S02#22 - VARIAÇÕES Seguir história

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Por acaso você sabe realmente o que contém cada produto que você consome? Mulder e Scully, mesmo afastados do Bureau, investigam alimentos supostamente mutados e contaminados. Mal sabem que tudo foi revelado para atraí-los e servir como pretexto para tirar Scully do FBI. ‘Alguém’ acha que ela está começando a atrapalhar demais. Isso coloca Skinner num dilema: demitir Scully ou pagar o preço. O que Skinner escolherá?


Fanfiction Seriados/Doramas/Novelas Para maiores de 18 apenas.

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S02#22 - VARIAÇÕES

INTRODUÇÃO AO EPISÓDIO:

Fade in.

Sede dos Pistoleiros Solitários – 5:36 P.M.

[Som: Sly and The Family Stone – Watermelon Man]

Byers, sentado à mesa, lê uma revista de informática. Frohike lava alguns legumes na pia, preparando o jantar.

BYERS: - (SORRI) Eu não acredito! Pra que eu quero um scanner portátil, que cabe na palma da mão e serve para copiar cartões de visita?

FROHIKE: - ... Talvez pelo mesmo motivo que comprou essas facas, que, realmente cortam tudo sem perder o fio, mas o cabo quebra fácil.

BYERS: - Escuta essa: O governo e o FBI fecham o cerco aos hackers... Como explica que ontem colocaram aquele vírus no seu computador?

FROHIKE: - Pergunte ao Mulder. Ele não está fazendo o trabalho dele.

Langly entra na cozinha, usando uma camiseta do Deep Purple.

LANGLY: - Quer ajuda?

FROHIKE: - Por isso está chovendo! Vai, pega essa faca e corta o diabo desse brócolis que você resolveu comprar na feira.

LANGLY: - Estava tão bonito. Não resisti. Olhe pra ele, não é lindo? Não parece suculento?

FROHIKE: - Não notou que está verde demais?

LANGLY: - Mas eu não sabia que brócolis precisavam amadurecer...

FROHIKE: - Vou calar a minha boca. Não vale a pena.

LANGLY: - Achei que fosse verde porque estava novinho.

Frohike pega a embalagem vazia. Mostra pra Langly.

FROHIKE: - É um maldito brócolis transgênico! É híbrido, idiota.

LANGLY: - Híbrido com o quê?

FROHIKE: - Talvez com um macaco, uma cenoura ou sabe Deus o quê mais!

Langly pega o brócolis. Observa-o.

LANGLY: - Ei, brócolis. Bem vindo à Terra. Meu nome é Langly...

FROHIKE: - (IRRITADO) Dá isso aqui!

Frohike arrebata o brócolis das mãos de Langly. Pega a faca. Parte-o. Ao mesmo tempo um líquido preto vai saindo do brócolis e eles arregalam os olhos. O líquido forma gotinhas e começa a caminhar. Os dois se afastam assustados.

LANGLY: - (ASSUSTADO) Cara, eu tava brincando...

FROHIKE: - (NERVOSO) Saia de perto dessa coisa!

Byers levanta-se. Olha pra pia. Arregala os olhos.

[Close das gotas de óleo negro escorregando pra dentro do ralo da pia.]

VINHETA DE ABERTURA: A VERDADE ESTÁ LÁ FORA


BLOCO 1:

Apartamento de Scully - 6:47 P.M.

[Som: Black Crowes – Hard to Handle]

Música alta.

Foco fixo por sobre a cama revirada, com o celular de Mulder jogado sobre ela.

O celular toca várias vezes.

De repente, Mulder ergue-se do chão, ao lado da cama, entrando no foco. Está com a barba mal feita, cabelos desgrenhados e aquele brinco na orelha. Fecha os olhos.

MULDER: - (INDIGNADO) Não... Eu não acredito! Basta voltar pra Washington e a começa a perturbação!

Mulder estende o braço, mas é interrompido por Scully que coloca sua mão, com unhas pintadas de preto, por sobre o braço de Mulder e o puxa pro chão de novo. Os dois saem do foco.

Ouvimos Mulder gemer. O celular continua tocando.

MULDER: - Scully... Deve ser importante... Ahhhhh, Scully!

Mulder estende o braço, ergue-se e pega o celular. Com a outra mão segura o controle remoto do som, baixando o volume.

MULDER: - (AO CELULAR) Mulder.

FROHIKE (OFF): - Mulder, que bom que encontrei você!

MULDER: - Tá... (FECHA OS OLHOS) Hum... (MORDE OS LÁBIOS)

FROHIKE (OFF): - Mulder, não vai acreditar no que está acontecendo.

Mulder olha pra baixo. Arregala os olhos.

MULDER: - Nem você acreditaria... (GRITA) Ah, Deus!

FROHIKE (OFF): - Mulder, está bem?

MULDER: - (DEBOCHADO) Tá brincando? Nunca me senti melhor na vida... Um... Pouco tonto, só isso...

FROHIKE (OFF): - Mulder precisa vir pra cá. É uma emergência.

MULDER: - Sinto, Frohike, estou atendendo uma emergência no momento. Falamos depois. Estou fora do FBI por mais 6 dias. Não me ligue! Não vou atender.

Mulder desliga. Atira o celular sobre a cama. Scully surge no foco, sentando-se em cima de Mulder. Cabelos revirados, presos no alto da cabeça, com fios caindo pelo rosto. Maquilagem pesada, batom vermelho. Mulder começa a gemer. Scully move seu corpo.

O celular continua tocando.

Mulder está beijando os seios de Scully. Scully inclina o corpo pra trás, gemendo.

SCULLY: - Ai, Mulder... Por que não desligou essa droga?

MULDER: - ... (OFEGANTE) Esqueci.

SCULLY: - (OFEGANTE) Concentre-se... Hum... Esqueça o barulho.

MULDER: - Estou bem concentrado, Scully. Muito con... Ahh!!! ... centrado.

SCULLY: - Hum... (OFEGANTE) Adoro sentir essa sua barba mal feita...

Scully move o corpo mais rapidamente.

O celular continua tocando.

Mulder deita-se. Scully inclina-se sobre ele. Ambos desaparecem do foco da câmera.

SCULLY: - (OFEGANTE) Mulder, assim... Ah, Mulder... Hum...

MULDER: - ... (OFEGANTE)

SCULLY: - Ah, assim... Mulder... (OFEGANTE) Hum... Ah, meu Deus! ... Mulder eu vou enlouquecer.... Vai! Vai! Vai!!!!!!!!!!!

Mulder ergue-se.

MULDER: - (DEBOCHADO) Vou. Vou atender esse telefone.

SCULLY: - (GRITA) Não!

Scully o empurra. Mulder fica gemendo. O celular tocando.

MULDER: - Scully... (OFEGANTE) Eu tô mal... Preciso... Respirar...

SCULLY: - (OFEGANTE) Não!

MULDER: - Há, Deus! ... (OFEGANTE) Mulher... Você está acabando comigo!

Scully ergue-se, aparecendo no foco. Mulder a puxa de volta.

Barulho dos dois pelo chão. Batem na cômoda, derrubando tudo, inclusive o abajur.

Scully inclina-se sobre a cama, tenta pegar o celular, mas Mulder a puxa pela cintura, de volta pro chão. Scully desaparece do foco novamente.

MULDER: - Vem cá!

SCULLY: - Vou atender essa droga e encher o Frohike de palavrão.

MULDER: - Não, enche o meu ouvido de palavrão...

SCULLY: - (RINDO) Mulder, seu bobinho... Não! Mulder isso não!

MULDER: - Isso sim... Ahn?

SCULLY: - Hum, Mulder...

A perna de Scully ergue-se, entrando no foco da câmera.

SCULLY: - Ai, Mulder... Menino malvadinho...

O celular começa a tocar de novo.

SCULLY: - Mas que droga! ... Mulder... Hum...

Mulder ergue a cabeça por cima da perna de Scully. Estende o braço e atende o celular, furioso.

MULDER: - (GRITA) Fala, ô chato de galocha!

Mulder fica segurando a perna de Scully enquanto fala.

FROHIKE (OFF): - Mulder, tem alguma coisa de errada.

MULDER: - (IRRITADO) Tem. Você. Você que fica atrapalhando a minha concentração! Não percebeu que estou ocupado?

Scully ergue a cabeça. Olha pra Mulder, que coloca a perna dela sobre o ombro dele.

FROHIKE (OFF): - O que estava fazendo?

MULDER: - Tomando meu café da manhã!

FROHIKE (OFF): - Mas já é noite!

MULDER: - Tá, então estava jantando. Ou melhor, estava sendo jantado. Outra hora explico essa teoria nova que me ensinaram...

Scully começa a rir.

FROHIKE (OFF): - Mulder, tem uma coisa na pia da minha cozinha.

MULDER: - (PÂNICO) Eu não acredito! Pra quê me ligar? Eu não sou encanador!

Scully murmura alguma coisa, rindo. Mulder sorri debochado.

FROHIKE (OFF): - Quer me deixar falar? Tem uma droga de líquido preto saindo do brócolis que o Langly comprou...

