As Escolhidas Seguir história

autora-j-s-dumont1565527459 Jessica Santos

Claire Adams sempre soube que não é uma garota muito normal, além de atrapalhada, coisas estranhas acontecem com ela frequentemente, porém, as coisas começam a chegar ao seu limite quando um dia a caminho da escola ela depara-se com um homem de sobretudo no meio da rua, que lhe entrega uma estranha carta, na qual lhe é feito uma revelação: Ela é uma bruxa e seus poderes estão em desenvolvimento. E se isso já não bastasse e fosse estranho demais, ainda ela foi uma das escolhidas para participar de uma seleção onde escolherão a futura princesa do Paraíso Celestial, ou seja, a futura esposa do príncipe bruxo Christopher Hoover. Claire não gosta nada da ideia, afinal, seus planos sempre foram ficar com Damon, seu amor platônico da escola, e quando ele finalmente começa a lhe dar bola (embora esteja enfeitiçado), ela tem o azar de ser obrigada a abandonar tudo para ir para um castelo disputar o amor de um príncipe que ela sequer conhece. Embora o Paraíso Celestial seja um lugar encantador, Claire só quer voltar para sua vida de antes e para se livrar disso e voltar para sua casa, ela tem uma ideia, ela vai para o castelo, mas fará de tudo para que Christopher lhe dê um fora, nem que tenha que fazer o príncipe bruxo odiá-la. Só que o que ela não esperava, é que Christopher demonstrasse interesse por ela, e por mais que ela tentasse se afastar dele mais ele demonstra interessado, e ainda disposto a deixá-la na disputa. Preparem-se isso trará muita mais muita confusão.


Ficção adolescente Todo o público.

#258 #fantasia
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O homem de sobretudo

TERÇA-FEIRA, 26 DE SETEMBRO.

Coisas estranhas acontecem comigo o tempo todo, mas parece que coisas estranhas e ruins decidiram acontecer todas juntas no mesmo dia.

Como de costume eu acordei ás cinco horas da manhã, com o despertador do meu celular tocando a musica 7 rings da Ariana Grande, eu bocejei, em seguida cocei os meus olhos e peguei o celular embaixo do meu travesseiro, o desliguei rapidamente, deitei novamente a minha cabeça no travesseiro e senti uma forte vontade de dormir por pelo menos mais uns quinze minutos.

Devo admitir que eu fiquei tão tentada a isso que quase o fiz, mas na hora a consciência falou mais alto, não, eu não poderia dormir mais, eu teria que me levantar, me arrumar e ir para a escola. Bufando, levantei da minha cama falando para mim mesma: Calma Claire falta somente sete meses e duas semanas para me livrar desse inferno. Tenha só mais um pouco de paciência.

E então lá fui eu tomar um longo banho para tirar um pouco a cara de morta que eu estava ficando por tantas poucas horas de sono dormidas. - É acordar todos os dias ás cinco da manhã, depois de ter ido dormir ás uma estava acabando com a minha beleza - lavei bem o meu rosto com sabonete como se ele pudesse tirar as olheiras, em seguida sai do chuveiro e ao me vestir e me olhar no espelho, eu reparei em um detalhe no meu rosto. O primeiro sinal de azar daquele dia, havia uma baita de uma espinha na ponta do meu nariz. Eu disse espinha? Ok eu estou sendo delicada, isso está parecendo um baita de um tumor.

- AH NÃO! - dei um grito desesperado, enquanto aproximava mais do espelho, aquilo era um terror. Se não já me bastasse á cara de morta, o cabelo ressecado e as olheiras que fazia parecer que tomei um soco nos olhos, agora havia um tumor na ponta do meu nariz. Que lugar mais inconveniente para nascer uma espinha!

Vamos dizer que após ver esse quase tumor, eu perdi quase vinte minutos só tentando tampar a espinha com a minha base, mas o trabalho não ficou muito bom, além dela ainda continuar aparecendo eu já estava atrasada para a escola. Mas preciso fazer uma observação, eu não estaria atrasada se eu tivesse um carro é lógico, mas não, eu tinha que ir caminhando. Faz bem para saúde e ajuda a manter o meu peso. Pelo menos é o que minha mãe diz toda vez que eu protesto por ela e meu pai não quererem me dar um carro. Mas eles tinham uma grande razão para isso, pelo menos era o que eles diziam: Hoje ninguém quer mais usar as pernas, querem usar o carro até para comprarem uma rosquinha na padaria. E segundo eles para que andar tanto de carro se você pode ter uma vida saudável fazendo exercícios físicos?

