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Lari_Plisetsky Lari Plisetsky

Otabek nunca teve medo de nada, muito menos da morte. Viver perigosamente e sem se preocupar com nada sempre foi aquilo que o mais agradou. Contudo, quando estava naquele quarto de motel, encontrava aquele loiro e se envolvia cada vez mais com ele na paixão proibida, era quando se sentia mais vivo, com a sensação de que poderia deixar aquela vida a qualquer momento... E esse sentimento, sem dúvida, era aquilo que mais temia nutrir pelo herdeiro da máfia russa. "I know I'd rather be complacent But girl I'm so glad we're acquainted" Créditos da fanart da capa: http://kawaiilo-ren.tumblr.com


Fanfiction Anime/Mangá Para maiores de 21 anos apenas (adultos).

#jj #yaoi #lemon #yoi #otabekaltin #yuriplisetsky #Gângster #MáfiaAU #MáfiaRussa #otayuri #yurionice
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Baby you're no good

Os punhos de Otabek esmurravam o saco de pancadas em uma frequência rápida. Gotas de suor voavam de seu corpo e podia sentir os nós de suas mãos e suas falanges arderem, mas não parava. Sempre considerou aquele um bom exercício, afinal, ao mesmo tempo em que aliviava seu próprio estresse, também praticava os seus golpes. E naquele período pelo o qual passava, precisava mesmo de um pouco mais de domínio de seu próprio corpo e mente.

Desde que se lembrava, o cazaque sempre esteve sozinho. Seu pai foi embora antes mesmo de seu nascimento, e sua mãe morreu ao lhe dar à luz, somente tendo tempo para nomeá-lo. Cresceu num lar de adoção, onde permaneceu até sua maioridade, quando fora enxotado de lá.


Passou a sua juventude vendo as outras crianças conseguindo um lar, mas nunca ele. Com o passar do tempo, imaginou que fosse sua postura quieta e séria que assustava os outros, mas nunca isso o incomodou de verdade.


Não precisava de ninguém, somente dele mesmo.


Ainda jovem e largado à própria sorte, imigrou ilegalmente para a Rússia, buscando algum meio de se sustentar, coisa que não iria conseguir em Astana.


Agora via o quanto foi ingênuo, já que suas últimas esperanças foram por água abaixo. Fora tratado como capacho novamente, sem ao menos receber uma oportunidade, uma chance que fosse, flutuando entre empregos péssimos dos quais logo era demitido. Pisado como sempre foi.


A alma humana, quando cultivada apenas com a solidão e desprezo, torna-se a pior arma contra si mesmo.


Rendeu-se ao crime, não tinha outra escolha, afinal, era aquilo ou morrer de fome, e se recusava a ter um fim tão miserável.


Trabalhava vendendo drogas e entorpecentes nas portas de boates do centro de São Petersburgo. Ainda que não ganhasse muito, conseguia sobreviver.


Mas Otabek queria mais, não somente dinheiro, mas adrenalina, riscos a enfrentar. Quando não se tem nada a perder, o único prazer que se consegue sentir é quando sua vida está presa por um fio.


Conheceu outras pessoas, imigrantes principalmente que, assim como ele, também passavam pela revolta com a injustiça que regia aquele mundo, desiludidos com a própria realidade. Começou um pequeno grupo, uma meia dúzia de integrantes, faziam pequenos furtos e brigavam pela região, sem se preocupar com a merda da polícia ou quem que fosse.


Com o tempo, mais pessoas buscavam se juntar ao seu grupo, que aumentava cada vez mais a cada dia. Otabek viu, então, a primeira oportunidade de ascender.


Ainda que não fossem tantas pessoas, começaram a controlar uma pequena área do subúrbio da cidade russa. Temidos pela população, que não gostava de contestá-los, aumentaram seus "territórios", bem como o número de integrantes, até que controlassem três bairros inteiros.


Já executavam seus próprios serviços, vendendo drogas pela região, aceitando serviços de "correção", dentre outras coisas das quais já não se importava mais em realizar.


"Os Renegados" era como ficaram conhecidos, e não desgostava disso. Ser um renegado num mundo como aquele até lhe era um elogio.


Mas o poder de alguém jamais passa despercebido, e não demorou muito até que passasse a receber ameaças da própria máfia russa. Aparentemente, os bairros que tinha sob seu controle eram de interesse da organização criminosa, o que botava sua vida em risco, bem como a de seus parceiros.