MULDER: - Também não entendo de brócolis. Não sou agricultor.

Scully tira a perna do ombro de Mulder e cochicha alguma coisa no ouvido dele, sorrindo maliciosa, mordendo a orelha do agente. Mulder olha pra ela.

MULDER: - (RINDO/ DEBOCHADO) Pepino? Sério?

FROHIKE (OFF): - (SEM ENTENDER) Pepino? Eu não estou falando de pepinos, Mulder! Estou falando que essa droga saiu de um brócolis e tá caminhando pra dentro da pia!

Mulder olha pra Scully.

MULDER: - (ASSUSTADO) Frohike, saia da cozinha! Isole essa área, tá me entendendo? Estou indo!

Mulder desliga o celular.

SCULLY: - O que houve?

MULDER: - Problemas.

SCULLY: - Hum, não... Queria brincar mais um pouquinho.

MULDER: - Lembra-se do que eu disse? Nada vai ser normal?

SCULLY: - (INCONSOLADA) Mas estamos em lua de mel! Não somos mais Mulder e Scully. Eles estão de férias!

MULDER: - Tem um alienígena na cozinha do Frohike.

SCULLY: - Outro assaltante de geladeiras?

MULDER: - Não, Scully. A mesma coisa que aquela abelha injetou em você.

Scully levanta-se, puxando o lençol da cama e o enrolando no corpo. Corre pro banheiro.


Pistoleiros Solitários - 7:47 P.M.

Frohike abre a porta. Mulder e Scully entram. Scully com maquiagem sóbria, cabelo penteado, séria, escondendo as mãos no bolso. Mulder sem brinco, barbeado, comportadinho também. Frohike olha pra Scully, debochado.

FROHIKE: - Onde a encontrou?

MULDER: - No meio do caminho. (CORTANTE) Nenhum de vocês tocou naquela coisa?

FROHIKE: - Não... Mulder, ia comentar com você naquela festa da sua sogra: Você está doente?

MULDER: - Eu? Por quê?

FROHIKE: - Sei lá, está pálido, abatido, esgotado... Parece que não dorme e nem come direito há dias...

MULDER: - Ando ocupado, estou fazendo dieta.

FROHIKE: - Dieta da lua?

MULDER: - Não. Dieta do... Deixa pra lá.

Mulder abre a porta da cozinha. Scully o segue, segurando o riso.

SCULLY: - Mulder, não acho que devemos entrar aí. Melhor chamar alguém para isolar a área.

MULDER: - E levar as provas?

Mulder entra. Olha pro brócolis sobre a pia. Aproxima-se, olhando pro chão.

MULDER: - Scully, cuide onde pisa e não toque em nada.

SCULLY: - ...

MULDER: - E me escute dessa vez!

Mulder aproxima-se da pia. Apenas o brócolis ali, nenhum vestígio do óleo negro. Mulder puxa a lanterna. Mira no ralo.

MULDER: - Foi embora.

Mulder pega a embalagem. Sai da cozinha.

MULDER: - Aconselho a saírem daqui, essa droga está nos esgotos. E é melhor não usarem o banheiro.

BYERS: - Que diabos é isso, Mulder?

MULDER: - Uma forma alienígena que parasita o corpo. Não gostaria de ver o que acontece depois...

Mulder olha pra Scully.

MULDER: - Vamos, Scully. Precisamos reclamar sobre os direitos dos consumidores.

SCULLY: - Onde vamos? Organizar um movimento de defesa das donas de casa?

Mulder pega a embalagem. Sacode na frente do rosto de Scully.

MULDER: - Pelo menos temos por onde começar.


Estrada Interestadual da Virgínia – 8:39 P.M.

[Som: Sly and The Family Stone – Watermelon Man]

Scully dirige. Mulder olha pra ela.

SCULLY: - Droga, Mulder! Espero que essa investigação não seja oficial ou teremos mais um mês de ‘descanso’!

MULDER: - Ahá! Tá louquinha pra voltar pro FBI ou não aguenta mais a minha cara?

SCULLY: - Primeira opção. Mulder, estamos afastados e justo agora aparece um caso desses e... O que aquela coisa fazia no brócolis?

MULDER: - Scully, as pessoas pensam que é brincadeira, mas nem sabem o que servem na mesa. Alimentos transgênicos, híbridos... Morangos que não estragam rápido, brócolis verdinhos, pêssegos que não tem gosto de pêssegos, chamados de nectarina... Aposto com você que estão tentando aos poucos mutar o organismo humano.

SCULLY: - Mulder, não está sugerindo que desistiram de contaminar abelhas e milhos e agora estão contaminando a nossa feira? Mulder, isso é absurdo! Os cientistas descobriram uma maneira de eliminar pragas e tornar coisas sem gosto, como o chuchu, numa coisa deliciosa! Estão tentando eliminar gostos ruins de alimentos que são necessários ao nosso organismo e...

MULDER: - Não quero saber. Quero comer chuchu que seja chuchu! Comer arroz que seja arroz! Melancia que tenha sementes! Já ouviu falar em criação de porcos com órgãos humanos para transplantes? O que acha que fazem com a carne?

SCULLY: - Ah, Deus, Mulder! Você está paranoico! Isso não é uma historinha do Alien Yogurt!

MULDER: - Toda historinha tem um fundo de verdade, Scully.

SCULLY: - Daqui à pouco vai entrar naquela história de que a Coca-Cola contém cocaína porque vicia!

MULDER: - ... (ASSOVIA)

SCULLY: - Não!

MULDER: - Scully, quando você toma seu café da manhã... Normalmente, tá? ... Por acaso já pegou uma embalagem de qualquer coisa e leu o que estava escrito?

SCULLY: - Leio a data de validade.

MULDER: - Besteira! Volta pra fábrica e depois pra sua mesa de novo. Estou falando daquelas coisas de acidulante, edulcorante, estabilizante EPIII, flavorizante... Que diabos é isso? O que tem nessas coisas?

SCULLY: - Mulder, nos dias de hoje precisamos de técnicas e substâncias para a conservação dos alimentos!

MULDER: - Besteira! Eu tomava leite puro e nunca vi a vaca com um carimbo de data de validade! Scully, você sabia que é permitido por lei acrescentar um percentual de xixi de vaca no leite?

SCULLY: - Onde ouviu uma besteira dessas, Mulder?

MULDER: - De um técnico em alimentos que trabalha na área de fiscalização de produtos frigoríficos. Sabe de onde vem essa droga de gelatina que você come? Do couro das vaquinhas!

SCULLY: - E daí? Pelo menos é natural!

MULDER: - É nojento! Quem precisa de gelatina?

SCULLY: - A gelatina, Mulder, ajuda na elasticidade dos tecidos. É uma fonte rica de colágeno, elastina, proteína e...

MULDER: - E daí? Não existia gelatina no tempo de Cristo e eles não sentiam falta disso! Você nem imagina o que há dentro de cada hambúrguer de caixinha! Patês, salsichas... Tudo o que sobra vai ali dentro...

SCULLY: - Mulder, estou começando a enjoar! Pára de falar nisso, eu não quero saber!

MULDER: - Tá vendo? Mas tudo bem, isso ainda continua sendo natural. O pior são as substâncias desconhecidas que você não sabe.

Eles passam por uma fazenda.

MULDER: - Scully, volta! Acho que é ali.

Scully entra no acostamento. Engata a ré. Dirige até o portão. A fazenda é cercada por avisos de ‘não ultrapasse’, com cercas e portões altos. Mulder desce do carro e aproxima-se do portão. Há um interfone. Mulder aperta o botão. Percebe uma câmera de vídeo acima. Acena pra câmera, com um sorriso debochado. Puxa a credencial e mostra. O portão abre-se.


Fazenda Modelo do Estado da Virgínia – 9:11 P.M.

Numa espécie de viveiro, dentro de uma estufa, Mulder e Scully caminham ao lado de Gilles Baker, um cientista de uns 58 anos, vestido com um jaleco branco.

BAKER: - Como vê, agente Mulder, criamos nossas alfaces com o método hidropônico. Assim, elas crescem na água, não na terra. Garantimos a produção sem perdas. E garantimos a saúde do consumidor porque não precisamos usar agrotóxicos contra pragas.

MULDER: - Não quero saber das alfaces. Quero saber dos brócolis.

BAKER: - Tem um mandado pra estar aqui?

MULDER: - Não. Mas eu consigo rapidinho. Tenho um brócolis como testemunha. E acredite, ele fala muito.

BAKER: - Venham por aqui, vou mostrar nossa plantação de brócolis.

Mulder olha pra Scully. Dá um sorriso. Scully está séria. Eles caminham até outra estufa. Há brócolis por ali, plantados em canteiros suspensos. Baker tira uma faca do bolso e corta um dos brócolis. Parte-o.

BAKER: - Como vê, agente Mulder, não há nada demais nos nossos brócolis. Apenas vitaminas.

MULDER: - Bem, se há apenas vitaminas, não se importaria se eu olhasse a fazenda inteira. Estou procurando uma vitamina especial.

BAKER: - Se tive um mandado, não vou me importar.

SCULLY: - Mulder, vamos embora.

