lara-one Lara One

Um caso sinistro que mexe com a sanidade de Mulder. Qual é o pior monstro que pode habitar a natureza humana? Uma fic ao estilo dos episódios das primeiras temporadas da série na TV.


Fanfiction Seriados/Doramas/Novelas Para maiores de 21 anos apenas (adultos).

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S05#10 - BURIED


'Look down on me; you will see a fool. Look up at me; you will see your lord. Look straight at me; you will see yourself.'

(Olhe abaixo de mim; você verá um bobo. Olhe para mim; você verá seu senhor. Olhe diretamente para mim; você verá a si mesmo.)

Charles Manson


📷


INTRODUÇÃO AO EPISÓDIO:

[Som: Tears For Fears – Shout]

Sala dos Arquivos X

Foco em Mulder que está só, sentado na cadeira, de costas pra câmera. O ambiente na penumbra.

MULDER (OFF): - Não obstante, conhecimento é poder e eu vou lhe dar algum poder... Pessoas que vivem na sociedade moderna sofrem mentiras constantemente, que quando ouvem a verdade, essa parece ser uma grande merda. Sempre se deve perguntar 'por quê'. Você escuta notícias como milhões de mortos na África, guerras no oriente médio, corrupção no governo, falência do sistema. Se pergunte por quê. Pessoas ignorantes são fáceis reger, como cordeiros. Nós já fomos alguma vez um cordeiro. Cordeiros não sabem quem foi Fidel Castro ou Nixon, e eles não se preocupam com que tipo de governo temos, contanto que tenham a segunda-feira de futebol e um pacote de seis de cervejas. E batam o cartão ponto todos os dias, comendo a maldita comida azeda da vianda, que a mulher preparou, enquanto assoava o nariz do filho doente. Cordeiros não sabem que na China você pode ser posto a morte ou lançado na prisão por ter se queixado do preço dos tomates. Pode ser visto como um ataque ao governo deles. O diferente fluxo fixo de comerciais insensíveis com aumento insensível de volume, que o faz pegar o controle remoto e pensar que sua TV está com defeito. A maioria das notícias é contada de uma certa perspectiva. Agora mesmo você está pensando por quê. Que tudo isso é merda política e você odeia política. Mas você vive num sistema político... Você come, dorme, fode todos os dias. Sempre a mesma coisa. Sempre dentro do sistema. Você come política, porque seu pão vem de uma relação política: alguém precisa plantar trigo, pra outro fazer o pão, pra você comprar e assim matar sua fome. Você dorme, porque seu sono vem de uma relação política: você tem que dormir porque está cansado do trabalho, se não trabalha não come o seu pão, porque alguém precisa plantar trigo, pra outro fazer o pão, pra você comprar e assim matar sua fome. Você fode porque sua transa vem de uma relação política: você quer diversão barata porque está cansado do trabalho, se não trabalha não come o seu pão, porque alguém precisa plantar trigo, pra outro fazer o pão, pra você comprar e assim matar sua fome. É uma imensa teia de aranha sem saída... Quem é mais louco? Você que trabalha oito horas por dia, cinco dias por semana, cria complicações cardíacas por excesso de trabalho e acaba matando a si mesmo... Ou eu que mato os outros? Apenas me escute, eu estou falando com você. Não quero que você seja um cordeiro...

VINHETA DE ABERTURA: A VERDADE ESTÁ LÁ FORA


BLOCO 1:

Subterranean Night Club – Dakota do Norte - 3:21 A.M.

[Som: Red Hot Chilli Peppers – Give it Away]

Os jovens dançam, animadamente. As luzes intensas e coloridas piscam, o som bastante alto.

Foco pelas costas do sujeito de jaqueta de couro e boné que entra na boate. Ele atravessa por entre as pessoas, indo até o bar. Senta-se, pedindo uma cerveja.

Close em Lisa. Cabelos loiros claros e longos. A garota dança agitando freneticamente os quadris numa mini-saia cor de rosa. Sandálias altas.

Câmera subjetiva subindo pelas pernas dela, os quadris, os seios fartos que se movem ao embalo da música, revelando-se pelo decote.

ASSASSINO (OFF): - Pernas... Pernas perfeitas... O movimento que faz com a cintura... Imagino você fazendo isso em cima de um homem... Os peitos fartos... Está se divertindo, não é mesmo, cordeirinho? ... Nada como se divertir depois de um dia de trabalho estressante e engraxado naquele restaurante... Os cabelos... Posso sentir o perfume deles pelo ar... Os seus brincos de argolas prateadas... O anel em seu dedo... Quero lamber seu umbigo, sua vaca...

A garota continua dançando, sorrindo para o rapaz que dança com ela.

ASSASSINO (OFF): - Isso... Sorria... Serpenteie o corpo... Respire sua vida inútil... Você pode parar de respirar e seus olhos ficarão sem brilho... Então você morre... Muito frágil... Todo o dia a mesma coisa e a única emoção que você sente é estar aqui dançando... Quanta pobreza de espírito... Você poderia me perguntar as razões que eu tenho para matar. Mas elas são tão diversas quanto os métodos de morte... Se você quer matar porque pensa que seria divertido e por causa da alta dose de adrenalina... Então me faça um favor: Comece por você mesma.


Floresta de Minot – Dakota do Norte – 4:11 A.M.

[Som:Tears for Fears – Shout]

Lisa corre por entre as árvores. A vegetação a atrapalha, ela tenta se livrar rapidamente com as mãos. O medo estampado no rosto. Lisa foge de alguma coisa, já cansada, sem forças.

[Som de respiração ofegante]

A floresta não é densa, mas é grande. Ela sabe que terá poucas forças pra fugir do monstro. Mas ela precisa tentar. É sua sobrevivência. Ela grita pedindo por socorro, mesmo sabendo que é inútil.

[Câmera baixa simulando rapidamente que algo se aproxima dela]

Lisa, continua correndo, desesperada. Tropeça num tronco de árvore e cai ao chão. Ela tenta se levantar, mas não consegue. Olha aterradoramente para alguma coisa.

LISA: - (GRITA/ DESESPERADA) Nãooooooooooooo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Fade in. (tela fica escura)

[Som de pancadas fortes contra a carne que se dilacera]

Fade out. (tela se abre)

O sangue jorra contra a lente da câmera, escorrendo por ela e não nos deixando ver nada.


40 dias depois...

FBI – Washington D.C - Arquivos X – 10:25 A.M.

Mulder observa o fax que vem chegando. Scully olha pra ele apreensiva.

MULDER: - Quatro mulheres desaparecidas em dois meses.

SCULLY: - Mulder, por que você está com aquela velha fisionomia que eu já conheço de quem está escondendo algo?

MULDER: - (SORRI) ... Dakota do Norte, nas florestas de Minot. É um bom local pra se perder.

SCULLY: - E o que há nas florestas de Minot? Ahn?

MULDER: - Bem, Scully, eu poderia te dar uma lista de fenômenos: aparições de ÓVNIS, Pé Grande, Espíritos Indígenas vingativos, lobisomens e acredite, até relatos da mula sem cabeça.

SCULLY: - Ahn?

MULDER: - Uma lenda latina.

SCULLY: - ... (MORDE OS LÁBIOS)

MULDER: - Mas eu descartaria todas as hipóteses. Moradores da cidade afirmam que uma criatura estranha tem os incomodado, virando o lixo durante a noite e roubando animais, como cães e gatos.

SCULLY: - E que criatura seria essa?

MULDER: - (FAZ UM AR DE EMPOLGADO) Scully, já ouviu falar em chupacabras?

SCULLY: - (DESANIMADA) Ah não...

Ele se aproxima de Scully e sussurra em seu ouvido.

MULDER: - (DEBOCHADO) Não se preocupe, não são chupacabras.

Ela o fulmina com os olhos. Ele se afasta.

MULDER: - (DEBOCHADO) Chupacabras não fazem isso, eles apenas chupam.

SCULLY: - (DEBOCHADA) Vou deixar esse seu comentário dúbio passar. Na próxima eu faço cesta.

Ele retira o fax da máquina e levanta-se.

SCULLY: - (NERVOSA) Fantasmas? É isso, são fantasmas! Você nunca me diz quando são fantasmas!

MULDER: - Dou minha palavra de que não são fantasmas.

SCULLY: - (INDIGNADA) Sua palavra comigo está abaixo do tapete desse porão, Mulder!

Ele faz uma cara de pânico, enquanto guarda o fax no bolso.

MULDER: - Não acho explicação, Scully. Talvez algum animal que o homem ainda não conheça.

SCULLY: - (DEBOCHADA) Mulder, sem querer ser chata e tirar toda a empolgação paranormal visível nos seus lindos olhos de verde-jade, nesse rostinho de deus grego e com esse seu olharzinho de 'tô sofrendo', você já pensou na possibilidade de sequestro? Ahn???

MULDER: - (DEBOCHADO) Scully, sem querer ser chato e tirar a sua empolgação pelo provável, estampada nos seus lindos olhos azuis-profundo-mistério, nesse rostinho de santa safadinha e no seu olharzinho de 'vem cá meu nego, é hoje!', a primeira vítima sumiu há um mês.

Ela olha incrédula pra ele. Solta um 'ahn' de indignação.

MULDER: - Nunca fizeram contato pra pedir resgate, assim como nos outros casos. Nenhuma evidência foi encontrada. O xerife local já fez buscas pela floresta mas não acharam nada. As garotas simplesmente... (FAZ ASPAS COM OS DEDOS) Desapareceram.

Scully fica pensativa. Mulder olha pra ela.

MULDER: - O de sempre.

Ela olha pra ele cerrando as sobrancelhas.

SCULLY: - O quê?

MULDER: - O de sempre: umas três camisas, umas três calças...

Ela olha pra ele e põe as mãos na cintura.

SCULLY: - (INDIGNADA) Não está me mandando ir pra casa e fazer a sua mala, não é mesmo?

MULDER: - (PIDÃO) Eu? Eu não mando em nada por aqui, meu benzinho. Estou apenas pedindo uma gentileza. Você faz as malas, pode até colocar tudo numa só... (APROXIMA-SE CHEIRANDO O PESCOÇO DELA) ... Imagina, assim, nossas roupas juntinhas... Hum?

SCULLY: - Fox Mulder, que lábia cretina você tem!

Ela abre a porta.

SCULLY: - Só vou fazer isso porque eu sei arrumar malas. Você soca tudo!

MULDER: - (DEBOCHADO) Sim, meu bem.

SCULLY: - E outra coisa: Dessa vez, eu dirijo!

MULDER: - (DEBOCHADO) Sim, meu bem.

SCULLY: - E tente me contestar pra ver o que acontece!

MULDER: - (DEBOCHADO) Sim, meu bem.

Scully sai, fechando a porta atrás de si. Mulder faz beicinho debochado rebolando os quadris. Ela abre a porta repentinamente. Ele para.

SCULLY: - Eu vi isso! Vou colocar no meu relatório!

MULDER: - (DEBOCHADO) Sim, meu bem.

Ela bate a porta. Ele ri.


5:29 P.M.

Scully dirige séria, compenetrada. Mulder olha pra ela. Com aquela sua cara de pidão apaixonado. Ela olha pra ele com o rabo dos olhos. Ele sorri bobo.

SCULLY: - Isto não vai funcionar dessa vez.

MULDER: - ... Hum... O que foi que eu fiz?

SCULLY: - Não sei, mas você está me irritando.

Ele recua fazendo cara de pânico.

MULDER: - Credo! Eu hein? Isso é sempre ou é apenas hormonal?

SCULLY: - ...

MULDER: - (SORRINDO) Oba!!!!!!!!!!!!!!!! Pode ficar irritada comigo o quanto quiser, eu não me importo...

Ele sorri. Beija-a no rosto.

SCULLY: - Para, Mulder! Estou dirigindo!

Ele se afasta. Procura o que fazer, está agitado.

MULDER: - Tem revistas suas por aqui?

SCULLY: - Não trouxe revistas.

MULDER: - (DEBOCHADO) Puxa, eu adoro ler aquelas coisas de 'renove a decoração da sua casa com apenas dez dólares'... 'O que as mulheres pensam sobre o sexo'... 'Aprenda a fazer cestinhas inúteis pra colocar tralhinhas inúteis'... 'Como plantar margaridas e acabar com insetos no jardim'... Essas coisas de Martha Stewart...