Porém, se havia um pecado que cometia abusadamente era o orgulho; não iria ceder à ninguém. Não temia estar sujeito à morte a cada momento, até que isso era divertido. A incerteza de que voltaria vivo para o casarão desocupado onde vivia era o ponto alto de seu dia.


Contudo, não iria admitir ser ameaçado daquela forma, por isso, tratou de dar seu recado.


Toda organização era como um tabuleiro de xadrez erguido por suas próprias peças: removendo uma delas, todo o resto desaba.


Não foi preciso muita investigação para que descobrisse o ponto fraco da tão temida Organizatsiya, e, ironicamente, ele possuía nome e sobrenome: Yuri Plisetsky, o querido neto e herdeiro do chefe mafioso Nikolai Plisetsky, que um dia teria o controle de uma das maiores organizações criminosas do mundo em suas mãos.


E devia admitir, até que para alguém que vivia sendo cercado por seguranças para zelarem pelo seu bem-estar, aquele loiro não era do tipo discreto. Vivia organizando festas regadas a drogas, bebidas e orgias, sempre chamando atenção da elite jovem de São Petersburgo.


E céus, como aquilo havia atraído a atenção de Otabek. Era tão simples, entraria em uma daquelas festas sem ser visto, daria um jeito de ficar à sós com o garoto e o sequestraria. Teria seu domínio reconhecido em troca da integridade física do principezinho da máfia.


Ficara sabendo que o loiro organizaria uma de suas próximas festas em uma mansão num bairro nobre da cidade russa, e com um pouco de esforço (e suborno) conseguiu uma das pulseirinhas que davam acesso ao local.


Se houve uma decisão sábia que o cazaque já teve em sua vida foi a de nunca revelar seu rosto durante as atividades de sua gangue e até mesmo para seus próprios subordinados. Somente pouquíssimos amigos próximos sabiam sua verdadeira identidade, e os fez jurarem pela vida que jamais o trairiam.


Naquela noite de sexta, acompanhado por seu braço direito e melhor amigo, Jean, deu início à pequena operação.


Passaram pelos seguranças sem grandes problemas, adentrando no ambiente. As luzes eram fortes, quase cegantes, e o ar cheirava a drogas e sexo.


Otabek nunca gostara muito daquele tipo de ambiente, mas era um pequeno sacrifício para um bem maior. Separou-se de Jean, que iria ajudá-lo a tirar o garoto de lá quando o mesmo estivesse desacordado.


Encontrar Yuri também não foi uma tarefa das mais difíceis, já que considerando que o tigrinho russo era chegado ao luxo, provavelmente não estaria junto da ralé. E até que estava certo, pois pode localizá-lo em uma espécie de camarote acima do hall onde acontecia a festa.


Mesmo de longe pode identificar os tão conhecidos cabelos loiros, e a aura que exalava autoconfiança e imponência. Contudo, o real problema era, exatamente, como iria se aproximar dele. Se tentasse chegar perto daquele camarote, iria parecer extremamente suspeito, além de haver uma boa chance dos seguranças do herdeiro o tirarem dali.


O método que optou, no entanto, consistia em atrair o garoto de forma discreta. Conhecendo o histórico dele, sabia que o loiro era um tanto quanto rebelde, se relacionando com todo e qualquer tipo de pessoa, independente do gênero. Não o julgava por isso, é claro, pois até mesmo Otabek já se deitara com outros homens sem problema algum. Não dava a mínima para aquilo, o prazer era o que importava.


Sentara-se em um pequeno bar improvisado que ficava exatamente abaixo do camarote, lançando olhares em direção ao seu alvo de forma descarada enquanto bebericava seu drink, fazendo questão que ele o notasse. Tamanha foi sua surpresa ao perceber que o loiro devolvia suas encaradas de forma ainda mais intensa, em um jogo de sedução silencioso e repleto de curiosidade.


Não demorou muito para que o próprio Yuri fosse até ele, tentando decifrar o que aquele moreno misterioso (e gostoso) queria tanto consigo.


Otabek, utilizando o ar mais sedutor que conseguira encontrar, envolveu o loiro em sua conversa. Contudo, sentia que ele próprio estava se envolvendo na própria armadilha. Yuri era carismático, tinha aquele ar de quem conseguiria arrancar todos os seus segredos somente com um olhar. A firmeza de seus olhos esmeraldinos era hipnotizante, impossíveis de serem decifrados.


