Cybernetic centipede Seguir história

psiu_psycho Billy Who

Bater a foto antes de apreciar o momento. Se apaixonar por números e fazer qualquer coisa por eles. Amar coisas vazias, que no fundo, você não se importa. Seguir a última tendência, porque a massa diz ser o correto. Ter uma máscara que maquia um vazio sem fim. Comprar livros que nunca irá ler. Ter doenças que não lhe afligem para conseguir piedade. Vestir a roupa de centopeia cibernética e espalhar seu ego com gotas sagradas de puro niilismo de plástico, como recompensa, uma dose de satisfação sádica sob o olho da Aranha que aguarda em sua teia.


Conto Para maiores de 18 apenas.

#distopia #conto #metáfora #crítica-social
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As centopeias e a teia.


Firewall, Centopeia Cibernética nª902382382842 - O Rei Cult.


A cidade regurgitava maldições.

Mesclada com a poeira que os cabos interligados exalavam ao pulsar e respirar havia locais profundos e sombrios, onde transeuntes não se atreviam ir.

Mas na superfície, onde parecia cálido, havia mágoa se arrastando pelas sarjetas sujas de palmas sagradas, enfeitadas com filtros formosos que tornava aparentemente uma zona confortável. Ali, mesmo com limites de dados, lugares divertidos entretinham uma quantidade significativa de gigabytes que traziam desde pequenos trechos de filmes repetitivos, sem som, até pornografia cujo moldava a cidade, sendo ela, governante.

De um lado da cidade, havia Firewall, o rapaz de olhos vazios e dedos enrugados devido à água quente que se arrastava pelo apartamento com cheiro de mofo até o quarto, o único quarto limpo onde a janela refletia uma vizinhança sangrenta. Ali, podia ver a poluição matando a todos, lentamente, lhes presenteando com câncer, com bactérias nocivas, estuprando seus pulmões e viciando como drogas, embora estas fossem de graça. Debruçou-se no parapeito e olhou para a calçada, refugio de cães que urinavam sobre um amontoado de cobertores cujo uma equipe de veteranos da perícia tentava determinar a causa mortis, agora afastando o cão com um chute, devido a haver mijado sobre seu cadáver fresquinho da noite anterior. Firewall não conseguia determinar as razões de terem levado o morador de rua que dormia no beco ao lado de uma lata de lixo estar morto, mas possibilidades democráticas surgiam salpicando sua imaginação até então entorpecida de remédios. O frio, a sujeira, a abstinência por atenção, o desgosto, as moscas, a própria vida...

Quem sabe, a poluição? A consciência, a culpa, um tumor que lhe corroía como um filho querido em seu âmago cujo acalentou e resguardou do mundo, o protegeu e no fim, lhe rompeu a existência. Firewall respirava profundamente, fechando o vidro, deixando apenas a claridade com filtro entrar pela janela e iluminando o quarto branco, onde as paredes eram cobertas de tinta e alguns vinis antigos, embora na verdade não gostasse de fato de nenhum Aladdin Sane e menos ainda de seu criador, Bowie, tampouco de The Velvet Underground com sua capa de banana que jamais compreendeu a razão, mas tinha ambos, eram de uma edição limitada, rara. Convencia-se que tais gostos lhe davam um ar sofisticado, excêntrico, tanto como o violão repousado contra a cama, displicentemente, e geralmente tirava fotos com os cabelos louros, estilo grunge no rosto e um cigarro, embora não fumasse ou se empenhasse o bastante para aprender a tocar. Mas suas fotos com o violão sempre rendiam muitos comentários e favoritos em sua rede social.

Sentou-se em frente à sua escrivaninha e olhou para si mesmo no espelho, lá via um homem de meia idade, na casa dos quarenta já, possuía rugas ao redor dos olhos e boca, vendo seus orbes antes tão vivazes agora amareladas e não parecia do jeito certo, não sairiam bom em foto alguma, precisava de mais filtros, mais edições, melhorias, afinal... Quem não tem o direito a melhorias?

Firewall abria a porta da única realidade que importava, a virtual e rastejava para dentro, se permitindo deixar a carcaça doente de lado, deixar a imaginação que dentro de si, assim como o morador morto em sua calçada havia também um câncer corroendo lentamente seu sangue e que em breve poderia se permitir tirar fotos de bolsas de soro, iria sucumbir a ser outro tipo de centopeia cibernética, não mais a centopeia ilusionista, um rei cult, mas uma mais graciosa ainda.