MULDER: - Tudo bem, Dr. Baker. Nos vemos amanhã.

Corta pra Mulder e Scully saindo no carro. Baker olha pra eles, pela janela do laboratório. Pega o telefone. Disca. Respira fundo.

BAKER: - Um agente federal, de nome Mulder, esteve aqui fazendo perguntas. O que faço?

[Som: Black Crowes – Hard to Handle]

Corta pra Mulder que estaciona no acostamento, bem próximo da fazenda. Scully olha pra ele. Mulder abre o porta luvas e tira um binóculo.

SCULLY: - O que houve?

MULDER: - Acha que vou desgrudar meus olhos daqui?

SCULLY: - Mulder, eu não acredito! O que vai fazer?

MULDER: - Vigiar. Aposto que vão sumir com as provas durante a madrugada.

SCULLY: - Ah, Mulder! Eu estou com fome!

Mulder abre a porta do carro. Desce. Olha pra Scully, escorando-se no carro.

MULDER: - Sanduíche, batatas fritas e refrigerante. Não se esqueça do catchup.

SCULLY: - Depois eu é que como porcarias!

Scully senta-se no banco do motorista. Liga o carro. Mulder fica parado no acostamento, olhando a fazenda pelo binóculo.


BLOCO 2:

1:23 A.M.

[Som: Black Crowes – Hard to Handle]

Mulder e Scully sentados dentro do carro, no escuro.

SCULLY: - Mulder, como vai conseguir um mandado? Estamos fora, lembra-se?

MULDER: - Mandado?

SCULLY: - Como pensa que o Dr. Baker vai deixar você entrar e revirar a fazenda e...

Mulder olha pra Scully. Mexe as sobrancelhas.

SCULLY: - (SUSPIRA) Ah, não! Mulder, você não vai invadir! Estamos suspensos, Mulder! Nem deveríamos estar aqui.

MULDER: - Tenho ferramentas no porta-malas. Scully, esse não é o bat-móvel, mas tenho tudo o que preciso por aqui. Já morei muitas noites nesse carro.

SCULLY: - ... (CURIOSA) É? Sozinho ou acompanhado?

Mulder aproxima-se de Scully e a beija no rosto.

MULDER: - Hum, que tipo de pergunta é essa?

SCULLY: - (DESCONFIADA) Sozinho ou acompanhado?

MULDER: - Na maior parte sozinho. Outras, acompanhado pela ruiva mais quente do FBI. Pensando bobagens pra passar o tempo... Como ela fica sexy dormindo. Por falar nisso, obrigado pelo pijama do Scooby. Demorou mas veio...

SCULLY: - Não achei seu tamanho. Precisei encomendar. Eles não costumam fazer pijamas do Scooby pra marmanjos de quase dois metros de altura.

MULDER: - Confessa que esses dois metros de altura te deixam excitada, baixinha.

SCULLY: - Mulder, estamos trabalhando. Pára!

Mulder beija o pescoço de Scully.

MULDER: - E daí? Hum... Queria estar com os meus quase dois metros de altura em cima de você agora, baixinha... Esmagando você inteirinha...

SCULLY: - (EXCITADA/ OLHOS FECHADOS) Hum... Mulder...

MULDER: - Eu fico aqui beijando seu pescoço e você fica observando a fazenda...

SCULLY: - Ah, isso é perfeito! Acha que vou observar alguma coisa desse jeito? Mulder, você está atrapalhando a minha investigação!

MULDER: - Não, estou fazendo uma investigação paralela.

SCULLY: - Mulder, lembra-se da outra vez! Daqui à pouco pára um carro de polícia e como vamos nos explicar?

MULDER: - Somos um casal de namorados se divertindo no carro.

SCULLY: - Com a nossa idade?

Mulder afasta-se e olha pra Scully, em pânico.

SCULLY: - Não somos mais adolescentes, Mulder!

MULDER: - Tá, mas eu também não sou nenhum velho caquético, Scully!

SCULLY: - Ora, mas não é você que vive dizendo que somos velhos pra muita coisa?

MULDER: - Eu não consigo mais sair correndo por aí como corria aos 16 anos! Mas o que me impede de ficar namorando você dentro do carro?

Scully puxa sua credencial. Mostra pra Mulder.

SCULLY: - Isso. Isso impede.

MULDER: - Tá bem. Você sabe que esse distintivo funciona comigo como uma cruz funciona contra vampiros! Então vou dormir e você faz o primeiro turno.

Mulder deita a cabeça no colo de Scully que pega o binóculo e observa a fazenda.

SCULLY: - Achei estranho aquele tal de Dr. Baker. Não achou?

MULDER: - ...

SCULLY: - Parecia que estava escondendo algo... Mulder, o que está fazendo?

MULDER: - Coisinhas.

SCULLY: - (RINDO) Mulder, pára!

MULDER: - ...

SCULLY: - Mulder, por favor! De agora em diante eu juro que vou voltar a trabalhar de calças! Medida de segurança.

MULDER: - Eu gosto das suas pernas...

SCULLY: - Mulder, você é um tarado! Me deixa em paz!

MULDER: - Foi você quem começou. Eu era quietinho, estava na minha... Você veio de repente, começou a me ensinar a fazer coisinhas...

Scully continua observando a fazenda. Segura o riso.

SCULLY: - Mulder, já pensou se não estivéssemos juntos ainda? Como seria?

MULDER: - Como era antes. Muita ação, aventura, suspense... Mas sem romance...

SCULLY: - ... Tenho medo de você enjoar de mim.

Mulder levanta-se. Olha pra Scully.

MULDER: - Scully, por acaso eu enjoo de discos voadores?

SCULLY: - (INCRÉDULA) Está me comparando com discos voadores?

MULDER: - Estou apenas lhe perguntando se posso enjoar das coisas em que acredito.

SCULLY: - (SORRI) ...

MULDER: - Vem cá, vem...

Mulder a abraça. Afaga seus cabelos.

MULDER: - Vou vigiar aquela droga. Duas da manhã eu vou entrar. Você fica aqui. Se não voltar em meia hora, chame o FBI.

SCULLY: - Vou com você.

MULDER: - Não vai não. Pode haver tomates assassinos ali dentro. Você nunca pode saber o que se esconde atrás do molho do macarrão. Existem ‘pessoas’ que só escrevem besteiras quando comem macarrão.

SCULLY: - ... Não sei de nada. Melhor ficar quieta.

MULDER: - Quando isso acabar, vamos pro seu apartamento, ficar juntinhos e ver TV.

SCULLY: - Não quero ver TV.

MULDER: - Tá, cancele a TV. (VÍTIMA) É que estou tão acostumado a passar as noites assistindo TV. Hábitos antigos são difíceis de perder... Tantos anos sem uma vida interessante...

SCULLY: - (DEBOCHADA) Ah, pobrezinho! Ficava sozinho, vendo TV, naquele sofá, no escuro... Que pecado! Que injustiça! Tão bonitinho, mas tão sozinho...

MULDER: - Scully, pára. Não começa a falar assim... Não provoca...

2:03 A.M.

Mulder corta a cerca. Scully segura a lanterna acesa. Mulder atravessa. Entrega o alicate pra Scully. Acende sua lanterna.

MULDER: - Fique aqui. Qualquer coisa, me avise pelo celular.

SCULLY: - Mulder, somos ou não parceiros? Não vou deixar que entre aí sozinho!

MULDER: - E eu não vou correr o risco de que alguma coisa te aconteça.

SCULLY: - Pelo amor de Deus, Mulder! O que deu em você? Sou uma agente federal, pare de me olhar como se fosse uma dona de casa!

MULDER: - ... E se tiver abelhas?

SCULLY: - Não tenho medo de abelhas, Mulder.

Scully puxa a arma e passa pelo buraco na cerca.

SCULLY: - Vou na frente.

Mulder fica olhando pra ela. Scully embrenha-se no meio de uma plantação de trigo.

MULDER: - Mulheres!

SCULLY: - Cale sua boca, Mulder! Machista!

Os dois caminham pela plantação. Scully recolhe amostras do trigo e as coloca num saco plástico.

SCULLY: - Vou mandar analisar tudo o que encontrarmos. Medida de precaução.

MULDER: - ...

Continuam caminhando, iluminando o caminho com as lanternas.

SCULLY: - Por que o governo usaria vegetais para disseminar o óleo negro?

MULDER: - Porque já descobrimos que usavam abelhas. E milho.

SCULLY: - Mulder, nem todas as pessoas comem brócolis.

MULDER: - Talvez não queiram contaminar todas as pessoas. Talvez apenas as pessoas que comem brócolis.

SCULLY: - (RINDO) Mulder, devia ouvir o que está dizendo!

MULDER: - Eu não sei, Scully. Como vou saber? Eu nem tenho certeza disso! Só quero provas de que realmente o estão fazendo.

SCULLY: - ... Os brócolis ficam mais adiante.

MULDER: - Vamos indo.

SCULLY: - Se eu quisesse contaminar a humanidade toda seria mais inteligente. Colocaria essa substância em aspirinas ou na Coca-Cola.