A conversa e as doses de álcool ingeridas começaram a abrir caminho para algumas carícias atrevidas por parte de ambos, não fazendo questão de esconder o que queriam, indo direto ao ponto.


Escaparam até um dos quartos vazios da mansão. Bom, não era só porque Otabek estava ali para cumprir um objetivo que não poderia se divertir um pouco.


"Se divertir" foi o que pensou, mas tão qual foi sua surpresa ao se ver totalmente envolvido pelo loiro, como um caçador que cai em sua própria armadilha.


A pele alva contrastava tão bem com os cabelos loiros bagunçados e os olhos verdes penetrantes que não deixavam de observá-lo por um instante que fosse.


De fato, já havia dormido com outros caras, até mesmo com Jean, mas nunca fora algo como aquilo. Aquele fogo, que o consumia por inteiro e, para alguém como o cazaque que nada temia, se ver naquela situação, à mercê do próprio prazer era quase tão excitante quanto todas as profanidades que fizera com o loiro naquela cama.


A surpresa com tamanha intensidade de emoções que sentira o fizeram hesitar em realizar o propósito pelo o qual tinha ido até aquele lugar, dando tempo o suficiente para que alguma confusão no andar de baixo fizesse Yuri sair daquele quarto para resolvê-la, mas não antes de beijar a boca daquele moreno misterioso com fervor e entregar seu número, alegando que queria encontrá-lo de novo.


Desde aquela noite, o cazaque se via preso àquela confusão que ele mesmo fora burro em começar. Tinha encontros noturnos com o loiro semanalmente, sempre dividido entre a possibilidade de realizar sua tarefa ou estender aquela trama, alegando que o quanto mais ganhasse a confiança do garoto, pior seria para Nikolai Plisetsky. Por fim, sempre escolhia a segunda opção.


Mas se havia alguém a quem Otabek não podia enganar era a si próprio. Yuri o atraía de uma forma que não conseguia explicar, o fascinava. O moreno que sempre vivera de forma indiferente, se deixava consumir pelo prazer daquele fogo esmeraldino que o queimava. Além do mais, podia sentir uma ponta de seu ego inflar ao pensar que estava fodendo o neto do maior chefe do crime da Rússia, tamanha era a ironia.


Toda vez que tocava na pele pálida, que a marcava, mordiscava e se tornava um com aquele garoto, podia sentir o metal frio de um revólver encostado em sua cabeça e o barulho do gatilho sendo acionado. E pelos céus, Otabek nunca se sentira tão vivo.


No entanto, apesar de ser um teimoso rebelde de primeira, Yuri Plisetsky estava longe de ser ingênuo, e não foi preciso muito tempo para que este ligasse as peças daquele quebra-cabeça e constatasse que o homem com quem dormia havia semanas, na verdade, era um dos principais inimigos atuais de seu avô.


Quando o russo revelou que descobrira suas reais intenções, Otabek acreditou ser seu fim. No entanto, tamanha foi sua surpresa no momento em que o loiro disse que não contaria a ninguém, e que queria continuar a vê-lo, desde que Otabek mantivesse o caso em sigilo também.


Foi naquele momento que o cazaque não pode negar mais para si mesmo que havia desenvolvido afeição por aquele principezinho mimado. Não era apenas tesão ou desejo, tinha alguma coisa diferente, um certo calor que hora ou outra tomava seu peito, e o moreno não gostava daquilo. Sentia-se vulnerável, uma presa fácil, afinal, o que impedia Yuri de correr para o seu avô e revelar tudo o que sabia?


Encontravam-se uma vez por semana, em motéis baratos afastados do centro. Contudo, pouco importava, apenas ansiavam pelo corpo um do outro e nada mais.


Haviam se passado alguns meses desde o início dos encontros, e cada vez mais o cazaque podia sentir o controle sobre aquela situação escorrer por seus dedos.



— Poxa, o que o saco de pancadas fez para você ficar com tanta raiva dele? — A voz debochada de Jean retirou-o de seu devaneio.


— Já não disse que odeio essa sua mania de aparecer sem avisar? — Desferiu um soco certeiro contra o saco.


— Faz parte do meu charme — O canadense deu de ombros, sentando-se numa cadeira no canto do porão. — Você parece tenso...


— Impressão sua — Mentiu, caminhando até a mesa onde havia depositado seu celular, percebendo que o mesmo vibrava, indicando que recebera uma mensagem.


"Estou te esperando num endereço novo, não demore como sempre."