Assim que se conectava, o cabo invadindo sua nuca, os olhos se nublando e braços pendendo para os lados, Firewall se tornava um astro. Erguia uma máscara alegre e sorridente e andava entre seus admiradores, espalhando palavras pulcras e motivacionais como ratos um dia espalharam a peste. Havia uma película de vidro sobre seu rosto que fazia parecer mais desejável, enigmático, na moda, o que era melhor até mesmo que possuir uma boa aparência. Possuía estilo, havia se vendido para um novo Deus e ele lhe compensava com atenção, migalhas, mas eram milhares de migalhas e então alimentavam seu ego.

Não gostava ou desgostava de nada havia anos, seu único desejo era ser desejado e os meios eram diversificados. Sequer julgava bonita a camiseta que havia custado mais da metade de seu salário do mês, mas quando a vestia, informava a todos que podia pagar por ela, que também fazia parte de uma elite que gastava trezentos dólares com ninharias como um pedaço de pano que revestiria seu tórax com apenas um punhado de letras comuns ali estampadas. Chamavam de minimalista, mas alguns não compreendiam nada sobre estilo, estes eram os pobres coitados que não podiam ou queriam ter tal peça eram, provavelmente, muito miseráveis ou na pior das hipóteses, invejosos. Firewall distribuía fotografias entre os corredores de vitrine cibernética, rastejando como toda boa centopeia, alcançando suas patinhas em tantos, tantos feeds que ficava difícil não vê-lo.

Como cartas de um baralho, possuía varias fotos; algumas de copos descartáveis que provavelmente pessoas maliciosas julgariam lixo, mas não Firewall que determinava dali, exatamente dali, um amontoado de plástico sua posição social, sua posição cultural. Era afinal, um rapaz muito inteligente, culto. Venerava a arte, venerava boas abóbadas de catedrais e sentia-se um artista, o fato de não produzir arte havia dois anos — ou talvez jamais houvesse o feito — não lhe tiravam tal alcunha. Tinha números, tantas pessoas lhe diziam que era de fato um artista, então... Como não poderia ser?

Às vezes, mostrava um lado sensível seu, bondoso e complacente, dizendo que tudo o que importava era ser e não possuir, pois aquilo fazia todo o sentido para si.

Firewall possuía uma fama a zelar, não faltavam fotos dele com amigos amados, que ocasionalmente quando os encontrava nas sarjetas da vida, com olheiras e cansados como seu próprio estado emocional oco, lhe direcionavam palavras superficiais, fato que julgava deselegante, pois deveriam possuir mais carnosidade com sua pessoa, com o fato de citar filmes franceses ou trechos de livros que lia apenas poucas páginas, como uma dever de casa, para aumentar suas chances de afirmar que os havia lido.

Ninguém jamais o entendia, ou a sua luz interior.

Quando deixava o mundo cibernético para trás, rastejava de volta para o útero infernal de uma realidade que não queria pertencer, pois lá dentro não havia mendigos morrendo em calçadas sujas de mijo, não, lá dentro no mundo seguro, podia ostentar suas amizades de plástico, mostrar fotos com sua amante de látex e flertar com a humildade, mas quando estava sozinho dentro do quarto limpo, onde tirava suas fotos, o que via trazia uma sombra em seu peito.

Firewall se sentia vazio, não imaginava a razão, não sabia! Como podia ser vazio se possuía tanto conhecimento? Como poderia ser vazio tendo um vinil, algo tão retro, tão especial em sua parede de artistas cujo alguém um dia disse ser o que o diferenciaria de tantas outras centopeias?

Infelizmente o que Firewall não sabia, era que ao apartamento ao lado, havia outro rapaz exatamente idêntico a si. E no de cima, e no outro e no outro e outro e outro e outro...

Firewall era apenas um dos modelos de fabricação, pronto para tombar, corroído por sua própria centopeia canibal interior, porem, pobre dela... Firewall era oco.



Proxy, Centopeia Cibernética nª902382382866 - A mártir.


