Cachecol amarelo Seguir história

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Através dos aros dourados e redondos, Youngjae permitia seu olhar vagar por inúmeras vezes no corredor do lado, espiando por entre o vão na estante de livros, o garoto de cachecol amarelo [...] O cachecol amarelo não era um mero detalhe, ele já fazia parte das características Jaebum, mas além de deixa-lo bonito, era uma forma de destaca-lo em meio à multidão. Para Youngjae era fácil distinguir o bibliotecário.


Fanfiction Bandas/Cantores Impróprio para crianças menores de 13 anos.

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amarelo girassol

Através dos aros dourados e redondos, Youngjae permitia seu olhar vagar por inúmeras vezes no corredor do lado, espiando por entre o vão na estante de livros, o garoto de cachecol amarelo. Sempre, é claro, tomando cuidado para não ser descoberto —embora aquela não fosse a primeira vez, e nem a última, fazendo aquilo—. Quando alguns alunos passavam perto Youngjae disfarçava, fingia estar procurando algo em específico, mas logo voltava ao seu objetivo. Ele era realmente lindo de morrer, tinha um perfume gostoso e um sorriso ainda mais gostoso. E além do cabelo estilizado no corte mullet, um corte antigo e quase antiquado para dois mil e dezenove, mas que nele caía perfeitamente bem, aliás, Youngjae se recusava acreditar que qualquer coisa não ficaria boa naquele homem, ele era sempre muito gentil com os estudantes que chegavam perdidos na imensa biblioteca, se oferecendo para ajudar.

Youngjae estava em uma missão nesse momento. Depois de observá-lo por tanto tempo, foi impossível não notar que ele não só trabalhava ali, como também lia muitos dos livros da biblioteca. Houve um em específico, o qual o dono do cachecol amarelo sempre lia e relia. E era exatamente ele que Youngjae queria agora: Kafka à beira-mar. Não foi tão difícil alugar o livro e a primeira coisa que Youngjae fez foi abrir o livro na última página retirar de lá a ficha de retirada de livros da biblioteca, buscando encontrar o nome que, muito provavelmente, estaria escrito por, no mínimo, quatro vezes no papel.

Haviam muitos nomes escritos lá, porém só havia um de cada, mas exatamente cinco de um mesmo homem, na mesma caligrafia. O coração de Youngjae se acelerou e ele não pôde deixar de sorrir ao passar a pontinha do dedo indicador na letra e pronunciar o nome num sussurro.

Im Jaebum, 14/07/2018

Im Jaebum, 21/12/2018

Im Jaebum, 19/02/2019

Im Jaebum, 07/05/2019

Im Jaebum, 08/07/2019

Ele finalmente sabia algo sobre o homem de cachecol amarelo; sua paixão agora tinha nome e sobrenome.

Im Jaebum tinha dedos pequenos e grossos, além de adornado por muitos anéis—sim, por muitas vezes Youngjae se pegou observando as mãos de Jaebum que sustentavam os diversos livros da biblioteca que ele insistia em arrumar por ordem alfabética e por gêneros— e as unhas curtas e limpinhas que Youngjae notou nos momentos que Jaebum pegava a caneta para dar baixa nos livros e liberar os aluguéis dos mesmos, aproveitando para observar as duas pequenas pintinhas que ele tinha acima do olho esquerdo.

O cachecol amarelo não era um mero detalhe, ele já fazia parte das características Jaebum, mas além de deixa-lo bonito, era uma forma de destaca-lo em meio à multidão. Para Youngjae era fácil distinguir o bibliotecário quando havia alguma reunião com todos os alunos na quadra por algum motivo, desde a conscientização dos lixos esparramados pela escola até os anúncios das provas finais.

Youngjae estava muito consciente de sua paixão desenfreada pelo bibliotecário e sabia que suas chances eram nulas, só lhe bastando passar por todos os sintomas da paixão em silencio. Ou era isso o que ele havia planejado antes que Jackson, o seu melhor e pior amigo, soubesse disso e se aproveitasse para jogar lenha na sua pequena fogueira.

Jackson Wang. Como Youngjae poderia descrevê-lo para os outros? Chinês, filho único, praticante de esgrima e fluente em duas línguas até então, sua nativa sendo o mandarim —ele falava coreano e estava estudando inglês e francês no momento—. Ele parece o sonho de homem até as primeiras descrições sobre sua personalidade um tanto... Caricata? Ele era uma figura, literalmente. Divertido e ótimo com piadas, e com seu jeito descontraído, ele conseguia se enturmar facilmente num grupo, diferente de Youngjae, que preferia uma solidão confortável a se socializar com estranhos. Ele era resumidamente um ótimo amigo, mas ótimo no mesmo nível em fazer Youngjae chamar a atenção mais do que queria. E justamente por esses pequenos detalhes, Youngjae estava num buraco apertado com Jackson sendo insistente sobre ele “tentar algo com o bibliotecário do pano amarelo”.

—Jackson, eu já disse que aquilo não é um pano, é um cachecol. Ca-che-col!

—Tanto faz, dá no mesmo! —disse ele abanando as mãos. —O que eu quero de verdade é fazer meu amigo feliz, e isso inclui empurrá-lo para o carinha do pano amarelo. —continuou ele depois de tomar de canudinho um shake de proteína de baunilha que Youngjae achava horrível.