Era uma mensagem de Yuri, acompanhada por um endereço, algum motel no subúrbio provavelmente.


O Tigre do Gelo queria vê-lo e não gostava de fazê-lo esperar.


— Alô, Terra chamando Otabek — JJ brincou ao ver o amigo distraído. — O que tem de tão importante nesse celular para você deixar de prestar atenção na minha pessoa?


— Não é nada — Vestiu a regata preta por cima do tronco suado e começou a subir as escadas.


— Aonde vai?


— Tomar um banho. Vou sair — Respondeu, sem mais detalhes.


— Sair para onde? — Indagou.


— Não é da sua conta — Retrucou friamente.


— Vai encontrar ele, não vai? — O tom na voz do canadense era acusador.


Jean era o único que sabia sobre as loucuras de Otabek e seu caso com Yuri, e por mais que o aconselhasse a parar com aquilo, o cazaque nunca lhe dera ouvidos.


— Isso também não é da sua conta — Decretou, batendo a porta que dava acesso ao porão depois de sair.


Tomou uma ducha rápida, apenas para tirar o suor do corpo, vestindo a roupa mais discreta que encontrou: uma camisa de botões preta, um jeans escuro e sua tradicional jaqueta de couro.


Deixou a casa decadente onde vivia em esconderijo, caminhando pelas ruas escuras em direção ao endereço. Decidiu ir a pé, já que seu destino não era longe e sua moto poderia chamar alguma atenção. Podia sentir uma certa ansiedade pelo fato de ir encontrar o loiro, e por mais que tentasse reprimi-la, a mesma continuava ali.


Era verão em São Petersburgo, e podia ouvir as risadas falsas ecoando, o barulho da música tocando dentro das festas e os carros que eram dirigidos de forma apressada. A calmaria do dia dava lugar à confusão noturna, aquela da qual os amantes adoravam se aproveitar.


Parou em frente a um pequeno motel barato, um grande letreiro fluorescente e de luzes falhas pendia no topo da construção. Deu o número do quarto e subiu com a chave, adentrando no cômodo.


Era um tanto simples e vulgar ao mesmo tempo. Uma cama de lençóis vermelhos, algumas poltronas, a parede de tom vinho, mas o que lhe chamou a atenção foi a silhueta debruçada na sacada, levemente iluminada pelas luzes noturnas.


— Está atrasado... — A voz ácida do loiro se fez presente enquanto este soprava a fumaça do cigarro que fumava, sem nem ao menos desviar o olhar da paisagem.


— Sinto muito se não posso agradar sua majestade sempre, mas, em minha defesa, você me avisou de última hora — Retirou a jaqueta e depositou-a em uma poltrona no canto do quarto. — Além do mais, não é minha culpa se você estava morrendo de vontade de me ver, é até que compreensível.


— Para com esse tom de como se você fosse necessário — Finalmente virou-se para encará-lo. — Você é só um passatempo, Altin, e sabe bem disso.


Trajava tão somente uma calça de jeans extremamente justa e seu tão conhecido casaco felpudo e negro, expondo o tronco branco e nu. No pescoço, uma gargantilha negra do mesmo tom das diversas tatuagens que ali haviam. Os cabelos loiros e compridos presos em um coque bagunçado.


— Bom — O cazaque deixou que um sorriso convencido tomasse sua face. — Dá pra ver que você gosta muito dos seus passatempos, não é, Plisetsky?


— Vai ficar enchendo a porra do meu saco mesmo? O que te faz pensar que eu não posso ter trazido um revólver pra estourar sua cabeça?



— Nada, na verdade, mas te irritar vale qualquer preço — Aproximou-se do loiro, se segurando para não rir da expressão desacreditada que tomou o rosto do russo.


— Não foi se foder ainda por que? Babaca... — Respondeu, irritado.


— Bom — Puxou o loiro pelo casaco, trazendo-o para perto de si. — Eu estava esperando foder você.


A surpresa momentânea que passou pelo rosto de Yuri logo foi substituído por uma face travessa e desafiadora.


— Ora, desde quando ficou tão convencido, Altin? — Perguntou de forma quase inocente.


— Eu diria que uma parte disso é sua culpa. O ego de um homem aumenta consideravelmente quando ouve outro gozar enquanto grita seu nome — Encarou-o de forma intensa, já começando a se sentir excitado só com aquela troca de farpas.


— É mesmo? — Começou a desabotoar a camisa alheia. — Porque até agora, acredito não ter visto nada demais vindo de você...


