Nugs & Blood Seguir história

saaimee Ana Carolina

Ela viu a sombra se erguer lentamente revelando suas longas garras afiadas, viu os dentes finos escorrendo saliva e viu o homem no chão implorando para ter sua vida tomada. Sua única reação — que não sabia se era certa — foi correr desejando que eles não tivessem parado ali naquele dia. 「Inquisidor!Qunari × Cassandra」 ---------------------------------------------------------------------- → Capa feita com imagem de Pixabay @ Canvas. → Fonte utilizada: Love & Trust. ✼ Postar esta estória em qualquer página sem a minha autorização é completamente proibido.


Fanfiction Jogos Todo o público. © Os personagens desta estória pertencem a Dragon Age: Inquisition! Todos os direitos sobre eles são reservados a © BioWare.

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Capítulo Único

Até agora tudo ia bem. Tinham caminhado por toda a área das Sepulturas Esmeraldas ajudando quem encontravam, conseguiram passar despercebidos por um dragão perambulando por perto e fecharam algumas pequenas fissuras na área sem muitos ferimentos. Milagrosamente tudo ocorreu de acordo com o plano e, agora, podiam descansar no acampamento improvisado enquanto se preparavam para os próximos desafios da missão. Tudo estava em perfeita ordem até que Cassandra notou a falta de algo por perto.

Seus olhos desconfiados rapidamente percorreram a área em busca de qualquer sinal que respondesse sua pergunta ou, ao menos, preenchesse o espaço que acreditava estar vazio.

Encontrou, logo de cara, Solas encostado em uma das árvores com a expressão impaciente de quem não aguentava mais ficar ali perdendo tempo, em seguida viu Varric, ao qual não deu atenção suficiente para saber o que fazia. Depois mudou sua atenção para a mesa próxima a uma das tendas e, infelizmente, encontrou as adagas que denunciavam a causa do problema.

A primeira reação foi andar até o local e verificar se o homem estava ali, entretanto não vê-lo por perto respondeu ainda mais suas dúvidas do que ver seu rosto.

Com as sobrancelhas abaixadas ela se virou vendo o caminho de areia em meio a grama que levava para a floresta sem nenhum guarda caminhando por lá. Seus olhos se fecharam assim como seus dentes se morderam segurando a vontade de soltar um grunhido raivoso. A mulher sabia que não teria opção e com um balançar de cabeça frustrado ajeitou a espada enquanto caminhava em direção a trilha solitária se perguntando se isso era algum tipo de teste de Andraste.

• • •

Seus passos apressados pisoteavam com força a grama fazendo sua armadura estremecer em sons raivosos. Essa imagem era a definição exata do que passava em sua mente naquele momento. Dava até para ver seu maxilar tremendo ao segurar as palavras que iria gritar assim que encontrasse seu Inquisidor desaparecido.

Cassandra sabia que ele era descuidado e sua sensibilidade ultrapassava qualquer limite, mas não esperava que seria tão irresponsável para sair no meio do nada sem ter pelo menos uma arma junto. O que ele estava pensando? Isso não é uma praça com flores e criaturas dóceis, pensou. Na verdade, sim, havia muitas flores e a cada canto um novo animal aparecia saltitante como se não houvesse caos no mundo, mas isso não se comparava a teia com várias aranhas famintas escondida em cada sombra dos arbustos!

Agora ela queria ainda mais poder encontra-lo só para poder olhar naqueles olhos arrependidos e gritar suas frustrações. Faria isso ao invés de tentar estrangula-lo. Um novo suspiro escapou aliviando um pouco o peso em seu peito. Por mais que fosse inútil ignorar, Cassandra estava preocupada e, lá no fundo, estava realmente desejando encontra-lo logo.

Em meio aos diversos pensamentos que corriam em sua cabeça fervendo, ela ouviu o som do farfalhar das folhas e automaticamente parou de andar. Sua mão correu para o cabo da espada onde segurou firme sem tira-la da bainha. Atenta observava as árvores enquanto seus ouvidos aguardavam outros sons. À direita sua cabeça virou encontrando não muito distante dali a silhueta do grande Qunari desaparecido.