Proxy vivia do outro lado da cidade, onde o sol afagava seu rosto com frequência e havia sempre uma casa limpa, sua calçada, flores e orvalho, sem nenhuma realidade torpe para se preocupar, nada além da dor lancinante que a destroçava por dentro por um amor imaginário.

Proxy estava apaixonada por uma pistola desde criança, flertava com ela e lhe contava confidencias, mas jamais chegou a cogitar se declarar totalmente a ela.

Recentemente descobriu uma das coisas mais terríveis que poderia imaginar; era saudável.

Completa e totalmente saudável.

Havia pedido uma bateria de exames, assim, poderia tirar boas fotos e postar em sua realidade invertida, mas para seu total descontrole emocional, não havia nada errado com seu emocional; nenhum veredicto sobre alguma síndrome terrível psicológica e o pior e mais desgastante era não haver nada errado com seu corpo.

Proxy queria vidros de remédios, queria externar sua tristeza, mostrar ao mundo o quanto sofria e verbalizar em letras muito claras sua condição de miséria, já que Deus não havia sido bom com ela. Possuía boa casa, bons pais, nenhum trauma, nenhum defeito genético. Nada.

A medicina lhe iludiu, não podia confiar nela, portanto passava horas entre maquiagens e roupas escolhidas para tirar uma boa foto de seu melhor ângulo e informar a seus queridos carrapatos que a veneravam o estado de saúde daquele dia.

Ocasionalmente, um estado de saúde deteriorado, física e emocionalmente, pois uma boa foto e um slogan triste era o modo de conseguir atenção da forma que queria já que o amor de seus pais a sufocavam.

Proxy era uma centopeia cibernética parecida com Firewall, embora ambos possuíssem diagnósticos invertidos.

Ele, na pior das hipóteses se mostrava o mais otimista possível, pois assim era seu vício, sua máscara, a forma que suas perninhas conseguiam envolver seu público alvo e se tornar desejável, já Proxy usava da piedade para doenças que não possuía e talvez, se as tivesse, não estaria tão bem produzida para informar sobre sua depressão profunda, mas isto era o que menos importava, era assim que o flautista conduzia suas crianças cegas e assim o download da sociedade era feito, carregado e inserido em cérebros de vidro, tão leves e mecânicos que cabos o ligavam, sem o artificio do pensamento livro.

Aquela manhã, Proxy em seu quarto olhava pelo vidro, mas não via nenhum cadáver, mas a vista de sua piscina, se perguntando caso se jogasse ali de cima se sairia uma nota de sua morte em suas redes sociais, talvez pudesse calar a boca de todas as pessoas que diziam que ela não possuía nenhum problema, afinal, sua doença silenciosa era invisível, indiagnosticável, produzia todos os sintomas que havia lido no Google e assim se tornava um tabu, que ninguém poderia verbalizar contra.

Maquiou os olhos para mostrar olheiras profundas sob seus olhinhos inteligentes e vivazes de mais, tirou uma bateria de fotos que serviriam como prova de sua luta contra a tristeza e escolheu a mais singela, aquela que se parecia com tantas outras de tantas outras garotas que odiava, mas ainda assim, parecia única.

Mais um dia de insônia, só queria estar morta”, dizia a legenda. Logo uma série de comentários passou a aparecer em sua tela e com um largo sorriso, Proxy, que havia dormido por doze horas se sentiu amada, havia um número significativo de pessoas preocupadas com seu sono, mesmo assim, elogiavam sua aparência, estava tudo certo, era isto o que importava.

Sentou-se em seu computador e se conectou com o cabo, atravessando a rede com olhos nublados e vendo os avatares de seus amigos em um amplo salão cibernético, naquele dia Firewall estava por lá, recebendo a atenção das garotas e distribuindo sorrisos gentis, falando das viagens que jamais havia feito, fazendo Proxy que já havia ido para todos aqueles lugares, ainda assim invejá-lo, pois ele parecia sempre estar se divertindo, ao contrário de seu avatar azul e melancólico, de tons tristonhos e postura arqueada.

Havia todo tipo de pessoas na sala de chat naquele dia, muitos avatares bonitos e tristes, outros completamente exuberantes, tirando fotografias dos pratos de comida diante si e se esquecendo de comer ao ponto de serem tão pálidos que a luz passava por dentro deles. Havia também um grupo de pessoas belas e altas, com rostos tristes que trocavam experiência sobre sua tristeza entre um comentário e outro sobre viagens para outros países, mas Proxy não gostava de conversar com eles, pois não a ouviam como gostaria. Precisava de seus amigos, aqueles que não possuíam boca, pois apenas ouvidos lhe interessavam.