SCULLY: - Admita, é melhor do que aqueles seus jornais populares com notícias absurdas. E além do mais, Mulder, é ótimo que você aprenda a fazer alguma coisa além de caçar alienígenas. Afinal, acho que você tem um cérebro que adora desafios, como por exemplo, montar berço de bebês e pendurar um móbile sem que o teto desabe.

MULDER: - Ah, tá falando isso pra me conformar da minha morte em poucos meses.

Ela dá um tapa nele.

MULDER: - Au!

SCULLY: - Para!

MULDER: - Já pensou que roupa você vai usar no meu enterro? Olha, quero você num preto justíssimo.

SCULLY: - Impossível.

MULDER: - (RI)

SCULLY: - Eu não vou ao seu enterro. Vou viajar antes disso. Você que se dane e morra sozinho.

MULDER: - Ah, é assim? Assim que você retribui as longas noites de amor que eu te dei? Sua ingrata!

SCULLY: - ...

MULDER: - Pelo menos compra o caixão! A lápide!

SCULLY: - Você já fez isso.

MULDER: - Ah, é, esqueci... Então as flores e o padre.

SCULLY: - Padre? Mas você é judeu!

MULDER: - Ah, sei lá. Quando a gente morre não sabe onde vai parar. Por via das dúvidas, o Cristianismo pode estar certo.

Ela olha pra ele, incrédula.

SCULLY: - Mulder, como pode fazer piada de algo tão sério?

MULDER: - E depois do meu enterro, eu quero uma festa. Quero ver todo mundo bebendo e se divertindo. Pode convidar até o Canceroso. E contrate umas garotas pros três patetas. Eles merecem.

SCULLY: - (DEBOCHADA) Já se questionou se depois da sua morte você vai pro céu ou pro inferno?

Ele sorri. Olha pra ela.

MULDER: - Eu vou pro paraíso. O meu maior pecado é te amar feito um louco.

SCULLY: - Hum... Isso foi bonito.

MULDER: - (DEBOCHADO) Tem mais, mas só vou dizer no seu ouvido às 4 da manhã quando eu acordar excitado.

SCULLY: - Mulder, como você é cafajeste!


Delegacia de Minot – Dakota do Norte – 6:12 P.M.

O Xerife Stephanenko, com seus traços de origem indígena, entrega um copo de suco de laranja para Scully que está sentada. Ela, Mulder e os policiais observam as fotos das mulheres exibidas em slides. O xerife desliga o projetor. Pega uma pilha de panfletos e entrega aos policiais.

STEPHANENKO: - Não queria causar pânico. Mas não há outra alternativa. Quero que preguem esses cartazes por aí.

Os policiais saem da sala levando os panfletos. Mulder coloca as mãos nos bolsos. Olha pro Xerife.

MULDER: - Xerife, seu fax me pareceu um pouco confuso. Existe a possibilidade dessas garotas terem ido embora da cidade por vontade própria?

STEPHANENKO: - Não mesmo. Todas tinham planos aqui, deixaram coisas por fazer, empregos, universidade. E eu não sei mais o que fazer, agentes. Estou de mãos atadas. Completamente perdido.

Scully o observa. O xerife senta-se em sua cadeira. Retira uma pasta cheia de papeis e coloca sobre a mesa. Recosta-se na cadeira e suspira.

STEPHANENKO: - ... Há um mês atrás recebemos o telefonema do sr. Bells. Ele tem uma lanchonete no centro da cidade. Disse que uma funcionária dele não comparecia ao trabalho há três dias. Que ligava pra casa dela e ninguém atendia. Fui até o endereço verificar a informação. O senhorio disse que Lisa costumava sair à noite todos os dias e que não notou nada estranho. Nenhum namorado. Nenhum parente. Ele sabia que ela não era da cidade, mas não lembrava de que estado veio. Revistamos o apartamento. Nenhum cartão de crédito, nenhuma conta, carteira de motorista, agenda, celular, nada que pudesse nos dizer de onde ela era. Apenas sabíamos o nome.

MULDER: - E as outras vítimas?

STEPHANENKO: - A mesma coisa. Telefonemas de pessoas amigas informando o desaparecimento. Mas nenhuma delas sabia da vida particular das garotas, nem de onde vinham, exceto onde trabalhavam, moravam e estudavam.

Scully o observa. Mulder anda de um lado pra outro, observando a sala.

STEPHANENKO: - O único detalhe em comum é que eram jovens. E não há registros no sistema de identificação do estado de Utah, pois elas são provenientes de outros estados. Sem nenhum dado, eu preciso revirar o país todo pra saber quem são as garotas. Por isso pedi ajuda ao FBI. Vocês têm mais tecnologia pra verificação de dados do que eu.

MULDER: - Algum padrão? Namorados...

STEPHANENKO: - Nenhum padrão que eu tenha encontrado. Namorados menos ainda. E nenhuma das pessoas que as conheciam puderam dizer algo sobre o desaparecimento. Ninguém viu nada.

MULDER: - Xerife, poderíamos estar lidando com alguma coisa desconhecida? E se essas garotas saíram de suas casas e foram surpreendidas por algo que as atacou e...

STEPHANENKO: - (INCRÉDULO) Está se referindo a criatura que as pessoas afirmam terem visto? Agente Mulder, as pessoas dessa cidade são muito folclóricas! Achei que você poderia me ajudar. Li sua ficha no bureau, sei que traçava perfis de assassinos e agora vem aqui atrás de uma criatura mítica?

Scully olha debochadamente para Mulder.

SCULLY: - Nenhuma pista sobre os corpos?

STEPHANENKO: - Não, agente Scully. Nenhum corpo encontrado. Nenhuma pista. As pessoas que conheciam as vítimas, entre elas amigos, patrões, senhorios e vizinhos, não nos deram nenhum fato que pudesse ser encaixado. Estranhamente, todas elas não eram garotas de falarem muito sobre suas vidas.

MULDER: - E as vítimas se conheciam?

STEPHANENKO: - Não. Nenhuma ligação.

O Xerife retira da pasta as fotos das garotas. Mulder pega a primeira foto, que é de Lisa. Observa.

MULDER: - Vou começar com esta aqui. A mais recente.

Scully levanta-se.

SCULLY: - Vou enviá-las ao laboratório de identificação em Washington... Xerife, preciso de um escâner.

STEPHANENKO: - Sem problemas, agente Scully. Sintam-se à vontade. Se quiserem tem café na cafeteira.

O xerife levanta-se e caminha até a porta.

STEPHANENKO: - Usem meu escritório.

O xerife sai. Scully senta-se à frente do computador. Mulder anda de um lado para o outro na sala, coçando o queixo. Para. Olha pra Scully.

MULDER: - Quer saber?

SCULLY: - (DEBOCHADA)Fala "Holmes"...

MULDER: - Tem algo aqui que não se encaixa proporcionalmente. E não estou falando de nós dois.

Scully olha pra ele, incrédula. Segura o riso.

MULDER: - Não acha estranho não haver nenhum documento, contas, celular, qualquer coisa que dissesse de onde essas garotas eram, quem elas conheciam...

SCULLY: - Acha que limparam provas? Que o agressor entrou no apartamento de cada uma dessas mulheres e roubou celulares, documentos e papéis que pudessem servir como identificação?

MULDER: - Não houve sinais de arrombamento. Se alguém fez isso, o fez de maneira limpa. Talvez a vítima o conhecesse e sendo assim deixou entrar. Faz muito sentido. Ou estamos lidando com um assassino ou com um monstro muito esperto.

SCULLY: - E onde entra o 'chupacabras' nessa história?

MULDER: - Engraçadinha. Eu ia te dar uma resposta, mas em consideração a longa viagem cansativa, vou deixar pra fazer cesta na próxima...

Mulder abre a porta.

SCULLY: - Aonde vai?

MULDER: - (DEBOCHADO) Interrogar o chupacabras.


Fried Chiken Restaurant – 9:06 P.M.

Mulder, sentado ao balcão, toma um café, enquanto observa Bells, o homem de pouco mais de 40 anos sentado a seu lado. Ele brinca com o açucareiro. A grossa aliança de ouro no dedo.

BELLS: - (NERVOSO) Eu... Ela era a minha garotinha... Estou... Estou profundamente triste por tudo isso.

MULDER: - (MULDER OBSERVA O NERVOSISMO DELE DEMONSTRADO PELAS MÃOS)

BELLS: - Eu... Eu gostava muito dela. Quem poderia fazer algo contra Lisa?

MULDER: - Não tem ideia? Nunca percebeu algum namorado, alguém com quem ela saísse?

BELLS: - (MUITO SÉRIO) Ela não tinha namorado.

MULDER: - Amigos???

BELLS: - Ela não tinha amigos. Minha filha era a única amiga que ela tinha. E mesmo assim, era uma garota que não contava confidências. Tudo o que sei é que havia fugido de casa há alguns anos, mas ela nunca disse os motivos e nem de onde veio.

Mulder disfarça o olhar e olha pra cozinha. Percebe uma mulher de pouco mais de 40 anos. Ela lava a louça.

Câmera subjetiva simulando a visão de Mulder para a grossa aliança de ouro na mão esquerda da mulher.

BELLS: - E estou seriamente preocupado com Lisa. Sinto que alguma coisa ruim aconteceu com ela.

MULDER: - Por que sente isso?

BELLS: - Intuição.

Mulder o observa. Levanta-se. Retira um cartão do paletó.

MULDER: - Aqui está meu telefone. Não saia da cidade, senhor Bells. Nem o senhor e nem sua esposa.

BELLS: - Não está pensando que eu tenho alguma culpa...

MULDER: - Não, senhor. É apenas rotina policial.

Mulder dá as costas. Sai da lanchonete. Pega o celular e disca.

MULDER: - Chuck? É Mulder. Faz um favor pra mim. Preciso checar um registro policial em nome de Michael Bells... Descobre se ele tem passagem pela polícia.

Mulder desliga. Olha pro restaurante. Olha ao redor. Poucos carros. Alguns pedestres.

Mulder atravessa a rua. Caminha pela calçada, olhando pra cima, observando os postes. Percebe que um deles está sem lâmpada. Mulder olha para o chão, mas não há marcas de pneus. Olha pra lanchonete. Bells está o observando pelo vidro. Ao ver Mulder, afasta-se da janela. Mulder olha desconfiado. Analisa o trajeto daquele poste até a lanchonete. Olha pra floresta que fica há alguns quilômetros.

Mulder atravessa a rua rapidamente e entra no carro. Pega o celular. Disca.

MULDER: - ... Scully, pedi ao Chuck para verificar se existe algo contra Bells... É, o dono do restaurante onde Lisa Wesley trabalhava... Eu sabia, Scully. Você não ia encontrar registros, Lisa deveria ter feito uma identidade falsa com sobrenome falso. Como todas as outras. Raciocina comigo: uma garota foge de casa e troca o sobrenome. Pra quê? Estive no apartamento dela e sinceramente com o salário de uma atendente de lanchonete integral, Lisa não manteria um nível de vida como aquele. Quero que faça uma coisa pra mim, ok? Peça ao xerife informações sobre os bordéis da cidade... Estou com um palpite. Talvez o elo de ligação entre essas garotas seja a prostituição.

Mulder desliga. Coloca o celular no bolso e liga o carro. Dá marcha ré. Entra na rua de acesso à floresta.



BLOCO 2:

9:37 P.M.

Mulder estaciona em frente a uma casa. Desce. Uma mulher briga com as filhas pequenas que não querem entrar. Mulder aproxima-se. Ela olha assustada. Mulder puxa a credencial, erguendo-a, enquanto se dirige até a mulher.

MULDER: - Agente Mulder, FBI. Preciso de informações, senhora.

BRENDA: - Fiz algo errado?

MULDER: - (SORRI) Acredito que não.

Mulder olha para as garotinhas brincando. Olha pra ela.

MULDER: - Essa é a única estrada que dá acesso à floresta?

BRENDA: - Está investigando o caso das garotas desaparecidas?

MULDER: - Sim.

BRENDA: - Sim, senhor. Não há outra maneira de entrar ali, a não ser pela fazenda Montgomery. Mas não o aconselho. O senhor Montgomery já tem idade avançada e não é muito amistoso.

MULDER: - E como chego até a fazenda Montgomery?

BRENDA: - Siga reto. Vai ver uma estrada à esquerda. Dobre. Logo verá a placa no portão.

MULDER: - Obrigado.

