One day, we'll win Seguir história

marisaint Mari Saint

Namjoon é dono de um site voltado para a comunidade LGBTQI e apoiadores. Curiosamente, tem um colega ne trabalho que descaradamente usa o aplicativo de encontros – o Grindr – nos intervalos. Ele poderia tê-lo sinalizado antes, mas seu chefe teve de flagrar para que o pior acontecesse. [ - Especial Pride Month - ]


Fanfiction Bandas/Cantores Impróprio para crianças menores de 13 anos.

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Lose the battle, win the war; único

Aviso importante de gatilho: ofensas LGBTfóbicas. Se te afeta, não leia.

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No último banco do ônibus, sentado no canto, sendo agraciado pelo vento provindo da janela, está Kim Namjoon. Os olhos rolando de um ponto ao outro pela tela de seu tablet, mexendo aqui e ali nos aplicativos de redes sociais, e-mail e seu website. A pessoa ao seu lado curiosamente espiou o que fazia e se espantou ao ver tantas cores e figuras de mesmo sexo e gêneros distintos demonstrando afetos uns aos outros.

Sim, Namjoon faz parte do movimento pró-LGBTQI. Cria e organiza projetos e eventos para a comunidade. Todos os dias, a caminho do trabalho, ele verifica as notícias e notificações. Principalmente agora com a aproximação da Parada LGBTQI. Junto com outros amigos, está encarregado de negociar com as atrações. Até o momento, estão confirmados o DJ Sugar Fingers, a Drag Queen, cantora e dançarina, Hope Jewels, o cantor abertamente bissexual Park Jimin e a dupla musical barra casal gay V-cious. Artistas em evidências, que lutam, sempre espalham palavras estimulantes e de amor a todos, além de se tornarem peças chave para a busca pelos direitos igualitários. Será a maior celebração do vale que o país já presenciou. Está ansioso para que o dia chegue logo.

Ao se aproximar de seu ponto de parada, salvou tudo na nuvem, fechou os aplicativos e limpou o histórico e o cachê. Seria um perigo se alguém do trabalho descobrisse. Apesar de se empenhar em prol de seus semelhantes, Namjoon entende que há hora e lugar para mostrar a normalidade de alguém não hétero. A firma de contabilidade é muito rígida e tradicional. Primeiro precisam ver que ele é como qualquer outro trabalhador. Entender que a orientação sexual não afeta a capacidade dos seres. Se descobrirem sobre si, terão de aceitar com naturalidade. Pelo menos, é o que deseja.

Como de costume, cumprimentou todos os funcionários com quem cruzou o caminho. Ao chegar no setor que trabalha, alguns colegas já se encontravam em suas mesas, ajeitando as calculadoras e ligando os computadores. Principalmente o mais novo de todos, tanto em idade quanto em serviço, Jeon Jungkook. Ele é muito interessante para si, na verdade. É o segundo LGBTQ que conhece na empresa. Descobriu por acaso meses atrás.

Na hora do almoço, o rapaz se afunda na cadeira e mexe no celular. Um dia, passou por trás dele e viu que usava um aplicativo de encontros, o Grindr. Especificamente de encontros nada heteronormativos. Ele, simplesmente, não esconde. Parece que confia que nunca ousarão espiar o que faz. Até o momento, não há fofocas, então, ninguém ainda o flagrou além de si. Contudo, o rapaz precisa ser cuidadoso.

Namjoon já pensou em alertá-lo, mas sempre trava. Não são próximos. Suas funções são distintas, mal se falam além de algo breve sobre o que precisam para o serviço de ambos. E o Jeon sempre evita encará-lo, como agora. Ele é retraído, o Kim entende. O problema é: por que também fica assim quando está perto dele?

Jungkook é fofo e dedicado. Passa os perfis do app com sua típica boca comprimida e covinhas tímidas, olhos vidrados e receosos. Uma vez, pareceu dar match em alguém. Ficou animado por poucos dias e, logo, voltou a esboçar um semblante entristecido. Se procura por algo além de casualidade, ele está usando o aplicativo errado. O mais velho sabe o quão difícil é conseguir encontrar alguém compatível que quer um relacionamento sério. Mesmo alarmado, Namjoon não queria tirar o direito do Jeon de fazer o que bem entende em seu momento de descanso e sorrir tão lindamente quanto antes.