— Está me desafiando, Plisetsky? Não faria isso se fosse você — Ergueu uma das sobrancelhas.


— Talvez, "mas te irritar vale qualquer preço." — Sorriu de forma debochada.


Logo, o loiro teve sua boca calada pela do cazaque, que já entrelaçava sua língua na sua com intensidade. Céus, como amava os beijos ardentes de Otabek.


Deslizou a mão pelo peitoral desnudo do moreno, ainda que a camisa desabotoada ainda estivesse em seu corpo. Sentiu a pele morena e quente, a rigidez dos músculos e o quanto aquilo só o fazia desejá-lo ainda mais. Maldito fosse aquele desgraçado gostoso.


As mãos fortes elevaram seus quadris e Yuri entrelaçou as pernas na cintura do outro, pouco antes deste deitá-lo sobre a cama, encerrando o ósculo momentaneamente para que ambos recuperassem as respirações falhas.


Os dedos finos do loiro se prendiam à parte raspada do undercut do moreno, trazendo seu rosto de volta para si, na intenção que continuasse com os beijos.


Otabek sorriu em meio ao ósculo. Yuri realmente gostava de beijos.


Deslizava os dedos pelo tronco nu do russo, sentindo a tez fria se derreter e arrepiar-se em suas mãos quentes.


Yuri também não ficara parado, levando os lábios até o pescoço alheio, marcando-o com mordidas e chupões. Fazia isso de propósito para que Otabek precisasse inventar desculpas para as marcas depois, e apesar de saber disso, não era como se o moreno se importasse.


O toque do cazaque desceu até suas nádegas, apertando a carne com vontade, que ficava bem à mostra naquele jeans.


— Vai ficar só nisso mesmo? — Sussurrou de forma desafiadora no ouvido do moreno, vendo-o abrir a braguilha da calça em seguida.


Yuri podia mandar e desmandar nos homens de seu avô, ser o herdeiro da máfia, mas ali, dentro daquele quarto, quem mandava, ditava o ritmo e podia fazer o que quisesse consigo era Otabek. E, sinceramente, não desgostava daquilo. Havia algo em ser tomado por ele que o fazia se sentir tão... Diferente. Era perigoso, arriscado e inconsequente, tudo o que o loiro mais gostava.


Sentiu seu cabelo ser agarrado de forma firme, mas sem incomodá-lo, e o membro já levemente enrijecido do cazaque fora posto em frente ao seu rosto. A carne avermelhada, as veias já visíveis e os indícios de pré-gozo só deixavam a visão ainda mais tentadora.


Desviou seu olhar até o moreno, que o encarava com uma certa postura dominante. Sentiu as pernas estremecerem.


— Chupa — Ditou, por fim, os olhos negros cintilando lascívia.


Abriu a boca, engolindo a extensão lentamente, apreciando o momento enquanto ouvia Otabek gemer prazerosamente e apertar mais a mão que segurava suas mechas douradas.


Parou até um pouco antes da base, começando com os movimentos de vai e vem com a boca, auxiliando com a língua. O gosto agridoce tomava seu paladar e por alguma razão só conseguia desejar mais.


O cazaque passou a ajudar a ditar os movimentos, movendo seus quadris contra a boca quente e utilizando a mão presa aos cabelos.


Yuri sentiu aos poucos o moreno aumentar a velocidade e, ainda que se engasgasse quando o membro lhe raspava em sua garganta, dava tudo de si para continuar em sua "tarefa". Podia sentir as lágrimas brotarem em seus olhos, mas queria ir até o fim. Precisava ir até o fim.


— Ah, porra... — Otabek pronunciava enquanto gemia de forma baixa. — Até que essa sua boca suja serve para alguma coisa, não é?


Segurou o queixo do loiro em suas mãos, fazendo-o lhe encarar em meio ao ato. Merda, se já estava próximo de gozar apenas com os estímulos, aquela visão com certeza o botaria no limite ainda mais rápido. E de fato, não precisou de muito tempo para que despejasse seu prazer dentro da boca de Yuri, sentindo-o segurar fortemente em seus quadris, impedindo que afastasse até que consumisse todo o esperma e o engolisse com gosto.


Enquanto limpava o queixo sujo, Yuri teve seu corpo virado de bruços e suas pernas puxadas para os lados. Os braços se apoiavam na cama enquanto os pés estavam firmes no chão.


As mãos alheias despiram-o de suas últimas peças de roupa, desferindo um pequeno tapa em sua bunda em seguida.


