S05#12 - ROSWELL Seguir história

lara-one Lara One

Vocês sabem que depois da abdução de Mulder, ele teve ativado as partes paranormais do cérebro. Sabem que ele está trabalhando para o Canceroso para ocultar uma verdade sobre seu filho e proteger Scully. Mas sabem o que pode acontecer se um híbrido como Mulder se encontrasse com três extraterrestres? E se Scully se encontrasse com seu passado no rosto de uma adolescente rebelde? Fic escrita em parceria: One & Debby CROSSOVER com a série Roswell.


Fanfiction Seriados/Doramas/Novelas Para maiores de 21 anos apenas (adultos).

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S05#12 - ROSWELL

INTRODUÇÃO AO EPISÓDIO:

Apartamento de Mulder – 1:29 A.M.

[Som: Dido - Here With Me]

Câmera de aproximação pelo quarto na penumbra. Mulder dorme com a cabeça recostada na barriga de Scully. Remexe-se na cama, sonhando.

[Fade in – tela fica escura]

[Fade out – tela fica clara]

Mulder caminha no deserto em direção a nave pousada no chão arenoso. De paletó, gravata, sobretudo. A identificação do FBI no peito.

MENINA: - Viu? Eles querem nos matar.

Mulder olha para menina a seu lado, de cabelos castanhos. Ela segura sua mão.

MENINA: - Mas papai, você acha justo que eu e você, por sermos diferentes mereçamos sofrer?

Mulder olha para ela, com uma fisionomia de questionamento. Olha para os corpos no chão que ele não consegue identificar. Olha pra menina novamente. Ela não é mais uma menina. É a jovem Isabel.

ISABEL: - Todas as raças têm inimigos, Mulder. Todos são predadores de si mesmo.

Mulder solta a mão dela e caminha em direção a nave.

MULDER: - Você não vem?

ISABEL: - Eu já conheço essa verdade. Sou parte dela.

Mulder continua caminhando. Vê a jovem Liz, estendida no chão, morta. Abraçada a um diário. Mulder agacha-se ao lado dela. Pega o diário. Em todas as páginas está escrito com sangue Liz Parker.

Mulder levanta-se e percebe que está agora nos Arquivos X. Olha pra pasta que está sobre a mesa, com o nome de agente Pierce. Mulder vira-se e vê Scully chorando sobre um caixão.

SCULLY: - (CHORANDO) Você morreu... Por que me deixou?

Mulder aproxima-se do caixão e vê o jovem Michael deitado nele, morto, coberto de flores. Olha pra Scully e ela não é mais Scully. É a jovem Maria. Mulder afasta-se com medo. Percebe que pisa sobre um livro. O título: O caso Roswell.

Mulder fecha os olhos. Ao abri-los percebe estar deitado numa superfície metálica. Agulhas enfiadas em seu corpo. Sente a dor da mutilação que está sofrendo. Mulder vira o rosto e percebe a parede de metal espelhado. Olha pra seu rosto e vê Michael. Pelo reflexo ele percebe Isabel aproximar-se.

ISABEL: - Eles não são o que dizem ser. Nem você é o que você é.

[Fade in]

[Fade out]

Mulder acorda-se num sobressalto, aos gritos. Scully acende a luz do abajur e olha pra ele assustada. Mulder senta-se na cama. Nervoso, ofegante, suor escorrendo pelo rosto.

Corta para Isabel. Ela se acorda. Senta-se na cama. Ofegante, assustada, suor escorrendo pelo rosto. Senta-se na cama.

ISABEL: - Mulder?

VINHETA DE ABERTURA: THE TRUTH IS HERE... WITH ME


BLOCO 1:

FBI – Arquivos X – 1:13 P.M.

Scully entra na sala, segurando um pequeno papel na mão. Olha pra Mulder, que está sentado olhando para o nada, pensativo.

SCULLY: - Ao menos almoçou?

MULDER: - Não. Eu não tenho fome.

Scully senta-se na cadeira. Observa o papel.

SCULLY: - Saldo negativo de novo. Exagerei no cartão de crédito.

MULDER: - Depois eu é que sou sovina.

Mulder retira a carteira do bolso e atira o cartão de crédito pra ela.

MULDER: - Tira daqui e deposita aí.

SCULLY: - Não.

MULDER: - É só um empréstimo. Depois você me devolve.

Ela pega o cartão.

MULDER: - Vamos fazer uma viagem pra Roswell?

Scully olha pra ele.

SCULLY: - Mulder. Você teve um pesadelo. Não significa que foi um sonho premonitório, um elo de ligação... Pode ser um simples pesadelo! Comum a todas as pessoas.

MULDER: - Scully, eu não sei o que fizeram comigo e não tenho respostas pra isso. Eu preciso ir buscá-las. Por que você ainda reluta em aceitar que eu não sou um homem comum?

Scully abre a gaveta. Tensa. Pega uma bala e começa a comer.

MULDER: - Então, vamos pra Roswell???

SCULLY: - (DEBOCHADA) Caiu outra nave?

MULDER: - Não, ainda é a mesma.

SCULLY: - ???

MULDER: - Estava revirando mais uma caixa de Arquivos que desceram pra nós... E achei um relatório interessante do agente Pierce. Quando vi, a sensação que tive era estranha, como se me recordasse de algo que eu não lembro. Nuvens, sabe? Quando você tem a sensação de que já viu aquilo, mas não sabe onde, nem como...

Scully faz menção de falar algo mas desiste.

MULDER: - (EMPOLGADO) Três alienígenas...

SCULLY: - E já estão velhinhos depois de mais de 50 anos? Estão reclamando aposentadoria pelo Estado?

MULDER: - Muito hilário, Scully, mas você não sabe fazer piadas.

Scully abre a gaveta, retira uns bombons e começa a come-los.

MULDER: - Três adolescentes altamente suspeitos. Com poderes especiais.

SCULLY: - (COM A BOCA CHEIA) Sei...

MULDER: - Vai ficar gordinha, sabia? Você tá exagerando.

SCULLY: - Não gosta de gordinhas?

MULDER: - Adoro gordinhas. Tem mais carne pra amassar. E depois, eu sei que sou o culpado pelo seu aumento de peso. Deveria fazer um tratamento anti-estresse. Scully, não deveria descontar seu medo da minha morte na comida, sabia?

Ela sorri. Mulder pega uma pasta e abre-a.

MULDER: - Max Evans. Um garoto tímido, que trabalha no UFO Center. Michael Guerin, um desconfiado por natureza. Isabel Evans, irmã de Max, uma garota que sonha em ser top model.

SCULLY: - Hum, minha irmã sempre sonhou em ser top model e isso não fazia dela uma alienígena. Quanto a ser tímido e desconfiado, pela sua experiência própria, até podemos levar em consideração como uma atitude altamente suspeita.

MULDER: - Muito engraçadinha. Quero ver o dia em que você acordar do meu lado e eu me transformar num Grey ou numa coisa verde e gelatinosa.

SCULLY: - Você não me causa medo, Mulder. Desista. Se você se transformar numa coisa verde e gelatinosa, se o sabor for bom, até eu não me importo. Comeria tudinho!

MULDER: - Tirou o dia pra folgar em mim, né, Scully?

SCULLY: - Por falar nisso, me deu uma vontade de comer gelatina de limão...

MULDER: - Para de falar em comida, isto não é justo! Pegue suas coisas e vamos pra Roswell caçar alienígenas.

SCULLY: - Primeiro vou ao banco.

MULDER: - Vou sair daqui e ir pra casa fazer as malas.

SCULLY: - Se socar as minhas roupas, vai se entender comigo! E leve meu sobretudo! Não se esqueça da necessaire, de um par de tênis e...

MULDER: - Tá vendo por que prefiro que você faça as malas?

Scully levanta-se. Sai. Mulder, rindo, pega um lápis e atira no teto.


Roswell – Crashdown – 6:29 P.M.

Geral da lanchonete muito movimentada.

LIZ (OFF): - Tudo começou num final de tarde. Aparentemente uma tarde qualquer, se não fosse por ele. Eu estava no Crashdown quando ele apareceu. O homem alto, olhos verdes e puxados, sério, de aproximadamente uns 40 anos. O jeito requintado de se vestir, me dizia que ele era um policial. Um agente do FBI ou da CIA. E meu coração começou a disparar de medo.

Liz observa Mulder entrar.

LIZ (OFF): - Eu olhei pra ele e senti receio. Ele não me parecia ser um cara legal. Na verdade eu o imaginava como um monstro. Um monstro sério, pronto pra me encher de perguntas que eu nunca poderia responder. Ele devia ser esperto. E eu tinha medo de que a experiência dele pudesse flagrar minhas mentiras juvenis. Mas eu precisava estar pronta. Eu nunca contaria nada a ele. Nunca. Vi quando ele se aproximou de Maria e mostrou a credencial. Maria disfarçou, mas ela nunca consegue disfarçar. Olhou pra mim. O homem virou-se e nem precisou esperar pela resposta de Maria. O olhar dela havia me entregado. Agora, o homem sabia que eu era Liz Parker. E obteve a certeza pelo medo estampado nos meus olhos. Ele caminhou até o balcão e eu tentei conter minhas mãos que tremiam. Ele parecia debochar do meu medo. Porque se sentou e me encarou debochadamente. Eu ia abrir a boca pra dizer que não sabia de nada quando ele simplesmente me interrompeu pedindo um café. Eu não sabia se ria ou desmaiava de medo. Na verdade minha vontade era de ir buscar o café e sair correndo pela porta dos fundos. Ele me dava muito medo. Aquilo era um truque pra puxar assunto, me fazer gostar dele e me fazer contar o que sabia. Mas eu nunca contaria.

Liz serve o café. Empurra a xícara sobre o balcão. Mulder olha pra ela. Puxa a credencial.

MULDER: - Sou o agente Mulder, do FBI.

LIZ (OFF): - Estava demorando, mas ele deu um golpe certeiro e rápido com a frase que me deixou sem reação.

MULDER: - Você é Liz Parker?

LIZ: - (OLHANDO COM MEDO)

Mulder ergue as sobrancelhas. Olha pra ela num sorriso.

MULDER: - Liz Parker?

LIZ: - Ahn??? Ah, sim, e-eu sou Liz Parker. O que fiz de errado?

MULDER: - (DEBOCHADO) Matou aula.

Ela dá um sorriso sem graça. Sente-se agredida com a presença de Mulder.

LIZ: - E O FBI anda fiscalizando garotas que matam aula?

MULDER: - Sabe o que quero saber, senhorita Parker.

LIZ: - Não, eu não sei.

MULDER: - Tem certeza? Pois eu não sairei da cidade até que você me conte o que sabe.

LIZ: - (DISFARÇANDO) Eu sei muitas coisas. Posso ter matado a aula mas sou boa aluna. Biologia, matemática, história...

Mulder sorri debochado. Puxa a carteira e coloca uma nota sobre o balcão.

MULDER: - Lembre-se: não sairei da cidade... E eu sou um cara muito teimoso, acredite. Se você refrescar sua memória, se livrará de mim mais rápido... E pode ficar com o troco.

Mulder levanta-se e sai. Liz olha pra ele com raiva.

LIZ (OFF): - Odiei aquele homem sinistro. Precisava avisar você do perigo. Se é que você já não sabia. Aquele homem era diferente. E eu sentia que nunca desistiria da verdade. Estávamos com um problema.

Liz pega o telefone. Maria fica olhando pra ela. Liz disca um número. Aguarda.

LIZ: - Oi... Não eu... Eu preciso falar com você, Max. O FBI voltou.


8:18 P.M.

Michel entra na lanchonete. Sério, sisudo. Passa por entre as pessoas. Vê Max, Alex e Isabel sentados a uma das mesas. Maria, uniformizada, sentada com eles. Michael aproxima-se. Senta-se. Olha pra eles nervoso.

Liz termina de servir uma mesa e aproxima-se com o uniforme. Senta-se.

MICHAEL: - Eu sabia que não podia confiar no xerife Valenti. Ele chamou os tiras novamente.

MARIA: - Michael...

MICHAEL: - Droga!

Michael esmurra mesa, quase virando um copo de refrigerante, que Maria consegue resgatar a tempo.

ALEX: - Escute primeiro o que Isabel tem a dizer.

Isabel olha pra ele. Debruça-se sobre a mesa, apoiando os braços e enlaçando os dedos. Olha pra eles.

ISABEL: - O nome dele é Mulder. Não se lembram dele?

MAX: - O cara que fomos atrás, buscar respostas... Mas era mais perdido do que a gente.

LIZ: - Ele é ufólogo.

MICHAEL: - E daí? Ele é agente do governo.

MAX: - Acha que nos reconheceu?

ALEX: - Acho que não.

ISABEL: - (INDIGNADA) Querem me escutar?

Eles se calam, olhando pra ela. Isabel olha pra eles.

ISABEL: - Eu entrei nos sonhos dele.

MICHAEL: - (INCRÉDULO) Você o quê?

ISABEL: - Não tive culpa, não consegui me controlar. Foi involuntário. E acho que de alguma forma eu transmiti alguma mensagem pra ele.

MARIA: - Ótimo. Temos uma traidora...

ISABEL: - Quer se calar?

Isabel volta os olhos pra Michael.

ISABEL: - Não sei se podemos confiar nele. Eu não confio.

MAX: - Por que não entra nos sonhos dele novamente?

ISABEL: - Eu tentarei descobrir o que ele quer.

MAX: - Enquanto não soubermos o que esse cara faz na cidade, acho melhor mantermos nossos olhos bem abertos.

MICHAEL: - Não podem nos ver juntos.

ISABEL: - Ele tem dons.

Eles olham pra ela.

ISABEL: - Dons semelhantes. Ele pode invadir sonhos... Na verdade, acho que ele entrou em conexão comigo. É a única explicação que eu tenho.

MICHAEL: - Ótimo. Quanto aposta que o cara é um Skin?

MARIA: - Michael!

MAX: - Precisamos descobrir as intenções dele. Se entrou em seu sonho, pode ter sido premeditado.

MARIA: - E se foi involuntário?

Eles olham pra ela. Maria faz um beicinho de quem deveria ter ficado quieta, virando o rosto.

MICHAEL: - Como assim involuntário?

MARIA: - ... Bem... Algumas vezes você pode ter sonhos secretos e... Ficar imaginando coisas, sabe?

Liz começa a rir e vira o rosto, corada. Michael não entende nada. Nem Max.

