Reflexos do amor Seguir história

tdinizz_ Tainara Diniz

Alana Silva é uma romântica incurável! Ela não só descobriu que existem sete maneiras de amar uma pessoa e decidiu contar sobre em um blog, como também teve uma nova ideia maluca de um estudo onde tem como meta aprender a como ensinar as pessoas a voltarem a amar. Nicolas, por outro lado, parece não acreditar mais nesse negócio de amor. Após a morte do pai, em um incêndio em sua casa, ele é obrigado a voltar para o Brasil e morar com a mãe que não vê há quinze anos. Enquanto precisa lidar com a raiva que sente por ela pelos anos longe, sem contato, ele ainda tem que investigar a morte do pai que ele garante ter sido assassinato, por mais que todos digam o contrário; afinal, qualquer pessoa que morre e deixa cartas com ordens a serem seguidas, devia saber no mínimo que estava correndo algum risco. Duas vidas completamente distintas, uma morte misteriosa e um estudo, não teria como dar errado, teria?" (...)


Romance Romance adulto jovem Todo o público.

#misterio #amor #amizade #clichê #378
9
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01

Sobre amor e irmãos desconhecidos

Narrado por Alana

Desde os 12 anos, quando pela primeira vez um filme romântico fez algum sentido para mim, uma descoberta maravilhosa e revolucionária reluziu em minha cabeça, como aquelas lâmpadas acendendo em desenhos animados: existe um sentimento maior que meu amor por doces, e é o amor por pessoas.

Acredite, eu fiquei tão abismada quanto você. Foi inacreditável pensar que algo pudesse ser maior e melhor que uma bela taça de chocolate, eu quase enfartei por alguns segundos, mas depois desse pequeno e catastrófico ataque do miocárdio — obrigada Todo mundo odeia o Chris por me ensinar essas palavras e eu poder pagar de culta aqui — decidi que, se realmente existia algo, eu ia atrás. Ah se ia!

Peguei meu caderninho da Barbie, minha caneta rosa e fiz uma enquete pela cidade. Meu objetivo? Recolher todos os dados possíveis de filmes românticos e, através disso, criar a pesquisa mais importante do mundo: os tipos de amores existentes. E, após quase matar meus pais de tanto pedir para comprarem todos os quinze filmes listados com minha letra garranchada, e prometer que limparia meu quarto todos os dias sem jogar tudo debaixo da cama, eu, finalmente, consegui.

Um total de quarenta horas de filmes e duas de pesquisa, formulara minha tese super-requisitada, por mim mesma e algumas amigas do ensino médio, onde descobri e separei os sete jeitos de amar de acordo com a área cinematográfica; e, aqui entre nós, há fonte melhor Hollywood?

Não!

Fui crescendo bem devagar, tanto que até hoje sou tão baixinha que, se fosse azul, passaria facilmente por um smurf e, se fosse amarela, entraria para o elenco de "Meu malvado favorito". Ah meu Deus! Eu devia ser amarela!

Espera, onde estava mesmo?

Ah sim, no meu estudo.

Então, com o tempo percebi que a ideia das pessoas sobre amor sempre batia com algum dos meus sete listados, portanto, claramente, estava certa, não é? Ou julga que Severino, meu antigo porteiro de 800 anos não sabe de sentimentos? Ele possivelmente já viveu todos eles.

Foi assim, nessa louca ideia, que ingressei na busca pelo amor: pelo que ele é na minha cabeça, no cinema, livros e palavras bonitas das pessoas, contudo, o problema é que, já vivi todos os sete e... nada. Então me pergunto: será que esse amor realmente existe?

— Alana! Se eu te chamar de novo e você não responder, vai perder metade de suas madeixas loiras. — escuto minha chefe falando e percebo que me distrai vendo fotos de casais no Instagram. Meu Deus, tenho que parar com essa mania — O Estevan não quer fazer as atividades dele, e...

— Espera! Estevan está aqui?

— Sim, ele...

— Quando ele chegou?

— Há uns trinta minutos, e....

— Por que ninguém me disse?

