lara-one Lara One

Scully revelou que Mulder está com câncer. O Sindicato está em pé de guerra e o Canceroso desconfia de todos. Krycek, Marita e o Homem das Unhas Bem Feitas estão contra o Canceroso e contra sua decisão de colocar Mulder como membro do consórcio. Enquanto isso a população de Utah sofre ataques de formigas e todos negam seu envolvimento com o fato. Mas Mulder e Scully sabem de alguma coisa que não querem revelar. O Caçador desapareceu. O Homem das Unhas Bem Feitas parece estar a favor dos aliens. Scully está perdida, sem voz ativa. Mulder parece pouco ligar se vai ou não morrer, ele só pensa em vingança e em seu filho. O que estará realmente acontecendo? A partir de agora, bem vindos a enigmática 5ª temporada. Início das respostas para a mitologia da terceira e quarta.


Fanfiction Seriados/Doramas/Novelas Para maiores de 18 apenas.

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S05#01 - THE COLONY – ALIEN MISSION PARTE II

ANTERIORMENTE NAS FICS DE ONE...

(Cenas de ''Metal Contra As Nuvens'')

Nos corredores escuros do orfanato, apenas os raios conseguem algumas vezes iluminar e identificar o ambiente. E a estranha silhueta alta, de um homem de negro, com um sobretudo. Que aparece e desaparece entre os clarões. Segura em sua mão uma espada dourada, que reflete a luz dos raios contra os céus. Não se pode identificar seu rosto. Ele olha para o alto da escada.

A velha freira desce, segurando uma lamparina, passando por ele sem vê-lo. Ele sobe as escadas. Atrás de si, um par de asas.

Uma luz forte e dourada toma conta de todo o lugar. Som de estampido.

Ele arrasta a ponta da espada pelos degraus. Cada vez que a espada toca o chão, o som agudo de uma nota musical é ouvido.

Corte.

Mulder olha pra porta. Levanta-se. Cookie continua latindo. Mulder abre a porta. Olha para os lados, não há nada.

MULDER: - Não tem ninguém aqui e...

Mulder olha pro chão.

MULDER: - (INTRIGADO) Scully...

SCULLY: - O que foi?

MULDER: - Pediu alguma encomenda pelo correio?

SCULLY: - Não.

Mulder agacha-se no chão. Scully fica olhando curiosa. Cookie sobe no colo dela, enfiando a cabeça debaixo de seu braço. Mulder fecha a porta.

MULDER: - (INTRIGADO) Quem nos daria isso de presente?

Mulder ergue uma espada dourada. Observa-a com curiosidade. A luz reflete na lâmina.

Corte.

Scully enche os olhos de lágrimas. Começa a ficar nervosa. Olha pra eles.

SCULLY: - Tem o nome do Arcanjo Miguel nela.

FROHIKE: - Mas isso não é uma lenda?

LANGLY: - Que lenda? Esse quadrinho eu não li ainda.

SCULLY: - O Arcanjo Miguel é responsável pela ordem no mundo. Pela justiça. Esta é a espada que ele usou para derrubar o mal. Para render Satã.

Os pistoleiros observam a espada, incrédulos.

BYERS: - Isso é de um anjo?

LANGLY: - Aposto que ele deve ser muito forte pra segurar isso.

SCULLY: - Não é a força. É a justiça. O amor para com a humanidade que torna isto leve. O sinal que é dado a quem tem o poder de erguê-la.

BYERS: - ...

FROHIKE: - Mas que raios isso foi fazer na porta do Mulder?

SCULLY: - (ELA FECHA OS OLHOS)

FROHIKE: - Um aviso?

Corte.

Os pingos da chuva caem pelo vidro. Mulder observa. Percebe que eles deslizam todos para um lado, na mesma direção. Mulder olha curioso. Um trovão. Mulder dá um pulo assustado. Escuta um som agudo. Fica cismado. Outro trovão. Uma nota aguda. Mulder vira-se para trás. Olha pra espada. Ela parece responder em notas agudas a cada ressonância do trovão.

MULDER: - ... (FISIONOMIA DE INTRIGA) Mas como essa coisa foi parar aí?

Corte.

Trovoadas. Scully olha pela janela. Observa a chuva. Fica num completo estado de torpor. Sonolenta. Levanta-se e caminha até a janela. Fica olhando pra fora.

Close no vidro da janela do reflexo de Scully. Atrás dela, o reflexo de um anjo, segurando seu filho. Ela olha pro reflexo, mas não tem coragem de se virar. Põe a mão sobre os lábios, derrubando lágrimas. Num piscar de olhos, o anjo desaparece com a criança.

Corte.


(Cenas de Blood - Parte I)

Mulder fica em silêncio. Então olha pra ela.

MULDER: - Eu também posso ler os pensamentos deles, Scully. Mas eles não sabem disso.

SCULLY: - ???

MULDER: - O que fizeram comigo só serviu pra ativar mais ainda alguma coisa adormecida. E quando eles descobrirem esse elo, virão me buscar. Porque eu sou o único na Terra que sabe disso. Nem os homens que fizeram coisas contra nós suspeitam.

Corte.

Ela abaixa a cabeça. Começa a chorar.

SKINNER: - Scully... Eu... Eu sinto muito.

SCULLY: - ... (CHORANDO/ CABISBAIXA)

SKINNER: - Há algo que possamos fazer?

SCULLY: - ... Ele está com um tumor no cérebro. Houve algum tipo de lesão durante a abdução e originou um tumor que está crescendo e afetando as faculdades mentais de Mulder. A quimioterapia e a radioterapia não estão ajudando mais... Não é curável.

Corte.

Mulder pega o chip. Joga-o na lixeira. Olha pro Canceroso com revolta.

MULDER: - Isto não é uma troca. Só quero descobrir o que aconteceu com essa criança e dizer pra Scully. Fazer justiça com minhas mãos e depois morrer em paz, dignamente. Eu quero sangue. Muito sangue! E isso você pode me oferecer.

Mulder abre a porta e sai. O Canceroso olha para a lixeira.



INTRODUÇÃO AO EPISÓDIO:

Residência dos Eninger – Utah – 1:33 A.M.

Alex, um menino de 14 anos de idade, entra na cozinha.

Ângulo de câmera que mostra também a visão da sala de estar, onde a TV está ligada, num filme B de ficção científica.

Alex caminha até o armário. Abre-o e tira um copo, colocando sobre o balcão branco.

[Close no copo vazio.]

Ele abre a geladeira e pega a embalagem de leite. Serve o copo. Coloca a embalagem novamente na geladeira. Procura alguma coisa para comer. Retira um pedaço de bolo. Estende o braço e o coloca sobre o balcão, sem desgrudar os olhos da geladeira, procurando outra guloseima.

Alex retira um iogurte. Fecha a geladeira. Olha para o balcão.

[Close do balcão. Totalmente infestado de formigas, nem se pode ver a cor branca.]

Alex recua. Olha para o chão. As formigas estão por toda a cozinha. O menino sobe na cadeira, aos gritos desesperados.

[Fade in – tela escura se fechando]


[Som: Moby – Ambient]

[Fade out – tela escura se abrindo]

[Neblina]

Mulder caminha por entre a névoa. Está com frio, olhando para todos os lados, sem saber onde está. Percebe que segura a pesada espada de um material semelhante a ouro, em sua mão. Da lâmina da espada, escorre sangue.

[A neblina se dissolve.]

[Som de estampido.]

[Uma forte luz toma conta do ambiente.]

Mulder olha pra cima, colocando a mão na testa, cerrando os olhos. Olha pro chão. Percebe que está num lugar sombrio, como uma caverna, completamente coberto por corpos humanos mortos. Percebe que todos morreram pela espada, com cortes na garganta. Mulder caminha por entre os cadáveres. Tenta olhar pra luz, mas é forte demais. Ele vira o rosto.

VOZ (OFF): - Não há nenhum Inferno, somente há aniquilamento. Deus é aquela força que está em todo homem. O conceito cristão de Trindade é errado. O Espírito Santo está em todos. Cristo não morreu pelos pecados do mundo, mas para elevar os homens pecadores a terem alma eterna. Morte não termina em julgamento, é somente uma transição. Evolução é um fato, envolvendo o contínuo aperfeiçoamento do homem.

Mulder deixa a espada cair e coloca as mãos nos ouvidos, numa fisionomia de quem sente muita dor. Cai de joelhos ao chão.

VOZ (OFF): - Você ouviu o que está escrito no Livro e se arrependeu e se humilhou diante de Mim, rasgando as suas roupas e chorando quando ouviu como ameacei castigar a cidade de Jerusalém e seu povo. Eu vou fazer que Jerusalém vire um lugar horrível de se ver, e o nome dessa cidade será usado para rogar pragas. Mas eu ouvi a sua oração e por isso só depois da sua morte é que vou castigar Jerusalém. Vou deixar que você morra em paz.

Mulder olha assustado para os cadáveres ensanguentados. Olha para a espada.

VOZ (OFF): - Eles o desafiarão e o desprezarão. Viver no meio deles será como viver no meio de escorpiões. Mesmo assim, não tenha medo daqueles rebeldes nem de qualquer coisa que eles disserem. Eu o enviei para juntar-se as serpentes peçonhentas. Não temas. Quando abrires tua boca para falar, serão as Minhas palavras que sairão dela. Quando precisares de respostas, confia em Mim, eu as darei e mostrar-te-ei o caminho. Todos esperam pelo varão, assim fora escrito. Deixai os tolos esperarem. Ninguém tocará nos teus. Eu, o Eterno, falei. E cumprirei o que prometi.

[Fade in – tela escura se fechando]


SCULLY (OFF): - Mulder?

[Fade out – tela escura se abrindo]

Mulder sai do transe, assustado, ofegante. Percebe que está jogado no meio de uma estrada, nu, mas não entende o que está fazendo ali.

SCULLY: - (ASSUSTADA) Mulder???

MULDER: - (GRITA ATURDIDO) Faz eles pararem de me levar Scully!!!!!!!!!!!!! Faz eles pararem!!!! (CHORANDO) Essa voz me deixa louco!!!!!

Scully abraça-o, ele treme de frio, nervoso, chorando desesperadamente nos braços dela.

VINHETA DE ABERTURA: THE TRUTH IS OUT THERE



BLOCO 1:

Apartamento de Mulder – 9:20 A.M.

[Som: My Dark Life – Elvis Costello e Brian Eno]

Mulder, vestido num robe, observa a paisagem pela janela, com um olhar vago, como que hipnotizado, enquanto segura a caneca de café na mão.

MULDER (OFF): - Já perdi as contas de quantas vezes fui abduzido desde que aquilo tudo começou... E do terror e medo que vejo nos olhos dela. E da coragem que ela tem de perceber ao acordar que não estou ali e tentar não se preocupar porque eu sempre volto... Só queria ter a certeza de que devo fazer isso...