Mulder olha pras meninas que estão curiosas, olhando pra ele. Mulder sorri.

MULDER: - Tem uma bonita família.

BRENDA: - (SORRI) Obrigado. Mas dão um trabalho enorme!

MULDER: - (SORRI) Eu posso imaginar. Mas compensa...

Mulder volta para o carro. A mulher coloca as meninas pra dentro de casa e entra.


Delegacia de Minot – 9:46 P.M.

Scully puxa o fax da máquina, enquanto atende o celular.

SCULLY: - Fala, Mulder... Sim, acabo de receber. Ele tem ficha limpa, apenas algumas multas de trânsito... Pra quê quer saber isso? ... Tá bom... Bem, ele é casado há 24 anos com Rita Bells. Eles têm três filhos... Como sabe disso? Sim, ele tem uma filha. Mulder, o que está me escondendo? Onde está?

Corte.


Mulder dentro do carro, estacionado na frente da propriedade Montgomery. Ele desliga o celular. Desce do carro. Percebe os dobermans que vêm até o portão, rosnando. Mulder olha pro lado. Percebe um corte na cerca que divide a floresta.

MULDER: - Cachorros ferozes... Ninguém entraria nesse lugar...

Mulder acende a lanterna. Caminha até a cerca cortada. Percebe uma vala, com água, que impede acesso à floresta. Mede com os olhos, toma distância e pula.

Mulder se embrenha no meio da mata. Percebe que há uma trilha. Vai seguindo a trilha.


Delegacia de Minot - 10:29 P.M.

Scully está nervosa, andando de um lado pra outro. O xerife Stephanenko entra, retirando o chapéu.

STEPHANENKO: - Ainda por aqui, agente Scully?

SCULLY: - Mulder entrou na floresta. Encontrou uma trilha e está seguindo.

STEPHANENKO: - Agente Scully, ele não vai encontrar nada. Se estamos lidando com um criminoso, ele não vai ser óbvio e seguir uma trilha feita pra mostrar o resto de seus crimes. Ele seria discreto e esconderia o corpo bem longe, num lugar improvável.

SCULLY: - Procuraram apenas nos lugares improváveis?

STEPHANENKO: - Claro.

SCULLY: - E não lhe passou pela cabeça que o criminoso tivesse pensado nessa hipótese e por isto escolheu uma trilha?

STEPHANENKO: - ...

SCULLY: - Podemos entrar nas mentes dos assassinos, xerife. Mas eles também podem entrar nas nossas. A primeira coisa sempre é investigar o óbvio.

Stephanenko lança um olhar de irritação. Scully suspira. O celular toca. Ela atende.

SCULLY: - Mulder, onde está?

Corta pra Mulder, parado numa clareira. Ele mira alguma coisa com a lanterna.

MULDER: - Estou numa clareira, na floresta de Minot. Mas tem alguma coisa errada, percebo vegetação quebrada durante toda a trilha que termina aqui.

SCULLY (OFF): - Encontrou alguma coisa?

Mulder ilumina o local aos poucos. Coloca a mão sobre os lábios, inclinando o corpo pra frente.

SCULLY (OFF): - Mulder???

Mulder apoia-se numa árvore. Vira o rosto, com nojo.

SCULLY (OFF): - Mulder???

Mulder vira lentamente o rosto, mirando a lanterna na direção do que vira.

[Introdução da música Killer - Seal]

A lanterna ilumina o sangue e restos de vísceras espalhados contra uma árvore. A mini-saia rosa atirada no chão entre as outras roupas.

Close do foco de luz da lanterna batendo contra a mão feminina que sai da terra, por entre as folhas do chão. O foco da lanterna se dirige para uma pedra. Em cima dela uma outra mão feminina cortada, colocada sobre as vísceras da vítima, como uma escultura. Mulder vira o rosto.

MULDER: - (NERVOSO) Acho que encontrei Lisa Wesley, Scully. Ou o que sobrou dela.

Mulder desliga o celular e abaixa a cabeça pra vomitar.

Corte.


A viatura estaciona na frente da propriedade Montgomery, ao lado de outra viatura já estacionada. Dois policiais saem da viatura. Os cachorros fazem o maior barulho ao avistarem os cães da polícia.

Corte.


A clareira na floresta. O local do crime isolado por faixas. O xerife aproxima-se com Scully. Mulder, agachado ao lado da mão enterrada, levanta-se. Aponta para Scully.

MULDER: - Só ela, a legista. Não quero mais ninguém aqui!

O xerife para. Scully passa por baixo da faixa e vem colocando as luvas. Agacha-se ao lado da escultura de vísceras e da mão.

SCULLY: - Oh, Deus! O que é isso?

MULDER: - (REVOLTADO) Eu poderia dizer: a natureza humana, Scully. A desconhecida natureza humana e o fino fio da sanidade. A única coisa que nos separa de um maluco como esse. Mas eu prefiro dizer: um cretino, maníaco, filho de uma vaca. Acho que estamos lidando com um serial killer.

Scully retira a máquina fotográfica e começa a bater fotos. Olha pra mão de Lisa. Scully ergue-se. Mulder olha pra ela, num semblante branco e tenso.

MULDER: - Você colhe as provas. Deixa que eu tire as fotos... Estou passando mal...

SCULLY: - (NERVOSA) Mulder? Alguma coisa errada?

MULDER: - Estou enjoado! Acho que vou vomitar de novo...

Ele coloca as mãos na boca e se afasta rapidamente. Scully suspira.


Delegacia de Minot – 1:27 A.M.

Mulder observa com uma lupa as fotos do crime. O xerife entra.

STEPHANENKO: - Deixei sua parceira no necrotério... O que é isso?

MULDER: - Está nos desafiando, xerife.

STEPHANENKO: - Então...

Mulder ergue a cabeça.

MULDER: - Estamos lidando com um assassino esperto. E vou especular ainda mais. É um serial killer. E todas as garotas sumiram nas mãos dele. Não vai encontrar nenhuma delas com vida.

STEPHANENKO: - Como pode concluir isso por uma fotografia??? Agente Mulder, acho que está errado. Temos muitas vítimas desaparecidas do mesmo modo. Mas não pode afirmar que estamos lidando com um serial killer baseando-se apenas num corpo encontrado.

MULDER: - (DEBOCHADO) Então está me dizendo que numa cidade pequena como esta existem mais assassinos que cidadãos de bem? Errado, xerife. Se fizer uma busca na floresta não vai encontrar mais nenhuma vítima.

Mulder mostra a foto.

MULDER: - O que vê aqui?

STEPHANENKO: - Uma clareira.

MULDER: - Só isso? E a cena do crime?

STEPHANENKO: - Sangue na árvore. Roupas jogadas. A mão da vítima fora da terra e a outra mão sobre as vísceras dela.

MULDER: - Percebe o ângulo em que estão as provas? O sangue, as roupas e o corpo da vítima?

O xerife observa.

STEPHANENKO: - Meu Deus! Formam um triângulo perfeito.

MULDER: - Ele nos deixou uma mensagem. É um psicopata. E duvido muito que a mão sobre as vísceras seja da mesma vítima.

STEPHANENKO: - (IMPRESSIONADO) Como chegou até a vítima, agente Mulder? Estamos há mais de um mês tentando obter pistas...

MULDER: - O fato da lâmpada do poste estar quebrada em frente ao restaurante onde Lisa trabalhava era indício de que alguém havia espreitado a vítima sair do serviço e depois a teria levado para a floresta, o acesso mais rápido. Ou alguém que planejou premeditadamente isso e foi com ela até lá.

STEPHANENKO: - E?

MULDER: - Lisa foi por vontade própria. Saiu do restaurante e foi embora com o assassino. Ela o conhecia. Como acredito que as outras vítimas também conheciam o assassino, tanto que ele frequentava e teve acesso a casa delas pra sumir com as provas.

STEPHANENKO: - ...

MULDER: - Mas pensei que um cara esperto não colocaria o corpo em qualquer lugar. Foi como cheguei à vitima. Matadores em série agem semelhantemente na forma de escolher suas vítimas, são espertos. Mas não na hora das pistas. Ele quer se mostrar. Ele está nos desafiando. Ele não mata por objetivo, ele mata pra chamar a atenção da polícia, pra forçar a ser pego.

STEPHANENKO: - (DEBOCHADO) Agora justificou seu trabalho traçando perfis psicológicos no bureau, agente Mulder.

MULDER: - Não mais. Fui transferido de departamento.

STEPHANENKO: - Então poderia dizer quem estamos procurando?

MULDER: - Prefiro esperar o resultado da necropsia. Enquanto isso vou pedir ao Bureau uma lista de assassinos em série procurados pelo país. Esse cara não é daqui.

STEPHANENKO: - Como sabe?

MULDER: - Ele não tem um discurso caipira, xerife. Ele é um sujeito culto, inteligente. Está fugindo e encontrou na sua cidade o paraíso pra matar, então se estabeleceu aqui. E acredite, ele é uma pessoa bem popular na cidade, em que todos confiam.

Mulder sai da sala. Stephanenko o acompanha com os olhos. Suspira.


Hotel - 3:34 A.M.

Mulder sentado sobre a cama. Observa a tela do laptop. Scully entra. Mulder ergue a cabeça rapidamente. Ela tira o casaco.

SCULLY: - Estava certo, Mulder. A mão decepada não era a da vítima. As vísceras eram.

Mulder ajeita-se na cama olhando pra ela, na expectativa.

SCULLY: - O corpo era de Lisa Wesley. O Bureau confirmou. As digitais da mão sobre as vísceras pertencem a Carol Granth. Sumiu uma semana antes de Lisa.

MULDER: - Acharam as famílias?

SCULLY: - Sim. O xerife se encarregou de avisá-las, Lisa era da Carolina do Sul. A família não tinha nenhuma informação do paradeiro dela há dois anos. Fugiu de casa. Carol era de Atlanta. Independente. Como você previu, nomes falsos. Lisa era Ann Stewart e Carol era Kate Masterson. Não fosse o que sobrou delas com as digitais, nunca as encontraríamos.

MULDER: - Ele levou alguma parte do corpo de Lisa?

SCULLY: - Não.

MULDER: -O que esse cara quer??? Parece que ele já imaginava que encontraríamos a última vítima. Então nos dá a ligação com a vítima anterior. Se encontrarmos o corpo de Carol, aposto que ele terá alguma referência e pistas ligadas ao corpo da vítima anterior a ela e assim, até que encontremos a primeira vítima.

SCULLY: - ... Faz sentido.

MULDER: - Geralmente eles deixam a primeira vítima com pistas referentes às próximas... E seguem matando. Esse cara não, ele segue a ordem inversa. Ele parou de matar. O fato de não levar um pedaço da última vítima me confirma essa hipótese.

SCULLY: - Então o assassino está esperando você chegar à primeira vítima?

MULDER: - Com certeza. O que a primeira vítima tem? O nome dele tatuado no corpo? Ela é a chave de tudo...

SCULLY: - Mulder, eu calculo pelo estado de decomposição do corpo de Lisa, que ela está morta há pelo menos uns 45 dias. A mão da outra vítima revela que o intervalo das mortes foi de duas semanas. Acho que você está certo. Ele se deu ao trabalho de manter a mão de Carol congelada até que matasse Lisa.

MULDER: - O que mais descobriu na necropsia? Fale tudo. Até o que não parece importante.

Scully senta-se na cama ao lado dele.

SCULLY: - Apresentava lacerações por todo corpo feito por material cortante, provavelmente um facão. Foi espancada. Morreu por esmagamento de crânio.

Mulder fecha os olhos, angustiado.

SCULLY: - Indícios de estupro vaginal e anal, mas nenhuma evidência de esperma. Pra dizer a verdade, eu acredito que o agressor a tenha estuprado com algum objeto, porque há sérias lesões internas no útero e ânus. Provavelmente foi estuprada depois de morta.

MULDER: - ... Não basta matar, ele precisa humilhar o cadáver.

SCULLY: - Lisa usava um anel. A pele do dedo médio apresentava hematomas como se alguém tivesse arrancado o anel à força.

Mulder põe as mãos no rosto.

MULDER: - Você estava certa. Não há nada de paranormal aqui. Isso é um crime feito por um homem. Nenhum monstro seria tão selvagemente frio a ponto de fazer uma barbárie dessa.

SCULLY: - Alguma teoria?