Tessa revira os olhos para minhas interrupções e eu forço um sorriso de desculpas.

— Foi o que vim fazer. — ela pausa, como esperando por uma nova fala minha, mas apenas levanto as sobrancelhas para incentivá-la a continuar — E ele não quer fazer as atividades, você sabe o amor daquele menino por você. O convence por mim?

— Claro chefinha! — digo, me levantando da cadeira e deixando meu celular no balcão. Estevan não aparece aqui há muito tempo, dois meses se não me engano; que saudades dele e daquelas covinhas fofas.

Sem nem sequer me despedir de Tessa — o que deve ser considerado por ela uma tremenda falta de respeito — saio do refeitório a passos curtos, porém ágeis, movida pela ideia de poder brincar com meu pequeno novamente.

— Ele está na recepção! — ela grita, informando antes que eu consiga cruzar a porta. Assinto a lançando um sorriso de agradecimento e voltando a acelerar os passos.

Passo por várias salas e crianças — sorrio para algumas e faço caretas para outras —, até ao longe ver Estevan, emburrado em sua cadeira de rodas. Ele demora alguns segundos até me notar, mas quando acontece, comigo consideravelmente mais perto, um sorriso preenche seus lábios.

— Tava com saudades Estevan, por que me abandonou por tanto tempo? — pergunto, ajoelhando-me em sua frente para ficarmos da mesma altura — Estava me traindo, tenho certeza disso, aposto que arrumou outra melhor amiga. — concluo fazendo um bico, um bem grande, para deixar claro que fiquei emburrada com sua atitude, logo seguido de cosquinhas em sua cintura para quebrar o falso momento de tensão.

Ele ri um pouco, mas não demora em afastar minhas mãos e dar de ombros para minha fala, depois limpa uma lágrima imaginária que, para ele, escorre por meu rosto, com seu pequeno polegar, me fazendo quase o morder por toda sua fofura.

Crianças são demais para mim. Para mim e meu coração, quando acontecem essas coisas.

— Jamais te trairia Laninha, você é a única que sabe como fazer meu chocolate quente do jeito que eu gosto. — Estevan se arruma na cadeira de rodas e sorri, logo parando quando uma das recepcionistas passa por nós. Ela o encara nada feliz e depois a mim, balbuciando baixinho e com uma carranca que preciso levá-lo daqui o mais rápido possível.

Ele, infelizmente, percebe, abaixando o olhar.

Como meus joelhos começam a reclamar da posição, sento-me no chão, e pego em suas mãozinhas fofas, olhando para seus olhos.

— Não liga para aquela chata — cochicho.

— Eu vi ela dizendo que estou atrapalhando ficando aqui.

— Eu sei, mas ela só está incomodada com sua fofura; brilho demais irrita os outros sabe?

— Eu tenho brilho?

— Claro que tem, o maior de todos eles. Aí algumas pessoas se sentem incomodadas, mas isso não significa que deva apagar sua luz para elas se sentirem bem, elas que precisam aprender acender a delas.

— Como o pisca-pisca do natal?

— Hurum. — ele sorri, pressuponho que pela comparação, natal é a época favorita do ano para Estevan e ele sempre pede para ajudar com os piscas-piscas, são seu enfeite predileto — Agora o que importa é: por que você não quer fazer as atividades?

— A gente pode conversa disso no lugar secreto? — cochicha em um sopro de voz, como se deve fazer ao falar de um segredo.

Assinto me levantando e pegando em sua cadeira de rodas para levá-lo ao nosso esconderijo. Estevan consegue sozinho guiá-la, porém é uma coisa nossa isso para quando vamos para .

— Todos embarcando, o trem já vai partir. — digo com minha melhor voz de comandante, depois me voltando as recepcionistas — Esse aqui vai comigo garotas, vocês ficam para a próxima viagem, até mais ver.

Elas acenam para nos quando saímos e, com o cuidado preciso, corro pelos corredores até a porta dos fundos.

