA) Mulder!!!!!!!!

MULDER: - (GRITA) Não!!!!!!!!!! Scully!!!!!!!!!!!!!

Mulder corta o fio. Scully continua de olhos fechados. Mulder, com o suor escorrendo pela testa olha pra ela. O corpo treme de nervosismo.

MULDER: - Pode soltar o ar, Scully. Não podem mais nos ouvir.

Scully solta o ar dos pulmões. Mulder coloca o alicate na bolsa dela. Reclina-se no banco, respirando aliviado.

MULDER: - Conseguimos.

SCULLY: - Como sabe?

MULDER: - Era o fio da escuta. Eu verifiquei antes.

SCULLY: - ... Estou com medo... Eu sabia que esse dia chegaria, mas não sabia que seria tão cedo.

MULDER: - Aquela encrenca no FBI veio pra nos ajudar. Era a chance de que precisávamos.

SCULLY: - Mulder, e se eles descobrirem tudo?

MULDER: - Não vão descobrir, Scully. Eles não confiam em ninguém, lembra-se da nossa aulinha com Garganta Profunda? Isso serve pra eles mesmos, vai atingir suas paranoias e vão se colocar uns contra os outros. Por um bom tempo não vão incomodar a humanidade, com medo de estarem se expondo. Vão começar a se matar. Teremos tempo pra ter nosso filho e pra fazer a vacina. Nada como jogar a bomba e deixar que os inimigos se aniquilem uns aos outros. Nos poupa trabalho. Destruir a união de um grupo com desconfiança mútua é tiro certo. Meu pai fumante me ensinou isso. Acho que fui um bom aluno.

Scully continua nervosa, olhando pra um ponto de fuga.

MULDER: - Scully, vamos, não temos tempo. Não vai demorar muito e vão nos localizar pra saber o que aconteceu.

Mulder olha ao redor.

MULDER: - Nenhuma prova... Pegue sua bolsa.

Os dois descem apressados do carro. Mulder dá a mão pra ela e eles correm pelo asfalto.

MULDER: - Temos 15 minutos. Mais do que isso é perigoso.

Os dois saem da pista, correm até a placa com um aviso de curva. Entram na clareira entre as árvores. Mulder descobre um carro coberto por galhos de árvores. Scully o ajuda.

MULDER: - Não me ligue. Em hipótese alguma me ligue.

SCULLY: - Tá.

MULDER: - Se algo der errado eu entro em contato.

SCULLY: - Tá.

MULDER: - Meg já sabe como proceder em caso de alguma emergência. Pegou seus documentos falsos?

SCULLY: - Sim. Eu sou a senhora Watkins.

MULDER: - Eu entro em contato quando for seguro. Ligue os alarmes e não se exponha muito aos vizinhos.

SCULLY: - Mulder...

MULDER: - Sei que vai ser difícil Scully, mas chegamos até aqui. Coloque a letra R na sua frase.

SCULLY: - Mulder estou nervosa. E se machucarem você...

MULDER: - Preocupe-se com o nosso filho. Eu cuido de mim.

Mulder pega as chaves do bolso. Entrega pra ela.

MULDER: - Vai.

Scully olha pra ele com os olhos cheios de lágrimas. Mulder sorri cansado. Os dois trocam um beijo apaixonado pela janela do carro. Afastam os lábios olhando um para o outro.

MULDER: - (SORRI) Vai! Vai agora para o nosso paraíso.

SCULLY: - Mulder...

Mulder abre a porta do carro. Os dois trocam um olhar. Se abraçam fortemente, chorando.

SCULLY: - Eu te amo, Mulder!

MULDER: - Eu te amo também. Cuide-se.

SCULLY: - Eu vou me cuidar.

Mulder toma o rosto dela nas mãos. Aproxima seus lábios e a beija suavemente. Solta os lábios dela e beija-a na testa. Se abraçam novamente.

MULDER: - Eu não sei quando vou te ver. Resista a toda e qualquer tentação, mas não me ligue.

SCULLY: - Tá. Você vai ficar bem?

MULDER: - Não se preocupe comigo. Eu ficarei bem.

Mulder coloca a mão no bolso, retirando a corrente dela.

MULDER: - Isso é seu. Depois que tirar essa gargantilha vai querer usar.

Scully sorri e pega a correntinha, colocando-a na bolsa. Dá as mãos pra Mulder. Os dois ficam se olhando. Afastam-se um do outro, mas não conseguem descolar as mãos. Se olham com carinho e lágrimas.

MULDER: - Vai. Vai pra vida!

SCULLY: - (SORRI)

MULDER: - Logo eu vou estar com vocês.

SCULLY: - (SEGURANDO O CHORO) Tá.

MULDER: - Cuida bem dele.

SCULLY: - Eu vou cuidar.

MULDER: - Eu amo vocês.

SCULLY: - Cuide-se... Não fique sem se alimentar.

MULDER: - Tá.

SCULLY: - E não se meta em encrencas desnecessárias, Mulder.

MULDER: - (SORRI)

SCULLY: - E não esquece de dar comida pro peixe e pro Cookie.

MULDER: - Não vou esquecer.

Scully olha pra ele com carinho. As lágrimas correm pelo rosto.

MULDER: - (SORRI) Vá ‘leoa Scully’. Vá proteger a nossa cria. Agora você faz a sua parte no nosso plano. É a sua vez.

Scully entra no carro. Olha pra Mulder. Mulder acena sorrindo pra ela. Scully dá a partida, tirando o carro da clareira. Para sobre o asfalto. Dá uma última olhada pra ele. Mulder olha pra ela. Scully toma a estrada, chorando. Mulder caminha até a estrada. Acompanha o carro dela que desaparece no horizonte.

Close em Mulder. Ele fecha os olhos, desabando o choro que segurava. Tenta conter-se. Mas perde o olhar na estrada.

Corte.


Mulder pega um galho de árvore e chorando, começa rapidamente a apagar as marcas do carro que Scully levara. Mulder entra em seu carro. Respira fundo. Dá uma última olhada por tudo. Então coloca o cinto de segurança. Verifica se está preso. Olha fixamente pra curva à alguns metros. Liga o carro. Acelera. Olha fixamente para a estrada.

Close no pé dele que afunda no acelerador.

Close no rosto dele, derrubando lágrimas. Mulder segura o volante. Fecha os olhos. Sai da estrada em direção às árvores.

X


07/08/2001

19 de Agosto de 2019 às 00:53 0 Denunciar Insira 0
Fim

Conheça o autor

Lara One As fanfics da One são escritas em forma de roteiro adaptado, em episódios e dispostas por temporadas, como uma série de verdade. Uma alternativa shipper à mitologia da série de televisão Arquivo X. https://www.facebook.com/laraone1

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