MARIA: - Deixa pra lá. Não entenderiam desses sonhos...

MICHAEL: - Acho melhor ficar de olho nesse cara. Eu vou atrás dele.

MAX: - Acho que não deveria ir agora. Vai levantar suspeita.

ALEX: - Mas afinal, por que se preocupam tanto? Ele veio atrás de Liz.

MICHAEL: - E o que poderia querer com ela?

LIZ: - As palavras dele me assustaram. Era como se ele lesse meus pensamentos.

MICHAEL: - Ele é um maldito Skin!

MAX: - Ou é um de nós.

Max e Michael se entreolham nervosos.

MICHAEL: - (INDIGNADO) Quem é esse cara? O que ele quer?

MARIA: - Vamos ter as perguntas respondidas... Acho que agora mesmo. E ele não tá sozinho.

Eles olham em direção à porta. Mulder e Scully entram na lanchonete. Os garotos ficam observando, receosos.

MAX: - Vamos debandar... Saída pelos fundos, direto pra casa e amanhã nos encontramos na escola.

Max se levanta. Mulder e Scully aproximam-se rapidamente, mostrando as insígnias. Mulder barra Max. Olha pra Liz.

MULDER: - Olá Liz, lembra-se de mim?

Ela levanta-se, nervosa, passando as mãos pelo avental.

LIZ: - Sim, quer café?

MULDER: - São seus amigos?

LIZ: - (NERVOSA) Clientes.

Mulder olha pra Isabel. Isabel desvia o olhar. Mulder fica parado, olhando pra ela, desconfiado. Michael levanta-se e puxa Isabel.

MICHAEL: - Vamos, temos que estudar.

Mulder barra Michael com o corpo.

MULDER: - Preciso fazer umas perguntas de rotina.

MICHAEL: - Algum crime na cidade?

MULDER: - Tenho relatórios do agente Pierce em minhas mãos...

MICHAEL: - Quem é esse Pierce?

ISABEL: - (DEBOCHADA) Pierce Brosnan?? O James Bond?

Mulder percebe que Isabel olha fixamente pra ele. Mulder vira-se pra Michael.

MULDER: - Seu nome.

MICHAEL: - O que eu fiz?

MULDER: - Não sei, é o que quero descobrir. Seu rosto me é familiar.

MARIA: - (DEBOCHADA) É, até que vocês se parecem um pouco sabe? Não acham?

Scully olha pra Mulder. Inclina-se pro lado e olha pra Michael. Ergue as sobrancelhas e começa a rir. Mulder olha pra Scully indignado. Ela se cala, segurando o riso. Mulder olha pra Isabel que o encara. Ela disfarça. Mulder olha pra Michael. Os dois ficam se encarando. Novamente Mulder sente-se atraído e vira-se pra Isabel.

MULDER (PENSANDO): - Parede de tijolos. Parede de tijolos.

Isabel disfarça e sai dali. Mulder fica parado. Scully percebe algo estranho.

SCULLY: - Mulder?

Mulder olha pra Michael.

MULDER: - Tudo bem, se vocês quiserem me contar alguma coisa, sua amiga sabe onde me encontrar.

Eles saem dali, deixando Maria. Liz acompanha Max até a porta. Maria puxa um bloco do avental e olha pra Mulder e Scully, com arrogância.

MARIA: - Então, vão querer o quê?

MULDER: - Qualquer coisa que não seja alienígena.

MARIA: - Só temos pratos alienígenas nesse local. Está em Roswell, se esqueceu?

Scully segura o riso, sentando-se. Mulder olha pra Maria.

MULDER: - Qualquer prato que tenha o senhor Spock como nome. É o único alienígena em quem confio.

MARIA: - E pra beber? Refrigerante?

MULDER: - Pode ser. Um deve ser diet.

SCULLY: - Eu não quero diet.

MULDER: - Não é pra você, é pra mim.

Maria afasta-se.


Mulder senta-se de frente pra Scully, observando Liz e Max na porta, conversando e olhando pra ele.

MULDER: - Há algo errado aqui e estou com medo.

SCULLY: - É, tem algo errado aqui sim e também estou com medo: Você.

MULDER: - Eu? O que eu fiz?

SCULLY: - Ficou olhando pra aquela garota descaradamente! Mulder, por favor, coloque-se no seu lugar, ela é uma menina! Sabia que você está na crise dos 40? Não vai levar muito tempo e comprará uma Ferrari, óculos escuros e camisa de estampas floridas.

MULDER: - Aquela garota entrou nos meus pensamentos, estava tentando lê-los.

SCULLY: - ???

MULDER: - Scully, eu não sou tarado não. Aquela garota estava tentando entrar na minha mente e eu precisei bloqueá-la. Não é uma garota comum. É uma alien. E eu não sei qual é a real intenção dela.

SCULLY: - Mulder, tem certeza...

MULDER: - Ela não é humana. Nem o garoto moreno que saiu daqui e menos ainda o outro grandão invocado. Aquele que parece minha versão mais jovem.

SCULLY: - Alienígenas?

MULDER: - ... Devem ser os três adolescentes que Pierce falou no relatório.

SCULLY: - Mulder, eles me parecem jovens, apenas jovens, tentando se divertir com os amigos e...

MULDER: - São alienígenas.

SCULLY: - E o que querem?

MULDER: - Não sei. É isso que quero descobrir. Talvez o governo esteja ocultando outra raça. Ou talvez nem eles saibam da existência desses.

SCULLY: - Acha que são outra raça firmando base aqui?

MULDER: - Tem outra teoria pra alienígenas ficarem na Terra?

SCULLY: - (DEBOCHADA) Por causa das terráqueas?

MULDER: - (DEBOCHADO) Como você é engraçadinha... Hahaha. Está vendo ficção científica demais, sabia?

Scully observa Maria conversando com Liz. As duas olham com raiva pra ela.

SCULLY: - Mulder, não duvido de você. Mas saiba que teremos muitos problemas aqui. Não somos bem quistos neste lugar.

MULDER: - ... (DEBOCHADO) Com certeza. Nós somos os únicos tios aqui dentro.

SCULLY: - Acha que as meninas sabem que eles são...

MULDER: - Acho que sim.

SCULLY: - Mulder e se elas soubessem, por que iriam defender alienígenas maus?

MULDER: - (DEBOCHADO) Por amor? Foi você quem sugeriu essa teoria altamente científica.

Scully olha pra ele indignada.

SCULLY: - Mulder, não menospreze a inteligência feminina.

MULDER: - Alguma teoria, Dra. Scully, PHD em relacionamentos amorosos?

SCULLY: - Sim. Você não viveu sua juventude e não sabe como lidar com eles.

MULDER: - (IRRITADO) Ah, não sei? Eu sei sim. Sei muito bem como lidar com adolescentes.

Maria aproxima-se deles com uma bandeja. Serve o prato pra Scully. Coloca os refrigerantes sobre a mesa. Atira o prato de Mulder na frente dele, saindo com a cabeça erguida, fazendo beiço de raiva. Scully ri. Mulder olha pra ela.

MULDER: - (IRRITADO) Ok. Deixo a psicologia adolescente pra você agora. Eu só entendo de loucos e crianças.

Scully sorri. Pega o refrigerante comum.

SCULLY: - Vá Mulder, o diet é todo seu.

MULDER: - Deixa, eu vou me vingar daqui alguns meses. Vai ter que colocar cadeado na geladeira.

Scully observa Maria tirar o avental. Ela fala algo com Liz e sai pela porta dos fundos. Scully levanta-se.

MULDER: - Aonde vai?

SCULLY: - Seguir um suspeito, Mulder. E fique aqui. Você vai estragar tudo com essa sua simpatia.

Scully olha pra Liz. Ela está distraída. Então Scully mistura-se rapidamente entre os jovens e sai pela porta da frente.


9:21 P.M.

Scully anda esquivamente por entre as árvores da praça. Atenta a alguma coisa.

Corta para Michael e Maria que caminham, um ao lado do outro. Michael olha pra trás, verificando se é seguro. Maria olha pra ele.

MARIA: - Ok. Michael, fala logo. O que você acha disso tudo? Por que você olha tanto pra trás, você já está me deixando nervosa!

MICHAEL: - Não acredito que ele seja um alienígena. Só sei que está atrás de nós, pra nos capturar, pra fazer experiências conosco.

MARIA: - Michael, calma! Vamos fazer como o Max disse, agir normalmente. Se você for atrás vai acabar fazendo alguma idiotice e estragando tudo. Eu sei que eles são suspeitos mas calma, ok?

Maria tira do bolso o seu vidro de essência e aspira pra se acalmar. Michael novamente olha pra trás, verificando mais uma vez.

MARIA: - (INDIGNADA) Você não vai parar com isso? Deixa de ser tão desconfiado!

MICHAEL: - Eu tenho motivo pra estar desconfiado. Não é você que pode acabar numa mesa sendo todo cortado pra olhar como funciona o seu corpo.

Maria fica em silêncio. Senta-se num banco.

MARIA: - Eu me importo com você, você sabe disso. Eu também estou preocupada com que pode acontecer a você, com Max e Isabel. Mas tenta relaxar, ao mesmo hoje tenta esquecer um pouco... Você não pode simplesmente fazer isso? Eu posso entender como você se sente. Mas só queria que soubesse que algumas vezes relaxar é preciso. Sua mania de perseguição, de achar que todos estão contra você me deixa angustiada. Por que não relaxa, Michael? Ahn? Por que você não pode simplesmente relaxar um pouquinho?

Scully, atrás de uma árvore coloca a mão sobre os lábios, segurando um sorriso cúmplice.

Michael senta-se no banco ao lado de Maria. Abaixa a cabeça e suspira.

Maria acaricia o rosto de Michael fazendo ele olha-la. Eles ficam um tempo olhando um nos olhos do outro.

MICHAEL: - Maria, talvez seja melhor você se afastar de mim. Isso está se tornando perigoso e por minha causa você pode acabar machucada, e eu não quero que lhe aconteça nada de mal e...

MARIA: - Não. Olha pra mim. Eu não vou me afastar. Eu consigo entender sua obsessão por tudo isso, sua preocupação... Mas droga, eu me importo com você, e não vou deixa-lo sozinho, não agora e nem nunca! Você sabe que eu não tenho medo. Por favor, não me afaste de você.

Michael olha pra ela.

MARIA: - Eu entendo. Entendo que apesar disso doer, você só quer me afastar pra me proteger.

MICHAEL: - Vamos embora. Está tarde. Amanhã a gente conversa melhor, ok?

MARIA: - Só se você prometer que não vai fazer nenhuma besteira.

MICHAEL: - Ok, vou pra casa. Está feliz?

Maria dá um meio sorriso e eles vão embora. Mas com uma expressão preocupada no olhar.

Scully os acompanha com os olhos, numa fisionomia de angústia recíproca.


Motel Dreamland – 11:37 P.M.

Mulder dá um murro em cima da televisão que não funciona. Scully entra no quarto.

MULDER: - Já estava preocupado.

Scully senta-se na cama, triste. O observa brigar com a TV que não pega nenhum canal.

SCULLY: - Caminhei um pouco. Ouvi algumas coisas de uma menina e fiquei relembrando meus tempos de adolescente... O que está fazendo?

MULDER: - Lutando por uma imagem. Qualquer uma. Pode até mesmo ser do canal de compras... O que descobriu?

Scully joga-se pra trás, repousando as costas no colchão. Mulder desiste. Arranca o fio da tomada, indignado. Scully numa fisionomia angustiada.

SCULLY: - Segui Michael e Maria. Até ele deixa-la em casa.

MULDER: - ... Não quero que faça isso de novo. Fique longe dos problemas... Sabe que só quero te proteger.

SCULLY: - ... Me parecem um casalzinho normal, Mulder. Quer dizer... Normal no nosso padrão pessoal de normalidade: medo de perderem um ao outro, proteção mútua, sempre fugindo de alguma coisa...

MULDER: - São namorados?

SCULLY: - Sim... Me senti uma intrusa, uma voyeur... Eu não tinha o direito de estar ali e ao mesmo tempo... Um sentimento saudoso tomou conta de mim... Fiquei questionando minhas escolhas na vida... O quanto eu poderia ter sido mais feliz se tivesse conhecido você antes...

Mulder olha pra Scully, ela não percebe. Olha pro nada, entristecida.

SCULLY: - ... Fiquei ali, olhando os dois, como se visse eu e você em tempos que não vivemos... (SORRI) Ele é bem parecido com você... Não só física, mas psicologicamente... A proteção que ele tem com ela, o carinho... A paranoia, o medo... E ela ali preocupada com ele, querendo apenas lhe dar vida...

Mulder sorri pra Scully.

SCULLY: - Ela... Ela se parece comigo, sabe? Não apenas fisicamente...

MULDER: - Eu notei a semelhança.

Scully continua olhando pro nada, como revivendo alguma coisa.

SCULLY: - Eu tinha a arrogância dela quando jovem. Também admito que sou teimosa, leal, decidida, meio doidinha, protetora, gosto de coisas naturais... Também falo pelos cotovelos quando estou nervosa...

O celular de Mulder toca. Mulder pega o celular e olha no visor. Fecha os olhos.

SCULLY: - O que foi?

MULDER: - O Fumacinha. Fique em silêncio.

Scully suspira. Vira-se na cama, dobrando as pernas. Apoia a cabeça sobre o braço e perde o olhar triste pro nada. Mulder atende.

MULDER: - Sou eu. Fala... Estou no Novo México... Como sabe que estou em Roswell?... (OLHA PRA SCULLY) Não, apenas a passeio... Como assim coincidência?

Scully olha pra Mulder. Sua fisionomia denota preocupação.

MULDER: - Quem? Krycek? ... (FRUSTRADO) Tá... Estou no motel Dreamland. Pode ao menos me adiantar o que terei de fazer? ... Como assim?

Scully enche os olhos de lágrimas. Mulder perde o olhar nos olhos dela.

MULDER: - Não há alienígenas soltos em Roswell. Se houvesse algum eu já teria identificado. Não há necessidade alguma de mandar Krycek pra cá.

Scully senta-se na cama nervosa. Mulder olha pra ela. Fecha os olhos.

MULDER: - (PREOCUPADO) Ah, ele já está aqui... Bom, mantenha-me informado. Se precisarem de mim, estou aqui.

Mulder desliga. Olha pra Scully.

MULDER: - Preciso de uma parceira. Temos de vigiar a casa dos garotos. Alex Krycek está aqui. E acho que não é pra visitar o museu.

