A garota que se apaixonou pela morte Seguir história

licak Lica Croft

"Dizem que é doce como doces. Eles dizem que parece voar. O que é amor? Como é o amor? Como ele mantêm você sorrindo o dia todo? Como o mundo todo fica bonito? Eu quero saber o que é o amor. Será que o amor virá para mim algum dia?". É possível uma mulher humana e a Morte criarem um relacionamento? Se sim, o que aconteceria se os dois acabassem se apaixonando? Este pequeno conto trata sobre a história deles.


Conto Todo o público.

#drama #original #romance
Conto
1
657 VISUALIZAÇÕES
Completa
tempo de leitura
AA Compartilhar

"If our story is a tragedy... let's face it together"

Sentada sobre a sombra da grande árvore que ficava no quintal da sua casa, a pequena menina de vestido branco conversava animadamente com a pessoa ao seu lado. Para dizer a verdade, não poderia se dizer que era propriamente uma conversa já que a única que falava era a menina, enquanto o outro ouvia atentamente em silêncio. Os assuntos variavam entre histórias sobre os seus pais para o que tinha acontecido na escola no dia anterior. Apesar de parecer temas banais, a menina contava com tamanha empolgação que chegava a parecer ser uma aventura empolgante de uma protagonista prestes a descobrir os mistérios do mundo.

- Devo admitir que durante a minha existência já ouvi tantas histórias que não seria capaz de enumera-las, mas... a sua... foi a primeira vez que ouvi alguém contar sobre a sua vida com tanta felicidade. - a menina supôs que ele deveria estar sorrindo, porém por alguma razão ela não tinha certeza sobre isso. - Você... realmente ama viver neste mundo, não? - em resposta ela balançou afirmativamente a cabeça com um sorriso. - Entendo. Isso é realmente uma coisa muito boa. - a pessoa se levantou. - Ainda bem que não será hoje que a levarei comigo.

- Hm? O que você quer dizer com isso? - a menina o encarou cheia de dúvida.

- Ayla. Seja forte. Alguém como você conseguirá superar qualquer coisa. - ele passou a mão carinhosamente sobre a cabeça dela como um gesto de reconforto. - Da próxima vez em que nos encontrarmos... você provavelmente nem vai se lembrar de mim, mas tudo bem. - dessa vez, ao em vez de estar sorrindo, a menina achou que ele estivesse fazendo uma expressão triste. - Nada de bom vai vir ao lembrar de algo como eu.

- Por que está dizendo coisas estranhas? É claro que vou me lembrar de você! - retrucou com enfase fechando os punhos e o encarando um olhar determinado. - Seria muito feio da minha parte esquecer de um amigo.

- Amigo? - ela pode jurar que tinha escutado o riso dele. - De todos os nomes que já me deram, não me recordo de nenhum tão amigável quanto esse. - a menina se levantou e o observou novamente com uma expressão confusa, pensando no por que daquela pessoa sempre dizer coisas estranhas. - Obrigado. - e começou a se afastar em passos calmos sem produzir nenhum som ao pisar na grama. Ver as suas costas se distanciando cada vez mais a fez lembrar de um filme onde o protagonista se despedia da garota que gostava sabendo que nunca mais voltariam a se ver. Antes mesmo dela dar um passo para frente, ela ouviu a voz dele com tanta intensidade que se arrepiou. - Não seja imprudente, Ayla. - ao levantar a cabeça, os seus olhos se encontraram com os dele, ou pelo menos foi isso o que pensou. - Você sabe muito bem o que vai acontecer se me seguir. - apesar das palavras dele saírem no mesmo tom sem emoção que ele utilizou até agora, a menina sentia uma sensação negativa como se estivesse sendo repreendida. - Seus pais estão esperando por você, assim como o mundo que tanto ama.

- Então, por que você não vem junto comigo? - assim que ouviu a pergunta inocente dela, ele parou de se mover.

- Eu? - a incredulidade estava nítida na sua voz. - Ir junto com você? - ela balançou a cabeça afirmativamente. - É um pensamento inconcebível.

