O conto de Sophia Seguir história

hyo_hime Daniela Machado

Ah, Sophia, ah, Sophia, Naquela época, duvido que sabia Que a história da sua pilharia Até nossos dias se contaria.


Poesia Romance Todo o público.

#pirata #poesia #yuri #lgbtq
Conto
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A Chama

Quase toda história que se conta

Sobre mulheres e moças

Faz-nos pensar na vida

Como um conto de fadas.


Porém, esta nossa Sophia,

Não era princesa, nem acreditava em fada.

Era apenas uma escrava forte

Que nada tinha de encantada.


Ah, Sophia, ah, Sophia,

Naquela época, duvido que sabia

Que a história da sua pilharia

Até nossos dias se contaria.


Sophia navegava no mar azul,

Com mais duas dúzias de guerreiras,

Empunhando espadas de norte a sul

E manchando o horizonte com velas vermelhas.


Ah, e quando os senhores viam aquelas velas…

Eles sabiam que a sua vida de prazeres

Nadaria com Sophia pelas águas

Pois, lá na popa do navio,

Sua espada ela empunhava

“Avante, leais companheiras”, gritava

“O ouro dos usurpadores por nós aguarda”.


Mas a grande fortuna que a mulher buscava

Não era o dinheiro, o ouro, nem queria se afamar

Ela invadia também as cozinhas e lavanderias

E falava às escravas,

As chamava para lutar,

Para nunca mais ter de, para um homem, se dobrar.


A proposta de ser livre era tentadora,

Mas a força da palavra

Que possuía a Sophia

Tinha também uma fraqueza:

Um sentimento de muita nobreza

Que a bela valente não entendia

A força do amor que as amarrava

E de cortar o mar as impedia.


Sophia não temia o amor

Ele não lhe era tentador

Dele, guardava rancor,

Por seu coração ter entregado

A um homem que não merecia

Algo de tamanho valor.


Com a promessa de uma vida dourada,

Sophia deixou sua bela morada

Para acompanhar aquele que amava.

Mas a decepção cortou-lhe

Quando viu que o calor do amor não lhe alcançava

Aquele que a todos amarrava

Para ela, não era nada.


Amargurou-se e sua amargura atingiu seu amor.

Ressentido e rancoroso,

Ele a vendeu para um mercador.


Trocada por ouro novamente,

Sophia foi vendida a um bordel

Onde homens vinham na surdina

Deixando suas esposas em casa

Sozinhas em suas camas de dossel.


Ela ouvia relatos das outras

Havia aquelas que gostavam

Comentavam

Comparavam

Mas não sentia queimar em si a energia

Perguntava-se o que havia de errado

Revoltava-se cada vez mais, a bela Sophia

Pois faziam, com seu corpo, coisas que ela não queria.


Em uma noite, no entanto,

Um homem a levou para um palácio

De um senhor de muitas esposas.

Ele era um homem grande e cruel

Que batia nas mulheres

E morreu, naquela noite mesmo,

Enforcado com o lençol.


Naquela noite ela descobria

A maior fraqueza do homem

E foi assim que começou

A luta de Sophia.


Chamou todas as 11 esposas

Que nem sequer hesitaram em lhe acompanhar

Pois Sophia não era a única

Que o velho quisera maltratar.


Seduziram os guardas

Deram vinho a eles todos

Pegaram suas espadas

E os cortaram como tolos.


Sophia era filha de marinheiro

Sabia como navegar

Assumiu o timão e o chapéu de três pontas

E pôs-se a liderar.


Com seus irmãos aprendera a se defender

Pois menina pobre crescia no mato

Sem aulas de etiqueta e bordado.

Ensinava agora suas companheiras

A lutarem com uma espada na mão atrás

E um rifle na dianteira.


Sophia crescia, é verdade,

Em força e poder

Mas sua mente, porém,

Esta lhe traía com sonhos e dores

De quem ela deixara de ser

E ainda se perguntava

Por que tamanho medo lhe apanhava

Quando o passado lhe assombrava.


Tinha medo e nem sabia do quê,

Não era dos homens, ela percebia,

Mas sim da indiferença

Que por eles sentia.


Foi então que aconteceu

Em uma noite de pilharia

A filha do senhor do castelo atacado

Com seus lindos cabelos de fogo

Seguiu a pirata Sophia.


Lysa* era seu nome

Disse que fugia do casamento arranjado,

Pois o castelo já fora antes saqueado

E todo o dinheiro havia sido levado.


Os lindos cabelos ruivos fascinavam Sophia

Assim como os lábios carnudos e rubros

Como as velas do barco em que vivia.


Passaram-se dias e dias

E Lysa também via, nos olhos âmbar de Sophia,

No bronze brilhante da pele macia

Algo que em si produzia

Alguma coisa que nunca sentira.


Quando apenas estarem juntas

Não foi mais o suficiente

Para aplacar o fogo ardente

Os lábios se tocaram

Os corpos se entrelaçaram

Os corações se encontraram.


E, à partir desse dia,

Nada mais assustou Sophia,

Pois foi no fogo dos cabelos de Lysa

Que ela descobriu a chama que em si se ardia.


(*Lysa: pronuncia-se "Laisa")

7 de Junho de 2019 às 19:09 0 Denunciar Insira 2
Fim

Conheça o autor

Daniela Machado Amo ler e sempre gostei de escrever (até na escola) então me interessei quase instantaneamente por fanfictions, o que me levou a querer escrever originais e hoje me dedico quase somente às últimas, mas ainda assim praticamente tudo o que eu escrevo é inspirado em músicas. Talvez pela minha paixão por histórias ou por gostar de ensinar, faço licenciatura em Língua Portuguesa. Amo Rock (e todos seus subgêneros) e Metal (e seus subgêneros).

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