Sentiu suas nádegas serem separadas e a língua grossa e quente do moreno lhe invadir aos poucos, não podendo conter gemer manhosamente, por mais ridículo que aquilo o fizesse parecer.


Otabek movimentava os lábios e a língua como que em um ósculo, realizando cada movimento de forma lenta, umedecendo o interior comprimido que aos poucos se abria para si.


A mão se dirigia ora para o falo alheio, masturbando-o no mesmo ritmo com o qual o penetrava, ora massageava os testículos e apertava-os prazerosamente.


Interrompeu o beijo grego para levar um dos dedos até a boca, lambuzando-os de saliva e penetrando um deles na entrada rosada.


O loiro arqueou as costas com a penetração desavisada, mordendo o lábio inferior para que o grito surpreso não escapasse de sua garganta.


Otabek movia as falanges, tentando encontrar o ponto certo. Sem sucesso, levou outro dígito para dentro de Yuri, realizando movimentos de tesoura e fazendo o interior se dilatar ainda mais.


Ao introduzir o terceiro dedo, então, pressionou o exato ponto de prazer do loiro, vendo o se contorcer à medida que o estimulava cada vez mais.


Sorriu ladino, levantando-se e curvando seu corpo por cima do de Yuri, passando a língua pelos piercings que se encontravam em sua orelha e sussurrando em seu ouvido.


— É aqui, não é, Yuri? — Pressionou novamente, ouvindo o gemer enquanto movia os quadris contra sua mão. — É aqui onde quer que eu te foda?


O loiro estremeceu com tais palavras sendo ditas ao pé de seu ouvido, apenas chacoalhando a cabeça em afirmação.


Otabek retirou os dedos do interior do russo e agarrou os quadris alvos com ambas as mãos, trazendo o corpo para perto de si. Esfregou sua ereção contra as nádegas alheias, sentindo Yuri rebolar em função de seus movimentos.


— Eu não tenho camisinhas — Explicou enquanto chupava arduamente o pescoço. O fato daquela região estar coberta por tatuagens só o permitia poder se aproveitar dela sem medo.


— Eu quero sem... — Explicou, a voz soando baixa, quase inaudível.


— É? — Yuri pode jurar vê-lo erguendo uma das sobrancelhas em puro sinal de convencimento. — Quer sentir meu pau dentro de você sem nada para impedir?


— Ah, merda... — Aquelas palavras baixas o faziam se sentir tão excitado quanto o ato em si. — Só faz isso logo, Altin.


Otabek chiou de forma contida por entre os dentes, curvando mais o corpo do loiro até que a entrada se tornasse visível. E então, sem um aviso prévio, penetrou-o com vontade, sentindo o pênis adentrar no interior comprimido.


Fora impossível para Yuri segurar o grito de prazer que escapou de sua garganta naquele momento. Ainda que houvesse um pouco de dor, a intensidade daquele ato, a força com a qual o moreno estocava dentro de si o emergia em uma nuvem de prazer tão intenso que nada poderia lhe incomodar naquele momento. Tudo no que conseguia pensar era o quanto queria ele o tomando com cada vez mais afinco.


As mãos de Otabek se prendiam à cintura delgada, auxiliando nos movimentos que realizava, ondulando a própria pélvis para sentir cada parte de seu membro sendo engolido de forma lenta e libidinosa.


E como se aquela sensação sublime já não fosse o bastante, as súplicas e sons que o amante emitia só deixavam aquela situação ainda mais envolvente e pecaminosa.


Yuri podia sentir todo o seu interior, cada parte dele sendo preenchida pelo outro, tocando-o em cada um de seus pontos de prazer e o fazendo delirar. Seu corpo era totalmente feito de calor enquanto apertava fortemente os lençóis da cama. Sentiu as pernas fraquejarem, acabando por cair em cima do colchão abaixo de si.


Mas o cazaque continuava, tamanho era seu foco. As costas alvas e cobertas de pintinhas se tingiam de vermelho por conta da intensidade do ato, os cabelos loiros se bagunçavam e contribuíam na composição daquele cenário erótico.


Sentiu de novo aquela adrenalina voltar a tomar seu corpo enquanto pensava no que fazia naquele instante. Tão impensado e imprudente, podia ver sua vida por um fio, e isso só o estimulava a continuar.