FLASH BACK:

Scully, rapidamente, começa a jogar algumas roupas de bebê e brinquedos dentro de uma sacola, pra não causar nenhuma lembrança nele. Mas ergue a cabeça e vê Mulder a observá-la, escorado na porta do quarto. Scully fecha os olhos. Mulder começa a chorar. Escorrega o corpo pelo marco da porta, caindo no chão. Põe as mãos no rosto, chorando como criança. Scully vai até ele e ajoelha-se, o abraçando. Os dois choram juntos, sem dizer uma palavra. Mulder a empurra, levanta-se com raiva e ódio nos olhos. Vai pra sala, tropeçando, mal conseguindo ficar em pé. Scully vai atrás dele. Mulder começa a quebrar tudo, num desespero, gritando. Scully escora-se com a testa contra a parede, chorando ao ver o desespero dele. Mulder atira tudo que encontra pela frente contra as paredes, tomado de ódio. Ela não fala nada, chora calada.

Corte.

Mulder abre os olhos. Consegue mexer seu corpo. Senta-se na mesa. Olha pra divisória de vidro que separa as salas. Vê Scully, inconsciente, deitada numa mesa, na sala ao lado. Médicos ao redor dela. Mulder se desespera. Vai se levantar mas um médico injeta algo na nuca dele.

Câmera subjetiva. Mulder cai deitado, paralisado.

MULDER: - (CHORANDO) Scully... Scully... Não... (GRITA) Não!!!! Meu filho não!!! Seu desgraçado, o meu filho não!!! Estou aqui, faça o que quiser comigo!!! É de mim que precisa pra fazer essa vacina, não dele!!!!

Corta para o Canceroso, ao lado de Garganta Profunda. Os dois observam Scully por uma janela de vidro. O Canceroso ao ouvir os gritos de Mulder, vira o rosto, nervoso. Acende um cigarro.


TEMPO REAL:

Mulder continua observando pela janela. Olhar perdido. Vozes lhe vêem à cabeça.

GABRIEL (OFF): - O sujeito que viu no necrotério estava por aqui dando uma espionada. Eles desconfiam do seu filho. Mas quando souberem, vão querer matá-lo. Ele representa a resistência rebelde ao que chama de invasão. Mas eu posso evitar que isso aconteça. Posso salvar seu filho.

MULDER (OFF): - Você é um desgraçado, sabia?

GABRIEL (OFF): - (DEBOCHADO) É, e agora estou sentado aqui tomando café com rosquinhas. Se não aceitar minha ajuda, os homens e aqueles dissidentes dos planos divinos, tomarão seu filho de você.

MULDER (OFF): - Que alternativa tenho eu nisso?

GABRIEL (OFF): - Nenhuma.

MULDER (OFF): - Vi você matar aquela criança, como acha que vou acreditar em você?

GABRIEL (OFF): - Mulder, não tem outra alternativa.

MULDER (OFF): - Pra onde vão levá-lo?

GABRIEL (OFF): - Pros céus.

MULDER (OFF): - Vai matá-lo?

GABRIEL (OFF): - Ora, Mulder, há muitas maneiras de se levar alguém pro céu sem matar essa pessoa. Maria foi uma delas.

PADRE (OFF): - São profecias de um místico oriental. Diz que o mundo está fadado a repetir o que Hitler fez com os judeus na Alemanha, matando todos que não sejam da nova raça. Os pobres serão os primeiros, com certeza. Haverá um grande período de tribulação e peste. Mas que nascerá uma criança, talvez um menino, talvez uma menina, que será a esperança do mundo. Será um novo Schindler, um grande profeta, que salvará seu povo da dizimação. Mesmo pertencendo à nova raça, ela vai mostrar com amor que todos os povos devem se unir porque todos somos iguais perante Deus. Claro que vão persegui-la. Mas algumas pessoas têm seus destinos traçados. Lembre-se: O bem é tão forte que usa o mal a seu favor.

SCULLY (OFF): - Mulder, e-eu... Eu não sei explicar, parecia a ferroada de algum inseto... Sabe quando você leva uma ferroada? O local estava inchado e o tamanho dos ferrões sugeria um inseto muito grande. Guardei os ferrões para analisar no FBI.

CANCEROSO (OFF): - Desista, Krycek. Essa criança é minha.

SCULLY (OFF): - ... Acho que ele cumpre seu papel Mulder. Que ele faz as coisas más para que você não as faça. Pra que você permaneça imaculado em sua justiça.

MULDER (OFF): - Fui... abduzido?

GABRIEL (OFF): - Não. Aquela nave só estava sobre a cabana caçando vaga-lumes...

MULDER (OFF): - (IRRITADO) Me avisou... Me avisou tarde demais! E eu consegui evitar?

GABRIEL (OFF): - Lembra-se do que falei. Não era pra ser evitado.

MIGUEL (OFF): - Mulder, levante-se e lute! Reaja! Sabe que não pode impedi-los das barbáries, mas sabes que vencerá a guerra!

GABRIEL (OFF): - O que renegas agora, te salvará em outra. Guarde isso.

SCULLY (OFF): - Mulder, o que é da gente sempre volta pra gente...

CAÇADOR (OFF): - Por que nos escondeu Mulder?

CANCEROSO (OFF): - Porque não sou idiota pra confiar cegamente em vocês, como vocês também não são.

CAÇADOR (OFF): - O que pediu já está em andamento. Vão levá-la.

CANCEROSO (OFF): - "Ele é o nosso salvador, imune a próxima virose do apocalipse. Ele é o herói. O que seria o destino de um herói?"... "Estamos forçando o próximo passo para a evolução do homem. Estamos fazendo o trabalho de Deus. Sem essa imunização todos morreriam. Continuarei de agora em diante pelo Mulder..." "Um pai tem grandes esperanças em seu filho. Mas nunca sonha que ele vá mudar o mundo. Tenho tanto orgulho desse homem. Da profunda capacidade que ele tem para sofrer." "Eles acham que o que ele tem vai matá-lo. Mas na verdade, ele nunca esteve tão vivo."

GABRIEL (OFF): - (DEBOCHADO) Sei o que está pensando, mas não vou dizer: bendito és tu entre os homens, e bendito é o fruto do... Você sabe. Essas coisas romantizadas que os profetas escreviam... Literatura barata... Eu não compraria... Não mesmo. Não havia bons escritores naquela época. Eles não entendiam nada, distorciam tudo o que viam.

GARGANTA PROFUNDA (OFF): - ... Filho, não posso saber a dor que está sentindo, mas eu posso respeitá-la... Sei que um dia vai fazer justiça contra todos, inclusive contra mim. Porque eu também faço parte disso. Não espero que entenda os motivos, mas espero que um dia os compreenda. Isto, de todos os males, é o menor. Acredite em mim, Mulder. Eu nunca menti pra você.

GABRIEL (OFF): - Acontece porém, meu caro, que os planos lá em cima estão meio confusos, sabe? Há dissidência... Probleminhas internos que toda grande empresa têm. Há alguns sujeitos metendo o nariz onde não são chamados, outros querendo coisas que não podem ter... Uns querem esse planeta, porque querem levar vocês pro quinto dos infernos, transformar o céu no segundo inferno, querem concorrência e nem abrem licitação com O Cara... Me desculpe, Lúcifer, nada contra sua pessoa. Sou anjo também... Mas isso não vem ao fato. O que precisa saber é que tudo foi planejado e está sendo executado sob a supervisão do 'Senhor Deus'... Até tudo acontecer, terei de esperar pra descer aqui de novo, tocando minha trombeta e carregando os desgraçados que me pertencem.

Mulder coloca as mãos nos ouvidos. Balança a cabeça, confuso. Solta um grito.

MULDER: - Nãooooooooooo!!!!!!!! Eu não quero ouvir mais nada!!!!!!!!!!!!!! Eu já entendi!!!!!!!!!!!! Me deixem em paz!

Mulder se atira no chão, chorando e murmurando.

MULDER: - Me deixem em paz, eu entendi... Me deixem em paz...


Residência de Margaret Scully – 10:39 A.M.

Scully olha pra Meg e sorri, enquanto come um sorvete de casquinha. Meg continua arrumando o jardim.

MARGARET: - Dana, por que está comendo feito uma maluca?

SCULLY: - ... (RI/ FORA DE SI) Quem sabe eu esteja grávida?

MARGARET: - (OLHA PRA FILHA COM PIEDADE)

SCULLY: - (PERTURBADA) Milagres acontecem, se a gente deseja muito uma coisa, pode se realizar. Você já ouviu falar em aporte? Quem sabe ele não volta pra minha barriga? O Mulder diz que fenômenos de aporte...

Meg olha pra filha, em desespero.

MARGARET: - Dana... Não deixe isso dominar sua vida. Você tem que ser forte.

Ela vira o rosto segurando as lágrimas.

MARGARET: - Por que não vai visitar um terapeuta? Você poderá conversar, obter ajuda...

SCULLY: - (GRITA) Eu não estou enlouquecendo!

MARGARET: - Dana, não vai mesmo me contar o que está acontecendo? Você está uma pilha de nervos, eu vejo que vai desabar a qualquer momento e... é alguma coisa com o Fox? Com seu filho?

SCULLY: - (IRRITADA) Não vim aqui pra falar disso! Eu vim aqui pra falar de outras coisas! Coisas normais. Coisas de família. Coisas que acontecem com todo mundo, sabe? Coisas bonitas e boas. (SORRI/ FORA DE SI) Do aniversário do Bill. Ahn? Que tal? Vamos voltar a falar do aniversário do Bill?

MARGARET: - (SUSPIRA/ NERVOSA)

SCULLY: - Mãe...

MARGARET: - Tá, vamos falar do Bill então. Seu irmão vai ficar chateado se vocês não forem.

SCULLY: - Mãe... O 'vocês' não inclui o Mulder, tenho certeza disso.

Meg larga a pazinha. Olha pra ela.

MARGARET: - Dana...

SCULLY: - Mãe, eu não vou ao aniversário do Bill sem o meu marido. Embora eu saiba que ele não gostaria de ir pra não ser humilhado. Mas não acho justo essa birra. O Bill não tem o direito de ficar jogando coisas na cara do Mulder e você sabe disso.

MARGARET: - ...

SCULLY: - Você que é mãe poderia te dito: Fox, se minha filha morreu foi sua culpa.

MARGARET: - Eu jamais diria isso, Dana!

SCULLY: - Eu sei. Você não teria o direito de dizer isso. Mas seria perdoável, vindo de você. Mas do Bill nunca.

MARGARET: - ...

SCULLY: - Diga ao Bill que eu vou, mãe. Mas com o Mulder. Ele é meu marido e Bill tem que aceitar isto. E eu não quero ficar um minuto longe do Mulder. Quero aproveitar a minha vida com ele.

Corta para a rua.

Mulder estaciona o carro. Desce. Caminha até elas, num semblante nervoso. Meg levanta-se, sorrindo surpresa. Mas muda sua fisionomia ao ver o estado apático e doente em que Mulder está.

MARGARET: - Fox?

Mulder olha pra Scully. Está sério.

MULDER: - Preciso falar com a sua mãe, em particular.