- Por quê? - um vento forte passou por eles fazendo a grama se mover, assim como as folhas nos galhos da grande árvore. As vestes negras dele também acabaram se movendo como ondas e ela percebeu que no lugar que deveria estar o corpo dele, havia apenas ossos. Ainda que tenha ficado surpresa com isso, a pequena menina não se sentiu nenhum pouco assustada.

- Vai entender quando acordar.

O barulho constante dos equipamentos do hospital foi a primeira coisa que percebeu ao recobrar a consciência e a segunda foi a mão da sua mãe sobre a sua. Ayla havia sofrido um acidente e aparentemente tinha ficado um minuto sem batimentos cardíacos, antes dos médicos a ressuscitarem. Infelizmente, o acidente acabou prejudicando o movimento das suas pernas de forma que ela não poderia mais movimentá-las. Enquanto os seus pais conversavam com a médica responsável, a menina sentada na cama do hospital olhava pela janela em busca de algo que obviamente não estava ali. "Será que foi um sonho?", questionou-se ao pensar no misterioso ser que lhe fez companhia quando se encontrava inconsciente. "Não.", respondeu logo em seguida ao recordar de toda a alegria que sentiu em cada momento ao lado dele.

- Esqueci de perguntar o nome dele. - pensou e disse em voz alta. - Na próxima vez.



No meio de uma montanha de livros velhos empilhados, cercado por pequenas partículas de poeira, estava uma cadeira de rodas. Onde deveria estar sentada a sua dona, encontrava-se outra pilha de livros que parecia perigosamente muito alto. Não muito longe estava deitada no chão de madeira uma jovem mulher com um livro aberto sobre o rosto dormindo profundamente até que alguém gritou o seu nome. Ayla abriu a boca de sono e esticou os seus braços parecendo não escutar nada do que o bibliotecário dizia. Após ajudá-lo a colocar os livros nos seus devidos lugares, ela perguntou se ele conhecia algum livro especifico que abordasse sobre as experiências vivenciadas por pessoas que quase morrerem.

- E o que um assunto tão macabro como esse seria do interesse de uma garota como você? - questionou rindo sentindo que tinha acabado de escutar uma piada ruim. - Deixe esses pensamentos de lado e vá se diverti! É sábado! Jovens da sua idade deveriam estar no cinema ou seja lá em que lugar hoje em dia os jovens vão. - o velho senhor resmungou voltando para a sua mesa.

Suspirando decepcionada com si mesmo por novamente não ter encontrado nada de útil nos livros, apesar de ter se esforçado em ler obras antigas e de outros idiomas, hoje tinha sido igual a todos os dias anteriores. Perdida nos seus pensamentos parada esperando o sinal dos pedestres ficar verde, Ayla acabou não percebendo que a sua cadeira começou a se mover aos poucos depois de um vento forte bater no encosto e antes que fosse tarde demais alguém segurou a parte de cima da cadeira.

- Incrível. Você realmente não se esqueceu. Pensei ter dito que nada de bom viria disso. - ela escutou uma voz masculina atrás de si e ao virar o rosto para encará-lo, deparou-se com um rosto não familiar, mas ao mesmo tempo havia algo nostálgico... principalmente nos seus olhos. - Como vai, Ayla?

- É... realmente você? - perguntou sem acreditar no que estava diante dos seus olhos. - Como? - ele sorriu bem de leve e se abaixou para ficar no mesmo nível dela.

- Eu apenas segui o seu conselho. - fez uma pausa. - Além do mais, seria imprudente deixá-la continuar a procurar por mim e vê-la se esquecer de viver a própria vida. - levantou-se e estendeu a mão para ela. - Então vamos ser amigos por um dia. Combinado? - a jovem mulher olhou para mão dele e a seguir buscou novamente pelos seus olhos com um sorriso, achando como tudo aquilo o fazia parecer tão fofo.