Jackson era imprevisível, impulsivo e extrovertido ao extremo. Se havia algo que ele queria, ele nunca deixava para depois. Então ele estava sendo insistente sobre Youngjae “puxar um assunto” com Im Jaebum —ele deixou de fora o fato de que sabia o nome do bibliotecário até então porque Jackson poderia fazer um escândalo—.

—Jackson, por favor... Ele é um adulto e eu um adolescente ainda, com certeza tem uma namorada, afinal, com aquele rosto quem não iria querer? E, além disso...

—Ora, ora... Você adora o rosto dele, então? —Jackson sorriu de canto e piscou para Youngjae, que tapou o rosto, envergonhado. —Youngjae, não seja idiota! No mínimo ele deve ser algumas casas mais velho que você, ou o que, você acha ele tem cara de trinta e sete anos? E além do mais, em alguns meses você faz dezoito, se esse for o problema.

—E-eu vou pensar sobre isso... Agora, por favor, deixe-me estudar porque eu quero mais que tudo passar esse ano e começar em uma boa faculdade.

Youngjae fechou a última página do livro em concomitância com os olhos, se sentindo um tolo por não entender nem dois terços do livro. O que exatamente Jaebum viu naquele emaranhado de palavras que foi o suficiente para fazê-lo ler cinco vezes? Ele realmente não conseguia entender. Se ele fosse minimamente próximo de Jaebum, queria poder xingar seu cérebro altamente desenvolvido.

—Devolução? —a voz de Jaebum o tirou de devaneios para a realidade.

Youngjae concordou, sentindo-se inquieto a respeito do livro. Mesmo após buscar resenhas na internet ele não entendeu absolutamente nada. O garoto simplesmente adquiriu uma habilidade de falar com gatos e...

—E você gostou?

Youngjae parou novamente de pensar sobre o livro e tentar retirar algum conhecimento dele quando Jaebum voltou a falar consigo, dessa vez o deixando perplexo. Era a primeira vez que ambos se falavam que dizer, mais que duas ou três palavras sem ser obrigado e boa leitura. Youngjae quis concordar e dizer que era um ótimo livro, mas ele era péssimo em mentiras.

—Na verdade, não muito... —ele mordeu os lábios e desviou o olhar. Se houvesse uma única chance dele e Jaebum se aproximarem, seja por gostos semelhantes ou qualquer outra coisa, ele havia perdido ela bem agora.

—E por quê? —ele tinha um tom de curiosidade, e talvez, julgou Youngjae, humor.

—Sinceramente? Eu não entendi quase nada do que eu li. —ele sorriu sem humor, tendo a certeza de que Jaebum o considerava um tolo agora. —Quero dizer, ele começou a falar com gatos, choveu peixe do céu e... A profecia sobre Kafka... Também há muitas histórias de forma que sejam paralelas e é confuso...

Ele viu, bem de pertinho, e pela primeira vez, os olhos de Jaebum quase sumirem num risquinho semelhante a um formato de uma lua minguante e seus pares de dentes brancos e muito alinhados sorrirem para si, ou de si. E droga, era uma das coisas mais lindas que ele havia visto em sua vida. Jaebum era muito, muito lindo.

—É exatamente esse o ponto, Youngjae. Nem sempre para tudo há respostas.

Youngjae sentiu o coração bater frenético e sua garganta secar pela inquietação que ele se tornou. “Como ele sabe o meu nome?”, ele pensou, finalmente ouvindo na voz de Im Jaebum, seu nome soar. Mas sentiu uma pontinha de decepção quando, obviamente, havia seu nome escrito na ficha de aluguel do livro. “Muito óbvio Youngjae idiota!”

—É, faz sentido. —ele sorriu mínimo, observando os dedos de Jaebum pegar na caneta azul enfeitada com um gatinho pendurado e escrever seu nome e a data da devolução. E ali ele notou que, realmente, Jaebum combinava bem com gatos, e que ele até se assemelhava a um.

—Sabe... Nós poderíamos discutir sobre ele algum dia... É o meu livro favorito. —disse Jaebum enquanto devolvia a ficha do livro na última página e deixava o exemplar num canto, onde depois ele organizaria em seu devido lugar. —Você sempre está na biblioteca, de qualquer forma.

Se antes Youngjae tinha duvidas sobre aquele ser o livro favorito de Jaebum, agora não havia mais, e embora tenha sido uma experiência estranha e confusa ler Kafka à beira-mar, ele agora entendia uma coisa: nem sempre para tudo há respostas, de fato, mas existem formas de se resolver ou se aprender com tudo o que vivenciamos.

—Uhm, sim, eu acho... —ele respirou fundo de modo que não fosse notado e usou o dedo indicador para subir os óculos que escorregava da base do nariz.

Youngjae naquele dia saiu da biblioteca com as pernas bambas e o coração ainda tentando reaprender o ritmo adequado para fluir sangue em todo o seu corpo, além da respiração acelerada.

—Você está malditamente apaixonado por ele! E não negue, eu vi nitidamente como você olhou para ele e, droga, você é tão fofo! —Jackson apareceu do nada, como sempre, assustando e envergonhando-o, tudo ao mesmo tempo.

