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sophiagrayson Sophia Grayson

Tony Stark estava passando por vários problemas. Em seus pensamentos achava que era melhor que tudo isso acabasse. Até que recebeu uma vista de um garotinho.


Fanfiction Comics Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#Setembro-Amarelo #reflexão #drama #homem-aranha #Capitão-America #homem-de-ferro #marvel
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Capítulo Único

A passos rápidos um jovem de vinte e um anos saia do campus universitário. Quem o visse, acharia que estava atrasado para algo ou que acabara de sair de uma festa vestia roupas, velhas e rasgadas. Blusa preta, casaco da mesma cor, calça jeans e tênis surrados. Expressão inexpressiva adornava seu belo rosto.

Nunca imaginariam o turbilhão que o rapaz enfrentava e pensava em fazer, que escondia em uma máscara para o mundo. O jovem beirava a um ataque de ansiedade e no momento tentava fugir de todos a sua volta e de sua própria vida.

Tony Stark não está passando por uma fase boa em sua vida. A pressão em assumir a empresa da família era grande e insuportável. Como herdeiro de um grande império esperavam ainda mais dele, os holofotes virados com intensidade para o mesmo. Não tinha escolha em mais nada em sua vida, tudo era decidido pelos seus pais ausentes e arrogantes com o apoio da mídia, sua faculdade, sua especialização, doutorado, tudo era decidido, não tinha escolha para nada, aliás achava que nunca teve. Nada do que fazia era bom o bastante. Não era perfeito para os vampiros da classe alta, e precisava ser. Demonstrar fraqueza, era o mesmo de se jogar a leões.

Isso o afetava de uma maneira sem precedentes. Distúrbios de ansiedade, ataques de pânico, uma “leve depressão”, TOC e atualmente diagnosticado com síndrome de Behçet, só mais um detalhe, a cereja do bolo. Poucas pessoas tinham consciência do que se passava com o jovem, que se isolava cada vez mais da sociedade.

Tinha a ilusão de que indo a faculdade conseguiria ficar livre de tudo. Ledo engano, só piorou. Seu tratamento começou a partir daí, antes conseguia controlar e deixar passar tudo o que sentia. Mas agora não, os remédios não eram o bastante para acabar com sua dor e desespero. Se cortava para aliviar a dor emocional, escondendo-as com casacos e blusas de mangas compridas, suas mãos eram feridas por suas unhas finas pouco grandes como válvula de escape para a ansiedade. Agora abusava de outros medicamentos, como relaxantes musculares e remédios para a gripe, para se acalmar, para dormir. As do tratamento já não eram mais o bastante.

E como tudo estava perfeito, suas notas na faculdade caíram. Ele era um gênio com péssimas notas. Reprovado em duas cadeiras. Mais um reflexo, uma consequência do que passava. Foi uma patada grande. E se tornou pior quando o reitor o chamou para conversar. Iria comunicar aos pais.

Não, não!

Foi o estopim. Perdeu todo o parco controle que tinha. E iria perder ainda mais. Saiu da sala do reitor, com uma de suas ideias suicidas, antes era opções que não tinha realmente a coragem necessária. Mas agora encontrou no meio de sua tempestade emocional. Era a solução. Ficaria em paz.

Não aguentava ver o próprio rosto, ele se odiava, não gostava do seu corpo, marcado pelos próprios demônios, sua fraqueza. Se sentia um lixo de pessoa. Um fracasso. Até na única coisa que acha fazer bem, se tornou péssimo. Como se odiava!

E sua liberdade estava por um fio. Não, não! Poderia ser livre. Ninguém iria sentir sua falta. Iria livra-las do estorvo que era. Não era importante para ninguém.

Falho e quebrado. Quem precisaria disso?

Mal percebeu quando entrou no parque ao lado do campus. Como era cedo tinha pouca movimentação, só animais aqui e ali, cantos de pássaros. Árvores desenhavam o caminho como pinturas em tela sendo beijadas pelo leve e refrescante vento da manhã. O Sol ainda estava tímido, escondido entre as nuvens no céu azul.

Sentou-se em um banco de mármore próximo. Brincava com as mãos no bolço do casaco com seu inseparável estilete. Escorou a cabeça pensando em probabilidades. Planos, estratégias.