Scully levanta-se rapidamente.

SCULLY: - (NERVOSA) Mulder, me diga que não está metido nisso! Me diga que não veio pra Roswell pra pegar essas crianças e entrega-las ao governo! Me diga que não vai tocar um dedo neles! Mulder, por favor, são apenas adolescentes, deixe-os em paz! Aquela pobre menina, ela está apaixonada pelo garoto, os dois formam um casal bonito, deixe-os viverem! Eles não machucaram ninguém e...

MULDER: - Scully, por favor! Eu não acredito que você esteja duvidando de mim! Acha que eu faria algo contra eles?

SCULLY: - Mas são alienígenas!

MULDER: - Scully??? Sou eu, o Mulder, se lembra???

Scully põe as mãos no rosto.

SCULLY: - Desculpe. Estou abalada emocionalmente.

Mulder sorri. A abraça.

MULDER: - Vamos. Você vigia a casa de Max e da irmã. Eu fico com o Michael. (DEBOCHADO) Não se preocupe, Scully. Vou cuidar bem do meu sósia.

Scully sorri mais aliviada.


Apartamento de Michael – 2:11 A.M.

Mulder, sentado dentro do carro, come sementes de girassol. Observa o apartamento, com a janela aberta, na penumbra.

Corta para dentro do apartamento. Michael dorme atirado no sofá. O apartamento bagunçado.

Close da maçaneta que gira lentamente, abrindo a porta. A mão negra com uma luva de couro revela-se.

Krycek entra com dois homens. Tira o pequeno vidro do bolso, derrubando o conteúdo num lenço. Aproxima-se de Michael. Aperta o lenço rapidamente contra seu nariz.

Michael abre os olhos, sufocando-se, mas não consegue mais reagir, o corpo inerte. Fecha os olhos.

Os dois homens agarram Michael, o levando pra fora do apartamento, sem chamar a atenção dos vizinhos. Krycek sai fechando a porta.

Corta para a rua. Mulder continua sentado no carro. Observa a janela do apartamento.

A porta do carro abre-se rapidamente. Mulder vira-se colocando a mão na arma. Krycek senta-se no banco e sorri.

KRYCEK: - Calma. Sou amiguinho.

MULDER: - Da onça, não da raposa. O que está acontecendo?

KRYCEK: - Negócios.

Mulder olha pra Krycek e não percebe os dois homens saírem com Michael e o colocarem num carro. Krycek os observa discretamente, sem chamar a atenção de Mulder.

MULDER: - (IRRITADO) Olha aqui, Krycek, estou fazendo parte desse Consórcio de vocês e não estou gostando de ficar fora da situação. O que está havendo?

KRYCEK: - Acha que eu sei tudo?

MULDER: - Ah, me esqueci. Ninguém sabe de tudo. Pra saber de tudo tem que colar pedaços de verdades particulares e juntar num quebra-cabeça eterno.

Os homens empurram o carro lentamente pra não fazer barulho. Mulder está tão atordoado que não percebe. Krycek continua a distraí-lo.

KRYCEK: - O que está fazendo aqui?

MULDER: - (DEBOCHADO) Vim ver discos voadores. Algum problema?

KRYCEK: - Nessa rua?

MULDER: - Eu conto se me contar o que você está fazendo aqui.

Krycek o olha debochado.

KRYCEK: - Eu sei o que você veio fazer aqui. Está desconfiado do garoto.

MULDER: - Que garoto?

KRYCEK: - Ora Mulder, sua mãe nunca lhe disse que mentir é feio?

MULDER: - (DEBOCHADO) Não, ela costurava meias enquanto eu mentia. O que faz aqui, 'mão negra da organização'?

KRYCEK: - Desconfiamos de três garotos na cidade. E você agora nos confirmou as suspeitas.

MULDER: - Estão me seguindo? Isso é um absurdo! Eu trabalho pra vocês!

KRYCEK: - Mulder, regra número um, se você esqueceu: não confie em ninguém. Esses caras vigiam qualquer um que trabalhe pra eles. E você ainda não passou no teste.

Mulder põe as mãos na cabeça. Olha pro apartamento, olha pra Krycek.

MULDER: - (CAINDO NA REAL) Vocês plantaram o arquivo do agente Pierce. Vocês queriam que eu visse aquilo e viesse atrás.

KRYCEK: - Está ficando esperto, Mulder. Vai ganhar um biscoito se latir e fingir de morto.

MULDER: - O que pretendem fazer?

KRYCEK: - Nada. Já fizemos.

MULDER: - Vocês o quê???

Mulder arregala os olhos, incrédulo. Olha pro apartamento de Michael. Esmurra o volante.

KRYCEK: - Mulder, precisamos tentar todas as chances de resistência! Enquanto seu filho não aparecer, vamos ter que continuar buscando alguma vacina contra eles!

MULDER: - Ah meu Deus, vocês estão loucos! Nem sabem realmente o que eles são!

KRYCEK: - Mulder, seus genes não nos adiantam mais. Os aliens mutam muito rápido. Estamos numa guerra biológica.

Krycek abre a porta do carro. Retira do bolso da jaqueta uma credencial e joga pra Mulder.

KRYCEK: - Seu passaporte pra Dreamland. Precisamos de você.

MULDER: - Pra quê? Pra me enganarem de novo?

KRYCEK: - Pra nos ajudar. Não é pra isso que está no Sindicato? E considere-se feliz, porque você é um homem de nível três. Se incomodar, eu mesmo te silencio. Pouco me importa se aquele velho e seu cigarro vierem pra cima de mim.

Krycek sai. Mulder abaixa a cabeça sobre o volante, aborrecido.


BLOCO 2:

West Roswell High School – 07:43 A.M.

O corredor cheio de alunos pegando materiais em seus armários. Liz verifica seu caderno. Maria se aproxima.

MARIA: - Hey, Liz, tudo bem?

LIZ: - Somente preocupada com tudo isso...

MARIA: - Principalmente com o Max, né?

LIZ: - Tanto quanto você está preocupada com o Michael... Como foi a conversa com ele ontem à noite...

Maria faz uma fisionomia de quem está distante em pensamento.

MARIA: - Ele, pra variar, tentou me afastar de novo. Mas eu não vou deixar ele fazer isso comigo. Se pra você e Max dá certo mesmo correndo perigo por que pra nós não pode dar certo?

LIZ: - Maria, ele se importa com você, da maneira dele. Você melhor do que ninguém sabe disso....

MARIA: - O pior, Liz, é que estou com um pressentimento ruim...

LIZ: - Como assim, Maria?

MARIA: - Ontem à noite, de madrugada, senti como se alguém tivesse sendo sufocado, uma sensação de ser capturada... (AFLITA) Será que aconteceu algo com Michael?

LIZ: - Calma, Maria. Respire. Nada aconteceu com o Michael. Daqui a pouco ele aparece todo sério... Ou mais tarde no Crashdown.

Alex aproxima-se delas.

ALEX: - Oi, Garotas!

As duas o cumprimentam.

ALEX: - E aí, ficaram sabendo de mais alguma coisa? Alguma novidade?

LIZ: - Nada, por enquanto nada... Vamos ver se Max e Isabel têm alguma. Eles vêm vindo.

Max e Isabel se aproximam. Max olha com jeito de apaixonado pra Liz.

MAX: - Hey, Liz.

LIZ: - Oi, Max...

ISABEL: - Ah, vocês não vão começar logo cedo não? Vai me embrulhar o estômago....

Alex dá risada. Liz e Max ficam vermelhos.

MARIA: - Onde está o Michael?

ISABEL: - Pra variar, ou está atrasado ou vai matar aula.

Maria continua com uma expressão aflita no rosto. Isabel abre seu armário e retira alguns livros, sem olhar pra eles.

ISABEL: - Entrei nos sonhos do Agente Mulder.

Todos os olhos se voltam pra ela menos os de Max.

LIZ: - E aí, o que viu? Descobriu algo?

Isabel abraça os livros contra o peito. Olha para os amigos, angustiada.

ISABEL: - Dor, eu vi muita dor como não tinha visto antes...

MARIA: - Como assim?

ISABEL: - Ele trabalha pro governo...

ALEX: - Bem, isso não é uma novidade...

ISABEL: - Não pro governo simplesmente, um tipo de organização secreta.

LIZ: - (AFLITA) Meu Deus, e agora? Então ele está realmente atrás de vocês?

Liz olha muito preocupada pro Max e Alex pra Isabel. Maria fica só observando.

ISABEL: - Me escutem, droga! Ele também é uma vitima daquela organização. Sabe a ruiva ao lado dele? É a mulher dele. Ele trabalha pra esses caras pra proteger ela e o filho deles.

ALEX: - Mas se ele é uma vítima pra que está do lado deles?

ISABEL: - Ele só está jogando com eles, afastando-os de uma verdade... Ele é um híbrido....

Todos olham espantados pra ela.

LIZ: - Como???

ALEX: - Explica por parte que agora você me confundiu todo...

ISABEL: - Ele é metade do que eu, o Max e Michael somos. Ele foi fruto de uma experiência...

Isabel olha pro Max com medo.

MAX: - Isso não significa que ele seja confiável. Se ele quer proteger tanto assim sua mulher e filho, pode ser que ele queira nos usar como troca pra proteção deles...

Maria fica ainda mais preocupada, suspira. Liz olha pra ela.

LIZ: - Maria, está tudo bem?

MARIA: - Aquela mesma sensação, de que algo está errado, que algo ruim está acontecendo...

Max, Isabel e Alex fazem uma cara de questionamento. Liz faz aquela cara de "depois explico".

MAX: - Vamos ficar de olhos abertos. Tentar agir de forma natural. À noite a gente se vê no Crashdown pra ver o que fazer, certo?

Todos concordam e cada um vai pra sua aula.


Delegacia de Roswell – 8:11 A.M.

O xerife Valenti reclina-se na cadeira e olha para os dois agentes do FBI.

VALENTI: - Tirem os pés da minha cidade.

Scully olha seriamente pra ele.

VALENTI: - Não chamei vocês, não há nenhum caso oficial aqui e estão fora da jurisdição de vocês. Estão assustando os moradores com perguntas.

MULDER: - (DEBOCHADO) Assustando? Pensei que eles já estivessem habituados a fatos estranhos.

VALENTI: - Olha, agente Mulder, terei de ligar para Washington e fazer uma queixa?

SCULLY: - Mulder, vamos embora.

VALENTI: - Não há nada anormal em Roswell, agente Mulder. Os extraterrestres estão na imaginação fértil das pessoas. Deveriam aproveitar sua estadia aqui para relaxar, se deixarem levar pela imaginação, irem ao museu... E não ficar perturbando jovens em lanchonetes.

Mulder encara Valenti. Scully puxa Mulder pelo braço.

SCULLY: - Vamos, Mulder.

Corte.


Mulder e Scully saem da delegacia. Um ao lado do outro.

MULDER: - (DEBOCHADO) Depois dizem que cidades interioranas são receptivas.

SCULLY: - Mulder, talvez ele não saiba realmente de nada...

MULDER: - Eu... Scully, quando eu disse pra você que tanto faz ser um agente do FBI ou um cidadão comum, que ambos nunca conseguem justiça, você me chamou de louco.

SCULLY: - ...

MULDER: - Não vou poder ajudar aqueles garotos como um agente do FBI. Você me entendeu, não é?

SCULLY: - O que vai fazer, Mulder?

MULDER: - Ser um cidadão comum, tomar um café e deixar você segura no hotel. Vou pra Dreamland.

SCULLY: - Mulder, não vai conseguir entrar lá.

Mulder retira a credencial do paletó. Scully arregala os olhos.

MULDER: - Poder Scully. Afinal de contas, quem é o único que pode ler a mente dos alienígenas? Por isso o Sindicato precisa de mim.

SCULLY: - Mulder, eu estou com medo.

MULDER: - Medo?

SCULLY: - Estou preocupada. Você parece estar gostando de pertencer a esse clube, Mulder. É como um jovem que se mete com uma gangue barra pesada, entende?

MULDER: - Scully, andar com viciados em cocaína não te faz um viciado em cocaína.

SCULLY: - Mas aumentam suas chances de ser um consumidor de drogas. Mulder, e se Michael estiver mesmo em Dreamland? O que você vai fazer?

MULDER: - Ainda não sei, Scully. Se tira-lo de lá, eles vão descobrir. E colocarei nosso filho em risco. Se eu não tira-lo... Deus sabe o que farão com o garoto.

Scully para na calçada. Mulder olha pra ela. Ela ergue o rosto e olha pra ele. O celular de Mulder toca. Mulder atende.

MULDER: - Sou eu... Sim... Helicóptero? Sim, estarei aí.

Mulder desliga. Scully olha pra ele o questionando com os olhos.

MULDER: - Reunião exclusiva com 'Darth Smoke' em Dreamland amanhã cedo. Eu disse pra você Scully. Algumas vezes é preciso estar no 'lado negro da força' pra se conseguir a justiça.

SCULLY: - É, e ninguém até hoje saiu do lado negro sem ter maculado seu lado branco.

MULDER: - Encare assim: alguém tem de fazer. Que seja eu. Não tenho nada a perder.

SCULLY: - ... Se pergunta se eu não tenho?

Mulder olha pra ela.

SCULLY: - Eu tenho a perder. Toda a minha vida que apostei em você.

Scully caminha pela calçada deixando ele para trás. Ele aperta o passo e vai atrás dela.


Crashdown – 6:27 P.M.

Max e Isabel entram rapidamente e vão em direção a Maria. Liz e Alex se juntam a eles.

MAX: - Maria, você viu o Michael?

MARIA: - Como assim? Ele não está no apartamento dele?

ISABEL: - Não, acabamos de ir lá. Batemos na porta por várias vezes e nada. Abrimos a porta com nossos poderes mas ele não estava lá, só o sofá desarrumado.

LIZ: - Gente, será que ele não resolveu investigar por conta própria? Será que ele não está perseguindo o Agente Mulder?

ALEX: - Provavelmente a Liz tem razão, vocês não conhecem o Michael.

Mulder e Scully irrompem pela porta da lanchonete. Sentam-se em uma das mesas e começam a observar os garotos.

MAX: - Acho que aquilo responde a nossa pergunta.

MARIA: - Droga, Liz, eu não disse que algo estava errado?

ISABEL: - Como assim, Maria?

Liz olha pra Mulder e Scully, percebendo que eles os observam.

