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pcchany yuuki

"E finalmente as nuvens escuras rebentaram numa chuva grossa, chorando as lágrimas que Byun Baekhyun se esforçava por conter na frente de Oh Sehun". | chan + baek | | homossexualidade + insinuação de sexo |


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chá de hortelã-pimenta

O dia começou com todos os indícios de que choveria mais tarde. O céu estava coberto de nuvens cinzentas, carregadas de água, e ar estava húmido. Não fazia tanto frio quanto no dia anterior, mas a temperatura ainda era baixa, obrigando Baekhyun a calçar dois pares de meias por dentro das botas e a usar um par de luvas.

Aquelas malditas luvas!

Haviam sido oferecidas por Chanyeol no Natal do ano passado.

"Para não andares mais com as mãos frias" disse o moreno. E Baekhyun calçou as luvas, esboçando um sorriso rasgado enquanto as apreciava nas suas mãos. No fim das contas, ele adorava luvas para o frio, gorros e cachecóis. Gostava de se sentir aquecido nos dias frios de inverno. Mas agora nem as luvas o conseguiam manter quente; nem os dois pares de meias ou todas aquelas camisolas que trazia vestidas por debaixo do casaco quente.

Soltou o ar que tinha nos pulmões pela boca, vendo uma nuvem de vapor formar-se em frente ao rosto. Estava realmente frio, e Chanyeol não estava mais ali para o aquecer.

O sino por cima da porta do café tocou quando Baekhyun abriu a porta do pequeno estabelecimento aquecido e com um cheiro gostoso a pão quente e canela. Era um cheiro familiar e acolhedor, ótimo para dias frios de inverno.

Jihee sorriu na sua direção quando o viu entrar, e Baekhyun retribuiu o sorriso para a senhora idosa do outro lado do balcão.

— Vai ser o mesmo de sempre? — a senhora perguntou ainda com um sorriso doce nos lábios. O loiro assentiu com a cabeça, e Jihee começou a preparar o seu chá de hortelã-pimenta e torradas com manteiga.

Baekhyun despiu o casaco e pendurou-o nas costas da cadeira. Sentou-se e pousou as mãos sobre o tampo da mesa, observando com atenção as luvas rosa suave com um padrão de riscas e flocos de neve brancos. Talvez elas fossem ridículas, mas Baekhyun havia gostado delas assim que as viu pela primeira vez; quando se desfez do pedaço de papel de embrulho vermelho que as envolvia.

O sorriso de Chanyeol emergiu das memórias que tanto se esforçava por esquecer. Vi-o naquele exato momento, na troca de presentes no ano passado. A camisola quentinha de lã azul escura, os cabelos castanhos que lhe caiam em ondas sobre a testa, os cantos dos lábios levantados, mostrando os dentes alinhados no sorriso mais bonito que Byun algumas vez tinha visto, e os olhos grandes e escuros ficarem mais pequeninos.

Baekhyun suspirou, retirando finalmente as luvas. Deixou-as num canto da mesa. Agradeceu a Jihee quando a mesma lhe trouxe o chá e as torradas.

O sino por cima da porta tiniu poucos minutos depois, e a figura alta de Oh Sehun surgiu por trás da porta do café. Olhou em volta, procurando Baekhyun e, quando o encontrou, esboçou um sorriso fechado, acenando na sua direção. Aproximou-se do balcão, fazendo o seu pedido, e depois caminhou até ao loiro, deixando-lhe um beijo nos lábios. Sentou-se de frente para Baekhyun, e o mesmo obrigou-se a sorrir.

— Hortelã-pimenta? — questionou, apontando com o dedo indicador a chávena em cima da mesa. Beakhyun fez que sim com a cabeça, e Sehun fez uma careta engraçada. O loiro permitiu-se rir, ainda que a situação não tivesse graça alguma.

Chanyeol adorava tomar chá.

Sehun preferia café!

O pedido de Sehun foi posto sobre a mesa por Jihee, e o cheiro do café amargo adentrou as narinas do loiro. Era agradável – delicioso, para dizer a verdade – mas Baekhyun não gostava do seu sabor. Ainda preferia o chá, mesmo que a cada gole relembrasse o gosto de Park Chanyeol.

