Kimi No Uta Seguir história

sophiagrayson Sophia Grayson

Feliciana esperava seu marido voltar da viagem a trabalho, amargurada pois tinha um segredo e tanto para revelar assim que ele chegasse.


Fanfiction Anime/Mangá Todo o público.

#drama #fluffy #hetalia
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Capítulo Único

Peso. Peso era uma das diferentes coisas que sentia ultimamente. Azia, pés inchados, enjoo, mesmo com meses avançados esses sintomas não sumiram ou amenizaram. Tinha alguns que aumentava a intensidade. O ventre de sete meses era embalado pelos braços maternos, tentando conter as dores dos chutes de sua cria.

A jovem mulher italiana, Feliciana Vargas, gestante, chef de mão cheia em um restaurante de pastas um tanto famoso da Alemanha, no qual se mudara quando casara com seu marido Ludwig, um soldado de alta patente alemã.

O conhecera em uma das viagens a serviço do outro, há uns quatro anos. Foi como dizem, “amor à primeira vista". Um tanto cliché. Se casando no ano seguinte em uma capela em Roma. Muito simples e bonito.

Mas, todavia, nem tudo é perfeito. Foi difícil sair de sua terra natal, de se habituar a nova cultura. Demorou para encontrar o emprego no qual atualmente estava. Sem falar no trabalho do loiro, que ocupava todo seu tempo. Claro que quando estava presente era um maravilhoso marido. Mas se sentia só, naquele país, mal sabendo direito a língua. Ligava as vezes para seu irmão Lovino, que brigava com a mesma por ter saído de casa e se casado com um alemão. Como se fosse um crime. Talvez sentisse ciúmes pois o mesmo não tinha conseguido autorização dos pais de Antônia. Não era de grande ajuda.

Sem falar que a mesma tinha certos problemas. Como um traço leve de autismo. Vivia dentro de seu próprio mundo. Sorridente. Saltitante. Energética. Mas isso não a impedia de viver uma vida normal. Tanto que se casou. Não se arrependia. Mas agora em vez de ser tipicamente feliz, estava triste. E seu mundinho ficou preto e cinza. Sentia muita falta de seu cônjuge. Da seriedade, de sua mania de organização, de seu carinho e atitudes românticas, como café da manhã na cama, a forma de como levantava sua autoestima, para sempre se melhorar. Não se atingir pelas palavras dos outros.

Só podia sentir o perfume, agora fraco de suas roupas. Para matar a saudade, como dizem os brasileiros.

Então veio uma bomba, seis meses atrás, teria um filho... não... dois filhos. Enlouqueceu. Passando por várias fases, não sabia o que fazer, era jovem com seus vinte e quatro anos. Não planejava ter filhos e nem sonhava. Além de ser destrambelhada, como criaria dois nenês?! Tinha medo de machuca-los, até aceitar seu rebento, quando os viu no ultrassom, escutar os pequenos corações, sentindo-os se mexerem. Foi a melhor sensação, mesmo que agora seja sofrida.

Só faltava Ludwig que não sabia... ainda... estava em viagem militar. Tinha medo do outro não aceitar. Logo o alemão voltaria. Poderia ligar, mas tinha receio. E não queria preocupa-lo.

A gravidez, não estava sendo fácil para a morena. Sofria. Os primeiros meses temia que morresse. Tudo que colocava no estômago, saia. Tontura, mal se mantinha em pé. A médica do pré-natal, passou um atestado e pedindo visitas periódicas para o próprio bem do trio. Por sorte não perdeu o emprego por ser a melhor no que há.

Agora, sentada no sofá confortável da sala tentava a todo custo acalmar os filhos. Que agora sabia ser um menino e uma menina. Lágrimas escapavam de seus olhos castanhos, um tom mais claro que suas madeixas, agora curtas, antes grandes com trancinhas, como Anna de Frozen. Um pijama leve, vestidinho com estampas de hamisters. Ciao Ciao, seu gatinho malhado e gorducho se mantinha por perto em clara preocupação. Seu melhor amigo.

Cantarolou uma música italiana, para então momentos depois tentar se deitar, sem sentir enjoo. Ainda abraçava a si mesma. Com os pensamentos em seu marido. Ah, Ludwig... seu coração apertava pela ausência. Adormeceu, pelo cansaço, não sabendo como, pois, os gêmeos ainda chutavam.

Nem percebeu o barulho da tranca se abrir e um homem alto, loiro, com uniforme militar entrar na residência.

Sua aparência não era das melhores, os cabelos sempre bem penteados para trás estavam desalinhados, com a curta franja caindo em suas safiras. Feições de puro cansaço, com uma palidez preocupante. Os dias estressantes mal fazia-o descansar e se alimentar bem. Teve momentos que desejava jogar tudo para cima e retornar ao lar. Ah, claro, a falta de comunicação com sua esposa foi um ponto a mais angustiante. Será que tinha feito algo errado e não sabia?! Ou será que essa viagem a fez repensar tudo e deixá-lo.