Após uma retribuição de cumprimento nada cortês vindo do outro, Kim se sentou e se preparou para a rotina de trabalho. Calcular e preencher uma planilha semestral de despesas é bem exaustivo. Fez no automático, como o usual. Sequer notou que havia passado uns minutos da hora do almoço. O setor tinha poucas pessoas comendo e conversando.

Namjoon se levantou e passou por Jeon que, mais uma vez, mexia no Grindr, beliscando talos de verduras. Distraído, como sempre. Esse garoto...

Comprou kimbap e suco de garrafa na cantina. Mordiscou e bebericou tranquilamente, retornando ao andar, porém deparou-se com um clima tenso. Jungkook não estava mais lá e seus colegas cochichavam entre si. Chamou um deles para entender o que aconteceu.

– Ei, por que está todo mundo assim?

– Ah, você perdeu o escândalo que o chefe fez – o homem sussurrou. – Jeon estava fazendo algo no celular que deixou o velho horrorizado. Gritou coisas como “indecente”, “nojento” e outras sem nexo. O arrastou até o escritório – um grito abafado irrompeu da direção da sala. – Ish, o negócio está estreito para ele.

É tudo minha culpa. Largou seu almoço na mesa do colega e marchou apressado para o local de exaspero. Devia tê-lo avisado, evitaria a humilhação. Como pude ser tão covarde?

Sequer pensou em bater na porta, girou a maçaneta com força.

– ... abominável como você – o gerente do departamento se interrompeu ao notar Namjoon entrando. Jeon está de cabeça baixa de frente para a mesa do mais velho atrás dela. – Kim, o que faz aqui? Não te chamei.

– Senhor, a situação é urgente demais para meros detalhes – retrucou, fechando a porta.

– Isso não é da sua conta. Saia – ordenou.

– É sim, senhor – manteve a calma. – Como parte da equipe de processos, o que acontece com o Jeon, afetará nossas tarefas.

– E é exatamente por isso que eu já estou cortando o mal pela raiz – falou ríspido. – Ele pode contaminar os demais com suas ações doentias.

Namjoon trincou o maxilar e respirou fundo. Não vou me rebaixar. Não vou me rebaixar. Não vou me rebaixar.

– Doentias, senhor? – repetiu, firme. – O que há de doentio em algo que não muda em nada a execução de nossa atividade?

– Do que está falando? Você sabia o tempo todo sobre essa depravação? – vociferou, contorcendo a face.

– Sim, senhor. É algo particular e eu nada tenho que me envolver – manteve o tom.

– Não se estrague o defendendo. Você é um ótimo funcionário, Kim Namjoon – avisou, juntando as sobrancelhas. – O que ele fez é completamente impróprio para o ambiente de trabalho.

– Com todo o respeito, senhor – Respeito do qual está diminuindo bastante cada vez que te encaro. – No regulamento, está bem claro que, durante o horário de almoço, os colaboradores estão livres para abstrair do estresse de forma contida, que não incomode os demais. Jungkook estava usufruindo de seus direitos, sem perturbar terceiros.

– Pois me incomodou – gritou, enfurecido. – Passar perto e me deparar com homens sem camisa, travecos e qualquer coisa do tipo, me enoja.

– Ele não usa propriedade da empresa para o senhor o monitorar. O celular é dele – rebateu, se controlando ao máximo.

O homem de meia idade bufou pelo nariz, ficando com o rosto vermelho de raiva.

– Vocês dois são meus subordinados e exijo respeito onde eu estou no comando – ameaçou, arrastando certas palavras. – Não vou tolerar baitolices no meu departamento. Pessoas de bem estão aqui ganhando a vida honestamente para alimentar suas famílias. Não são obrigadas a tolerar indecências de um viadinho ocupando o lugar de um homem de verdade.

– E nada do que ele contribuiu para essa empresa vale? – uma leve indignação se apossou da voz de Namjoon.

– É claro que não. Fez apenas o que lhe foi mandado. Qualquer um sabe fazer isso depois de sair da universidade – berrou, gesticulando agressivamente. – Uma pessoa normal faria até melhor que essa putinha.

O mais alto tremeu, só que de fúria. Seu punho se fechou querendo encontrar a cara desprezível do velho escroto que cuspia ofensas tão absurdas. Mas não valerá a pena, Namjoon é melhor do que isto. Jungkook também é muito melhor que isto e não merece ouvir tais coisas. Ele sempre se esforçou muito do início ao fim. Não é qualquer um que consegue resistir à pressão que é manipular dinheiro e bens logo de cara sem ter experiência de longa data. É um dos melhores do departamento, no entanto, o mais velho não quer admitir por puro preconceito com sua sexualidade.