—Jackson, agora não. —Youngjae suspirou, sentindo as mãos formigarem pelo recém-nervosismo.

—E eu posso te dizer uma coisinha? —Jackson sorriu baixinho e o cutucou nos ombros. —Ele também te olhou como alguém olha um filhote de coelho na vitrine de um Pet Shop.

—Deveria ficar feliz por isso? —Youngjae murmurou, obviamente não acreditando em Jackson, ele sabia que o amigo queria apenas fazê-lo ficar feliz. —... Mas foi a primeira vez que eu tive mais de um minuto de conversa com ele e Jackson... Ele é ainda mais bonito de perto.

Jackson continuou a caminhar com Youngjae com sua mochila grande como uma tartaruga ninja cheia de roupas até que estivessem em casa, já muito familiar e de casa para os Choi. Wang ia pousar novamente naquele fim de semana na casa de Youngjae para que pudessem definir quem realmente era o melhor em matemática e apostarem entre si, valendo um combo de junk foods, quem ia se sair melhor na avaliação do professor carrancudo Haeeso.

Estudavam até tarde da noite forrando o estômago com pacotes de Chips, bolachas recheadas e achocolatados frios porque estavam no verão. De vez em quando eles paravam um pouco, se alongavam e Jackson fazia o que sabia fazer de melhor: contar piadas e coisas engraçadas que ele havia visto no dia. Mas havia algo diferente nessa noite porque Jackson estava mais aéreo que o normal, com seu celular sempre vibrando e tirando sua concentração dos estudos.

—Tem algo que eu não tô sabendo? —Youngjae perguntou de boca cheia, terminando de mastigar o salgadinho.

—Na verdade não. —ele comentou, tentando dissimular um nervosismo muito aparente.

Qual é Youngjae o conhecia fazia quase duas décadas!

—Se você não quer dizer, tudo bem, mas não minta. —Youngjae respondeu, voltando a escrever no caderno.

Jackson se sentiu triste. Mentira era uma das regras que havia sido imposta na amizade deles havia anos, mas de fato, ele não estava sendo ao todo sincero com seu Youngie. Era uma promessa de mindinho, de crianças, mas que de certa forma havia muitos sentimentos envolvidos. Ele não viu o porquê omitir e nem alternativas, então disse:

—Eu estou gostando de alguém, mas esse alguém, provavelmente, não gosta de mim nem um tiquinho.

Youngjae deixou a caneta cair e encarou Jackson.

Você. Apaixonado?

—Gostando.

—Dá no mesmo. Quem é?

—Jinyoung, do conselho estudantil.

—O presidente? —havia um tom de surpresa em sua voz porque era realmente surpreendente Jackson estar gostando de um dos caras mais chatos da escola toda!

—Esse mesmo.

—E não tinha ninguém mais... Legal?

—Youngjae... —Jackson deixou os ombros caírem enquanto brincava com os dedos sobre o colo.

Desculpa você sabe... Ele é um chato. —ele tentou amenizar o bico emburrado de Jackson.

—Só porque você estava matando aula, o que já é errado, e ele te deu uma advertência, não o torna chato.

—De fato, você está o defendendo ao invés de mim, você está realmente apaixonado! —ele fingiu estar perplexo com a situação, mas sorriu no fim ao ver os olhos grandes e redondos do Wang em sua direção. —Acho que nós dois estamos ferrados.

Jackson assentiu em silêncio e logo ambos voltaram aos cálculos monstruosos do professor Haeeso.

Após as avaliações os alunos estavam mais calmos e menos ansiosos, embora exaustos. Youngjae era um desses, com noites mal dormidas e em claro com dezenas de livros pela cama, mesa e até no chão do quarto. Ele havia perdido um pouco de peso devido a isso. Também não havia visto Jaebum em nenhum desses dias em duas semanas passadas. Ele cogitou não se sentir mais tão afetado pelo bibliotecário, mas para o seu pesar, assim que viu o cachecol amarelo vagando pela escola e o mullet recém-aparado, seu coração perdeu os eixos novamente, como sempre fazia, e ele soube que sua paixão estava tão desperta e avassaladora, se não mais que antes, agora. Era muita inocência pensar que apenas alguns dias o faria se esquecer de Im Jaebum.

E lá estava ele novamente na biblioteca, espiando por entre os livros, Jaebum que arrumava os livros no corredor ao lado. Mas dessa vez ele realmente estava procurando por algo, não somente usando a desculpa de ver Jaebum trabalhar, tão concentrado como estava que em dado momento ele realmente se desesperou procurando ‘uma breve história da música’ depois de estar muito mais interessado do que deveria em música, e entusiasmado com a ideia de cursar psicologia e integrar a música como forma de terapia para crianças com câncer. Seus pais não aderiram muito a sua ideia, achando que ele deveria cursar algo mais ‘realístico e de garantia do retorno’, palavras deles, no caso em dinheiro, no futuro e que a profissão escolhida não lhe daria muita garantia de uma vida confortável porque era instável.

—Precisa de ajuda?

Youngjae parou a busca frenética ao ouvir a voz já um pouco familiar e ajeitou os óculos no rosto, sorrindo simples pela gentileza.

—Sim, por favor.