MULDER: - Bem pensado, Scully. Talvez a Bayer e a Coca te processem pela idéia. Que tal nos hambúrgueres feitos com carne de minhoca do McDonald’s?

SCULLY: - Mulder, de onde tirou essa ideia?

MULDER: - Algumas pessoas comentam, Scully.

SCULLY: - Minhocas. Sabe quantas minhocas precisaria para um hambúrguer? E o gosto de terra que ficaria?

MULDER: - Não sei de nada. Entendo de mulheres e Ets, culinária não é minha especialidade.

SCULLY: - (DESCONFIADA) Ah, mulheres e Ets? Anda muito entendido em mulheres ultimamente.

MULDER: - (MALANDRO) Estou ficando expert no assunto.

SCULLY: - Se não quer morrer com uma lanterna trancada na garganta, Mulder, fique quieto.


2:28 A.M.

Mulder e Scully entram na estufa de brócolis. Mulder mira um por um dos brócolis com a lanterna.

SCULLY: - O que estamos procurando? Algum que esteja marcado com a letra X?

MULDER: - Os verdinhos, Scully.

SCULLY: - Todos são verdinhos, Mulder.

MULDER: - Que tipo de brócolis são esses que se parecem com couve-flor e não com brócolis?

SCULLY: - Porque são cruzados com couve-flor? Talvez tenham mais resistência ao clima e... São híbridos, Mulder.

MULDER: - Scully, dá uma olhada aqui.

Mulder mira a lanterna atrás do canteiro artificial. Vê um cano de aço.

SCULLY: - (DEBOCHADA) Sistema de água e não o aconselho a girar a válvula.

MULDER: - Sem graça, Scully...

Mulder caminha, mirando a lanterna no cano, acompanhando-o. O cano sai da estufa. Termina no chão. Mulder agacha-se e afasta a terra do cano.

MULDER: - Ótimo, está enterrado! Onde vai dar isso?

Mulder levanta-se e tenta ver o horizonte. Mas a noite está muito escura.

MULDER: - Scully, vem aqui.

Mulder espera. Scully não vem. Mulder entra na estufa. Procura-a com os olhos, mas não a vê.

MULDER: - Scully?

Mulder começa a ficar nervoso. Caminha pela estufa, procurando a parceira com os olhos. Scully sai de trás de um canteiro. Estava agachada. Mulder respira aliviado.

SCULLY: - Mulder, veja isto.

Mulder vai até Scully. Olha pro chão. Há uma poça de água. Mulder agacha-se e percebe um cano vermelho por baixo dos canteiros suspensos. O cano está vazando.

MULDER: - Tá pensando no que eu estou pensando?

SCULLY: - (DEBOCHADA) Sei, mas onde encontraríamos uma fantasia de Batman pra você e uma cama redonda?

Mulder olha incrédulo. Scully ri.

SCULLY: - Tá, Mulder, também assisto Pink e Cérebro...

MULDER: - ... Você... Me dá medo!

SCULLY: - O cano vermelho é da água. O cano de metal transporta outra coisa. E aposto que não é terra.

MULDER: - ...

SCULLY: - Mulder, por que está em silêncio?

MULDER: - Batman? Por que o Batman?

Scully afasta-se dele, num semblante enigmático. Mulder fica interrogando-se.


3:13 A.M.

Mulder e Scully param na frente de um silo. Mulder mira a lanterna para o alto.

MULDER: - Se a experiência me diz, isto serve para guardar grãos. Mas duvido muito que vamos encontrar grãos por aqui.

SCULLY: - Mulder...

Mulder olha pra Scully. Scully aponta a lanterna para o cano de metal que sai da terra entrando pra dentro do silo.

MULDER: - Scully, já disse que te amo?

SCULLY: - Já e não acredito nisso.

Mulder começa a procurar em volta do silo.

MULDER: - Deve haver uma porta por aqui.

Scully mira a lanterna pelo chão, enquanto Mulder procura a porta. Scully caminha, olhando pro chão. Percebe que a terra parece mais fina.

MULDER: - Não há portas nessa droga, Scully.

SCULLY: - Nem haveria. Mulder, já conseguiu entrar pela chaminé de um navio?

Mulder aproxima-se de Scully.

MULDER: - Como assim?

Scully afasta a terra com o pé. Uma superfície metálica aparece.

SCULLY: - ... Estamos em cima de alguma coisa, Mulder. O silo é só a ponta do iceberg.

MULDER: - Scully, aposto que deve estar doidinha, como eu estou, pra achar o capacho da porta de entrada, onde está escrito ‘welcome’...

SCULLY: - Mulder, a fazenda é enorme. Não temos ideia do tamanho dessa estrutura aí embaixo e nem o que seja.

MULDER: - Aposto que não é um navio, Scully. Nem um iceberg.

SCULLY: - Não está sugerindo que seja uma nave, está?

MULDER: - Por quê?

SCULLY: - Porque eu ia sugerir isso! Intrometido!

MULDER: - ???

SCULLY: - Vá por ali, Mulder. Eu vou por aqui.

MULDER: - Scully, adoro quando você fica crédula, mas tem um problema aqui. Não creio que seja uma nave, mas um laboratório subterrâneo.

SCULLY: - ...

MULDER: - Não é uma explicação mais científica, Dra. Scully? Não é mais plausível?

SCULLY: - Cala a boca, Mulder. (DEBOCHADA) Estou cheia das suas explicações científicas!

MULDER: - ???

Scully vai para um lado e Mulder pra outro.


Apartamento de Mulder – 3:28 A.M.

[Som: Sly and The Family Stone – Watermelon Man]

Frohike assiste TV, sentado no sofá. Byers está no computador.

BYERS: - Frohike.

FROHIKE: - O que foi?

BYERS: - Não tenho costume de ficar mexendo no correio eletrônico dos outros, mas acho que vou fazer isso.

Frohike vai até Byers.

FROHIKE: - O que foi?

BYERS: - Tem um aviso aqui de urgente. Acho que devemos ligar pro Mulder.

Frohike mexe no mouse. Os dois ficam olhando pra tela.

FROHIKE: - Milagre não ter senha nessa droga de computador.

BYERS: - ... (ASSOVIA)

Frohike olha pra Byers.

FROHIKE: - Não acredito! Você entrou como?

BYERS: - Tem certeza de que quer saber?

FROHIKE: - Quero. Você sabe a senha do Mulder?

BYERS: - ... Só digitei ‘Scully’.

FROHIKE: - Tá sério mesmo... Ele foi fisgado!

BYERS: - É. Eu acho... Foi um palpite, já que Suzanne é a minha senha...

Frohike balança a cabeça, negativamente.

FROHIKE: - Vamos abrir essa mensagem.

BYERS: - ... Se o Mulder brigar, eu vou entregar você.

FROHIKE: - Ótimo. Amigos são pra essas coisas.

Os dois leem na tela do computador. A fisionomia deles vai mudando aos poucos, de seriedade pra incredulidade.

BYERS: - ... Frohike... Será que isso daqui é verdade?

FROHIKE: - ... Eu não sei, mas... Pegue o telefone, Byers. Acho que o Mulder precisa saber disso.

Batidas na porta. Os dois se entreolham. Frohike caminha lentamente até a porta. Abre-a. Skinner empurra a porta.

SKINNER: - (NERVOSO) Onde está o Mulder?

FROHIKE: - ... (ASSUSTADO)

SKINNER: - Precisam me dizer onde ele está.

FROHIKE: - Tentou o celular?

SKINNER: - Nem ele, nem a agente Scully atendem.

FROHIKE: - Não sei onde estão...

Frohike olha pra Skinner, desconfiado.

SKINNER: - Preciso saber onde estão. O Mulder vai colocar a Scully em perigo!

Byers olha pra Skinner, também com fisionomia de desconfiança.

SKINNER: - Precisam me dizer! Podem evitar que alguma desgraça aconteça!

Frohike tira um papel do bolso.

FROHIKE: - Eles foram investigar esse lugar.

Skinner pega o papel.

SKINNER: - Fiquem aqui e não abram essa porta.

Skinner sai às pressas.

FROHIKE: - Aposto que deveríamos ter ido pra um motel. A segurança é melhor em qualquer espelunca do que aqui dentro.

BYERS: - Acha que devia ter entregue o endereço?

FROHIKE: - Não sei, Byers...


BLOCO 3:

Fazenda Modelo do Estado da Virgínia – 4:11 A.M.

Mulder e Scully se encontram.

MULDER: - Achou alguma coisa?

SCULLY: - Nada.

MULDER: - ... Droga, Scully! Precisamos saber o que tem aí embaixo.

SCULLY: - Já vamos descobrir.

Scully aponta para trás de Mulder. Mulder vira-se. Um carro aproxima-se. Os dois puxam as armas. Dois homens bem vestidos descem do carro.

HOMEM #1: - Abaixem as armas. Estão invadindo propriedade do governo.

MULDER: - Estamos investigando propriedade do governo.

SCULLY: - Mulder, por favor.

Scully guarda a arma. Mulder, ainda relutando, guarda a arma também. Os dois homens aproximam-se deles e os levam até o carro.

MULDER: - Ei, que diabos está acontecendo por aqui?