Nojo. Nojo. Nojo.

– Então, – foi um tanto debochado – o senhor deveria repensar seus conceitos, já que os elogios que me direcionou todos esses anos e agora há pouco, foram para um homem gay.

O chefe ficou paralisado de choque, assim como o rapaz ao seu lado, que girou a cabeça imediatamente para o fitar. Estava nervoso, mas não poderia continuar fingindo algo que querem que seja. Se é para ser a bicha que o outro tanto despreza e apoiar um semelhante, será essa bicha. Não vai abaixar a cabeça e muito menos deixar que o mais novo abaixe também. Está na hora de pôr em prática o que tanto prega na internet.

– Anos infiltrado aqui e só agora decidiu sair do armário – o desprezo em seu timbre e olhar perfuraram Namjoon. – Vocês dois estão sendo, por acaso, anomalias juntas? Tendo um caso gay nojento? Porque, desta forma, explica o estar defendendo tão desesperadamente.

– Não existe desespero no ato de ajudar quem é injustiçado por seres intolerantes – soltou ar pelo nariz, se acalmando. – Não é preciso estar romanticamente envolvido com alguém para ser verdadeiramente humano.

O velho inflou como um balão. Jeon recuou um passo, ficando ao lado de Namjoon. A bomba está prestes a explodir.

– Maricas arrombados como vocês não merecem espaço na sociedade e muito menos perto de mim – bradou a toda potência. – Fora do meu setor! Fora daqui! Estão demitidos!

Pareceu querer avançar nos rapazes, mas a mesa o impediu. O Kim somente se curvou, o mais novo o copiou e, antes de saírem da sala, pegou de volta seu celular. Receberam olhares espantados dos, agora, ex-colegas. Recolheram suas coisas, enquanto eram questionados.

– O que houve? – uma mulher entortou a cabeça para o encarar.

– Fomos demitidos – sorriu singelo.

– O quê? Isso é loucura! – exclamou um homem. – O que será de nós sem vocês?

– Pergunte ao seu chefe – respondeu, irônico.

Curvou novamente, se despedindo dos companheiros de equipe, completamente confusos. Viu Jungkook fazer o mesmo e se desvencilhar da aglomeração maior sobre si, correndo para alcançar o mais alto que caminhava para o elevador. Dentro da caixa metálica móvel, havia tensão.

– Sunbae – o menor o chamou, constrangido e formando um ângulo de noventa graus perfeito com seu corpo. – Obrigado por me defender. Eu fui imprudente e, mesmo assim, você me defendeu.

– Realmente foi, mas isto só nos mostrou que há lugares dos quais nunca seremos bem-vindos – retrucou, sério.

– Hã – ele voltou a postura reta e comprimiu mais os pequenos lábios ao sentir o maior o mirando. – O sunbae também é gay?

Namjoon riu soprado.

– Não.

– Ah, então, por que disse que é? – soou desapontado.

– Porque aquele homem é ignorante demais para conhecer outras sexualidades além de hétero e homo. Busquei ser objetivo – deu de ombros.

– E o que você é? – Jeon perguntou, curioso.

– Não me identifico com algo, apenas sigo meu coração – sorriu afetuoso. O outro corou.

As portas do elevador se abriram, revelando o Departamento Pessoal. Foram até uma moça de feição gentil na recepção.

– Boa tarde – os cumprimentou.

– Boa tarde – o Kim começou. – A doutora Park Miyoung está disponível?

– Um momento – ela pegou o telefone, falou algumas coisas e o pôs no gancho novamente. – Podem entrar.

Agradeceram e direcionaram-se a sala. Não é grande como a de outros gerentes dos demais setores, mas é bem agradável. Uma mulher de cabelos escuros até os ombros, ergueu a cabeça sorrindo.

– Namjoon-ah – disse animada. – Hum... Jeon Jungkook, se não me engano. Falam muito de você, mas eu sempre me perdia na hora de associar com seu rosto.

– A senhora está correta – o rapaz se curvou.

– Bem, ninguém aparece aqui sem estar com algum problema – indicou as cadeiras de frente para sua mesa. – O que aconteceu?

– Para resumir, fomos demitidos por LGBTQIfobia – disparou o Kim.

– Ah, sinto muito por isso – compadeceu-se.

