Ai No Iro Seguir história

H
Hikari Chan


"O amor agora tinha finalmente cor concisa, algo que não era mais translúcido ou enevoado. Não era só um sentimento, era uma construção maior do que isso, de duas pessoas que queriam ser algo mais uma para a outra." -Também publicada no Social Spirit-


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As Cores Do Amor

Sempre admirei as miúdas normais.


Costumava observá-las de longe, tentando entender como agiam e como se portavam no dia a dia. Cheguei tantas vezes a querer ser como elas. Toda a gente parecia gostar delas, parecia querer estar com elas, rir com elas, falar com elas.

Do alto daquela janela eu sonhava, falava com a Lua e com as estrelas, tentando obter respostas para mil e uma perguntas que surgiam na minha mente. Eu sabia que era diferente delas. Eu nunca poderia ser assim. Mesmo que não quisesse admitir, eu sempre o soube, o meu destino foi escrito dessa maneira, e não há nada que eu posso fazer para mudá-lo. Ninguém nunca quis brincar comigo, nem rir comigo, nem falar comigo.


Tive algumas amizades com muitas delas. Amizades... ou o que quer que aquilo tivesse sido. Eu achei que fosse amizade, eu queria que fosse amizade, e em minha defesa, eu fui amiga delas, embora o contrário não tivesse acontecido.

Isolei-me então com essa nuvem negra de más recordações pairando sobre mim, todos os dias. A culpa queimava. Eram tão mal intencionadas as palavras delas. Me puxando e me empurrando, me fazendo ir ao chão num piscar de olhos. Eu fingia não ouvir muitas vezes, mas eu sabia. Elas não queriam estar comigo.

Pois bem, a diferente era sempre eu, então, a culpa seria obviamente minha... certo? Eu repudiava as pessoas... eu fazia-as odiar-me.

Cresci tão sozinha... Cresci tão indefesa...


Um dia fiz amizade com um rapaz.

Ele prometeu proteger-me de tudo e de todos. O sorriso dele acalmava toda a confusão em mim, e o abraço dele era o maior abrigo que eu alguma vez tinha tido. Na verdade, eu achei que fosse pelo simples facto de eu nunca ter tido nenhum. Eu precisava disso.


Nunca entendi porque aquele ser me deu atenção, nem porque ele achou que eu a merecesse. Passamos bons momentos juntos. O beijei pela primeira vez naquele dia de Inverno, onde eu senti o meu coração de gelo, pela primeira vez, derreter e sentir algo novo. Senti-me amada, senti-me... querida por alguém, como nunca tinha sido.

Até que ele... me abandonou.


O Inverno acabou e a Primavera brotou, fazendo-o querer encontrar outra flor. Outra flor mais bonita. Assim como toda a gente o fez, fui deixada de lado por outra coisa aparentemente melhor.


Não entendi nunca a razão de tudo aquilo. Talvez ele tivesse andado o tempo todo de olhos fechados, e quando realmente viu quem eu era na verdade... Deixou de me amar. Se é que... alguma vez amou realmente. Eu sempre achei que o amor não devia doer, e se doesse, não era realmente amor, tinha de ser outra coisa qualquer. Então, novamente, culpei-me de toda aquela situação. Era inevitável.

Nunca soube ao certo o que era amar alguém, ou ser amigo de alguém, ou se o amei realmente ou a todas aquelas minhas amizades fracassadas. Talvez apenas tivesse amado o que ele me fez sentir. O que me fez querer sentir. A companhia delas era o que eu queria na altura, embora... eu nunca tivesse escolhido ninguém porque era especial para mim, eu só... queria companhia. Não queria ser um bloco de gelo. Magoava-me a mim mesma ser assim. Mas o que podia eu fazer? Se nunca ninguém te mostrou o valor de um sentimento, tu nunca saberás como senti-lo ou compreende-lo, agir diante dele era um tiro no escuro, que para mim, sempre foi ao lado.


O seguinte Inverno foi terrível. Senti tudo de volta. Vi como se a potência de um furação levasse tudo o que ele me trouxe para longe, novamente. O gelo voltou, e com ele a tristeza e a chuva também. Dentro deste meu pequeno quarto, deste pequeno e magro corpo anestesiado pela dor, sempre me limitei a sonhar dentro do meu próprio mundo.


