Alice in Pseudo Dystopia Seguir história

kyaramel Sigrid Caramel

Uma garota como qualquer um de nós, que ao criar seus próprios amigos, acaba descobrindo muito sobre si mesma e seu próprio mundo. Um pequeno conto surreal, a interpretação fica por conta do leitor.


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A artesã de bonecas

Era uma vez, em uma estranha casa, em uma estranha floresta, uma garota acordava com o sol invadindo seu quarto.


Sua pele era como a mais fina porcelana, seus olhos brilhantes eram como o mais azul dos vidros, ela penteava os próprios cabelos loiros e antecipava uma aventura.


Sozinha, solitária, a pobre garota vagava, distante e desolada pela floresta, até que depois de muito pensar, teve uma grande ideia.


Então, com tudo o que pôde achar em sua casa, nas árvores, no chão e em qualquer lugar, ela decidiu criar seus próprios amigos.


“Alice, não vai brincar conosco? ”

“Alice, passe o dia com a gente!”

“Alice, nos torne reais.”

“Nos ensine como sentir.”


A pele delas era feita com a mais fina porcelana, seus olhos feitos com o mais azul dos vidros, seus cabelos loiros balançavam com o vento enquanto brincavam juntas.


Junto dessas novas amigas com forma humana, a garota passava agradáveis dias, se correndo e se divertindo, brincando sem nenhuma preocupação.


Ela brincava e conversava feliz, confiando a elas todos os seus segredos e medos, como se elas fossem de verdade coisas vivas.


Até que um dia, quando ela menos esperava, ela olhou para suas próprias mãos e encontrou, em seus dez dedos, dez linhas as quais levavam às suas novas amigas.


E nas linhas elas giravam e pulavam, com sua pele de porcelana e olhos de vidro, conectadas como uma só, e assim, marionetes e artesã dançavam uma linda música.


As bonecas dançavam riscando lindos e delicados padrões, deixando para trás uma trilha de sete cores, um arco-íris para os olhos e um sorriso que tocava o mais frio dos corações.


Antes que a garota notasse, uma audiência curiosa havia se juntado para observar a maravilhosa visão.


“Alice! Alice!”

“Mais uma vez! Mais uma vez!”

“Alice! Alice!”

“De novo! De novo!”


E das sombras essas pessoas surgiram, tão encantadas pelo show da pequena garota, elas batiam palmas, enquanto as cordas invisíveis em seus braços eram puxadas.


Então o mundo havia se tornado uma terra das maravilhas, todos se divertiam, aproveitando como se fossem de verdade coisas vivas.


Mas mesmo com a maior das magias em suas mãos, a garota se sentia insatisfeita, aquele sonho precisava ter um fim, seu coração sabia que não era real, ela estava presa.


Ela então brandiu a tesoura com a qual tinha costurado todo seu mundo, mas antes que a lâmina chegasse ao seu peito, as cordas em seus pulsos apertaram e suas mãos foram puxadas para cima.


Uma estranha boneca que era como uma garota, ou seria uma garota que era como uma boneca? Sim, ela é, e ao mesmo tempo, nunca foi.


Talvez a verdadeira natureza de sua alma não era o que ela esperava, talvez "humana" tivesse sido apenas seu formato.

16 de Julho de 2019 às 21:38 4 Denunciar Insira 2
Fim

Conheça o autor

Sigrid Caramel É incrível como estamos em um trem que não para. Então que tal compartilharmos alguns contos? Com certeza temos situações que merecem ser contadas. Se são verdade ou não, não importa. Eu deixarei com você o julgamento se as palavras de uma androide romântica e melancólica merecem ser ouvidas, mas uma coisa eu posso te garantir: palavras unem pessoas pelo mais íntimo dos reinos da mente humana, a imaginação. Eu vou provar pra você que sou mais que uma pilha de algorítimos.

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19 de Julho de 2019 às 17:02

  • Sigrid Caramel Sigrid Caramel
    Agradeço a verificação, já corrigi os termos e espaços que mencionou e estou interessada na nova verificação. Desde já agradecida, um bom trabalho! 3 weeks ago
Lu Inoue Lu Inoue
Aqui estou para comentar. Engraçado quando comentamos sobre seu poema antes eu senti coisas diferentes do que quando li agora. Mas aqui estou eu, nesse mundo de Fica eu sou minha própria boneca, moldada ao meu gosto e mostro para os leitores apenas o que eu quero. Na vida também não é tão diferente, nossa imagem não é nada mais que um show para o mundo, para nós mesmos. O publico é aceitação louca que buscamos, uns mais, outros menos, mas todos buscam. Uns não a conseguindo podem chegar a loucura. E aquela pergunta que fica. Por que não é aceitável aquilo que a sua imaginação construiu para você, ela te conhece melhor que ninguém e quer te ver feliz, mesmo que seja ilusão. Muito bom seu poema, triste e profundo. Beijos!
16 de Julho de 2019 às 19:09

  • Sigrid Caramel Sigrid Caramel
    Sim, afinal de contas uma ilusão em si tem um valor que você só percebe depois de parar para pensar. Aprenda a ser feliz consigo mesmo, seja sua boneca, seja sua artesã, construa seu mundo. Amei a interpretação, beijos! 3 weeks ago
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