– Mas ele não pode nos demitir por isso – argumentou.

– Mas é a sua palavra contra a de um gerente com quase duas décadas de casa – rebateu a doutora.

– Mas é só mudarem nós dois de setor. Podemos ir para o Faturamento – insistiu.

– Namjoon, não é assim que funciona – ela se ajeitou no assento. – Não sei como foi a discussão, mas acho que ela deve ter te mostrado o verdadeiro cenário da empresa.

– Isso é ridículo – indignou-se. – Não podemos sair daqui só por causa disso.

– Você já ouviu o nome Lee Chaelin, não é? – o mais alto afirmou. – Ela comandava o Faturamento e fez grandes iniciativas que melhoraram o quadro da firma na praça. Descobriram a conta pessoal dela numa rede social e que ela namorava uma mulher. Foi horrível. Ela perdeu totalmente a credibilidade, ninguém a respeitou depois daquilo. Chaelin resistiu por dois meses e quem não aguentou foram seus subordinados e colegas. A demitiram, ignorando tudo que já realizou – Park penetrou seus olhos nos arregalados de Namjoon. – Esse é um tipo de lugar que não vale a pena seu esforço. As condutas aqui são arcaicas e extremistas. Você se perderá aqui, vá por mim.

– Vou simplesmente desistir? Eu aconselho que as pessoas sempre persistam e lutarem. Não posso ser um covarde – gesticulou nervoso.

– Não é covardia, Namjoon-ah – a mulher se recostou. – É saber o momento certo para agir. Lee Chaelin caiu no esquecimento para que os novos colaboradores não se “assustem”. Mas acha que eles não pagaram por esses erros? – colocou o cabelo atrás da orelha. – Contrataram alguém que sequer chega aos pés dela. Três porcento de crescimento anual é péssimo comparado aos quatorze que tinham. E no caso de vocês, perderão muito também. O processo de recrutar, selecionar e contratar demandam muito tempo e dinheiro, além da adaptação posteriormente. Dois funcionários competentes cortados de uma vez, vai gerar um rombo. Então, sim, é triste ter de recuar, mas, a curto e médio prazo, eles sofreram as consequências. E a longo prazo, ficarão para trás da concorrência – sorriu por fim. – Vocês são jovens. Conseguirão algo melhor que este lugar estagnado. E, Namjoon, você tem muito no que investir no seu site. Vá viver em paz e lute pelo que for mais propício no momento.

– Argh, queria que você não tivesse razão – bufou. – Quando a notícia se espalhar, isso aqui vai virar um inferno – ela acenou positivamente. – Obrigado, noona. Você é a melhor pessoa para conversar em situações assim – foi se levantando.

– É claro! Não fiz psicologia à toa – ambos riram. – E.. é verdade o boato de V-cious ser uma das atrações da parada?

– Eu ia postar sobre isto quando chegasse em casa – Kim observou Jungkook arrumando a cadeira meticulosamente ao se levantar. – Não era para você saber antes de todos.

– Qual é! Sabe que minha namorada é louca pelo Jin e as interações do casal. Tenho sempre que ser a primeira a ser informada, já que sou sua noona favorita – contestou, arqueando a sobrancelha.

– Não vou discutir quanto a isto – riu, indo para a porta. – A gente se fala depois. Obrigado, mais uma vez – Jeon também agradeceu.

– Por nada, meus queridos – sorriu largo. – Irmãos do vale têm que se apoiar. Vai dar tudo certo, acreditem.

Dirigiram-se a encarregada dos documentos dos funcionários. Ela já recebeu o memorando e iniciou o processo de exoneração. Após isso, voltaram ao elevador para saírem de vez do edifício.

– Namjoon-ssi – o mais novo quebrou o silêncio. – Você vai participar da parada LGBT+ da cidade?

– Com certeza. Sou um dos organizadores – respondeu sereno.

– Sério? Que legal – ele esboçou um sorriso singelo.

Chegaram ao térreo, atravessaram as catracas e a claridade do lado de fora os recebeu.

– Bem, a gente se vê, quem sabe, na parada – sorriu mais, com as bochechas rosadas.

O menor deu as costas e Namjoon se sentiu um babaca por permitir. Por que têm de se separar depois do que houve? Nenhum dos dois tem o que fazer no horário que era do trabalho.

Vamos lá, Namjoon, coragem. O que mais tem a perder?

– Ei, Jungkook – o chamou. Ele se virou com os olhos bem abertos. – Quer tomar um café aqui perto?