Scully olha pra ele como se já soubesse do que se trata. Faz uma fisionomia de 'não', disfarçadamente ralhando com ele.

MULDER: - (IRRITADO) Não vamos mais discutir o assunto! Ela precisa saber!

Meg olha pros dois, sem entender nada. Scully suspira e se afasta, cabisbaixa, nervosa. Mulder olha pra Meg.

MULDER: - Bem longe da casa, ok?

Meg não entende. Mulder vai se distanciando e olhando pra ela. Meg o segue, tirando as luvas de jardinagem. Os dois ficam na calçada. Scully, escorada no carro, afasta-se, pra não ouvir. Começa a chorar. Mulder olha pra Meg.

MULDER: - Você é mãe da Scully. Portanto, isto já me basta pra considerar você como alguém em quem confio e amo.

MARGARET: - (PREOCUPADA) Fox, o que está acontecendo? Você está bem? Parece tão magrinho, abatido...

MULDER: - Estou bem Meg. Eu não confiaria isto nem mesmo à minha própria mãe. Mas eu confio em você, Meg. Eu tenho você no topo da lista das pessoas neste mundo que ainda têm um coração.

MARGARET: - ...

MULDER: - Precisamos de você. A Scully não quer pedir, mas eu venho até aqui te pedir ajuda. A Scully tem medo de que aconteça o pior e que você pague o que não tem pra pagar, como aconteceu com a Melissa. Eu não queria envolver você nisso tudo, mas não tenho outra alternativa. Não posso confiar em ninguém, nem em meus amigos pra fazer isto. Tem que ser você, você é da família.

MARGARET: - Fox...

MULDER: - Meg, preciso de você. É um pai que pede um favor. Um pai em desespero. Que não quer perder o filho de novo. Alguém que não tem mais nada a perder e apostou todas as cartas num jogo alto.

Meg põe a mão sobre os lábios, segurando as lágrimas.

MARGARET: - Fox, você encontrou seu fil...

MULDER: - Me escuta, Meg. Me escuta com atenção. Primeiro vai me prometer que se alguma coisa acontecer comigo você vai sair do país com a Dana. E com a criança.

MARGARET: - Fox, eu...

MULDER: - Me promete isto, Meg. Jure aqui na minha frente que você vai tomar conta delas.

MARGARET: - Fox, está me assustando.

MULDER: - (RESPIRA FUNDO)

MARGARET: - Eu prometo. É claro que jamais abandonaria minha filha e meu neto.

O celular dele toca. Mulder olha para o visor. Percebe que é um número do sindicato. Desliga. Olha pra Meg.

MULDER: - Meg, tenho trabalho a fazer. Mas antes, quero falar com você.

Mulder afasta-se caminhando ao lado dela. Scully os observa, derrubando lágrimas. Mulder fala alguma coisa. Meg vira-se pra Scully e põe as mãos nos lábios, rindo e chorando ao mesmo tempo.


Residência dos Eninger – Utah – 12:33 P.M.

A senhora Eninger observa nervosa. Os dois paramédicos levam a maca, carregando a sua filha, cheia de feridas.

SRA ENINGER: - Ela vai ficar bem?

PARAMÉDICO: - Sim senhora.

SRA ENINGER: - (INCONFORMADA) Nessa madrugada atacaram meu filho. Agora atacaram minha filha. Há duas horas atrás foram três crianças da vizinhança... Ontem o sr. Friedrich.

A vizinha se aproxima.

VIZINHA: - Isto está um horror!!! A saúde pública não faz nada?

PARAMÉDICO: - Senhora, já informamos o departamento de saúde pública. Eles tomarão os procedimentos necessários. O melhor agora é que evacuem suas casas até os exterminadores chegarem.

A senhora Eninger entra na ambulância com a filha. O paramédico fecha a porta. Olha pro outro.

PARAMÉDICO: - Já viu algo assim?

PARAMÉDICO 2: - Já. Com abelhas africanas. Mas nunca com formigas.

PARAMÉDICO: - Por que as formigas estão agindo assim?

PARAMÉDICO 2: - Você sabe que em biologia certos comportamentos anormais nos animais indicam interferência de algum fator externo. Quem sabe? Com tanta poluição por aí, talvez até os insetos estejam se revoltando e atacando seres humanos. É a reação da mãe natureza.

PARAMÉDICO: - E se o governo está fazendo experiências com formigas?

PARAMÉDICO 2: - (INCRÉDULO) Você é paranoico, cara?


Gabinete do Diretor Assistente – 2:22 P.M.

Skinner anda de um lado para outro, com as mãos na cintura. Olha para Mulder.

SKINNER: - Tem certeza?

MULDER: - Absoluta. Apenas reação climática.

SKINNER: - Mulder, eu não posso conceber que reação climática cause tanta confusão numa cidade!

MULDER: - ...

SKINNER: - Tem certeza de que não é outra experiência deles?

MULDER: - Absoluta. Não há dedo deles nisto.

SKINNER: - Então que diabos está acontecendo em Utah?

MULDER: - Eu já disse, formigas estão reagindo devido aos fatores ambientais climáticos. Scully disse isso a você.

SKINNER: - Quero que você e Scully vão pra Utah agora.

MULDER: - É uma ordem?

SKINNER: - Claro que é uma ordem! Estão em cima de mim aqui dentro querendo uma solução para o caso. Até Kersh está nisso!

MULDER: - ...

SKINNER: - E não há ligação alguma com a morte de Krauft? Mulder, eu acredito que os homens do Sindicato estão por trás disso. Já vimos antes com aquelas abelhas. Talvez mandaram eliminar Krauft antes que abrisse a boca. Ainda não há pistas sobre o corpo...

MULDER: - Nunca vão encontrar o corpo de Krauft.

SKINNER: - Pode ser uma experiência genética, eu sei lá...

MULDER: - Não há dedo deles nisto. Acredite em mim Skinner, eu não mentiria sobre isto pra você.

Skinner olha pra ele.

SKINNER: - Mulder... Eu... Eu não quero que se sinta ofendido... Mas você tem certeza de que está em juízo perfeito pra alegar tais coisas?

MULDER: - Está insinuando o quê, Skinner?

SKINNER: - ... Scully me falou que você está morrendo.

Mulder abaixa a cabeça.

SKINNER: - Olha, se quiser sair por uns tempos...

MULDER: - Não quero sair. Tenho um filho pra encontrar.

SKINNER: - ... Posso colocar outros agentes no caso...

MULDER: - Está dizendo que estou ficando louco? É isso o que está dizendo?

SKINNER: - Não, Mulder, eu...

Mulder levanta-se.

SKINNER: - Mulder, estou apenas evitando que passe por uma situação desagradável e... Todos notaram sua aparência aqui dentro. Está mais magro, seu cabelo foi cortado...

MULDER: - É a moda.

SKINNER: - Ou estão caindo por causa da quimioterapia e você resolveu se desfazer deles antes que caiam por completo?

MULDER: - ...

SKINNER: - Mulder, pediram que fizesse exames. Querem saber se está apto para continuar exercendo suas funções. Se não estiver, o FBI dará total apoio à você e...

MULDER: - (SORRI) Skinner, preocupe-se com os seus cabelos que estão caindo. Deixe os meus em paz.

Mulder abre a porta e sai. Skinner abaixa a cabeça, numa angústia enorme.


Apartamento de Mulder – 3:19 P.M.

Scully arruma a mala. Mulder anda de um lado para outro.

MULDER: - Skinner está desconfiado.

Ela olha pra ele em pânico.

MULDER: - Desconfiado de que há um Arquivo X em Utah.

Scully respira tão fundo que se nota o alívio dela.

MULDER: - O pior disso tudo é ter de mentir pra um amigo.

SCULLY: - Mulder...

MULDER: - Esses desgraçados!

Scully senta-se na cama. Abaixa a cabeça. Mulder anda de um lado pra outro, procurando câmeras com os olhos.

MULDER: - Eles não me dizem a verdade! Eu sei que algo deve estar acontecendo em Utah!

Scully disfarça e olha para a abertura da circulação de ar. Percebe a câmera de vídeo.

SCULLY: - Mulder, eles nunca dirão se há algo por lá. Eu e você sabemos que é uma experiência deles. Mas nunca confessarão.

MULDER: - Eles não querem que eu vá. Skinner quer. O que eu faço?

O telefone toca. Mulder olha pra Scully como quem diz: 'tá vendo?'. Scully coloca as mãos sobre a boca, disfarçando um sorriso. Mulder atende ao telefone.

MULDER: - Mulder.

CANCEROSO: - Quem não quer que você vá pra Utah?

MULDER: - Como sabe disso?

CANCEROSO: - Tenho olhos por todos os lugares.

MULDER: - (DEBOCHADO) Espero que desligue seus olhos às 3 da manhã quando eu estiver entrando em êxtase. Ou pelo menos venda o filme a um preço caro. Não ganho pra ser artista pornô.

CANCEROSO: - Muito engraçado, Mulder. Quem deu ordens para você não ir?

MULDER: - Você sabe quem. Seu amigo Lorde Inglês.

CANCEROSO: - Pois eu digo que deve ir. Quero saber o que está acontecendo em Utah. Por isso Skinner está sendo pressionado.

MULDER: - Acha que seus amiguinhos estão ocultando coisas de você no chá das cinco?

CANCEROSO: - Acho que você sabe o que está acontecendo.

MULDER: - Eu não sei de nada. Trabalho pra você, não pra eles.

CANCEROSO: - Você trabalha para si mesmo, Mulder. E está me escondendo algo. Já disse, faça o que eu mando e terá seu filho de volta. E não minta pra mim. Eu sei que ela sabe que você está comigo.

MULDER: - Tudo bem, ela sabe e eu confio nela.

Som do telefone se desligando. Mulder desliga. Olha pra Scully. Sorri.

MULDER: - T, Scully. Acrescente o T na sua palavra.


BLOCO 2:

Rodovia Intermunicipal – Utah – 8:22 P.M.

Mulder dirige o carro. Scully observa a paisagem. Silêncio completo. Mulder parece estar distante.

MULDER (OFF): - Queria que pudesse me ouvir... tenho tanta coisa pra dizer, mas não dá pra dizer aqui. Se eu ligar o rádio, toda a vez que precisarmos conversar... os miseráveis vão começar a suspeitar de alguma coisa e eu não posso arriscar.

Scully continua olhando pela janela. Mulder começa a derrubar lágrimas, ela não percebe. Ele as seca rapidamente, evitando chorar na frente dela. Mas Scully pressente e olha pra ele.

SCULLY (OFF): - Mulder? Algum problema?

Mulder para o carro no acostamento.

MULDER: - Dirige. Não estou em condições de fazer isso.

Ele desce do carro. Põe as mãos no rosto. Respira fundo. Scully desce do carro. Olha pra ele, preocupada.

MULDER: - Não quero que me veja assim. Eu prometi ser forte. Você já tem problemas demais pra ficar se preocupando comigo.

SCULLY (OFF): - Até os fortes desabam.

MULDER: - Você nunca desaba.