Suspirou, dizendo para si mesmo que precisava de afastar aqueles pensamentos sobre Chanyeol. Não era costume isso acontecer com frequência, mas tinha dias em que as memórias de Chanyeol se sobrepunham a tudo, como uma assombração que não o deixava nem por um segundo.

— Tudo bem? — Sehun inclinou-se na direção de Baekhyun e olhou-o com preocupação. — Pareces distante. — observou, voltando a endireitar-se na cadeira. Levou a caneca de café aos lábios, sorvendo o líquido quente.

— Não, está tudo bem. — o loiro sorriu prontamente, dando uma dentada na sua torrada. — Como correram as coisas no atelier? Muito trabalho? — perguntou ainda de boca cheia, procurando desviar a atenção de Sehun.

Sehun mostrar um sorriso aberto, dando a entender que tudo estava a ir bem.

— Tudo ótimo! O trabalho está quase concluído. — sorriu orgulhoso, e Baekhyun deu mais uma trinca no pão torrado. — Amanhã é a data limite para a entrega e estou feliz por saber que vou conseguir cumprir o prazo.

Sehun estava a fazer um curso de arte aos fins de semana. Alias, havia sido assim que tinha conhecido Baekhyun: num dia solarengo de maio, quando viu o Byun pintar na tela branca uma cidade sob o azul escuro da noite, iluminada por pontinhos amarelos, laranjas e vermelhos que serviam de janelas aos altos arranha céus e luzes de neons. As calças escuras estavam salpicadas de minúsculas gotas de tinta vermelha, o seu rosto sustentava uma bela expressão de máxima concentração e a sua mão segurava o pincel com um misto de firmeza e suavidade, fazendo movimentos ágeis sobre a tela.

Baekhyun era tão bonito, e Sehun não pode deixar de o convidar para sair. Felizmente para si, o loiro havia aceite o seu convite e, cerca de sete meses mais tarde, Sehun sentia-se o homem mais sortudo do mundo por ainda se encontrar com Baekhyun.

Um mês depois de terem saído pela primeira vez, Baekhyun anunciou que iria abandonar o curso de arte. Disse a Sehun que não perguntasse o porquê, porque ele não iria revelar, e Sehun assentiu com a cabeça, ainda que estivesse a morrer de curiosidade por saber qual motivo levaria Byun a abandonar o curso quando, com toda a certeza, ele era um ótimo pintor. Muito melhor do que Sehun ou qualquer outro inscrito. E Baekhyun tinha noção disso. Sabia que tinha talento, mas não quis mais pintar quando percebeu que, de alguma forma, todos os seus trabalhos estavam ligados a Park Chanyeol. Era altura de o esquecer. Não podia mais ficar noites inteiras a repetir na sua mente o momento em que Chanyeol lhe voltou as costas antes de dizer "Eu lamento, mas vamos acabar".

E como doía.

Porém, sempre que tomava a decisão de o esquecer, não tinha a certeza se isso era realmente o mais acertado a fazer. Doía pensar em Chanyeol, mas parecia doer mais esquecê-lo. Não podia riscar todas as boas recordações que tinha com o moreno; todas as noites em que se esgueirava de casa às escondidas para casa de Chanyeol para dormirem juntos e passarem manhãs de domingo preguiçosas por entre lençóis quentes; os beijos que haviam trocado e o calor que sentia quando Chanyeol o tocava; todas as vezes que sentia o ar ser roubado dos pulmões depois de mais uma declaração do namorado.

"Eu amo-te, Baekhyun"

Acreditava que Chanyeol o tivesse amado de verdade naquela altura e isso era o suficiente para o fazer sempre reconsiderar. Não podia esquecer! Sentia que não podia simplesmente seguir em frente como se Chanyeol não tivesse significado nada para si.

Assustou-se quando sentiu uma mão pousar sobre a sua, afastando-se do toque e erguendo o rosto para a frente, encontrando Sehun com uma expressão confusa – a testa ligeiramente enrugada e os lábios entreabertos, como se estivesse para perguntar alguma coisa.

— Desculpa. Estava só a pensar em algo sem importância. — desculpou-se, sorrindo na sua direção. Queria mostrar que estava tudo bem, mesmo que a sua mente estivesse a ser assombrada por Park Chanyeol.

