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sophiagrayson Sophia Grayson

"E Joana, a boa Lorena; Que os ingleses queimaram em Ruão; Onde eles estão, onde Virgem soberana? Mas onde estão as neves de antanho?" – François Villon


Fanfiction Anime/Mangá Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#tragedia #fluffy #drama #hetalia
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Capítulo Único

Século XV;

30 de maio de 1431, Ruão, França.

Nove horas da noite.


A massa de pessoas se reunia na Praça do Velho Mercado, ansiosos para assistir à execução da herege, da bruxa, mentirosa e blasfema, Joana D'Arc. O necessário para fogueira de sua execução estava pronto. Os padres e o restante do clero se encontravam no local, para assistirem o “espetáculo”.

O céu estava belo e impecável, suas estrelas lindas e cintilantes. Clima agradável, nem quente e nem frio. Não combinava em nada com a tragédia que estava para ocorrer. A multidão já gritava, pedindo a aparição da jovem, na qual momentos depois deu o ar da graça presa em correntes e puxada por soldados.

Cabelos curtos e opacos, as belas feições, desgastadas, anuladas. Magra, desnutrida, era visível seus ossos. A pele, antes branca e corada, estava entre verde e pura palidez. Muito provavelmente torturada nos últimos dias. Trajava um vestido branco, que arrastava no chão e segurava um crucifixo como se fosse seu último apoio.

Um dos padres ajudou os soldados a amarra-la no pilar que tinha no centro da fogueira. Logo após ouviram a longa sentença da jovem de dezenove anos, está somente esperava, aceitando seu fim eminente. Tentara de tudo para não ir as chamas, mas todas suas tentativas de suicídio foram frustradas. Quando percebeu já tinham ateado fogo.

Remexeu-se numa tentativa involuntária de sobrevivência. Segurou com mais força o crucifixo, seus lindos olhos esmeraldas cheios de lágrimas. Sussurrava uma oração. Era o máximo que podia fazer. Sentiu o calor infernal aproximando de seu corpo e da dor excruciante que invadiu ao atingir sua pele. Vagou sua visão ao povo que xingava, nada escutava e só queria que tudo acabasse logo. No meio da multidão e encontrou aquele que sofria, que a guiou e apoiou em suas decisões. Que a ensinou a ser uma verdadeira guerreira. E sabia que discordava do soberano por não fazer nada pela heroína da nação.

A personificação da França, Francis Bonnefoy, cabelos castanhos loiros sujos, usava uma camisa de manga de botões encardida e rasgada. Safiras, antes brilhantes, agora opacas, sem vida e vermelhas, como se tivesse passado dias chorando. Olheiras profundas maculavam o rosto esculpido. Os lábios era uma linha reta tremula, sem o costumeiro sorriso. Uma calça azul do exército, velha com buracos. Botas igualmente acabadas.

Em nada se parecia com o jovem narcisista, extrovertido e extravagante. Em passos lentos, o rapaz aproximou-se, sem se importar com os bofetes e empurrões, chegando assim na primeira fileira.

Chorou, uma dor dilacerou seu peito, vê-la nessa forma era a pior condenação. Fitou os olhos dolorosos de Joana, gesticulou, abrindo a boca desejando falar o que tanto ensaiava nos últimos dias.

Sua linda menina. Corajosa e heroína do país. Enfrentou toda a rigidez, se era digna ou não. Acompanhou em todo o período, acreditava naquela jovem e na sua força firme. A forma como abandonou seu lado feminino, cortando suas madeixas, prendendo os seios para vestir a armadura masculina. Liderar como um verdadeiro líder. E vencer as batalhas impostas.

Não deveria estar ali, seu trabalho tinha acabado, mas seu senso forte de justiça, não poderia deixar Compiègne ser dominada pelos Borguinhões, aliados dos ingleses. E foi abandonada...