LIZ: - Ei, vamos lá pros fundos para não chamar a atenção.

Corte.


Na cozinha da lanchonete:

ISABEL: - Ok. Maria, me explica essa historia direitinho...

MARIA: - Ontem, de madrugada acordei no meio da noite, como estivesse sendo sufocada, encurralada... Uma sensação de que algo estava errado e passei o dia com esta sensação. Imaginei que era com o Michael, pensei que talvez fosse minha imaginação. (CHORAMIGANDO) Oh, meu Deus, o que aconteceu com o Michael???

Alex coloca o braço nos ombros de Maria.

ALEX: - Maria, calma, nada aconteceu... Você vai...

Maria cai no chão com uma expressão de dor profunda.

MARIA: - (GRITANDO) NÃOOOOOO!!!! MICHAEL!!!!!!!!


Base Aérea de Groom Lake – Dreamland – Nevada - 6:29 P.M.

Michael grita desesperado, sentindo dor.

Close do bisturi sobre seu peito, retirando-lhe um pedaço de tecido.

Ambiente escuro. Apenas a luz de um spot sobre o corpo de Michael, sobre uma mesa cirúrgica. Está nu, com apenas um lençol que lhe cobre a cintura. Fios anexados em sua cabeça, ligados a um aparelho. Mãos e pés presos na mesa. Michael tenta se soltar, mas não consegue. Grita de dor.

A equipe científica usa trajes de descontaminação. O cientista 2 prepara a seringa com uma longa agulha. Injeta no braço de Michael o estranho líquido escuro. Ele continua gritando, debatendo-se. O corpo aos poucos vai perdendo as forças. O olhar ficando sem brilho. Michael vê tudo, sente tudo, mas não reage. Fecha os olhos.

A pouca iluminação ainda consegue revelar a janela de vidro na parede ao lado, onde alguns vultos observam curiosos.

CIENTISTA 1: - Pulsação?

CIENTISTA 2: - Normal. Tem reações normais aos humanos.

CIENTISTA 1: - Mantenha-se longe do sangue. Podemos nos contaminar.

O cientista 2 retira a seringa. Michael abre os olhos. Assustado. Tenta se soltar. Eles se afastam.

CIENTISTA 2: - Está reagindo... Temos que aumentar a dose.

CIENTISTA 1: - Quem é você? De onde vem?

MICHAEL: - (ASSUSTADO) ...

CIENTISTA 2: - Ele não vai responder nada.

Corta para a janela de vidro. Do outro lado, o Canceroso observa, enquanto fuma um cigarro. Ao lado dele dois homens velhos com uniformes militares.

CANCEROSO: - Façam-no falar. Sabem o que fazer se ele não falar.

Corta para os cientistas.

CIENTISTA 2: - Quem é você? De onde vem?

MICHAEL: - ...

CIENTISTA 2: - Olha, se não falar, não vou poder ajudar.

MICHAEL: - ...

CIENTISTA 1: - Temos amigos seus aqui. Se falar poderá ir com eles. Se ficar quieto, adoraria ter você no zoológico de Dreamland.

Michael olha pra ele, com raiva.

CIENTISTA 1: - Depende somente de você se isto vai ou não doer.

MICHAEL: - ...

CIENTISTA 2: - Desde quando está aqui?

MICHAEL: - ...

CIENTISTA 1: - Quantos vieram com você?

MICHAEL: - ...

CIENTISTA 1: - O que pretendem aqui na Terra?

MICHAEL: - ...

CIENTISTA 2: - Ele não fala.

O cientista 2 conecta fios às amarras metálicas nos pés de Michael. Mexe no aparelho ao lado. Gira um botão. Michael começa a tremer como se estivesse sendo eletrocutado. Começa a gritar em desespero. O cientista desliga o aparelho.

CIENTISTA 2: - Então? Vai falar?

MICHAEL: - ...

CIENTISTA 1: - Quero amostras de tecido. Uma tomografia completa. Analise da estrutura da entidade biológica em questão. E quero um pedaço de tecido da região da glândula pineal.

MICHAEL: - ...

CIENTISTA 1: - E façam isso com ele acordado. Talvez mude de ideia e nos fale o que sabe.

O cientista 2 ergue uma espécie de agulha. Michael olha apavorado pra ele. O cientista 2 aproxima-se do rosto dele.

CIENTISTA 2: - (IRÔNICO) Fique quieto, não vai doer. Só quero saber se você possui aparelho digestivo.

Corte.


Dentro da cozinha da lanchonete, Liz e Alex se desesperam. Liz não entende o que acontece e olha desesperada para Max. Isabel olha tudo muito assustada. Maria se revira de dores no chão, gritando o nome de Michael.

LIZ: - Max, o que está acontecendo?

Max olha pelo vidro da porta e vê Mulder e Scully se aproximando.

MAX: - Alex, me ajude aqui. Os dois agentes vêm vindo e não podemos deixa-los ver Maria assim e nem saber o que está acontecendo.

Mulder e Scully se aproximam da porta a empurrando.

MULDER: - O que está acontecendo?

Max e Alex empurram os dois agentes, trancando a porta. Scully olha pela janela de vidro.

MARIA: - (AOS GRITOS) Oh, Meu Deus, soltem ele... Parem com isso! MICHAEL!!!!!!

Scully ao ver Maria fecha os olhos.


FLASH BACK:

Aeroporto Internacional de Los Angeles – 7:18 P.M.

SCULLY (OFF): - Ontem à noite vi você, num sonho. Estava perdido por entre uma neblina, e um enorme abismo nos separava. Você gritava que eu devia ir embora e salvar nosso filho... Mulder, não sei se esta é a hora, mas eu estou aprendendo a ser menos racional e mais intuitiva. Tudo pra salvar você e o nosso filho. Tenho tido presságios estranhos, onde vejo que ele não chega a nascer. Ultimamente, tenho tido sonhos em que vejo um anjo vestido de branco, o mesmo das visões que tenho. Ele sempre leva essa criança entre suas asas... Mas eu não vou arriscar que o tirem de mim. Sei que deve estar sofrendo, Mulder, eu sinto a sua dor como se fosse minha. Não sei explicar, é algo que nunca senti antes... Sinto agulhas em minha pele, sinto calafrios... Quando fecho meus olhos, lembro-me detalhadamente das coisas que fizeram comigo. Mulder, estou com medo. Medo por você... É como se eu estivesse conectada com você, sentindo o que você sente... Na mesma sintonia...

O nariz de Scully começa a sangrar. Ela retira um lenço da bolsa. Os olhos enchem-se de lágrimas.

SCULLY (OFF): - Sinto dor... Estão te machucando. Eu sei.


TEMPO PRESENTE:

Scully se agita. Mulder olha assustado pra ela.

MULDER: - Scully???

Ela cai em si. Olha pra Maria, numa angústia visível.

SCULLY: - Mulder... Estão torturando o garoto.

MULDER: - Como sabe?

Scully olha pra Mulder. Ele olha pra ela e entende.

Lá dentro os garotos tentam socorrer Maria.

MAX: - (NERVOSO) Liz, Isabel, andem!

Isabel olha pra Max e Alex, que têm expressões preocupadas. Ela e Liz pegam Maria, que continua gemendo de dor e a ajudam a se levantar.

MULDER: - (GRITA) Abram essa porta! O que está acontecendo aí???

ALEX: - (PREOCUPADO E FURIOSO) Olha, não se metam. Isso é problema nosso e nós resolvemos.

SCULLY: - (ANGUSTIADA) Eu sou médica! Deixe-me ajudar sua amiga!

MAX: - Não precisa, nós cuidamos dela, não é nada demais. Por favor, não se metam.

Max e Alex viram as costas. Os dois levam Maria para o quarto de Liz.


6:46 P.M.

Isabel e Liz estão ao lado de Maria que está deitada na cama chorando.

ISABEL: - Maria, também estamos preocupadas com o que pode ter acontecido ao Michael.

LIZ: - E preocupadas com você. O que aconteceu?

MAX: - Maria, olha pra mim. O que houve? O que está sentindo? Por que você gritou o nome do Michael daquela maneira?

MARIA: - (CHORANDO E SOLUÇANDO) Max, era horrível. A dor, o medo... E não eram sensações minhas, eram do Michael. É horrível... Eu não consigo descrever...

Maria começa a chorar descontroladamente. Alex e Liz a abraçam. Isabel fica desesperada.

ISABEL: - Oh, meu Deus! O que está acontecendo com o Michael? Onde ele está? Maria, nos diga...

MAX: - Isabel, você não está ajudando... Maria, você me permite fazer uma conexão com você, tentar ver o que você viu?

Maria concorda com a cabeça enquanto chora. Max senta-se de frente pra ela e pega suas mãos. Eles olham nos olhos um do outro.

Max vê Michael, imóvel, com a cabeça presa por metais. Fios conectados à testa. O Cientista 2 insere uma espécie de agulha sem ponta, enorme, dentro da garganta de Michael que grita desesperado.

Max sai do transe e olha pros outros que esperam ansiosamente. Está com os olhos cheios de lágrimas. Olha pra Maria e entende.

MAX: - Eu... Eu vi tudo e senti um pouco do que a Maria sentiu. De alguma maneira, ela está ligada ao Michael e consegue sentir e até ver o que acontece com ele. Michael foi capturado e estão fazendo experiências com ele, de todos os tipos e de maneiras muito cruéis. Precisamos resgata-lo.

Liz continua abraçada a Maria e olha para Max. Isabel fica descontrolada.

ISABEL: - Lógico que precisamos resgata-lo. Mas como? Você conseguiu ver onde ele está? Teve alguma pista?

MAX: - Não... Vamos fazer o seguinte. Eu e você vamos voltar ao apartamento do Michael e ver se achamos alguma pista lá. Depois vamos pra casa e vou precisar que você entre nos sonhos do Agente Mulder e ver se descobre o local, certo?

ISABEL: - Certo.

MAX: - Liz e Alex, por favor, fiquem com a Maria. Qualquer coisa, outra visão, ligue pra nós imediatamente.

ALEX: - Não se preocupe. Vou cuidar delas.

Max e Isabel saem. Alex, Liz e Maria ficam olhando pra porta com uma feição de "e agora?".


Residência dos Evans – 8:34 P.M.

Chuva fina. O carro de Mulder estaciona na frente da casa. Mulder desce, ajeitando o sobretudo, correndo até a entrada. Bate à porta. Diane Evans abre a porta. Olha-o com curiosidade.

DIANE: - Pois não, em que posso ajuda-lo?

Mulder puxa o distintivo.

MULDER: - Agente Mulder, do FBI. É a senhora Evans, mãe de Max e Isabel?

DIANE: - O que você quer com meus filhos, Agente Mulder?

MULDER: - (SORRI) Não se preocupe, senhora Evans. Os garotos não fizeram nada de errado. Preciso apenas de informações. Estamos falando com todos os alunos da escola... É um programa do Bureau para evitar o repasse de drogas, pedindo informações aos alunos sobre possíveis traficantes suspeitos... Não é o caso dessa escola, mas isto é apenas checagem. Rotina.

DIANE: - Entre, Agente Mulder. Aguarde um momento.

Diane vai chamar os filhos. Mulder entra na sala. Coloca as mãos nos bolsos, anda pela sala. Max e Isabel entram com caras de desconfiados. Mulder olha pra eles.

MULDER: - É seguro falarmos aqui? Sua mãe...

Isabel e Mulder ficam se encarado, um querendo ler a mente do outro.

MULDER: - Olha, eu sei que vocês estão com medo. Mas eu estou aqui para ajuda-los. (OLHA PRA ISABEL) Eu sei que você pode ler mentes. Então se quiser ler a minha, não vou bloqueá-la. É a prova que eu tenho para vocês terem a certeza das minhas boas intenções.

Isabel e Max se olham. Max olha para Mulder.

MAX: - Não sei do que você está falando. Nós não podemos fazer isso.

MULDER: - Eu sei onde o amigo de vocês está. Mas só posso confiar em vocês, se confiarem em mim. Eu sei que é difícil. Eu mesmo não confio em ninguém, tirando a Scully. Eu sou uma experiência deles. E já sofri o que seu amigo deve estar sofrendo, como um animal a ser estudado. Eu sei a dor que ele sente. Eu senti isso. Se não acreditam nas minhas palavras, leiam minhas lembranças, guardadas em minha mente. Podem descobrir essa verdade, se quiserem.

Max e Isabel tocam em Mulder.

[Fusão – (a imagem anterior se funde na imagem seguinte)]


Médicos ao redor de Mulder. Seres acinzentados e baixos, de olhos pretos enormes também. O Canceroso observa ao fundo da sala, ao lado de um general. Um dos médicos aproxima-se. Começa a passar uma substância incolor pelo corpo de Mulder, como se fosse uma cola. Outro se aproxima e ergue a cabeça de Mulder. Coloca um aparelho em seu queixo.

MULDER (OFF): - (NERVOSO) Não... Eles vão fazer isso de novo...

Mulder continua estático. Olhando pra cima, sem mexer as pálpebras. Outro se aproxima dele. Coloca uma espécie de agulha por dentro de sua narina esquerda. Mulder continua sem reagir. Olhos abertos.

[Fusão]


Max e Isabel recuam, olhando assustados pra Mulder. Mulder morde os lábios, virando-se de costas pra eles. Seca algumas lágrimas que lhe caem. Max e Isabel se olham. Isabel afirma com a cabeça. Max olha pra Mulder.

MAX: - ... Nós, eu, Michael e Isabel, chegamos a Terra na queda de 1947.

Mulder vira-se pra eles, incrédulo. Max senta-se na poltrona. Cabisbaixo, apoiando os braços nas pernas.

MAX: - ... Vivemos durante anos dentro de pods até que nascemos, com uma aparência de 6 anos de idade. Eu e Isabel chegamos à estrada e fomos adotados pelos Evans e Michael se perdeu de nós. Fomos encontrá-lo anos depois, juntamente com seu pai adotivo, Hank.

Isabel senta-se no braço da poltrona, ao lado de Max. Mulder os observa, com uma fisionomia de angústia.

ISABEL: - Nós vivíamos vidas normais, como adolescentes normais, na medida do possível. Até que um dia, no Crashdown, Liz levou um tiro e Max a curou, revelando nosso segredo. Liz contou para Maria e daí nasceu nossa amizade. Mais tarde, Liz acabou contando também para o Alex. Tornamo-nos os seis contra o mundo e além disso, começaram os relacionamentos entre nós. Max e Liz, Michael e Maria. E pelo jeito, Alex sente algo por mim.