É que claro, além de eu ser a aberração da escola, estar com uma aparência deplorável por dormir tão pouco, eu ainda tinha que ser a diferente e ir andando para a escola todos os dias, enquanto todos os demais alunos podiam se exibir com os seus carros. Era frustrante, muito frustrante mesmo.

Eu pensava nesse meu azar enquanto saia ás pressas de casa, não tive tempo nem de tomar o café da manhã, peguei apenas uma maça - que é o que mais tinha na cozinha da minha casa - e sai em disparada em direção á rua, enquanto ajeitava a mochila nas minhas costas, sai tão rápido que eu nem vi que havia um gato preto parado em frente a minha casa, escutei apenas o miado dele quando quase o atropelei com as minhas pernas, ao notá-lo o olhei por alguns segundos. Percebi que ele se sentou e ficou olhando diretamente para mim, arqueei as sobrancelhas enquanto ainda o olhava, eu nunca fui muito fã de gatos, e me dava uma má impressão ele ficar me encarando dessa forma. Mas, simplesmente ignorei esse fato, dei de ombros e então comecei a caminhar em direção a escola.

Durante o trajeto eu comecei a pensar em quantas vezes terei que fazer esse caminho até terminar o meu ultimo ano no colégio, eu estava começando a fazer um calculo mental quando notei a presença de alguém. Parei de andar no mesmo momento e o encarei.

Um pouco mais a frente, parado na esquina havia um homem com aparência de cinquenta anos, ele tinha cabelos meio grisalhos, a estatura alta e o corpo esbelto. Ele olhava diretamente para mim, mas o estranho não era nem isso, mas sim que ele estava usando um sobretudo preto e botas em pleno ao calor de trinta e poucos graus.

E o pior é que ele olhava diretamente para mim como se tivesse algum tipo de interesse. Poderia ser um louco, é só um louco para se vestir assim, ou poderia ser um velho safado, é possível já que existem muitos homens de cinquenta anos olhando para mocinhas de dezessete, ainda mais mocinhas indefesas como eu.

Enquanto o analisava, eu agradeci mentalmente por estar com meu spray de pimenta que meu pai sempre insistia para que eu levasse comigo, e eu já estava decidida a tacar o spray bem na cara dele se ele fizesse algum tipo de gracinha.

Respirei fundo e continuei me aproximando, agora numa velocidade menor, ele continuava me encarando e quando eu estava bem próxima ele sorriu para mim, e eu já pensei: sim ele vai me cantar. É não seria o primeiro velho a fazer isso, mas seria o primeiro velho esquisito que parece não sentir calor. Continuei caminhando e quando estava bem próxima, eu passei por ele quase correndo, ele não disse nada então quando eu estava numa distancia razoável, eu olhei para trás e notei que ele continuava parado, me olhando fixamente, mesmo ele não tendo me cantado, ele continuava me olhando e sequer se moveu, seu olhar era estranho, muito estranho mesmo.

Com certeza é um maluco, só um louco para vestir-se da forma em que ele se veste nesse calor todo. Sacudi a cabeça e continuei a caminhada em direção á escola, estava decidida a fazer mais uma reunião com os meus pais e insistir para que eles comprassem um carro para mim, se eu tivesse um carro nesse exato momento eu ainda estaria pensando em acordar e não caminhando pelas ruas a mercê de homens malucos.

***

Terminar o trajeto para a escola não seria tão difícil se eu não tivesse começado a ser perseguida por gatos. Sim mais uma coisa esquisita aconteceu comigo nessa manhã, os gatos pareceram que criaram certa adoração por mim, não sei se eles estavam achando que sou um passarinho ou um peixe, certamente não sei. Só sei que quase todos os gatos da vizinhança começaram a me olhar e a me seguir, miando para mim como se quisessem alguma coisa. Será que tenho cara de defensora de gatos ou algo assim?

Só sei que foi difícil até caminhar com os gatos parando em volta de mim, alguns colocaram suas patas em minhas pernas e um até tentou pular em meu colo, suas unhas enormes chegaram a bater em minha barriga, fazendo-me gritar e dar um pulo para trás, tive que me equilibrar para não cair sentada no meio da rua e passar mais vergonha do que já estava passando por estar sendo seguida por um monte de bichanos.