Abrindo-a encontramos um jardim enorme onde as crianças brincam em seus intervalos, mas agora se encontra vazio (somente repleto de flores, um escorregador, caixa de areia e gangorra, como sempre). Com mais cuidado ainda, observo se alguém nos olha, contorno o jardim até encontrar a videira. Passamos por ela e finalmente chegamos a minha pequena casinha na árvore, de infância. Poucas pessoas que já a encontraram acham que a abandonei há muito tempo, iludidos.

Essa ONG é minha antiga casa. Meus pais doaram a eles e minha exigência única foi que deixasse a minha casinha em paz. Ela é cercada por algumas árvores robustas e ninguém, exceto eu com meus pequenos, sobem aqui.

Deixo Estevan no chão, parando a conversa aleatória sobre Tartarugas Ninjas, a qual intitulei bônus da viagem, e subo na escada da árvore. Já lá em cima, desço um "elevador" que pedi para fazerem. Este consiste em uma longa madeira quadrada presa por cabos firmes que possuem extensões que se prendem a cadeira de rodas por ganchos; os cabos sobem até o topo da árvore e passam por uma roldana que facilita na subida do "elevador", diminuindo o impacto; depois ela desce a uma alavanca que giro para a plataforma subir; aparentemente não é muito seguro, mas te garanto que sim, respeitando os limites, como o de peso, por exemplo.

E se não for, eu mato o Kevin! Foi ele quem planejou tudo para mim; é um ótimo engenheiro e meu melhor amigo, no entanto, se machucar um de meus pequenos, não queira saber o que eu faria; é assustador e envolve muito chocolate ao leite — ele é intolerante à lactose.

Kevin também planejou uma escada e uma rampa, caso seja preciso, mas Estevan prefere mil vezes o pequeno elevador, como maior parte das crianças.

Desço para o chão novamente e coloco Estevan na plataforma, depois prendo sua cadeira de rodas com os ganchos e regulo-os, confirmando de que está realmente seguro; tendo certeza que sim, volto para cima e lentamente o subo. Quando está na altura necessária, travo a alavanca e o transporto para a área da casinha.

— Nunca vou me cansar disso Laninha. — fala. — Você é a única doida o bastante para me colocar nessa geringonça.

— Eu sei que sou demais e que me ama, mas só não deixo o Kevi ouvi-lo chamar isso de geringonça, ele não te carrega mais de cavalinho.

Estevan ergue os braços em rendição, de um modo extremamente fofo, que me dá vontade de morder suas bochechas.

— Ok, parei. Nem você sabe brincar de cavalinho como ele.

— Mas que audácia.

— É a verdade, e você sempre me diz pra não mentir. — argumenta ele, usando minhas palavras contra mim.

Ótima tática, aliás. Principalmente para um garotinho de oito anos

Sorrio, levando-o da área para dentro.

— Nessa você me pegou, baixinho. Não sei o que responder. — o que é um milagre.

Enquanto coloco Estevan em frente a mesinha da cozinha observo em volta. Aqui tem pouca coisa, mas é muito confortável. Trazer meus pequenos os faz confiar mais em mim, já que estou cofiando neles para mostrar a árvore secreta.

— Estevan um, Laninha zero. — ele pontua enquanto procuro algo para gente comer; sempre deixo alguma coisa aqui pela manhã e tiro a noite, então tem que ter algo.

Consigo encontrar alguns biscoitos embalados.

— Eu vou virar esse placar, você sabe bem disso. — respondo sentando-me do outro lado da mesa, enquanto abro o pacote de biscoito e entrego a ele, são de chocolate branco com recheio de avelã, por sorte, seus preferidos.

— Agora pode me falar, baixinho, o que aconteceu? Já estamos sozinhos.

Estevan pega alguns biscoitos, permanecendo mudo de início, apenas se deliciando com seu sabor favorito. Respeito seu tempo também pegando um dos biscoitos a observar sua careta diante disso — ele sempre faz isso quando roubo de sua comida. Estevan come três e se ajeita na cadeira, limpando o rosto com as costas da mão.

— Meu irmão mais velho está vindo para o Brasil — fala simplesmente.