Mulder sorri amavelmente.

MULDER: - Seria tolo se não sentisse.

Isabel dá um sorriso.

MAX: - Mais tarde, descobrimos nosso destino. Que somos a realeza de nosso povo e eu o seu rei. Michael é meu segundo em comando e Isabel, é minha irmã. Nosso mundo está em guerra contra os skins.

MULDER: - Skins??? Uma outra civilização?

ISABEL: - Eles são os bandidos da história. Eles também estão aqui na Terra e já tentaram nos matar. Eles só conseguem viver aqui por cinquenta anos, pois a atmosfera terrestre é maligna a eles, então eles usam uma casca que sobrevive os 50 anos. Sem essa casca, eles morrem. Além disso, sempre temos que nos preocupar com o governo que vive querendo nos descobrir e fazer experiências. E eles, enfim, conseguiram.

MULDER: - O que aconteceu com Maria? Ela não é uma de vocês.

MAX: - Não sabemos explicar. De alguma forma, ela está ligada ao Michael, pode sentir e ver o que acontece com ele. Ela será nosso meio de ligação com ele, mas não sabemos quanto ele aguentará e quanto ela aguentará. E quando eles acabarão chegando até mim e Isabel.

ISABEL: - Então se você sabe onde ele está, você deve nos dizer. Precisamos resgatá-lo e rápido. Onde ele está??

MULDER: - Em Dreamland. O governo está com ele. Pelas minhas habilidades paranormais ativadas, querem que eu entre na cabeça do seu amigo e arranque as verdades dele. Também temos inimigos. E o governo está curioso com Michael porque buscam desesperados por uma vacina contra uma civilização inimiga. Um tipo de alienígena que se procria usando corpos humanos e se propaga através de um líquido negro. Ou seja, o que cair do céu, para eles é uma chance de estudar e combater o inimigo.

MAX: - Por que trabalha pra eles?

MULDER: - Porque preciso. Apenas por uma questão de defesa. Estou defendendo minha família e o meu filho, que tem genes que podem combater esse inimigo. Mas nas mãos deles, poderia ser um perigo maior.

ISABEL: - Há algum tempo atrás, fomos até você, numa palestra que deu sobre as verdades da ufologia...

MULDER: - Me perdoem, minha memória não é mais a mesma.

MAX: - Queríamos buscar a nossa verdade, talvez você pudesse nos dizer... Fomos até o hotel em que você estava...

Mulder põe as mãos no rosto. Sorri.

MULDER: - Sim! Eu lembro.

Max e Isabel sorriem.

MULDER: - Pena que eu ainda não sabia a verdade. E mesmo que a soubesse, a verdade de vocês era outra.

MAX: - E agora que sabemos, agente Mulder, é mais fácil lidar com ela e fugir de quem nos quer mortos.

MULDER: - (SORRI) O trunfo de saber a verdade é esse. Você fica mais esperto e joga conforme o jogo. Eu entendo. Acredite, eu entendo.

MAX: - E o que vai fazer para nos ajudar?

MULDER: - Eu vou até Dreamland hoje. Vou dizer ao amigo de vocês que vamos tira-lo de lá. Preciso primeiro ter o acesso, saber como podemos fazer isso. Primeiro tenho que conhecer o lugar. Vou despistar o governo sobre Michael.

Max e Isabel se levantam.

ISABEL: - Obrigado, agente Mulder.

MULDER: - Não me agradeçam... Eu não tenho nada contra alienígenas, afinal todos somos alienígenas uns para os outros.

MAX: - Nos ligue quando voltar?

MULDER: - Acho melhor marcarmos no Crashdown amanhã cedo. Pelo jeito ficarei a madrugada toda em Dreamland. Vão ter que matar a aula. Mas tudo bem, eu assumo a responsabilidade.

Os dois sorriem. Isabel senta-se na poltrona. Olha para Max.

ISABEL: - Espero que Michael aguente até lá.

MAX: - Ele é durão. Ele vai conseguir.

MULDER: - Eu quero pedir um favor.

Max olha pra ele.

MULDER: - Minha parceira gostaria de falar com Maria. Ela é médica. Pode ajudar.

BLOCO 3:

Residência dos DeLuca - 11:34 P.M.

[Som: Dido - Here With Me]

Close no boneco de um alienígena sobre a cama, deitado sobre as almofadas coloridas com motivos psicodélicos.

Sobre a cômoda, o incenso queima exalando uma fumaça que faz movimentos sinuosos pelo ar. O quarto estilo new age.

Close da janela. A chuva cai lá fora, as gotas escorrem pelo lado de fora do vidro. O vidro embaciado. O pequeno dedo indicador, escreve Michael no vidro.

Maria suspira. Ajeita as mangas longas do blusão folgado, até os cotovelos. Aproxima os lábios do vidro e assopra, até que as letras embaçam novamente. Ela então desenha um coração.

Uma batida na porta. Maria vira-se. Liz entra e olha pra ela. Maria suspira.

MARIA: - Sabe, eu não deveria desenhar um coração, e sim um circulo, pois o coração pode ser quebrado e os círculos nunca terminam.

Liz lhe sorri meigamente. Então abaixa a cabeça.

LIZ: - Tem alguém aqui. Quer falar com você.

Maria cruza os braços, fazendo um beiço.

MARIA: - Não quero falar com ninguém, Liz.

LIZ: - É a agente Scully e Max disse que...

MARIA: - (REVOLTADA) Droga! O que essa mulher quer aqui? Eu não quero falar com ela! Não me sinto bem! Diga que estou dormindo!

Scully entra no quarto, vestida num sobretudo. Maria arregala os olhos. Liz olha pra elas e sai, fechando a porta. Scully, olha para o alien sobre a cama. Sorri. Anda pelo quarto, observando as coisas de Maria. Maria a observa desconfiada.

SCULLY: - Bonito quarto... Eu tinha um quarto, mas dividia com minha irmã... Não tão bonito quanto o seu, eu era muito romântica naquela época... É um quarto aconchegante. E o perfume é muito suave.

Maria desconfiada. Estudando Scully com os olhos.

SCULLY: - Tenho saudades... Você tem irmãos?

MARIA: - Não, não tenho, sou filha única... Só se meu pai construiu outra família por aí.

Maria para na frente de Scully. A encara.

MARIA: - O que faz aqui? O que quer?

SCULLY: - Eu só quero ajudar vocês... Sei que me encara com medo e desconfiança, eu também vivo assim como você, encarando todos com medo e desconfiança.

MARIA: - Ajudar? Provavelmente por causa de vocês tudo isso começou! Nada disso aconteceu antes de vocês chegarem. Ajudar? Como?

SCULLY: - Mulder e eu trabalhamos para o FBI. Num departamento chamado Arquivos X. Há muitos anos investigamos assuntos paranormais. E por isso, muitas vezes quase perdemos um ao outro. Por isso eu sei o que você sente. Eu também não quero perder Mulder.

MARIA: - Perder o Mulder? Talvez ele leve um tiro no trabalho, um soco de um bandido mas ele nunca será colocado numa mesa e experimentado como um pedaço de carne sem vida, aberto... E olhe, Michael me disse que tinha medo e ele nunca admitiu isso... Então não me diga que sabe o que sinto, porque seu Mulder não sabe de nada!

Scully senta-se na cama. Pega o ET. Enche os olhos de lágrimas.

SCULLY: - Sabe, o nome dele é Fox Mulder...

Maria a observa. Olha de um jeito questionador, querendo descobrir onde Scully quer chegar.

SCULLY: - Fox não é um nome... É apenas uma abreviatura de um projeto experimental que cruzou genes humanos com alienígenas. Ele não sabia disso. Até que esses homens o colocaram numa mesa de tortura, perfuraram seu cérebro, retiraram células de seu corpo pra fazerem uma vacina contra um vírus alienígena.

Maria fica chocada. Senta-se ao lado de Scully. Olha em seus olhos.

SCULLY: - Levaram meu filho... Me deixaram estéril... E tudo o que nos sobrou foi um ao outro. Tentamos colar nossos caquinhos, com paciência e compreensão. Mas nem sempre os caquinhos colam...

MARIA: - ...

SCULLY: - (DERRUBANDO LÁGRIMAS) Sabe, algumas vezes ele acorda no meio da madrugada gritando: Scully me salva...

MARIA: - (SEGURANDO AS LÁGRIMAS) ...

SCULLY: - (COMEÇA DERRUBAR MAIS LÁGRIMAS) Eu entendo a dor e o medo que você sente de que tirem o Michael de você. Eu tenho o mesmo medo! Nunca sei quando vão levá-lo e se ele vai voltar com vida.

Maria a abraça. Scully agarra-se em Maria, chorando convulsivamente.

SCULLY: - (CHORANDO) Desculpe... Eu nem sei porque disse isso... Estou numa fase muito sentimental, frágil... Acho que é porque eu... Eu gosto de você Maria, como uma filha que não tive.

Maria afasta-se de Scully. Olha em seus olhos, com os olhos também cheios de lágrimas, como se falasse com uma irmã mais velha.

MARIA: - Nunca imaginaria isso. Como nunca imaginei que Michael seria um alienígena, que eu o amaria e tudo mais. O que conforta são os bons momentos. E os tristes...

SCULLY: - (SECANDO AS LÁGRIMAS) Sabe? E-eu... Desde que coloquei meus olhos em você, eu vi a mim mesma... A juventude que eu desperdicei com amores errados... Me questionei do porquê eu não conheci Mulder quando era mais jovem... Eu me vi em você e vi Mulder em Michael... Nos preciosos anos de juventude... E eu tive ódio do destino de não ter conhecido Mulder antes. Era como se ao ver você e Michael eu tivesse um flash de um passado que nunca aconteceu... Acho que você é como a irmãzinha que perdi... Como a Scully que se foi... Me deixa ajudar você, e eu me sentirei mais leve, como se tivesse ajudado a mim mesma.

MARIA: - Eu nunca tinha sentido tanta dor vinda do Michael. Só uma vez, quando durante uma noite chuvosa como essa, ela veio ate mim, chorando. Um problema com seu pai adotivo. Ele dormiu aqui comigo... (SORRI) Tudo bem que minha mãe expulsou ele daqui de casa debaixo de tapas com o jornal...

Scully sorri, secando as lágrimas. Maria cruza as pernas sobre a cama.

[Fade in]


[Fade out]

Maria sentada na cama sobre as pernas. Scully sentada, agarrada ao alienígena de brinquedo, mexendo em suas anteninhas. A irmã mais nova e a irmã mais velha.

MARIA: - ... E tem aqueles momentos que tenho vontade de matá-lo! Onde ele é grosso, que sua vontade de descobrir sua origem fica acima do nosso relacionamento. Ou quando ele tenta me expulsar de sua vida, falando que é muito perigoso ficarmos juntos... Mas mesmo assim eu não o deixo...

SCULLY: - Mulder é assim com sua verdade. São homens obstinados. Eles têm uma causa. Sabe, Maria... Somos mulheres de homens que têm um destino. Um grande destino. Um poder nas mãos. Nós nos anulamos, somos o ombro que eles precisam pra chorar quando se sentem fracos... Acho que somos a força deles. Eles nunca dirão isso da maneira certa, mas nós sabemos.

MARIA: - Bom, no caso do Michael, não dirá mesmo. Mas às vezes olho em seus olhos e percebo. Ou em nossas brigas. Afinal mal começamos e já discutimos, mas é nossa maneira de conversamos, de flertamos... Ou quando nos abraçamos, nos beijamos...

SCULLY: - Mesmo que as opiniões sejam divergentes, o sentimento é semelhante. É grande, enorme... Não sente isso? Algumas vezes não sente que seu peito não aguenta tanto amor? Parece que vai explodir a qualquer momento...

MARIA: - É verdade... Fico pensando como isso pôde acontecer logo comigo... Antes éramos apenas eu e minha mãe, depois veio Liz e Alex. E depois os aliens e com eles Michael... Na primeira vez em que realmente conversamos percebemos que tínhamos coisas em comum...

SCULLY: - (SORRI/ EMPOLGADA) Como foi isso? Me conta como conheceu Michael?

MARIA: - Um dia ele me "abduziu" junto com meu carro, pra perseguir uma pista que ele tinha conseguido. Só que ele não me contou este detalhe. Nós paramos em um motel que parecia versão pornô do Aladim.

Scully sorri.

MARIA: - Começamos a conversar e acabei contando a ele sobre meu pai, e ele mostrou que o que eu sentia em relação ao meu pai era o que ele sentia em relação ao dele... Ele não teve um pai que o amasse aqui na Terra como Max e Isabel tiveram.

SCULLY: - (SORRI) Acho que conheço essa história de revoltas paternas... E então?

MARIA: - Depois disso, cada um virou as costas e foi dormir. Ficou aquele clima no ar depois disso, entende? Aquele flerte, aqueles olhares furtivos até que um dia ele me beijou, com a desculpa de que era pra me acalmar... hehehe.

Scully ri com ela.

SCULLY: - Ele fez isso???

MARIA: - Ah, fez... E depois disso nada!!! Até o dia em que houve uma onda de calor aqui em Roswell... (SAUDOSA/ COM UM SORRISO MALICIOSO NO ROSTO)

SCULLY: - (RINDO) Ondas de calor... Essas são marcantes...

MARIA: - Com certeza... Tudo era pra ter começado ali... Se ele não tivesse colocado sua face de pedra novamente.

SCULLY: - Eles sempre fazem isso... Num minuto estão ali, entregues. Logo já vestem a máscara de homens fortes e partem pra sua jornada.

MARIA: - É... Ele me disse que as coisas estavam ficando intensas demais, que eu estava intensa demais... Como se somente eu estivesse intensa...

SCULLY: - Enquanto que eles não são criativos... Se bancamos as 'avançadinhas' eles morrem de medo... Mas acredite, no fundo, eles gostam!

MARIA: - Pois é... E quando salvei a vida dele, ele nem me disse obrigado! Claro que depois ele fez algo totalmente doce, mas mesmo assim não queria nada comigo.

SCULLY: - Acho que Mulder é menos durão nesse ponto... Bom, agora. Porque no passado ele muitas vezes podia agir com doçura, mas sempre dentro daquela máscara de 'eu sou o estranho. Isso não combina comigo'. Algumas vezes ele era um grosso, um animal. E nem sempre dizia obrigado também.