Olhei para os lados, envergonhada com a situação e notei que as pessoas me olhavam de um jeito estranho, também não é muito normal uma pessoa ser perseguida por um bando de gatos. Tentei me desviar e sai quase correndo para fugir deles, alguns vieram atrás de mim, e só me livrei quando cheguei á escola e entrei nela correndo.

E enquanto corria eu estava tão desesperada que até cheguei a esbarrar em alguns alunos que me olharam com aquele olhar que se pudesse falar diria o seguinte: Garota, você é muito esquisitona.

Mas pelo menos entrar correndo na escola funcionou, acho que eles me perderam de vista, também com tantos alunos seria como procurar uma agulha num palheiro. Para minha sorte é claro.

E fora assim que iniciou a minha manhã. Com o passar das aulas, eu acabei me esquecendo do cara esquisito e da perseguição felina, também é fácil se esquecer das coisas desagradáveis quando estamos olhando para o nosso parceiro ideal. Com certeza Damon Williams é meu parceiro ideal.

Quem é Damon Williams? Simplesmente Damon Williams é o garoto mais lindo, maravilhoso e perfeito que já conheci em toda minha vida. Com a pele bronzeada, cabelos lisos, negros e sempre bem penteados, olhos escuros, um sorriso sexy com dentes tão bem alinhados e brancos, e o corpo, que corpo, eu me perderia naquele corpo tão perfeito, com a barriga tão bem definida e músculos belíssimos... Resumindo: Olhar para ele fazia bem aos olhos de qualquer mulher.

- Tem uma coisa preta no meio do seu dente! - minha melhor amiga Elena comentou fazendo-me acordar dos meus pensamentos, dei um suspiro e apenas passei a unha no meu dente tentando tirar o pedaço de cupcake que eu havia comido enquanto estava assistindo a aula entediante de álgebra. Depois, continuei olhando para o meu príncipe, ele estava encostado em seu armário conversando com seus melhores amigos, o Caleb e o Bryan. Eles eram bonitos, mas não chegava aos pés do meu futuro namorado.

Sim eu estava decidida que nesse ano seria diferente, não seria igual o ano passado, eu não queria ficar apenas admirando-o de longe, eu queria chegar e falar com ele, era meu ultimo ano. Era agora ou nunca. Se eu não conseguisse evoluir em nossa relação, tá legal vamos ser realistas, que relação? Eu não tinha nenhum tipo de relação com ele, deixa então eu procurar as palavras certas, se eu não tentasse ter algum tipo de relação com ele, depois da formatura eu nunca mais o veria. E ai adeus futuro marido, casamento na praia, lua de mel em Paris, três filhos, dois cachorros e o feliz para sempre. Sim eu já havia planejado todo meu futuro com ele, agora só faltava ele saber.

- Se a nojenta da Spencer ver você secando assim o namorado dela ela não vai gostar nada... - Elena me avisou, e então eu a olhei.

Ela parecia preocupada, muito preocupada, eu até sabia o porque, não era legal ter Spencer como inimiga, tivemos essa experiência ano passado e não havia sido nada bom, mas na realidade não fomos inimigas por causa do Damon - quem dera se tivesse sido por causa dele - foi porque acidentalmente derrubei minha bandeja de comida bem na roupa cara dela - mentira ela comprou na liquidação, vi uma igualzinha na loja e não era cem dólares como ela havia falado, era cinquenta -. Mas isso já foi suficiente para ela fazer a minha vida e a de Elena um verdadeiro inferno, por um bom tempo.

- Ela só o quer para ser a rainha dos bailes, se ele notasse o quanto ele está sendo usado por aquela sugadora de popularidade... - eu respondi dando um suspiro. Sim, ela parecia um carrapato sugador de sangue, o pobre Damon estava sendo todo sugado por aquela cobra, eu queria tanto dizer isso a ele, eu queria tanto dizer que comigo as coisas seriam diferentes, e principalmente que para mim diferente dela, não importa que ele é o cara mais popular do ultimo ano, eu gosto dele pelo que ele é.

Dei um suspiro triste, e me virei em direção ao meu armário, o abri e peguei o meu caderno.