—E o que você procura? —Jaebum tombou a cabeça levemente para olhar para Youngjae e depois olhar para a estante repleta de livros, mas curiosamente ele achou um vão no meio dela, este que ele jurou ter tampado com novos livros mais cedo.

—Música, livros sobre música e psicologia, psicologia também. —ele acabou repetindo mais palavras do que achou que deveria, mas por sorte não gaguejou para completar seu inferno pessoal de micos já pagos em vida.

—Interessante... Youngjae tem interesse por música?

—Sim, eu gosto. —ele respondeu enquanto seguia Jaebum pelos corredores, observando a quão larga era as costas de Jaebum na jaqueta jeans e os fios do mullet caindo na pele de sua nuca.

—Vai fazer faculdade?

—Sim, pretendo cursar psicologia e integrar a música como forma terapêutica. —respondeu simples, mas notando o silencio que ficaram estendeu a conversa e de quebra saciou outra curiosidade sua sobre Im. —E você, faz alguma ou pretende?

—Fotografia, último semestre.

—Engraçado, nunca o vi com uma câmera. —Youngjae brincou, logo encarando diversos livros com as palavras música e psicologia escritos na lombada.

—Eu sou discreto ao captar uma fotografia. —ele soou misterioso e brincalhão, fazendo Youngjae corar e rir ao mesmo tempo. —Bom, aqui está os livros disponíveis, Choi. Sei que você sabe sobre as regras de alugar somente dois livros por vez, mas se você por acaso precisar de mais, venha me encontrar e poderei burlar algumas regras para um aluno desesperado.

—Talvez eu leve todos eles. —disse absorto em todos os livros da área.

—Posso fazer isso dar certo. —Jaebum acenou e deu os ombros. —Se precisar de algo me chame.

—Sim, claro. —Youngjae murmurou, vendo-o virar a esquina do corredor e então se voltou para os livros, sentindo seu coração finalmente se acalmar.

Youngjae não queria confessar isso nem para si mesmo, quanto mais para outra pessoa. Mas atualmente ele se encontrava brigado com seus pais justamente pela sua decisão em cursar psicologia, o que era inadmissível para dois pais que trabalhavam num banco, em cabines, sentados e digitando muitos relatórios.

Por isso ele ainda se encontrava na biblioteca, oito horas da noite, desde a uma da tarde. Sua visão às vezes ficava turva pela alimentação ruim que obtivera no dia, vulgo cookies da máquina da cantina, e ele então parava por alguns minutos e logo voltava o rosto nos livros. Ele já havia lido um livro curto com pouco mais de cento e cinquenta páginas e agora estava na metade de outro de quinhentas páginas, não deixando de anotar algo que sempre lhe chamava a atenção no pequeno bloco de notas ao lado. A biblioteca estava vazia assim como os pátios e corredores, o que era um alívio visto que ele poderia ler em silencio total.

Exatamente uma hora depois ele quase teve um infarto ao ouvir uma voz falar consigo, tirando sua concentração e ativando seu sistema simpático pelo enorme susto, embora o objetivo da pessoa ali não fosse exatamente esse.

—O que ainda faz aqui, Choi?

OH MEU DEUS! —ele pulou a cadeira e derrubou vários livros, colocando a mão no coração imediatamente. —Deus, por Deus, que susto! —ele sentia as pernas amolecerem e seus batimentos desacelerarem (mas nem tanto porque Jaebum estava ali, alô).

—Me desculpe, eu achei que tivesse feito barulho o suficiente para você notar que havia alguém aqui. —ele colocou a mão no ombro de Youngjae e o olhou de modo triste, realmente arrependido por tê-lo assustado. Ele também recolheu os livros derrubados e os colocou na mesa para Youngjae. —Mas de qualquer forma, o que ainda faz aqui? A biblioteca funciona até as sete, então automaticamente você está a duas horas extras aqui.

Youngjae o olhou brevemente e então desviou o olhar, fazendo um bico amuado. A situação em casa estava realmente ruim, mas isso não significava que ele poderia atrapalhar o trabalho dos outros apenas para ele fugir de seus problemas. Ele decidiu ficar em silencio sobre os problemas em casa, afinal Jaebum não merecia ouvir seus lamentos.

—Não é nada. Eu apenas... Apenas perdi a noção da hora e...

—Você é um péssimo mentiroso. —ele sorriu e sentou-se à mesa de frente para Youngjae. —Mas não precisa me dizer nada se não se sentir confortável, mas eu estou disponível para conversar se o Choi precisar. —disse colocando uma lata de suco de uva próximo da mão de Youngjae e um pão de mel sobre a lata. —Não sei se você gosta, e eu não deveria incentivar um aluno a comer essa porcaria toda, mas tenho certeza de que você está com fome, você está pálido. Acho que um pouco de açúcar pode prevenir um colapso de hipoglicemia.

—Obrigado, é muito gentil de sua parte. —ele olhou para a delícia em sua mesa e para Jaebum, sorrindo. E num instante ele estava desembalando o pão de mel e saboreando com gosto. —É bom, tem certeza de que não quer?

—Não, na verdade eu estou cheio.

A mesa ficou em silencio por um momento, chegando a ser constrangedor ouvir somente o som de Youngjae mastigando, além de quase serem notados seus batimentos acelerados e altos dentro do peito, ele sentia seu rosto pegar fogo quando seu olhar se encontrou com o de Jaebum.

