Contos de Guerra Seguir história

iaxdark Iax Dark

Após a destruição massiva provocada pela marcha do Antigo Renegado, o mundo foi jogado num estado anárquico. As raças espalhadas por Tenebris usavam a lei do mais forte para impor seu domínio e conflitos incessantes mudavam a paisagem do continente negro. Iax se viu imerso nesse mundo, ainda quando era um bebê foi resgatado da morte por Ji En Hai, um ancião de uma raça de eruditos monges guerreiros. Com sua orientação, ele trilhou o tortuoso caminho da guerra, um percurso repleto de espinhos, e descobriria a verdade sobre a escuridão que habitava o coração dos homens.


Fantasia Épico Impróprio para crianças menores de 13 anos.

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Encontros

Em uma floresta açoitada pelos gélidos ventos do inverno, notamos um pequeno grupo composto por dezesseis pessoas, se esgueirando por entre a trilha de árvores.

Dez deles, estavam em uma fila central. Trajavam armaduras de metal negro, com placas achatadas em seus peitorais, e elmos cobrindo seus rostos. Além deles, seis soldados maiores usando armaduras pesadas, feitas do mesmo metal negro, os acompanhavam, guardando os flancos.

A medida que adentraram a floresta, três deles, ficaram em estado de alerta, ao notar uma estranha e intimidante intenção assassina fluindo pela área circundante. Era sutil, e penetrava suas peles e ossos.

Aquela súbita apreensão, não passou despercebida ao restante do grupo. Ao sentirem a sensação gélida e pusilânime, espalhada pelo ar, eles paralisaram. Lentamente, alguns caíram de joelhos, sentindo a força deixar seus braços e pernas, incapazes de manter o esforço para sustentá-los.

Não bastasse isso, uma onda de desespero invadiu o âmago daqueles homens, ao sentirem uma crescente dificuldade para regular a respiração. Aquela intenção espalhada nos arredores, era como um veneno mortal e estava prestes a ceifar suas vidas.

Vendo aquilo, um soldado se adiantou, arrancando a arma de suas costas e a golpeando contra o solo. Com o impacto, tremores se espalharam, acompanhados de leves ventanias, fortes o suficiente para lançar os homens, que estavam de joelhos, a poucos metros de distância.

Os soldados arremessados resmungaram um pouco, por causa do tratamento áspero, mas deixaram isso de lado ao sentiram seus sentidos retornarem. Em seguida, voltaram sua atenção ao seu salvador.

Ele era o mais alto do grupo, chegando a um metro e noventa de altura. Portava uma armadura já desgastada, com inúmeros riscos no peitoral, e algumas placas de aço em falta. Em suas costas, estava firme um grande machado com ornamentos negros, e a lâmina como lua crescente. Além de uma proteção ao redor da empunhadura, em forma de arco, repleta de espinhos negros.

- Sir... Aaron? - chamou, visivelmente nervoso.

Ouvindo isso, o comandante se virou para o recruta, acenando para continuar.

- Senhor, desde que chegamos aqui, não vimos um único rastro de vida... nem temos ideia do que seja esse lugar. Os cães inferiores podem estar nos aguardando, e esse último ataque... - o soldado parou, não ousando alongar sua fala. Mas as implicações de suas palavras eram óbvias.

Aaron franziu o cenho com a sugestão, e encarou seus subordinados. Nos primeiros instantes, eles ficaram um pouco temerosos, mas suspiram quando o comandante retraiu o olhar.

- Essa aura agressiva não parece ser obra deles. E mesmo que fosse, nós não temos escolha alguma, a não ser contornar a floresta, encontrar um meio de nós esconder dos batedores, e com sorte, fugirmos com vida - falou Aaron. Após dar uma pequena pausa para reorganizar seus pensamentos, prosseguiu. - Por estarmos em desvantagem numérica, de vinte para um, lutar agora é suicídio. Vamos sobreviver para lutar outro dia, até termos a chance de vingar nossos caídos.

Seus subordinados acenaram em concordância. No entanto, ainda pareciam insatisfeitos, o que não passou despercebido por Aaron.

- A ideia de fugir do campo de batalha, irrita vocês? - questionou, se pondo diante de todos.