- Só um dia? - perguntou com uma expressão de insatisfação. - Isso está longe de ser o suficiente para colocarmos a conversa em dia. - o homem permaneceu com a mão estendida sem alterar a sua expressão. Seria uma mentira dizer que estava surpresa com isso, pois sabia o tipo de ser com estava lidando, contudo uma pequena parte de si gostaria que ele fosse mais aberto a negociações. - Está bem. - concordou a contra gosto aceitando o aperto da mão dele. - Um dia. - repetiu os termos do contrato para deixar claro que tinha entendido. - Então, o minimo que você deve fazer é me dizer o seu nome. - em resposta o homem lhe lançou um olhar interrogativo.

- Você sabe quem sou e também me chamou de amigo. - ele continuou a encarar sem compreender, parecendo uma criança. - Do que mais precisa? - ela riu ao perceber que ele estava falando sério. Bem, houve alguma vez em que ele não falou?

- Nada disso são nomes. O que eu quero saber é como devo chamá-lo daqui em diante. - mesmo após dizer isso, o homem continuava com uma expressão confusa. - Que tal Joel? É nome do protagonista de um filme o qual você me fez pensar na última vez em que nos vimos.

- Verdade? - os dois continuaram a se encararem. - Não me importo. Pode me chamar do que quiser.

Durante as suas conversas, os dois se dirigiram para um lugar mais tranquilo. Passeando em um pequeno parque, admirando a natureza, a jovem mulher contava sobre os acontecimentos da sua vida desde o momento em que tinham se visto pela última vez. Por fim, o casal acabou se sentando em um banco no interior do parque. Não muito longe de onde se encontravam tinha uma barraca que vendia algodão doce, o qual Joel passou grande parte da conversa sem tirar os olhos, após ver algumas passarem por eles comendo. Ayla lhe estendeu uma quantia de dinheiro e pediu para que comprasse dois para eles. Nunca tinha visto alguém tão empolgado por um simples algodão doce. Os olhos dele chegaram a brilhar de felicidade e ela ficou feliz ao ver a expressão de surpresa dele ao comer desajeitadamente o flocos que pareciam nuvens coloridas.

Quando ela lhe perguntou como tinha conseguido aquele corpo, ele informou que era de alguém que já havia falecido e que de certa forma tinha pego emprestado para poder se encontrar com ela. Ao questionar se ele não poderia conseguir ou criar um corpo só para si, Joel permaneceu em silêncio enquanto terminava de comer o seu algodão doce.

- Você nunca chorou. - as palavras fora de contexto dele fizeram Ayla parar de observar o céu e voltar a cabeça na sua direção. - Quando descobriu que não voltaria mais a andar... e mesmo depois ao enfrentar todas as dificuldades e mudanças na sua vida. - saber que de alguma forma ele tinha conhecimento sobre a sua vida ao longo do tempo que passaram sem se ver, trouxe uma sensação reconfortante. De alguma forma, passar por tudo aquilo não tinha sido tão ruim, especialmente quando ela se lembrava das palavras dele. - Nunca conheci uma humana como você.

- Por que parece estar surpreso? - brincou roubando um pedaço do algodão doce dele. - "Seja forte. Alguém como você conseguirá superar qualquer coisa.", não foram as suas palavras? - ficou um segundo sem falar ao refletir sobre o assunto. - Como posso dizer? Parecia como se você soubesse como o meu futuro seria.

- Eu não posso prever o futuro. - retrucou sério sem a encarar. - Só existe um momento da vida dos humanos em que participo. O seu fim. - ele pegou o último pedaço do algodão. - O que quer que tenha acontecido antes disso... não faz parte do meu trabalho. - comeu o último pedaço para a seguir jogar o palito no lixo ao seu lado.

- Se isso for verdade... por que nós dois nos conhecemos naquele dia? - o homem permaneceu em silêncio. - Sei que fui ressuscitada depois de sofrer aquele acidente, mas mesmo assim... você sabia que ainda não tinha chegado a minha hora. Então, por quê?