SCULLY (OFF): - Ah, é? Olha pra mim.

Ele olha pra ela com os olhos cheios de lágrimas.

MULDER: - Fala comigo. Não por pensamento, por favor. Aqui fora é seguro.

SCULLY: - Vou desabar aqui na beira da estrada, desesperada pelo seu sorriso.

Ele sorri. Aproxima-se dela. A abraça com força.

MULDER: - O que eu seria sem a minha força?

SCULLY: - Bom, a sua força aqui tá com uma fome enorme. Poderíamos parar numa lanchonete.

Ele toma o rosto dela nas mãos.

MULDER: - Eu te amo.

SCULLY: - Se me ama, deixa essa angústia de lado. Mulder, você só está se sentindo culpado por ter mentido ao Skinner. Eu sabia que você não teria coragem, que ficaria se culpando. Acha que não me senti péssima ao mentir pra ele?

MULDER: - ... Eu sei é...

SCULLY: - Mulder, de hoje em diante, eu mentirei pro Skinner.

MULDER: - Scully, não...

SCULLY: - Você tem mais coisas a fazer. Coisas que eu não estou habilitada pra realizar. Mentir pro Skinner ficará comigo. E não discuta. Agora eu vou dirigir, vamos parar em algum lugar porque preciso ir ao banheiro e comer alguma coisa. De preferência um sundae enorme de chocolate ou você vai ter sérios problemas por aqui.

MULDER: - (SORRI) ...

SCULLY: - E você vai comer um também.

MULDER: - Não posso. Estou seguindo dieta médica.

SCULLY: - Mulder, não se maltrate tanto...

MULDER: - Scully, por favor. Eu não posso.

Mulder abraça-a novamente. Beija-lhe a testa.

MULDER: - Preciso contar ao Fumacinha sobre os aliens, Scully. Ele está desconfiado. E algo me diz que ele sabe, mas quer minha confirmação.

SCULLY: - Acha que ele vai ajudar você nisso?

MULDER: - Claro que não. Se ele souber disto vai pegar a tecnologia e usar sabe Deus pra quê! Depois que eu terminar e apagar as provas, contarei a ele. É o mais seguro.

SCULLY: - Entra no carro, Mulder. Vamos, anda! Anda, anda, anda!

Os dois entram no carro. Ela liga o carro. Olha pra ele.

SCULLY: - E eu amo esse doidinho.

MULDER: - (SORRI) ...

Mulder agacha-se e revira o painel do carro. Scully olha pra ele. Ele sinaliza pra ela se calar. Ela entende. Olha pra Mulder.

SCULLY (OFF): - ... Mulder, você já sabe o que está acontecendo?

MULDER: - Ainda não sei... (DISFARÇANDO) ... quem é doidinho.

SCULLY (OFF): - ... E vai saber quando for a hora?

MULDER: - Scully, eu acho muito bonita essa sua corrente. Acredito nela. Esse cara aí sempre está certo. Os outros não sabem de nada.

Scully entende e sorri.

MULDER: - Scully, eu estou preocupado.

SCULLY: - Com o quê?

MULDER: - Com o Pinguinho.

SCULLY: - Ah, com o peixe? Por quê, Mulder?

MULDER: - Sei lá, eu ... É tanta coisa pra você fazer e...

SCULLY: - Pinguinho está muito bem, Mulder.

Ele sorri, derrubando lágrimas.

MULDER: - Cuida bem do Pinguinho.

SCULLY: - Eu vou cuidar dele, Mulder.

MULDER: - Você sabe o quanto ele é importante pra mim.

SCULLY: - Claro que eu sei! Você morreria se algo acontecesse ao Pinguinho e eu morreria junto... Agora, o Cookie...

Ele sorri.

SCULLY: - O Cookie é quem dá um trabalhão enorme... Você também. Mas o Pinguinho não me incomoda. O Pinguinho até me distrai, sabia?

MULDER: - (SORRI) Sério?

SCULLY: - Sério. Eu fico olhando pra ele, fico sonhando, pensando em tantas coisas... Ele na água... E pensando em você. No quão grande é o seu amor.

MULDER: - Eu amo você e o Pinguinho.

SCULLY: - E o cachorro?

MULDER: - (SORRI) Eu gosto dele também.

Scully sorri. Olha pra ele. Mulder deita-se com a cabeça no colo dela.


Residência dos Eninger – Utah – 9:51 P.M.

Na cozinha, a senhora Eninger conversa com Scully, enquanto ela observa as feridas nas crianças.

SCULLY: - Isto não é normal.

SRA. ENINGER: - Eu não lhe disse? O que você fez? Você simplesmente ignorou o fato. Você poderia ter evitado que meus filhos se ferissem!

SCULLY: - Senhora, eu lamento muito...

Corta pra Mulder. Ele segura e observa a torradeira.

MULDER: - Scully, vem aqui. Precisa ver isto.

Scully levanta-se e vai até ele. Mulder vira a torradeira e centenas de formigas caem dela. A senhora Eninger olha indiferente.

SRA. ENINGER: - Estão na televisão, no som do meu marido, em todos os eletrodomésticos. Nos alimentos. Até mesmo no banheiro. Já vieram pilhas de exterminadores, mas sempre elas voltam.

Mulder olha pra Scully. Scully suspira. Mulder segue uma trilha de formigas até chegar numa porta.

MULDER: - Senhora Eninger, posso abrir esta porta?

SRA. ENINGER: - Claro. Ela dá no quintal.

Mulder abre a porta e continua olhando pro chão, seguindo as formigas. Scully olha para a Sra. Eninger, que está muito nervosa.

SRA. ENINGER: - Vão nos ajudar? Não acha que isto é estranho? Quem sabe essas formigas são alienígenas disfarçados? Já ouvi falarem disso.

SCULLY: - (SORRI) Senhora Eninger, essas formigas são formigas comuns. Mas há algum evento anormal por aqui que está fazendo com que elas se revoltem e ataquem as pessoas.

MULDER: - (GRITA) Scully!!!!!!!!!!!

Scully sai porta à fora. Mulder está agachado no jardim observando um formigueiro.

SCULLY: - (NERVOSA) O que foi? Você me assustou!

MULDER: - Desculpe. Olhe aqui, Scully. Eu não sou entomologista mas eu diria que estas formigas não são do tipo que habitam eletrodomésticos. São formigas comuns de jardins. Mas tem algo estranho aqui, porque as operárias entram e saem do formigueiro sem carregar nada, como se estivessem agindo sem controle, sem saber o que fazem.

Mulder retira um tubo do bolso e coleta algumas formigas. Scully dá um pulo. Mulder olha pra ela. Scully começa a sacudir o pé, as formigas estão subindo em sua perna.

MULDER: - Scully, vamos sair daqui.

SCULLY: - Droga!

MULDER: - (PREOCUPADO) Picaram você?

SCULLY: - Não... Mulder, eu tenho um amigo que pode nos ajudar. Na verdade, ele é um mirmecólogo, um estudioso de formigas.

MULDER: - (SORRI) Me diz o que eu faria nesse mundo sem você?

SCULLY: - (DEBOCHADA) Bagunça?

MULDER: - (OLHA PRA ELA/ RINDO) Chata!


Centro de Pesquisas Biológicas da Universidade de Utah – 10:59 P.M.

Hermann olha pelo microscópio. Sorri.

HERMANN: - Incrível! Não posso acreditar no que me disseram.

Mulder olha pra ele, tentando achar respostas.

MULDER: - O que foi? Alguma anormalidade?

Hermann se afasta do microscópio.

HERMANN: - Não, agente Mulder. São formigas de jardim. A praga mais comum. O que não justifica este comportamento. As formigas são agressivas quando ameaçadas. Como todos os animais da natureza. E pelas fotos que vocês me trouxeram do garoto, eu não posso acreditar que formigas causariam lesões tão sérias. Precisariam centenas de formigas pra isto e nem assim, a carne seria tão dilacerada em tão pouco tempo de ataque. Formigas comem cadáveres, animais mortos. (SORRI) E você vê aquela formiguinha no seu açúcar e diz: ah, deixa! É um bichinho limpinho.

Mulder faz cara de nojo.

HERMANN: - Elas podem se alimentar da excreção de outros indivíduos e a troca de comida entre indivíduos é comum ou seja, a trofalaxia. A formiga denota grande diversidade de hábitos alimentares, com as partes bucais adaptadas para morder e ingerir alimentos líquidos. Muitas espécies são carnívoras, outras apreciam substâncias açucaradas e algumas vivem dos fungos que cultivam. Posso afirmar que entre os vários grupos, as fases de caça, pastoreio e agricultura parecem desdobradas em sucessão, tal como se crê que aconteceu com o homem.

Mulder puxa uma cadeira e empurra pra Scully. Ela sorri, agradecida com o gesto inusitado dele. Senta-se. Mulder escora-se na mesa.

MULDER: - O que pode nos dizer sobre formigas, Dr. Hermann?

HERMANN: - O que quer saber?

MULDER: - Tudo. Das formigas em geral. Não quero comportamentos das espécies.

HERMANN: - Bom, eu levei anos pra ser um mirmecólogo...

MULDER: - E eu posso levar anos pra ouvir o que você pode me dizer.

Hermann fica empolgado. Senta-se.

HERMANN: - O nome formiga deriva do ácido fórmico. Esta substância é produzida pela glândula ácida das formigas, particularmente daquelas pertencentes à subfamília Formicinae. Entretanto, a maioria das formigas não tem ácido fórmico e pertencem a subfamília Myrmicinae.

Scully ergue as sobrancelhas, olhando pra Mulder. Hermann continua falando.

HERMANN: - Bem, as formigas são insetos sociais, agente Mulder. A maioria dos insetos é solitária, cada indivíduo vivendo para si mesmo, o que convenhamos, não funciona muito bem. A organização social verdadeira ocorre com todos os cupins, todas as formigas e certas vespas e abelhas.

MULDER: - Abelhas?

Scully olha pra Mulder.

HERMANN: - Sim. Abelhas e formigas se enquadram na categoria, portanto, vivem em colônias. Neste arranjo, muitos indivíduos de ambos os gêneros vivem em uma completa organização que implica uma definida divisão de trabalho entre eles. Frequentemente existe apenas um único indivíduo reprodutor na colônia, a rainha, e os outros indivíduos, machos ou fêmeas, realizam diversas funções para assegurar a sobrevivência do grupo. A complexidade da organização e a divisão de trabalho variam com as espécies de insetos envolvidas. Rainhas de alguns cupins e formigas podem viver vários anos. Nos casos mais simples, a fêmea meramente permanece com proles sucessivas ou alimenta-as diariamente. Desta condição há uma série gradual até a vida colonial complexa de cupins, formigas e abelhas de colmeia, as quais têm divisão de trabalho entre vários grupos de indivíduos ou castas, frequentemente diferenciados morfologicamente.

Mulder senta-se.

