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MH Leyther


A realidade não era tão simples quanto os humanos pensavam. Vários outros seres protegiam suas vidas e cuidavam de suas almas, estas tão importantes que poderiam ser responsáveis por ligar dois indivíduos por séculos. A história da primeira vez que as almas de Ciel e Sebastian se conectaram.


Fanfiction Anime/Mangá Para maiores de 18 apenas.

#kuroshitsuji #sebastianmichaelis #blackbutler #vincentphantomhive #cielphantomhive #sebasciel #undertaker
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A Viagem

As aulas de geopolítica eram algo que fazia parte da rotina do jovem herdeiro desde que ele se lembrava. Tanto para ele quanto para o irmão, as regras que envolviam um mundo povoado por guardiões, shinigamis, anjos, demônios e humanos eram bem simples: bastava não entrar em território inimigo e fazer alianças.

No caso da família Leyther era tudo mais complicado, pois seu pai, Richard Thomas Leyther III, um guardião, não pensou duas vezes ao se apaixonar por um humano. Obviamente seu avô praguejou impropérios contra o homem, mas bastou um sorriso do mesmo e ele estava dando sua benção, alguns meses depois, na presença de vários espectadores. A questão era que Vicent Alexander Phantomhive fora criado por uma guardiã que escondera sua natureza humana por muitos anos, e isso só veio a tona quando o então Cão de Guarda do Imperador conhecera seu avô durante uma missão em território humano.

A divisão de domínios era um pouco mais complicada do que as próprias regras. Os guardiões tinham o dever de povoar as terras e impulsionar o desenvolvimento dos humanos, ao mesmo tempo em que não podiam interferir diretamente e nem ter sua existência revelada. Cada família guardiã era responsável por uma parte do mapa, as terras pela qual sua casa era responsável correspondiam ao espaço que comumente é denominado como Grã-Bretanha. Inicialmente uma pequena aldeia controlada por seu avô, Richard II, e desenvolvidos posteriormente com as batalhas do Grande Conquistador, Richard III. Agora a ele só restava preservar o que seus ancestrais construíram, conhecendo um pouco de tudo e tendo aulas monótonas sobre regras, acordos, famílias e costumes das diferentes espécies com um professor nada motivado.

- Perdoe-me pela intromissão – disse um serviçal entrando na sala –, mas o general solicita a presença de Vossa Alteza no campo de treinamento oeste.

Assim que se levantou, o rapaz observou a expressão descontente do irmão mais novo.

- Isso não é justo – reclamou o jovem moreno, com os grandes e expressivos olhos incriminando o irmão mais velho e o soldado.

- A culpa não é minha – respondeu, dando de ombros e sorrindo ironicamente. – Tenho certeza que sua aula será muito mais proveitosa do que minha conversa com papai.

Sim, ele tinha dois pais. Dois homens. A concepção de guardiões poderia se dar de maneiras diferentes do que das outras espécies. Tendo como sua principal função a proteção de seu território, eles deveriam ser fortes, já que constantemente alguma casa se desentendia com a outra e guerras aconteciam. Por isso, desde os primeiros anos de vida, eles praticavam o acúmulo de energia espiritual. Assim, o desenvolvimento de um feto poderia ser feito a partir da aplicação dessa energia nele, no entanto, isso era feito apenas pelos guardiões mais experientes. E é isso que torna a história do Cão de Guarda mais interessante, ele conseguiu conceber dessa forma mesmo sendo um humano, em conjunto com Sua Alteza Imperial, gerando então dois filhos idênticos. O mais velho não conseguiria contar nos dedos de todos os subordinados de sua família quantas vezes já escutara essa história, alguns exaltando seus pais, outros os acusando de blasfêmia, mas o que não iria mudar era que sua casa não iria desaparecer como muitos acusaram.

- Você demorou – reclamou seu pai logo que parou ao seu lado.

O homem não envelhecera muito ao longo dos últimos vinte anos e era incrível como os gêmeos se pareciam a ele mais do que ao outro pai. O mesmo cabelo, os mesmos olhos, o mesmo sorriso – aquele que conseguiria o mundo – como seu pai de olhos verdes costumava dizer.

- Preciso falar com você sobre seus estudos sobre costumes, já que sempre se recusou a se aproximar de humanos.

- É claro, eles são frágeis.

Se arrependeu disso no momento em que terminou a frase, o homem que o criara era um humano e ele mesmo era metade humano. Aliás, seu pai era a pessoa mais forte que já conhecera, emocional e fisicamente, mais até do que o outro que nascera um guardião puro.

