Coração de Pedra Seguir história

marizelia-guedes1559813156 Marizelia Guedes

Hanna Valentina filha de Antero e Leonor Valentim, fazendeiros poderosos dessa região. Vila dos Pássaros um vilarejo cercado por inúmeras fazendas. conflitos familiares, intrigas e busca pelo poder, brigas conjugais marcam a infância e adolescência de Hanna, já excluída em seu nascimento por não ser um "Varão". aos 16 anos termina o 2ºgrau, e levada por algumas emoções adversas, perde o controle de seus atos, deixando se levar por todas as bebidas alcoólicas, e num impulso decide participar de um outro evento, a "Festa dos mascarados ou Cavaleiros sem faces", e nessa empolgação se envolve com uma pessoa em suma, veio uma gravidez não planejada, daí seu pai praticamente a expulsa do povoado. 20 anos depois ela retorna, para a leitura do testamento deixado por seu pai, mas para sua surpresa, algumas imposições são colocadas para que de fato tenha o direito de herdar os bens. a primeira é que se case, e que o acordo dure 12 meses. suas convicções foram todas jogadas abaixo. mas cedeu, no seu pensamento apenas o Rancho valeria tanto sacrifício. lugar lindo, o preferido de sua saudosa mãe. por outro lado seu marido Murilo filho de Romero e Delourdes Bezerra , desfaz de seus propósitos para ajudar seu pai a salvar o patrimônio da família, jogo de interesses. e agora? como será?


Romance Romance adulto jovem Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#poder #brigas #medo # #sentimentos #confiança #desafetos
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O amor só existe para os outros

Capitulo I

Mágoas, ressentimentos, angústias e sofrimentos. Causas e razões para comportamentos adversos.

Sentimentos aflorados, pertinentes em vivências e convivências de existências. Não por acaso, em um mero acaso, mas um fato, dentro das coincidências possíveis ainda que em consequencias, venha me ferir, apontar-me o dedo, incrédulo por tudo aquilo que se passa, não será vítima, mas quem sabe, talvez um algoz dos seus próprios quereres? As possíveis mudanças interiores, surgem por exaustão das pancadas recebidas das escolhas erradas, com isso a certeza é parecer uma redoma, sem luz, opaca, fria e seca. Pois nada apagaria todo um passado marcado por desavenças, conflitos, intrigas, porfias e vinganças, e um segredo escondido na mais profunda escuridão que uma pessoa pode estar. Isso é um fato, na vida segue se em frente, mesmo com uma âncora amarrada em si mesmo.

Nas lamúrias do existir, fracassos escondidos dentro das próprias mentiras, e as consequências mostrando lhes todas as verdades. Sem rumo, no perdido instante que tenta impor imaturas sabedorias, de vontades impulsivas em desafios desconhecidos confrontando momentos aturdidos, pensando conhecer a vida de tal maneira que ao descobrir os não saberes cairão nas intimas armadilhas sentimentais, e esses te jogarão ao chão. E você segue em frente levando seus sentimentos adquiridos em reação a cada fase vivida de sua vida em ações de terceiros.

As palavras desconhecem o permitir, mas aguçam as teimosias, “como tiro e queda” e “água mole em pedra dura tanto bate até fura”, e foi assim, traçado e escrito o primeiro capítulo de esta em um céu e descer ao inferno em um resumo de uma página só.

Imergida, sufocada por suas amarguras e sua realidade de viver todos os momentos deploráveis protagonizados pelo asqueroso pai em relação a sua Mãe.

Era quase noite, a pacata Vila dos Pássaros, lugar onde toda gente das redondezas se reuniam para contar causos e prosas de vida, tocar e ouvir modas de viola, fogueiras e churrascos em voltos a tradições locais, nesse dia, jovens haviam programado uma festa, seria a despedida para alguns que deixariam suas casas da fazenda para continuar os estudos na cidade grande. E como na maioria de suas organizações era proibido proibir, e a idiotice de ter a idade insolente e intransigente, pensando saber tudo, e tudo que fazia achavam estarem certos.