MARIA: - Mas eles sempre vêm até nós quando precisam de ajuda, quando sua alma está machucada... O que me deixa com raiva é esse vai e vem... Nunca sei quando estamos bem ou não. Num momento estamos ótimos, depois ele coloca aquela máscara de novo.

SCULLY: - Maria, já pensou que ele pode ter que usar essa máscara porque assim ele pode ir atrás dessa verdade? Talvez ele tenha medo de se entregar pra você, com medo de que isso o possa afastar de sua busca.

MARIA: - Eu até entendo isso, mas ele não percebe que talvez eu o ame tanto que no final permita que ele vá? Que quando o chamarem, que quando ele achar sua verdade, apesar de quebrar meu coração em milhares de pedaço, eu o deixarei ir. Mas só assim, de outra maneira não. Como não vou deixar aqueles desgraçados que estão com ele o matarem, nem que eu tenha que derrubar um por um.

SCULLY: - (SORRI) Engraçado... Engraçado te dizer isso... Você ama um alienígena. Eu amo um híbrido. Algumas vezes penso se essas características tão severas neles não provêm de outras raças. E que esses sentimentos repentinos de não me importo, não sejam características humanas. Mas seu Michael sabe ser humano. Ele tem sentimentos comuns aos humanos. Talvez, nós humanos é que não temos por natureza, os bons sentimentos como eles têm. Talvez sejam eles que nos deram isso. Os sentimentos... Talvez a face negra que revelam seja apenas o reflexo do que aprenderam com os humanos, mas não a sua natureza. Eu me sinto tão confusa quanto você, Maria.

MARIA: - Uma vez Michael me disse que eu o fazia sentir humano, e que às vezes ele não gostava disso, que ele não poderia gostar disso...

SCULLY: - Me sinto capaz de dar a vida por Mulder. E nem me questionaria por isso. Se ele tiver que ir, que vá. Eu o amo tanto que posso permitir minha dor. (SORRI) Você me entende. Michael tem medo de sentir. Isso é comum até a nós humanos. Acho que o amor é o sentimento semelhante em todo o universo... Maria, você vai ter que ter paciência... Ele vai ceder um dia... E quando esse dia chegar, não significa que tudo vai mudar. Significa que estarão juntos. Eles não mudam, nós não mudamos. E é essa química que nos faz amarmos um ao outro.

MARIA: - Às vezes acho que ele foi destinando a mim... Como posso ter encontrado minha metade num cara de outro planeta?

SCULLY: - (RINDO) Sabe, acho que os homens terrestres são uns cafajestes... Devíamos comemorar nossa sorte...

MARIA: - (RINDO) Deve ser isso. Talvez tenhamos o que nos completa e lutaremos por isso...

Scully sorri. Maria olha pra ela.

MARIA: - E você? Faz muito tempo que está com Mulder?

SCULLY: - Sei lá, parece que estive a vida toda com ele... Eram ofensas, desconfianças, depois amizade, agora uma vida juntos, negando pra todos o nosso envolvimento...

MARIA: - Negando? Vocês tiveram que esconder o relacionamento?

SCULLY: - Nosso envolvimento é perigoso. Embora quem não deva saber já sabe. Mas precisamos ficar no FBI, precisamos continuar nossa busca... (SORRI) Nossa... Agora a busca também é minha... Percebe como nós assumimos a vida deles pra gente? Como nos doamos? Você também está com Michael nos problemas dele...

MARIA: - Quando entrou aqui, você falou em um filho. Onde ele está?

SCULLY: - Tiraram meu filho antes de nascer... Mas... Ele vai voltar pra nós.

MARIA: - Deve ser difícil... Não imagino o que faria se um filho fosse tirado de mim...

SCULLY: - Loucuras... E uma delas é fingir que Mulder trabalha pra esses homens, só pra ter acesso à mente deles e poder evitar antecipadamente qualquer desgraça que possam estar tramando. E eu finjo que aceito isso.

MARIA: - (SUSPIRA) Puxa...

SCULLY: - Mentimos descaradamente o dia todo dentro de casa um pro outro, sabendo que estamos mentindo, porque sabemos que eles estão ouvindo, nos vendo, nos monitoram o dia todo, em casa, no trabalho, no carro... Você não tem privacidade em seus momentos íntimos... Só podemos rir e ser felizes quando nos envolvemos em investigações fora dali. Então podemos dizer o que queremos um pro outro, sem seguir um maldito roteiro que precisamos criar para interpretar o que não nos tornamos: duas pessoas sem esperanças e infelizes... Rimos tanto dentro de nós... Estamos na época mais linda de nossa vida e dói não poder exibir essa alegria. Quem nos vê pensa que estamos tristes. Mas não sabe o quanto estamos felizes.

MARIA: - Bem feito pra esses caras...

SCULLY: - Nos fazemos de coitados e infelizes a semana toda... Quando estamos fora, podemos rir e comemorar. Nunca pensei na minha vida em representar um papel. Hoje sinto, mas preciso fazer isso. Inclusive para os amigos. Ou não terei meu filho.

MARIA: - Entendo... É como a gente, às vezes temos que correr do governo, ou das raças alienígenas inimigas... Por que além de tudo, ele é da realeza do seu planeta, ele é o chefe do exercito real, talvez dai venha sua força...

SCULLY: - Maria, como podemos ser tão azaradas? Com tantos homens e a gente escolhe os mais difíceis?

MARIA: - Sei lá!!! (RINDO) Deve ser algo nesses alienígenas. Depois que eles te beijam, pronto!! Te estragam para todos os homens, os outros tornam-se insignificantes... O beijo deles é explosivo!!! Eles são únicos...

As duas riem. Scully levanta-se da cama. Puxa Maria pela mão.

SCULLY: - Vamos fazer uma coisa? Que tal um bom milk-shake pra relaxar? Estou aos nervos por Mulder e você por Michael. Se eles descobrirem o envolvimento de Mulder, posso perdê-lo. Se ficarem com Michael, você vai perdê-lo. Vamos comer. E no meio do caminho, divido com você uma alegria.

MARIA: - Milk-shake??? Legal!! Tem surpresa? Adoro surpresas!!! Me conta!

SCULLY: - Vou te falar sobre meu filho... E do apartamento bagunçado do Mulder.

MARIA: - Acha que só o Mulder tem apartamento bagunçado? Pois não viu ainda o apartamento do Michael! Por que homens solteiros são bagunceiros? Quem sabe, eles são irmãos e não sabemos?

SCULLY: - Vou te dar uma dica de como fazer com que eles não espalhem farelos pela casa... Vamos falar desses dois impulsivos, que não pensam nas consequências...

MARIA: - Você esqueceu de mencionar desses dois malucos que não confiam no governo...

As duas saem do quarto de braços dados, rindo.


Base Aérea de Groom Lake – Nevada – 1:21 A.M.

Mulder caminha pelo extenso corredor. Ao lado dele Garganta Profunda e o Canceroso. O Canceroso entrega uma credencial de acesso pra Mulder.

CANCEROSO: - Use isso. Vai precisar pra entrar e sair daqui.

Eles param na frente de um elevador.

CANCEROSO: - Tem uma data de validade aí atrás. Após isto, desista. Não vai ter chance de entrar aqui.

Mulder olha pra ele debochado.

MULDER: - Puxa, papai... Vai negar ao seu filho único um ingresso pra Disney?

Garganta Profunda controla o riso. O Canceroso aperta com o indicador o painel ao lado do elevador. Passa sua credencial de acesso no leitor óptico. Mulder observa.

MULDER: - Identificação digital e pelo cartão. Vocês são espertos...

GARGANTA PROFUNDA: - Esqueceu-se da identificação pela retina.

Mulder olha pra ele surpreso.

GARGANTA PROFUNDA: - Mas está em conserto.

O elevador se abre. Os três entram.

MULDER: - Já visitei isso aqui uma vez... Vamos pra que andar do subsolo?

O Canceroso aperta a tecla 'nível 0'. Acende um cigarro.

MULDER: - Puxa, segredos profundos...

CANCEROSO: - (SOPRA A FUMAÇA) Um homem sábio nunca revela seus segredos completamente.

Mulder afasta a fumaça do nariz com a mão.

MULDER: - (DEBOCHADO) É bom saber disso. Assim você não pode exigir que eu revele meus segredos, embora você saiba até quantas eu dou numa noite.

Garganta Profunda vira-se e segura o riso. O Canceroso acende um cigarro.

CANCEROSO: - Não confio em você. Ainda precisa me provar que é digno de confiança.

MULDER: - (DEBOCHADO) Por que você não faz aqueles testes de irmandade??? Ahn??? Coisa como beber um litro de uísque e entrar nu num cemitério às 3 da manhã pra transar com uma virgem? Olha, esqueça do cemitério. Só o uísque e a virgem já está bom pra mim.

Garganta Profunda ri.

GARGANTA PROFUNDA: - Ora, mas tem um segredo que você pode revelar ao Mulder.

Mulder olha pra ele.

MULDER: - Sabe, sempre gostei de você. Foi o meu melhor informante. (DEBOCHADO) Pra um morto você ainda está conservado...

GARGANTA PROFUNDA: - Mulder, sabe por que isto aqui se chama Área 51?

MULDER: - Não. (DEBOCHADO) Alguma coisa a ver com marca de cachaça brasileira?

GARGANTA PROFUNDA: - Porque é a base número 51. Existem outras mais que fazem experiências com alienígenas.

MULDER: - Não acham que deviam trocar de endereço? Esse aqui está muito manjado.

CANCEROSO: - Uma verdade dentro de duas mentiras, Mulder. Esconda algo bem debaixo do nariz das pessoas e ninguém vai perceber.

MULDER: - (DEBOCHADO) Acredite, eu vou me lembrar disso.

Os três caminham por um extenso corredor cheio de portas. O Canceroso para em frente a uma delas. Passa a credencial novamente no leitor óptico ao lado da porta. Mulder o observa. Eles entram.


Corta para a sala imensa. Uma espécie de laboratório. Os gritos de Michael ecoam pela sala branca. Ele está deitado na mesa, completamente imóvel. Um médico faz uma vivissecção no braço de Michael, lhe retirando pele. Mulder vira o rosto.

CANCEROSO: - Se quer continuar conosco melhor começar a criar estômago. Não é um ser humano. É um alienígena. Um animal.

Mulder olha horrorizado pra Michael.

MULDER: - (ANGUSTIADO) Parem com isso!!!! Não posso entrar na mente dele com vocês fazendo esse tipo de coisa.

O médico olha para o Canceroso. O Canceroso faz sinal pra ele sair. Olha pra Mulder.

CANCEROSO: - Arranque dele o que ele sabe. E não tente me enganar, Mulder.

O Canceroso e Garganta Profunda saem da sala. Mulder aproxima-se de Michael. Olha pra ele. Michael está acordado, olhos parados, sem brilho. Olha para Mulder, sem esboçar nenhuma reação. Mulder percebe o espelho na parede. Olha pra Michael.

MULDER (OFF): - Sei que pode ler minha mente, vou tirar você daqui. Preciso que aguente mais um pouco. Seus amigos já sabem onde está. Não tente se comunicar comigo pela boca, deve haver escutas aqui. Nem por pensamento, há fios conectados em sua cabeça e não quero arriscar. Apenas me escute. Fingirei que falamos, mas não falaremos. Eu darei uma versão pra tirar você dessa.


3:03 A.M.

Através do falso espelho, Garganta Profunda e o Canceroso observam Mulder sentado ao lado de Michael. Mulder de olhos fechados. O Canceroso sopra a fumaça do cigarro.

CANCEROSO: - Acha que estão conversando?

GARGANTA PROFUNDA: - Como vou saber? Você poderia saber.

CANCEROSO: - Desde que implantaram esse chip e me curaram do câncer não consigo mais ler mentes. E depender de Mulder me assusta. Não confio cegamente nele.

GARGANTA PROFUNDA: - Ele não faria nada que colocasse a busca por seu filho em risco. Dê uma chance a ele. Mulder pensa que através de nós chegará a uma verdade, mesmo sabendo que nem nós temos as respostas para o desaparecimento de seu filho.

CANCEROSO: - Eu tenho a sensação desconfortável de que Mulder está nos enganando. Não sei como, mas Mulder está escondendo alguma coisa.

GARGANTA PROFUNDA: - Você sabe como Mulder é. Sabe que é um homem de princípios. E homens de princípios e ética não causam desconforto. São previsíveis. Eles não aceitam a mentira, portanto não mentem. Eles não aceitam a injustiça, portanto são justos. Ter Mulder conosco é como ter um brinquedo manipulável.

Corte.


No corredor, Mulder aproxima-se do Canceroso e de Garganta Profunda.

CANCEROSO: - Entrou na mente do alienígena?

MULDER: - Sim.

CANCEROSO: - (TRAGANDO O CIGARRO) Então?

MULDER: - Sabem as duas quedas em 47 que vocês encobriram como apenas uma e sendo de um balão meteorológico? Eles são da outra nave.

CANCEROSO: - Não são Greys?

MULDER: - Não. São de outra raça. Perguntei se podiam nos ajudar com a vacina. Eles não podem, nem conhecem o alien do óleo negro.

CANCEROSO: - O que querem aqui?

MULDER: - Estão fugindo. Assim como nós, eles foram invadidos por outra raça. Tiveram que se exilar. E a Terra estava no caminho. Não querem encrenca.

GARGANTA PROFUNDA: - Isso não vai atrair mais um inimigo pra nós?

MULDER: - (MENTIDO DESCARADAMENTE) Não. Estão com um rei naquela mesa. Aconselho vocês a deixarem-no ir. Porque senão teremos mais um problema. Serão 4 raças no nosso encalço. Estão tentando se livrar de um problema e querem continuar a se encrencar?

CANCEROSO: - Precisamos de um espécime desse tipo. Pode nos oferecer algo em troca.

MULDER: - Olha aqui, eu sei que o catálogo bio-universal de vocês é enorme. Mas escutem um conselho. Estão se expondo a uma forma de vida desconhecida e altamente perigosa.

CANCEROSO: - Ele não sai. Isso não é decisão sua. É decisão nossa.

MULDER: - Ok... Ele só quer ir embora. Está usando o corpo do garoto.

CANCEROSO: - O quê?

MULDER: - Exatamente. Eles usam os corpos terrestres. Estão com data marcada para partirem e deixar os corpos que usaram, terem suas vidas novamente.

GARGANTA PROFUNDA: - Mais outra raça parasita?