MULDER: - Acho que temos um caso de um psicopata, assassino em série. Estava agora checando a lista de assassinos seriais procurados pelo Bureau, mas não consta nada nesta região. O que me diz que ou ele não está na lista ou não é daqui.

SCULLY: - ...

MULDER: - Vê as fotografias? Ele deixou pistas. É um psicótico e está desafiando a polícia.

SCULLY: - ... Há um triângulo aqui formado pelos elementos...

MULDER: - Scully, é isso que estou me batendo pra descobrir. O que ele está nos dizendo? Um triângulo... A primeira coisa que vem na minha cabeça é uma tríade. Associamos isto a tríade divina, o pai, o filho e o espírito santo.

SCULLY: - Igreja? Existem duas na cidade...

MULDER: - Não, é óbvio demais. Mesmo pra um maníaco religioso.

SCULLY: - Mas ele foi óbvio quanto ao local do crime.

MULDER: - Óbvio pra mim, Scully. Pra você. Não pra Stephanenko. O que me faz crer que não é isso. Ele sabe que Stephanenko é meio lerdo pra sacar algo assim. Ele conta com a estupidez do xerife.

SCULLY: - O que seria óbvio pro xerife? Mulder, sei que seu cérebro já está encaixando peças... Que perfil você me daria desse homem?

MULDER: - Ele é sádico. Um sujeito completamente traumatizado. Ele desconta sua raiva nas mulheres, estuprando e matando-as. Isso significa que ele tem algum distúrbio relacionado ao sexo. Não se contenta em mata-las. Ele precisa destruir o motivo do seu ódio. Sempre mulheres jovens... O que significa que ele não é muito velho.

Scully o observa. Mulder, com o olhar ao longe, divaga alto.

MULDER: - ... Podemos estar procurando um homem entre 20 e 40 anos... Distúrbios sexuais são causados geralmente por crença religiosa. Ele não estupra a vítima com seu corpo, o que revela que não quer contato físico, prazer. Ele odeia o prazer... É um cara esperto, porque está desafiando a lei deixando pistas... A mão da outra vítima sobre as vísceras da vítima encontrada significa que o bastardo está dizendo que os crimes estão interligados... Que estamos procurando por uma só pessoa... Se a vítima possuía um anel e este foi levado, ele coleciona troféus...

Mulder fecha os olhos. Scully levanta-se.

SCULLY: - Preciso de um banho. E você precisa dormir um pouco. Temos um longo dia pela frente.

Mulder levanta-se. Pega as chaves do carro.

MULDER: - Vou dar uma volta por aí.

SCULLY: - Vai aonde?

MULDER: - Verificar uma suspeita. Você conseguiu a lista dos bordéis daqui?

SCULLY: - Não há bordéis na cidade. Há apenas um na cidade vizinha.

Mulder sai do quarto indo em direção ao carro. Scully vai atrás dele.

SCULLY: - Não está pensando em ir a um bordel às 4 da manhã e sozinho nessa beca toda!

Ele começa a rir do ciúme dela.

MULDER: - E onde um cara casado iria às 4 da manhã, sozinho e 'becado'?

Ela faz um beiço. Ele sorri.

MULDER: - (DEBOCHADO) Não se preocupe. Estou a trabalho. Não bebo e não transo.

SCULLY: - (QUASE ROSNANDO) ...

Mulder beija-a na testa e entra no carro. Scully bate no vidro. O vidro desce.

SCULLY: - (ENCIUMADA) Fox Willian Mulder! Se chegar muito tarde vai dormir na rua! E amanhã vai falar com o meu advogado. Eu fico com o cachorro, a casa e o Pinguinho! E você com as dívidas! E ainda quero pensão!

Mulder sorri. Liga o carro e sai. Ela fica olhando pra ele com um beiço.


Residência dos Bells – 4:03 A.M.

Mulder estaciona o carro na frente da casa. Faróis apagados. Olha pra casa de Bells. Desce. Caminha lentamente entrando no jardim, em direção à garagem. Os cachorros da vizinhança começam a latir. Mulder aproxima-se com cautela da garagem. Espia pela janela lateral. Nenhum sinal do carro. Mulder sai correndo até seu carro, entra rapidamente e dá a partida.


4:29 A.M.

Mulder, observa o bordel, de dentro do carro. Faróis apagados. Come sementes de girassol.

Corta para Bells. Ele sai do bordel, entrando no carro. Dá a partida e toma a estrada.

Mulder desce do carro. Atravessa a rua e entra no bordel.

Corte.


[Som: Tears For Fears – Shout]

O ambiente decorado em tons vermelhos, cortinas, sofás, prostitutas de luxo. Uma delas está ao balcão conversando com o barman. Uma morena, aparentemente pouco mais de 20 anos. Ao ver Mulder, pega outro drinque e vem em sua direção, entregando pra ele.

MULDER: - Não bebo.

SHEILA: - Hum... Gosta de diversão pelo menos?

MULDER: - Que tipo de diversão eu encontro por aqui?

SHEILA: - Qualquer uma. Sem proteção é mais caro. Sou do seu agrado ou busca algo em particular?

MULDER: - Loiras.

SHEILA: - Estão ocupadas... Não serviria uma morena?

Mulder sorri. Abaixa a cabeça. Ergue-a. Olha pro lado, mordendo os lábios.

MULDER: - Sabe de uma coisa? Eu não estou muito a fim de perder meu tempo aqui. Então vamos ir direto ao assunto. Se eu sou um cara casado, me sentindo muito 'carente' o que eu posso encontrar aqui com menos de 21 anos?

SHEILA: - Todas nós temos menos de 21.

Mulder balança a cabeça, como que pensativo. Então puxa a credencial e a arma.

MULDER: - Ok, todo mundo paradinho, FBI! Eu quero explicações concretas e convincentes sobre o paradeiro de quatro garotas dessa boate ou muita gente aqui vai ter que inventar uma boa desculpa pra quando suas esposas forem tira-los da cadeia.

O cafetão aproxima-se.

CAFETÃO: - O que quer, policial? Grana?

MULDER: - Acho que você poderia me responder rápido e convincentemente quem são essas meninas. E depois eu caio fora.

Mulder coloca as fotos sobre o balcão.

MULDER: - Conhece alguma? E seja sincero, porque hoje estou muito, mas muito impaciente mesmo.

Mulder chuta um dos bancos do bar. Todos olham pra ele.

CAFETÃO: - Sim. As quatro desapareceram. Nunca mais voltaram pra trabalhar.

MULDER: - E o que Bells faz aqui?

CAFETÃO: - ... Bells... Bem... Ele é... Meu sócio.

MULDER: - (SORRI DEBOCHADO) Muito obrigado.

Mulder sai do bordel. Puxa o celular.

MULDER: - Xerife, é o agente Mulder. Informe rapidamente ao xerife do condado vizinho que existe uma casa de prostituição de menores em terreno dele. E que o FBI já sabe. Eu quero uma batida aqui e agora!

Mulder desliga o celular. Aperta outra tecla.

MULDER: - ... Scully, Bells é sócio do bordel. Por 'coincidência' todas as meninas passaram por aqui. Chamei Stephanenko, vamos dar uma batida com a polícia do condado. Porque se não for Bells, podemos estar com o suspeito ali dentro... Sim, eu tomarei cuidado. Te ligo depois.

Mulder desliga.


6:23 A.M.

Mulder dirige o carro. Para no estacionamento do motel. Scully sai preocupada do quarto.

MULDER: - Interrogamos todos os sujeitos.

SCULLY: - E Bells?

MULDER: - Vou falar com ele. Mas antes, quando estava voltando pra cá, tive uma visão miraculosa.

SCULLY: - ???

MULDER: - Olhe do outro lado da rua.

SCULLY: - Sim.

MULDER: - O que vê?

SCULLY: - Um estacionamento de trailers, chamado Triangle, com um portão de... Oh, meu Deus! Triângulo!



BLOCO 3:

[Som: Tears For Fears – Shout]

As pessoas cercam o local. Stephanenko estaciona a viatura. Os policiais tentam afastar os curiosos do trailer. Mulder sai do trailer com a mão na boca. Respira fundo.

MULDER: - Não entre aí.

Stephanenko aproxima-se da porta.

Dentro do trailer, Scully tira fotos com a câmera. As paredes parecem terem sido chamuscadas por fogo, os móveis também. Pernas e braços da vítima pendurados pelo teto. Sangue por todos os lados. Vísceras distribuídas como se fossem ornamentos de festa. O resto que sobrou do corpo esquartejado da adolescente jaz dentro da geladeira desligada, coberto por moscas. Stephanenko fecha os olhos.

STEPHANENKO: - Agente Mulder...

MULDER: - O corpo deve ser o de Carol, falta uma das mãos. Mas não dá pra dizer agora se têm como pista algum membro da outra vítima.

STEPHANENKO: - E o cenário?

MULDER: - Não estou em condições de analisar isso ao vivo. Preciso das fotos. Enquanto isso vou falar com Bells.

STEPHANENKO: - Agente Mulder, o senhor Bells não teria inteligência pra um tipo de crime como esse.

MULDER: - Delegado, deixe que eu tire essa conclusão. Me chamou aqui pra isso.

Stephanenko afasta-se. Scully desce do trailer.

SCULLY: - Mulder, está bem?

MULDER: - (INDIGNADO) Isso tudo me enoja... E de pensar que o desgraçado já matou todas elas e que pode matar mais, só está jogando comigo... Quanto você aposta que quando acharmos a primeira vitima, ele vai reiniciar a matança? Ele é um jogador esperto, Scully.

SCULLY: - Mulder, nem eu estou conseguindo ver o que tenho visto. Entende?

MULDER: - Oh, Scully... Deveria ter vindo sozinho...

SCULLY: - Mulder, vamos chamar o nosso pessoal pra cá. Stephanenko não tem capacidade pra lidar com esse tipo de crime. Não tem um pessoal preparado. E nós somos apenas dois.

MULDER: - Faça isso, Scully. Ligue pra Washington. Peça pra falar com o agente Donald Mallet, da seção de crimes violentos. Diga que eu pedi ajuda. E não deixe ninguém recolher provas. Espere pelos nossos.

Mulder afasta-se. Stephanenko aproxima-se de Scully.

SCULLY: - Sabe onde posso revelar isso em uma hora?

STEPHANENKO: - Agente Scully, me diga que diabos está acontecendo na minha cidade!

SCULLY: - Você tem um louco à solta na sua cidade.

STEPHANENKO: - Ótimo! Isso é ótimo! E o que devo fazer?

SCULLY: - Se tem filhas, as mantenha dentro de casa.

Scully afasta-se dele. Stephanenko perde o olhar para o trailer.


Fried Chiken Restaurant – 7:07 A.M.

Mulder senta-se ao balcão. Rita se aproxima. Bells ao vê-lo, sai nervoso da cozinha secando as mãos num pano de prato e aproxima-se.

BELLS: - Querida, deixe que eu atendo. Vá lá dentro preparar as panquecas do Billy.

A mulher vai pra cozinha. Mulder olha pra Bells em tom de deboche.

BELLS: - Não veio aqui tomar o café da manhã.

MULDER: - Não. 'Misteriosamente' estou com o estômago embrulhado. Tem alguém nessa cidade que me faz perder o apetite.

BELLS: - O que quer?

MULDER: - Falar com sua filha.

BELLS: - Minha filha está viajando.

MULDER: - Ótimo. Então falo com você.

BELLS: - (NERVOSO) Agente Mulder, não tenho nada pra contar. Já disse tudo o que sabia.

MULDER: - Tem certeza disso?

Mulder olha pro relógio em seu pulso.

MULDER: - (DEBOCHADO) Hum, acho que vou ficar aqui até o almoço...

BELLS: - (NERVOSO) Eu sei que esteve na boate.

MULDER: - É um bom lugar, deve render mais do que o restaurante... Mas me diga, aproveitando que a sua esposa está lá atrás e sua filha está viajando, há quanto tempo você dormia com a amiga da sua filha e sua própria funcionária?

BELLS: - Não sei do que está falando...

MULDER: - (CONTUNDENTE) Senhor Bells, não me engane. Suspeitei disso desde a primeira vez que falei com você.

BELLS: - (NERVOSO) Sou um homem casado. Muito bem casado. Por favor, agente Mulder, não crie uma situação embaraçosa com minha esposa.