Corações bondosos, tradicionais e sonhadores filhos de fazendeiros que naquele instante gozavam de conquistas ainda inacabadas, o auge do “Querer é Poder”, do “Eu sei” onde os direitos afogam os deveres. As atitudes contradizem o certo, e as vontades explodem em desejos.

Tradições e gerações se misturavam, enquanto jovens curtiam músicas, dançavam, fumavam e bebiam como nunca, perto dali, acontecia a noite dos “Mascarados”, esses invadiam lugares deixando suas marcas, alguns com violências, outros com puro vandalismo, quebravam porteiras, incendiavam celeiros e amedrontavam com rojões e foguetes, e vez por outra, tiros de espingardas e rifles, assustando pessoas e animais. Eram o terror, muitos esperavam esse dia para resolverem questões pessoais, aproveitando se da brincadeira dessa noite cheia de mistérios e adrenalinas.

Havia na região, uma guerra entre duas famílias, os Valentins e os Bezerras, e correndo por fora os Valverdes, emergentes fazendeiros que queriam fazer parte desse meio.

Os Valentins tinham a posse de praticamente 40% do total das terras dessa região, sendo os maiores produtores de grãos, e criação de gado, suas inúmeras fazendas sustentavam praticamente quase todo estado em pareia com os Bezerras que também aproximavam de uma mesma quantidade, embora ambos passassem por crises de mercado ainda lideravam essa comercialização.

Ainda com algumas diferenças pessoais, guardavam em suas trajetórias uma parceria de anos, mas que havia sido desfeita e as duas famílias que eram açúcar e sal passaram a ser água e óleo. Com tudo, nesse meio conflito, ainda se dispuseram do bom senso, e selaram por um curto período um acordo de paz, por isso puderam reunir a todos nessa festa de despedida.

Alguns jovens não se misturavam a esses cavaleiros mascarados devido a má fama dos últimos anos, que tais prejuízos foram incalculáveis, mas outros permitiam se aventurar por sentirem vontade de experimentar tamanha ousadia. Nisso as máscaras ficavam escondidas, e muitos se ajuntavam aos mascarados em puro segredo, fazendo coisas que jamais fariam em ocasiões normais de rotina em suas vidas. Era como extravasar todas suas frustações e vontades, deixar se envolver pelo momento sem constrangimentos e arrependimentos posteriores.

Os Valentins viviam na fazenda Agua Branca, e dentro dessa fazenda tinha um Rancho, lugar garimpado pela natureza, sua beleza era exuberante onde passava um riacho, que no seu curto percurso escondia uma riqueza de enorme proporção. Para Leonor era o paraíso, já o possuía antes mesmo de se casar com Antero, homem frio e assustador, carrasco, temido por todos, suas vontades tinham que serem acatadas caso contrário quaisquer um sofreriam todas as consequências possíveis.

Sua personalidade forte similar as suas gerações passadas, onde herdara de seu pai todo rancor e falta de amor, toda ambição, um ser egoísta, e seu entendimento de valor era medido pelo dinheiro, pela força aquisitiva das pessoas. Mas, o destino foi capaz de puni-lo, não dando a ele o que mais desejava: um filho homem para apossar e gerir todos seus bens.

Quando se casou, nunca escondera tal objetivo, acreditava no homem, quem manda é o homem, somente o homem. Seus pensamentos de comportamentos machistas, predominavam, tudo tinha que girar a seu redor, e sua linda esposa era fiel e obediente a seus caprichos, deixando sua carreira de lado, vivendo somente para seu marido. Leonor era uma veterinária de respeito, conhecida em toda região, pelo seu profissionalismo e por sua beleza.

A submissão foi ganhando espaço, e logo engravidou, dando à luz a uma filha, a qual deu o nome de Hanna Valentina. Entretanto ainda que a amasse sem medida, tinha a frustração de não dar a seu marido o tão esperado filho “varão”. E conviver com tamanha rejeição a consumia sem precedências.