- Naquele dia... apenas pensei que não seria uma má ideia lhe fazer companhia até o momento que tivesse que voltar para o seu mundo. - ficou calado por um tempo parecendo pensar em algo. - Agora percebo o erro que cometi ao me esquecer do meu propósito na vida dos humanos. - somente agora os dois fixaram os olhos um no outro. - A minha existência não deveria ter influenciado em nada nas escolhas que fez ao longo da sua vida, Ayla. Eu somente percebi isso quando já era tarde demais. Por isso quebrei inúmeras regras ao roubar esse corpo e vir encontrá-la neste mundo, com a esperança de que se apagasse todos as suas memórias sobre mim... você voltaria a viver a sua vida como todos os outros. - ele esticou a mão na direção do rosto dela e, ao em vez de sentir medo do toque dele com a possibilidade de perder as suas lembranças, a jovem mulher esperou pelo toque dos dedos dele sem qualquer indício de medo ou indecisão. - Sei que esta é escolha certa a se fazer pelo bem de nós dois, no entanto... eu me pergunto por que prefiro enfrentar a possibilidade de desaparecer ao não cumprir com as normas da minha existência do que causar qualquer dano em você, mesmo que seja quase imperceptível. - ela colocou a mão sobre a dele que ainda estava no seu rosto. - Isso é o que chamam de amor?

- Espere. O que quer dizer com desaparecer? - perguntou em um tom de preocupação.

- Eu sou a Morte. - disse com um sorriso. - Se eu parar de agir como tal... não haverá razão para continuar existindo. Afinal, não sou humano como você. - ele riu sem nenhuma felicidade. - Não tenho se quer uma forma física para me manter ao seu lado, mesmo que este fosse o meu desejo.

- Você não pode desaparecer! - ela exclamou claramente frustrada ao apertar com força as mãos dele. - Pegue-as. Apague as minhas memórias. - encostou a testa sobre a dele e fechou os olhos. - Se isso for o bastante para mantê-lo aqui, eu não me importo. - lágrimas começaram a deslizar pelas faces da jovem. - Mesmo que não tenha nenhuma lembrança sua... meus sentimentos não vão mudar. E isso é o suficiente.

- Mentirosa. - ao ouvir isso, ela se afastou o suficiente para encará-lo. - Não tem como isso ser verdade. Porque eu sei o quanto essas memórias são especiais e importantes para você. - ele limpou algumas das lágrimas dela. - Eu sei... pois sinto o mesmo. - e fazendo com a distância entre os seus rostos desaparecessem, Joel a beijou tão gentilmente que para Ayla chegava a ser cruel demais para suportar. - Se eu conseguir sobreviver... irei atrás de você. Onde quer que esteja. - ao abrir os olhos a jovem mulher percebeu que estava sozinha no banco de madeira. Diferente da primeira vez em que se separaram, ela sentiu uma dor tão grande no peito que inconscientemente socou a própria perna e para o seu espanto sentiu a dor do seu soco. Como um milagre, a jovem mulher conseguiu mover as duas pernas com a mesma facilidade que tinha antes do acidente. Rindo sozinha ela olhou para o céu noturno pensando quando seria a próxima vez em que o veria.

- Como você irá conseguir sobreviver se vai continuar a quebrar as regras até o fim? - pensou e falou em voz alta.



"Há muito tempo atrás, quando os primeiros humanos começaram a andar por essas terras, surgiu uma existência que foi instruída a observar aqueles estranhos seres e quando chegasse a sua hora, guiá-los para além desse mundo. Não demorou muito para que os humanos o nomeassem com diversas palavras de vários idiomas, porém com o mesmo significado: Morte. Não importa a época ou onde se encontrassem, os humanos sempre temeram a Morte e buscaram por formas de prolongar a vida. Como qualquer outra coisa presente nas suas vidas, eles queriam traçar o próprio destino se recusando a perecer perante o impassível Tempo. Incorruptível, sem emoção ou se quer uma consciência, o Tempo continuou a guiar o passado em direção ao presente e o presente para o futuro.

Um dia, a Morte conheceu uma garotinha humana. Ela parecia como qualquer outra que ele já tivesse conhecido, mas ao em vez de se assustar com a sua aparência tão sinistra e desagradável, a pequena menina de vestido branco perguntou se ele não gostaria de brincar com ela. Esquecendo que não deveria interagir com nenhum humano que ainda não tinha falecido, a Morte escolheu se sentar ao seu lado e ouvir as suas histórias até o momento em que ela tivesse que voltar para o mundo dela.