Mulder desvencilha-se do sujeito.

MULDER: - Não vão me levar a lugar algum! Scully, não entre nesse carro.

HOMEM #2: - Agente Mulder, por favor. Queremos fazer isso educadamente.

Mulder puxa a arma.

MULDER: - Essa é a minha ideia de educação! Larguem minha parceira!

O Homem #2 solta o braço de Scully. Scully afasta-se.

HOMEM #1: - Agente Mulder, sabe que se resistir temos permissão pra fazer isso de maneira violenta. Está numa propriedade do governo, não pode invadi-la.

MULDER: - Ótimo, vamos falar de boas maneiras. Quem são vocês?

Os dois homens se entreolham. Ficam em silêncio.

MULDER: - Estamos em desvantagem. Vocês sabem quem somos, mas eu não sei quem são vocês.

HOMEM #1: - Agente Mulder, não torne esse incidente algo mais desagradável. Estão suspensos do FBI, não podem estar aqui.

O Homem #2 olha pra Scully.

HOMEM #2: - Agente Scully, por favor, venha conosco. A conduziremos até a saída.

Scully puxa a arma.

SCULLY: - Eu não sei quem são vocês, mas se derem mais um passo eu vou atirar!

Mulder olha pra Scully, empolgado. Scully começa a ficar irritada.

HOMEM #1: - Vou mostrar minha identificação..

O Homem #1 coloca a mão dentro do terno. Mulder mira a arma nele.

MULDER: - Faça isso devagar, porque eu sou muito, mas muito nervoso.

O Homem #1 puxa uma credencial. Mulder aproxima-se com cautela. Pega a credencial.

MULDER: - FBI?

HOMEM #1: - Somos colegas. E vocês estão atrapalhando nossa investigação.

Mulder devolve a credencial, mas continua mirando a arma.

MULDER: - Se são do FBI me digam o que estão fazendo aqui?

Os dois se entreolham.

HOMEM #2: - Estamos investigando um assassinato.

MULDER: - Assassinato? Quem é a vítima?

O Homem #1 puxa a arma do paletó. Mira em Mulder.

Close na mão de Mulder. Ele vai apertar o gatilho, mas a arma escorrega e cai no chão.

Scully olha pra Mulder, incrédula. Mulder olha pra sua arma, ali no chão, incrédulo com o que aconteceu.

O Homem #1 agarra Mulder pelo braço, torcendo o braço do agente para trás e apontando a arma na cabeça de Mulder.

HOMEM #1: - Vai ser você a vítima, se não vier conosco.

HOMEM #2: - Solte a arma, agente Scully!

Scully solta a arma no chão, sem pensar duas vezes. O Homem #2 a agarra. Scully fica olhando pra Mulder, ainda incrédula com a besteira que ele fez. O Homem #1 empurra Mulder. Mulder cai no chão. Quando o Homem #1 agacha-se pra pegar a arma, Scully mete uma cotovelada no outro, que cai pra trás. O Homem #1 ergue a cabeça e ameaça erguer a arma, mas Scully mete um pontapé no queixo dele, fazendo-o cair pra trás, deixando sua arma cair longe. Scully puxa sua arma e mira nele.

SCULLY: - (GRITA NERVOSA) Nem tente ou estouro seus miolos!

O Homem #1 ergue as mãos. Scully mira a arma no outro, que está se levantando. Ele pára e ergue as mãos. Scully agacha-se e pega a arma de Mulder, sem desgrudar os olhos dos dois sujeitos. Mulder está deitado no chão, olhando pra ela, perplexo. Scully entrega a arma pra Mulder.

SCULLY: - Vamos embora, Mulder. Vamos sair daqui.

Mulder levanta-se. Pega sua arma com a mão esquerda. Scully tira a arma do Homem #2 e pega a arma do Homem #1 do chão. Tira os cartuchos e joga as armas longe. Põe os cartuchos no bolso. Olha pros dois sujeitos.

SCULLY: - E da próxima vez...

Scully começa a atirar nos pneus do carro, fazendo a maior barulheira. Mulder vira o rosto, assustado com a atitude de Scully.

SCULLY: - Metam-se com suas vovozinhas!

Scully sai caminhando, furiosa. Mulder vai atrás dela. Os dois sujeitos abaixam os braços, olhando um pro outro, incrédulos.

HOMEM #2: - Perdemos pra uma mulher ou foi impressão minha?

HOMEM #1: - Acho que não era uma mulher comum. Era a versão ruiva e baixinha da Nikita.

HOMEM #2: - Vamos atrás deles?

HOMEM #1: - Não. Deixe-os ir. Agora não são mais problema nosso.


5:21 A.M.

Scully dirige o carro. Mulder olha pela janela, sério. Scully esmurra o volante.

SCULLY: - Por que não atirou?

MULDER: - ...

SCULLY: - (INDIGNADA) Mulder, quase que você nos mata porque vacilou! Como pôde deixar a arma cair de sua mão?

MULDER: - ...

Scully está furiosa. Mulder continua olhando pela janela, fisionomia de preocupação.

MULDER: - ... Obrigado.

SCULLY: - ...

MULDER: - Depois diz que não é uma ótima agente. Você é Scully, e sabe disso. Você derrubou dois enquanto eu fiquei ali assistindo.

SCULLY: - E ainda não queria que eu fosse com você! Mulder, o que está havendo?

MULDER: - ... Nada. Eu vacilei. Sei que desculpas não resolvem, porque isso poderia ter nos matado...

SCULLY: - ...

Corta para o carro na estrada.


Apartamento de Mulder – 7:19 A.M.

Mulder entra. Vai direto pro quarto e fecha a porta. Scully entra na sala. Frohike está na cozinha. Byers, dorme no sofá. O lençol caído no chão. Scully junta o lençol e coloca sobre Byers, cobrindo-o. Vai até a cozinha. Puxa uma cadeira.

FROHIKE: - Café?

SCULLY: - Preciso.

FROHIKE: - Onde está o Mulder?

SCULLY: - Foi dormir...

FROHIKE: - Acharam alguma coisa?

SCULLY: - Achamos, mas as circunstâncias não nos permitiram ver o que era.

FROHIKE: - ...

Scully levanta-se. Suspira.

SCULLY: - Mulder quase nos matou.

FROHIKE: - Como assim?

SCULLY: - Ele vacilou em atirar, perdeu a arma... Isso foi estranho, muito estranho.

FROHIKE: - Falou com ele?

SCULLY: - Ele pediu desculpas.

Scully sai da cozinha. Vai pro quarto. Não encontra Mulder. Bate na porta do banheiro.

SCULLY: - Mulder?

Mulder abre a porta.

SCULLY: - Vou levar as amostras ao FBI. Vou tentar falar com o Skinner pra ver se temos condições de obter um mandado.

MULDER: - Tá.

Scully sai. Mulder vai pra cozinha. Fisionomia de preocupação.

FROHIKE: - O Skinner esteve aqui atrás de você, nervoso. Eu disse onde você estava. Recebeu seu e-mail?

MULDER: - Que e-mail? Não encontrei o Skinner.

FROHIKE: - ... Suspeitei disso. A culpa foi minha, eu disse onde vocês dois estavam. Se morressem, teria sido minha culpa.

MULDER: - Do que diabos está falando?

Frohike está desconfiado. Mulder percebe.

MULDER: - O que aconteceu?

Frohike pega uma folha de ofício que está sobre o balcão. Entrega pra Mulder. Mulder pega a folha e a folha cai no chão. Mulder fecha os olhos. Abre-os. Agacha-se e pega a folha com a outra mão.

FROHIKE: - Skinner esteve aqui por volta das 3 e meia. Isso chegou pra você às 2 da manhã. Anônimo.

Mulder lê o papel. Frohike o observa.

MULDER: - Não acredito nisso. É coisa do Fumacinha. O Skinner não trabalha pra ele e nem armou tudo pra nos ferrar... Embora aqueles caras nos atacaram bem depois que o Skinner esteve aqui... Não, isso é absurdo. Confio no Skinner.

Frohike serve duas xícaras de café. Olha pra Mulder.

FROHIKE: - Sei o que está pensando. Talvez estejam querendo tirar o Skinner do caminho. Colocá-lo contra vocês... Café?

MULDER: - Acho que preferia um chá da Meg.

FROHIKE: - Meg? Tá sério, hein, Mulder?

MULDER: - Acho que me pegaram... (SUSPIRA)

Frohike entrega a xícara pra Mulder. Mulder a pega com a mão direita e deixa resvalar da mão. A xícara se espatifa no chão. Frohike olha pra Mulder. Mulder olha pra Frohike com os olhos cheios de lágrimas.

MULDER: - Minha carreira terminou.

Mulder sai da cozinha. Frohike fica sem entender nada. Só escuta o barulho da porta do quarto batendo.


FBI – Gabinete do Diretor Assistente – 8:01 A.M.

Scully olha pra Skinner. Skinner está furioso.

SKINNER:- Vocês dois estão afastados! Querem outro inquérito? Estão pedindo para serem expulsos?

SCULLY: - Senhor, há alguma coisa por lá e não estou pedindo que nos coloque no caso! Estou pedindo que verifique a nossa informação.