Foi uma gravidez conturbada, entre traições e provocações constantes de Antero, humilhações, e maus tratos, mas soube com sua paciência levar esse casamento até o seu limite, seu comportamento era de acato a todas as vontades, isso para proteger sua filha de possíveis atritos com o pai. Disfarçar, esconder, encobrir todas as faltas e as agressões verbais recebidas, com certos costumes virariam rotinas, mostrar sempre o lado positivo era o plano, mas nem sempre a solução se a vida não estava doce, pelo menos não a salgaria a ponto de perder tudo. Hanna como assim a chamava, teve uma infância mediana, regada a rigidez e imposições, à medida que crescia aprendia a cada instante observar e valorizar o que era oferecido por parte de sua mãe. Aprendera que amar, respeitar, fazia parte de um querer para ser recebido adiante. Nas atribulações que viviam seus pais, em comparação aos possíveis danos pode se dizer que saiu ilesa até seus 12 anos, após isso não continha mais em silencio o sentimento amordaçado pelo medo, pela insegurança, a cada olhar, cada gesto ou cada palavra dita pelo seu pai, estava pronta sua resposta na defesa ingênua que atribuía a sua mãe, uniram se contra as atrocidades feitas por aquele homem voraz.

A vontade de ter um herdeiro era eminente,mas por dentro sem comentários por vezes ficava satisfeito com a perspicácia de Hanna, percebia que havia nela um pouco da sua personalidade, embora jamais admitiria isso a alguém, via pela altivez de uma garota, amadurecida precocemente pela força da circunstancias, no fundo a admirava com enorme fervor. Sabia como ninguém interagir com as pessoas com as quais conviviam, aprendiam as coisas facilmente, e conhecia aquela fazenda como poucos peões, isso despertava no íntimo do coração de pedra um orgulho satisfatório, mas egoísta. Eram raros os poucos momentos que se deixava levar por sentimentos afetivos por aquela menina. Hanna se mostrava audaciosa, e cuidava do Rancho de uma forma intensa, foi se acostumando e adaptando se aquele lugar, em seus pensamentos era ali onde se refugiaria em suas horas tenebrosas, sendo esse lugar um remédio, o alivio necessário para não disparar seu ódio e perder o controle por completo de seus atos diante as palavras duras de seu pai.

E o tempo foi passando tudo se encaixavam no seu devido lugar,quatro anos mais tarde aos 16 anos virara de fato mulher em suas características esbelta medindo aproximadamente 1,70m, cabelos negros lisos e longos, traços perfeitos definiam seu rosto, seus olhos castanhos claros, causava impacto por onde passava, não tinha uma beleza única mas em todo seu conjunto, transbordava simpatia devido a sua maneira de ajudar na lida e participar ativamente do serviço junto com os peões, seu jeito simples e sua maturidade a destacava dos demais de sua idade. Enquanto outros jovens cobiçavam sair, procurar novos rumos, em seus pensamentos não tinha para onde ir pois já estava no lugar que pretendia estar e campear pela fazenda virou seu passeio preferido, sentir a brisa bater em seu rosto, cavalgando em sua égua malhada, sua cria de estima, ganhara quando tinha 10 anos, fora de fato o melhor presente recebido acertadamente feito pelo pai.

Suas lembranças estavam longe, mas um toque na porta a despertou, estava em frente ao espelho segurando uma corrente, essa é outra estima que ganhara de sua mãe, seu amuleto. Fechou sua mão apertando tal acessório, e uma lágrima caiu de seus olhos, aparando com seu polegar e de pronto já respondia a mãe, que clamava por uma resposta ao pé da porta.

_Já está pronta? Seu pai está nos esperando lá fora.

_Sim,

_Está tudo bem?

_(com um sorriso cerrado) sim minha mãe. nossa, (já admirava sua mãe) a senhora está belíssima...

_Você é que esta, e faz muito bem, pois a festa é sua espero que se divirta. E que seus dezesseis anos sejam inesquecíveis.

Pela primeira vez estou desejando fazer algo impulsivo, mas vou me conter, primeiro pelo medo de arrependimentos, depois por não fazer parte de mim.