E ele não pode fazer nada. Apertou seu amuleto que fora dado a ele pela garota. Seu peito subia e descia, numa respiração entrecortada, suas vias aéreas entupidas em consequência do choro, que se tornava cada vez mais forte.

A viu evoluir... e como um bom francês se apaixonou por ela. Mesmo não podendo. Não. Ele era um ser eterno, até o fim absoluto da França. Isso também era uma maldição. Sim, agora sabia.

Impotência, covardia e ódio era outros sentimentos que sentia. Sua menina... sua princesa... não merecia aquilo. Mas infelizmente, nada poderia fazer. Nada. Ele era um nada, só uma peça de um jogo sendo controlado pelos lideres de sua terra. Não tinham poder de interferir em nada, de mandar em nada. Era a personificação do país, mas em nada comandava. Era só um “pau mandado”.

E com isso não conseguiu impedir essa tragédia.

Com dificuldade, encarrou triste e horrorizado sua amada. E ela o observava firmemente. Sorrindo em meio a dor, com um olhar acolhedor e que dizia ao mesmo tempo que não o culpava.

Moveu os lábios em uma fala muda. “Te perdoo, não é sua culpa e não se culpe também” “Peço que seja forte, como sei que és”.

Fechou as esmeraldas. Mordendo os lábios para não gritar pela dor.

Francis deslizou até o chão. Com soluços cada vez mais forte. Apertou as mãos no tecido da camisa, onde ficava o coração. Os murmúrios da jovem... sim, entendera..., mas não podia deixar de se culpar. Avistou a moça, e o seu último pedido em seus olhos esmeraldinos. “Por favor, se vá, não me veja assim, não me lembre assim” “Não me veja morrer”.

Isso seria a covardia extrema. Mas os olhos suplicantes da outra... cumpriria seu último desejo. Juntando os cacos se levantou e saiu em disparada. Não antes de fita-la uma última vez e pelos lábios se declarar, se culparia eternamente se não o fizesse, “Te amo, minha princesa" e receber em meio da dor, que era correspondido.

E correu, correu. Não soube por quanto tempo. Parou quando suas pernas já doíam e seu corpo encharcado pela chuva que veio do nada para o francês.

Ajoelhou-se e rezou para Deus, para que todas as pessoas sofredoras e maltratadas pela história, terem uma vida feliz, normal e com amor.

Sua princesa merecia... se fosse possível tal feito. Fechou os olhos, com a cabeça levantada para a chuva. Gritou o mais alto que pode.

×××××××××××


E Joana, a boa Lorena;

Que os ingleses queimaram em Ruão;

Onde eles estão, onde Virgem soberana?

Mas onde estão as neves de antanho? François Villon


Século XXI;

Paris, França, dez de dezembro de 2018.

Oito horas da manhã.


O dia começara frio e animado, o pouco de neve que caíra a noite acumulava entre a paisagem, enfeitada com luzes e demais adereços natalinos. Davam até outro significado à Cidade Luz. Mesmo sendo cedo, encontrava pessoas de um lado para o outro, crianças gritando e pulando. Mães, boas e sérias dando uma etiqueta aos filhos, afinal eram franceses e mesmo que não fossem, ter a devida educação era de extrema importância.

As crises que nos últimos tempos estavam enfrentando era perceptível, mas a animação não deixava de existir. E a figura eterna do país estava a observar tudo com certo animo, mesmo que não estampado, esse era um de seus períodos favoritos, mesmo que ultimamente estivesse desgastante.

Tomava um café para se aquecer, tendo olhares dirigidos a sua pessoa. Mesmo de aparência cansada, sua beleza exalava como um verdadeiro Eros, filho de Afrodite, atraindo assim toda a atenção. Mesmo que não quisesse, o que era raro, mas ultimamente queria ser o mais invisível possível. Como afirmado vivam uma crise e com isso muito tinha o que fazer, ou pelo menos queria, mas era um peão, como nos tempos antigos. E no momento queria apenas apreciar sua cidade como anos atrás.