Largou as chaves no móvel na entrada. Tirou seu chapéu. Por sorte do destino, conseguira retornar dois meses antes do previsto. Com muita insistência. Retirou as botas. Jogou as malas para outro lado. Depois arrumaria tudo.

Um fato chamou sua atenção. Tudo estava muito calmo. Sem barulhos na cozinha, risos, algo se quebrando ou correria para ver sua chegada.

Preocupado, a passos largos ganhou o corredor, chegando na sala onde sua princesa dormia desconfortável no sofá e com resquícios de lágrimas nos olhos. Deu dois passos para trás surpreso ao perceber o ventre da amada estufado.

Que?!

Simplesmente não acreditava no que via. Uma hipótese de traição passou rapidamente, sendo logo descartada. Feliciana não era capaz disso. E se lembrava bem que tinham se amado antes dele ir em missão.

Esfregou o rosto irritado, seus pensamentos estavam uma bagunça. Grunhiu. Escutou um miado de Ciao Ciao. Olhava-o com atenção, em postura de defesa para como sua dona. Seria fofo, ver um gato roliço e dorminhoco protegendo alguém, se o momento não fosse tão confuso e com muito a assimilar. O alemão se sentou, era de mais para absorver. Fora por isso que não teve notícias de nada da italiana?! Por que ela não disse nada?! Passou as mãos nos cabelos sujos desalinhando ainda mais.

Olhou Feliciana novamente, tinha vezes que não a entendia. Sentia como se tivesse perdido algo no meio tempo. Qual foi o gatilho que a fez se afastar? Qual é o seu medo?!

Sentiu unhas arranhando seu uniforme, acordando de seus pensamentos. Ciao Ciao, o encarava. Sério. Como se quisesse dizer algo. Nunca o tinha visto assim.

Escutou grunhidos e resmungos sofridos da jovem. Levantou-se seguindo em direção da amada apreensivo. O felino ainda estava agarrado em sua perna, dificultando um pouco o andar.

— Ludwig...

Congelou, parando ao lado da morena que ainda dormia e chorava no sonho. O loiro sentiu seu coração se apertar. Ela estava sofrendo por sua causa. Ficou de joelhos, estudando bem a estrangeira. As mudanças corporais da gestação, além do perceptível ventre avantajado, que agora se dava conta de como era enorme, pensava em como não havia parido ainda, como estava inchada por conta de líquidos retidos e magra, sim, magra, como se não tivesse se alimentando bem. Suas feições sofridas o fizeram chorar, por não dar apoio, por não está presente, por não ir atrás quando a outra não dava notícias, por ser um péssimo marido e agora pai. Mais alguns murmúrios o fizeram pegar sua delicada mão e beija-la, afirmando sua presença. Limpou as lágrimas da mesma.

Com agilidade apoiou o corpo da mulher em seus braços, levantando-a, fazendo uma careta pelo peso. Seus músculos cansados arderam. Levou-a para o quarto.

O felino o seguia no trajeto, agora mais calmo, já que nada de mal iria ocorrer com sua dona e “filhotes". Aconchegou-se ao lado da mesma assim que colocada na cama.


Ludwig suspirou, suas costas estralaram, sentiu-se um velho. Conteve o desejo de se deitar ao lado da amada e descansar junto. Não sentia bem em faze-lo, tendo acabado de chegar de uma viagem e sujo. Precisava de um bom banho.

Pegou suas roupas e foi para o banheiro ao lado. Não antes de olhar novamente para italiana. O gato nos ombros da mesma ressonando. Impressionante a capacidade de se desligar do felino. Uma hora parecia que ia mata-lo, na outra estava dormindo.

Minutos depois já devidamente banhado, Ludwig, assumiu seu lugar na cama, abraçando sua amada, colocando a cabeça da mesma em seu peito, como se fosse um travesseiro. Transpassou suas pernas nas dela. Uma das mãos parou no ventre, sentindo-o se remexer, emocionando o loiro. Seria difícil, mas não ruim ter um filho, ou pelo menos acreditava ser um.

Logo se acalmaram, fazendo a mãe descansar e se recuperar. O alemão acariciava levemente, sentindo o aroma de sua amada. Tão doce e acolhedor. Caiu nos braços de Morfeu minutos depois.

Feliciana não sabia quanto havia se passado, somente que estava bem embalada por um calor familiar, fazendo-a se aconchegar mais e mais. Seus pequenos estavam tão calmos, que agradecia internamente. Na última vez que ficou tão bem, fora meses atrás.

Aos poucos foi abrindo preguiçosamente os olhos, se deparando com uma massa de pelos do seu gato e fortes braços a abraçando. O aroma amanteigado do marido, intenso e não fraco por ser algo que utilizava. Arregalou os orbes. Se aprumou na cama, como pode, sendo bem contida pelo loiro. Ciao Ciao foi para as madeixas do outro, sem sair de seu sono. Gato muito folgado.