_hoje é dia de diversão, por isso divirta se. Agora vamos, seu pai deve esta impaciente lá no carro.

_Mas a senhora está bem?

_Estou bem.

_ Está ok, vamos.

Saindo as duas abraçadas do quarto em direção ao encontro de Antero que já se encontrara dentro do carro.

A festa seria no celeiro da fazenda, tudo preparado para o evento, muitas pessoas já se encontravam no local, durante o caminho, poucas palavras e muitos olhares, uma ruga não saia da testa de Antero, isso chamou a atenção de Leonor, não reclamara do atraso, e por ter esperado pelas duas, seu semblante sério mas distante, por um instante imaginou que algo estava errado, no entanto apenas continuou observando as expressões que apareciam no rosto de seu marido. E quando chegaram, permaneceu no mesmo lugar, com um toque nas mãos de Leonor, disse firmemente.

_fique, preciso lhe falar.

uma expressão de surpresa estagnou Leonor. Virando se para sua filha e abriu lhe um sorriso

_pode ir filha, daqui a pouco iremos.

_tudo bem...

Voltando se para encarar o marido, foi franca e direta

_notei preocupação em você, aconteceu alguma coisa?

_ainda não, mas vai acontecer. Hoje é dia dos mascarados, reforcei toda

segurança, não quero ter prejuízos, a ordem que dei foi de atirarem.

_são so garotos.

_ vândalos. Mas não foi para isso que pedir que ficasse. A Hanna já esta bem crescida, gostaria que a convencesse a me ajudar na administração da fazenda, mas pra isso preciso que ela estude, que faça uma faculdade.

Incrédula ao ouvir as palavras do esposo, na verdade se perguntava porque tudo isso? Admitir que Hanna assumisse os negócios seria reconhecer a filha, aceitá-la por ser mulher, isso a deixou assustada, mas muito feliz.

_seria ótimo.

_ quero o melhor pra minha filha, embora não seja o homem da família, acredito que com um bom casamento ela possa levar adiante os negócios da família.

_casamento? Não entendi.

_vai entender, agora vamos.

Uma interrogação veio nos pensamentos de Leonor, não seria fácil convencer Hanna a mudar de curso, imagine falar de casamento, era uma missão quase impossível, suas pernas tremiam, como sempre, Antero se mostrara frio e machista, jamais entregaria sua filha seus bens, de certo seria um milagre tamanha façanha, aceitar Hanna em seus negócios... mas bem, precisava voltar a realidade, não queria e nem iria estragar essa noite, a festa seria perfeita, a despedida de uma fase, comemorações de conquistas, então respirou fundo e seguiu na companhia de seu marido.

Tudo estava dentro do esperado, famílias reunidas, pais e filhos se misturavam, depois dos discursos costumeiros, a festa começara, e o som foi pedido, em fim que divirtam se todos, regados a bebidas e comida. As pessoas se dividiam entre a fogueira e o celeiro, moda de viola e som ao vivo, em cada canto uma turma se formava em rodas de dança, ou conversa, Hanna se posicionava distante, estava ali, mas sufocada por um vazio imenso, imaginava seus 16 anos de uma outra maneira, passara praticamente um ano inteiro se esquivando de cantadas ridículas, e olhava cada um de seus colegas, e via neles apenas a vontade de sair daquele lugar não precisamente focados nas possíveis conquistas vindouras, era mais desespero de continuar nas fazendas. O medo da mesmice, do cotidiano da prisão que estavam.

Mesmo pensando em inúmeras possibilidades, e sem desmerecer aqueles que se aproximaram com intenção de namorá-la, no fundo uma barreira se formara devido a convivência fria entre seus pais, não tinha amor, não tinha paixão, na verdade não tinha respeito nem companheirismo. Ao seu redor, nenhum daqueles rapazes chegaria perto de fazer seu coração disparar, de certo tinha uma afeição por Juvêncio, o filho do adm. da fazenda que em seus valores éticos era perfeito, mas por valores econômicos seria descartado de imediato por seu pai. E também não se relacionaria se não tivesse realmente vontade. Tinha que ter no mínimo uma química um algo a mais, pelo menos para durar além de um dia. Era banal demais o que estava a imaginar, pois sempre se manteve afastada desse assunto, chegou a se sentir ridícula, seria carência? Vagava em pensamentos vãos, até ser cumprimentada por Henrique, o filho do banqueiro, esse teria todas as mulheres a seus pés, era o garanhão da redondeza, menos para a mística Hanna, isso o intrigava, despertava nele o desejo de conquista-la, sempre que a via em algum lugar fazia inúmeras tentativas, mas todas frustradas.