— Você gosta disso, não é, Yuri? — Começou novamente a sussurrar no ouvido alheio enquanto colocava dois dos dedos dentro da boca do russo, apenas pelo prazer de o senti-lo chupar. — Gosta que eu te coma assim?


O murmúrio sôfrego era um deleite para seu ego e seu lado sádico.


Separou-se momentaneamente do loiro, retirando as calças que estavam presas nas coxas e virando o corpo alheio para que o encarasse. Colocou-se por cima dele, encarando o rosto ruborizado e pedindo por mais. Não hesitou, voltando a meter com força e ainda mais intensidade do que antes.


Aquela sim era uma vista mais que privilegiada, podia observar cada expressão que causava naquele rosto, as lágrimas que desciam pelas bochechas e ali secavam, formando rastros que indicavam o tamanho do prazer que sentia.


As pernas torneadas enlaçaram a cintura, o prendendo a ele e diminuindo ainda mais o espaço entre eles. Às vezes, levava os dedos até os mamilos rosado, ou até mesmo sua boca, estimulando-os com gosto e os chupando com força, afinal, sabia que Yuri era extremamente sensível naquele lugar. Conhecia o corpo dele como o cano de seu revólver.


— Ah! Caralho... — Yuri mordeu os lábios, sentindo que Otabek acertara bem perto de sua próstata. — Porra, Altin, como um merda que nem você sabe foder tão bem?


— Vai me xingar assim mesmo? — Perguntou de forma autoritária enquanto gemia, estranhando achar aqueles xingamentos contra ele tão excitantes. — Estando em tanta desvantagem?


— Ah! — Gritou quando sentiu as estocadas com mais frequência do que antes. — Vou te mostrar quem está mesmo em desvantagem...


Forçou para que o cazaque saísse de cima de si, deitando-o na cama e se sentando sobre seu colo. Guiou o membro pulsante até sua entrada, sentando de forma lenta e deixando-se preencher pela extensão enquanto chiava de tesão.


Apoiou as mãos sobre o tronco musculoso enquanto cavalgava com vontade naquele pau delicioso. Podia sentir sua pele queimar, o suor pingar, mas não parava.


O moreno via os cabelos loiros se bagunçarem ainda mais devido aos movimentos, os olhos verdes o mirando com tanta intensidade e ouvia o som das nádegas do outro batendo contra suas coxas, chegando a pensar que parte do prazer que sentia também vinha de Yuri.


Colocou as mãos na cintura delgada, ajudando-o a cavalgar em seu colo com ainda mais velocidade. Sabia que estava marcando a pele, mas era aquilo que mais queria. Yuri marcado pelo prazer dele, saber que ele olharia para aquelas marcas e se lembraria dele, por mais que negasse.


O loiro se masturbava intensamente ao notar que se ápice se aproximava. Sentia as ondas elétricas atingindo cada canto de seu corpo enquanto os espasmos se iniciavam, gozando enquanto gemia longa e libidinosamente, sujando o tórax de Otabek com seu esperma.


O interior do loiro comprimiu em volta de seu pênis e o moreno não pode evitar ir em busca de seu clímax com avidez. Forçou ainda mais a sua pélvis contra a bunda farta, atingindo seu orgasmo enquanto estava o mais fundo que podia dentro de Yuri.


O russo ouviu o gemido arrastado e rouco tão característico do cazaque, soar de forma harmônica junto ao seu, caindo cansado sobre o corpo alheio e quente como o dele.


Seus pulmões estavam cansados enquanto respirava pesado tentando recuperar seu fôlego. Piscava fortemente, recobrando seus sentidos quando teve a sensação de dedos alisando seu cabelo.


Ergueu os olhos, deparando-se com Otabek, que ao mesmo tempo em que tomava seu ar pesadamente, mantendo os olhos fechados, também acariciava as madeixas douradas de forma inconsciente.


Ficara um pouco surpreso, mas estava exausto demais para pensar sobre aquilo. Deitou-se ao lado do cazaque, encarando o teto de madeira escura.


— Caralho... — Sussurrou, um pouco surpreso com o que haviam acabado de fazer.


Escutou Otabek soltar um riso breve, que teria lhe passado despercebido se já não o tivesse ouvido antes.


— Vai tomar um banho, eu vou depois — A voz alheia voltou à sua calmaria monótona.


— Vai você primeiro, estou cansado... — Murmurou, ajeitando-se na cama e deitando a cabeça no travesseiro.


— Você vai acabar dormindo, te conheço — Disse ao se levantar.