HERMANN: - Uma colônia de formigas é formada de indivíduos adultos e em desenvolvimento ou cria, constituída de ovos, larvas e pupas. Os adultos, com raras exceções, são todas fêmeas e estão divididas em pelo menos duas castas: as fêmeas férteis ou rainhas, cuja função primordial é a postura de ovos e as fêmeas estéreis ou operárias que realizam todas as demais atividades da colônia, tais como: coleta de água e alimento, alimentação da cria e da rainha, construção e defesa do ninho. (SORRI) Podemos dizer que as sociedades regidas por mulheres funcionam muito melhor...

Scully segura o riso.

HERMANN: - As operárias, por sua vez, podem apresentar formas diferentes, duas ou mais, fato denominado polimorfismo. Ele está relacionado com a realização de tarefas diferentes. Todas as operárias não apresentam asas e as formas aladas correspondem aos sexuais: rainhas e machos. Os machos adultos são alados e vivem poucas horas, apenas o suficiente para fecundar as fêmeas. Consequentemente, uma colônia de formigas é constituída exclusivamente de fêmeas ápteras. É importante salientar que no máximo 30% da população adulta de uma colônia podem exercer atividades externas ao ninho ao mesmo tempo. Geralmente, este valor não ultrapassa 5 a 10%. Há num formigueiro várias castas de operárias, uma das quais inclui formigas mais agressivas, dotadas de mandíbulas cortantes, que atuam como soldados para defender o formigueiro contra eventuais inimigos.

MULDER: - Sei...

HERMANN: - As colônias, nas várias espécies, podem ter uma única rainha, fenômeno denominado de monoginia, ou várias rainhas funcionais, poliginia. Em geral, as rainhas de uma espécie poligínica vivem menos do que aquelas das espécies monogínicas. Em compensação, a capacidade da colônia em produzir novas rainhas é maior, e ocorre várias vezes por ano.

MULDER: - Bichinhos organizados, não?

HERMANN: - Fascinantes seria o termo. As populações grandes com vida social requerem um aumento no suprimento de nutrientes. As formigas mostram uma progressão nos hábitos alimentares tais como provavelmente ocorreram na história do homem. Os tipos mais inferiores caçam insetos ou carne. A comunicação nas colônias é efetuada pela secreção de feromônios que servem para identificar os indivíduos da colônia, para marcar as trilhas que os outros podem seguir, para manter as castas, para dar alarme de ataques e para aumentar a atividade do grupo.

Scully põe as mãos no rosto. Mulder levanta-se.

MULDER: - Está bem?

SCULLY: - Preciso de ar.

Scully levanta-se e sai. Mulder olha pra Hermann.

MULDER: - Ok, então são micro civilizações talvez mais organizadas do que nós mesmos.

HERMANN: - Sem dúvida! As formigas individualmente a primeira instância são insignificantes, mas unidas em suas sociedades elas são os organismos dominantes desse planeta. Os formigueiros feitos no chão podem ser pequenos e relativamente simples ou grandes e extremamente elaborados, com muitas galerias, túneis e labirintos. Seus ninhos podem chegar a mais de 5 m de profundidade. Certas câmaras no subsolo podem servir como câmaras de criação, outras para armazenamento de alimento.

MULDER: - E se outro tipo de inseto, semelhante às formigas, organizados como elas, estivessem habitando o solo em Utah...

HERMANN: - Cupins?

MULDER: - Afetaria o comportamento delas?

HERMANN: - Seria disputa de território e elas reagiriam. Mas que inseto poderia estar afetan...

MULDER: - (CORTANTE) Certo.

Mulder respira fundo. Olha pra ele.

MULDER: - Só pra finalizar. Pode me falar mais sobre como funciona a reprodução da espécie?

HERMANN: - Bem, varia entre tipos de formigas.

MULDER: - No geral.

HERMANN: - Nos formigueiros de grandes proporções, novos machos e fêmeas férteis, quase sempre alados, aparecem em certas épocas do ano e abandonam o ninho, às vezes em enxames, para perpetuar a espécie. Após o acasalamento, a fêmea se separa do macho, que morre logo depois, livra-se das asas e tenta construir sozinha, para a postura, o ninho inicial. Dos ovos de criação nascem larvas, alimentadas pela rainha com um líquido nutritivo que ela traz como reserva e oferece sob forma de "ovos de alimentação". As larvas se transformam em pupas e estas em operárias adultas, que cuidam da nutrição da rainha e atendem às necessidades do restante da prole. Os ovos de alimentação se apresentam como uma gota de líquido, comparável ao leite dos mamíferos, envolta numa película que se rompe à menor pressão.

Mulder fecha os olhos, em desespero.

HERMANN: - A rainha põe cerca de dez ovos de alimentação para cada ovo verdadeiro, na época em que na panela inicial do formigueiro começam a eclodir as larvas dos ovos de criação postos antes.

MULDER: - A rainha apenas se acasala ou ela pode eventualmente... digamos... armazenar esperma do macho?

HERMANN: - Seria uma teoria interessante...

MULDER: - E como elas se comunicam entre si?

HERMANN: - Através do tato ou de substâncias químicas. Outras ainda utilizam mecanismos como a vibração e até a audição.

Mulder cumprimenta Hermann.

MULDER: - Dr, muito obrigado pela sua ajuda.

HERMANN: - Se lhe foi útil. Quando quiser falar sobre formigas, estou aqui.

MULDER: - Só lhe peço sigilo sobre o assunto, o FBI não quer causar pânico, certo?

Mulder sai. Encontra Scully cabisbaixa, em pé no corredor. Esboça uma fisionomia de preocupação com ela. Afaga-lhe os cabelos. A puxa contra seu peito. Ela fecha os olhos.

MULDER: - Está melhor?

SCULLY: - Me senti tonta. Olhar pra você desse jeito... eu...

MULDER: - Pobrezinha da minha Scully... Você tá precisando descansar ou vai ficar estressada.

Scully afasta-se e olha pra ele.

SCULLY: - Mulder, você tinha razão. Como sabia disso?

MULDER: - Eu não sei, Scully. Eu só sabia. As vozes me disseram.

SCULLY: - Mulder, o que vamos fazer?

MULDER: - Scully, temos algo pra fazer. Vai ser hoje. Quero que vá para o seu apartamento. Fale alto, o mais claro que puder, porque eles ouvirão. Faça-se nervosa, confusa, doida pra ver Krycek na noite, me entendeu? Deixe claro que tem que ser à noite e tem que ser o Krycek, fica falando daquela coisa de Incubus, do quanto queria saber se foi recíproco o desejo... Acho que me entende. Use o assunto como chamariz. Você é uma mulher quente que gosta de sexo, eles sabem disso e não vão desconfiar. Aposto que escutam os nossos orgasmos.

SCULLY: - Ah meu Deus! ... Tá.

MULDER: - Agora acabou a palhaçada. O sangue vai rolar a começar pelo dele. Depois eu pego aquele inglês. E não se esqueça, Scully: parede de tijolos. Bloqueia qualquer coisa que você pensar. Use isto na frente de qualquer um, você não sabe quem pode ler sua mente ou não.

Mulder se dirige até a porta. Scully inspira profundamente e vai atrás dele.


BLOCO 3:

Apartamento de Scully – 11:13 P.M.

Câmera subindo pelas pernas nuas, revelando o baby doll sexy de renda preta e as pequenas mãos que escovam os cabelos acobreados, enquanto Scully observa a si mesma na frente do espelho do quarto, com uma fisionomia séria e indiferente.

Batidas na porta.

Scully ergue as sobrancelhas, olhando-se no espelho. Respira fundo, soltando os ombros. Larga a escova de cabelos e dirige-se à sala, a passos calmos. A sala está na penumbra, iluminada apenas pela luz que entra através da janela.

Scully abre a porta.

SCULLY: - Como sabia que eu... Precisava ver você?

Krycek entra, olhando pra ela com a curiosidade de um gato.

KRYCEK: - Por que está no escuro?

SCULLY: - Posso acender as luzes, se quiser. Mas já que está aqui, eu não quero atrair atenções desnecessárias.

KRYCEK: -Verdade. Por que queria me ver?

SCULLY (OFF): - Parede de tijolos... Parede de tijolos...

Krycek olha pra ela desconfiado.

SCULLY: - Você sabe o porquê. Acho que sabe. Eu... Alex, não consigo tirar você da minha cabeça. Eu... não consigo esquecer o que aconteceu naquela noite... Você viveu aquilo também? Aquela coisa de Incubus...

Krycek lhe dá um sorriso, observando atentamente o centro da testa dela, como se procurasse entrar em sua mente. Scully vira-se de costas.

KRYCEK: - Quero ouvir da sua boca. Ou do seu pensamento.

Ela vira-se pra ele, passando as mãos no cabelo, os ajeitando pra trás da orelha, erguendo o olhar como se o seduzisse.

SCULLY: - Não. Não me faça dizer isso. Você sabe o que eu quero de você, Alex: O que eu tive de você naquela noite.

Krycek tira a jaqueta e joga-a sobre o sofá. Aproxima-se dela agarrando-a pela cintura.

KRYCEK: - Quer o quê, agente Scully? (CHEIRANDO O PESCOÇO DELA) Hum?

SCULLY: - Você sabe o que eu quero... Alex...

Scully desliza as mãos pelo peito dele, evitando olhá-lo nos olhos.

KRYCEK: - Quer repetir a dose, de uma maneira mais concreta? Ou quer apenas me seduzir?

SCULLY: - Quero você, Alex...

KRYCEK: - Então me diga isso.

SCULLY: - ...

KRYCEK: - Se produziu toda só pra mim? Hein? Sabia que eu viria?

SCULLY: - (SORRI) ...

KRYCEK: - Vou compensar seu trabalho, agente Scully.

SCULLY: - ...

KRYCEK: - E Mulder? Não se sente culpada?

SCULLY: - ... Mulder não tem me dado atenção, parece distante demais, me sinto frágil, carente, sozinha e... Quente por dentro.

Krycek a segura pelos cabelos com força. Olha-a nos olhos. Scully olha pra ele assustada.

SCULLY (OFF): - Parede de tijolos...

KRYCEK: - Por que não me diz o que pensa?

SCULLY: - O que quer dizer com isso?

Krycek olha-a com desconfiança. Puxa a cabeça de Scully pra trás, pelos cabelos.

KRYCEK: - Como você quer, selvagem ou violento?

A luz do abajur se acende.

MULDER: - Violento. Muito violento. De preferência com sangue. Muito sangue. E o seu, com toda a certeza.

Krycek empurra Scully contra a parede. Ela dá de cabeça. Quase cai no chão. Mulder puxa a faca. Krycek alterna o olhar entre os dois, olhando também pra faca, nervoso.

KRYCEK: - Sua vadia! Você me armou uma cilada!

Mulder avança em Krycek. Ele recua.

MULDER: - (GRITA) Scully, vai pro quarto!

SCULLY: - Mulder...

MULDER: - (GRITA) Sai daqui! Não quero que veja isso!