Os soldados se encararam nervosos, incapazes de responder seu líder, que após segundos de espera, já mostrava desagrado e impaciência.

- S-Senhor... nós somos orgulhosos membros do Clã Escarlate - falou um dos guerreiros. - Se fugirmos com medo de meros cães, seremos apenas covardes sem honra alguma!

Os outros murmuraram em acordo. Era consenso, nenhum deles estava satisfeito em escapar daquela maneira. Mas em resposta, Sir Aaron apenas balançou a cabeça negativamente.

- Realmente, seria humilhante fugir, logo depois de perdermos milhares dos nossos, e ainda, para táticas sujas. O orgulho do Clã Escarlate, certamente, sofreu um duro golpe - falou com desagrado.

O esquadrão concordou. A frustração de ver seus irmãos, sendo abatidos um a um, era algo que Aaron podia compreender, afinal, após tantos anos de batalhas, ele havia presenciado a morte de vários de seus companheiros.

Mas ele também aprendeu algo essencial essa experiência. Apenas os tolos, com pouco domínio sobre seu espírito, se deixam levar pela temeridade.

- "O Clã prevalece com a bravura de seus membros.", são palavras muito bonitas que nos ensinam, mas não se enganem, por que a realidade é dura e cruel com os burros honrados. - falou com um toque de zombaria - Nossos sábios dizem que "A coragem é a virtude de um grande guerreiro.", vocês não têm ideia do quanto eu gostaria de pedir para a pessoa que proferiu isso, que escrevesse um bilhete com esse ditado e enfiasse todo no rabo! Não passa de uma merda qualquer, sem valor na realidade! - acrescentou, pegando todos de surpresa com suas palavras.

Então continuou, ainda mantendo o tom forte em sua voz.

- A verdadeira característica de um guerreiro é o instinto de sobrevivência, a capacidade de viver para lutar outro dia. Então, dane-se toda essa porcaria de "orgulho do Clã", temos uma guerra a vencer, se for preciso fugir ou rastejar na terra imunda coberta de lama e esterco, desde que seja para sobreviver, nós faremos isso! - concluiu.

Suas palavras afundaram com peso na mente de cada um deles, a frustração, e seu orgulho esmagado ainda doíam, mas não contestaram.

- Se entenderam, vamos logo! Não tenho ideia de quando os ymianos podem nos alcançar. Mexam-se!

- Sim comandante! - os soldados gritaram em resposta, motivados pelas palavras de seu superior.

O pequeno esquadrão continuou em formação pela trilha entre as árvores. Mas, eles não notaram a enorme figura escondida em em meio às copas.

Alheios ao seu observador, o esquadrão continuou avançando pela floresta ainda atentos ao ambiente. A cada passo dado era nítida a mudança de clima, mas eles já não sentiam a mesma aura assassina de antes.

O pôr do sol veio e a noite caiu, dando lugar a uma magnífica lua que brilhava majestosamente no céu estrelado. O brilho do astro refletia em cada uma das folhas congeladas abaixo, e em resposta, as árvores passaram a emitir um brilho resplandecente como se fossem feitas de cristal puro, deixando-os atônitos.

Sir Aaron estava surpreso, nunca viu ou ouviu falar de uma floresta cuja vegetação brilhava como cristal. Ele já havia visto muitas coisas esplêndidas e peculiares não apenas no seu lar, a Cidadela Branca, nas terras congeladas do norte, mas nada parecido com aquilo.

- Vamos. Já perdemos tempo demais. - advertiu seus homens, em seguida, voltando a caminhar.

Enquanto isso, nas árvores, o desconhecido observava com certa diversão o modo de agir daqueles soldados, ainda se perguntando quais seriam suas ações em relação a eles. Se aqueles homens se mostrassem perigosos ou não, isso decidiria sua abordagem com os invasores.

Pulando entre as árvores, continuou a seguir o grupo de guerreiros. A maioria deles, pelos seus movimentos, deveriam ser meros novatos, enquanto apenas três ou quatro demonstravam ter alguma experiência, especialmente aquele que carregava o grande machado negro. Aquela arma deveria ter o peso de dois homens adultos e ele estava andando sem nenhum atraso nos seus passos ou qualquer expressão de desconforto.