Mal percebeu que não estava mais sozinho. Pulou do banco quando uma voz infantil se fez presente, trazendo-o de volta a realidade.

- Você é um anjo? – perguntou um garotinho que tinha se sentando ao lado de Tony. Deveria ter por volta dos dez anos, os pezinhos balançavam por não tocar no chão. Vestia uma blusa fofa vermelha e macacão azul escuro, sandálias na mesma cor.

O mais velho ficou confuso tentava absorver o que ocorria, de onde tinha saído aquele garoto? E onde estava a mãe? Irresponsável largar uma criança assim.

- Você é um anjo? – tornou a perguntar. Seus grandes olhos castanhos encarrando o mais velho em perspectiva.

Tony olhou desorientado para o menino. Balançou a cabeça para organizar a tempestade de ideias e sentimentos.

- Não garoto, por que pergunta isso? – olhou ao redor procurando a mãe do mais novo. Será que estava perdido? – Onde está sua mãe?

- Ora, mas é claro que você é! – o garoto não se importou com a última pergunta – Mamãe diz que anjos carregam marcas em seus corpos, se ferem para voltar ao paraíso – apontou para as cicatrizes nos pulsos do outro, que assustado percebeu que a pele estava amostra, baixando rapidamente as mangas – Não gostam da vida que levam aqui e tentam retornar de onde vieram. Tem muita compaixão, são sensíveis a dor alheia e a deles mesmo – concluiu com uma sabedoria inocente.

Tony piscou. As lágrimas querendo sair. Se sentiu pior do que já estava. Um bolo em sua garganta se formou, seu coração pesou ainda mais, assim como as dores em seu corpo. Entendia e ao mesmo tempo não entendia o que o mais novo queria dizer. Como uma pessoa tão jovem era tão inteligente?! Como tinha consciência de tudo aquilo, do que se passava? Do que passava com ele.

Sorriu sem graça, as lágrimas agora vertendo no rosto bronzeado e jovial.

- Sua mãe é uma mulher muito sabia, garoto – afirmou em um sussurro. Sentia como Atlas, carregando todo o peso da Terra em seus ombros. Não conseguia encarar o menino em tremenda vergonha e medo.

- Obrigado! – o garotinho sentou-se de frente com os pés sob o corpo – Ela era um anjo – seu olhar vasou para a grama – Mas já retornou ao seu lar – encarrou seus olhos nos castanhos mortos do mais velho.

- Oh, nossa – sentiu como se tivesse levado um soco no estômago. Tudo ficou mais embaralhado do estava – Sinto muito por isso neném – o garotinho não merecia aquilo, como pode fazer isso com ele. Crescer sem uma mãe era trágico demais, mesmo que o moreno nunca tivesse tido um bom relacionamento com a sua. O mordomo Jarvis, era mais mãe e pai do que seus pais. Engoliu seco.

- Por favor – o garotinho o abraçou desesperado, como se lesse o que passava na cabeça do mais velho, continuou – Sei que você é um anjo, mas não vá embora. Não fuja como minha mãe – apertou ainda mais – Se você se for quem vai ajudar os outros anjos? Quem vai trazer luz as outras pessoas nesse mundo caótico? Quem vai salva-los? As vidas que não te conheceram, como ficam? E seus destinos? – Tony estava pasmo, suas barreiras já destruídas, caiam ainda mais, correspondeu ao abraço do mais novo e percebeu o quanto precisava daquilo – Quem vai levar o alento as pessoas que te amam?

- Não sou tão importante, garoto – afirmou soluçando, com a mente nublada.

O menino negou com a cabeça.

- É importante! Todos nós somos! Para as pessoas que te amam ainda mais! – suas mãozinhas segurou o rosto do mais velho. Olhos castanhos com olhos castanhos um pouco mais escuros e vermelhos – Todos temos um motivo para vir a esse mundo, anjo. Especialmente vocês, não nasceram para sofrer nesse mundo cruel, foram para salva-lo, porque mais viriam até aqui?! Pessoas precisam de ti, o mundo precisa de ti – Tony já tremia, passava as mãos no rosto banhado. Quem era aquele menino? Dava-lhe o melhor sermão que já havia tido, fazia repensar tudo, empurrava-o para continuar a vida – Você é inteligente, gentil, amável por de baixo dessa carapaça. Não é um estorvo, nunca foi! Por favor anjo, não vá embora! Não vá para casa! Fique! Não se mate! – pegou o estilete que estava nas mãos do mais velho e jogo-o para longe – Não tenha medo de pedir ajuda, todos nós precisamos. Não é covardia, na verdade é um ato de coragem. Tem pessoas que se importam em demasia contigo, vão lhe ajudar a carregar seu peso, não deixe que ele te intoxique, te sacrifique – concluiu.