Espero alguns segundos terminando de mastigar o biscoito que pegara, ainda não compreendendo qual é exatamente o problema, mas como ele não continua, incentivo:

— Isso é bom, não é?

— Mais ou menos. A gente nunca se viu na vida, tenho medo de como possa ser.

Mexo o canto da boca, entendendo agora o problema. Ele e o irmão são filhos de pais diferentes, e Estevan já sofreu casos de bullying pela sua condição física. Ele não tem o movimento das duas pernas, nasceu com essa deficiência por ter desenvolvido mielomeningocele; alguém na própria casa que o faça se sentir mal não é bem o que meu pequeno precisa.

Não é bem o que nenhuma criança e pessoa precisa.

— Amorzinho, espera ele chegar para julgá-lo. Pode ser que se deem super bem, que ele seja um irmão mais velho muito maneiro, que vai te ensinar a fazer muitas coisas e te amar, afinal, vocês são iguais. Ninguém é melhor que ninguém aqui.

Estevan nega com a cabeça assiduamente, parecendo realmente certo de que odiará o irmão, enquanto pega mais dos biscoitos.

— O que você não me contou, baixinho? Para ter tanta certeza que ele o tratará mal, tem de haver algum motivo.

Ele novamente não fala nada e, também de novo, decido por respeitar, mesmo com minha intensa curiosidade atacando meu peito. Pode haver inúmeros motivos, afinal, é algo desconhecido, e o desconhecido sempre causa medo.

— Laninha, a questão não é ele, é seu pai.

— Então me fale, o que tem ele?

— Bom... — Estevan vacila, atentando ainda mais o bichinho da curiosidade dentro de mim — Ele morreu faz um mês e esse é o motivo para meu irmão voltar ao Brasil. Sem querer, mas querendo, ouvi minha mãe falar que seu ex-marido não era uma boa pessoa, que tem medo que o filho seja igual e destrate a mim. Eles não se veem há anos.

Dou a volta na pequena mesa e paro ao lado de meu pequeno, me sentando em sua frente. Ajeito seu cabelo castanho claro para trás da orelha e faço carinho em seu rosto antes de falar.

— Vamos fazer assim: você espera a chegada dele, se for um cara legal, o trás aqui para me apresentar, se não for, me avisa, que eu dou um jeito nele para que seja. Não vou deixar que ninguém te machuque, baixinho! — de leve, dou um beijo na sua bochecha rosada e depois me levanto, começando a puxar sua cadeira de rodas para a área de novo. Estevan está realmente tenso pela vinda do irmão, vou precisar de mais que a casa na árvore para distraí-lo dessa vez — Qualquer coisa eu dou uma bela lição de como tratar alguém lindo como você em seu irmão e o despacho para os EUA, mas agora, que tal uma corrida pelo jardim?

Sorrindo de maneira gostosa ele assente e da um leve puxão na cadeira a soltando de minhas mãos e se guiando sozinho para fora, antes de ir atrás de meu pequeno pauso suspirando, espero estar certa sobre o seu meio-irmão e que ele não o faça nada, mas se seu pai era preconceituoso e os dois viveram sempre juntos...

Criação é o que forma o caráter, né? Então, talvez...

Talvez ele...

Para Alana! Deixa o cara aparecer antes de julgar.

Deixa-o aparecer...

27 de Julho de 2019 às 11:36 4 Denunciar Insira 4
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Lívia Melo Lívia Melo
Posta maissss
2 de Agosto de 2019 às 10:07

  • Tainara Diniz Tainara Diniz
    Que fofaaa ❤ Segunda posto o segundo capítulo ❤ Se tiver wattpad ela já está no capítulo 30 lá hahahah mas vou postar aq tbm ❤❤ 2 de Agosto de 2019 às 10:20
Lívia Melo Lívia Melo
Ela vai se apaixonar por esse cara que vai chegar no Brasil, sei lá tô farejando isto de longe! hahahaha
2 de Agosto de 2019 às 10:07

  • Tainara Diniz Tainara Diniz
    Adoro teorias hahahahah vamos ver se sua intuição está certa 😯💞 2 de Agosto de 2019 às 10:21
~

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