Andou até um dos cantos do salão virtual, onde se sentou em silêncio, denotando toda sua fragilidade por ser notada e claro que logo um grupo se aproximou, jogando likes brilhantes e comentários em balõezinhos coloridos, ela os guardou com desejo e um sorriso tímido, pois sua conduta era esta, tímida, humilde e triste como uma brisa morna.

A pobre Proxy...

As luzes se apagaram subitamente no salão e os gritos de terror de todos repercutiram altos e estridentes, fazendo as caixas amplificadoras ecoarem até serem desligadas.

Pedimos desculpas pelo inconveniente, a conexão sofreu uma falhas, mas estamos trabalhando nisto” entoou a voz artificial e pacifica para todos os ouvidos, mesmo assim, um borburinho de conversa se fez escutar, murmúrios de todos os lados, era uma boa oportunidade para Proxy fingir estar tendo uma crise de pânico, isto seria genial.

A voz do sistema sofreu uma alteração brusca, tocando mais lenta que o normal, em seguida, mais rápida e então, invertida. O clima ambiente estava se tornando pavoroso, à esta altura Proxy chorava, pois não conseguia se desconectar e Firewall, rodeado de amigos estava tenso, mesmo assim, encorajava os demais com sua profunda determinação e otimismo.

Erro... Erro... Erro... A verdade... Erro... Erro... É o único caminho”, a voz lenta de mais agora entoava, fazendo as luzes vermelhas romperem a sala, todos os presentes em polvorosa, presos aquela realidade paralela onde nada estava mais fazendo sentido.

Em seguida uma voz estranhamente distante, um som de um turbilhão de estrelas rompeu o ambiente que se tornou subitamente silencioso e pronunciou em claras sílabas aquilo que fez os olhos arregalados se voltar ao firmamento da sala virtual corrompida por vírus.


“#QualFoiASuaMentiraHoje?”


As luzes se acenderam, subitamente um clarão que cegou todos presentes, os dedos de Proxy cobrindo seu rosto chocado assim como Firewall.

Naquele momento quando os gritos romperam em desespero, um seguido de outro, Firewall não sentiu vontade de retirar as mãos em frente ao rosto, não sabia a razão, mas os gritos de horror dos presentes o fez tremer e afastar toda a sua positividade.

Proxy, mais curiosa e energética, embora não gostasse de admitir abriu os olhos e a cena que viu ao redor de si a fez comprimir o berro de horror.

Eram todos naquela sala agora, sob domínio do vírus que retirava seus filtros, centopeias.

Longas centopeias escamosas, com patinhas ligadas em vários setores da teia que uma aranha tecedeira de um único olho enorme enrolava, havia um sorriso humano na aranha, ela ria e enrolava, enrolava e todas as centopeias estavam nela ligadas.

Proxy sentiu seu corpo ser puxado, imobilizada pela teia, pela vaidade estranha de parecer doente, de obter joias de piedade e Firewall, este apenas chorava e implorava para não ser devorado pela aranha, mas aparentemente, o fim de centopeias é o mesmo; o grande estômago infinito de uma Aranha-Deus chamada Hipocrisia.

21 de Julho de 2019 às 04:51 7 Denunciar Insira 5
Fim

Conheça o autor

Billy Who Escritora de originais independentes pelo Clube dos autores, editora BolsiLivros e antologia Carcoma, dividindo o teclado com um alterego viciado em escrever. Leitora e usuária de stand. Escrever é humano, editar é divino, eu sou um troll.