MULDER: - Exatamente. Serão resgatados hoje à noite. Mas pelo visto, vocês não deixarão o rei deles partir porque pensam retaliar um alien enquanto retalham apenas um corpo de uma espécie bem conhecida chamada Homo-Sapiens.

O Canceroso olha pra Mulder. Sopra a fumaça na cara dele.

CANCEROSO: - Ele fica.


BLOCO 4:

Boliche – 2:11 P.M.

Scully consegue derrubar os pinos. Apenas um insiste em ficar de pé. Ela observa indignada. Mulder aproxima-se por trás dela.

MULDER: - Você chega lá. Precisa de treino.

Ela olha pra ele, numa cara de poucos amigos.

SCULLY: - Pensei que haviam ficado com você também.

Mulder olha pra trás.

MULDER: - (DEBOCHADO) Não, me deram uma carona até o hotel e foram ao cabeleireiro. Scully aquela coisa de uma verdade escondida entre duas mentiras funciona até com eles! (OLHA PRA ELA) ... Me disseram no hotel que você estava aqui.

SCULLY: - (SÉRIA/ INDIGNADA) Estou passando meu tempo. Algumas vezes é melhor distrair a cabeça com pinos do que aceitar a verdade de que joguei metade da minha vida fora, teimando em aceitar muitas coisas, lutando contra mim mesma. Pra dizer a verdade, aqueles pinos todos eram os meus antigos namorados que levaram a minha juventude com eles. Estou me perguntando qual deles aquele pino que ficou em pé representa.

MULDER: - (DEBOCHADO) Spooky Mulder?

SCULLY: - Não. Você representa a bola que derrubou aqueles pinos. E acho que por isso estou de mau humor, indignada comigo mesmo e com a vida. Se tivéssemos nos encontrado antes... Olha o tempo que perdemos de nossas vidas com as pessoas erradas... Pensei nisso a noite toda. Que estamos envelhecendo, que o tempo passa depressa, e que provavelmente, temos menos tempo pra ficar juntos do que teríamos se isto tivesse começado em nossa adolescência.

MULDER: - Scully... Questionar o destino não é algo lógico.

SCULLY: - Você me falando de lógica, Mulder?

MULDER: - Eu sei o que sente... Também sinto frustração disso. Algumas vezes acordo pela manhã e vejo no espelho que estou com 40 anos. Rugas que surgem. Cabelos brancos que teimam em se ocultar, mas estão ali. Eu olho pra esses garotos felizes com suas namoradinhas e fico com raiva de ter sido um estranho a minha vida toda. Eu também queria ter me divertido. Nunca me dei ao direito de fazer isso porque carregava a culpa de que não evitei que levassem Samantha. Então eu não poderia viver o que ela não vivia. Não era justo. Olha a recompensa que tive nisso tudo. Eu dei minha vida por nada. De toda essa mentira, só você foi a minha verdade. Pelo menos ganhei você nisso tudo, o que me faz não me arrepender de nada.

Mulder abaixa a cabeça.

SCULLY: - Mulder, eu... Eu não sei ainda porque fui parar na sua sala... Foi por uma birra com meu pai que entrei nisso tudo. Foi pelo desejo de ajudar as pessoas... Essa coisa toda nos quebrou em cacos. Algumas vezes é difícil não ver que a verdade é que nós dois somos casos à parte das demais pessoas. Nada pra nós é fácil. Eu nem sei mais no que acredito. Nem me importo mais com nada. Há 20 anos atrás eu pensava que quando estivesse perto dos 40 eu teria meu consultório, um marido, filhos, uma casa... Olha pra mim hoje! Estou em Roswell, atrás de alienígenas!

Ele sorri.

SCULLY: - Mulder as coisas mudam. Sonhamos uma coisa em nossa adolescência e depois... A vida vai passando, perdemos aquela ilusão, aquele pique de rebeldia... Vamos nos acomodando... Olha pra eles, quanta vida há neles! Olhe pra nós! Estamos lutando pra viver!

Mulder segura-a pelos braços num sorriso. Ela continua séria.

SCULLY: - Algumas vezes odeio você. E me odeio também. Fomos muito idiotas. Perdemos tempo que não tínhamos, enrolados em culpas imaginárias.

MULDER: - Hum... Mas e o recuperar o tempo perdido?

SCULLY: - Passei a noite toda conversando com Maria.

MULDER: - Sobre...?

SCULLY: - Sobre você e Michael. O quanto são teimosos e obstinados. Vocês dão as cartas e nós aceitamos o jogo. Questionamos? Sim. Mas adianta alguma coisa?

MULDER: - Scully, aonde quer chegar com esse assunto?

SCULLY: - (SÉRIA) No quanto eu sou burra por amar você. Ou por não ter amado você antes. Estou irracional e ilógica hoje. Me esqueça. São os hormônios.

MULDER: - Encare assim, Scully: ainda temos algo da juventude. Tudo é descoberta pra nós dois. Tudo é novo pra nós nesse relacionamento, desde o sexo até a questão das fraldas descartáveis... Somos principiantes absolutos. Como rezaria a música do David Bowie: Com olhos completamente abertos, mas nervosos igualmente.

Mulder sorri. Aproxima-se dela pra um beijo. Scully continua triste e indiferente.

SCULLY: - Mulder, estamos em público.

MULDER: - E daí? Isso é novo pra nós também.

SCULLY: - Estou triste. Triste realmente e cheia de dúvidas. Me questionando sobre muitas coisas. Uma delas é você. No quanto dói gostar de você.

Mulder a beija, ela corresponde sem muita vontade. Mulder afasta-se e olha pra ela.

MULDER: - Vamos falar com os garotos.

SCULLY: - ...

MULDER: - Não fica assim triste. Depois que resolvermos esse Arquivo X, voltamos pra cá e eu ensino você a mirar a bola nos pinos.

Scully olha pra ele indignada.

SCULLY: - Você não é tão bom de mira, Mulder. Desista. Vamos lá. Vamos ajudar Michael e Maria. Que eles vivam mais cedo o que nós dois só descobrimos na metade da vida.

Scully sai. Mulder sorri a acompanhando com os olhos.


Crashdown – 2:44 P.M.

Alex, Maria, Liz, Max e Isabel sentados. Mulder olha pra eles, andando de um lado pra outro. Olha pra Scully. Olha pros garotos.

MULDER: - Pensei seriamente em pedir pra um de vocês ir em meu lugar, se passar por mim... Mas se eu fizesse isso estaria enviando vocês pra um matadouro. Teriam de levar minha digital. O sistema de identificação por retina está desativado, o que facilitaria. Mas não posso arriscar.

MAX: - Então você vai até lá tirar o Michael? E se o pegarem fazendo isso?

SCULLY: - Você disse que não iria se arriscar! Foi isso o que disse pra mim!

MULDER: - Eu não tenho outra alternativa. Eu vou e você fica aqui. E encerrou o assunto.

Scully sai porta à fora, nervosa e indignada. Mulder suspira. Maria a acompanha com os olhos.

MAX: - Nós podemos fazer isso.

MULDER: - Receio que não. Como vamos enganar as câmeras? Se Max entrar lá se passando por mim, eles vão barrar vocês no primeiro nível!

MARIA: - E se você entrar lá estará arriscando seu filho!

Mulder abaixa a cabeça, nervoso. Olha pra eles.

MULDER: - Quando aceitei trabalhar pra esses caras, eu sabia que me depararia com muita injustiça. E sabia que não poderia ficar de fora.

MARIA: - Mas e ela? E a Scully como fica nessa?

MULDER: - Se eu não voltar, me prometam uma coisa: Ajudem Scully a fugir daqui.

Eles se entreolham. Isabel levanta-se.

ISABEL: - Por que se importa mais com um alienígena que você nem conhece do que com seu filho e sua mulher?

MULDER: - Eu pouco me importo se é um alienígena ou um humano que está lá dentro. O fato é que isso dói e eu sei o quanto. Precisamos tirar Michael de lá hoje à noite. Se não fizermos isso, a coisa vai ficar complicada.

ISABEL: - Isso vai comprometer você. Está jogando todo seu plano por água a baixo.

MULDER: - Não, eu já tenho uma boa desculpa. Aprendi a mentir.

MARIA: - Você é um egoísta! Parece o idiota do Michael mesmo!

MULDER: - Sou. Mais feliz por ouvir isso agora?

MAX: - Nós podemos entrar lá e...

MULDER: - Vocês nunca entrariam numa base de segurança como Dreamland! Eu mesmo nunca entraria se não trabalhasse pra esses homens!

ALEX: - Ele tem razão, gente. Estamos num impasse. São os nossos interesses contra os interesses do agente Mulder. Se ele decidiu que pode fazer isso sem riscos, ele é o mais indicado pra fazer.

ISABEL: - Não deve ser tão difícil assim...

ALEX: - Isabel, difícil não seria a palavra. Impossível seria melhor. Ninguém entra naquele lugar sem que saibam realmente quem é. Pra um de nós entrar lá e salvar Michael, o mais seguro seria ser invisível. E alguém aqui pode fazer isso?

Eles suspiram. Alex levanta-se.

ALEX: - Vamos seguir o plano de Mulder. Ele sabe do que está falando.

MULDER: - Ótimo. Então ficamos assim combinados. Preciso de outro carro. Meu carro tem escutas e câmeras.


Rota 375 – Nevada – 8:38 P.M.

Estrada deserta. O carro da mãe de Max e Isabel passa rapidamente pela caixa de correio preta.

Corta para dentro do carro. Mulder dirige. Max ao lado dele, vestido com terno e gravata.

Corte.


Os soldados no portão acenam para Mulder parar. Mulder estaciona o carro. O Soldado 1 se aproxima. Mulder mostra a credencial. O soldado observa. Olha para Max.

SOLDADO 1: - E ele?

Max retira uma credencial do bolso. O soldado observa.

SOLDADO 1: - São do Departamento de Defesa?

MULDER: - Sim.

SOLDADO 1: - Precisamos verificar o carro.

Mulder entrega a chave. Os dois descem do carro e são revistados. Os soldados reviram o carro todo.

SOLDADO 1: - Podem passar.

O portão se abre. Mulder está nervoso. Liga o carro e passa pelo portão.

Dois jipes do exército os escoltam até uma das instalações. Mulder treme as mãos no volante. Max percebe.

MAX: - Passamos pelos guardas dos portões. Lá dentro teremos alguma dificuldade ou só as câmeras e a identificação digital?

MULDER: - Não há muitos guardas, mas sim várias câmeras. Temos de ser rápidos. Os homens do Sindicato estão reunidos em Nova Iorque. Sei que me mantêm na vigilância e não vai tardar a descobrirem que estou acompanhado.

Max olha pra Mulder, percebe que ele está pálido e suando frio.

MAX: - Mulder, se quer desistir eu entro lá de qualquer jeito...

MULDER: - Não fale nada quando entrarmos. Eles podem descobrir que estou nisso. Aja como um alienígena.

MAX: - (SORRI) E vou agir como?

MULDER: - (SORRI) ... Desculpe. Aja como um daqueles alienígenas de filmes de ficção científica. Sem sentimento algum. Tudo vai ficar registrado nas câmeras. E queremos que eles pensem que estou aqui forçadamente, porque você está controlando minha mente. Eu não sei o que estou fazendo. Nem vou me lembrar de nada. Aperte a tecla 0 no painel quando entrarmos no elevador. Quando sairmos no corredor, dirija-se à sala 19 ao meu lado, como se você soubesse exatamente onde é. Vamos passar por várias portas com identificação digital e de código de barras.

MAX: - Certo. E os cientistas?

MULDER: - Qualquer coisa... Você é bom de briga, garoto?

MAX: - Se precisar esmurrar alguém acho que faço.

MULDER: - Ótimo! Já vi que você e eu se trabalhássemos juntos apanharíamos de todo mundo.

Mulder e Max passam pelos soldados, com as credenciais na lapela do paletó. Mulder retira sua credencial e passa no leitor óptico do elevador. Coloca seu polegar. A porta abre-se. Os dois entram. Max olha sério pra câmera. Olha pra porta que se fecha.

Max e Mulder caminham lado a lado no extenso corredor de portas. Em silêncio, procurando a porta 19 com os olhos. Mulder para e puxa a credencial, repetindo o processo de identificação. Os dois entram.

Max lança um olhar de pavor.

Michael amarrado, todo cortado, com os olhos parados, sem expressão enquanto dois cientistas injetam substâncias estranhas nele.

Max faz um leve ruído, tenta disfarçar quando os cientistas olham pra ele.

MULDER: - O que fazem? Descobriram algo? Quero que me tragam todas as amostras que foram retiradas do alienígena.

Os cientistas fazem um cara de questionamento. Um deles abre a boca para dizer algo, mas Mulder o interrompe com um ar superior.

MULDER: - O que estão esperando? Já não lhes dei uma ordem?

Os dois saem. Mulder pega um lençol e atira sobre a câmera instalada na parede. Max aproxima-se de Michael. Coloca a mão em sua testa. Michael olha pra ele.

Mulder continua parado, indiferente, procurando com os olhos mais câmeras que não vê.

Um dos cientistas volta com as amostras. Entrega pra Mulder. Mulder coloca no bolso do paletó. Acerta um soco no cientista. Ele cai no chão desmaiado. Mulder começa a tirar a roupa do cientista.

Max desata Michael. Mulder atira as roupas do cientista pra Max. Max ajuda Michael a sentar-se na mesa.

MAX: - Vou tirar você daqui. Precisa reagir, precisa andar. (PISCA O OLHO) Estamos indo embora pro nosso planeta hoje ainda. Em breve deixaremos esses corpos.

Michael olha pra ele sem entender nada.

Corte.


Mulder e Max saem do elevador, segurando Michael entre eles, vestido de cientista. O Soldado 2 aproxima-se.

SOLDADO 2: - O que está havendo?

MULDER: - Saia de perto! Está contaminado por alguma coisa! Afastem-se!!!!!!!!

O soldado se afasta. Os três saem do prédio e são interpelados por mais soldados.

MULDER: - Saiam de perto! Está contaminado por alguma coisa! Precisamos apagar as provas!

Os soldados entram nos jipes. Mulder e Max colocam Michael no banco de trás do carro e entram rapidamente. Os soldados os escoltam até o portão principal. Um dos jipes vai à frente e um dos soldados grita para a portaria.

SOLDADO 3: - Abram logo, temos problemas!

Eles abrem o portão depressa. Mulder passa dirigindo rapidamente, tomando a estrada.