"O Clã Escarlate das Terras Nortinas, nunca esperei vê-los aqui. Eles são iguaizinhos aos rumores, olhos com brilho carmesim e uma postura extremamente arrogante.", analisou mentalmente, se movendo com cuidado, evitando se aproximar muito do grupo.

O Clã Escarlate era conhecido por seu olfato apurado, se ele não espalhasse seu cheiro nas centenas de árvores ao redor era provável teria sido descoberto a um quilômetro de distância.

Estava prestes a continuar sua perseguição, mas parou subitamente e trancou os olhos na cena que se desenrolou a sua frente. Um brilho escarlate tomou seus olhos, com fúria, suas mãos esmagaram o galho em sua frente que possuía facilmente um metro de espessura.

- É possível que seu ódio e arrogância chegaram a esse ponto?! - indagou, tremendo de irritação. - Selvagens!

Com um rosnado ele pulou em direção dos soldados escarlates, danificando a árvore onde estava devido a força por trás do salto, deixando de lado qualquer medida furtiva.

Momentos antes, o grupo liderado por Aaron alcançou uma área aberta rodeada por dez árvores e no centro um tronco cortado, que pela sua proporção era, pelo menos, duas vezes maior que as outras árvores da redondeza, também havia um emaranhado de raízes, formando uma pequena caverna.

O comandante ordenou os homens a entrarem em formação de meia lua ao redor das raízes e um dos homens com armadura pesada, "bárbaros" como eram chamados, que portava uma espada de duas mãos, foi conferir o local a passos lentos e cautelosos.

Estando próximo da entrada, ele olhou em busca da confirmação de seu líder, e, recebendo um aceno positivo, começou a vasculhar a pequena caverna, com a ausência de luz dificultando o serviço.

Segundos depois um guincho de surpresa foi ouvido.

- Comandante! Encontrei algo, rápido! - berrou o soldado da entrada da caverna.

Aaron ordenou que os homens continuassem a vigiar o seu redor e, com passos largos, foi ao chamado de seu subordinado.

- O que encontrou? - questionou Aaron.

- Senhor... é uma criança, olhe! - respondeu o soldado escarlate com a voz ligeiramente surpresa, o entregando um embrulho de panos escuros.

Nele havia um bebê não aparentando ter mais de três meses de idade, de pele clara e com pequenos tufos de cabelos prateados.

Aaron olhou para a criança com mistos de choque e descrença. Os leves batimentos cardíacos do bebê indicavam que ainda estava vivo. Ele saiu do local com o soldado em sua retaguarda, estudando a criança e se questionando como algo tão frágil sobreviveu aquela temperatura brutal.

Se aproximando do esquadrão, notou as mesmas expressões de choque e confusão em seus rostos. Mas de repente Aaron se lembrou de uma questão pertinente. A primeira coisa que confirmou ao abrir os embrulhos foi que se tratava de um menino e tanto seu cabelo, quanto seus olhos eram muito semelhantes aos dos Puros, entretanto, ele não possuía presas, o que excluía a chance de pertencer ao Clã Escarlate.

"Não é um escarlate, e suas orelhas não são pontiagudas como as dos alvalek.", Sir Aaron ganhou uma carranca ao finalizar seus pensamentos. Só sobrava uma raça à quem ela podia pertencer e, a mera lembrança daquela humilhação sofrida na mão daqueles animais voltou com um profundo ódio em suas feições.

- Homens! - exclamou Aaron. - Este garoto, sem dúvidas, pertence aos inimigos, os malditos cães do subterrâneo, e sabemos bem o que fazer com os inimigos! - concluiu.

Os escarlates dispersos pelo lugar ganharam uma carranca ao serem informados disso, alguns, por lembrarem da dolorosa fuga que foram obrigados a realizar, e os outros, ao perceberem o que aconteceria com a criança.

Após os conflitos com as outras raças se iniciarem, o Conselho dos Élderes havia ordenado a morte de qualquer membro de uma raça rival, isso se aplicava a homens, mulheres, adultos, idosos... e até crianças. Mesmo entre a nobreza do Clã Escarlate muitos se revoltaram, ainda que eles odiassem seus adversários, a menção de matar uma criança indefesa parecia repugnante para a maioria.