Scully corre pro quarto e tranca a porta. Mulder e Krycek começam a lutar um com o outro. Krycek mete um soco em Mulder, que bate contra a parede. Mulder avança nele, acertando um soco no russo, que perde o equilíbrio e se segura no balcão que divide a cozinha. Mulder avança nele e Krycek desvia, entrando na cozinha.

KRYCEK: - (RINDO NERVOSO) Você não vai me matar, Mulder. Você precisa de mim.

MULDER: - (DEBOCHADO) Preciso? Não, eu não preciso de você. Não de você.

Mulder empurra Krycek contra a mesa. Krycek se protege da facada que iria levar. Acerta um pontapé em Mulder. Mulder cai contra a pia. Krycek tenta fugir, mas Mulder é mais rápido e o agarra pelas costas. Com uma das mãos, puxa a cabeça de Krycek pra trás, pelos cabelos.

MULDER: - Hora de morrer, desgraçado!

Mulder passa a faca pela garganta do russo, sem um pingo de remorso. O sangue começa a jorrar. Mulder afasta-se. Krycek vira-se pra ele, cuspindo sangue, apavorado. Coloca as mãos no pescoço, olhando incrédulo pra Mulder, que o olha com indiferença, enquanto o corpo do russo vai caindo aos poucos de encontro ao chão. Scully entra na cozinha. Arregala os olhos.

SCULLY: - Oh, meu Deus!

MULDER: - (GRITA) Scully sai daqui!

Scully olha pro sangue que se espalha rapidamente pelo ladrilho da cozinha, formando uma poça. Coloca a mão sobre a boca, ameaçando vomitar e corre pro banheiro. Mulder suspira. Vai atrás dela. Bate na porta do banheiro.

MULDER: - Scully, você está bem?

SCULLY: - Humhum...

MULDER: - Tem algum tapete velho que não queira mais?


Rua 46 Este – NY – 12:33 A.M.

O Canceroso está sentado numa confortável poltrona. Enquanto solta a fumaça no ar, observa o telefone com uma fisionomia de apreensão. O telefone toca. O Canceroso atende.

MULDER (OFF): - Feito.

O Canceroso escuta o barulho do telefone se desligando. O som irritante da linha telefônica livre, ecoa em seus ouvidos. Ele fecha os olhos. Sorri.


12:39 A.M.

Mulder arrasta Krycek pra cima do tapete. Enrola o corpo sem vida no tapete, aos chutes.

Corta pra Scully. Já vestida, ela lava o rosto na pia do banheiro, olhando-se no espelho com incredulidade. Respira fundo. Vai até a sala. Mulder está limpando o sangue no chão.

SCULLY: - (NERVOSA) Não acredito que fiz isso...

MULDER: - Scully... Não sinta culpa nisso. Não há culpa. Eu já expliquei pra você que esse merda é um nada.

SCULLY: - (NERVOSA) Tá. Precisamos nos livrar do corpo, alguma ideia? Acho que tenho uma pá na lavanderia e...

MULDER: - Não. Eu não quero sair com um corpo no porta-malas do carro e ter o trabalho de cavar uma vala pra essa droga aí.

Mulder pega o balde com a água completamente avermelhada pelo sangue que fora limpo. Vai pra lavanderia.

Scully observa o braço de Krycek que se revela pra fora do tapete. Agacha-se. Desliza sua mão pele braço do russo, tocando em sua pele morta. Mulder entra na sala. Olha pra ela.

SCULLY: - Mulder, se eu não visse, não acreditaria em você, eu...

Scully rasga um pedaço do pano que cobre o sofá. Enfia a mão pra dentro do tapete, retirando o pano manchado de sangue. Levanta-se, guardando o pano no bolso. Mulder passa as mãos nos cabelos, angustiado, olhando pro tapete que esconde o resto de seu crime. Dá um chute em Krycek.

MULDER: - Desgraçado!

SCULLY: - ...

MULDER: - Tem incinerador no seu prédio?

SCULLY: - Mulder, se eu sentir o cheiro dele queimando...

MULDER: - Eu faço isso. Não quero você envolvida mais do que já está. O serviço sujo é meu. Esse foi o combinado.

Scully abre a porta. Mulder sai arrastando Krycek no tapete.

MULDER: - Scully, me dá um pano molhado. Se vazar sangue pelo tapete não quero deixar marcas nas escadas. E fica verificando as escadas. Não teria como explicar isso pros seus vizinhos.

Scully corre pra cozinha e abre uma gaveta. Retira nervosamente um pano e molha-o na torneira. Sai com o pano nas mãos. Corre até a porta que dá acesso às escadas.

SCULLY: - Mulder, vou à frente. Verifico se não há ninguém.

Scully desce as escadas. Mulder vem arrastando o corpo de Krycek.

MULDER: - Desgraçado, você pesa pra caramba! É o morto mais pesado que eu já vi!

[Fade in.]


[Fade out.]

No porão do prédio, Scully vigia a porta. Mulder arrasta Krycek até o incinerador. Chuta o tapete, revelando o corpo do russo. Mulder o empurra com dificuldades pra dentro do incinerador, fechando a porta. Mulder ergue-se. Olha pro incinerador. Não há culpa e nem remorso nos olhos frios de Mulder.


Rua 46 Este – 10:18 A.M.

O Sindicato está reunido. O Homem das Unhas Bem Feitas olha pro Canceroso.

HUBF: - (NERVOSO) Onde está Alex Krycek?

MULDER: - (DEBOCHADO) Se atrasou. Foi a um churrasco.

O Canceroso abaixa a cabeça, segurando o riso. Ergue a cabeça sério.

CANCEROSO: - Começaremos sem ele.

O Homem das Unhas Bem Feitas olha pra Mulder. Mulder desvia o olhar e olha pro Canceroso. Este sustenta um ar de 'eu sei o que você fez, esse é o meu garoto'.

GARGANTA PROFUNDA: - Acho que devemos tratar de negócios, não acha?

O Canceroso acende um cigarro.

CANCEROSO: - Negócios... Mulder, alguma novidade no FBI?

MULDER: - Nada.

CANCEROSO: - E Utah?

MULDER: - Não há nada de concreto. Eu sei que vocês estão agindo por lá. Só queria que me deixassem a par da situação.

HUBF: - Ninguém está agindo em Utah!

O Canceroso olha desconfiado pra HUBF. Mulder olha em desespero para o Canceroso. Tenta chamar sua atenção.

MULDER: - Ei! Eu quero a verdade! Se vou trabalhar pra vocês eu quero saber o que devo ocultar!

O Canceroso vira-se pra Mulder. Mulder olha nos olhos dele.

MULDER (OFF): - Parede de tijolos. Você tem que bloquear sua mente!

O Canceroso sorri. Vira-se para o Homem das Unhas Bem Feitas.

CANCEROSO: - Mulder tem razão, não deve haver segredos entre nós. Temos o objetivo único de resistir a invasão. Devemos trabalhar em grupo, não com interesses pessoais.

O Homem das Unhas Bem Feitas olha para Mulder.

HUBF: - Não confio em alguém que não deixa transparecer o que pensa.

CANCEROSO: - Como assim? Agora é capaz de ler mentes?

HUBF: - Absurdo! Eu não sou nenhum projeto falido de vocês! Não sou um híbrido bastardo!

O silêncio se estabelece. Garganta Profunda olha para o Canceroso. Levanta-se.

GARGANTA PROFUNDA: - Temos informações de presenças alienígenas no espaço aéreo de Oklahoma. Espero encontrar a criança. É a única resistência que temos. Sem essa vacina, a Terra vai perecer nas mãos deles. Estão muito calados.

HUBF: - Tantos anos pra terminar nesse turbilhão de problemas!

GARGANTA PROFUNDA: - (JOGANDO) Mulder, por que não faz um sacrifício?

MULDER: - (JOGANDO/DEBOCHADO) Querem outra criança? Lamento informar, mas me deixaram estéril. Alguma cobaia feminina para se oferecer?

HUBF: - Você é um idiota! Não pode ser qualquer uma! Tem que ser ela.

O Canceroso olha pra ele, mais desconfiado ainda.

CANCEROSO: - Por que tem que ser ela?

HUBF: -... Bem, eu acho que sim.

CANCEROSO: - Como sabe disso?

HUBF: - Eu não sei. Estou apenas supondo!

O Canceroso apaga o cigarro. Sai da sala, num sorriso debochado. Mulder o segue. Os dois caminham lado a lado.

MULDER: - Pode me explicar como um membro do Sindicato pode ficar nervoso por dizer uma informação que seria de seu domínio e depois negá-la?

CANCEROSO: - Você estava certo sobre eles. Como sabia disso?

MULDER: - Não importa como eu sabia. Só não quero que pense que estou fazendo isso pra ajudar você! Eu só estou aqui pela humanidade inteira! Não me importo com você, com eles, com o diabo!

CANCEROSO: - Não estou pensando nada.

MULDER (PENSANDO): - Você me ensinou a coisa da parede de tijolos. Agora eu entendi. Por que não sabia que era ele?

CANCEROSO (PENSANDO): - Porque eu não sou o híbrido perfeito.

Mulder olha surpreso pra ele.

MULDER (PENSANDO): - ... Como sabe disso, que é um híbrido?

CANCEROSO: - Não sabia. Não tinha certeza. Até você me confirmar com sua pergunta agora.

MULDER: - ... (FECHA OS OLHOS PERCEBENDO O ERRO)

CANCEROSO: - Não sei o que aconteceu com você, Mulder. Mas algo me diz que saber sobre ele é apenas um terço do que está ocultando. É em Utah? Pois eu vou descobrir o que está acontecendo.

O Canceroso entra no elevador. Mulder abaixa a cabeça.

MULDER: - Droga!

Mulder pega o celular.

MULDER: - ... Atende, atende... Sou eu. Estou indo pro local. Me espere lá, eu precisarei de você.

Mulder desliga e sai às pressas pela escada.


Imediações da Base Aérea de Wright-Patterson – Utah – 7:21 P.M.

O sol vai desaparecendo por detrás da montanha. Scully, sentada dentro do carro, estacionado no acostamento. Fisionomia de preocupação. Pelo retrovisor ela percebe o carro que se aproxima e estaciona atrás do dela. Scully desce. Vai de encontro a Mulder.

MULDER: - Ele sabe do ninho.

SCULLY: - A localização?

MULDER: - Não. Mas ele sabe.

SCULLY: - Como o Fumacinha sabe?

MULDER: - Ele começou a ler pensamentos também! Eu fiz a besteira de confirmar que ele é um híbrido!

SCULLY: - ... E se a ajuda que eu dei pra ele a pedido do Garganta Profunda despertou essa habilidade adormecida... Mulder...

MULDER: - Não vai acontecer de novo, Scully. Eu sei que ele pode ler minha mente, eu vou bloqueá-la. Confia em mim.

SCULLY: - Eu confio, Mulder.

MULDER: - O desgraçado do Fumacinha não sabe com o quê está lidando. Precisamos encontrar aquele miserável antes dele. Ele sabe.

SCULLY: - Mulder...

MULDER: - Precisamos ser rápidos. Trouxe o que eu pedi?