—O q-que?

—Nada? —ele riu. —É que tem sujeira no seu rosto.

Youngjae rapidamente passou as mãos nas bochechas “que vergonha”, pensou.

—Saiu?

Depois de alguns segundos, os quais Youngjae sentiu ser um bocado de eternidade tendo Jaebum olhando todo o seu rosto qual ele não havia um pingo de confiança e seu nariz feio que ele chamava de “batata”, ele respondeu:

—Sim, saiu.

E então Youngjae soltou a respiração que até então não havia percebido que segurava.

—Deveríamos falar sobre Kafka? —Jaebum de repente surpreendeu Youngjae, que, entusiasmado, não só concordou como disse:

“A vida tem sua graça porque as coisas não saem do jeito que a gente quer”.

É uma obra complexa, de fato. Na primeira vez que li pensei ser um sonho, na terceira vez eu achei tudo muito... Real? Foi questão de interpretar os mesmos fatos escritos em cada época da minha vida. Às vezes tinha uma percepção diferente diante dos fatos, mas ainda há coisas que até hoje eu nunca entendi.

—Por isso você o leu muitas vezes?

Jaebum franziu a sobrancelha, “como Youngjae sabe disso?”, pensou ele, mas ainda assim assentiu. E Youngjae, para a sua infelicidade corou feito um vulcão em erupção se achando o mais idiota por se entregar facilmente ao dizer o óbvio “sim, eu li seu nome na ficha de locação, sou um stalker, ha, ha”.

Ha, ha.

—Sim, por isso eu o li várias vezes. —repetiu ele, sorrindo sutilmente. —Você me disse que achou estranha a chuva de peixes... Você tem alguma interpretação para isso?

—Não, realmente...

—Eu acho que o Nakata tinha convicção do que dizia, mesmo que fosse considerado um louco pelos policiais. Ele realmente queria provar sua inocência dizendo algo muito improvável, mas que no fim aconteceu de verdade. Acho que foi como uma ajuda divina, mas poderia ter acontecido numa realidade paralela. Algo como o que você acredita, acontece?

—Eu também acredito que a nossa mente tem um poder enorme, mas não sabemos desfrutar dele.

—O nosso poder é criar, Youngjae. Podemos imaginar e criar o que quisermos, pense nisso. Nada é impossível se observarmos dessa forma.

O assunto rendeu muitas filosofias e discussões sobre o real e o não real, mesclando às vezes fatos reais sobre a vida de ambos como quando Jaebum revelou ter cinco gatos devido ao seu amor pelo livro e quando Youngjae revelou ter alergias aos pelos dos gatos e também a pepinos.

Assim que saíram da biblioteca, quase dez as horas da noite, sendo os dois últimos lá dentro, Youngjae não deixou de estremecer pela diferença de clima na parte de fora. Uma brisa fria arrepiou seus braços protegidos apenas por uma camiseta fina de manga longa marrom. Jaebum estava mais protegido nesse quesito, além do cachecol que protegia sua garganta e seu nariz do frio.

—Deveria ser de lei obedecer aos pais quando eles pedem para levarmos uma camiseta extra na mochila. —Jaebum disse, rindo da situação de Youngjae.

—Dá no mesmo, meus pais nunca foram de ficar em cima de mim dessa maneira. E eu nem pensei em ficar tanto tempo fora de casa de qualquer maneira, é só que...

De repente ele notou que estava falando demais e tentou desviar do assunto, mas não soube o que dizer então se calou.

—Vocês estão brigados.

Youngjae não negou, mas também não concordou. Jaebum parecia ser bom em notar os problemas das pessoas.

—É sobre minha faculdade, você já deve saber. É meio clichê até... Eles não querem que eu faça psicologia e toda aquela história. —disse enquanto andavam para fora da escola, em direção ao estacionamento e Youngjae para a estação de metrô 1ue ficava de frente para a escola.

—Sim, eu entendo. Fotografia não foi e não é a favorita dos meus pais.

—Eu não me vejo trancado em uma sala e rodeado de papéis, sabe? Para mim, a única função do computador é o de jogar. —ele riu, mas acabou tossindo pelo ar frio que entrou em sua garganta.

De repente o cheiro suave de um perfume amadeirado entrou por suas narinas e ele notou o tecido amarelo e já aquecido por outra pele ser colocado em volta do seu pescoço.

Era o cachecol amarelo.

—Me devolva outro dia, ele é especial. —ele sorriu, acionando o alarme do que Youngjae notou ser uma moto e montou oferecendo um segundo capacete para Youngjae que ainda estava estático e aéreo na situação. —Suba, eu vou te levar para casa.

—Tudo bem, irei de metrô. —recusou educadamente.

Jaebum não gostou da ideia de deixar Youngjae ir sozinho de metrô quase dez horas da noite, era perigoso. Mas ele parecia decidido em não subir na moto, que fez Jaebum descer dela e guardar os capacetes.

—Eu tenho uma CNH, sabe? Deveria confiar no meu senso de direção. —ele fez um bico fingindo estar magoado. —Então iremos de metrô.

—O que?! Não...

—Sinto muito, mas não posso permitir que vá sozinho. Então prefere moto ou metrô?