Corta para os soldados que os observam, nervosos. Dois carros pretos saem da base rapidamente tomando a estrada. Um terceiro carro preto para. Abaixa o vidro. Morris Fletcher olha pros soldados.

MORRIS: - Imbecis! Quero o contingente todo atrás deles! Mulder está com dois alienígenas naquele carro!

Corte.


Mulder dirige o carro pela rodovia.

MULDER: - Ele está bem?

Max vira-se pra trás. Michael está desacordado no banco de trás.

MAX: - Ele ficará bem.

MULDER: - Eles devem estar atrás de nós, precisamos chegar ao local rápido. Se nos pegarem, estamos completamente ferrados.

MAX: - Ali! Lá está o jipe de Maria!!!!!!!! São elas!

Mulder encosta o carro rapidamente na estrada. Os dois descem, retirando Michael. Maria e Isabel vêm ao encontro deles. Maria chora desesperada.

MULDER: - Segure ela, Isabel! Maria, se o quer vivo faça o que combinamos! Estão atrás de nós!

Max e Mulder colocam Michael no acostamento da estrada. Isabel olha pra Maria.

ISABEL: - Vai Maria! Se não fizer isso não poderá ajudar Michael! E todos nós morreremos!

Maria olha pra Michael. Então corre e entra no jipe, tomando a estrada rumo à Dreamland.

Isabel e Max deitam-se no chão ao lado de Michael. Fecham os olhos. Mulder senta-se no chão. Abaixa a cabeça.

Corte.


Maria dirige nervosamente, derrubando lágrimas. Percebe os carros que vem apressadamente. Então ela vira o jipe numa guinada, atravessando-se no meio da rodovia. Um dos carros desvia e passa rapidamente. Os outros param. Maria desce correndo, aos gritos.

MARIA: - Uma nave! Eu vi uma nave!

Morris Fletcher desce do carro.

MORRIS: - Nave? Ora menina, aqui não existem naves! Mais uma turista maluca...

MARIA: - Eu vi! Eles pegaram meus amigos!

MORRIS: - Se você tivesse visto algo, teria visto onde?

MARIA: - Há 5 minutos daqui! Na estrada! Eles estavam levando meus amigos!!!!!

Morris corre pro carro. Os carros partem rapidamente. Maria os acompanha com os olhos. Sorri entre lágrimas.


Residência dos DeLuca – 11:21 P.M.

Max entra carregando Michael. Isabel e Maria chorando. Alex corre pra ajudar Max. Liz observa tudo assustada.

MARIA: - Leve-no para o meu quarto, será mais fácil para cuidar dele.

Max e Alex levam Michael e o deitam na cama de Maria. Maria senta-se na cama colocando a cabeça de Michael em seu colo, acariciando seus cabelos.

MAX: - Isabel, você terá que me ajudar. Não conseguirei curar o Michael sozinho, ele está muito machucado. Maria, tente abrir os olhos dele para que possamos fazer a conexão.

Isabel e Max colocam as mãos sobre o corpo de Michael. Suas mãos emitem uma luminescência.

Michael acorda-se. Olha para Max e Isabel que estão com lágrimas nos olhos.

MICHAEL: - Como vocês me tiraram de lá?

MAX: - Isso é um... Digamos, Arquivo X.

ISABEL: - Ei, Michael, bom ter você de volta... Amanhã nós nos vemos no Crashdown e lhe contamos tudo. Agora durma.

ALEX: - É isso mesmo. Maria, você vai cuidar dele, certo?

MARIA: - Hoje ele passa a noite aqui, a minha mãe está fora mesmo.

LIZ: - Certo, então vamos indo. Maria, qualquer coisa me liga.

Eles saem e deixam Maria e Michael. Quando ela o olha, percebe que ele está dormindo.


Motel Dreamland – 12:11 A.M.

A chuva cai forte. Mulder abre a porta do quarto. Krycek entra atrás dele.

KRYCEK: - Imbecil! Você é um imbecil! Como se deixou capturar por um alienígena?

MULDER: - (ENFURECIDO) Eu ia saber que um deles iria vir até aqui e dominar minha mente? Me usar pra entrar em Dreamland e salvar o amiguinho dele?

KRYCEK: - Querem sua cabeça em Nova Iorque!

MULDER: - Eu é que quero a maldita cabeça de vocês! Nunca me disseram que eu correria o risco de ser usado por alienígenas num plano de fuga! Aqueles desgraçados parasitaram meu cérebro! Não lembro de nada, exceto da cara debochada de Morris Fletcher me acordando na beira de uma estrada com três garotos deitados ao meu lado!

KRYCEK: - ...

MULDER: - O que eu disse? Eram parasitas! Eu avisei que eles iriam embora e deixariam os corpos dos garotos! Imbecis foram vocês que não planejaram evitar isso!

KRYCEK: - Foram. Você tinha razão, Mulder. Usaram os corpos dos garotos. Interrogamos os três garotos e também não se lembram de nada. O xerife da cidade nos falou que tinha suspeita e confirmou sua versão. Também desconfiava de algum tipo de parasita da mente. Disse que a tal Maria havia ido à delegacia pedir reforço, mas ele achou que ela estava brincando. Coisas de adolescentes...

MULDER: - ... Vocês são mais burros do que eu!

KRYCEK: - Onde está Scully?

MULDER: - Eu não sei! Deve estar por aí me procurando! Se alguma coisa tivesse acontecido a ela, eu mataria vocês!

Krycek sai fechando a porta. Mulder senta-se na cama. Sorri. Scully sai do banheiro. Olha pra ele furiosa.

SCULLY: - Mulder... Dessa vez você superou todas as mentiras, sabia?

MULDER: - ... Scully, não me condene.

SCULLY: - ... Não estou condenando você. Só tenho medo até aonde pode ir.

MULDER: - Me odeia por isso?

SCULLY: - Não odeio você. Só não faça mais uma maluquice dessas. Não dê uma de adolescente, Mulder... Eles podem desconfiar. E eu tenho medo da vingança deles. Mulder, sabe quem são esses homens. Não menospreze a inteligência deles.

MULDER: - Sei quem são, Scully. Por isso sei como engana-los. Os garotos estão bem. Não vão mais serem importunados. Afinal, os aliens foram embora e deixaram o corpo de suas vítimas... Agora vamos lá acertar aquele pino, vou te ensinar a fazer um strike.

Scully senta-se ao lado dele. Os dois olham para o nada.

SCULLY: - É isso que tem que fazer todo o dia pra proteger nosso filho?

MULDER: - ...

SCULLY: - O que vai se tornar ao fim disso tudo Mulder? Seu próprio pai?

Mulder olha pra ela.

MULDER: - Por vocês dois eu me tornaria qualquer coisa. Até mesmo o Canceroso.

Scully abraça-se nele e derruba lágrimas. Mulder sorri abraçado nela.

MULDER: - Acabou, Scully... Acabou... Salvamos o garoto. Aliás, salvamos todos eles. Caso encerrado.


Residência dos DeLuca – 2:13 A.M.

[Som: Nothing's gonna change my love for you – Glenn Medeiros]

Maria está sentada em cadeira junto à janela. Ora olha Michael que está dormindo, ora olha o céu. Apenas a música quebra o silêncio.

MARIA (PENSANDO): - Eu não conseguiria imaginar a vida sem ele. E eu tive tão perto de perde-lo. Sentir a dor foi terrível, mas vê-lo machucado daquela maneira foi ainda pior. Eu senti tanto medo por ele...

Michael acorda e vê Maria que está chorando, olhando pela janela. Dessa vez é ele que escuta a letra da música.

MICHAEL (PENSANDO): - Droga. Como pude tê-la metido nisso tudo? Ela deve ter sofrido muito e está chorando por minha causa. E tudo o que ela queria é que eu a amasse e o que eu fiz? Só vim trazer sofrimento pra ela e...

Maria olha pra Michael e percebe que está acordado. Vai até ele e senta-se na beira da cama. Passa a mão pelo rosto e cabelo dele.

MARIA: - Ei, Spaceboy. Descanse, precisa descansar.

MICHAEL: Desculpe-me, eu avisei que você não devia se envolver comigo. Eu só lhe fiz sofrer com esse link estúpido e...

Maria coloca as mãos sobre os lábios dele.

MARIA: - Não diga nada, mais nada, por favor. Se tivéssemos a oportunidade de voltar no tempo e mudar as coisas, talvez mudasse algumas coisas, mas nada com você, só quem sabe, insistido um pouco mais para ficarmos juntos. Durma e amanhã discutiremos, certo?

Maria se levanta. Michael segura sua mão e ela se vira pra ele.

MICHAEL: - Só durmo se você se deitar aqui comigo.

Ela se deita com ele e eles ficam se olhando. Michael a puxa e começa a beija-la de modo ardente. Até que se separam sem ar.

MARIA: - Wow! Não que eu não goste disso, mas digamos que você não está bem e deve descansar e...

MICHAEL: - Cala a boca, Maria. O Max me curou, certo? Estou ótimo e sem um pouco de sono. Mas já que não quer nada, vou embora.

Michael faz menção de levantar, mas dessa vez ela o puxa e o beija. Eles rolam até que ela fique por cima dele. Sem pararem de se beijar, Michael começa a deslizar seus dedos por baixo da blusa dela, por suas costas, por seus contornos e levemente pelos lados dos seus seios.

MARIA: - (SUSSURRANDO) Michael...

MICHAEL (PENSANDO): - Ouvi-la falar meu nome assim é uma loucura... É como se o mundo não existisse, somente nós dois nesse quarto... Sinto-me quase como um selvagem, um desejo primitivo, muito humano, de que ela será sempre minha e somente minha...

Michael rola por cima dela e começa a beijar a ponta de sua orelha, descendo por seu pescoço e dando uma mordida como um vampiro.

MARIA (PENSANDO): - Mais, precisamos de mais, precisamos de pele.

Os dois se livram de suas blusas e sentem a pele de um contra o outro. O calor mútuo. Apenas se separam para se olharem.

MARIA (PENSANDO): - Perfeito, nós somos perfeitos um pro outro, nossos corpos nos completam...

MICHAEL (PENSANDO): - O calor e o cheiro dela me embriagam, como se tudo que eu sentisse fosse só ela...

MARIA (PENSANDO): - Tudo o que consigo sentir é ele, nada mais...

MICHAEL: - (MURMURA) Preciso senti-la mais, você é um vício, me causa uma necessidade constante...

MARIA: - (MURMURA) Então sinta...

Michael volta a beijar o pescoço de Maria. Desce suas mãos e boca pelo corpo dela. Beija-lhe entre os seios. Cola seus lábios num dos seios dela. Maria solta um suspiro de puro prazer. Ele brinca com a boca em um de seus seios e passa os dedos sobre o outro. Olha pra ela com um olhar travesso. Começa a beijar sua barriga e retirar o resto de suas roupas.

MICHAEL: - Eu... Nunca vi algo como você... Tão linda...

Maria senta-se e o deita na cama. Desliza os dedos pelo peito de Michael, por seus braços, até chegar em sua cintura. É vez dela olhar pra ele e sorrir, enquanto retira a cueca boxer dele e olha para sua ereção. Olhares de desejo.Michael a agarra e a deita na cama, beijando loucamente, suas línguas se tocando. Ele se posiciona entre as pernas delas e a olha pedindo permissão. Ela só lhe sorri e o beija novamente. Maria o sente dentro de si.

MARIA (PENSANDO): - Como pude viver até hoje sem essa sensação?

MICHAEL (PENSANDO): - Eu sempre procurei onde seria meu lar e acabo de descobri que sempre esteve na minha frente. Ela é minha casa, meu refugio...

Os dois começam a se movimentar sem pararem de se beijarem, suas bocas imitando o movimento de seus corpos. Até que sentem o orgasmo chegar. Um gritando o nome do outro até que Michael cai nos braços de Maria. Os dois arfando. Ela acaricia os cabelos dele. Ele beija o pescoço dela.

MARIA: - Bom, não sei você, mas eu preciso dormir um pouco, ainda mais depois desse exercício físico.

Michael dá uma risadinha. Vira na cama e a faz deitar sobre seu peito. Eles dormem um nos braços dos outros, sorrindo.

[Fusão]


[Som: Dido - Here With Me]

O quarto do hotel na penumbra. Scully deitada, recostada no peito de Mulder, entre seus braços. Os dois nus, entre os lençóis, com olhares perdidos no nada, em silêncio.

SCULLY (PENSANDO): - Mulder... Eu tenho medo de mim mesma, da reação que eu teria se perdesse você... Acho que ficaria louca. Você não sabe o medo que eu tenho de que eles descubram suas mentiras e você acabe morto...

MULDER (PENSANDO): - Scully... Mais uma vez eu te coloco atrás das minhas verdades e faço você ficar triste...

Scully suspira, aconchegando-se mais em Mulder. Mulder afaga-lhe os cabelos.Scully sorri. Mulder vira-se por sobre o corpo dela. Olha em seus olhos, em silêncio.

Mulder passa seus dedos pelo rosto dela. Scully fecha os olhos. Ele a admira com ternura, tocando seus dedos no rosto dela.

Os dois olham-se nos olhos. Mulder olha-a como se a questionasse. Ela olha-o como se respondesse. Ele sorri.

Scully dá um sorriso e olha pra ele. Mulder aproxima os lábios e a beija. Os dois trocam um beijo suave, apaixonado, que aumenta de intensidade. Mulder desce seus lábios pelo pescoço de Scully. Ela fecha os olhos, sentindo-o dentro de si. Ele procura as mãos dela e enlaçam seus dedos. Mulder movimenta seu corpo suavemente contra o dela.

Scully o abraça com força e desejo. Mulder desliza seus lábios pelo pescoço de Scully, acariciando os quadris dela com a ponta dos dedos.

Ele desliza seu corpo e deita-se na cama, puxando-a contra seu peito. Ela aconchega-se nele, sorrindo. Mulder fecha os olhos, afagando os cabelos de Scully.

Mulder a abraça com força, num sorriso de felicidade. Ela fecha os olhos num sorriso também.

[Fade in]


X

08/06/2001

18 de Agosto de 2019 às 02:29 0 Denunciar Insira 0
Fim

Conheça o autor

Lara One As fanfics da One são escritas em forma de roteiro adaptado, em episódios e dispostas por temporadas, como uma série de verdade. Uma alternativa shipper à mitologia da série de televisão Arquivo X. https://www.facebook.com/laraone1

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