SKINNER: - Pedido negado.

SCULLY: - (INCRÉDULA) Como assim?

SKINNER: - Estão perdendo tempo.

SCULLY: - Perdendo tempo?

Scully perde a compostura.

SCULLY: - Não pode falar assim comigo! Eu e Mulder não fomos até lá brincar de detetives! Eles estão adulterando vegetais! Estão colocando aquela coisa na alimentação dos americanos e você me vem com essas besteiras burocráticas?

Skinner olha pra Scully, surpreso. Scully dá voltas pela sala, irritada.

SKINNER: - O FBI já está investigando.

SCULLY: - Aqueles sujeitos não eram do FBI!

SKINNER: - Não. Mas já estamos investigando.

SCULLY: - Investigando... Enquanto ficam aí academicamente buscando detalhes, ele continua solto, fazendo o que quer com as pessoas!

SKINNER: - Scully, me escute.

SCULLY: - (GRITA) Não! Você é quem vai me escutar, Skinner. Chega de perder tempo com suas burocracias! Se eu não tiver um mandado em minhas mãos em menos de uma hora, vou entrar lá da maneira que me for mais conveniente!

Skinner levanta-se, irritado.

SKINNER: - Sabe que estão fora! Vai agir como o Mulder agora?

SCULLY: - Talvez o Mulder seja a única pessoa lúcida por aqui.

Scully sai batendo a porta. Skinner pega o telefone.

SKINNER: - ... É o diretor assistente. A agente Dana Scully e o agente Fox Mulder estão suspensos. Não os deixe entrar no prédio... É uma ordem.

Skinner bate o telefone. Respira fundo. O Canceroso entra por uma porta, fumando um cigarro. Aproxima-se de Skinner, com ar debochado.

CANCEROSO: - Gosto de ver quando age com sensatez.

SKINNER: - Não me provoque. Não gostaria de me ver irritado.

CANCEROSO: - (TRAGANDO O CIGARRO) Você nunca fica irritado, Skinner. Homens como você nasceram para não questionar nada. Muito menos para ficarem irritados.

SKINNER: - (FURIOSO) Olha aqui, seu desgraçado! Escute bem o que vou dizer: Não fiz isso pra ajudá-lo, fiz isso porque quero evitar mais problemas aqui dentro.

CANCEROSO: - Está com medo de perder seu posto porque não consegue conter seus agentes?

SKINNER: - Sabe que nem você pode me tirar daqui. Se pudesse, já o teria feito antes!

O Canceroso amassa o cigarro num cinzeiro. Olha para Skinner com deboche.

CANCEROSO: - Talvez não tenha o tirado porque é um fraco. E fracos sempre têm medo de reagir.

SKINNER: - Ela vai conseguir um mandado. Com ou sem minha ajuda.

CANCEROSO: - Se passar por sua autoridade, sabe que vai ter de expulsá-la.

SKINNER: - ...

CANCEROSO: - Se der a permissão, sabe o que farei com você. E com ela.

SKINNER: - (RAIVA) Acha mesmo que mandando a Scully embora do FBI vai conseguir o que quer? Você é um oportunista! Armou pra que eles fossem até aquele lugar. Sabe que ela vai conseguir provas.

CANCEROSO: - Ela já as tem. Quer dizer, tinha, mas ainda não sabe disso.

SKINNER: - ... Eu não entendo você! Mulder é o problema, não a Scully! A Scully questiona, sempre prova que Mulder está errado!

CANCEROSO: - Ela agora veste o pijama de Mulder. Portanto, veste a causa dele. Está começando a investigar e questionar coisas que sua ciência antes condenava. Está se tornando meu calcanhar de Aquiles. Não preciso da ciência contra mim. O jogo está invertendo. É contra Mulder que ela deve buscar provas, não a favor dele.

SKINNER: - Você acha que pode tudo, não?

CANCEROSO: - Coloque um anúncio no jornal, Skinner. Vai ter que contratar outra agente.

O Canceroso dá as costas. Skinner coloca a mão em seu ombro. O Canceroso vira-se. Skinner olha pra ele ameaçador.

SKINNER: - Faça o que quiser. Ninguém vai tirar a agente Scully daqui. Não vou assinar a demissão dela.

CANCEROSO: - (DESAFIADOR) Tem certeza disso?

SKINNER: - Não tenho medo de você. Agora saia da minha sala. Recebo ordens do diretor, não suas. Já te mandei caçar sapos uma vez. Estou mandando de novo.

O Canceroso sorri debochado.

CANCEROSO: - Se não me ajudar, vou tentar outros métodos.

SKINNER: - Se tentar outros métodos, pode se arrepender.

CANCEROSO: - Está me ameaçando, senhor Skinner?

SKINNER: - Não. Estou avisando.

O Canceroso sai da sala. Acende um cigarro tranquilamente. Skinner suspira. Fecha os olhos.


Fazenda Modelo do Estado da Virgínia – 11:46 P.M.

[Som: Black Crowes – Hard to Handle]

Mulder desce do carro, que deixou estacionado no acostamento. Carrega na mão esquerda um alicate e no ombro, um rolo de corda. Aproxima-se da cerca. Corta-a. Mulder entra. Esquiva-se por entre a lavoura de trigo, em direção ao silo.


Apartamento de Mulder – 11:49 P.M.

Scully fala ao celular, caminhando de um lado pra outro na sala.

SCULLY: - (INCRÉDULA) Como assim, ‘sumiram’? ... Como evidências criminais podem sumir do laboratório do FBI? ... Não, eu quero falar agora com seu superior... (GRITA) Não me interessa, eu quero saber pra onde foram aquelas provas!

Frohike olha pra Scully, sentado no sofá.

SCULLY: - ... Eu aguardo.

Scully vira-se pra Frohike.

SCULLY: - Achou o Mulder?

FROHIKE: - Não. O celular está desligado.

Scully suspira.

SCULLY: - ... Frohike, eu não sei o que está acontecen... (VOLTA A ATENÇÃO PARA O CELULAR) Sim, aqui é a agente Dana Scully. Pedi prioridade um neste caso... Sim, estou afastada temporariamente, mas...

Scully aguarda. Está tensa.

SCULLY: - Alô? ... Senhor? Por que transferiram a ligação para o senhor? ... Não, eu não sei onde está o Mulder. Estou preocupada agora é com as provas que retirei e... Não, eu não vou me afastar do caso! Já discutimos isso, Skinner e...

Scully escuta Skinner sem dizer uma palavra.

SCULLY: - Sim, senhor... Estou indo.

Scully desliga o celular e o guarda no bolso.

SCULLY: - Frohike, preciso que encontre o Mulder.

FROHIKE: - Onde vai?

SCULLY: - Falar com o Skinner.

FROHIKE: - Scully... Tenha cuidado. Não sei se deve confiar nele.

SCULLY: - Como assim?

FROHIKE: - Mulder recebeu um e-mail anônimo, dizendo que o Skinner havia mandado dois agentes do FBI atrás de vocês. Com péssimas intenções.

Scully sai às pressas.


BLOCO 4:

Fazenda Modelo do Estado da Virgínia – 12:17 A.M.

[Som: Black Crowes – Hard to Handle]

Mulder aproxima-se do silo. Percebe um movimento de homens vestindo trajes de descontaminação. Mulder fica agachado entre o trigo, observando a operação toda.

[Corta para um caminhão tanque, conectado por uma mangueira até o silo. Estão transportando alguma coisa e encobrindo evidências.]

Corta pra Mulder, que observa tudo.


FBI – 12:23 A.M.

Skinner sai do prédio. Scully vem a seu encontro.

SCULLY: - O que está acontecendo? Por que precisa falar comigo fora do Bureau?

SKINNER: - Estão me obrigando a fazer coisas que não quero.

SCULLY: - Como assim?

Skinner a segura pelo braço. Olha para todos os lados. Solta-a. Os dois caminham pela calçada. Skinner está nervoso e Scully preocupada.

SCULLY: - Senhor, o que está acontecendo?

SKINNER: - Agente Scully, não faça mais perguntas. Preste atenção: Sim, estão contaminando os alimentos. Vegetais, leite em pó, carne, e sabe Deus o quê mais. Não deveria estar naquele brócolis. Foi armação.

SCULLY: - Como assim?

SKINNER: - Alguém sabe onde seus amigos costumam comprar coisas. Na verdade, Langly levou o brócolis por que uma ‘inocente senhora’ o aconselhou.

SCULLY: - Mas se estão contaminando tudo e...

SKINNER: - Não estão contaminando nada que fique no país. Nada com óleo negro. Estão contaminando produtos que servem como ajuda aos exilados de guerra, aos pobres dos países do terceiro mundo. Nem a ONU desconfia da procedência disso tudo. Faz parte das experiências deles. Querem ver as reações do organismo humano a determinadas substâncias.

SCULLY: - Como sabe tanto?

SKINNER: - Scully, eu sempre sei. O FBI sabe. A CIA ajuda. Estamos de mãos atadas. Mas não é sobre isso que quero falar. Me escute: Caia fora da investigação, desista.