Youngjae murmurou algo que fez Jaebum sorrir, mas ainda assim ele perguntou novamente.

—O que disse?

—Moto, Jaebum. Vamos de moto... —ele cedeu, pegando o capacete novamente e encaixando na cabeça.

Ele não deixou de agradecer quando a moto parou em frente a sua casa, ainda desnorteado por ter se segurado em Jaebum a viagem toda. As luzes estavam todas apagadas, o que não o surpreendeu. E quando ele entrou notou que realmente ninguém se importava. Ele tomou um banho e foi estudar mais um pouco, dormindo quase duas horas da madrugada.

Wangie: então, acho que é hora de me explicar o que foi aquilo que eu vi pela minha janela.

Youngjae: o que você viu…?

Wangie: você montado e agarradinho na moto do Jaebum, obviamente, ou o que, acha que eu fiz uma busca telescópica por saturno…?

Youngjae: ah, aquilo? Não foi nada demais. Ele me deu uma carona depois de eu ficar até tarde na biblioteca, você sabe, meus pais… Eu neguei, mas ele foi insistente... Acredita que ele quase deixou sua moto lá para ir de metrô comigo?

Wangie: ele beija bem?

Youngjae obviamente não respondeu a pergunta absurda (embora uma parte dele desejasse beijar Jaebum), mas alguns segundos depois a tela de seu celular se acendeu e dizia:

Wangie quer fazer uma chamada de vídeo com você.

—Me conte os detalhes.

—Eu já disse Jack, foi o que aconteceu.

—E o que me diz sobre esse pano amarelo que não é seu em seu pescoço?

—Eu não levei casaco extra, então ele me emprestou...

—Romântico. —ele disse em tom sedutor, semicerrando os olhos para Youngjae.

—Não faça disso um alarde, foi apenas uma gentileza dele. —Youngjae respirou fundo ao sentir o odor de Jaebum pelo cachecol.

—Oh, quem me dera Jinyoung ser tão gentil assim comigo…

—Infelizmente você se apaixonou por um tirano, não posso te ajudar.

—É... Mas Youngie, seus pais ainda estão bravos por conta do assunto da faculdade?

Youngjae assentiu, desviando o olhar da câmera.

—Não desista. Se for isso o que você realmente quer.

—Obrigado Jack, eu te amo, mas agora, por favor, me deixe dormir.

—Ah claro, vá sonhar com o bad boy motoqueiro que usa um cachecol cor de girassol no pescoço. Boa noite... E Youngie, eu também te amo.

A chamada de vídeo foi encerrada.

Felizmente para Youngjae, e infelizmente para outra pessoa, vulgo Im Jaebum, ele havia se esquecido de que as férias de verão iriam se iniciar na próxima semana, ou seja, Youngjae teria mais tempo com o cachecol de Jaebum, mas por outro lado só o veria novamente em algumas semanas. Nesse meio tempo Youngjae conseguiu um emprego de meio período em uma lanchonete, pagou ele mesmo a inscrição na prova da faculdade porque seus pais nem se ofereceram e nem fizeram questão de perguntar sobre ela —ele estava decidido de qualquer maneira— e continuou a estudar nos tempos livres para a avaliação de admissão na faculdade. Ele precisava de uma boa menção, no fim.

As férias se passaram tão rápido e ele achou que era devido ao trabalho que tomava tanto do seu tempo que ele nem sequer notou os dias se passarem. Logo as aulas voltaram e ele dava adeus ao cachecol de Jaebum.

—Achei que tivesse roubado ele de mim, você sempre pareceu olhar para ele com ambição.

—E-eu…? —ele fingiu se sentir falsamente acusado porque aquilo não era ao todo uma mentira, ele sempre quis sentir em suas mãos o tecido de tricô. —Bem, você sabe onde eu moro, poderia ter ido buscar ou sei lá...

—Poderia?

—Com licença, você tem namorada?

Youngjae franziu o cenho e se voltou para a voz masculina e TOTALMENTE comum aos seus ouvidos, fazendo-o sentir-se indignado e envergonhado. O que aquele maldito chinês fazia ali?

—O-oi, Jackson.

—Youngie! Oi, como você está?! —ele acenou, mas logo voltou ao seu falso teatro para cima de Jaebum, que pareceu inquieto sobre a pergunta.

—Ahn, sim? Por que a pergunta? —ele coçou o cabelo e desviou o olhar para Youngjae, que fingia estar prestando atenção no seu celular, o que de fato não era tão mentira.

O celular de Wang estava vibrando feito louco no bolso da sua bunda, e as mensagens eram resumidamente em algo como “vou te matar”.

—Não, nada. —ele sorriu e saiu tão rapidamente quanto apareceu.

Youngjae estava travado, literalmente. Então Jaebum tinha namorada... Uma dor estranha surgiu no seu peito e ele sentiu sua garganta se fechar, impossibilitando-o de dizer mais alguma coisa se não um “me esqueci de algo, com licença”, ele sentiu que precisava urgentemente sair dali e assim o fez.

—Merda, merda! —as lágrimas estavam ameaçando cair, embaçando seu campo de visão.