- Desculpe... É só que... Light os venera, os observa sempre que possível, mas é impedido de se aproximar. Não é a mesma coisa que estar com um shinigami ou um demônio, já que eu posso tranquilamente fazer alianças com eles e trazê-los aqui a qualquer momento, desde que estejam em nossos domínios.

- Eu entendo perfeitamente. Eu e seu pai já éramos próximos quando ele passou por isso e escutei exatamente as mesmas reclamações dele. Até concordei. Mas depois, talvez por ironia do destino, descobri que era um bastardo, fruto de uma noite de aventura de uma guardiã durante uma missão com humanos.

Essa era a ferida que nunca cicatrizara. Após descobrir toda a verdade, Vincent indagou diversas vezes a mãe, até que ela lhe confessou que foi concebido durante uma orgia, na qual ela estava consideravelmente alterada, então mal se lembrava do rosto das pessoas com as quais teve relações naquela noite. O assunto era proibido entre eles, mas bastava a categoria “humano” entrar em pauta que voltavam àquilo.

- Irei cumprir essa parte do treinamento, como todos meus ancestrais.

- É claro que sim. Lhe chamei aqui para dizer que começará em dois dias...

- O que?! – exclamou o rapaz, chamando a atenção dos cachorros que estavam dormindo no gramado.

- Consideramos que será melhor passar por essa etapa agora, pois quanto mais rápido completar seu treinamento, mais preparado estará para assumir caso algo aconteça conosco ou com seu avô.

- Gaardner ainda está procurando alianças?

- Francamente, o que vocês fazem nas aulas de geopolítica?

- Passamos três horas diárias escutando os feitos de Richard III, o Grande, ou sobre os ganhos de batalha do general Phantomhive.

A voz de Light se fez presente, seguida de uma pequena risada. Ele havia se apressado para descobrir o que era tão importante para o pai salvar o irmão do tormento diário que era aquela aula.

- Gaardner está prestes a conseguir uma aliança através de casamento com os Wavsnki, os Redmond ainda estão indecisos com a ideia de entrar em guerra conosco.

A recente expansão dos domínios da família Leyther havia causado problemas com as outras famílias. Edward Gaardner era o guardião responsável pelas nações de Portugal e Espanha e se enfurecera ao perceber o avanço que Richard II estava fazendo ao ampliar seu território até a Escócia. Os Wavsnki eram detentores de toda a Rússia e tinham o maior poderio militar, mas por estar mais longe não representavam um perigo tão grande. No entanto, os Redmond, que eram responsáveis pela França e Itália também se destacavam no quesito bélico e tê-los como inimigos seria definitivamente devastador para os Leyther. Por isso, o patriarca Gaardner não escondia seus esforços ao buscar uma guerra contra eles, que sofreram uma considerável baixa após o extermínio da família Dimif que protegia a Escócia.

Após saber disso, a pressa em manda-lo junto com os humanos fez sentido. Durante as guerras entre guardiões não apenas eles eram envolvidos, alianças com outras espécies eram muito importantes, até com os humanos. Um acordo com o humano certo lhe renderia matéria-prima para milhares de armas, a questão era saber como e de quem se aproximar. Por mais que a principal regra seja não interferir com humanos, durante períodos sombrios os mais indecorosos acordos eram feitos. Foi assim que o aconselhamento da família real inglesa fora dado aos anjos, como uma troca pela ajuda na extinção dos Dimif. Também dessa maneira que a coleta de almas de alguns orfanatos fora designada a demônios. E, apesar dos shinigamis serem seres neutros, as almas nobres eram ótimas moedas de troca com eles.

O mundo conhecido para eles funcionava através de realidades paralelas, conectadas com chaves de portal, sendo que os únicos que podiam passar sem as chaves através destes universos eram os shinigamis. Os humanos era a espécie que todos lutavam para proteger, por isso a existência de outros seres era escondida deles, apenas revelada em momentos de conflito. A cada geração, o herdeiro da família do guardião do território era mandado para conviver entre eles, com o objetivo de conhecer aqueles os quais deveria proteger. Além disso, o mundo humano era ideal para quem planejava se infiltrar e iniciar guerras, por isso, a existência de aliados era necessária para identificar possíveis ameaças e acabar com elas o quanto antes.

O herdeiro da família Leyther havia passado certo tempo com os deuses da morte – criaturinhas odiosas –, com anjos e havia iniciado uma inesperada amizade com um dos filhos da casa Bluer. Contudo, a ideia de conviver com a única das espécies com a qual nunca tivera realmente contato era um desafio, especialmente porque teria que passar por isso completamente sozinho.