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Ammi Pierre Ammi Pierre
Gostei dessa história. É bem black-mirror e tem um toque de terror e fantasia, enquanto aborda o assunto atual da sociedade na internet (e suas falsidades).
27 de Julho de 2019 às 15:59

  • Billy Who Billy Who
    Olá! Black Mirror é uma das minhas séries favoritas, assim como distopias antes pensadas para um "agora" problemático, como já disse Huxley e Bradbury, mas o nosso "agora" já chegou e com todo avanço trás problemas sociais equivalentes. Fico feliz que tenha gostado, obrigado por comentar. 27 de Julho de 2019 às 16:27
Karimy Lubarino Karimy Lubarino
Olá, Billy Who! Escrevo-lhe por causa do Sistema de Verificação do Inkspired. Sua história foi verificada com sucesso, entretanto gostaria de apontar algumas coisas para uma possível correção futura: "magoa" em vez de "mágoa"; "á esta altura" em vez de "à essa altura". "embora na verdade, não gostasse" em vez de "embora na verdade não gostasse" ou "embora, na verdade, não gostasse"; "como o violão repousado contra a cama, displicentemente e geralmente tirava fotos" em vez de "como o violão repousado contra a cama, displicentemente, e geralmente tirava fotos" ou "como o violão repousado contra a cama displicentemente, e geralmente tirava fotos". "Haviam todo tipo de pessoas" em vez de "Havia todo tipo de pessoas". Parabéns, sua história é magnífica.
23 de Julho de 2019 às 06:48

  • Billy Who Billy Who
    Olá! Tudo arrumadinho, muito obrigado pela ajuda <3 Que bom que gostou :) 23 de Julho de 2019 às 20:21
Morghanah . Morghanah .
Rapaz, como começar a falar sobre tudo o que li aqui e as alusões feitas? Desde ações que lembraram-de Matrix e Ghost in the shell, até a visualização das centopeias reais? Quase todas elas, eu sabia e consegui identificar quais eram, e ri demais por conta disso. No entanto, o melhor e mais importante a se tira destas palavras é como o ser humano é podre. Como vem apodrecendo de dentro para fora como se há muito já tivessem sido infectados ou picados pelo veneno da Aranha, pois ela para devorar suas vítimas, primeiramente os prende em sua teia que apenas ela conhece os caminhos seguros. Apenas ela sabe por onde transitar com segurança e bela como ela só, ilude suas vítimas mostrando-se amigável ou que sua bela teia é inofensiva, tal qual ela. Mentirosa tanto quanto quem irá devorar. Em seguida, as acerta com seu ferrão e as envenena, envolvendo-as em sua teia para que os compostos dissolvam carne e ossos os tornando molinhos e suculentos, para finalmente se alimentar deles e os devorar
21 de Julho de 2019 às 01:57

  • Billy Who Billy Who
    Olá! Matrix e Ghost in the shell são realmente o norte de qualquer ficção cientifica ou distopia, embora aqui eu tenha feito uma alusão a Admiravel Mundo Novo do Huxley, acredito que esses dois anteriores tenham sido baseados nele também então está tudo em casa, mas era realmente um desses cabos que ligava a nuca igual do Neo. Bem, embora seja um conto meio distopico, não é nada longe da realidade e sabemos perfeitamente disto, hahah o quanto as pessoas perdem a si mesmas na internet, pela internet, para a internet e o reflexo falso e fantasioso que tem de si proprias; de um lado aquele que nada possui além de uma realidade dura, mas que prefere se camuflar com a pele de outra coisa, desejavel e cheio de ninharias patéticas para dar a entender o quão diferente é, embora seja tão completamente igual que chega a ser uma coisa realmente assustadora; starbucks, marca x ou y, van gogh (até agora não entendo essa fixação bizarra, juro por Deus), porque se parar para observar, são exatamente as mesmas pessoas, as mesmas roupas, os mesmos vinis falsos na parede, os mesmos gostos ou seja, uma leva identica produzida por uma unica mentalidade social que não é problema apenas da internet, mas reflete uma realidade ainda mais asquerosa; a falta de personalidade, um vazio tão profundo e futil que faz revirar o estomago de qualquer um. Do outro lado, aquele que tem tudo, que viaja, que tem materialmente e afetivamente tudo, mas que reclama porque assim consegue uma atenção mais patética ainda ou fingindo doenças fisicas ou mentais ou ambas, porque estamos em uma geração sintetica que não pensa mais, apenas vivencia uma mentira e cegueira tão grandes que sequer conhece a si mesmos e isso é assustador. E sim, todas estão nas garras da aranha, uma aranha chamada hipocrisia que mais cedo ou mais tarde irá as devorar, mesmo que no fundo, sejam rasas de mais até mesmo para perceberem que já foram devoradas. 21 de Julho de 2019 às 11:31
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