Receios do Amor Seguir história

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Juzo estava sentado naquele banco da praça com flores para seu amado, junto de pensamentos conflitantes e a esperança de uma reciprocidade no amor. Quando o assunto era Midoriya sua cabeça se enchia de mil pensamentos que o deixavam bastante confuso, mas a certeza de que amava seu amigo era clara.


Fanfiction Anime/Mangá Todo o público.

#bnha #JuzoeMidoriya #yaoi #midoriya #Juzo
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Meu amor...

Meus olhos estão focados no buquê em meu colo, mas eu realmente não estou pensando naquelas flores ou no quanto eram bonitas de uma forma melancólica, e sim no destinatário dela; no homem que as receberia e ficaria com as bochechas vermelhas e agradeceria de forma envergonhada. E nisso, eu me perguntava mentalmente se ele apenas ficou envergonhado por receber flores de outro homem, em um claro flerte, ou se havia algo a mais ali, nas entrelinhas, uma possível chance dos sentimentos serem mútuos, não somente de minha parte. Minha mente me levava longe, em vários futuros incertos e fantasiosos, me distrair era fácil quando se tratava de Midoriya Izuku, o amor mais incerto que já tive em toda minha vida.


De certa forma a insegurança sempre me fez companhia enquanto eu crescia, seja na infância, adolescência e agora na vida adulta. A aparência disforme da minha boca nunca foi algo agradável. Me olhar no espelho desde os oito anos de idade e perceber que os olhares curiosos e de nojo direcionados a mim seria algo que eu teria de suportar a vida toda não foi fácil. As idas ao psicólogo ajudaram um pouco e o carinho de meus familiares também, porém, ainda assim, era extremamente doloroso ser excluído pelas pessoas na sociedade apenas por uma diferença na aparência, algo fora dos padrões que eles estavam acostumados. Toda a minha vida até o momento tem sido um duro trajeto, com altos e muitos baixos, mas eu sobrevivi a cada comentário maldoso, olhar de desprezo e brincadeiras pejorativas referentes a minha aparência. No final, venci, não para provar nada a ninguém, mas sim, a mim mesmo. Para derrubar a ideia ridícula de incapacidade que uma sociedade preconceituosa plantou em minha mente.


Pareço uma pessoa super confiante, não é mesmo? Mas toda essa auto confiança foi abalada pelo rapaz de cabelos verdes a quem darei o buquê de flores. Não levem a mal o rapaz, mas é que como todo apaixonado, as dúvidas e temores são muitos para um raciocínio lógico e o pensamento de uma rejeição me deixa para baixo por dias. Quero fazer Midoriya gostar de mim da mesma forma que gosto dele, mas para esse fim, preciso de determinação e coragem, tais que são anulados pelas minhas inseguranças relacionadas a minha aparência.


Sou uma bagunça de sentimentos e medos tão grande que às vezes me perco, sem saber qual rumo seguir. Minhas mãos agora apertam o buquê com uma força exagerada e o suor frio escorre pela minha testa e pescoço. Estou ficando ansioso e nervoso apenas com divagações.


— Juzo! — Escuto meu nome ser chamado e reconhecendo o dono da voz, levanto e me viro na direção que suponho ser a certa, e era.


Midoriya acenou sorrindo ao ver que o encontrei na multidão de transeuntes na praça, sempre simpático. Usava terno com a gravata afrouxada, o que significava que acabara de sair de seu estágio de advocacia ao meu encontro. Quando já estava perto o suficiente para eu poder sentir seu perfume, estendi em sua direção o buquê; sua face calma se mostrou surpresa, e depois de rápidos minutos parecendo assimilar a situação, ele o pegou de minhas mãos com as bochechas coradas.


— Obrigado, Juzo! Sempre atencioso, hein.


Nós sentamos no banco que antes eu ocupava e não precisei ser um gênio para perceber que Izuku estava um pouco sem jeito. A ideia de que lhe trazer flores foi um pouco demais, me deixou ainda mais nervoso.


— Talvez um buquê não fora uma boa ideia, né... — comentei.


— Não... Sim! Quero dizer, ahn… — Ele se enrolou com suas palavras e eu temi o que viria a seguir. Talvez estivesse pensando em uma maneira cordial de rejeitar minha investida. — Eu adorei as flores, é isso. Não foi uma má ideia, ok?


Sorri aliviado e fui correspondido por Midoriya. Não queria ter falsas esperanças, mas talvez essa fosse real e verdadeira. Ou não. Meu amigo de cabelos esverdeados peculiares, um ano mais novo do que eu, sempre foi muito gentil, desde à Faculdade de Direito, onde nos conhecemos. Foi ele a primeira pessoa fora do meu círculo familiar em anos que se aproximou de mim. Nunca fez comentários maldosos sobre a minha aparência, e sempre ajudou a me reerguer quando eu mesmo desistia, foi como uma luz no meio de tanta escuridão. Eu sou muito grato por isso, por ter uma pessoa maravilhosa como Izuku na minha vida. E é por isso, por saber como aquele rapaz era maravilhoso e incapaz de machucar alguém de graça, que as dúvidas massacrantes sobre se era real ou não, aquela pequena brecha que podia me dar esperanças de ser amado, me fazia incapaz de decidir o próximo passo.


— Ei, estou falando com você. Estava no mundo da lua?


— Desculpe, Midoriya, eu me distrai. Mas o que dizia mesmo?


— Bem, estava te chamando para a gente ir comer algo. Eu estou faminto!


— Vamos! Conheço um restaurante ótimo bem perto daqui.


Nos levantamos ao mesmo tempo e lado a lado caminhamos até nossos carros. Durante o breve trajeto, fui pego de surpresa ao sentir os dedos de Midoriya que se esbarraram suavemente sobre os meus até que os envolvesse em um aperto. Quando me dei conta, estávamos atravessando a rua de mãos dadas até a calçada.


— É só ir que eu vou te seguir no meu carro.


Soltou minha mão, e antes que eu pudesse assimilar qualquer coisa para dizer, fui mais uma vez pego desprevenido, e dessa vez por um encostar sublime dos lábios dele nos meus. Dessa vez era eu quem estava com as bochechas coradas.


— Não precisei te observar muito para notar seu nervosismo. O conheço bem, somos amigos de muito tempo afinal. Você não é nada bobo, soube interpretar bem essas minhas pequenas atitudes e eu as suas. Vamos só deixar rolar e ver no que vai dar, ok?


— Ok.


Concordar com Izuku foi a única coisa que consegui fazer no momento. Eu ainda estava em choque por tantas coisas que aconteceram juntas e tão de repente. Me dando as costas, meu amigo entrou em seu carro e no automático fiz o mesmo. Enquanto dirigia tentava me focar na estrada, não queria sofrer um acidente, mas era difícil, meus pensamentos teimam em me levar ao meu amado e no nosso pequeno momento de minutos atrás. O coração batia tão rápido que eu podia ouví-lo, minha felicidade era imensa e não a trocaria por nada.


Eu estava amando e tinha a grande chance de ser correspondido. Queria que esse dia nunca terminasse, queria poder torná-lo eterno, para reviver várias e várias vezes. Porém, meu desejo é inalcançável, então farei o melhor que eu puder para tornar este grande dia ainda mais inesquecível.



12 de Junho de 2019 às 09:08 0 Denunciar Insira 0
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