MULDER: - (FERINO) O assunto aqui é entre eu e você. Se abrir o seu bico, eu manterei o meu calado. Agora se ficar bancando o mentiroso safado, a senhora Bells vai ter uma grande pensão, um restaurante e uma bonita casa só pra ela.

BELLS: - (NERVOSO) ... Olha, você é homem... Sabe que depois de vinte anos com a mesma mulher, você não sente mais nada, nem tesão.

MULDER: - Não, eu não sei.

BELLS: - Ela é minha esposa, sabe? Esposas ficam gordas, envelhecem... (SORRI) Ela não é nenhuma miss universo...

MULDER: - (SÉRIO) Sim e eu aposto que quando se casou com ela sabia que ela não era nenhuma miss universo.

BELLS: - ... Então Lisa apareceu pedindo emprego... Eu... Eu colocava anúncios em jornais de fora do estado, sabe? Preferia as meninas de fora, elas tem mais experiência que as caipiras...

MULDER: - Sei. Poupe-me do seu comentário. E...?

BELLS: - Contratei Lisa pra trabalhar na boate. Mas ela vinha muito aqui, porque estudava com minha filha. As duas ficaram amigas. Lisa me pediu pra sair da boate e lhe dar um emprego aqui. Eu dei, mas em troca...

MULDER: - Em troca queria alguma coisa a mais da garota...

BELLS: - Sim... Você sabe, né? Garotas fazem coisas que a sua esposa não faz.

MULDER: - (INCISIVO) Não eu não sei.

BELLS: - Agente Mulder, se minha esposa e filhos ficam sabendo disso...

MULDER: - (CORTANTE) Pode deixar, canalha. Eu fiz um juramento na academia, você tem sorte por isso. Agora me conta o que fez com Lisa e as outras.

BELLS: - E-eu não fiz nada. Eu juro que não fiz nada. Lisa saiu daqui numa sexta feira e foi dançar. Depois disso, eu liguei pro celular dela. Ouvi pelo barulho que estava se divertindo. Pedi que viesse aqui pra gente se encontrar e...

MULDER: - (REVOLTADO) Dar "umazinha".

BELLS: - (SORRI) É... Mas já eram mais de três da manhã e Lisa não veio, então resolvi ir pra casa. Pra dar...

MULDER: -Eu sei. Na falta da garota foi pra casa dar "umazinha" com a que não é a miss universo... (INDIGNADO) Olha aqui, Bells, sujeitos como você me dão nojo, sabia? Você é o tipo do cara bem sucedido, mas que prefere ficar alternado uma vida estável com folias e negócios escusos em busca de adrenalina. Por que não sentiria emoção em matar alguém, já que gosta de desafios?

BELLS: - (TENSO) E-eu...

MULDER: - (INCISIVO) Me convença. Tem dois minutos pra fazer isso antes que eu puxe as algemas na frente da 'que não é a miss universo'.

BELLS: - (ASSUSTADO) Pelo amor de Deus! Eu não fiz isso!!!! Minha mulher vai me matar!

MULDER: - (DEBOCHADO) Ahn ahn... Resposta errada. Ela saiu daqui com alguém. Tenho esse palpite.

BELLS: - (NERVOSO) Olha, se ela veio até aqui eu já tinha ido!

MULDER: - (DEBOCHADO) Não, não, não... Resposta errada.

Mulder coloca a mãos nas algemas.

BELLS: - (DESESPERADO) Ela tem as chaves daqui! Poderia ter entrado com alguém.

MULDER: - (DEBOCHADO) Vou te dar mais um minuto. Agora parece falar a minha língua. Com quem?

BELLS: - Ela não tinha namorado. Mas se fosse cliente da boate ela não traria aqui. Porque só meu sócio e as meninas sabem que sou dono daquilo lá, entende? Nenhum cliente sabe. Ela jamais contaria, pela amizade que tinha com minha filha.

Mulder levanta-se. Sorri.

MULDER: - Obrigado, senhor Bells.

BELLS: - (SORRI/ NERVOSO) Não vai me prender?

MULDER: - (DESAFORADO) Não. Você não é suspeito.

BELLS: - (INCRÉDULO) Então por que toda essa pressão psicológica?

MULDER: - (DEBOCHADO) Pra você me contar coisas que eu queria. E além do mais, nunca me passou pela cabeça que você fosse o assassino. Você é um burro tarado e morre de medo da esposa descobrir sua vida paralela. Eu procuro um sujeito inteligente com coragem pra matar.

Mulder sai. Bells o acompanha com os olhos irritado.

BELLS: - (INDIGNADO) Desgraçado!

Bells chuta um banco com raiva.


Delegacia de Minot – 12:11 P.M.

Mulder sentado, observa as fotos do trailer. Stephanenko entra na sala, acompanhado de um agente do FBI, alto, de uns 40 anos, charmoso e bonito, com um sorriso nos lábios.

DONALD: - Estranho Mulder... Ora quem diria que você precisaria da cavalaria? Aqui estamos.

Mulder vira-se. Sorri.

MULDER: - Donald 'Duck', o bonitão do FBI.

DONALD: - (SORRI) Ainda procurando a Margarida... Mas só me aparecem as Clarabelas...

Os dois trocam um abraço.

DONALD: - O que tem fedendo por aqui, Mulder? Com exceção de você que parece um lixo. O que anda fazendo?

MULDER: - Perseguindo o inexplicável.

DONALD: - Se nessas suas andanças me achar uma vampira sexy e quente, diga que eu tenho um sangue muito saboroso e nutritivo.

MULDER: - (SORRI) Você não muda mesmo. Achei que não iam te liberar pra fazer um favor pro Estranho.

DONALD: - Sabe de nada, inocente. E olha que trabalhamos no mesmo prédio. Nunca temos tempo pra um café. Não vejo você há anos!

MULDER: -O máximo de trajeto que faço no Bureau é do porão pra sala do Skinner e vice-versa. Quero evitar as risadinhas.

DONALD: - Deixa que riam. É inveja, você sabe disso. Depois que a velharada toda da Crimes Violentos se aposentou, só sobraram do velho time os novatos da época: eu e você. Como você foi transferido para os Arquivos X e ficou ocupado perseguindo alienígenas, me promoveram a chefe do departamento. Se você tivesse ficado, claro que o cargo não seria meu. Minha conta bancária agradece por você ter me trocado pelo porão.

MULDER: - (DEBOCHADO) Eu queria descer na vida.

DONALD: -Mulder, sério. Eu nunca deixaria meu companheiro de academia e meu ex-parceiro numa situação crítica.

MULDER: - (FELIZ) Sério?

DONALD: - Trouxe cinco agentes novatos comigo. São bons agentes. Estão no necrotério com sua parceira. Que se diga de passagem, você tem muita sorte... Não precisa trabalhar mais cheirando loção de barba o dia todo e ouvindo voz grossa chamar o seu nome... Acho que me trocou pela ruiva, não pelo porão. Fez uma boa troca, confesso.

STEPHANENKO: - Não quero interromper. Mas como vamos encontrar o miserável? E-eu confesso que não sei quem estou procurando!

MULDER: - Ele exibe muitas das características que a psiquiatria associa ao que se chama de sociopatia, ou distúrbio da personalidade anti-social. O sociopata tem inteligência normal ou acima do normal, exerce um considerável charme pessoal e, em geral, não tem nenhuma ansiedade, depressão, alucinações ou outros sintomas e sinais indicativos de neurose, pensamento irracional ou doença mental. Normalmente são serenos, tranquilos, tem presença social considerável e boa fluência verbal.

STEPHANENKO: - Então são pessoas comuns... Quer dizer que o maluco pode estar perto e não temos como saber quem é? Isso é preocupante!!!!!

MULDER: - Muitas vezes são líderes em sua família ou grupo social, e se distinguem em algo, podendo ser admirados por isso. A grande maioria das pessoas, em contato com o sociopata, é incapaz de imaginar o seu lado negro, que alguns conseguem esconder com sucesso a maior parte da vida, através de uma vida dupla.

STEPHANENKO: - Agente Mulder, perdoe minha ignorância, mas... Estou aprendendo com você. O que mais sabe sobre esses malucos?

MULDER: - Fala pra ele, Don.

DONALD: - Alguns estudos têm mostrado que assassinos e criminosos ultra violentos têm evidências precoces de doença cerebral, distúrbios neurológicos específicos. Ou mais que um distúrbio... Como esquizofrenia, depressão, epilepsia, alcoolismo, demência alcoólica, retardamento mental, paralisia cerebral, injúria cerebral, distúrbios dissociativos e outros, anormalidades no lobo frontal. Ou até mesmo foram vítimas de severo abuso físico ou sexual.

STEPHANENKO: - Interessante...

MULDER: - Muitos comportamentos associados às relações sociais são controlados pela parte do cérebro chamada lobo frontal, que está localizado na parte mais anterior dos hemisférios cerebrais. Autocontrole, planejamento, julgamento, o equilíbrio das necessidades do indivíduo versus a necessidade social, e muitas outras funções essenciais subjacente ao intercurso social efetivo são mediadas pelas estruturas frontais do cérebro. Há exemplos de pessoas que adquiriram personalidades sociopáticas devido a lesões patológicas do cérebro, tais como tumores.

STEPHANENKO: - ...

MULDER: - O mais impressionante é a sua total falta de remorso ou de vergonha pelos crimes que pratica. O sociopata é um egocêntrico patológico, totalmente autocentrado e incapaz de qualquer forma de amor ou ligação sentimental com outras pessoas. Manifesta total desprezo pelos outros seres humanos, e têm um déficit grande na capacidade de sentir emoções. Por causa disso, o sociopata não aprende com a punição, modificando seu comportamento. A atitude dele, ao reconhecer que seu comportamento não é aceito pela sociedade, é escondê-lo, jamais suprimi-lo. O comportamento anti-social é geralmente de natureza impulsiva, e pode assumir diversas formas, desde a irresponsabilidade, a mentira deliberada e o comportamento objecionável como agressividade e mudanças súbitas de temperamento, até a violência gratuita e radical contra outros seres humanos, como a tortura, o estupro e a morte.

Stephanenko senta-se. Mulder concentra-se nas fotos.

MULDER: - Don, olhe isto.

STEPHANENKO: - Estou tentando pensar em alguém assim... Falou com Bells?

MULDER: - Falei. Mas não creio que Bells seja suspeito.

STEPHANENKO: - Se pode ser qualquer um por que ele não é suspeito?

MULDER: - Chame isso de intuição.

DONALD: - Acredite amigo, se ele diz está certo. Nunca vi Mulder errar num palpite.

STEPHANENKO: - Bells tem vida dupla, agente Mulder.

MULDER: - ... Olha isso, Don. Está vendo? Ele costuma deixar uma pista em cada local do crime.

DONALD: - Sei... A agente Scully me passou as informações...

MULDER: - Consegue ver onde está a pista do próximo corpo?

Stephanenko aproxima-se e olha pras fotos.

STEPHANENKO: - Agente Mulder, terei de admitir pra você que... Eu sou um incompetente.

Donald olha pra Stephanenko.

DONALD: - Não diga isso xerife. Não tem obrigação de entender um monstro como esse. Vocês aqui nunca lidaram com isso. Não se sinta culpado por não saber o que fazer.

O celular de Mulder toca. Ele atende.

MULDER: - Fala parceira.

SCULLY (OFF): - Mulder, o corpo é de Carol Granth. A vítima foi estuprada, queimada e esquartejada.

MULDER: - Queimada?

SCULLY (OFF): - Sim. Ainda viva. E diferentemente, o estupro ocorreu antes da morte. E foi mais brutal que o primeiro. Ele a penetrou com algum tipo de objeto perfurante enquanto ela estava viva. Colocou fogo nela e após a morte a esquartejou.

MULDER: - (FECHA OS OLHOS) ... Humilhou antes e depois...

SCULLY (OFF): - O pé na cena do crime, segundo as análises, pertence a vítima anterior, Sherryl Nichols. Que na verdade se chama Lindsay Morris. Estamos comunicando agora para a família em Ohio.

MULDER: - ...

SCULLY (OFF): - Mulder, eu estou com vontade de vomitar. Nunca vi algo tão cruel, medonho e monstruoso na minha vida de policial.

MULDER: - Scully, vá para o hotel descansar. Deixe que o pessoal trabalhe por aí.

Mulder desliga.

MULDER: - Observem as fotos. Todo o trailer está chamuscado. Qual é o único objeto aqui que está intocado pelo fogo?