_mais uma vez, prazer imenso em revê-la. Hoje você se superou. Linda como sempre, radiante e bela como nunca. Teria a gentileza de satisfazer a vontade desse pobre homem que suplica por uma dança?

Sem brilho, um sorriso meio forçado surgiu dos lábios de Hanna, vontade mesmo não tinha, mas seria uma desfeita imensa, e também o vazio que se encontrava naquela festa era extravagante.

_espero que possa mesmo me acompanhar, porque essa música é a minha preferida.

_coincidência é a minha também, já a seguia sem tempo a perder. E ali estavam os dois no meio do celeiro, dançando aquela moda country, Hanna por um instante se deixou levar por aquele ritmo. E Henrique a acompanhava sem fazer feio...

O tempo foi passando, e algumas horas depois, Antero decide ir embora juntamente com Leonor, ao comunicar a filha que já estavam indo, um sussurro ao ouvido da mãe foi mencionado, com um beijo na testa o pedido foi aceito, iria ficar mais um pouco na festa, e voltou rapidamente para a pista. Num comentário sarcástico Antero mais uma vez solta uma de suas farpas

_se não fosse filho de quem é, seria um bom partido pra Hanna.

_enquanto continuar com essas picuinhas nenhum será bom suficiente para nossa filha.

_esse dai teria, se o pai firmasse contrato com nossos negócios.

_e os bezerras?

_traidores.

_não vou perder meu tempo com essa conversa.

Secamente deu a reposta de pronto sem retrucas, entraram no carro e seguiram na direção de sua casa.

Henrique não escondia seu desejo de cortejar Hanna, sabia que não havia reciprocidade, além de não haver interesse afetivo por parte dela ainda tinha as picuinhas entre os Valverdes e Valentins... nessa briga, o conflito foi as novações de contratos não aprovados pelo banco CV Carlos Valverde pai de Henrique. Isso dificultaria essa aproximação e aceitação de um possível relacionamento.

A noite foi passando, a maioria dos adultos já não se encontravam no local, a massa jovem tomava conta do ambiente, Hanna que não bebia, se atreveu, e o vinho já estava alterando seu comportamento, estava menos defensiva e mais alegre, mais afoita e menos ranzinza, queria mesmo se divertir, sem medo, e não descansava, saia da pista apenas pra pegar outra bebida ou tomar agua, ou vez por outra ir ao banheiro. Henrique já havia dispensado várias mulheres, sua atenção estava voltada apenas para Hanna, seria hoje a sua investida ate conseguir seu intento.

_eles vão aparecer.

_eles quem indagou Hanna já bastante leve.

_os mascarados, recebi uma mensagem agora, mas não se preocupe eu lhe protejo.

_eu sei cuidar de mim.

_eles já estão aqui, a qualquer momento vão invadir o celeiro... por isso não se afaste de mim ok?

_gostaria de fazer parte desse grupo participar da brincadeira. As pessoas falam que é muito legal...

_quer mesmo? Poderia vir comigo, tenho máscaras para nos dois.

_ Ótimo. Hoje eu quero fazer tudo diferente.

Seria realmente algo diferente, escutara sua mãe comentar sobre os seguranças que o pai contratou, não seria nada demais pensou Hanna já que estava dentro da sua própria fazenda, mal acabou de secar sua taça, já era oferecida outra, isso para não correr o risco de desistir dessa aventura.

_pronto não foi tão difícil, só eu vou saber quem é você, minha linda águia prateada. Fique perto de mim, quando eles chegarem devem atear fogo no celeiro, fique atenta, na hora certa vou pegar você e colocar na garupa do meu cavalo... e te salvo.