SCULLY: - Sim.

Scully abre o bagageiro do carro. Os dois colocam coletes, botas, pegam lanternas e equipamentos de busca.

MULDER: - Me escuta. Se encontrarmos algum sobrevivente, você corre com ele pra fora. Eu não sei quantos estão lá dentro, mas aposto que são muitos.

SCULLY: - Mulder, e você?

MULDER: - Eu preciso achar a rainha, Scully.

SCULLY: - ...

MULDER: - Você cuida dos humanos. Deixa que com os alienígenas eu me entendo.

SCULLY: - E como vou saber se são humanos?

MULDER: - Vai saber. Estão todos em alguma câmara de suprimentos, como um formigueiro. Eles são o alimento das larvas, Scully. As operárias os trazem para o ninho. Chame de abdução se quiser, mas é uma abdução muito bem disfarçada... Mas primeiro preciso encontrar aquele desgraçado. Ele vai nos ajudar.

Os dois atravessam a cerca de arame farpado. Se embrenham no mato alto.

MULDER: - Vê o topo da montanha?

SCULLY: - Sim.

MULDER: - Percebe que a forma parece um disco, caído de lado? É a nave deles abaixo da mata. Na verdade aquilo ali é um platô. Lá dentro, um imenso formigueiro, com galerias subterrâneas onde eles escondem suas larvas e mantém os humanos como alimento para elas. Precisamos apenas achar a entrada.

SCULLY: - As vozes te disseram isso?

MULDER: - Sim. E não me preocupo em encontrar a entrada. Eu encontrarei. Chame de 'instinto'.

Scully segue atrás dele.


BLOCO 4:

Mulder para em frente a um paredão. Observa atento. Scully olha pra ele. Mulder fecha os olhos. Abre-os. Começa a afastar as folhagens. Há uma imensa porta de metal com as inscrições: Propriedade do exército americano.

Scully sorri. Mulder afasta mais as folhagens. Tenta abrir a porta. Com muito esforço ele consegue empurrá-la. Há uma enorme caverna. Mulder entra. Dá a mão para Scully, ajudando-a a entrar.

Geral da caverna imensa. Água jorra de uma fonte natural entre a parede de pedras. Há um lago. Várias caixas de armamento militar muito envelhecido. Mulder dá a mão pra ela.

MULDER: - Temos que atravessar o lago.

SCULLY: - Mulder e se eles nos virem?

MULDER: - A entrada deles é pelo alto, Scully. As operárias não sabem dessa entrada.

Mulder entra na água. Segura Scully pela mão. A água bate na cintura de Scully.

MULDER: - Segure em mim, não quero que nada te aconteça.

SCULLY: - E poderia me acontecer algo?

MULDER: - (SORRI) Não confia em Deus, Scully?

SCULLY: - (SORRI) ... Frio...

MULDER: - E bonito. Um ótimo lugar pra se esconder e passar a lua de mel.

SCULLY: - Fora de cogitação, Mulder.

Ele sorri. Os dois atravessam o lago. Há duas entradas. Scully acende a lanterna. Olha pra Mulder.

SCULLY: - E agora? Por onde vamos?

Mulder fecha os olhos. Abre-os. Olha pra entrada da direita.

MULDER: - É por aqui.

Mulder puxa Scully pela mão e entra no túnel. Acende a lanterna. Os dois caminham em passos cautelosos.

SCULLY: - Mulder, quem suspeitaria disso?

MULDER: - Nem aqueles metidos a sabichões que aguardam o holocausto humano sentados numa sala em Nova Iorque.

SCULLY: - Como vamos encontrá-lo?

MULDER: - Seguindo meu 'instinto' natural, Scully.

SCULLY: - Mulder, algumas vezes tenho medo de você.

MULDER: - De mim?

SCULLY: - É, eu...

MULDER: - Scully, eu não quero que tenha medo de mim. Sou tão humano quanto você.

SCULLY: - É, falou muito bem: tão humano quanto você.

MULDER: - Scully, não encuca com o que você leu naquela carta, ok? Já te expliquei que todos nós somos alienígenas. Uns poucos uma experiência.

SCULLY: - ...

MULDER: - A raça humana é uma experiência e evoluiu por etapas. Alguns não deram certo ou saíram melhor do que eles pensavam, como os Atlantes, Anasazis, Maias... então foram extintos ou levados pra fora daqui em grandes grupos. Já passamos por diversas evoluções propositais. Quando a raça apresenta algum problema, eles nos mutam geneticamente para uma raça melhor. Eu sou uma mutação. E o nosso filho será o princípio da nova raça, que subsistirá aos aliens. Essa é a nova necessidade evolutiva do homem.

SCULLY: - ...

MULDER: - Sobreviver ao óleo negro. E o que aqueles cretinos do Sindicato querem fazer é bancar Deus. Só que se aliaram ao 'deus' errado.

SCULLY: - Isso é completamente louco pra mim, Mulder, mas explica porque não encontramos o elo evolutivo entre os primatas e o homem atual. Existem vários fósseis, ramificações, teorias, mas nenhuma ligação possível entre eles... Existem homens da pré-história que agiam como macacos, enquanto que fósseis datados da mesma época, encontrados em outra região, revelam homens com cérebro desenvolvido.

MULDER: - Aquele cara em Jerusalém veio até aqui, viveu entre nós para nos elevar a seres respeitáveis nesse universo. Ele alegou que éramos seres, não apenas experiências e cobaias. Mas tem os dissidentes Dele que acham que nosso lugar aqui é como animais.

SCULLY: - ... Mulder, se o Padre McCue te escuta falando, teria sérios problemas...

Os dois param. Mulder fecha os olhos. Fica tonto.

SCULLY: - Mulder? Está bem?

Um caleidoscópio de cores passa pela mente de Mulder.

MULDER: - Eles estão perto.

Mulder caminha mais alguns passos. A caverna termina. Há apenas dois buracos enormes na parede, que se revelam dois túneis, mais elevados. Mulder vira-se pra ela.

MULDER: - Quero que fique aqui, ok?

SCULLY: - Tá.

MULDER: - Eu vou buscá-lo. Dê-me duas horas. Se eu não voltar, saia correndo daqui e peça ajuda ao Canceroso. Não haverá outra alternativa.

Mulder tira a mochila. Aproxima-se do túnel da esquerda. Pega algumas estacas de alpinista. Crava na parede do túnel. Olha pra Scully.

MULDER: - Isso é o que dá entrar pela saída. Tem que escalar até o topo.

Ela sorri. Mulder entra no túnel, subindo pelas estacas. Scully suspira, nervosa, o acompanhando com os olhos. Segura firme o crucifixo do pescoço. Sussurra.

SCULLY: - Protege o meu Mulder. Traga ele de volta pra mim.


Corta pra Mulder.

Ele sobe pelo túnel, encostando-se nas paredes e cravando as estacas como ponto de apoio para os pés. Olha pro alto. Total escuridão.


Residência de Margaret Scully – 9:41 P.M.

Meg sai pra fora da casa, vestida num robe. Observa a lua. Sorri, como quem se perde em pensamentos. Ela não percebe o carro que estaciona a poucos metros de sua casa, com os faróis apagados. Meg continua olhando pra lua, numa saudosidade visível.

CANCEROSO: - Senhora Scully?

Ela sai de seus pensamentos ao ver quem se aproxima.

MARGARET: - Senhor Mul... Spender?

O Canceroso para ao lado dela, olhando pra lua.

CANCEROSO: - Uma linda noite.

MARGARET: - Sim. Que surpresa vê-lo novamente.

CANCEROSO: - Estava passando e resolvi saber como está.

MARGARET: - Bem, obrigada. E o senhor? Está melhor?

CANCEROSO: - Um pouco mais feliz. Sei que nossos filhos ainda têm problemas.

MARGARET: - A perda de nosso neto os deixou transtornados. Dana esteve aqui, Fox também. Estão arrasados... Fox me disse que está procurando o filho. Que parece que tem pistas sobre o paradeiro do garoto. Mas por favor, não diga que lhe contei sobre isto. Ele me pediu sigilo.

CANCEROSO: - ... Ele disse isso?

MARGARET: - Disse... (SUSPIRA) Por fim, quem está arrasada sou eu, senhor Spender. Estou me sentindo tão impotente! Confesso que não falo dos meus problemas pra não deixar minha filha mais abalada do que está. Uma mulher velha como eu deve se limitar a trazer problemas para os filhos.

CANCEROSO: - ... Entendo.

MARGARET: - Dana está enlouquecendo... Não sei se deveria chateá-lo com isso, mas preciso desabafar com alguém.

CANCEROSO: - Sabe que sou seu amigo.

MARGARET: - ... Eu sinto muito pelo Fox, senhor Spender. Mas estou preocupada com a minha filha. Ela não quer deixa-lo mais tenso, então fica comendo feito uma desesperada, como forma de auto-punição. Ela acredita que se não fosse por sua obsessão cega em ter um filho, Fox estaria bem hoje.

CANCEROSO: - Ele está tão doente assim?

MARGARET: - Não sabe?

CANCEROSO: - Eu sei pouco, senhora Scully. Como lhe disse, Mulder não se abre comigo.

MARGARET: - Os médicos lhe deram apenas sete meses de vida... E Dana não aceita isto. Ela não pode fazer nada. Minha filha está ficando perturbada, ela carrega tudo dentro de si, não quer que ele sofra. Sabe como Fox é, ele sente-se culpado por tudo. Então ela evita de comentar seus medos pra que ele não se sinta culpado... Eu só tenho medo de perder minha filha, senhor Spender. Porque se Fox morrer, eu sei que ela morrerá com ele.

CANCEROSO: - ...

MARGARET: - Quer entrar? Fiz café.

CANCEROSO: - Aceito.

MARGARET: - Bom ter vindo, sabe? Precisava falar com alguém. ... Não sei se é o momento certo, senhor Spender, mas... Acho que vou me retirar por uns tempos.

CANCEROSO: - Sério?

MARGARET: - Não tenho mais cabeça pra nada, senhor Spender. Minhas amigas vão fazer um cruzeiro pelo mundo e estou sinceramente pensando em usar minhas economias pra isto. Quero descansar minha cabeça de tantas preocupações. Estou nervosa com a Dana, com o Fox. Mas eu não posso ajudar, se pudesse eu ajudaria. Acho que sou um estorvo, esta é a verdade.

CANCEROSO: - Vai ficar fora?

MARGARET: - Vou até me sentir melhor. Conversei com Dana sobre isto. Ela não quer, mas eu preciso pensar em mim, não concorda? Preciso me afastar daqui, tenho muitos questionamentos desde a morte de meu marido e pelos problemas dos meus filhos, acabei adiando isto. Mas é hora de ser um pouquinho egoísta e aproveitar a vida. Antes que ela vá embora. Afinal, não sou mais uma menina.

CANCEROSO: - Ora sra. Scully, mas ainda está muito em forma para pensar em morte.

MARGARET: - (SORRI) Meg. Me chame de Meg.

Os dois entram.


10:18 P.M.