DONALD: - O pato de porcelana.

MULDER: - Onde existem patos?

STEPHANENKO: - No lago da cidade. Mas isso é óbvio!

MULDER: - Então ela está no lago, xerife. Pegue seu pessoal. Vamos pra lá.


12:21 P.M.

Scully desce do carro, vestida num sobretudo. Mulder aproxima-se do carro.

MULDER: - Devia ter ficado dormindo. Teimosa!

SCULLY: - (DEBOCHADA) Tenho que justificar meu salário. O que encontraram?

MULDER: - Até agora nada. Apenas latas enferrujadas e acredite, um fuzil alemão da segunda guerra.

Os dois caminham lado a lado. Tumulto de agentes do FBI, policiais e curiosos. Stephanenko ao lado da viatura, com as mãos no bolso, observando o trabalho.

SCULLY: - Então xerife?

STEPHANENKO: - Dois de seus homens entraram no lago. Espero que o palpite do seu parceiro esteja certo.

Scully vai para perto do lago, onde estão os agentes do FBI. Donald parado com as mãos na cintura grita com os dois agentes vestidos de mergulhadores, que estão dentro do lago.

Mulder olha pro Xerife.

MULDER: - Não faz ideia? Não faz ideia alguma de quem nesta cidade poderia fazer isso?

STEPHANENKO: - (INDIGNADO) Agente Mulder, como eu disse se eu tivesse condições de descobrir o assassino, eu mesmo teria o feito e não precisaria de vocês federais por aqui ganhando os créditos e empestando o ar que respiro.

Mulder olha pra ele incrédulo. Os mergulhadores saem do lago puxando um pequeno contêiner.

AGENTE 1: - Abram espaço!

AGENTE 2: - Precisamos de alguma coisa pra abrir isto.

Mulder e Stephanenko correm até a beira do lago. Um agente vem com um pé-de-cabra.

AGENTE 3: - Ok, ok... Me ajudem aqui...

Os agentes conseguem abrir o contêiner. Afastam-se colocando as mãos no nariz. Stephanenko vira o rosto.

STEPHANENKO: - Deus! Que cheiro!

MULDER: - Maldito desgraçado!

Mulder puxa um lenço do bolso e coloca sobre o nariz. Aproxima-se. Olha pra dentro. Afasta-se, passando mal. Donald aproxima-se dele e lhe entrega um frasco.

DONALD: - Use isso Mulder... Engana o nariz por algum tempo.

MULDER: - Deus, eu vou vomitar!

Outro agente aproxima-se do contêiner e olha pra dentro. Donald faz o mesmo.

DONALD: - Merda! Que diabo de maníaco estamos procurando??? Olha o estado da garota!!!

O agente fecha o contêiner.

DONALD: - Pelo amor de Deus! Tirem isso daqui... Levem pro necrotério. Não gostaria de estar na sua pele, agente Scully.

SCULLY: - (SUSPIRA) Acho que nem eu.

Scully afasta-se, colocando as mãos nos lábios.


7:47 P.M.

Mulder caminha de um lado pra outro na delegacia. Os olhos pesados de sono e cansaço. Donald aproxima-se dele.

DONALD: - Mulder... Vai pro hotel. Dorme um pouco. Quando tivermos uma identificação positiva da vítima, eu chamo você.

MULDER: - Posso te falar uma coisa?

DONALD: - Claro.

MULDER: - (SORRI) Não tenho mais estômago pra seção de crimes violentos.

DONALD: - (SORRI) Nunca se tem estômago pra seção de crimes violentos, Mulder.

MULDER: - Acho que conduzi errado as investigações. Não lido com isso há muito tempo, eles vão aperfeiçoando os métodos e eu não tenho acompanhado a evolução disso...

DONALD: - Está se saindo muito bem, Mulder. Como nos velhos tempos, lembra? Lembra daquele maluco que se vestia de vovozinha pra atacar mendigos na rua?

MULDER: - (SORRI) Lembro! ... Que piada aquilo... Don, você não fala sério. Tá dizendo isso porque é meu amigo.

Scully aproxima-se deles. Donald olha pra ela. Scully sorri.

MULDER: - Acho que não apresentei oficialmente a minha parceira.

Donald aponta pra Scully.

DONALD: - Esta aí é sua parceira? (ASSOVIA) ... (DEBOCHADO) Mulder, meu amigo, tem uma vaga nos Arquivos X?

Scully sorri boba. Mulder faz uma cara indignada, se roendo de ciúmes. Donald percebe. Mulder olha pra Scully com o rabo dos olhos, mordendo os lábios. Scully olha pra Donald, provocativa. Empurra Mulder e estende a mão, num sorriso.

SCULLY: - Sim... Muito prazer, agente Mallet. Sou Dana.

MULDER: - (INCRÉDULO/ ENCARANDO-A) Dana????

Mulder se põe na frente de Scully.

MULDER: - (CIUMENTO) Como estávamos falando antes de sermos interrompidos, Don...

Donald sorri. Empurra Mulder, numa provocação debochada e pega a mão de Scully que está sorrindo. Beija a mão dela.

DONALD: - Encantado. Donald, ao seu dispor... Mas pode me chamar de Don...

MULDER: - (INCRÉDULO) "Don"???? Me chamar de "Don"?

Mulder põe as mãos na cintura olhando para os dois de boca aberta, envenenado de ciúmes.

SCULLY: - (TODA SORRISO) Hum... Donald... Nome bonito.

MULDER: - (IRRITADO) Não, não é não, lembra o pato Donald e ele sabe disso.

Donald começa a provocar, segurando o riso. Scully entra na piada.

DONALD: - Donald fica bonito nos seus lábios.

SCULLY: - Don, Dana... Soa bonito...

Mulder olha pra Scully indignado. Com um beiço quilométrico.

DONALD: - Conheço você de vista, por nome e pela sua tese.

MULDER: - (IRRITADO) Quem sabe vocês dois querem que eu saia e os deixe contar historinhas sobre Don e Dana... Parece mais uma dupla caipira!

Donald vira-se pra trás e ri. Scully começa a rir também.

MULDER: - (INDIGNADO) Ah, entendi. Estão me tirando pra palhaço aqui...

DONALD: - Desculpe, amigo... (RI) Não pude perder a piada... Essa sua cara... (RINDO) Olha, como reza a propaganda de certo cartão de créditos, não tem preço!

Scully começa a rir. Mulder olha indignado pra ela. Donald se recompõe.

DONALD: - Aliás, se não sabia, agente Scully, quando Mulder e eu estávamos na seção de crimes violentos, um dia descobrimos sua tese, enquanto revirávamos arquivos de novatos.

Ela olha incrédula pra Mulder. Mulder fica constrangido.

SCULLY: - (SURPRESA) Eu não sabia disso!

DONALD: - Passamos horas discutindo como uma mulher tão notável poderia estar tentando entrar para o FBI. Confesso que não era a nossa única curiosidade a seu respeito, mas vou me privar de comentários extremamente masculinos para não embaraça-la. Principalmente os que vinham dele.

Mulder fica vermelho. Scully olha pra ele incrédula. Abaixa a cabeça e sorri.

DONALD: - Acho que estou constrangendo o meu irmão Mulder... Aliás, agente Scully, quando eu e Mulder saíamos juntos em alguma força-tarefa, sempre perguntavam se éramos irmãos. Lembra disso Mulder?

MULDER: - (RINDO) Me lembro que você disse uma vez pra um delegado de Minneapolis que eu era seu gêmeo. Pra justificar a batida dupla que eu e você demos no carro do miserável.

Eles riem. Donald olha pra Mulder.

DONALD: - Meus homens estão empolgados por estarem aqui com você, Mulder. Eles te admiram. Sabem o que fez na crimes violentos. Sabem a sua competência.

MULDER: - Não fala sério. Eu sou o "Estranho". Todos no FBI riem da minha cara.

DONALD: - Eu sei que sim, mas não permito piadas sobre você no meu departamento. Eu falo quem você é e o que já fez ali quando alguém chega contaminado de teorias sobre a sua pessoa, vindo dos outros departamentos. Quando eu disse que teríamos de vir pra Dakota, todos se esquivaram. Quando eu disse que você nos pediu ajuda, tive que fazer sorteio de nomes em papéis dentro de uma xícara.

MULDER: - Não fala sério, Don. Eles apenas querem puxar o saco do chefe se oferecendo pra ajudar o amigo lunático dele.

DONALD: - Não. Eles sabem da minha boca quem você foi naquele departamento e das piadas de mal gosto que contam sobre o seu trabalho nos Arquivo-X, que diga-se de passagem, todos os departamentos do FBI já tiveram que enviar algum arquivo de um caso insolúvel pra você. Você é a inteligência que pega o que ninguém conseguiu decifrar. E meus agentes respeitam você por isso. Vocês dois, desculpe-me Dana.

Scully sorri gratificada.

DONALD: - Você é um ídolo para os rapazes. Sabe qual é o exemplo que temos dado no primeiro dia dos agentes novos? Mulder. Mulder, O Estranho. Eles ficam empolgados com você. Querem ser tão bons quanto. E agora que estão tendo a oportunidade de trabalhar num caso que está sendo conduzido por você, querem sugar seus conhecimentos feito vampiros.

MULDER: - Espero não estar desapontando eles.

DONALD: - Não está. Estão empenhados pra ajudar o 'guru'. Mulder, você ainda é muito comentado naquele departamento. Não sabe a fama que tem. Um dia, quando estiver menos atribulado, seria uma honra ter uma palestra feita por você. Os rapazes iam adorar... Agora vá pro hotel. Descanse um pouco. Lembra-se do que Collins falava?

MULDER: - Quando não conseguir mais pensar direito, vá dormir.

Donald sorri. Mulder bate no ombro dele.

MULDER: - Me ligue. (SÉRIO) E comporte-se.

Mulder olha pra Scully, enciumado.

MULDER: - Isso serve pra você também.

Scully olha incrédula pra ele. Mulder sai da delegacia. Donald abaixa a cabeça e sorri. Scully sorri também. Olha para Donald.

SCULLY: - Hum... Teria mais coisas interessantes pra contar a respeito do meu parceiro?

DONALD: - Se ele não ficar sabendo disso...

SCULLY: - Agradeço por ter dado um pouco de auto-estima profissional ao Mulder. O esquecido lunático do porão do FBI. Ele precisa disso, tem vezes que as piadas são tão irritantes que nem ele aguenta. Sente-se um incompetente. Um estorvo ao Bureau.

DONALD: - Agente Scully, entre uma xícara de café e outra, posso contar que não faço isso para a auto-estima do agente Mulder. Ele é um profissional muito competente. É uma verdade que precisa ser dita. E é uma pessoa pelo qual eu daria minha vida. No passado, ele quase deu a vida dele por mim. Você agora é a parceira dele. Sabe a pessoa que ele é. Eu também sei. Mulder é um ser humano com o coração do tamanho do mundo. Admito que sinto falta das ironias do Mulder.

SCULLY: - Imagino. Se quiser emprestado...

Os dois riem.



BLOCO 4:

Necrotério Municipal - 1:21 A.M.

Mulder aproxima-se pelo corredor, passando pelos dois agentes do FBI que olham pra ele com um sorriso de admiração. Mulder sorri pra eles, constrangido. Scully está sentada num banco. Pálida. Mulder senta-se ao lado dela.

MULDER: - O que faz aqui?

SCULLY: - Assessoria de necropsia... Não consegui ficar naquela sala.

MULDER: - Deveria estar dormindo. Pensei que ia pro hotel.

SCULLY: - Sou uma gente federal, Mulder. Preciso trabalhar. E eu quero resolver esse caso com você porque estou enojada! Quero pegar esse monstro.

MULDER: - Não estamos com estômago pra essas coisas, Scully...

Donald aproxima-se com dois copos na mão.

DONALD: - Olha, sei que cafeína em demasia é prejudicial, mas acho que um bom chá pode aliviar os nervos por aqui.

Scully sorri. Pega um dos copos. Mulder pega o outro. Donald senta-se ao lado de Scully.

MULDER: - Qual a situação?

DONALD: - Corpo inteiro. Apenas em decomposição por causa do tempo. As vísceras estavam fora do corpo.

SCULLY: - Nenhuma precisão no corte.

DONALD: - Exatamente. O que sugere que não é um profissional que entenda do que está fazendo, como um médico, um legista... Ele não pertence a área médica.