Mesmo separados, tanto a Morte quanto a garotinha continuavam a pensar um no outro como se desejassem se encontrarem novamente. A Morte sabia que só voltaria a vê-la novamente quando a sua hora chegasse e por isso procurou ao máximo se afastar de qualquer coisa relacionada a garotinha, enquanto inconscientemente a observava de longe. A garotinha cresceu, passando pela face da adolescência, para depois se tornar uma jovem mulher. Os anos não mudaram a sua vontade de encontrar a Morte e, como uma espécie de passatempo, ela passou a pesquisar e estudar tudo relacionado a Morte na esperança que pudesse encontrar algo de útil.

Ao perceber o erro que tinha cometido, a Morte quebrou várias regras para poder encontrar a jovem mulher e tentar consertar a situação antes que fosse tarde demais. Pouco ele sabia que ao roubar um corpo humano, todos aqueles sentimentos que ele próprio não tinha ciência da sua existência se tornaram claros e impossíveis de serem ignorados, principalmente quando ele tinha a jovem mulher diante de si. Ele estava apaixonado pela jovem mulher e por isso não conseguiria apagar as suas memórias para poder fazer as coisas voltarem ao equilíbrio em que se encontravam antes da sua interferência na vida da garotinha.

Preferindo se arriscar, a Morte voltou para o seu mundo e aguardou pelas consequências das suas ações insolentes ao se esquecer do seu papel e a razão da sua existência. Para a sua surpresa, ao em vez de ter a sua existência apagada completamente, ele perdeu a sua posição como encarregado de guiar os humanos para o além e foi enviado para o mundo real para passar o resto da sua vida como um humano..."

- Então quem ficou encarregado de guiar os mortos? - interrompeu uma pequena menina de cabelos encaracolados. - Não me diga! Os humanos passaram a viver eternamente?!

- Claro que não sua idiota! - retrucou uma outra menina com os cabelos presos em duas tranças. - Até parece que isso ia acontecer. Tá na cara que alguém assumiu a posição da Morte.

- E quem faria isso? - perguntou a terceira menina com uma presilha de morango presa no topo do seu cabelo. - Ah! Os ceifadores? Foi assim que foi criado os ceifadores?!

- Meninas. - as três vivaram a cabeça para trás para observar Ayla carregando alguns potes de tinta. A mulher estava suja de várias cores na roupa, nos braços e no rosto. - Como você esperam escutar o fim da história se continuam a interromper o papai?

- Mamãe, você sabe o fim da história? - questionou a menina de tranças. Em resposta a mulher fez um silêncio misterioso, até sorrir para as filhas para a seguir olhar para o marido.

- Quem sabe? - ela riu continuando a caminhar em direção ao seu atelier. - Mesmo se soubesse... o pai de vocês sabe contar essa história muito melhor do que eu. - e desapareceu de vista.

- O que isso quer dizer? - questionou a de cabelos soltos.

- Vai lá saber... a mamãe sempre teve esse ar misterioso. - disse a com a presilha. - Já escutou a história que no passado ela não conseguia mover a parte de baixo do corpo?

- Escutei, mas deve ser mentira, não? Afinal, olhe para ela. - retrucou a de trança. - A gente não deveria acreditar em tudo o que escuta por ai.

- Chloe, - a de cabelos soltos olhou para frente. - Ravena, - a de trança parou de falar com a irmã. - e Eva. - a última com presilha voltou os olhos na direção do pai. - Vocês querem ouvir o final da história ou não? - as três balançaram a cabeça afirmativamente. - Então, vamos continuar.

- Sabe, o papai às vezes é muito mais assustador que a mamãe. É quase impossível dizer o que ele esta pensando. - sussurrou Eva para as irmãs.

- "Assumindo a posição da Morte, foram criados os ceifadores. - a menina de presilha sorriu e cutucou a irmã ao seu lado, feliz por ter acertado. - Eles passariam a guiar os mortos para o além, enquanto a Morte viveria como um mero mortal dentre os humanos." Fim. - e fechou o livro.

