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nathy-loussop Nathy Loussop

Até a Morte pode ter pesadelos de vez em quando... História do Universo de Dark Rai


Suspense/Mistério Impróprio para crianças menores de 13 anos. © Universo de Dark Rai, todos os direitos reservados.

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Capítulo Único


Conseguindo sair da multidão e atravessando a barreira policial sem ser notado continuei correndo em direção ao epicentro do portal. O corpo da criatura disforme já começava a ter um pouco mais de nexo a medida que ia se materializando nesse mundo.

Se eu pudesse descrevê-la, diria se tratar de um dragão oriental, com partes de outros animais ao longo de seu corpo, espinhos enormes em seu dorso e com a energia assassina mais forte que já vi até agora.

Mordi os lábios em ansiedade, não fazia a menor ideia de como o enfrentaria. Conjurei minha foice por entre os dedos já me preparando para atacar enquanto a travessia não era concluída, se não fosse um detalhe:

— Esse é grande... — a voz familiar disse atrás de mim.

Não queria crer, tanto que ao me virar esperava muito estar tendo uma alucinação naquele instante. Infelizmente estava errado quando ela dirigiu a palavra à mim.

— Como vamos acabar com ele Rai?

— Não vamos acabar com ele… Eu vou! — fiz questão de enfatizar a última parte.

— Eu não corri até aqui à toa! - bateu o pé no chão em protesto.

— Infelizmente correu… Agora saia logo daqui antes…

Um rugido fez o chão tremer, me interrompendo. Sua voz grossa e desforme fez todos os pelos do meu corpo se arrepiarem, especialmente por ele gritar meu nome. Meu verdadeiro nome…

A travessia já havia sido concluída e agora podia ver as patas dobradas sustentando seu esguio corpo. Tentáculos saiam de trás de seu corpo e agitavam-se de forma aleatória. Seu rosto não se parecia com um dragão como pensei inicialmente, mas sua mandíbula era bem projetada para frente e a boca aberta permitia ver dentes afiados.

Outro rugido foi dado antes dele voltar a falar comigo. Sua boca permanecia imóvel, mesmo assim a voz ainda saía.

— Pretende me enfrentar nessa forma repulsiva, Dark Rai?

Outra criatura que conhecia meu passado e eu não fazia a menor ideia de quem se tratava… Perfeito…

Não tive muito tempo para agradecer meu azar por isso. O grito de Haily ecoou em meus ouvidos e só consegui vê-la sendo puxada pelas pernas por causa de um dos tentáculos da criatura que conseguiu esgueirar-se até onde estávamos. Não pensei duas vezes, ao gritar seu nome, abri minhas asas e voei em direção a ela.

No meio do percurso ainda tinha de desviar de outros tentáculos que tentava me acertar, cortando alguns com minha foice, mas aquilo não parecia fazer efeito, eles tinham um rápido poder de regeneração.

Foquei em tentar resgatar minha irmã que ainda estava pendurava apenas pelos tornozelos de cabeça para baixo gritando meu nome em desespero.

— Que decadência se comparado o quão grandioso era… — ele continuava — Protegendo uma humana? Você já foi melhor…

Fui agarrado pela cintura, recebendo um forte aperto que me fez faltar ar, prendo meu braço direito junto de meu corpo e o imobilizando.

— Deseja tanto esta humana? Pois pegue…

O vi a jogando para cima como um brinquedo e logo seu corpo encontrava-se em quebra livre gritando por meu nome.

Me livrar de seu aperto pela força bruta não adiantaria muita coisa. Odiava usar a foice com a mão esquerda, mas desfazer sua invocação para pegá-la com o outro braço era a única maneira de me libertar.

Voei o mais rápido que conseguia em direção a ela. Seu braço estava esticado em minha direção, copiei seu gesto. A distância entre não parecia diminuir tendo como única alternativa liberar minhas asas. Sentia a velocidade aumentando gradativamente a medida que a camada negra de proteção se esfarelava no ar atrás de mim. Estava quase…

Um estranho som foi ouvido. A expressão de Haily denunciava o que poderia ser e tinha certeza que ela gritou meu nome novamente, agora com mais desespero, mesmo não podendo ouvi-la direito.

Minhas asas viam-se livres, deu um forte impulso com elas, o suficiente para finalmente agarrar a mão de minha irmã. Puxei seu corpo contra o meu e a abracei, usando minhas asas para criar uma proteção ao nosso redor.

Não sei o que nos acertou, mas foi dolorido. Uma sensação horrível de ardência que parecia queimar até meus ossos. Atingimos o chão com força.