Tony tremia, engoliu um grito agonizante. O garoto estava certo e como ele estava. Ele é que era um anjo, por ajuda-lo tanto, por lê-lo tanto, por salva-lo com suas belas palavras. A morte não é solução, é desistência, era deixar completamente ser engolido pelo abismo. As pessoas que tinham lhe intoxicado venceriam. Nunca mais poderia se defender. Morrer é fácil, difícil é viver. E quem disse que viver é fácil? Se fosse, não faria o sentido viver. Enfrentar as coisas ruins e as tornar positivas. Erguer a cabeça, depois de toda a tempestade vem o Sol.

- Prometo garoto – Tony olhou nos olhos do mais novo, sua pequena luz no momento – Não vou fazer isso – bagunçou os cabelos do garoto – Vou lutar para não desistir! – não sabia mais o que dizer, mas estava consideravelmente melhor depois de tudo que foi lhe dito.

O menino sorriu.

- Fico feliz em saber disso!

- Muito inteligente para a sua idade – tentou limpar suas lágrimas em vão – Como sabe o que eu estava enfrentando? – despejou – E como se chama meu pequeno?

O garoto colocou o indicador em frente dos lábios em um claro sinal de silêncio sorridente.

- Me chamo Peter – segurou as mãos do mais velho – Parker – concluiu – E será um prazer te conhecer daqui a alguns anos e fazer parte de sua família. Não desista Tony. Jamais pense em fazer isso novamente!


♦♦♦♦


Steve Rogers estava em pânico. Havia passado o fim de semana com a mãe e quando voltou para seu dormitório, não havia encontrado seu colega de quarto problemático, Tony Stark. Só a mesa de estudos com remédios espalhados, uma Gillette com sangue seco e papéis. Isso já era o suficiente para assusta-lo e preocupa-lo em níveis gigantescos sem o sumiço, juntando com isso era desesperador.

Ele era uma das poucas pessoas que sabiam da situação do moreno. E uma das que mais tinha dor de cabeça com os problemas psicológicos, pois teoricamente morava com o mesmo. E se não morasse também seria a mesma coisa só que com mais preocupação. Sempre evitou algum acontecimento trágico e o salvando de seus demônios.

Saiu do dormitório correndo como nunca. Seu porte físico atlético e resistente ajudava-o muito em um momento como esse. Havia tentado ligar para o telefone do amigo, mas o mesmo havia deixado rebolado no beliche que dormia.

Quem em pleno dois mil e dezoito esquecia o celular? Tony Stark sim, ele tinha essa capacidade de ser diferente. E o loiro nem sequer poderia tentar rastrear a localização.

Quando conheceu o moreno, achou que ele fosse como os típicos filhos de riquinhos, arrogante, prepotente e filhinho de papai. Mas o que logo descobriu, que era a pessoa mais quebrada e sofrida que tinha conhecido. Era seu próprio vilão. Demorou, mas conseguiu vencer as barreiras impostas, se tornando o melhor amigo que o moreno poderia ter. Sendo seu alicerce em tempos difíceis.

Seus amigos não gostavam da sua amizade com o herdeiro do império Stark. Diziam ser mal influência. Ele não se importava com opinião alheia. Que fossem ao Tártaro. Nunca deixaria ninguém com esse tipo de problemas sozinho, mesmo se fosse amigo ou não. Não era pena, não entendam assim. Pois nunca foi e nunca será. Era compaixão e fraternidade. E com o passar do tempo Tony se tornou uma das pessoas mais importantes, depois de sua mãe.

Rodou todo o campus. Já perdia as esperanças. Temia que o mesmo tivesse cometido suicídio. Seu coração pesava cada vez mais junto com a apreensão. O que teria desencadeado sua crise?

Se culpava por ter ido visitar sua a mãe e tê-lo deixado sozinho. Deveria tê-lo levado, carregando entre os tapas se fosse necessário.