Entretanto, ordens eram ordens e seu comandante era implacável quanto a isso. Mesmo assim, alguns dos soldados desviaram o olhar de vergonha, não aprovando aquele tipo de barbaridade, e murmúrios de indignação se espalharam em seguida.

Mas um olhar irritado de Aaron silenciou a pequena baderna e, depois, o retornou ao pequeno garoto em suas mãos. Ele os relembrou que qualquer criança viva era a possibilidade de um soldado a mais para enfrentarem no futuro.

- Que sorte terrível garoto, se quiser culpar alguém, culpe seus pais e todo o seu Clã por terem a ousadia de guerrear conosco. - falou Aaron, puxando um punhal e o direcionando para a garganta da inocente criança que dormia pacificamente.

Mas no instante em que iria matá-la, um alto rugido furioso ecoou pela floresta. Agindo por instinto, Aaron jogou o bebê para um dos recrutas e puxou seu machado negro de duas mãos, buscando qualquer traço de movimento.

Seus homens seguiram o exemplo do líder e desembainharam suas armas enquanto os dois arqueiros passaram para a retaguarda, com a atenção redobrada em busca de qualquer rastro de som.

Se passaram alguns segundos, mas não puderam determinar sua origem. A tensão aumentou ao ponto em que não se atreviam a fazer um único movimento e tinham fileiras de suor escorrendo por suas testas. Os recrutas já estavam a um passo de entrar em pânico, e quando começaram a aliviar os ânimos pensando ter sido tudo obra de sua imaginação, o som de passos pesados ecoou.

Finalmente, eles viram uma sombra aparecer entre as árvores, era uma silhueta enorme, maior até que Aaron. Quando o estranho caminhou para fora das sombras Aaron e seus homens ofegaram de surpresa ao ver sua aparência.

Era um enorme macaco com pelagem escarlate, vestindo um quimono negro revestido por manto branco amarrado na cintura, passando pelo tronco e indo até o ombro direito, repousando em suas costas como uma espécie de capa e estranhas sandálias feitas de palha. Estranhamente, sua cauda estava enrolada em torno da cintura.

Medindo dois metros e dez de altura, sua constituição exibia assustadores músculos, e - perceberam os soldados -, dele exalava a mesma aura que sentiram mais cedo e isso os fez ficar em guarda, se preparando para o possível confronto.

Assustado, o recruta à quem Aaron passou o bebê, acabou derrubando a criança que acordou e começou a chorar.

A grande besta o encarou e rugiu com fúria, atordoando-o. Então, projetando o tronco para frente com as pernas flexionadas ao chão, a fera avançou. Um estrondo reverberou quando as pernas da criatura racharam o solo com o impulso, se jogando na direção do recruta.

Sir Aaron nem conseguiu gritar para o soldado sair do caminho, antes que a monstruosa criatura o esmagasse com o punho, abrindo uma cratera no solo e espalhando fissuras enormes.

O embrulho contendo o pequeno garoto, estava para ser pego pela cratera, mas foi salvo de qualquer dano ao ser envolvido pelo braço esquerdo do macaco.

Estáticos com a exibição de poder, os mais veteranos logo foram retirados de seu estupor pelos estilhaços que voaram com a onda de choque. Aaron ordenou aos homens para cercar a área e se dividissem em grupos.

- Porcaria! Deveríamos evitar contratempos. - o comandante praguejou sua falta de sorte enquanto mantinha um olhar concentrado no campo de batalha.

"Como esse brutamontes consegue se mover tão rápido assim? Ele avançou em instantes!" seu olhar mudou em direção ao homem que parecia uma pasta de sangue, o lugar onde foi atingido não havia nenhum rastro de sua armadura, sobrando apenas um buraco em seu peito.

- Cruel... - murmurou antes de retomar sua atenção para a fera, agora encarando o embrulho em seu braço esquerdo.

"Será que ela estava sob seus cuidados? Isso abre possibilidades." imaginou ao notar a ação da criatura em proteger a criança de quaisquer danos, ele poderia usar isso como vantagem.