SCULLY: - Como desistir? Senhor, acha justo que ofereçam ajuda aos pobres e enviem alimentos contaminados?

SKINNER: - Scully, isso não é a primeira vez que acontece e nem somos o único país a fazer isso! Ou pensa que as vacas doentes da Inglaterra foram incineradas? Pensa que gripes de frangos e pestes suínas são acaso da natureza? Eles precisam testar os efeitos! Precisam de cobaias! Se você prosseguir, vai cair fora.

SCULLY: - Está dizendo que vai me expulsar do FBI por má conduta? Por que não devo estar trabalhando porque estou afastada?

SKINNER: - Estou dizendo que querem usar sua compaixão pelas pessoas contra você!

Skinner pára na frente de seu carro.

SKINNER: - Scully, pegue o Mulder e volte para as ‘suas férias’. Ou não voltará mais.

SCULLY: - Não pode impedir isso?

SKINNER: - ... Não sei até quando. Estou correndo risco por ajudá-la, entendeu?

SCULLY: - ... Senhor, preciso impedir que isso continue! Eles infectarão gente com aquela coisa! Milhares de inocentes pagarão com suas vidas.

SKINNER: - E milhares de inocentes continuarão pagando se você sair do FBI. A intenção é afastá-la de Mulder. Acham que vocês já estão trabalhando juntos há muito tempo. Querem cortar o elo, entendeu? Colocar um novato em seu lugar. Mulder começará do zero! E sabe que não bastará viverem juntos pra provar a verdade. Ambos precisam do FBI pra isso.

SCULLY: - ...

SKINNER: - Scully, por favor. Me escute. Agora quem pede ajuda sou eu.

SCULLY: - ...

SKINNER: - Não vai fazer nada, eles já sumiram com as provas. Estão fazendo vocês dois de bobos. Vai arriscar sua carreira por isso? Por algo que já sumiu?

SCULLY: - ... Acho que tem razão, senhor. Perdemos agora, mas podemos reabrir o caso quando voltarmos ao FBI.

SKINNER: - Está sendo sensata, Scully. Agora suma da vista por mais algum tempo. Saia de Washington. Vá pra casa de seu irmão, vá viajar... Espere as coisas esfriarem por aqui.

Skinner abre a porta do carro. Scully percebe um volume no banco de trás, coberto por um pano. Mas disfarça.

SKINNER: - Quer carona?

SCULLY: - Não, estou de carro. Obrigada.

Scully caminha até seu carro, intrigada. Skinner a acompanha com os olhos, vigiando-a.

Scully entra em seu carro. Coloca o cinto. Liga o carro e parte.

Skinner entra em seu carro. Nervoso. Fecha a porta. Olha pro banco de trás. Respira fundo. Afrouxa a gravata.

Skinner olha pra ignição. Fecha os olhos. Toma coragem. Liga o carro. Um barulho estranho.

[Som de explosão]

Fade to black. (tela escura)

Fade up. (tela abre-se)

[A tela abre-se ao mesmo tempo em que sons de ambulâncias e sirenes de polícia são ouvidos.]

Policiais, agentes do esquadrão de bombas e agentes do FBI. Viaturas estacionadas. Imprensa. Agitação na frente do Bureau. Ao fundo, pedaços do carro de Skinner, espalhados pela rua. O pouco que restou intacto está carbonizado pela explosão. Close do corpo carbonizado, estendido no chão.


Fazenda Modelo do Estado da Virgínia - 1:31 A.M.

[Som: Black Crowes – Hard to Handle]

Mulder aproxima-se do silo. Olha pra cima. Vê uma saliência de metal. Mulder atira uma ponta da corda, que passa por sobre a saliência, e cai aos seus pés. Mulder segura-se na corda e a testa. Começa a subir, com dificuldades, forçando mais a mão esquerda.

Apartamento de Mulder – 1:46 A.M.

Langly, Byers e Frohike estão sentados no sofá, assistindo TV. Scully entra na sala, tira o blazer e o coloca no cabide.

SCULLY: - Que folga, hein?

Frohike olha pra Scully com tristeza. Scully ergue as sobrancelhas, estranhando. Olha pra TV. Vê o prédio do FBI. Fica estática, observando a imagem.

LU COSTA (OFF): - Agentes do FBI garantem que foi um atentado terrorista. Segundo informações, há o envolvimento de grupos radicais islâmicos, no incidente que resultou na morte do diretor assistente Walter Skinner.

Scully fecha os olhos. Sente o corpo amolecer.

LU COSTA (OFF): - De Washington, ao vivo, fala Lu Costa, para a S.C.I. News.

Scully pega o blazer e sai porta à fora, chorando.


Fazenda Modelo do Estado da Virgínia - 1:56 A.M.

Mulder desce por dentro de uma espécie de chaminé metálica para dentro do silo, segurando-se na corda e segurando com a boca, a lanterna acesa. Pára. Pega a lanterna e mira pra baixo. Vê um piso metálico. Mulder coloca a lanterna de volta na boca e continua descendo, até pisar no chão. Ilumina o lugar escuro com a lanterna. Percebe que é um laboratório. Há um enorme tanque, de onde sai um cano metálico para a superfície.

MULDER: - Filhos da mãe... Conspirando contra a minha salada!

Mulder anda pelo lugar. Observa tudo, em busca de provas.

[Barulho]

Mulder pára. Vira-se. Mira a lanterna. Tenta pegar a arma e não consegue. Procura com a lanterna.

Close do alienígena do Óleo Negro, já em fase adulta. Mulder arregala os olhos.

MULDER: - Droga!

O alienígena emite sons grotescos. Mulder sai correndo, tentando subir na corda. A mão direita não ajuda. Mulder põe a lanterna na boca e sobe com dificuldades. A criatura puxa a corda, tentando fazer com que Mulder caia. Mulder começa a suar, em desespero. Tenta subir.

MULDER: - Solta isso, seu feioso! Eu não vou ser seu jantar!

O alienígena continua sacudindo a corda, fazendo com que Mulder bata contra as paredes do silo. Mulder sente suas mãos escorregarem. Tenta segurar-se com a mão esquerda, mas a mão já não reage a tanto esforço.

MULDER: - Não, droga! ... Agora não! Não falhe agora!!!

Mulder cai no chão, batendo com a cabeça. Fica desmaiado.

A criatura aproxima-se para atacá-lo. Acerta um golpe com a mão, arrancando parte da camisa de Mulder, fazendo-o sangrar. De repente pára. Olha pra Mulder. O observa, analisa, cerrando os dentes. Fecha a boca e afasta-se.

Corta para o fundo da sala. A luz de uma lanterna aproxima-se. O garoto Gibson olha pra criatura. A criatura afasta-se de Mulder. Gibson aproxima-se. Olha pra Mulder. Olha pra criatura.

GIBSON: - Já tem a mim. Ele não serve mais. Deixe-o ir.


Academia do FBI – Quântico – Virgínia - 2:21 A.M.

Scully entra no necrotério. Olha para o corpo carbonizado. Lágrimas nos olhos. Um médico aproxima-se.

MÉDICO: - Agente Scully, acho melhor sair daqui.

SCULLY: - Não, eu quero fazer a autópsia.

MÉDICO: - ... Tem certeza?

Scully olha pra uma maca. Os pertences de Skinner estão ali. Scully contém as lágrimas.

SCULLY: - Eu tenho de fazer isso. Ele foi um grande amigo.

MÉDICO: - Posso ajudá-la.

SCULLY: - Vou me preparar.


Fazenda Modelo do Estado da Virgínia - 2:43 A.M.

Mulder acorda-se. Tenta situar-se no espaço. Levanta-se. Sai caminhando. Olha pro peito, está sangrando, camisa rasgada. Mulder caminha com dificuldades, tentando achar outra saída. Vê uma porta. Abre-a. Sai num laboratório. Há vários animais por ali, enjaulados. Macacos, frangos, porcos... Mulder põe a mão na cabeça. Atravessa o laboratório.


Academia do FBI – Quântico – Virgínia - 3:33 A.M.

Scully sai da sala de necropsia. Mulder está no corredor, olhando pra ela, incrédulo, com lágrimas. Scully, ao vê-lo com a camisa rasgada e sangrando, assusta-se.

SCULLY: - Mulder, o que houve com você?

MULDER: - (PERTURBADO) Nada. Scully, me diga que isso não é verdade.

SCULLY: - ... Mulder, precisamos ir embora.

Mulder abraça-se em Scully.

MULDER: - Eu vou matar o desgraçado que fez isso com o Skinner. Eu juro que vou matar...

Mulder olha pra Scully.

MULDER: - (DESESPERADO) Eles levaram todas as provas, Scully. Retiraram o óleo negro...

SCULLY: - (SERENA) Mulder, não importa.

Scully percebe que há um agente escutando-os no fundo do corredor.

SCULLY: - Tudo não passou de um plano pra me afastarem dos Arquivos X.

MULDER: - Como assim?

SCULLY: - O Skinner estava tentando me defender e... Ele deu a vida pra me salvar.

Mulder olha pra Scully. Abaixa a cabeça, chorando.

SCULLY: - Vem, Mulder, vamos cuidar desse seu ferimento.

