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Capítulo Único

Hey! Como vocês estão?

Eu consegui arrumar um tempinho pra escrever essa one e não deixar o Pride Month passar em branco. Quem melhor pra protagonizar isso do que nosso casal do milênio?

Boa leitura, e feliz mês do orgulho LGBT!


Bakugou nunca pensara que estaria disposto a sair de casa cedinho em pleno domingo para passar o dia inteiro no meio de uma multidão, mas ali estava ele, de pé há horas com seus amigos e um bando de desconhecidos, e sequer estava odiando tudo e todos como de praxe.

O rapaz olhou ao redor. Bandeiras de todas as cores, tão vibrantes que saltavam à vista, cobriam os corpos das pessoas das mais diversas maneiras: pinturas no rosto, camisetas, pulseiras, enfeites de cabelo, tudo o que se podia imaginar. Placas também eram erguidas, algumas com mensagens poéticas sobre orgulhar-se de si mesmo e lutar por equidade; outras vinham com trocadilhos bem-humorados, que arrancavam risadas por onde passavam.

Era a primeira vez de Katsuki em uma parada LGBT+. Quer dizer, ele sabia que não era hétero há pouco mais de cinco anos, quando começou a ter um crush no seu melhor amigo — o que resultou em um namoro sólido que durava até então. Simplesmente nunca tinha pensado em ir a uma. Quando Kirishima mencionou que ia acontecer uma parada LGBT+ na cidade, Bakugou não pensou duas vezes, simplesmente aceitou.

Katsuki usava suas roupas habituais, mas seus braços estavam cobertos até os cotovelos com pulseiras multicoloridas que uma drag estava distribuindo no início da parada, e seu namorado o convencera a pintar uma bandeirinha branca, roxa e cinza com um grande triângulo preto na lateral esquerda — a bandeira demissexual — na sua face.

O rapaz olhou para Jirou e Kaminari, que estavam de mãos dadas mais atrás. Seus amigos conversavam animadamente entre si, usando camisetas combinando listradas de rosa, roxo e azul; a dela, com os dizeres “Namorando um cara, mas ainda bi” e a dele, “Namorando uma garota, mas ainda bi”. Quando os dois começaram a namorar, há mais ou menos sete meses, Katsuki jurou que se alguém implicasse com a sexualidade deles não responderia pelos seus atos. Afinal, eles faziam parte daquela sigla tanto quanto ele, Ashido, Sero ou Kirishima.

Por falar em Mina, a garota usava um top listrado em vários tons de rosa da bandeira lésbica, combinando com seus cachos, e assim como Eijirou, estava com o rosto pintado com as cores do arco-íris, além da maquiagem brilhante e cheia de glitter que decorava a sua pele bronzeada. A dupla era, de longe, a mais animada da parada inteira.

Junto aos dois, Sero também tinha as bochechas pintadas, mas com o rosa, o amarelo e o azul da bandeira panssexual. Usava uma camisa preta com a palavra “Pride” em letras cursivas, impressas em um degradê de branco, rosado e azul-claro. Aquele era um dia especial para o garoto: fazia um ano desde o começo da sua transição, por isso, depois da parada, os seis fariam uma noite do pijama na sua casa para comemorar (Bakugou o conheceu antes, e podia afirmar com certeza: ele era bem mais feliz hoje, então tinham todos os motivos para isso).

E, se tudo corresse bem, teriam outro motivo para comemorar naquele dia...

Katsuki secou as mãos suadas na calça jeans. Ia dar tudo certo. Olhou para Eijirou. Ele, como sempre, era um raiozinho de sol: uma bandana multicolorida mantinha seus cabelos ruivos longe do rosto e usava uma grande bandeira gay enrolada sobre os ombros, mas a parte mais bonita, para Bakugou, sempre era aquele sorriso largo e brilhante, cheio de dentinhos afiados. As cores do arco-íris ao seu redor apenas o deixavam mais vibrante, e o rapaz não tinha escolha a não ser ter seus olhos sempre atraídos para ele.

Katsuki deslizou seus dedos e os entrelaçou aos do namorado, que virou para fitá-lo com uma interrogação no rosto.

— Você tá bem? Eu sei que você não curte muito multidões...

— Eu tô de boa. — Bakugou sacudiu a cabeça, deixando a preocupação de Kirishima pra lá. — Na verdade, tá sendo inesperadamente... Hm...

— Acolhedor? — Eijirou sugeriu, com um sorriso gentil.