Tudo estava indo muito bem para ser verdade. Youngjae sequer poderia agir estranho sobre aquilo ou bater em Jackson, porque vendo de certo ponto foi bom ele saber que Jaebum estava em um relacionamento antes de se afundar de cabeça e se iludir como um idiota. Ele de fato estava sendo apenas gentil, como ele havia falado para Jackson. E era tudo culpa sua por interpretar as coisas de maneira errada. Agora ele se perguntava como ia encarar Jaebum depois de tudo.

Youngjae não voltou à biblioteca por dias, fugindo também pelos corredores do colégio e evitando qualquer cor que evidenciasse um pano amarelo girassol, como dizia Jackson. Ele tentava se ocupar ao máximo com os estudos e o trabalho, desviando a situação incomoda para o seu coração de um jeito que ele se sentisse mais aliviado e inclinado a esquecer de Im Jaebum e seu sorriso largo. Ele entendia que seu comportamento era infantil, e justamente por isso fez uma reflexão sobre seu comportamento, mas era a única maneira que ele conseguia se afastar dos pensamentos tristes que surgiam em sua cabeça, além dos problemas em casa com seus pais.

Ele estava dormindo muito na casa de Jackson justamente para evitar e tentar espairecer do momento que se encontrava utilizando alguns métodos dos quais ele não se orgulhava, como se embebedar com soju. Jackson também passava por perrengues depois de ser diagnosticado com depressão (leia-se a ironia, pois Jackson era uma das pessoas mais engraçadas e amorosas que Youngjae conheceu). Ele realmente não conseguia entender as situações que todos eram obrigados a passar. Literalmente a frase “a vida tem sua graça porque as coisas não saem do jeito que a gente quer”, ou não havia tanta graça assim?

—O maldito do Jinyoung... —Jackson soluçou. —Me disse que eu sou gostoso, mas que não iria me beijar... Por que Youngie? O que há de errado em me beijar? —ele gemeu e tomou outro gole do soju. —Sabe de uma coisa? Eu vou enviar uma foto do meu pau pra ele agora mesmo! —Jackson abruptamente se levantou da cama e pegou seu celular, mas obviamente foi interrompido pela racionalidade de Youngjae.

—Não pense nisso! Uma foto do seu (silêncio) não irá fazê-lo mudar de ideia.

—Quer apostar?

—Não, me recuso.

—Mas e você, você tá’ fugindo do Jaebum depois de descobrir que ele tem uma namorada, mas sabe que eu realmente não acreditei de fato na palavra dele. Ele pensou demais para responder.

—Tanto faz. —Youngjae deu de ombros e tomou outro gole direto da garrafa de soju. —Eu não estou mais apaixonado por ele. Ele que se dane com aquele pano amarelo girassol.

Jackson gargalhou tanto que acabou chorando no fim.

—Por que somos azarados nisso? —ele murmurou, limpando as lágrimas com o cobertor. —Quero dizer, se ao menos você fizesse o meu tipo e eu o seu, poderíamos namorar, mas... Você nem ao menos tem uma bunda redondinha, sua bunda é mole e gorda.

—Eu vou te matar! —Youngjae caiu em cima de Jackson e apertou sua barriga até que ele quase se mijasse por tanto receber cócegas.

Youngjae acordou com uma ressaca horrível, com o pior rosto possível e com uma dor de cabeça infernal. Colocando os óculos tudo ficou pior, pois a nitidez das coisas o deixou tonto e com náusea. Desceu para passar café enquanto Jackson ainda dormia feito uma rocha na cama, babando em tudo como sempre, e deixou alguns comprimidos com um copo d’água na cabeceira para quando ele despertasse. Ele tinha que sair cedo para trabalhar (seu chefe havia ligado de última hora e pediu para que cobrisse um colega doente).

Felizmente do lado de fora estava um tempo agradável, nuvens cinza cobrindo o sol e um frescor que amenizava sua vertigem quando ele respirava fundo. Ele chegou rapidamente no trabalho e tomou um copo grande de cappuccino para iniciar. Mas olhando o seu celular pela primeira vez no dia, notou uma mensagem que dizia:

Desconhecido: eu te fiz algo de ruim? Porque sinceramente, está me deixando louco saber que você está me evitando e não me diz uma palavra sobre isso, JB.

Não havia nenhum outro alguém além dele que Youngjae estava evitando no momento, e a sigla JB dizia muito sobre o remetente. Como ele conseguiu o seu número, afinal? Jackson iria se ver com ele mais tarde.

Youngjae: Desculpe-me, mas é melhor nos afastarmos.

Foi a única coisa que respondeu depois de desativar a internet do celular e se concentrar no trabalho, com certo peso no coração. Jaebum não merecia ser tratado daquela forma, no entanto seria pior se eles se relacionassem e Youngjae se apaixonasse ainda mais. Parece fácil, mas Youngjae também estava sofrendo, ele chorava todas as noites pela decisão difícil que optou seguir.

Infelizmente ele não pode prever a moto estacionada do outro lado da rua e um Jaebum sentado na mesma, segurando o capacete nas mãos, depois de seu turno terminar. Ele realmente não queria atravessar a rua, então optou pelo caminho mais longo ao virar a esquerda e andar dois quarteirões a mais, ou fora o que tentou fazer, claro, sendo impedido por Jaebum vindo atrás de si com certo desespero na voz.

E sinceramente? Aquilo o quebrou. Ele certamente não iria suportar, não mais...