- O que irá fazer? – indagou Light, após o pai deixa-los.

- Acho que tenho contato com alguém... um demônio que vive entre eles.

Demônios eram as únicas criaturas sem um lugar, então, assim como os shinigamis, podiam transitar livremente entre os mundos. Apesar disso, não eram bem recebidos entre as outras espécies devido sua alma impura, seu grande poder de corromper um ser os tornava odiosos. O território dos guardiões e dos humanos era onde viviam tranquilamente, ao mesmo tempo ajudavam estes em troca de comida e, por possuírem habilidades que nenhum daqueles sonhava em possuir, costumavam formar alianças vantajosas para ambos lados.

- Lhe matariam se fizesse um contrato com um demônio fora da nossa realidade.

Embora fossem guardiões e o território, teoricamente, fosse deles, só poderiam garantir segurança dentro de seu espaço, então qualquer acordo feito com outros seres fora dali era um perigo em potencial para sua casa. No entanto, era o melhor que poderia fazer neste momento.

Dois dias se passaram e o rapaz contatou o demônio, este lhe garantira um lugar para morar até conseguir se estabelecer e possíveis aliados. A noite estava fria e os guardas pessoais de seu pai, Richard, estavam visivelmente impacientes com a demora do jovem em partir. O albino conversava com o filho mais velho sob o olhar entediado do marido e do filho mais novo, que achava que todas suas palavras eram desnecessárias.

- Lembre-se de não revelar quem você é para ninguém.

- Eu sei – respondia o moreno mais uma vez.

- Não confie em qualquer um. Faça acordos somente com pessoas com status social elevado. Não se aproxime de...

- Ele já sabe, Richard – interrompeu Vincent, não aguentando mais ouvir aqueles conselhos idiotas. – Seu filho não é mais nenhuma criança, sabe o motivo de ir até lá.

- Sim, não se preocupem – respondeu, sorrindo cinicamente. – Apenas vou para mostrar que nossa família continua poderosa e conseguir a confiança dos Vigilantes.

Após se despedir, o rapaz segurou o amuleto de transporte que estava pendurado em seu pescoço e o ajustou conforme as coordenadas que o demônio havia lhe passado. Não poderia estimar o tempo de duração da viagem, mas ela sempre lhe provocava náuseas. Abriu os olhos, que tinha fechado após a sensação de enjoo que o acometeu desde o início, e percebeu que estava no meio de uma floresta, aparentemente afastada de Londres, que foi onde ele imaginou que iria ficar.

Sua função como herdeiro de uma família de guardiões era conseguir e manter os aliados, e era sua principal missão indo até lá, precisava mostrar aos Vigilantes que seria um bom chefe quando assumisse o trono. Os Vigilantes eram pessoas escolhidas a dedo dentre os destaques militares no território Leyther, que ficaram responsáveis pela identificação de possíveis ameaças nas terras humanas. Além disso, os anjos, shinigamis e demônios com os quais sua casa fez um contrato eram úteis nesse processo. No entanto, num território que crescia mais a cada momento isso nunca era o suficiente, e para isso ele estava ali. Precisava estabelecer novas alianças com pessoas importantes e reafirmar as antigas, algo que não havia acontecido desde o extermínio dos Dimif.

- Vossa Alteza Imperial – chamou sua atenção o homem alto e moreno, com um par de óculos antiquado, que estava apoiado em uma das árvores.

- Claude – cumprimentou o rapaz.

- Você fez sua parte do acordo?

Demônios eram todos iguais, nunca faziam nada sem algo em troca.

- É claro. Não me atreveria a vir caso não houvesse cumprido. Angelique está solteira.

Eles também eram criaturas orgulhosas. A forma como conheceu o homem a sua frente poderia ser considerada engraçada. Lembrava-se como se fosse hoje dos gritos que escutara e da cena nada anormal de um anjo discutindo com um demônio nos jardins leste de sua casa. Conhecia muito bem o baixinho esquentado que, para surpresa de todos, era um anjo, e sabia que ele procurava confusões com qualquer criatura que cruzasse seu caminho, dessa vez não foi diferente. O eleito foi o demônio que agora lhe fazia companhia, na época um novo visitante e possível aliado de sua família, que encontrara sua cruz ao flertar com a shinigami que era o alvo do loiro. Por dias o demônio moreno e o anjo loiro ficaram disputando a atenção da nova deusa da morte e, no final, para a desgraça do homem a seu lado, ela preferiu aproveitar seus dias ensolarados no território Leyther acompanhada do rapaz que o filho mais velho de Richard descrevia como a “pedra no seu sapato”.