Katsuki tocou suavemente a bandeira demi pintada no seu rosto. Quando era adolescente, ele sempre pensou que era o esquisito, incapaz de amar alguém simplesmente por não sentir atração sexual pelas pessoas que encontrava, enquanto os outros da sua idade estavam com os hormônios à flor da pele. O rapaz teve uma sensação boa de pertencimento quando ele descobriu não só que sua sexualidade existia, como também que era, sim, capaz de amar. E Céus, como amava.

O conteúdo do seu bolso esquerdo pesou.

Em algum lugar, lá na frente, alguém com uma caixa de som começou a tocar uma música pop que Bakugou não conhecia — ele não conhecia a maioria das músicas pop existentes, então não era uma surpresa —, mas Ashido gritou:

— Eu não acredito! Dá licença que essa é a minha música!

Sero, que era o mais alto, tentou enxergar por cima das pessoas e comentou:

— Parece que é um karaokê...? Têm umas pessoas com microfones lá.

— Será o destino? É a minha hora de brilhar! — Mina deu pulinhos animados e o grupo se entreolhou antes de seguir a amiga. Assim que se aproximaram do local, a garota pegou um microfone, já cantando em plenos pulmões. — Stealing kisses from your misses, doesn’t make you freak out?

Kaminari já tinha o celular em mãos, filmando a amiga, que cantava juntamente com mais algumas pessoas ao redor, de microfone ou não. Estavam todos fora de sincronia, mas ninguém pareceu se importar.

Katsuki olhou para Kirishima, que tentava acompanhar a letra, mas só sabia o ritmo, então acabava se atrapalhando e rindo de si mesmo. O rapaz se sentiu pacífico.

Quando a música acabou, algumas pessoas começaram a gritar sugestões — Bakugou sentiu-se particularmente tentado a integrar o coro que pedia I Want to Break Free — mas ele sentia que, se não agisse agora, talvez não tivesse mais uma oportunidade tão cedo.

— Eijirou — chamou. Quando seu namorado virou a cabeça, um sorriso iluminando seu rosto pintado de arco-íris, Katsuki nunca teve tanta certeza no mundo. O rapaz segurou a outra mão de Kirishima. — Você sabe que eu te amo muito.

— Uhum — o outro murmurou, confuso. — E eu te amo também.

Bakugou assentiu e soltou suas mãos para que ele não sentisse o tremor nas suas próprias. Katsuki conseguia sentir os olhares dos seus amigos sobre si enquanto dava um passo para trás. Só Sero sabia do que estava prestes a fazer, pois tinha confessado seus planos a ele na semana anterior em busca de ajuda. Este ergueu os dois polegares para o amigo, incentivando-o.

— Katsuki, o que--

Eijirou emudeceu quando Katsuki se ajoelhou, apoiando seu peso sobre um dos joelhos. Naquele momento, parecia que uma bolha de silêncio os envolvia. Talvez fosse um truque da sua imaginação, talvez as pessoas ao redor de fato estivessem silenciosas, assistindo com expectativa.

Bakugou deslizou para fora do bolso uma pequena caixinha vermelha e aveludada, que cabia na palma da mão, e abriu a tampa.

— Eijirou — o rapaz deixou que o nome acariciasse sua língua por um instante. — Você quer casar comigo?

Lágrimas se formaram nos cantos dos olhos de Kirishima enquanto ele cobria a boca com as mãos, em choque. Mas, ainda assim, o rapaz assentiu veementemente com a cabeça.

Foi uma gritaria só enquanto Katsuki levantava e era abraçado por Eijirou. A bandeirinha pintada no rosto do seu namorado — noivo — já estava borrada pelo choro quando Kirishima segurou sua nuca e beijou seus lábios delicadamente.

(Mais tarde, Bakugou descobriria que Kaminari, que acidentalmente filmara a coisa toda, também havia tirado uma foto daquele momento — que logo se tornou o wallpaper do celular de Katsuki.)

Palmas e assobios preencheram seus ouvidos e, assim que seus lábios se afastaram, Ashido, Sero, Jirou e Kaminari se juntaram aos dois em um abraço coletivo e úmido de lágrimas.

Bakugou sentia-se tão feliz, apaixonado e acolhido que queria que aquele instante durasse para sempre.

Ele nunca se sentira tão orgulhoso.


Obrigada por lerem até aqui!

E, novamente: feliz mês do orgulho!

21 de Junho de 2019 às 19:52 0 Denunciar Insira 0
Fim

Conheça o autor

Tsuki Miko Escritora nas horas vagas, otaku em tempo integral.

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