Todas as minha vivência apagaram as minhas ideias de melhores amigas e de príncipe encantado. Tola menina que alguma vez sonhou com isso. A realidade é tão mas tão diferente.


Um dia alguém me estendeu a mão. Não a quis aceitar, mas deixei-a passar-ma e reconforta-me. A distância entre nós, entre eu querer aceitar tudo aquilo e o medo de ser magoada de novo, trouxe-me muitas dificuldades de aceitação. Se toda a gente me tinha magoado até ali, se toda a gente me tinha chutado fora da sua vida até ali, porque agora seria diferente. Apenas esperei o pior chegar. Algo que, surpreendentemente, nunca chegou.

Aquela rapariga, tão diferente quanto eu, quis realmente ser minha amiga. Compreendi que talvez, ela não fosse tão diferente de mim assim. Também ela tenha sido magoada antes, e também ela era rotulada de coisas erradas e incompreensões mal feitas da sua personalidade.


Nunca vi nela a menina mimada e egoísta que todos viram. Talvez, de algum modo, quis acreditar nela, da maneira que sempre quis que alguém acreditasse em mim. Tinha os seus defeitos, é claro.
Mimi era teimosa. Era chata quando queria. Horrível para discutir e queria ter sempre a razão do lado dela.

De certa maneira, crescemos juntas, e senti a nossa distância diminuir cada vez mais. Odeio admitir, mas até gosto dela.

Mas foi naquele dia de sol, que senti o calor do Verão pela primeira vez.

Entendi então que o amor não são rosas, não são só beijos e palavras bonitas. E mais do que isso, o amor para mim não é o mesmo que para outra pessoa qualquer.


Eu olho para o amor com os meus olhos e vejo o que o meu coração sente, como só eu sei ver. E foi ai que me senti, pela primeira vez em toda a minha vida, especial.


A Natsu não era mais a menina estranha e diferente, a Natsu agora sentia algo especial, que a fazia ser, em seu todo, especial.


O amor da Natsu tinha uma voz de criança, fazia birras atrás de birras por tudo e por nada, mas o amor da Natsu também ria por tudo e por nada. A Natsu descobriu que o amor não era vermelho e ardente, o amor era da cor que ela e ele quisessem pintar, do jeito que eles queriam pintar.


O amor agora tinha finalmente cor concisa, algo que não era mais translúcido ou enevoado. Não era só um sentimento, era uma construção maior do que isso, de duas pessoas que queriam ser algo mais uma para a outra.


O amor tinha olhos castanhos e sorriso de menino. Pele morena e cabelo escuro, o que ela veio a descobrir ser o seu brinquedo preferido. O amor era desajeitado e gostava de jogar a bola. O amor não se vestia bem, e nem queria se importar muito com isso. O amor gostava de se molhar nas poças de água que insistia pisar e chapinhar. O amor crescia, sendo sempre uma criança.


O amor não a levava a jantar aos sítios mais finos, aos lugares mais requintados.

Mas o amor dava-lhe a mão, o ombro para chorar e tudo mais que pudesse dar. Dava-lhe o conforto que ela nunca teve. O conforto que ela merecia ter.

O amor não era o que ela queria sentir, não mais. O amor era o que ela precisava sentir. Toda a gente aceita o amor que acha merecer. E pela primeira vez, ela aceitou alguém, que realmente mereceu ser aceite.


Daisuke Motomiya era então, a sua definição imperfeitamente perfeita do que era o amor.


E foi ali que ela viu, que não era ela que era diferente, não era o mundo dela que era diferente. Eram as pessoas, que nunca tinham merecido essa diferença.

Num mundo onde todos são iguais, quem é diferente sobressaí, sempre pela negativa. Isso, por não ser entendido logo, por não ser tão simples. E hoje em dia, toda a gente só quer coisas simples. Ninguém luta por ninguém, ninguém faz esforços por ninguém. Aquela horrorosa guerra vazia de quem se importa menos.


Mas é nas coisas mais complexas, que vemos realmente o vale a pena. Nada que é fácil vale a pena. Então, se sentes que algo em ti, que sempre foi diferente, parabéns, tu és o que dá cor ao mundo.

17 de Julho de 2019 às 01:25 1 Denunciar Insira 1
Fim

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jm jose antonio mayta guerrero
Me fascinó, comparte la opinión personal que tengo con 'eso' Si es que descubren a que me refiero.
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