- Você não acha que está na hora de você deixar para lá esse amor platônico?... - Elena aconselhou, na verdade ela aconselhava isso todos os anos. Todos os meses, todas as semanas, pensando bem, todos os dias. Eu me virei para olhá-la. - Qual é Claire? Você gosta dele desde a quarta série e desde a quinta ele namora a nojenta da Spencer, vocês nunca falaram nada um com o outro que não fosse: com licença quando um está na frente do outro, ou um desculpa quando se esbarram sem querer, ah claro e um obrigado quando você ou ele são escolhidos para entregar a prova do professor Kyler!

Eu tentei fuzilar Elena com o olhar, mas o pior é que ela tinha razão, Damon deve nem saber o meu nome. Também popular, atleta, namora a cobra da líder de torcida que todos os garotos ficam babando, por que olharia para mim, a atrapalhada Claire Adams? Que sempre faz cagadas e consegue fazer tudo a sua volta transformar-se em um desastre total?

É, parece que a palavra "desastre" me segue como se fosse uma sombra, quando tudo está numa boa tem que acontecer alguma coisa comigo. Hoje foi a prova disso, talvez se Damon prestasse atenção em mim, perceberia esse meu grave defeito. Com certeza me acharia uma retardada.

Mas Elena dizer para eu deixar de pensar em Damon é a mesma coisa do que dizer para eu parar de respirar. É uma tarefa impossível.

- Você fala como se fosse à coisa mais fácil do mundo... - eu disse, enquanto retornava para a minha tarefa de guardar o caderno na mochila e fechar o meu armário.

- Ele é bonito, é verdade, mas como você pode gostar de um garoto que você nem conhece direito?... Não tem lógica!

Elena tentava sempre arrumar lógica para tudo, ela acha que sentimentos é a mesma coisa do que a matemática, todo detalhe consegue ser muito bem explicado em cálculos matemáticos. Isso é porque Elena é uma garota inteligente, muito inteligente, preocupa-se muito com notas e livros, garotos sempre esteve em segundo plano, sorte a dela é claro.

Mas mesmo assim ela não deixava de ser bonita. Com sua pele branca, cabelos ruivos, lisos e compridos, olhos verdes e grandes, um sorriso encantador. Ela só era poucos centímetros mais alta do que eu e tinha seios tão fartos que acredito que invejaria até as lideres de torcida, mas ela costuma esconde-los muito bem com as blusas largas que ela costuma usar.

E como sempre ela tinha razão. Pode ser até verdade que é um pouco estranho eu estar apaixonada por um cara que eu nem conheço direito, mas simplesmente eu gosto dele, é algo que não tem explicação.

- Eu não consigo explicar Elena, simplesmente eu gosto dele, não é algo que você pode simplesmente apertar um botão e parar de sentir o que sente... - respondi, dando uma ultima olhada nele.

Quem dera se fosse assim... Mas era só olhar para ele, que eu sentia meu coração disparar e o meu corpo ficava tão mole como se fosse derreter cada vez que eu o via sorrir com aquele sorriso tão doce, ou quando ele passa as mãos nos cabelos de um jeito sexy e ainda quando ele anda como se estivesse desfilando em uma passarela. Ele é tão perfeito.

- A minha teoria é que você sente um amor platônico por ele, é como se ele fosse um ator de Hollywood que você idolatra!- ela concluiu.

- Mesmo que fosse, o que você gostaria que eu fizesse? - eu perguntei.

- Bom, já que você acha que não conseguiria esquecê-lo, por que você não fala logo com ele então? - ela sugeriu. - Seria a forma mais fácil de você se desencantar ou quem sabe se encantar mais por ele, é melhor saber logo de uma vez do que ficar na duvida, não acha?

Eu olhei para ele pensando seriamente nessa possibilidade, mas se eu me aproximasse o que eu poderia dizer? Não teria nem o que falar para ele, eu não posso simplesmente chegar e dizer "olá", ninguém fala assim com um garoto popular.

- Vai lá e fala com ele! - Elena incentivou e deu uma leve empurrada em mim.

Engoli em seco e pensei por alguns segundos.

- Você falou que a Spencer não ia gostar nada de me ver secando o Damon, imagina se ela me visse falando com ele?

- Bom, eu não gosto dela infernizando nós, mas se você não se importa... - ela deu de ombros. - Você não vai querer ficar assim a vida toda ou vai? Anda e fala logo com ele...

Ela novamente me deu um empurrão de leve. Eu voltei a olhá-lo. Agora os amigos dele despediam-se dele e se afastavam, ele se virou e então abriu o seu armário, aquele parecia ser o momento perfeito.