Scully, sentada no chão da caverna. Risca o chão com uma pedrinha.

SCULLY (OFF): - Eu estou preocupada com ele. Sei que não deveria, mas estou.

Ela atira a pedrinha na parede.

SCULLY (OFF): - De todas as coisas que passamos juntos, esta tem sido a maior provação de todas elas. E se existia alguma dúvida quanto ao amor dele por mim, não existe mais. O que está fazendo é algo que nenhum homem nesse mundo faria por uma família.

Scully suspira. Lembranças lhe vêm à mente.


FLASH BACK:

Ela o olha com curiosidade. Ele olha pro teto procurando escutas. Ela entende.

MULDER: - Não vamos falar disso. Eu te explico depois. Portanto, creia que você não é culpada. Você foi apenas usada, Scully. Você foi um meio para um fim.

SCULLY: - ...

MULDER: - Entendi quando você me disse que ele pediu ajuda.

SCULLY: - Mulder, não entendo... Se ele não sabe e eu sei, afinal, o que aconteceu por aqui? Quer dizer que só eu senti e ele não sentiu nada, porque não estava aqui? Foi sonho?

MULDER: - Existem coisas que nem eu ou você podemos explicar, Scully. Está acima de nós. Aquilo que chamamos de premonição.

SCULLY: - Premonição? Que premonição? Minha?

MULDER: - Dele. Embora eu não acredite que aquele miserável tenha algum dom paranormal pra se projetar fora do corpo e pedir ajuda. Principalmente porque sabia que só eu poderia ajuda-lo. Então usou você pra atrair minha atenção, Scully. Porque o desgraçado tem medo de mim.

SCULLY: - Mas como ele me procurava, sem ele mesmo saber disso?

MULDER: - Scully, nem sempre a gente sabe o que faz quando dorme, sabia? O sono ainda é um mistério. Agora dorme, você precisa descansar. Ele nunca mais vai te procurar.

Ela suspira, continuando sem respostas. Apaga a luz.


TEMPO PRESENTE:

Scully escuta barulhos. Levanta-se. Puxa a arma. Percebe que do túnel em que Mulder entrara, caem algumas pedras e pó.

SCULLY: - Mulder?

Barulho. Alguma coisa vem caindo pelo túnel. Scully afasta-se.

SCULLY: - Mulder????

O barulho aumenta, terminando com o som de algo se estatelando no chão, no meio da poeira que cobre o lugar. Scully tenta afastar a poeira com a mão, e começa a tossir. O lugar todo fica infestado de poeira e não se pode ver nada.

SCULLY: - Mulder???

A poeira vai se dissolvendo.

Aos poucos revela o corpo de Krycek caído ao chão.

Barulho.

Mulder cai pelo túnel por cima de Krycek. Scully arregala os olhos num sorriso.

SCULLY: - Mulder!

MULDER: - Achei o desgraçado. Me ajuda aqui!

Os dois viram Krycek. Mulder começa a pressionar o peito dele com as mãos.

MULDER: - Acorda, russo miserável!

Krycek continua imóvel.

MULDER: - Acorda, seu filho de uma égua! Porque ninguém aqui vai beijar a sua boca não! Você morre antes que eu faça isso.

Krycek abre os olhos. Vira-se rapidamente e começa a vomitar uma coisa esverdeada. Mulder olha pra Scully e sorri.

MULDER: - O verme está de volta. Nunca pensei que ficaria feliz em ver essa cara cretina na minha frente. (DEBOCHADO) Pelo menos posso pensar palavrões sem que ele saiba.

Krycek olha pra ele.

KRYCEK: - O quê... Onde estou? O que estou fazendo aqui com você...

MULDER: - Respostas depois, preciso de sua ajuda primeiro.

KRYCEK: - (TENTANDO SE LOCALIZAR)

MULDER: - Me escuta, seu verme: Se não fizermos alguma coisa agora, em menos de alguns meses, vamos estar lá em cima sendo digeridos por alienígenas mutantes.

KRYCEK: - Do que está falando?

MULDER: - Estamos no ninho deles. Os desgraçados criaram uma raça copiadora de corpos. Eles levam as pessoas, copiam sua forma, e tomam seu lugar. E você foi um dos premiados. Estão infiltrados no Sindicato... é assim que sabem o que vocês planejam.

Krycek senta-se, tossindo. Olha pra Mulder.

MULDER: - A rainha deles põe ovos. As larvas copiam a forma humana inclusive a cor do sangue. Mas são aliens. É esse é o plano deles agora pra conquistar a terra sem chamar a atenção.

KRYCEK: - ... Como os clones que criaram?

MULDER: - Sabe aquele Caçador, Jeremiah Smith... Eles podem copiar a forma das pessoas. Estes, o que chamamos de operárias, copiam e ficam com a forma para sempre. São apenas escravos da colonização. Uma experiência deles. Só fazem o serviço: cuidam dos outros, os alimentam e trazem para o ninho os abduzidos.

KRYCEK: - O que fazem com as pessoas verdadeiras?

Mulder olha seriamente pra ele.

MULDER: - Alimentam suas larvas.

Krycek fecha os olhos.

KRYCEK: - O desgraçado fumeguento sabia e me escondeu o jogo!

MULDER: - Ele não sabia.

KRYCEK: - Por que está me contando tudo isso?

MULDER: - Por que só você pode ajudar a encontrar o meu filho.

KRYCEK: - Confiaria em mim pra isto?

MULDER: - Quer saber de uma coisa, Krycek? Eu matei você hoje.

KRYCEK: - ???

MULDER: - Matei o alien que copiou você. O detalhe mórbido da coisa é que o Canceroso mandou que eu executasse o serviço.

KRYCEK: - Então ele sabe sobre os planos dos aliens.

MULDER: - Não. Ele pensou que era você.

KRYCEK: - ...

MULDER: - Estou trabalhando pra eles agora. Minha ordem foi eliminar você. E se quiser sair daqui vivo, eu mantenho o meu silêncio. Estou lhe oferecendo a chance de se vingar dele sem que ele saiba.

KRYCEK: - E o que quer em troca?

MULDER: - Que me ajude a tirar essa gente toda daqui. Se essa tecnologia cair na mão dele, você sabe o que acontecerá.

KRYCEK: - Acha que eu confiaria em você?

MULDER: - Não pedi pra confiar. Pedi pra me ajudar. Se não quiser, eu posso dizer lá dentro, em alto e bom som, que você está vivo. O Canceroso adoraria saber disso.

KRYCEK: - Está traindo sua pátria, Mulder? Barganhando com um russo?

MULDER: - Só existe uma pátria, chamada Terra. Eu posso conseguir acesso a verdades que você procura. Mas eu só as darei se me ajudar a descobrir onde está o meu filho. Terá sua vingança, Krycek. E eu, o meu filho. Uma troca justa. E ninguém desconfiará de um homem morto.

KRYCEK: - ...

MULDER: - Chegou a hora de mudar as regras. Você quer o mesmo que eu, só que apenas dá cabeçadas e nunca consegue. Krycek, eu e você fomos usados. Usados por eles. Esqueça o que passou, esqueça tudo. Você é tão nada quanto eu sou. Hora de dar o troco. Você sabe que também é uma experiência deles. Você só quer sobreviver ao holocausto. E eu só quero que meu filho possa ajudar a humanidade a fazer isto. E pra isto, ele não precisa sofrer, entende?

KRYCEK: - ... Não confio em você, Mulder.

MULDER: - Não terá outra alternativa. Pense bem, Krycek. Eu fiz minha parte. Poderia não ter me preocupado com você, mesmo depois que você matou meu pai, matou minha mãe, a irmã da Scully e tentou levar o meu filho. Eu zerei sua conta. Espero que você zere a minha. Hora da gente sentar naquela cadeira e dar as ordens. Porque nos colocaram um contra o outro e nós dois somos apenas vítimas deles. Apenas fizemos o nosso papel, enquanto eles estavam sentados e nos assistindo como se fôssemos gladiadores de um espetáculo romano.

Krycek olha pra Scully. Scully vira o rosto, desconcertada. Mulder olha pra ela.

MULDER: - Scully, ajude ele. Eu vou voltar lá em cima. Preciso matar a rainha.

SCULLY: - Mulder, toma cuidado.

Krycek os observa. Mulder aproxima-se dela. Afaga seus cabelos. Beija-a na testa.

MULDER: - Você é meu anjo, Scully. Eu estarei bem protegido.

Mulder entra pelo túnel novamente. Scully olha pra Krycek. Senta-se ao lado dele. Entrega um cantil de água.

SCULLY: - Beba isto.

KRYCEK: - ...

SCULLY: - Está bem?

KRYCEK: - ... Estou. O que ele quis dizer com ajudar?

SCULLY: - Existem mais pessoas lá em cima. E todas vão morrer se não as tirarmos daqui.

KRYCEK: - Ora, quem se importa!

SCULLY: - Pois eu disse isso ao Mulder, quando ele foi salvar você.

KRYCEK: - ...

SCULLY: - Encare isso apenas como uma ajuda de ser humano para ser humano. Deixe nossas diferenças de fora agora. Existe gente da nossa raça lá em cima. Vamos defender a nossa raça. Depois podemos brigar, mas agora é hora de união!

KRYCEK: - ...

SCULLY: - Não se lembra de nada?

KRYCEK: - A última coisa que me lembro era de estar deitado na minha cama... E de ter sonhado com você. Eu não sei o que era, mas eu acho que sonhei com você...

SCULLY: - (CORTANTE) Levante-se. Temos trabalho a fazer.

KRYCEK: - Como Mulder me encontrou? Como ele sabia?

SCULLY: - Você pediu ajuda à ele.

KRYCEK: - (RI) Eu???

SCULLY: - (SÉRIA) Em sonhos.

Scully levanta-se. Entra no túnel. Krycek olha pra ela.

KRYCEK: - Eu não vou! Não vou lá em cima!

Scully abaixa a cabeça e olha pra ele.

SCULLY: - Então eu vou sozinha, covarde.

Ela sobe, desaparecendo pelo túnel. Krycek levanta-se. Limpa a roupa. Sorri.

KRYCEK: - (GRITA) Eu não sou idiota como o Mulder! Um altruísta desgraçado...

SCULLY: - ...

KRYCEK: - Se querem se matar, arriscar suas vidas por nada, vão em paz!

SCULLY: - ...

KRYCEK: - Tá me ouvindo?

SCULLY: - ...

KRYCEK: - Droga!

Krycek entra no túnel.

KRYCEK: - Scully, me espere aí! Eu só vou subir com você porque sou cavalheiro! ... Droga! Eu sei que vou me arrepender disso.


TO BE CONTINUED...


11/02/2001



13 de Agosto de 2019 às 16:23 0 Denunciar Insira Seguir história
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Fim

Conheça o autor

Lara One As fanfics da One são escritas em forma de roteiro adaptado, em episódios e dispostas por temporadas, como uma série de verdade. Uma alternativa shipper à mitologia da série de televisão Arquivo X. https://www.facebook.com/laraone1

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