- Espero que seu amigo chore por dias. Eu tinha colocado meus olhos nela primeiro.

O incrível era que nem Claude e muito menos Alois se interessavam por relacionamentos duradouros e, ainda assim, arrastavam aquele conflito antigo sempre que possível. Em partes, o jovem entendia que era muito mais um embate entre espécies do que pelo coração da shinigami, contudo, não poderia negar o quão era divertido escutar os xingamentos que um dirigia ao outro em diversas ocasiões.

Acompanhou o moreno por um longo caminho, até deparar-se com uma bela mansão – praticamente uma fortaleza – e não pôde evitar seu espanto. Afinal, Claude era um demônio relativamente novo e antes não vinha de uma família abastada, não fazia sentido ele ter uma casa tão extravagante.

- Ela é sua?

- Não – respondeu o homem mais velho, rindo da expressão do príncipe. – Eu “meio” que trabalho aqui.

- Um contratante?

- Ainda não... Digamos que o acompanharei até sua morte.

Embora isso não parecesse algo que o demônio faria, resolveu não contestar, pois precisava de um lugar pra ficar e o relacionamento entre seu aliado e o dono da mansão não lhe importava.

Ao contrário do exterior sem vida, o interior era ornamentado com diversas cores, do preto ao vermelho sangue, do dourado ao azul celeste. Era deveras interessante observar a riqueza de cores que faziam parte da decoração do ambiente, até os castiçais eram coloridos.

- O dono da casa tem um ótimo gosto – comentou.

- Vai ficar até surpreso...

- Aonde estamos realmente, Claude?

- Acalme-se, Alteza – desdenhou o homem de sua aparente ansiedade. – Eu moro aqui, sou amigo do dono da casa e ele foi gentil ao me deixar ficar aqui por um tempo. Quanto a você, disse a ele que havia um amigo precisando de emprego, portanto, a partir de amanhã, você será o novo serviçal...

A risada do gêmeo mais velho, provavelmente, pôde ser escutada até do paraíso dos anjos. Ele se recusaria a prestar esse tipo de papel, seria deprimente. Além disso, não havia ido até ali para abaixar sua cabeça e polir a prata de um humano qualquer.

- Você é um idiota. Conseguiu mesmo imaginar que eu aceitaria uma proposta dessas?

- Se é assim, fique feliz para procurar outro lugar para ficar. O Lorde que mora aqui só aceita pessoas com alguma utilidade e eu tenho certeza que proferir ordens não é algo aproveitável.

Continuar a discussão era inútil. Apesar de imaginar que Claude não facilitaria sua vida, como aconteceu com qualquer um de seus ancestrais ao passar certo período no reino dos humanos, mas não pensou que as coisas chegariam a esse ponto.

Um dos elementos que um guardião tem que os diferencia dos humanos é o seu senso de direção e resistência, então ele saiu da casa e rumou em direção ao que parecia um estábulo, pegou um dos cavalos e cavalgou até chegar em uma espécie de bordel. Tinha algumas moedas na bolsa e, embora não se lembrasse do valor das mesmas e nem se interessasse por mulheres, pensou em alugar um quarto para passar ao menos a primeira noite. O cheiro forte fez suas narinas arderem assim que abriu a porta do local, e seu porte franzino demais para sua idade fez com que as poucas pessoas ainda sóbrias lhe dirigissem o olhar. Passou por elas e sentou-se em uma espécie de bar, ao lado de um homem que era incentivado a beber por uma das funcionárias e de outro que estava com a cabeça apoiada na mesa e parecia estar dormindo.

- Você pode me dar qualquer bebida, por favor? – indagou a uma das garçonetes que estava do outro lado do balcão.

A mulher lhe deu um sorriso caloroso, empurrou um copo em sua direção e o encheu com algum líquido que o príncipe não soube identificar. Em seguida, deu a volta e passou alguns minutos tentando convencer o rapaz a contratar seus serviços por aquela noite, porém desistiu quando percebeu que o mesmo nem ao menos prestava atenção em suas palavras. Quando a moça saiu, não conseguiu evitar o breve sorriso que lhe escapou por entre os lábios e pensou em procurar outro lugar para dormir, mas se deteve ao perceber que o homem que outrora estivera ao seu lado já havia saído e deixado um pequeno caderno sobre o balcão.

- Com licença, o senhor deixou isso lá no bar.