- Vigilantes! joguem o peso extra fora, mantenham apenas suas armas. A força daquela coisa é demais para suas armaduras e escudos suportarem, quando eles o interceptarem suas investidas, ataquem pelas brechas. - ordenou.

Os vigilantes se reuniram, em duplas, na retaguarda de quatro bárbaros, os três últimos auxiliando o quinto.

- Arqueiros! Mantenham distância e mirem na criança, mantenham-se em constante movimento e de olhos abertos se não quiserem conhecer o paraíso mais cedo! - concluindo suas ordens Aaron também assumiu posição de batalha.

Imediatamente, os dois arqueiros se moveram para as árvores mais distantes, para evitar morte instantânea e, ainda assim, próximas o bastante para mantê-lo sob o alcance de seus arcos. No chão, bárbaros e vigilantes permaneceram firmes, atentos aos movimentos do inimigo.

Enquanto isso, a fera permaneceu imóvel, sem mostrar qualquer traço de medo ou fraqueza, exibia até certa diversão ao ver as medidas tomadas por Aaron. O guerreiro de quimono escuro fitou o bebê repousando em sua mão e notou que seu choro tinha se dissipado há algum tempo e, agora, o encarava com inocentes e curiosos olhos carmesins.

Ver aquilo o deixou satisfeito, então, se virou contra seus inimigos e envolveu protetoramente a criança. Ao mesmo tempo, observou em câmera lenta inúmeras flechas indo em sua direção.

- Tolos... - murmurou, o macaco, então, pegou impulso e saltou, desviando da barragem de flechas.

Ao pousar, em uma árvore distante, partiu um de seus grossos galhos com a faca da mão, e o arremessou contra um dos arqueiros.

Graças aos seus olhos atentos, o escarlate conseguiu se abaixar a tempo e disparou mais três flechas, perdendo apenas alguns fios de cabelo quando o galho, de cinquenta centímetros de espessura, quase arrancou sua cabeça e colidiu com o tronco atrás de si, espalhando várias lascas de árvore.

As flechas disparadas foram na direção do macaco, que meramente atacou com a palma direita, em alta velocidade, criando uma onda de vento que colidiu com os projéteis.

Outra flecha foi atirada, mas a criatura apenas moveu a cabeça para o lado, evitando-a. O símio, em seguida, socou o tronco e criou um pequeno buraco na árvore, depositando o pequeno bebê, em segurança, dentro do esconderijo improvisado.

Satisfeito, saltou para a clareira, pronto para continuar com o confronto.

De imediato, ele foi atacado pela espada de um bárbaro. Mas antes que fosse atingido, o símio bateu na parte plana da lâmina, a redirecionando para o lado, e contra atacou com um chute visando a cabeça do escarlate. Entretanto, o soldado conseguiu se abaixar e evitar o golpe ao se livrar da arma.

Não se deixando abalar, o símio, rapidamente, redirecionou o calcanhar em direção ao crânio do escarlate, porém dois vigilantes surgiram e defenderam o golpe com suas espadas.

Sentindo o impacto, a dupla rangeu os dentes e suas manoplas de ferro trincaram, mas suportaram a dor. Aproveitando a posição comprometedora, o bárbaro puxou uma espada curta e atacou, com uma estocada, a garganta do símio. No entanto, chocando todos, a fera parou seu ataque, agarrando a lâmina com os dentes.

Não satisfeito, ele retornou a perna e mandou um chute giratório que fez os dois vigilantes voarem com seus elmos despedaçados e as mandíbulas desfiguradas. Em seguida, arrancou a espada das mãos do bárbaro com um golpe de palma aberta e o atacou com um chute lateral, jogando-o alguns para trás.

Uma sombra acima de si chamou sua atenção, olhando para cima ele viu Aaron descendo com seu machado de guerra apontado contra ele. Com o golpe do machado, uma cratera imensa se alastrou, e uma nuvem de poeira foi formada,

obstruindo a visão de todos.

- Droga! - praguejou, não sentindo contato com a carne do inimigo.