Eu iria me aproximar e... E... E eu não sei, eu não sei o que poderia falar para ele, mas ai eu poderia pensar na hora, dizer a primeira coisa que passasse pela minha cabeça, não, se eu falasse a primeira coisa que passasse pela minha cabeça eu iria assustá-lo.

- Vai Claire, não temos o dia todo! - Elena disse impaciente. Naquele momento eu senti uma grande vontade de pular no pescoço dela.

Respirei fundo para me acalmar e decidi me aproximar dele, ele estava sozinho e bem próximo de mim, eu só tinha essa chance para falar com ele. Eu tinha que aproveitá-la.

Sem querer pensar em mais nada, para não desistir, eu me aproximei, passo por passo, cada passo que eu dava em direção a ele, mais nervosismo eu sentia. Eu estava ficando aflita, minhas pernas tremiam e eu faltava tropeçar, agora faltava pouco, poucos metros, daqui a pouco seriam centímetros.

Até que então, ela passou pelo meu lado e tomou a minha frente, parando na frente do Damon e jogou-se em seus braços. Ela... A estraga prazeres Spencer King.

Com aquele rostinho de barbie, aqueles cabelos negros, luminosos, sedosos e compridos, corpo tão esbelto que poderia ser confundido com uma caveira humana. Ela era a "garota perfeita" da escola. Todos a queriam, mas infelizmente ela escolheu o Damon e isso já faz muito tempo.

- É... Eu acho que vou vomitar... - comentei para mim mesma, me virando e voltando até a Elena.

Ela discordou com a cabeça, parecia decepcionada.

- Eu disse para não demorar... - ela respondeu.

Suspirei. Foi melhor assim, afinal, se Spencer tivesse aparecido na hora que eu tivesse falando com ele seria bem pior.

- Bom, vamos para a aula... - eu falei um pouco desapontada. Apesar de tudo, novamente perdi uma oportunidade. Mas quem sabe na próxima...

***

As aulas daquele dia não foram diferentes, na verdade foram entediantes e chatas que nem a de todos os dias, eu sabia que um dia eu poderia acabar é morrendo de tanto tédio. Para mim era estranho observar os alunos prestando tanta atenção, anotando cada palavra que o professor falava, e se perguntando como ele chegou a aquela conclusão. Para mim tudo parecia fácil, obvio demais, como se tudo que ele falasse eu já soubesse, então nunca tive o prazer de me preocupar com aulas e notas, o que tornava as aulas um verdadeiro tédio.

Eu sempre achei um tanto anormal eu conseguir saber das coisas e tirar boas notas sem nunca ter precisado pegar num livro, sem nunca precisar prestar tanta atenção no professor como os demais alunos, eu simplesmente guardava facilmente os conteúdos e não precisava ficar me matando de estudar como a Elena, que era muito inteligente porque estudava muito para isso. Ela invejava essa minha capacidade.

Eu até a compreendia, afinal muitos invejariam essa minha capacidade, mas para mim isso não era tão bom, isso tornava a escola interessante apenas por poder ver Damon e ter a companhia de Elena a única pessoa com quem eu conseguia me encaixar. Isso porque eu tinha um grande problema de me adaptar com as pessoas, não que eu não quisesse a companhia delas, só que ás vezes parece que somos de outros mundos.

Não preciso nem dizer que essa minha dificuldade de adaptação me tornava uma pessoa ainda mais anormal, além de eu ser perseguida por desastres, e agora também por gatos, eu também vivo parecendo uma idiota para todas as pessoas, principalmente as que têm a minha idade. Ai, eu me pergunto: Como conseguirei chamar a atenção de Damon com esses meus problemas?

- Ai, Claire por que você não me conta como consegue fazer isso! - Elena insistia pela milésima vez para eu contar a ela como conseguia tirar tão boas notas e saber tanto, sem a necessidade dos estudos.

Qualquer um que se preocupasse com notas gostaria de saber isso.

- Eu já disse que simplesmente consigo guardar tudo com mais facilidade, não tem explicação... - eu respondi, já ficando cansada desse assunto. Era um tanto chato ficar discutindo uma anormalidade minha.

Estávamos saindo da escola e indo em direção ao carro de Elena, ela iria me dar uma carona, o que me deixava aliviada, assim eu não corria o risco de novamente ser seguida pelos gatos e também de ver aquele sujeito misterioso. Bom, era o que eu pensava, até quando novamente eu o vi.