SCULLY: - A vítima foi espancada, estuprada violentamente e teve... A cabeça esmagada. Lesões completas no cérebro.

DONALD: - Levantaria uma hipótese?

SCULLY: - Eu diria, pela minha experiência, que o assassino colocou a cabeça daquela garota num torno e ... Esmagou lentamente.

MULDER: - Deus! Que maníaco é esse?

DONALD: -Mulder, você está com um caso e tanto por aqui, sabia? Esse cara não segue padrão no método, mas nas vítimas e nas pistas. Posso dizer uma coisa pra você? Não vai interpretar como ousadia minha?

MULDER: - Claro que não Don.

DONALD: - Isso é pessoal.

MULDER: - Eu desconfiei disso também.

SCULLY: - Como assim pessoal?

DONALD: - Agente Scully, acho que o assassino sabia que Mulder investigaria os crimes.

SCULLY: - Esperem aí? Estão achando que tudo isso foi pra atrair Mulder? Mas com que objetivo?

DONALD: - Acredito que ele deve ter lido a ficha de Mulder. Isso qualquer um pode fazer tendo um computador. E pensou: é este que eu vou desafiar.

MULDER: - Já pensei em prováveis pessoas irritadas comigo, mas nenhuma se encaixa nisto.

DONALD: - Mulder, necessariamente não precisa ser uma vingança. Ele pode nem conhecer você, mas viu sua ficha e ficou tentado a desafiar o gênio da criminalística do FBI.

MULDER: - Menos Don... Não precisa impressionar a minha parceira...

Scully sorri.

DONALD: - Mas é sério, Mulder. Sua capacidade de intuição sempre foi um fenômeno.

MULDER: - Acredite, não é mais pra mim. Agora sei de onde vem. Alguma ligação à vítima número um?

SCULLY: - A falange de um dedo. Estava trancada dentro da garganta da vítima. Já mandei pro escritório daqui. Logo vamos ter a análise.

MULDER: - Provavelmente é da primeira vítima, sobrou Angela Irving, então é ela... Eu estou com medo. Sinceramente eu tenho medo de encontrar a primeira vítima. Ele está guiando tudo pra isso. E se nos espera com uma emboscada? Uma armadilha?

DONALD: - Iremos todos juntos.

SCULLY: - O que um contêiner significaria?

DONALD: - Eu diria que contêiner nos indica um depósito, cargas...

SCULLY: - E na visão comum de uma pessoa que nada entende?

DONALD: - Armazenamento também.

SCULLY: - Pra que serve um contêiner?

DONALD: - Armazenar alguma coisa. Guardar algo longe do alcance.

MULDER: - Não, espera aí, vocês não podem divagar sobre isso. Sempre é o óbvio. Estamos procurando algum depósito.

SCULLY: - Vou falar com Stephanenko. Vamos ver se ele nos indica algum provável lugar.

Scully levanta-se. Donald olha pra Mulder.

DONALD: - Ele está desafiando você. O filho da mãe entrou na sua mente antes que você soubesse quem ele era. Ele está mais perto de você do que imagina.

MULDER: - Ele sabe quem sou, essa é a desvantagem.

DONALD: - Mulder, sei que vai ser mais esperto do que ele.

MULDER: - Meu medo é que depois de encontramos a primeira vítima, ele vá matar novamente. Vai se sentir um perdedor.

DONALD: - Mulder ele quer ser perdedor. Ele sabe que você vai resolver os enigmas. Está chamando você pra uma cilada.

MULDER: - Mas o que fiz pra esse cara?

DONALD: - Nada. Nada é um bom motivo pra maníacos assim.

MULDER: - ...

DONALD: - Ela é bonita.

MULDER: - Quem?

DONALD: - Scully. Ela é bonita, inteligente, graciosa e uma ótima parceira. Aliás, andei sabendo pelos corredores que ela andou dando um show numa boate, num caso que estavam investigando, que deixou até o mais santo dos agentes pensando em depravações...

MULDER: - Retire ela da sua lista, Don. Entendeu?

DONALD: - (DEBOCHADO) Tudo bem, Mulder... Retirada da lista de possíveis encontros para a lista de perigo iminente e sem maiores perguntas. Seu sortudo de uma figa!

Os dois riem. Scully aproxima-se.

SCULLY: - Há um antigo silo na cidade. Stephanenko está indo pra lá. Pedi que ficasse longe do local até chegarmos.

Mulder e Donald levantam-se rapidamente.

DONALD: - Vamos ao trabalho. Me encontro com vocês depois, vou chamar os rapazes. Atenção redobrada, Mulder. Não sabemos o que nos espera.


Fazenda Allison – 2:56 A.M.

Mulder desliga o carro. Fala ao celular.

MULDER: - Chegamos... Hum... Tá. Mas eu vou entrar, Don. Não vou esperar você.

Mulder desliga o celular. Ele e Scully descem do carro. Mulder acende a lanterna.

MULDER: - Nem Stephanenko chegou... Scully, quero que fique aqui.

SCULLY: - Mulder...

MULDER: - Não sei o que vou encontrar lá dentro. Fique aqui. Se alguma coisa acontecer, quero que saia correndo. Me entendeu?

SCULLY: - Mulder, eu sou uma agente federal...

MULDER: - Eu sei droga! Mas eu quero que fique aqui!

SCULLY: - ... Tá.

MULDER: - Scully, esse cara é louco. Completamente doente. E realmente eu começo a ter certeza de que fui atraído pra essa cilada. Agora fique aqui. Lembre-se do que me prometeu.

SCULLY: - (SUSPIRA) Tá certo.

MULDER: - E tranque-se no carro, ok? Espere o Donald chegar.

SCULLY: - Tá bom.

Ela entra no carro e tranca as portas. Mulder caminha até o silo.

Corte.


[Som: Tears for Fears – Shout]

A porta do silo está entreaberta. Mulder puxa a arma e empurra a porta que range, quebrando o silêncio. Mulder entra. Vários pombos começam a revoar pelo local, o assustando. Mulder caminha lentamente, atento, com a arma em punho.

Corte.


Stephanenko chega na viatura. Desce. Bate no vidro do carro de Mulder. Scully assusta-se.

STEPHANENKO: - Agente Scully, onde está o agente Mulder?

Scully sai do carro.

SCULLY: - Está lá dentro.

Dois carros do FBI chegam. Donald desce às pressas.

DONALD: - Quero que cerquem toda a área. Ninguém entra ou sai daqui. Revirem o lugar, ele pode estar espreitando.

Os agentes puxam as armas e se espalham pelo local. Donald aproxima-se de Scully.

DONALD: - Onde está Mulder?

SCULLY: - Lá dentro.

STEPHANENKO: - Vou com você.

DONALD: - Não, xerife. Quero que chame seus homens pra cá. E fique fora disso, você não sabe com quem está lidando.

Donald corre até o silo. Stephanenko olha pra Scully.

STEPHANENKO: - Sabe de uma coisa, agente Scully? Eu tô cansado de me chamarem de imbecil. Quem vocês do FBI pensam que são?

SCULLY: -Xerife...

STEPHANENKO: - Vocês me enojam, sabia? Com toda essa maldita arrogância. Vou mostrar que também somos espertos.

Stephanenko escora-se na viatura, indignado. Pega o rádio.

STEPHANENKO: - Aqui é o xerife. Quero todo o contingente de homens no silo dos Allison. O provável assassino está aqui.

Corte.


Dentro do silo, Mulder caminha lentamente com a arma em punho. Vira-se rapidamente. Donald ergue os braços.

DONALD: - Calma!

Mulder suspira. Donald tira a arma do coldre.

DONALD: - Alguma pista?

MULDER: - Nada. Vá pela direita que vou pela esquerda.

DONALD: - Certo.

Os dois se separam. Mulder aproxima-se da comporta de grãos. Abre a pequena portinhola.

Os grãos caem pelo chão rapidamente, revelando metade do corpo feminino, já em decomposição. Donald aproxima-se.

DONALD: - Minha nossa!

MULDER: - Precisamos retirar a vítima daqui.

DONALD: - Mulder, isso tá fedendo muito...

Mulder puxa as luvas do bolso. Entrega a lanterna pra Donald. Veste as luvas e puxa o corpo pelos braços.

MULDER: - Está leve...

Mulder puxa a garota. O corpo se revela estar cortado ao meio. Mulder solta o cadáver e recua em pânico.

MULDER: - Meu Deus!!!

DONALD: - Isso é nojento! O que ele fez com o resto da garota? Está sem vísceras também. O sujeito é obcecado por vísceras!

MULDER: - Mas é a primeira vítima! Onde estão as pernas? Não deveria haver mais nenhuma pista. Porque ele retirou os membros inferiores então?

Mulder olha pra Donald.

MULDER: - O que pernas significam pra você?

DONALD: - Correr?

MULDER: - Os dois se olham em pânico. Saem correndo do silo.

Corte.

Mulder e Donald esbaforidos observam o silo de longe.

DONALD: - Por que corremos?

MULDER: - Bomba?

DONALD: - ... Nos enganamos no significado.

MULDER: - Então o que pode significar pernas?

DONALD: - Caminhar... Estrada?

MULDER: - Locomoção... Carro...

DONALD: - O que pernas significam pra você Mulder, em sentido óbvio?

MULDER: - Sei lá... Pernas... Geralmente as pernas são o apoio do corpo.

DONALD: - Sim. O apoio. Costumo brincar com a minha velha mãe e dizer: mãe, você é as minhas pernas. Sem você eu nem andaria...

MULDER: - (PÂNICO) Scully!

DONALD: - O quê?

Mulder sai em disparada. Donald corre atrás dele.

DONALD: - (AOS GRITOS) Mulder, o que foi?

MULDER: - (AOS GRITOS) É a Scully!!!!!!! Ela é a próxima vítima do canalha!

Corte.

Close no carro vazio. Mulder esmurra o teto do carro.

MULDER: - Desgraçado!

Mulder começa a chutar o carro, tomado de ódio.

MULDER: - Ele armou pra mim!

Donald puxa o rádio do bolso.

DONALD: - Atenção quero todos os homens na frente do silo. O assassino fugiu com a agente Scully.

Mulder apoia os braços sobre o carro em desespero.

MULDER: - Ele vai matá-la... O desgraçado vai matá-la! E eu nem sei quem é!

DONALD: - Mulder, ela não sairia daqui com alguém que não conhecesse.

Stephanenko aproxima-se.

STEPHANENKO: - Meus homens estão vindo.

MULDER: - Xerife, o desgraçado levou a Scully.

STEPHANENKO: - Mas como? Ela estava aqui há alguns minutos atrás!

MULDER: - Precisamos revirar essa cidade.

STEPHANENKO: - Eu vou com vocês. Dou cobertura.

O xerife entra às pressas na viatura. Mulder abre a porta do carro. Donald o segura.

DONALD: - Deixa que eu dirija, Mulder. Não está em condições.

Corte.


Donald dirige o carro rapidamente pelas ruas.

DONALD: - Mulder, acalme-se. Precisa me dizer quem foram as pessoas que entraram em contato com ela nessa cidade. Foi alguém que ela conhecia. Ela nunca sairia dali com um estranho.

MULDER: - Ela só teve acesso ao pessoal do necrotério.

DONALD: - Vamos pra lá então.

MULDER: - Droga... Quando eu colocar as mãos nesse canalha, eu mesmo vou matá-lo! Arrancar as vísceras dele pra ele saber o que as vítimas passaram.

DONALD: - Calma, Mulder...

MULDER: - Uma estava enterrada. Outra na água, outra pendurada e queimada...

DONALD: - Mulder... Quais são os 4 elementos?

MULDER: - Terra, fogo, água e ar. Mas a outra vítima foi achada no meio de sementes! O que isso significa, ar?

DONALD: - O que é o ar?

MULDER: - O que são sementes?

DONALD: - O silo é arejado, mas ela estava abafada. Em sentido óbvio, isso poderia ser entendido como falta de ar.

MULDER: - Certo. Se nos casos anteriores não havia falta de terra, falta de fogo e falta de água e agora havia falta de ar...

DONALD: - Ar. Scully é a vítima do ar.

MULDER: - Ar... Aeroporto? Avião? Não... É um lugar público demais pra ele agir.

DONALD: - O que seria óbvio de ar? Respirar... Algum lugar com vento...

MULDER: - Deus, isso pode ser qualquer lugar dessa cidade!