Ludwig tinha voltado! Estava em casa!

Tocou no rosto pálido do marido, correndo as mãos dos cabelos até o queixo. O abraçou fortemente, sem medo de acorda-lo. Estava tão feliz. Logo veio em sua cabeça. A gravidez! Ele tinha visto! Claro, não era cego! Ficou confusa, esperava que ele fosse brigar, mas dormia, como se tudo estivesse bem e aquilo fosse nada. Pensou em acorda-lo, dizer tudo o que tinha ensaiado por meses. Mas seria um crime fazer isso. Dormia tão bem.

Sentiu ele se aproximando mais dela. Retornou a se deitar. Passou seus braços pelos dele e afundou seu rosto no peito. Voltando a adormecer por alguns minutos.

Ludwig acordara sufocado pelo gato que resonava em seu rosto. Uma boa forma de acordar, com o peludo de sua esposa. Tirou de sua face, colocando no travesseiro ao lado, percebendo em fim a ausência da morena, levantando alarmado.

Caminhou a pés descalços, sentindo o frio castigar. Coçava os olhos na intenção de despertar. Encontrou-a na cozinha com um prato de pasta, comendo lentamente. Admirou um pouco, antes de se mostrar presente.

Viu que amada ficou pálida ao vê-lo, baixando seu olhar. Suspirou. Puxou uma cadeira e sentou-se ao lado. Pegou a mão da outra com carinho, afim de chamar sua atenção.

— Feliciana — a voz grave e gentil cortou o ambiente, fazendo a moça se encolher em um medo irracional e Ludwig percebia isso — Feliciana — chamou novamente pegando sua face como se fosse um cristal, para que olhasse seu rosto. A jovem de toda forma desviava o olhar, aborrecendo um pouco o mais velho — Vamos Feliciana, olhe para mim, o que há querida? — os orbes castanhos fitaram as safiras do alemão, sustentando por pouco tempo antes de chorar e agarrá-lo.

— Desculpe – a doce voz sussurrou — Desculpe! — abraçou-o mais fortemente. O loiro correspondeu, beijando o topo da cabeça. Entendia o medo imaturo da mais jovem.

— Pelo o que, querida? — perguntou quando sentiu a outra se acalmar. Puxou novamente seu rosto para vê-lo, novamente enxugou suas lágrimas. Viu tentando encontrar o que falar, adiantou-se — Sou eu que devo desculpas — colocou uma mexa castanha atrás da orelha, vendo enfim os olhos que tanto amava em sua totalidade — Por deixa-la sozinha em um momento tão delicado e importante, e por não ser tão presente. Que péssimo marido que sou — riu sem graça.

A italiana quis rebater, sendo impedida pelo amado, com o dedo indicador pressionando seus lábios.

— Não tente negar — suspirou, aprumando-se na cadeira, pequena para os dois — E não estou chateado ou algo do tipo, por sua gravidez — pousou a mão no ventre da jovem, surpresa e chorosa novamente, estava feliz, como pode temer tanto seu bondoso marido?! — Só confuso com tudo isso. Não se culpe por isso como sei que está. Se for assim, eu sou igualmente o culpado, afinal não fez esse bebê sozinho...

— Esses — murmurou corrigindo-o, atraindo confusão ao loiro — São dois — explicou baixinho — Um menino e uma menina...

Como?! — passou a mão nervosa nos cabelos, o medo que tinha sido aplacado, retornou dobrado. Ele seria pai de duas crianças!

— Agora está chateado...

— Mas claro que não! — defendeu-se, antes que a cabeça de sua esposa criasse mais abobrinhas — Claro que não — repetiu abraçando-a com mais força e como dava — Estou com medo — admitiu — Não tenho uma boa imagem de pai, pois nunca o tive...

Feliciana fitou-o preocupada. Medo. Também tinha muito medo. E para seu marido admitir, deixando todo seu orgulho de lado, mostrava o grau da seriedade.

— Vamos enfrentar isso juntos — afirmou com uma energia, que não sabia de onde vinha.

O alemão sorriu, concordando com amada. Não a deixaria mais sozinha.

Tiveram seu momento cortado por um barulho, logo descobrindo ser de Ciao Ciao, que de alguma forma conseguiu subir na mesa e pegar o prato de macarrão abandonado. O casal piscou incrédulo, recebendo um “meow" em resposta.


16 de Julho de 2019 às 09:53 2 Denunciar Insira 2
Fim

Conheça o autor

Sophia Grayson Só uma garota que gosta de escrever.

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Sakura Angeli Sakura Angeli
Eu amooooo essa história linda <333 Ciao Ciao tb é o melhor personagem kkkkkk E a maneira como o Ludwig apoia a Feliciana é fofa tb :3
31 de Julho de 2019 às 10:07

  • Sophia Grayson Sophia Grayson
    Haha, obrigada <3 Republiquei mais por você mesmo. Fiquei com fobia grande para com Hetalia. Hahaha. 31 de Julho de 2019 às 11:03
~