—Youngjae!

—E-eu não quero falar, tá ok? Só me deixe... Eu preciso de...

—O que? Por que você... Eu disse algo ou fiz...? Me desculpa... —ele tentava acompanhar seus passos ao mesmo tempo em que Youngjae sentia sua garganta secar pela vontade imensa de chorar.

—Não! Você não fez, e este é justamente o problema! —ele falou contendo a voz para não gritar em público. —Eu sou apenas um adolescente idiota, infantil e egoísta. Eu não valho a pena nem para ser seu amigo! —ele mordeu o lábio, sentindo instantaneamente o gosto de sangue e secou os olhos úmidos com a manga da camiseta. —Não me peça desculpas, só faz eu me sentir mais estúpido do que já me sinto.

—Youngjae! —Jaebum ergueu levemente o tom de voz, obviamente ofegante pela caminhada acelerada atrás de Youngjae, quando o puxou para um beco pouco iluminado, notando mesmo naquelas condições os olhos avermelhados de Youngjae e sangue saindo de seus pequenos lábios.

—Você é um adulto, já tem um trabalho legal, você é inteligente, e também muito bonito. Seu maldito cachecol te distingue na multidão e, infelizmente, foi isso que acabou me fazendo notar você há quase dois anos. Suas malditas pintinhas e seu maldito sorriso... Eu odeio tudo isso! Mas eu amo o jeito que você sorri e como os seus olhos ficam lindos quando você sorri. Eu sinceramente li aquele livro por sua culpa, mas me senti o mais tolo possível. Como pode você me fazer sentir tão feliz, mas tão idiota ao mesmo tempo? Você até tem uma namorada e...

—Youngjae? Você está apaixonado por mim? —ele tapou a boca e soou surpreso pelo tom de sua voz, mas não se afastou de qualquer maneira.

Youngjae estava tonto, o cheiro e a voz de Jaebum fazia quase o mesmo efeito que o soju em seu sistema.

—Se eu responder essa pergunta, quais as opções…?

—Eu te deixaria ir embora e não te procuraria mais...

Youngjae sentiu seu peito se encolher e seu coração doer —como se aquilo fosse possível— e então mordeu os lábios novamente, chamando a atenção de Jaebum para eles.

—A outra é eu te beijar agora mesmo.

Youngjae travou a respiração instantaneamente, desejando aquilo mais do que deveria com todas as suas forças, não conseguindo se mover nem um milímetro.

—Então faça isso, Jaebum. —ele proferiu, sentindo-se mais nervoso do que nunca. —Beije-me agora porque sim, eu estou apaixonado por você.

Seu tórax se inflou tamanha a quantidade de ar que ele respirou antes de Jaebum se aproximar, sem nunca desviar do olhar fixo e atencioso de Jaebum, mesmo quando ele retirou seus óculos. O cheiro amadeirado dele se tornou tão óbvio, quase palpável, com ele tão próximo como estava. E quando finalmente os lábios se tocaram, ele jurou ter sentido Jaebum suspirar em sua boca enquanto as mãos quentes iam em direção ao seu rosto, segurando-o ali, parado, como se fosse necessário para que ele não fugisse (ele não ousaria, nem mesmo se fosse um desequilibrado mental). Jaebum pressionou os lábios nos seus com cuidado, sentindo-o delicadamente se desmanchar em si com o corpo encostado na parede do beco sem saída. Depois de ter emprestado seu cachecol a Youngjae e ele ter sido devolvido com um cheiro suave de sabonete, Jaebum sempre quis senti-lo de perto, como agora, e Deus, a sensação era incrível. Youngjae era suave e macio ao seu toque, delicioso e adorável ao mesmo tempo. E ele nunca tinha sentido nada como aquilo antes. Ele queria mais, mas ainda assim respeitava o ritmo dele, sugando levemente seu lábio inferior entre os seus. Youngjae achou que aquele era o beijo mais doce que ele já havia recebido, seu sangue inflamava nas veias, fazendo seu corpo se esquentar e seu coração acelerar. Ele subiu os dedos para os cabelos de Jaebum, sentindo a maciez sobre eles, também sentindo Jaebum tremer sob seu toque e ele ficou feliz.

—Youngjae, isso...

—O que? —ele se afastou lentamente e Jaebum temeu sua reação, mas ele sorria. Youngjae malditamente sorriu ao tocar suavemente os dedos de Jaebum, fazendo seu coração fraquejar.

—Saia comigo.

—Agora?

—O que acha? —Jaebum sorriu, devolvendo os óculos no rosto de Youngjae e beijou sua bochecha, o puxando do beco escuro para o pôr do sol caloroso. —Confia na minha CNH agora?

Youngjae riu e apertou firme a mão de Jaebum enquanto iam em direção à moto, mas antes de subir pegou o celular e digitou rapidamente na caixa de mensagem para Jackson.

Youngjae: e respondendo à sua pergunta, sim, ele beija bem ;)

1 de Agosto de 2019 às 12:47 0 Denunciar Insira 0
Fim

Conheça o autor

_adrenalin . Apenas alguém que está se formando numa profissão totalmente paralela à escrita, mas que ama mais que tudo escrever e deixar as ideias fluir. Às vezes se perguntando qual o motivo de ter nascido se não esse for o de escrever?

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