Aaron arrebatou o machado do solo e tentou localizar o macaco com seus sentidos apurados, mas falhou. Seu olfato captava o cheiro do inimigo espalhado por todas as direções.

"Para um monstro, ele tem alguns recursos estranhos. Mesmo que morasse nessa região, só se deslocar por aí não seria o suficiente para espalhar seu cheiro assim", não poupando um segundo pensamento em relação a isso voltou sua atenção aos seu pelotão, ordenando que ficassem atentos.

A clareira estava completamente destruída e algumas árvores próximas foram derrubadas. Os vigilantes e bárbaros restantes formaram um círculo em volta da nuvem de poeira ao comando de Aaron.

"Isso muda as coisas, aquele macaco gigante, obviamente, possui racionalidade. Uma besta comum não teria tanta habilidade em combate.", isso era perigoso, três de seus homens foram mortos, e não tinham nenhum sinal da fera. "Dane-se voltar a Fortaleza, vamos ter sorte se sairmos com vida!".

Alheio ao desespero dos invasores, a fera continuava no mesmo lugar atento a cada movimento dos inimigos, escolhendo seu próximo curso de ação.

"Destruir a mente, esmagar os braços, aleijar as pernas... tantas opções, qual devo escolher?" apenas rindo internamente, o guerreiro de quimono partiu para a ofensiva em uma velocidade tão celerípede que varreu a nuvem de poeira.

"A escolha é óbvia. Destruir a mente do grupo é a estratégia básica", concluiu antes de chutar o peito de Aaron. O mesmo nem soube dizer o que o atingiu antes de gritar ao ser enviado voando a centenas de metros, destruindo várias árvores e deixando um rastro de sangue por todo o percurso.

Sem perder tempo, avançou contra um bárbaro quebrando seu braço com a palma da mão esquerda e, agarrando o cabo de sua espada a lançou contra o arqueiro que havia se esquivando anteriormente, mas dessa vez, ele soltou um grito estridente ao ser empalado na árvore pela grande espada.

- E-eu... não... p-por f-favor... - o arqueiro tentou suplicar a seus deuses, mas a dor o impedia de completar sua prece.

Tentando retirar a lâmina de seu corpo, agarrou com as mãos trêmulas no cabo da arma. Mas seu sangue fluindo pelo grande ferimento trouxe súbita fraqueza, as mãos que tentavam puxar a espada logo perderam a força restante e caíram ao lado de seu corpo, por fim morrendo.

Enquanto isso, o grande macaco finalizou seu ataque. Ele girou o corpo e atacou com um chute giratório no pescoço do bárbaro, o deixando torcido em ângulos não naturais.

O resto do pelotão cedeu a raiva e partiu para cima da grande besta, que rugiu descontente, mas também avançou contra os soldados. O primeiro vigilante atacou com um corte lateral na altura do ombro. O monge se abaixou, evitando o ataque, e varreu os pés do inimigo com a perna esquerda, para logo depois a retrair e golpear seu crânio com o cancanhar.

Na sequência, dois vigilantes atacaram com cortes verticais. Em reação o monge pulou, contraindo seu corpo entre as duas lâminas, e girou em pleno ar, redirecionando o calcanhar direito e o dorso do pé esquerdo contra a mandíbula e crânio dos dois soldados, esmagando a carne e os ossos.

Caindo de volta ao chão em posição de guarda a fera de quimono notou que o outro arqueiro não estava mais presente, deixando apenas seis apavorados guerreiros. Após encará-los por uns instantes o monge se virou e caminhou na direção contrária.

- Diferente de seus companheiros selvagens, vocês se mostraram revoltados com a ideia de matar uma criança inocente. - declarou o símio caminhando para a borda da clareira. Os membros do Clã Escarlate ficaram atordoados ao descobrirem que a fera podia falar. - Agora, sumam! E interfiram quando verem um pecado desses prestes a acontecer. - após dizer essas palavras, o monge sumiu entre as árvores.

Os soldados que foram poupados se entreolharam com um pouco de receio, mas no fim, decidindo ser melhor escutar aquele conselho, foram em direção aos corpos de seus companheiros, reuni-los para trazê-los de volta para casa.

25 de Junho de 2019 às 04:29 0 Denunciar Insira 0
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