Seus olhos firmes se acalmaram e a tensão em seu ombro se foi. O idiota estava bem e, como de se esperar, nem tinha notado sua presença. Levou alguns curtos segundos antes da raiva voltar a dominar seu corpo a lembrando do que ainda tinha para dizer a ele.

Pensou em chama-lo dali mesmo para assustar, porém parou quando o viu se ajoelhar próximo a uma moita e com todo o cuidado que aquelas enormes mãos poderiam ter começou a desamarrar uma corda.

Ela inclinou a cabeça curiosa e confusa procurando ver melhor o que fazia e assim que entendeu seus olhos se fecharam como uma reação automática na tentativa de controlar a fúria que a dominava.

— Por que eu? – Sussurrou balançando a cabeça assistindo aquela criatura tentando soltar um pequeno Nug preso em uma armadilha mal feita.

A seeker permaneceu parada por alguns instantes admirando a cena desajeitada se perguntando se aquilo realmente estava acontecendo ou era alguma alucinação. Para o bem dele, era melhor que fosse a segunda opção.

Seu olhar descrente e cansado rapidamente se tornou sério e quase assustado quando notou uma sombra esguia e alta sair de trás da árvore ao lado do homem mostrando dentes e garras famintas.

Ela o assistiu inclinar para frente assustando o Inquisidor que caiu sentado segurando o animal nos braços e só conseguiu avançar sem ter certeza se teria tempo ou se isso faria diferença naquele momento.

O Qunari, por outro lado, sem qualquer opção só conseguiu abraçar o pequeno o protegendo com seu corpo na espera do ataque doloroso. Entretanto, ao invés disso, ele ouviu um grito acima de sua cabeça de uma voz raivosa conhecida e o som da espada adentrando a carne da criatura.

Assustado, ergueu a cabeça vendo Cassandra encarar a fera que berrava sangue em uma suplica violenta enquanto ela retirava a espada pronta para acertar o corte com o pé. O demônio caiu no chão sem nem ter tempo para agonizar quando o novo ataque acertou a cabeça garantindo que ele não se levantaria mais.

Havia sangue no rosto dela, mas o que deixou o Inquisidor amedrontado foi o olhar raivoso de respiração agitada que encarava o cadáver. Ele sabia que teria de encarar aquele mesmo rosto e não estava preparado para isso.

Ela se virou vendo o Qunari sentado com gotas respingadas em suas bochechas tristonhas e o Nug inquieto entre suas pernas.

— Eu sabia que você faria algo assim...

— Cassandra-

— Não! – Falou rápido o fazendo selar os lábios buscando pelo chão para fitar. — Não quero ouvir sua voz. – O silêncio dele a fez se calar também ajudando a controlar a respiração antes de continuar. — Por favor, me diga que é brincadeira. Me diga que você queria fazer alguma piada de mal gosto porque eu não consigo acreditar que o Inquisidor saiu do acampamento sem qualquer proteção e quase foi morto por um demônio qualquer!

Seu tom aumentava a cada palavra até que ao chegar na última ela estava berrando mais do que os pássaros nas árvores. Ele, entretanto, não disse nada, apenas ficou parado ouvindo a bronca merecida enquanto assistia os pés dela a sua frente.

A mulher sabia que não faria diferença dizer essas coisas, mas precisava de alguma forma se livrar de todos os sentimentos se empilhando em seu peito. Um suspiro lhe escapou enquanto coçava a cabeça cansada. O Qunari com medo de causar mais gritos levantou o rosto com cuidado a encontrando com os olhos no demônio.

— Você... Você quer que eu responda? – Falou com receio e a única coisa que recebeu de resposta foi um som irritado e o virar das costas como se procurasse por paciência. — Me desculpa. Eu não queria que isso acontecesse.

— Então por que fez acontecer?!