Não fora difícil encontrar alguém que mal conseguia parar em pé de tão bêbado e agora limpava a boca suja de vômito. Quando o homem olhou para si, precisou se conter ao se espantar perante a beleza estonteante do sujeito à sua frente. Por mais que estivesse fedendo a álcool e vômito, era indescritivelmente belo. A pele clara contrastava com o cabelo preto e olhos escuros, as vestes também pretas, visivelmente feitas de acordo com suas medidas, também lhe davam um ar de sensualidade.

- Obrigada – soluçou o homem, despertando-o de seu transe. – Não... Não sei... O que eu faria sem isso.

- Não se preocupe, não fiz nada demais.

Entregou o caderno para o sujeito e virou-se em direção ao seu cavalo. Por mais que fosse bonito, alguém que caía de bêbado em qualquer prostíbulo não era digno de uma aliança com os Leyther.

- Você... – chamou o homem – pode me ajudar? Eu... Preciso voltar.

- Voltar para onde? – Era complicado não conseguir conversar normalmente com o outro, já que sua mente parecia incapaz de formular uma frase inteira e coerente.

- Os senhores precisam de ajuda? – Um dos cocheiros que estavam na saída do estabelecimento se aproximou e perguntou.

- Ele quer voltar para casa e não sei onde ele mora, poderia ajudar?

- Claro. Ele é um cliente constante – começou o velho a contar, enquanto pegava o homem e o carregava até a carruagem. – Geralmente vem acompanhado de algum dos serviçais dele, mas parece que hoje chegou ao extremo.

E qual não foi sua surpresa a voltar exatamente para a mansão da qual havia saído há poucas horas. Assim que chegaram, um senhor foi imediatamente segurar quem deveria ser o Lorde daquela casa e o levou para dentro. Após esperar o que pareceu uma eternidade, o mesmo senhor voltou e lhe ofereceu um quarto, dizendo que deixaria as perguntas para o dia seguinte, dadas as circunstâncias.

No dia seguinte, o frio estava pior ainda, tinha mandado costurar algumas roupas que fossem comuns, mas aparentemente não pensaram que o inverno de – seja lá onde estava – fosse tão rigoroso. Logo que abriu a porta do quarto, uma mulher que acreditou ser uma das empregadas estava prestes a bater na porta.

- Olá, senhor. Vim lhe buscar para o café-da-manhã.

Acompanhou a moça loira até uma sala um pouco menor da que havia visto quando chegara com Claude na noite anterior. Logo que entrou percebeu como a decoração era muito mais simples, era feita com tons pastéis que contrastavam com o que tinha visto antes. Na ponta da mesa, o bêbado do bordel tomava uma xícara de chá, com uma expressão desgostosa, e demorou para levantar o olhar, mesmo que tivesse percebido a chegada do mais novo.

- É um prazer conhece-lo. Agradeço a hospitalidade.

O homem não respondeu e manteve os olhos na mesa, até que o senhor que havia conhecido durante a madrugada lhe respondeu.

- Perdoe-me a indelicadeza de meu mestre. Ele só está envergonhado pelos últimos acontecimentos.

O mais velho dos gêmeos, mais uma vez, não pôde conter seu espanto. Não era muito comum alguém que frequentava bordéis ser tão tímido e ficar desse jeito por causa de uma simples bebedeira.

- Essa casa está mais silenciosa do que de costume... – A voz de Claude se fez presente no cômodo e ele se perguntou internamente o que havia perdido enquanto saiu para se alimentar. – Vejo que já se conheceram, este é o novo serviçal do qual te falei alguns dias atrás. Ele pode ser útil limpando seu ateliê...

- Não gosto de outras pessoas mexendo nas minhas coisas, ele poderia manchar uma tela – pela primeira vez o homem havia se pronunciado, e a voz dele era mais profunda do que o jovem guardião lembrava.

- Na verdade, estou aqui por outro motivo. – Os olhos das criaturas se voltaram em sua direção e ele não iria deixar aquela chance escapar. – Tenho o desejo de ser pintor, por isso vim até aqui.

- Isso é ótimo – respondeu o que o príncipe identificou como mordomo. – Como forma de se desculpar pelos transtornos causados, meu mestre irá tomar-lhe como pupilo.

Isso ainda significava rebaixar-se a um humano, mas também poderia conhecer pessoas importantes através daquele homem e iria se aproveitar disso.

- Então estamos combinados – disse o Lorde, estendendo a mão em direção ao mais novo. – Muito prazer, me chamo Sebastian Michaelis.

- O prazer é todo meu, sou Ciel Phantomhive.

16 de Julho de 2019 às 05:06 0 Denunciar Insira 0
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