_ora, ora, combinado, se me agradar garanto retribuí-lo a altura. Mas como vou saber quem e você?

_ você vai saber. vai ser a melhor noite da sua vida.

_estou torcendo que seja.

Tudo planejado, apesar de ser uma brincadeira, muitas coisas aconteciam erradamente, pessoas se misturam aos mascarados para resolverem picuinhas, outros querem causar apenas danos, chegam até matar animais de grande porte abrir porteiras e soltar vacas que estão prontas para ordenhas assustam cães e gatos com fogos, bombas e rojões, e em maior extremo até disparam... com espingardas e rifles...

Ao outro extremo, um clarão vem se aproximando do celeiro, pisadas de cavalos dava para se ouvir, a poeira sobe ao fundo, pessoas tomadas de tochas de fogo, gritos e apitos... a madrugada será marcada por a noite dos mascarados, peões montados em seus cavalos como se fossem soldados em pé de guerra, avançam rumo a fazenda Agua Branca.

_são eles, rápido se preparem, vamos fazer barreiras, eles não podem passar.

O aviso foi dado, enquanto mascarados de fora vinham se apossar da festa os de casa tinham que defender seus territórios, o combate estava aberto. Proteger seus bens e garantir a segurança de suas namoradas seria um trabalho imenso, pois regras não existia.

Na fazenda Rio Preto, Paulo Bezerra, aguardava a chegada de seu filho, Murilo Rodrigo. Que todo ano vinha nessa data para participar da noite dos Mascarados, criado a regalias, festas e viagens, aprontar era seu divertimento.

Rapaz de boa aparência, cresceu sendo preparado para assumir toda herança de seu pai. De certos tempos vinha dando “murro em pontade faca” via nos interesses de seus pais, a contunuação de posições sociais, e luta diária de se manterem entre os mais produtivos e renomados fazendeiros dessa região. Mas até o momento sem notícias, nesses últimos dias tiveram uma forte discussão e isso abalou o relacionamento entre pai e filho. Apenas Delourdes sua esposa se encontrava na varanda despojada numa rede, completamente alcoolizada, suas frustrações e uma forte depressão a prendia nesse abismo, por inúmeras vezes já tentara contra sua própria vida. Seu casamento em decadência, os negócios não andam muito bem, duas de suas fazendas penhoradas, problemas de gestão afetaram os negócios, tudo isso contribuiu para as recaídas dela. A chegada do filho seria um consolo, mas esse ano parecia de fato a ausência dele. A espera seria em vão.