Conservava os cabelos médios, presos a uma fita vermelha. Óculos de armação preta com dourado adornava seu rosto esculpido, mesmo que sem grau. Camiseta vinho, com colete preto e blazer cinza. Calça social igualmente cinza, todavia, mais escuro, sapatos brogue castanho escuro muito bem lustrados.

Com seu celular de ponta olhava uma das redes sociais, dando um fraco riso quando via a “briga" de seus companheiros. América e Inglaterra eram os mais energéticos. Poderia até entrar no meio..., mas estava sem vontade alguma. Muito anormal. Coçou os olhos, tirando a armação. Talvez mais tarde devesse publicar algo, para manter as aparências. Suspirou.

Um flash foi acionado e o brilho o assustou momentaneamente. Vazou o olhar para a direção da luz, e precisou piscar muito e até se beliscar para ter a certeza de que não estava sonhando ou ficando doido... de vez.

A poucos passos estava sua princesa, ou melhor uma jovem de cabelos curtos cor palha, com presilhas com uma gama de rosas em variadas cores. Um vestido leve azul bebê, meias cobrindo toda a perna variando vermelho e azul, botas caramelo e um fofo casaco branco de lã. Carregava uma expressão tímida. Era ela.

- Me perdoe – a melodiosa voz ecoou mesmo com sotaque, trazendo Francis a realidade – Não sei o que deu em mim para tirar uma foto sua – moveu o celular para a galeria, com ansiedade e tremedeira – Vou apagar agora mesmo, me desculpe! – sentiu as mãos grandes e quentes tocarem as suas, impedindo-a de deletar a foto.

Ela parou em choque, conhecia aquele toque e calor. Voltou suas esmeraldas para a pessoa em sua frente. O homem sorria amistoso. Teve a impressão de já tê-lo visto e conhecido. Mas como? Essa era a primeira vez que o vira.

- Sem problemas milady – afirmou Francis, observou a moça se abalar e ficar mais vermelha que um tomate. Riu internamente. Se fosse em outros tempos, e outra pessoa utilizaria de seu charme e sensualidade, mas agora estava sem segundas intenções. O mundo iria explodir, sim, ele sabia – Pode ficar com ela, permito, desde de que a guarde com carinho – retirou suas mãos das dela, tendo percebido que a mesma teria um troço se continuasse com o contato. Com um rápido toque cancelou o pedido de exclusão na tela do celular da mesma.

- Ah, ah, me desculpe – gaguejou sem jeito, a antiga Joana D'Arc – Tem certeza?

- Sim, milady – confirmou o que dissera. As diferenças eram perceptíveis de uma para a outra, não fisicamente, pois eram idênticas, mas na personalidade. Afinal eram tempos diferentes, vidas diferentes. Mas nunca deixaria de ser sua princesa. Estava absurdamente contente em vê-la vivendo feliz, como desejou.

Ficaram uns minutos parados, França se perdendo na beleza da jovem e a outra não sabia como sair da situação que se encontrava completamente sem graça.

O mais velho saindo do transe, colocou os óculos que pendia nas madeixas, fazendo cair algumas mechas que não estavam presas. Uma ideia passou por sua cabeça. Não queria deixa-la, não agora que finalmente a encontrara. Mas claro que não a obrigaria a nada.

- Primeira vez em Paris, mon chérie? – perguntou quebrando o silêncio. Como estavam no meio da calçada, sentiu um empurrão de um dos transeuntes e um pedido de desculpas de alguma mãe.

A moça concordou com a cabeça.

- Sim senhor – surpreendentemente o mais velho não se sentiu ofendido em ser chamado de “senhor" – Meu sonho era visitar essa cidade, e como presente de aniversário meus pais deram essa viagem – a própria se surpreendeu em revelar tanto. Não era necessário. Era só dizer “sim", todavia, sentia que podia falar qualquer coisa para o desconhecido, como se o fundo de seu ser dissesse que podia confiar nele.