— Eu... – Ele a viu se voltar novamente em sua direção erguendo as mãos como se quisesse estrangula-lo e logo abaixou a cabeça vendo o animal em deitado em suas pernas. Sabia que não deveria dizer nada, porém precisava se explicar. — Eu vi esse Nug preso aqui quando nós passamos, mas... Todos estavam cansados e eu não quis incomodar parando aqui. – Seu tom era arrependido, porém carregado de bondade enquanto os olhos ainda raivosos o assistiu em silêncio mesmo que ele não a olhasse. — Eu não podia deixar aqui.

Era ridículo ouvi-lo falar essas coisas quando não conseguia nem cuidar de si mesmo. Mais calma ela suspirou cruzando os braços pensando no que deveria fazer.

— Mas por que você não trouxe sua adaga? Por que não pediu para alguém do acampamento fazer isso?! – Bradou o vendo erguer a cabeça e assim que encontrou seus olhos, se calou. Por instantes se calou pensando que, minutos atrás, se não tivesse notado sua falta ele poderia estar no lugar daquele demônio e por instantes perdeu a vontade de gritar. — Por que não me pediu pra te acompanhar...

O Inquisidor tinha consciência do que fez e por isso se sentia péssimo pelos problemas, entretanto foi ver seu rosto preocupado que o fez notar o tamanho do erro. Naquele momento ele não sentiu somente culpa, mas medo. Medo de estragar tudo, medo de não poder ajudar e principalmente medo de não poder estar com ela.

— Eu... Pensei que seria rápido.

— Ah, e seria mesmo. Pra aquele demônio!

— Me desculpa...

Ao ver seu sorriso arrependido Cassandra balançou a cabeça desistindo de levar a discussão para mais longe. Devagar se aproximou ajoelhando-se a sua frente enquanto deixava a espada sobre a grama ao lado.

Suas mãos correram para o rosto dele levantando o queixo sem qualquer delicadeza vendo se não havia nenhum ferimento ali. Depois, com menos cuidado ainda, retirou o sangue de sua bochecha vendo seus olhos contentes a olhando. Ela quis perguntar qual era o problema, mas evitou sabendo que a resposta talvez a irritasse de novo.

— Você está bem?

— Sim... – Sua voz grave envergonhada agora soava contente, mesmo que a dela parecesse sem jeito.

— Esse... Bicho tá bem?

— Sim. – Respondeu sorrindo voltando seus olhos para o animal encolhido que dormia em suas pernas como se ele fosse uma montanha segura.

Ela não sabia qual era a felicidade naquilo depois de terem matado tantas coisas, porém não podia negar que era muito melhor ver isso do que todo o sangue que derramavam.

— Você tem que me prometer que não vai fazer algo burro assim de novo.

— Eu prometo. – Falou rápido e sorridente como se isso fosse o suficiente para faze-la o perdoar. Porém o olhar distante que o encarava fez sua alegria ser misturada a dúvidas. — Ah, você... Você está pensando se é burra o suficiente para acreditar em mim?

— Sim. – Respondeu ainda mais rápido balançando a cabeça sem ainda acreditar em toda a situação que estavam. — E sim, eu sou. – A confissão foi dita com tanta decepção que fez o Qunari rir primeiro tímido e, depois de ver os olhos confusos dela, mais alto. — Por que está rindo? Ah... Vamos voltar logo antes que outra coisa tente te pegar.

Concordando com o plano ele tirou o animal do colo o deixando livre para correr de volta a grama fresca da região e se levantando acompanhou a seeker de volta para o acampamento. Ambos sabiam que o Qunari se colocaria em novos problemas que poderiam trazer resultados catastróficos e por isso ele desejava que ela estivesse sempre ao seu lado o ajudando a se manter firme enquanto ela queria que ele tivesse um pouco mais de juízo e, quem sabe, não os abandonasse tão cedo.

9 de Julho de 2019 às 15:51 0 Denunciar Insira 1
Fim

Conheça o autor

Ana Carolina Mãe de 32 personagens originais e outros 32 adotados com muito carinho, fanfiqueira nas horas vagas e amante das palavras em período integral. Apaixonada demais e, por isso, sou tantas coisas que me perco tentando me explicar. Daí eu escrevo. ICON: TsukiAkii @ DeviantArt

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