Mulder está completamente desesperado.

MULDER: - Força aérea?

DONALD: - Como assim?

MULDER: - Ar. Força aérea, força do ar...

Mulder pega um mapa do porta luvas.

MULDER: - Don...

DONALD: - O que foi?

MULDER: - Tem um campo de pouso militar abandonado a cinco quilômetros daqui.

Donald acelera o carro.


Franklin Field – 4:11 A.M.

Os dois descem do carro, puxando as armas.

DONALD: - Mulder... Nós vamos encontrá-la com vida.

MULDER: - ...

DONALD: - E vamos assistir a execução desse cara. Acredite. Ele vai pagar por tudo o que fez.

MULDER: - Entro pelos fundos.

DONALD: - Tá, vou pela frente.

Eles correm em direções opostas do enorme hangar abandonado. Mulder se esquiva pelas janelas, alternado em espiadelas pra dento do hangar.

MULDER: - Eu vou pegar você seu miserável... E vou eu mesmo arrancar suas tripas.

Mulder olha pela janela. Arregala os olhos. Quebra o vidro como um desesperado. Pula pra dentro.

MULDER: - (GRITA) Don!!!!! Don!!!!!!!!!!!

Corta para Donald. Ele volta correndo para frente do hangar e chuta a porta, arrombando-a. Entra com a arma em punho.

Corta pra Scully. Amarrada e amordaçada, deitada sobre uma mesa. Desacordada. Mulder passa mão pelo rosto dela, derrubando lágrimas. Donald aproxima-se. Mulder recosta o ouvido no peito de Scully. Sorri chorando.

MULDER: - Está viva.

Donald respira aliviado. Mulder toma Scully nos braços.


Delegacia de Minot – 4:47 A.M.

Mulder e Donald entram. Mulder carregando Scully. A delegacia está vazia. Os dois entram na sala de Stephanenko.

DONALD: - Devem estar na rua... Mulder, precisa de um café.

Mulder coloca Scully na poltrona. Retira o sobretudo. Apoia a cabeça de Scully com o sobretudo contra o armário. Passa a mão em seu rosto.

DONALD: - Devia levá-la a um hospital.

MULDER: - E-eu... Eu cuido dela. Nada de hospitais.

Mulder agacha-se. Afaga o rosto inconsciente de Scully. Coloca os cabelos dela pra trás da orelha. A observa e começa a chorar.

MULDER: - Eu quase matei você... Eu sou um idiota. Não sou um bom agente do FBI. Nunca fui...

Donald olha pra ele com piedade.

DONALD: - Você sempre foi o melhor agente do FBI. Não foi à toa que esse cara escolheu você pra desafiar, Mulder. Agora tome uma boa dose de cafeína. Vamos queimar nossos neurônios e tenho certeza de que vamos pegar o safado. Quando Scully acordar, ela vai nos descrever o maldito.

MULDER: - Não entendo porque ele a poupou... Eu fui um estúpido! Como não percebi que ele armou pra mim?

Donald serve um copo de café. Mulder senta-se numa cadeira e põe as mãos no rosto.

DONALD: - Como podia adivinhar, Mulder? Esse tipo de gente não é previsível, você mesmo sabe disso. Tentamos criar padrões, mas eles são pessoas anormais, fora de qualquer padrão conhecido.

MULDER: - Eu quase matei a Scully... Meu Deus!

DONALD: - Mulder, se acalme. Cabeça quente não vai ajudar! O que importa é que ela está viva. Talvez ele não teve tempo de mata-la.

MULDER: - Ou talvez quisesse me fazer passar por idiota. Poupa-la como uma maneira de rir da minha cara.

DONALD: - ...

MULDER: - (RAIVA) O cara armou pra mim! Ele tinha todos os trunfos nas mãos. Eu não tinha nada! Ele sabia quem eu era desde o início. Ele me atraiu até aqui. E eu caí feito patinho...

DONALD: - Esses caras, Mulder, são chamados de malucos. Mas os malucos somos nós. Eles são muito inteligentes.

MULDER: - Já deve ter ido embora da cidade. Não deixou pistas com a Scully. Até ela acordar, ele já deu o fora. (ÓDIO) Saiu impune. O miserável saiu impune!

DONALD: - Vou chamar o pessoal e avisar o xerife.

Donald sai da sala. Mulder olha pra Scully. Fecha os olhos.

MULDER: - (MURMURA) Deus, se eu perdesse vocês eu me mataria...

Mulder levanta-se. Anda pela sala. Pensativo. Senta-se na cadeira do xerife. Observa a sala, fisionomia de quem sabe que perdeu um jogo. Olha pras fotos das garotas penduradas no mural.

MULDER: - Desculpem... Eu... Eu não pude fazer justiça pra vocês.

Mulder suspira. Olha para a mesa. O peso de papel em forma de avião sobre um caderno. Mulder pega o caderno, enquanto observa aflito uma Scully que não acorda.


Sala dos Arquivos X

[Som: Tears for Fears – Shout]

Foco em Mulder que está só, sentado na cadeira, de costas pra câmera. O ambiente na penumbra.

MULDER (OFF): - Não obstante, conhecimento é poder e eu vou lhe dar algum poder... Pessoas que vivem na sociedade moderna sofrem mentiras constantemente, que quando ouvem a verdade, essa parece ser uma grande merda. Sempre se deve perguntar 'por quê'. Você escuta notícias como milhões de mortos na África, guerras no oriente médio, corrupção no governo, falência do sistema. Se pergunte por quê. Pessoas ignorantes são fáceis reger, como cordeiros. Nós já fomos alguma vez um cordeiro. Cordeiros não sabem quem foi Fidel Castro ou Nixon, e eles não se preocupam com que tipo de governo temos, contanto que tenham a segunda-feira de futebol e um pacote de seis de cervejas. E batam o cartão ponto todos os dias, comendo a maldita comida azeda da vianda, que a mulher preparou, enquanto assoava o nariz do filho doente. Cordeiros não sabem que na China você pode ser posto a morte ou lançado na prisão por ter se queixado do preço dos tomates. Pode ser visto como um ataque ao governo deles. O diferente fluxo fixo de comerciais insensíveis com aumento insensível de volume, que o faz pegar o controle remoto e pensar que sua TV está com defeito. A maioria das notícias é contada de uma certa perspectiva. Agora mesmo você está pensando por quê. Que tudo isso é merda política e você odeia política. Mas você vive num sistema político... Você come, dorme, fode todos os dias. Sempre a mesma coisa. Sempre dentro do sistema. Você come política, porque seu pão vem de uma relação política: alguém precisa plantar trigo, pra outro fazer o pão, pra você comprar e assim matar sua fome. Você dorme, porque seu sono vem de uma relação política: você tem que dormir porque está cansado do trabalho, se não trabalha não come o seu pão, porque alguém precisa plantar trigo, pra outro fazer o pão, pra você comprar e assim matar sua fome. Você fode porque sua transa vem de uma relação política: você quer diversão barata porque está cansado do trabalho, se não trabalha não come o seu pão, porque alguém precisa plantar trigo, pra outro fazer o pão, pra você comprar e assim matar sua fome. É uma imensa teia de aranha sem saída... Quem é mais louco? Você que trabalha oito horas por dia, cinco dias por semana, cria complicações cardíacas por excesso de trabalho e acaba matando a si mesmo... Ou eu que mato os outros? Apenas me escute, eu estou falando com você. Não quero que você seja um cordeiro...

Mulder respira fundo.

MULDER (OFF): - Quer ser um assassino eficiente? Eu posso lhe dizer como. Primeiro conheça seu inimigo. Estude a pessoa ou as pessoas que você pretende matar. Aprenda tudo sobre eles. Aprenda sobre a religião, o habitat, a história deles. Olhe suas fraquezas. Normalmente há uma racha na armadura deles. Seja paciente. Tenha planos de contingências no caso de algo dar errado. Entenda rotas de fuga. Entenda um disfarce. Leve uma falsa identidade no caso de você ser pego e terá uma chance para escapar. Treine matanças em jogos de vídeo-game. Não esqueça de destruir qualquer evidência de seu planejamento. Você não vai aprender ser um assassino bom assistindo comerciais de Cheetos. Vá para a biblioteca ou sua livraria local. Você achará petiscos bons na seção policial. Estude outros assassinos. Como eles fizeram? Eles foram pegos? Descubra tudo o que você pode sobre as prisões locais em sua área. Você tem amigos no lado de dentro? Não seja crédulo ou ingênuo. Leia manuais de campos militares e de treinamento policial. Quando você assiste programas policiais, veja os erros que os criminosos e a polícia cometem. Fique em boa forma. Corra, todos os dias, faça um hábito disto. Artes marciais o manterão em forma. Caminhadas... Procure esconderijos bons. Tenha certeza de que ninguém o veja ou você estará procurando por problemas. Aprenda a viver da terra se possível. Aprenda a evadir e escapar. Também aprenda a caçar. Aprenda as forças e fraquezas de tipos diferentes de armas de fogo. Sempre permaneça tranquilo. Foi provado que pânico prejudica a habilidade de ratos de laboratório para achar labirintos que eles já conhecem. Sim, tensão prejudica sua memória. Esteja tranquilo antes do ato final. Respire fundo e se dedique à tarefa de matar. Faça o que deve ser feito. Se perceber um sentimento roendo de que você está esquecendo algo, provavelmente está. Pense em impressões digitais, artigos, álibi, sangue. Se for pego, lembre-se do clichê insanidade temporária, você desmaiou e não se lembra.

Foco em Mulder de frente, que está sentado atrás de sua mesa. Percebe-se que está cabisbaixo.

MULDER (OFF): - Você decidiu declarar guerra a toda coisa viva, todos os cordeirinhos! Tripudie, mate! Você quase nunca tem o controle completo das pessoas mesmo se elas estiverem com uma arma apontada na cabeça. Você pode dopá-la. Sim, funciona melhor. Uma pequena quantidade a cada dia na comida. Uma vez viciada, elas farão qualquer coisa. Se você adquire o controle das pessoas certas, comece uma guerra, assuma um silo de projetil nuclear ativo, cause uma escassez, envenene um abastecimento de água de cidades. Olhe para Hitler! Ele matou milhões de judeus. Stalin matou milhões das próprias pessoas dele. Sim, este é o inferno e você pode trepidar sua ira em cima de qualquer um dos cordeirinhos.

Mulder coloca o caderno do xerife sobre a mesa. Perde o olhar no nada, como um perdedor. Leva a semente de girassol à boca.

STEPHANENKO (OFF): - Espero que aprenda a não julgar pelas aparências. Não há regras pra nada na natureza humana, agente Mulder 'o esperto'. Eu parecia ser um tira estúpido. Mas eu sou um assassino. Eu enganei você. E agora estou rindo há quilômetros daqui, planejando quantas vagabundas vou estraçalhar.


X


29/06/2001

17 de Agosto de 2019 às 23:20 7 Denunciar Insira Seguir história
1
Fim

Conheça o autor

Lara One As fanfics da One são escritas em forma de roteiro adaptado, em episódios e dispostas por temporadas, como uma série de verdade. Uma alternativa shipper à mitologia da série de televisão Arquivo X. https://www.facebook.com/laraone1

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Publique!
Karimy Lubarino Karimy Lubarino
Olá, autora! Houve um probleminha e infelizmente o conteúdo da história não se encontra publicado.
December 18, 2019, 14:33

  • Lara One Lara One
    Qual probleminha? December 18, 2019, 16:16
  • Karimy Lubarino Karimy Lubarino
    Pode ser que seu capítulo não tenha ficado salvo antes da publicação e por isso ele não apareceu depois que o status foi modificado de "Rascunho" para "Publicado". A fim de evitar que isso ocorra, você pode clicar em "Salvar", no lado esquerdo do painel de edição do capítulo, antes de publicar. December 18, 2019, 16:18
  • Lara One Lara One
    Obrigada Karimy!!! <3 December 18, 2019, 16:21
  • Karimy Lubarino Karimy Lubarino
    Imagina. Caso haja algum outro problema ou dúvida, basta me contatar. December 18, 2019, 16:22
  • Lara One Lara One
    Histórias arrumadas, Karimy! Muito obrigada, vou observar isso de agora em diante. Beijos! December 18, 2019, 17:09
  • Karimy Lubarino Karimy Lubarino
    Fico feliz que tenha dado tudo certo! ❤ December 18, 2019, 17:16
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