- Magnífico mon chéri, é um presente e tanto – disse cordial – E meus parabéns!

- Obrigada.

A jovem encarrou o chão envergonhada. Francis levantou seu rosto, queria vê-la, faze-la se sentir menos intimidada em sua presença e sinceramente não gostava de ser substituído por um piso antigo. A outra arregalou os olhos surpresa.

- Já tens um guia turístico, mon chéri? – perguntou, externando sua ideia. Observando-a com perspectiva, sem deixar muito visível, lógico.

Talvez fosse o fim da galáxia. Não tinha dúvida.

- Ah, não – encarrou as intensas safiras, e dessa vez não desviou o olhar. Sentia a segurança de uma forma inexplicável, vinda do outro.

Francis colocou as mãos na cintura, depois gesticulando com o braço direito estendido para a cidade.

- Me daria a honra de ser seu guia, mon chéri?

Passou mais alguns minutos para a jovem aceitar a proposta, não por confiar no outro, pois já o tinha, mas por não querer incomodá-lo. Se apresentaram dignamente, e enfim Francis soube o novo nome de sua princesa. Elizabeth ou simplesmente Lisa. Natural da Espanha. Surpreendeu de certa forma, fora parar longe.

Andaram o tanto que podiam, França fazia questão em apresentar todos os belos lugares, pontos turísticos, paisagens e até mesmo restaurantes. No meio tempo descobriu coisas como o curso da jovem, e que tinha outro sonho de poder fazer um semestre em uma das faculdades de Paris. E como sempre presava a justiça. Direito. Sentia que a mesma seria tão forte como fora na outra vida.

Infelizmente, anoiteceu e logo veio a despedida, mas não antes de chamá-la para jantar. Sem segundas intenções, para deixar claro. Acompanhou até o hotel onde Lisa estava hospedada. Carregava como um bom cavalheiro as compras da mais nova. Souvenir são importantes. Sentiu um aperto no coração. Talvez não a vesse mais. Todavia estava contente, e era melhor que a outra ficasse longe dele.

- Obrigada pelo dia, Francis – encaracolou uma curta mecha do cabelo, quando abria seu quarto. O outro deixava as compras no piso.

- Disponha milady – se curvou – Espero que tenha gostado da cidade.

- Sim, claro, adorei! – fez questão de dizer logo.

França sorriu, percebeu que a outra queria pedir algo e já sabia o que era. Vê-lo novamente. Mas tinha que se afastar, mesmo sendo contraditório para si mesmo. Mas, todavia, a acompanharia nos restantes dos dias que fosse ficar. Devia isso a sua princesa.

- Me encontre amanhã no mesmo café – Lisa piscou, como o outro soube o que pensara? – Adoraria te apresentar as demais coisas que faltam.

- Ah, ah – gaguejou – Sim, claro. Obrigada!

Aquele dia tinha sido relaxante, e praticamente sorriu a todo o momento. Verdadeiramente, como não fazia a um bom tempo. Deu um casto beijo na testa da jovem.

- Boa noite, mon chéri – retirou-se, a passos leves – Até amanhã – acenou.

E assim deixou sua bela princesa, estancada pela surpresa e ganhou as ruas da Cidade Luz. E finalmente deixou as lágrimas escaparem. De saudades, como dizia Brasil, de tristeza e felicidade.

- Ah, Joana – olhou para a Lua, no qual as nuvens descobriam – Minha princesa – na tela do celular mostrava em alta resolução, a jovem que acabara de deixar, sorrindo e seus curtos cabelos ao vento – Estamos quites milady.

3 de Julho de 2019 às 10:21 0 Denunciar Insira 2
Fim

Conheça o autor

Sophia Grayson Só uma garota que gosta de escrever.

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