Seguiu para o parque que tinha próximo. Não diminuiu a velocidade. Tinha poucas esperanças de encontra-lo, não era um lugar que o moreno costumava visitar. Na verdade, mal saia do quarto no dormitório.

Suspirou, cansado. Avistou ao longe o corpo do moreno, deitado em um banco de mármore. Mal acreditou. Aumentado ainda mais a velocidade, foi em encontro ao mais velho.

Analisou de cima abaixo o amigo. Procurando por sangue ou algum uso de drogas ilícitas. E também se tinha pulso, se ainda estava vivo. Quase chorou quando sentiu que ele estava bem. Percebeu, que a síndrome não estava o deixando em paz, os lábios tinham aftas e tinha cem porcento de certeza que a situação estava pior internamente, além do psicológico é claro. Deveria ter sido algo muito sério para fazer a síndrome agir tão rápido.

Balançou-o para acorda-lo. Logo sendo premiado com os belos olhos castanhos avermelhados por causa do choro.

- Steve? – sussurrou, colocando as mãos nos olhos pela luminosidade – Já voltou?

O loiro não segurou sua felicidade e abraçou o moreno com força, deixando os pés ao vento pela diferença de altura.

- O que aconteceu Steve? – o moreno organizava seus pensamentos, logo lembrando de seu trágico início de manhã e do que planejava fazer.

- Não faça mais isso Tony – o loiro finalmente deixou sair suas lágrimas de alivio – Quase tive um infarto quando vi que sumiu – apertou mais forte – E as coisas espalhadas. Já mais pense em fazer isso novamente por favor!

- Sinto muito Steve – pediu o moreno correspondendo o abraço – Fui fraco, prometo que vou tentar não fazer isso de novo

- Tentar não! – colocou no chão – Você não vai fazer, com certeza! – afirmou autoritário – Vamos Tony, sabe que pode se abrir para mim, não se afunde nisso sozinho – pediu – O que aconteceu?

- Longa história – murmurou, logo percebendo a ausência de um certo garoto que o ajudou-o – Cadê o menino? – olhou ao redor.

- Que menino Tony? – o loiro olhou preocupado – Só tem nos dois aqui.

- Será que foi um sonho – continuou falando baixo – Parecia tão real... – sua mente voltava a processar aos poucos.

- Tony... – Steve pegou o rosto do menor delicadamente – Você bebeu ou usou outros tipos de drogas? – as pupilas estavam normais.

- Está louco Steve – afirmou indignado – Lógico que não. E sabe o quanto odeio quem bebe, pois, o velho é um alcoólatra! – se escorou no mais alto, passando o braço esquerdo por cima do ombro do mesmo, seu corpo doía e mal se mexia depois o alto estresse.

- Não sei mais o que esperar de você, Tony – em lentos passos saíram do parque.

- Preciso de ajuda Steve – admitiu, o loiro ficou surpreso, muito surpreso, nunca achou que o moreno fosse admitir isso – Tenho medo do que posso fazer nessas crises, fui salvo dessa vez, um anjo me ajudou. Não sei como vai ser nas próximas vezes...

- Pode contar comigo, sabe disso – o loiro apertou a cintura do menor – Coloca para fora tudo! Não me esconda nada! – insistiu – E quem foi esse anjo que o salvou?

O moreno sorriu com a preocupação do mais novo. Aos poucos contou o lixo que havia sido o início da manhã. E do menino.

20 de Junho de 2019 às 13:40 3 Denunciar Insira 1
Fim

Conheça o autor

Sophia Grayson Só uma garota que gosta de escrever.

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Nathy Maria Nathy Maria
Admito que eu chorei…T^T Esta história foi tão linda e também tão triste Parabéns So! Se tivesse nota nos comentários daria milhões de estrelas ^^

  • Sophia Grayson Sophia Grayson
    Ah, querida! Poxa, obrigada, sério. Quando fiz ela estava tão acabada quanto o Tony, tanto que 80% dela é baseada em mim. Me deixa muito contente seu pequeno review <3 2 weeks ago
  • Nathy Maria Nathy Maria
    Uou, eu imaginei que pudesse ter uma base, principalmente pela menção do TOC. Mas preferi não comentar para não te deixar triste… já que não sei se deixaria. Ah, fico contente também por saber disso <3 2 weeks ago
~