Ela estava deitada na superfície enquanto eu permaneci sobre seu corpo. Estiquei as asas para o lado gritando de dor, trincando meus dentes e amaldiçoando quem pudesse ser amaldiçoado naquele momento.

Com ambas as mãos no chão para me apoiar, olhei para o lado ao ouvir um estranho barulho de algo trincando. Partes de minhas asas rachavam e caíam no chão criando muitos buracos em toda sua extensão como se estivessem sendo corroídas. Gemi novamente de dor.

Um grito de Haily chamou minha atenção momentaneamente. Apontava para um dos tentáculos que percorria o espaço sobre nossas cabeças, destruindo um prédio próximo.

Nossa situação atual não permitia uma fuga rápida. Mover as asas, mesmo que poucos centímetros era extremamente doloroso e sabendo que provavelmente seria inútil, a puxei para perto de mim e novamente nos envolvi com elas

O som dos escombros nos acertando foi ensurdecedor e por muito tempo só meu tato parecia funcionar. Respirar também era um pouco difícil por conta da poeira gerada. Pelo menos sabia que ela estava ali comigo, mesmo com toda a dor que estava sentindo com minhas asas ainda se desintegrando lentamente. Em um último esforço as usei para afastar os escombros de nós.

— Haily… Está bem? — perguntei ao olhar para ela.

Foi quando senti meu coração parar.

Podia sentir sobre meus dedos um líquido familiar. A encarava horrorizado. A poeira grudava em seu rosto por conta dele criando rios tingindo sua pele, mas a cor do seu sangue foi a última das minhas preocupações naquele momento.

A balancei gritando seu nome, mas seu corpo não se movimentava não importava o quanto tentasse ou o que falasse. Todas as lágrimas que não chorei naqueles dez anos agora começavam a escorrer por meus olhos.

Meu desespero aumentava. Não conseguia ver sua alma em nenhum lugar, contudo, também não escutava seu coração. Não poderia trazê-la de volta. Mesmo assim sentia que se lhe chamasse, ela me responderia, como naqueles filmes onde você jura que o personagem está morto, mas no último segundo ele ressuscita.

O desejo assassino da criatura aumentou. Virei-me rapidamente apenas para ver o mesmo tentáculo se aproximando novamente, agora vindo certeiramente em minha direção. Abracei mais forte o corpo de minha irmã. Se fosse para deixar esse mundo, que fosse ao lado dela.

Fechei os olhos aguardando o impacto.


💀 💀 💀


Raimundo abriu os olhos assustado, uma de suas mãos agarrava com firmeza o lençol da cama enquanto a outra segurava seu cobertor próximo ao quadril.

Levantou-se de forma rápida, permanecendo sentado, de forma estática, com seu olhar fixo em um ponto inexistente na parede em frente a cama. O suor frio escorria por sua nuca, pescoço e torso. Não ofegava, mas podia sentir seu coração acelerado em seu peito.

Virava a cabeça para os lados parecendo se orientar, como se não acreditasse estar em seu próprio quarto. Tinha ciência da parede à sua esquerda. Uma fraca luz entrava pela janela sem cortinas, vinda do poste na rua. O espelho possuía um reflexo desforme, mas era possível identificar a silhueta da cama.

Foi quando seu sangue pareceu gelar novamente. Chamou pela irmã, com seu nome saindo por entre os lábios, quase inaudível. Debruçou-se na cama, apoiando as mãos na quina de madeira e jogou o rosto para baixo.

Era possível ver a forma da garota dormindo no beliche de baixo, agarrada com o travesseiro e soltando alguns gemidos estranhos enquanto sua perna se movia e o cobertor era jogado para o canto.

Endireitando a postura voltando a se sentar, levou a mão até a boca onde pode sentir sua respiração ainda pesada. A passou pelo rosto procurando o secar e emaranhando seus fios lisos por entre os dedos.

Suspirou aliviado antes de jogar-se contra a cama. Sentia a textura do travesseiro velho contra sua cabeça. Coçou ambos os olhos antes de tentar encarar o teto escuro.

Repetia para si mesmo que foi um pesadelo e nada mais…


💀 💀 💀


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#ContosDeDarkRai

27 de Junho de 2019 às 20:46 0 Denunciar Insira 4
Fim

Conheça o autor

Nathy Loussop Escritora desde os 11 anos, sou apenas alguém com uma cabecinha cheia de ideias e que espera que as pessoas amem meus personagens como eu mesma amo.

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