Os dois saem do corredor. Scully aperta o botão do elevador. O agente continua observando-os. Scully olha-o com o rabo dos olhos. A porta do elevador abre-se. Os dois entram. Mulder está abatido, transtornado. Scully fecha a porta do elevador.

SCULLY: - Mulder, acho que vou viajar. Nos vemos quando voltarmos às atividades.

Mulder olha pra Scully, incrédulo.

SCULLY: - Estamos suspensos, Mulder.

MULDER: - Scully, eu não acredito! Perdemos um amigo! Vai deixar que eles...

SCULLY: - Mulder, nada morre. Apenas ascendemos ao ‘paraíso’.

Scully vira-se pra Mulder, segura um sorriso. Mulder desconfia. Scully vira-se pra porta novamente.

SCULLY: - O Skinner ficará pra sempre em nossa lembrança... Mulder, assistiu o jogo de futebol ontem? ‘Dois a zero’?

Mulder olha pra cima e vê uma câmera de vídeo. Entende a charada de Scully.

SCULLY: - Acho que seu time está ganhando, Mulder. Talvez termine a temporada em ótima colocação.

MULDER: - Com jogadores expertos, só tende a vencer.

SCULLY: - Agradeça ao técnico, Mulder. Sem ele, o time não existiria.

MULDER: - O técnico, Scully, é o mais idiota de todos. O goleiro é quem fez o último gol. Ele sempre fica atento na defesa.

SCULLY: - Graças ao preparo físico, Mulder. Agradeça sempre ao preparador físico do time. Só ele descobre quem está em condições médicas para jogar. O goleiro sabia disso.

MULDER: - O que o técnico vai fazer com aqueles três reservas idiotas que estão sentados no banco?

SCULLY: - Deixá-los lá, Mulder. O técnico é quem vai se retirar.

Os dois saem do elevador. Sérios.


Motel Providence – 4:44 A.M.

Mulder anda de um lado para outro no quarto. Scully, deitada na cama, está pensativa. Os dois nervosos, sem conseguir dormir.

MULDER: - O que vai ser agora? Eu estou uma pilha! O que o Skinner tramou dessa vez?

SCULLY: - Mulder, vamos parar de pensar nisso. Não quero mais pensar... Esqueça o Skinner. Ele está bem. Não sei o que está planejando...

MULDER: - Talvez achou uma solução pra pular fora enquanto tinha tempo. Mas o que aquele corpo fazia dentro do carro?

SCULLY: - Eu vi alguma coisa coberta no banco de trás, mas eu não quis perguntar. Foi óbvio, ele armou tudo.

MULDER: - Procurou a identificação do homem nos arquivos?

SCULLY: - Não encontrei nada. Ele não existe.

MULDER: - Deve ser um dos amigos do Fumacinha.

SCULLY: - Não sei de nada. Assinei a autópsia como Walter Skinner. Aposto que ele sabia que eu ia descobrir a verdade. Tenho certeza de que Skinner contava comigo para encobrir sua morte.

MULDER: - Quero ver o que nos aguarda. Aposto que vão nos subordinar ao Kersh. Talvez voltemos a investigar estrume. Com sorte nos mandam escovar os banheiros.

Scully olha pra Mulder, franzindo a testa.

SCULLY: - Mulder, não diga isso nem brincando!

MULDER: - Scully, então me explique o que o Skinner está fazendo! Por que nos deixou agora que mais precisamos dele?

SCULLY: - Como vou saber o que se passa na cabeça do Skinner, Mulder? Ele me disse que tudo era um plano pra nos atrair e usar minha insubordinação para me tirar do FBI. Ele nem falou que fosse dos Arquivos X! Foi do FBI!

MULDER: - Tá. E por que não usar a minha insubordinação? Também estou afastado e não deveria estar ali.

SCULLY: - Acha que o Skinner mentiu?

MULDER: - Não. Confio no Skinner. Acho que tem alguma coisa por aí, Scully... Minha intuição tá começando a coçar...

SCULLY: - Posso falar minha teoria?

MULDER: - ...

SCULLY: - Mulder, você, mais do que ninguém sabe que está nos Arquivos X porque aquele homem quer. Ele precisa de você. Não sei porque nem como, nem o que planeja, mas deve haver um motivo. Mas eu? Se começar a atrapalhar, ele me põe pra fora!

MULDER: - Scully, já se esqueceu que eu também já fui posto pra fora?

SCULLY: - Mulder, como pode saber se isso não era só pra ganhar tempo, pra encobrir a verdade? Como pode saber se cada vez que eles tem um plano muito importante, precisam tirar você de circulação e depois o colocam de volta, no mesmo lugar do tabuleiro?

MULDER: - ... Scully... Não havia pensado nisso. Acha que essa suspensão, por exemplo, é pra me afastar de alguma nova operação que estão tramando?

SCULLY: - ...

Mulder senta-se na cama. Apóia a cabeça nas mãos, apoiadas sobre os joelhos.

MULDER: - Scully, eu sei porque ele quer tirar você do FBI.

SCULLY: - Também sei. Ele percebeu que estou usando provas científicas a seu favor...

MULDER: - Não, Scully. Tem outro motivo que eu não queria te falar.

Scully senta-se na cama.

SCULLY: - Que motivo, Mulder?

MULDER: - Eu o enganei, Scully. E dessa vez foi sem querer. E sabe que toda a vez que eu o engano, logo vem a conta.

SCULLY: - Mulder, do que está falando?

MULDER: - Scully, isso é tudo o que precisa saber. Por favor, não vou dizer mais nada.

Scully levanta-se da cama, num semblante nervoso e ao mesmo tempo de indignação.

SCULLY: - Eu não acredito! Mulder, o que está me escondendo? Tentou atirar nele de novo? O que fez dessa vez?

MULDER: - ...

Scully olha pra Mulder, tentando entender.

SCULLY: - Mulder, estou fora de mim! O que fez? Eu não tenho dito pra você que não deve mais buscar vingança com suas próprias mãos?

Mulder levanta-se.

MULDER: - Scully, eu impedi que uma coisa muito ruim acontecesse naquele chalé no Maine. Foi um aviso, uma premonição, sei lá, mas o fato é que eu impedi. E, mesmo que você fique furiosa comigo, eu não vou te dizer o que foi. Porque eu te amo. E não quero que você sofra.

SCULLY: - Mulder... Tem alguma coisa a ver com meu implante?

MULDER: - ... (ANGUSTIADO)

SCULLY: - (FURIOSA) Mulder!

MULDER: - ...

Scully senta-se na cama. Mulder está triste e desatinado.

SCULLY: - Mulder...

MULDER: - Scully, por favor. Eu só quis poupar você. Se contar isso, não vou conseguir meu intento. Ele terá ganho. Digamos que ele ia matar você, Scully. Ele ia te destruir.

SCULLY: - ... ???

Mulder ajoelha-se, ficando entre as pernas dela. Abraça-se na cintura de Scully.

MULDER: - Scully, esqueça tudo. Acredite em mim. Se escondo isso é porque não quero que fique magoada.

SCULLY: - ... (FECHA OS OLHOS)

MULDER: - ... Scully...

SCULLY: - (SUSPIRA) Mulder, o que você fez, seja lá o que for, pode ter conseqüências mais sérias?

MULDER: - Não, Scully. Isso deve tê-lo deixado louco. Mas o que me preocupa é que ele quer você fora. Isso é o que me preocupa.

SCULLY: - ...

MULDER: - Portanto, deixe as insubordinações pra mim, entendeu? Não dê motivo algum pra eles. Só te peço uma coisa: Me deixa ser o pilar dessa vez. Por favor...

SCULLY: - ... (OLHA PRA ELE, SEGURANDO AS LÁGRIMAS, COMOVIDA)

MULDER: - Estou aprendendo a jogar, Scully. Agora eles têm um adversário à altura. Eu vou mexer as peças e vamos terminar isso em cheque mate. Acredite em mim.

Mulder levanta-se. Scully continua sentada na cama, preocupada. Mulder deita-se.

MULDER: - Vem aqui. Você precisa dormir um pouco.

SCULLY: - ... Não consigo.

MULDER: - Eu te faço dormir.

SCULLY: - (SORRI ENTRE LÁGRIMAS) E quem faz você dormir?

MULDER: - Estou com sono. Se você fechar os olhos, vou dormir também.

Scully deita-se nos braços de Mulder, sorrindo. Mulder a cobre com o edredom, carinhosamente. Scully olha pra Mulder. Ele fecha os olhos. Ela aconchega-se em seus braços, beija-lhe o ombro e fecha os olhos também. Consegue relaxar, sentir-se segura nos braços dele.

Mas Mulder abre os olhos, fica com o olhar perdido e pensativo. Agora a preocupação é dele.

Fade out.

X

26/04/2000

17 de Junho de 2019 às 23:46 0 Denunciar Insira 0
Fim

Conheça o autor

Lara One As fanfics da One são escritas em forma de roteiro adaptado, em episódios e dispostas por temporadas, como uma série de verdade. Uma alternativa shipper à mitologia da série de televisão Arquivo X.

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