Raios do Park Chanyeol!

Sentiria também ele a falta de Baekhyun? Estaria ele arrependido de ter terminado aquele relacionamento?

Baek perguntava-se todas as noites.

Mas tinha Sehun. Não se podia dar ao luxo de pensar noutro homem quando andava a sair com alguém. Isso não lhe parecia justo.

Mas era inevitável.

— Tens a certeza? — Sehun perguntou, querendo certificar-se de que Baekhyun estava realmente bem. O loiro confirmou com a cabeça.

— Além do mais, estou um pouco cansado. Dormi mal a noite passada. — mentiu, querendo tranquilizar Sehun.

Sehun.

Baekhyun aceitou o seu pedido naquela tarde porque lhe agradou o sorriso e o jeito de Sehun. Gostou de como as calças pretas justas lhe assentavam bem nas pernas longas e de como o cabelo escuro lhe caia dividido sobre a testa. Aceitou porque lhe pareceu uma boa ideia estar na companhia de outra pessoa. Aceitou porque sentia falta de Chanyeol e pensou que outra pessoa poderia substituí-lo, ocupando o espaço vazio que este havia deixado.

Dormiu com Sehun algumas noites mais tarde. O sexo fora bom, mas Sehun não era Chanyeol. A pele nua de Sehun sobre a sua, os dedos curiosos que lhe percorriam o corpo num desejo lascivo, os lábios que lhe beijavam o peito e o pescoço...mas não era igual ao toque de Chanyeol.

Pior! Não sentiu o ar ser roubado dos pulmões quando Sehun se declarou.

"Eu amo-te, Baekhyun", mas Baekhyun só conseguiu sentir-me triste porque Sehun não era Chanyeol; porque ele não o podia amar de volta. E Sehun sorriu, dizendo que estava tudo bem, mas Baekhyun sabia que não estava. Nada estava bem.

E pensou, naquele exato momento, ali, sentados frente a frente no café que costumavam frequentar, com uma caneca de chá de hortelã-pimenta, um prato com uma torrada meio comida e uma caneca cheia de café, em terminar tudo o que tinha com Sehun.

"Eu lamento, mas vamos acabar".

Poderia ele dizer as mesmas palavras que Park Chanyeol lhe havia dito há cerca um ano atrás? Poderia ele deixar Sehun, assim como havia sido deixado por Chanyeol?

— Eu amo-te.

Sehun arregalou os olhos e fitou Baekhyun, permanecendo em silêncio por longos instantes. Estava surpreso com aquela declaração repentina. Depois sorriu. O rosto iluminado numa fileira de dentes alinhados. Um sorriso tão grande que parecia conter toda a felicidade do mundo.

— Porquê isso agora? — Sehun estava confuso. — Quer dizer, tão de repente... Não estava à espera. — confessou, passando uma mão pelos cabelos escuros, ainda com um sorriso bobo nos lábios. Toda aquela felicidade parecia não caber em si e o coração pulava no peito como um louco.

E Baekhyun sorriu. Provavelmente o sorriso mais forçado que alguma vez se vira obrigado a fazer, esforçando-se ao máximo por parecer genuíno. Queria que as suas palavras estivessem carregadas de sentimento, mas eram apenas vazias de significado.

Não amava Sehun, mas não tinha coragem de o deixar. Não queria fazer com Sehun o que Chanyeol lhe fizera e também não queria ficar sozinho. Tinha medo da solidão.

Ainda que Sehun não fosse Chanyeol, que as suas declarações fossem uma farsa e que o beijasse a pensar em Chanyeol.

Nunca deixaria de beber chá. O chá trazia-lhe Park Chanyeol de volta a cada gole, como se este entranhasse o seu corpo e os dois se fundissem em apenas um corpo. E Baekhyun não pretendia livrar-se de Chanyeol. Mesmo que fosse Sehun que estivesse para sempre do seu lado.

E finalmente as nuvens escuras rebentaram numa chuva grossa, chorando as lágrimas que Byun Baekhyun se esforçava por conter na frente de Oh Sehun.

15 de Agosto de 2019 às 22:28 0 Denunciar Insira 0
Fim

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