- O quê?! - exclamaram as três ao mesmo tempo. - E o que aconteceu com a jovem mulher? Eles não voltaram a se encontrar? Isso não pode ser o fim! - elas reclamaram.

- Todos viveram felizes. Por que esse final desagrada vocês?

- Nós não nos importamos com os outros. - disse Ravena com bastante seriedade. - Nós gostamos da Morte e queremos saber se ele encontrou a mulher por quem se apaixonou. - ao ouvir isso um pequeno sorriso apareceu nos lábios dele.

- Será que se eles se encontraram... se casaram? - questionou Chloe.

- Obviamente! Devem ter tido filhos também. - retrucou Eva fazendo uma cara de felicidade ao pensar nesta possibilidade.

- Eles devem ser tão fofos! - elas pararam de falar o perceber que o pai começou a rir.

- Vocês são tão incríveis quanto a sua mãe. - colocou o livro em cima da mesa para poder abraçar as três de uma só vez. - É verdade que a história tem um outro final, mas... vou deixar para contar em outra hora. - as três meninas começaram a reclamar, agarrando-se no pai dizendo que queria escutar agora e que ele estava sendo muito malvado.

Observando as suas filhas com olhos calorosos, Joel acabou recordando o momento em que ele e Ayla se reencontraram para poderem em fim ficarem juntos. Após adquirir o movimento das pernas, a jovem mulher começou a viajar pelo mundo e também continuou as suas pesquisas com relação a morte. No dia em que ela voltou para a sua cidade natal, ainda com a mochila nas costas, enquanto caminhava pela calçada ela subitamente parou ao ver um homem parado um pouco mais a frente. Quando os seus olhos se encontraram, ela largou a mochila no chão e correu na direção dele para abraça-lo fortemente com medo que fosse desaparecer novamente.

Sem se abalar em ser puxado e seguido pela filhas, Joel entrou no atelie e parou ao lado da esposa, a qual beijou no topo da cabeça. Os dois sorriram um para o outro e em seguida observaram a pintura diante deles. Se tratava de uma menina de vestido branco que entregava para um ser de vestes pretas uma flor colorida.


"You are my epilogue, my prologue and every chapter

that exists in between."

8 de Julho de 2019 às 14:08 7 Denunciar Insira 2
Fim

Conheça o autor

Comentar algo

Publique!
Tiago Lírias Tiago Lírias
Uma versão ainda mais demoníaca da Bela e a Fera, seria o que eu usaria pra descrever a história. As implicações religiosas dessa união aí são muito controversas, mas não podia me importar menos com isso quando meu objetivo com a leitura é a diversão de buscar significados e apreciar a arte rítmica da harmonia do enredo e a decoração disso com técnica lírica. Seja como for, de início a fim tive a impressão que a narrativa foi criada por algum wiccano com intenção de impulsionar a adoração da sua religião ou algo do tipo... Que tipo de pessoa de sã consciência cria admiração por um ceifador, claramente um ser maléfico, com a morte na própria voz, mesmo que tenha sido amigável a essa pessoa em algum dado momento; mesmo que seja uma criança? Senti uma falta de originalidade (sem desmeritar a habilidade em retratar um ser vindo do Inferno), por isso não gostei muito. Mesmo não gostando senti que tinha de mencionar a sensação que o conceito geral da história me passou: pareceu doutrinador.
Finii Finii
Uau!!! Ter escrito isso deve ter dado um trabalho enorme, mas valeu a pena! Amei muitooo S2
20 de Julho de 2019 às 15:59

  • Lica Croft Lica Croft
    Nossa! Muito obrigada pelo seu comentário! Fico bastante contente em ver como gostou da história. Não demorou tanto tempo assim não... mas, me esforcei em caprichar! 20 de Julho de 2019 às 18:18
Hyeri Hyeri
Meu deu meu deus meu deus. Isso tá maravilhoso 💜💜💜💜💜💜
14 de Julho de 2019 às 16:37

  • Lica Croft Lica Croft
    Nossa! Muito obrigada pelo seu comentário! Fico feliz que tenha gostado. ^o^ 14 de Julho de 2019 às 17:10
~