Sim, ele estava em frente a minha escola, com as mãos no bolso, quando me viu novamente me olhou com um olhar de interesse, naquele momento comecei a pensar na possibilidade dele sei lá, ser um fantasma? Só faltava essa, agora eu poderia ver pessoas mortas também...

- Elena, você está vendo aquele cara ali vestido com um sobretudo preto? - eu perguntei para Elena, enquanto ainda caminhávamos em direção ao carro dela, que para ser mais assustador ainda, estava estacionado apenas poucos metros de distancia dele.

Ela olhou para o homem e para o meu desespero, ela parecia ter visto ele... Não, ele não era um fantasma, então só poderia ser um psicopata.

- Sim, por quê? - ela perguntou e agora abria a porta do carro.

Engoli em seco e novamente olhei para o homem e o observei com mais atenção, notei que realmente ele era muito alto, mais ou menos um metro e oitenta, os ombros eram também muito largos e a pele é morena, os olhos dele foram o que me chamou mais atenção, era muito escuros assim como o cabelo, com exceção aos fios brancos, e o pior é que ele parecia meio assustador, era mais assustador ainda por eu ter a impressão de que ele está me perseguindo.

Enquanto ele me olhava, ele parecia pegar algo dentro do seu bolso, arregalei os olhos e pensei em me jogar no chão, afinal, só poderia ser uma arma, o jeito que eu sou azarada ele só poderia estar querendo me matar.

Mas antes de eu poder passar o comando para o meu corpo, ele tirou o objeto do bolso, não era uma arma, mas sim uma câmera fotográfica.

- Ahm? - eu fiz para mim mesma, com certeza devo ter ficado com uma cara de retardada.

Ele ligou a câmera, a colocou no rosto e tirou uma foto, uma foto de mim.

- Hei Claire, vai ficar ai o dia todo? Vamos! - Elena me chamou.

Boquiaberta eu me virei e entrei no carro dela, fechando a porta em seguida.

- Ele tirou uma foto minha... - eu disse incrédula.

- Ele quem? - ela perguntou.

- O cara do sobretudo preto, ele é louco, ele está me perseguindo! - eu falei, já ficando assustada com a atitude dele.

Aquilo não era normal... Não era normal mesmo...

- Você deixou que o cara tirasse uma foto sua? - ela perguntou, ficando assustada, então começou a procurá-lo pela janela do carro.

Eu assim como ela fiz o mesmo, mas não o encontramos, ele já tinha desaparecido.

- Por que ele queria uma foto minha? - eu perguntei, mas para mim mesma do que para ela.

- Bom, você não é nenhuma popstar, só se ele te confundiu com alguma famosa... - Elena deu de ombros e então ligou o carro.

Eu discordei com a cabeça, inconformada. Eu não lembrava nenhuma cantora e nem uma atriz de Hollywood. Não que eu me considerasse feia ou coisa do tipo. - Apesar de que nesses últimos dias eu não estava nos meus melhores momentos e meu cabelo estava um óóó!!! - Mas posso dizer que bem, sou uma garota comum. Pelo menos minha aparência mostrava isso. Sou branca e tenho algumas sardas que me incomoda um pouco, mas a base conseguia esconde-la muito bem, meus olhos são azuis e é o que mais gosto em mim, meus cabelos são castanhos claros, e são sua cor natural, o que me irrita nele é apenas a demora para crescer, ele ia até a metade das costas - isso porque já faz décadas que não corto. Já o meu corpo eu não tinha também o que reclamar, podia comer o que quisesse que não engordava, mas também não era uma esquelética, tinha curvas que eu gostava e que ficava ótimo na hora de colocar um vestido e já cheguei a receber bastante elogios em relação as minhas pernas. Talvez as caminhadas realmente ajudassem.

Mas definitivamente eu não lembrava nenhuma famosa que eu conhecesse, não teria razão para ele ter tirado uma foto minha. Sim, então por isso eu podia afirmar que esse dia estava mais estranho do que de costume.

*********
Oi gente sejam bem vindos a minha história, ela é mega importante para mim, será bem divertida e adoraria que acompanhassem e comentassem e votasse, estarei esperando😘

12 de Agosto de 2019 às 02:38 0 Denunciar Insira 0
Leia o próximo capítulo Capitulo 2 - O ataque dos gatos

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