O fogo já estava aceso, pessoas corriam de um lado para outro com o intuito de se refugiarem, não queria de forma alguma ser vítima de alguns insolentes que se divertiam a troco de sofrimento alheio. Alguns, eram empurrados, outros eram levemente queimados com tições, a marca do fogo a marca dos Mascarados. Dentro do celeiro, estava Hanna, encostada próximo ao palco, um pouco tonta, mal dava dois passos, a fumaça já incomodava, ouviam gritos, de corram, agua, apaguem o fogo, apaguem o fogo... agua, agua... seus olhos embaçados, não conseguia ver nada, irritados com tanta fumaça, a única chance era achar a saída, na verdade não tinha saída, fecharam a porta... pessoas batiam na porta implorando para que abrissem, alguns mascarados, seguravam a porta, e muitos gritavam, vão pagar para sair? Se for mulher paga com beijo se for homem paga com dinheiro. E esse eco ressoava por todo canto, seus sentidos já distorcidos pela bebida, não sabia em qual direção seguir, foi tateando pelo entorno, ate que reconheceu o pilar onde colocava sua cela... pronto mesmo naquele escuro, apenas um clarão devido o fogo, sabia onde estava, mas a fumaça já cobria boa parte do recinto, estava difícil respirar... de repente reagiu com uma tosse, estava justamente no lugar que marcara com Henrique, e agora? Teria que aguardar ali? Arriscaria ficar a espera do seu cavaleiro? Quando mais uma vez se ouviu: se for pagar, mulher paga com beijo e se for homem paga com dinheiro. Mais uma crise de tosse, não tinha como ficar ali, quando ouviu o ranger da enorme porta, barulho conhecido por ela a distância, pois ouvia isso praticamente duas ou três vezes ao dia. Mesmo usando a máscara, seus olhos estavam irritados, tinha que dar um jeito de sair dali, e num gesto de desespero, gritou: _eu pago, eu pago... sem poder dar mais nenhum passo, suas pernas tremiam, o efeito do álcool, a deixara desprotegida... fragilizada, exagerara. Já não falava coisa com coisa, a única certeza precisaria sair, e sem parar continuou a gritar _eu pago, eu pago. Quando foi surpreendida com uma mão, em sua cintura, sentindo se levitar alçada e colocada em cima de um cavalo em fim estava com seu príncipe salvador. Em meio a correria pingos d`agua caia do céu como se fosse chuva e em marcha conseguiram sair do celeiro, dava para se ouvir barulhos de explosões, e pessoas falarem, _apaga o fogo, apaga o fogo...e ainda na escuridão, perto das trincheiras, foi puxada para baixo, ficando frente a frente com o seu cavaleiro. A respiração estava mais limpa, agora sem tosse, via se apenas o brilho das máscaras que cobriam seus rostos... seu estado de embriagues era eminente, mas ficou estagnada alguma coisa estava acontecendo, seu coração acelerava constantemente, seria a adrenalina de toda aquela situação? Hanna engolia em seco, dava para sentir a respiração do seu salvador, um aroma agradável de menta com canela, e o silencio falava introspectivamente, uma vontade de permanecer ali se fazia insistente, e num impulso... Hanna o beijou como se o conhecesse há muito tempo. Foi um beijo calmo, sem pressa, mas com uma intensidade ímpar. Nada mais se ouvia a não ser seu coração palpitar, e sentir se colar ao corpo um do outro, agora já estavam ambos retribuindo ao beijo... uma loucura, raciocínio lógico não passava nem perto da sensação sentida entre os dois... e por fim, o beijo acaba, mas a vontade de beijar era insana, o que seria o amor? Se não um absurdo?

_eu quero você. Assim, sem face.

Havia prometido retribuir seu salvamento e como sua palavra era de rainha, no calor daquele momento da carne, foi surpreendida por aquele desejo desprovido de compromisso.

O convite fora aceito de imediato, sem pausa, seus lábios se tocaram e seus corpos ardiam, como pimenta, um desejo incontrolável os envolveram e tudo se fez acontecer por vontade instintiva da natureza.

20 anos depois...

8 de Junho de 2019 às 02:48 6 Denunciar Insira 2
Leia o próximo capítulo Capitulo II Decepções amorosas, acordos, matrimonio, convivência, mentiras e intrigas.

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Carlos Eduardo Silva Carlos Eduardo Silva
A estória promete, é um bom texto.
18 de Julho de 2019 às 15:34

  • Marizelia Guedes Marizelia Guedes
    obrigada amigo, que bom que esta agradando. 20 de Julho de 2019 às 05:20
Marizelia Guedes Marizelia Guedes
Quem estiver seguindo a historia o que estão achando das personagens?
25 de Junho de 2019 às 11:41
Marizelia Guedes Marizelia Guedes
Que bom, essa é a lógica que o leitores sintam se parte integrante da história, e vamos todos embarcar nessa viagem dos conflitos sentimentais, e suas resoluções afetivas.
11 de Junho de 2019 às 04:43
Adrianna Cunha Adrianna Cunha
É uma história bem envolvente, onde o leitor se sente parte da história. Cada leitura deixa com gostinho de quero mais.
10 de Junho de 2019 às 09:00
Marizelia Guedes Marizelia Guedes
esse foi o primeiro capitulo dessa historia que os sentimentos são aflorados por inúmeras situações, e as escolhas nem sempre dependem das nossas convicções... acompanhe essa historia e de sua opinião.
8 de Junho de 2019 às 19:14
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