— Não vou, cacete. Anda logo, antes que eu estoure sua cabeça — Tampou o rosto com outro travesseiro.


— Depois de ter feito você gozar enquanto gemia meu nome, acredito que já zerei na vida — Disparou, desviando da almofada que foi arremessada em sua direção enquanto corria para o banheiro.


Aproximou-se da pia e encarou seu reflexo no espelho, tamanha foi sua surpresa ao notar que sorria. Não o sorriso cínico que usava sempre, mas algo mais genuíno. A surpresa o fez tirá-lo de sua face, olhando para a torneira prateada que pingava algumas gotas de água.


Era Yuri, só ele conseguia fazer aquilo com ele, o fazer esquecer de quem ele era, e céus, como aquilo o assustava. Não era medo, por assim dizer, mas o fato de desconhecer aquele sentimento o fazia temer tal sensação.


Passou boa parte da ducha quente refletindo sobre o que, realmente, sentia em relação ao loiro, e nenhuma das respostas que formulou lhe agradavam. Uma afeição seria fácil de controlar, mas sabia que era mais do que só aquilo, apenas não queria admitir.


— Sua vez — Chamou o russo ao voltar para o quarto, secando seus cabelos com a toalha.


Não se surpreendeu ao encontrar o loiro dormindo profundamente na cama, sem nenhuma brecha para acordá-lo.


Suspirou, ele era um teimoso mesmo. Voltou até o banheiro e trouxe outra toalha, utilizando o tecido para, pelo menos, tentar limpá-lo. Onde já se viu, dormir sujo daquela forma sem se importar?


— Você não toma jeito mesmo... — Sussurrou, mesmo que Yuri não pudesse ouvi-lo de qualquer maneira.


Colocou a toalha sobre a cômoda, observando o rosto adormecido do garoto. Yuri, realmente, era muito bonito. Os cabelos dourados, os lábios finos e rosados, o nariz levemente arrebitado, os longos cílios claros que destacavam suas orbes esverdeadas, e até mesmo as pequenas sardinhas quase imperceptíveis que ele tinha pela região do nariz. Às vezes, se perguntava o porquê de alguém como ele ter se interessado por si.


Sacudiu a cabeça, tentando se livrar de tais pensamentos, ainda que não conseguisse de fato.


Ergueu o corpo do loiro em seus braços. Ainda que tivessem a mesma altura, o fato do outro ser bem mais magro facilitava muito. Deitou-o novamente na cama, cobrindo o cobertor.


Encarou o relógio que ficava na cômoda, 00:45. O tempo havia corrido mesmo e estava na hora de ir embora, afinal, ele nunca ficava. Mas, por alguma razão, sentia-se tentado a fazer o contrário. Seu corpo estava cansado e pedia por um descanso, e claro, aquilo não chegava nem perto do que haviam feito minutos atrás.


Ainda estava nu quando colocou-se ao lado de Yuri, encostando a cabeça no travesseiro e deixando o corpo descansar no colchão macio. Agradeceu mentalmente por não terem feito uma sujeira na cama como normalmente faziam.


E então, para sua surpresa, o loiro se aproximou de si enquanto ainda dormia, procurando de forma inconsciente a fonte de calor que estava envolvendo seu corpo.


Sentiu a tez alheia contra a sua, mas não pode evitar acariciar seu rosto levemente com o polegar, seguindo com as carícias até as coxas, ele parecia estar gostando daquilo.


"You got me touchin' on your body"


Por fim, envolveu o amante em seus braços, abraçando-o de forma receosa. Seu coração disparou e pode sentir suas maçãs do rosto esquentarem. Deus, estava tão ferrado.


"To say that we're in love is dangerous"


Em meio àquela madrugada de verão, Otabek decidiu esquecer de quem era, nem que fosse por uma questão de horas. E esquecer de quem Yuri era também. Não eram associados à máfias, gangues ou o que fosse. Eram eles, apenas eles. Os corações pulsantes, os pulmões que respiravam, as peles que se juntavam e ardiam em chamas. Gostou daquilo, se sentiu leve pela primeira vez depois de muito tempo.


Poderiam nunca dizer que estavam apaixonados um pelo outro, mas no fundo, estavam felizes por ao menos serem íntimos.


"But girl I'm so glad we're acquainted"

5 de Julho de 2019 às 00:34 0 Denunciar Insira 0
Fim

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Lari Plisetsky Otayuri, Sheith e Kiribaku são minha Santíssima Trindade.

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