A Única Exceção Seguir história

um_member7890 No.Edia

Emilie Linsey é a única filha de Ahura Linsey e a coisa mais dificil em sua vida foi deixar o velho pai para trás. Em sua cabeça havia uma ideia clara de que pessoas como ela não amavam e isso só se confirmou ao longo de seus 18 anos, ela só não esperava que isso pudesse mudar radicalmente ao conhecer o milionário herdeiro dos Rampley: Isaac


Romance Suspense romântico Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#romance-de-época #história-de-época
0
3.5mil VISUALIZAÇÕES
Em progresso - Novo capítulo Todas as Quintas-feiras
tempo de leitura
AA Compartilhar

Prólogo

Genevive estava em frente a sua enorme penteadeira, os frascos de vidro com perfumes e fragrâncias exóticas brilhavam na luz dourada que entrava pela janela. O espelho refletia seu colo branco feito mármore e os olhos azuis brilhantes que encantavam multidões. Genevive possui 40 anos, porém sua pele permanecia impecável.

Ela estaria se sentindo magnífica naquele dia, se não fosse um pequeno detalhe.

Naquela semana ela havia ido a uma feira com a cunhada e os dois remelentos: Isaac, o grande pequeno herdeiro da fortuna da família e seu filho Eric, um garoto de 4 anos carente, sem personalidade e violento.

Era uma feira com alguns brinquedos, algumas barraquinhas de comida e tendas de pessoas que prometiam ler seu passado e seu futuro. Aquele não era o tipo e lugar que Genevive frequentava, nunca foi. Não que ela não acreditasse em previsões. Ela acreditava até demais e por isso preferia se manter longe dessas pessoas, afinal haviam coisas no passado que era melhor não desencavar.

Por isso ela não tinha muita noção de como fora parar nas mãos de uma cigana de longos cabelos negros e olhos claros. Elas estavam no meio do parque quando o a mulher mais jovem disse que tinha uma mensagem para ela. A loira falou que não tinha tempo e nem vontade de ouvir as bobajadas do mundo espiritual, mas então a garota lhe agarrou as mãos e encarou os olhos da mulher.

— Você os escuta, não é? — perguntou mais nova com os olhos faiscando — Eles sabem o que você quer e não estão felizes.

A loira tentou arrancar as mãos das mãos da menina, mas ela era mais forte do que parecia e seus dedos apertaram a mão da mulher, impedindo que ela se afastasse. O corpo delicado se retesou, os músculos tão tensos que chegavam a doer.

— Eu não sei do que você está falando, querida — ela lutava para manter o pavor afastado de sua voz, mas aqueles olhos pareciam enxergar através da sua alma, por trás de sua pele e no âmago de seu ser e enxergar seu medo.

— Não é sobre eles que eu tenho que lhe falar — Genevive não respondeu, apenas ajeitou os ombros, tentando em vão relaxar os músculos e então encarou a garota de cima para baixo, tentando demonstrar alguma superioridade — É um aviso — a garota fez uma pausa, esperando que a loira falasse qualquer coisa, mas ela se manteve em silencio — Ela está voltando, você sabe que tentou deixa-la no passado, mas seus caminhos vão continuar se entrelaçando, até o fim da vida.

Genevive sorriu, um sorriso falso que erguia apenas um lado do rosto e não enrugava a pele ao redor de seus olhos, mas passava todo o desprezo que sentia por aquela garota e pelas mãos dela sobre seu corpo imaculado. Seu desprezo foi acentuado pela forma como os dedos delicados apertaram o punho fino que fez os dedos se abrirem em reflexo a dor.

— Eu não sei do que você está falando — os dedos adormeceram e formigaram com as veias ainda presas sob o dedão da mulher que sorria mostrando os dentes brancos sob os lábios vermelhos, como se não fizesse força — E eu recomendo que se mantenha longe de mim e da minha família com essa história, sim? — ela piscou os grandes e brilhantes olhos azuis sob os cílios perfeitamente alongados e engrossados pelo rimel negro — Obrigada, querida!

Ela seguiu desfilando, com os sapatos de salto fazendo seu barulho característico e deixando a jovem com a mão boa apertando o punho, que agora exibia grandes vergões vermelhos onde os dedos da madama estiveram, mas ela não desistiria tão fácil.

— Ela não vai reconhecer você, mas você irá saber quando ver a pele queimada de sol e os cabelos negros e então irá se lembrar de minhas palavras.

~~AUE~~

A chuva lá fora tinha um tom cadenciado que era perfeito para embalar o pequeno embrulho de tecido, deitado não muito longe da mulher. Aquela criança mal tinha 7 meses e era a coisa mais linda que Genevive já havia visto em sua vida com os cabelinhos finos e claros no topo da cabeça. Emilie era o nome que o pai havia dado, Emilie era nome de mulher no lugar de onde Genevive viera, mas na terra de seu marido era um nome comum para homens. Ela não discutiu.

Seu marido desejara que muito que fosse um menino e ficara realmente chateado quando a menina, mas não surtara e nem nada, apenas decidira que ela seria criada como um garoto. Gene não concordava com isso, mas não era esse o motivo do porque ela estava fazendo o que fazia naquele momento.

Ela terminou de assinar seu nome e então, com um pano seco começou a pressionar o papel para secar a tinta negra. Ela dobrou com cuidado o papel engomado, os dedos finos tremendo ao passar pelas marcações no papel, mas não chorava enquanto fazia aquilo, havia aprendido muito em todos os seus anos de vida, por mais que não aparentasse ter tantos.

A menina ergueu os bracinhos quando viu a mãe se aproximar. Ela queria colo e talvez um pouco de leite, mas não era isso que Genevive daria à filha naquele momento.

A carta ficou alojada no decote do vestido e então ela tomou a menina em seus braços e brincou um pouco com a pequena. Esfregando o nariz contra o dela que ria com carinho e felicidade, era o sorriso mais lindo do mundo, mas não poderia se deixar levar por todo aquele carinho.

— Eu amo você, Emilie — ele sussurrou aos ouvidos do bebezinho que agora brincava com a estola de peles em seus ombros — Eu amo tanto você, minha filha.

Ela devolveu o bebê ao berço e então aninhou a carta junto as mãozinhas pequena, em meio as mantas claras da menina que ainda sorria e então beijou a testa pequena, bem entre os olhos, segurando a mãozinha com o indicador e então o soltou devagar, puxando um capuz negro sobre os cabelos loiros antes de sumir na noite, deixando para trás uma casa simples que nunca serviria para ela, com o homem que mais amara, sua filha e uma carta de adeus.

Naquela carta, a letra cursiva e elegante de Genevive trazia uma mensagem ao seu marido, um homem no alto de seus 30 anos e com os cabelos brancos raiando entre os fios negros.

A mensagem era um adeus, no qual ela pedia que a família ficasse bem e não se preocupasse com ela. Genevive era uma mulher talhada para o luxo e o melhor que o mundo poderia lhe oferecer e por mais que fosse dificil desistir de tudo que mais amava, ela tinha um sonho maior e sacrificaria tudo o que fosse preciso para alcançar suas metas ambiciosas.

Ela olhou uma última vez para a casinha de madeira, sem forro, onde a menina começara a chorar.

14 de Junho de 2019 às 17:19 0 Denunciar Insira 0
Continua… Novo capítulo Todas as Quintas-feiras.

Conheça o autor

Comentar algo

Publique!
Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a dizer alguma coisa!
~