As irises escuras brilharam. Assentiu apressadamente, correndo até o mais alto.

– Claro – disse entusiasmado.

Andaram um pouco até a cafeteria. Pegaram um americano e um macchiato e se sentaram perto da vidraça que mostra a circulação de pessoas na calçada. Jeon girava os orbes pelo lugar, tamborilando os dedos no plástico da mesa.

– Namjoon-ssi, a doutora comentou algo sobre seu site e você falou postará sobre V-cious – começou, hesitante. – Está cuidando do site do evento?

Kim fitou o rosto intrigado a sua frente.

– Não, do meu. O Real Me.

O queixo de Jungkook caiu.

– Você é o RM? – exasperou-se. – O RM? – o mais velho teve que movimentar em concordância, em meio a risos. – Nossa, eu acompanho esse site há anos e o RM nunca mostrou o rosto totalmente, o que me deixava muito irritado – foi atropelando palavras. Respirou. – Tipo, é só o melhor site da comunidade na atualidade. Quando disse que organizava a parada, pensei que estivesse fazendo parte de um projeto, não que era um dos organizadores principais – uma aura reluzente tomou conta do rapaz. – Eu admito muito o seu trabalho. Seu conteúdo é incrível, me ajudou tanto. Nem acredito que estive tão perto do RM todo esse tempo.

– Não é para tanto, Jungkook – diminuiu a exaltação do outro.

– É claro que é! – gesticulou enfático. – Só é estranho, porque você lá na firma era muito sério e, no site e nas redes sociais, é divertido e animado.

– Porque RM é o meu verdadeiro eu – entortou a cabeça de leve, analisando o semblante confuso do outro. – Era para ser um alter ego, sabe. Mas sou eu. O cara que quer o melhor do mundo para todos. Que quer espalhar o respeito e o amor, quebrar estereótipos e ser feliz. O que acabei fazendo é criar uma imagem rígida no trabalho, do jeito que a maioria normativa quer. Aquele não sou eu. É uma casca que esconde alguém que deseja liberdade. Um lado que eu não queria que existisse, porém, enquanto existiu, me ajudou a ser forte. Reconheço os méritos dele – sorriu de lado.

O menor bebericou seu café. Rosto ainda mais vermelho.

– É impressionante ouvir algo assim pessoalmente – comentou. – E saber que a voz do RM é tão poderosa, não só na escrita como na fala – desviou o olhar. – Eu nunca pensei em separar minhas facetas. Sei que talvez devesse, mas gosto de me sentir eu. Não grito para o mundo o que faço ou deixo de fazer, só não gosto de me esconder.

– É um jeito saudável de viver, de certo modo – pontuou o Kim, estudando cada gesto retraído e fofo do rapaz. Não parava de sorrir com o que via.

Sim, fofo! Por isso nunca se aproximou. Namjoon tem uma grande fraqueza e ela é a fofura. É uma força interna que o faz perder o controle quando não se cuida. Percebeu agora que o evitou por medo de se entregar e ser descoberto. Seu subconsciente agiu de modo tão efetivo, que passou em branco.

Contudo, não tem mais que fingir nada. Está fora da bolha e o Jeon também. Pode ser quem é e avançar sem medo.

– Jungkook, você irá fazer algo nesse meio tempo em que esperamos nossos documentos? – umedeceu os lábios, aguardando a resposta.

– Não, só procuraria por outro emprego – torceu a face.

– Sabe, você pode me ajudar com o conteúdo e outras ideias para o meu site – foi encarado pelo rapaz abismado. – Também poderá ficar por dentro dos bastidores da parada. Será bom alguém cobrir áreas que não estarei.

– Sim! Eu aceito – sorriu tão largo que iluminou o ambiente e encantou o homem ao qual o direcionava.

Ficou contente com a disposição do novo aliado. Conhece bem como ele trabalha e que fará o seu melhor. Além do mais, é ótimo terminar o dia rindo a toa e descobrindo uma pessoa maravilhosa que transformou o sentimento ruim em bom.

Pode ter perdido a batalha hoje, no entanto, nunca perderá a guerra. É um trajeto difícil que trouxe recompensas gradativamente.

Um dia, todos entenderão que no fim não existirão perdedores. Pois, um dia, a luz do amor vai brilhar e todos se beneficiarão dela.

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A situação foi inspirada em casos reais que já ouvi. Eu pequei leve, porque é muito pesado de verdade.

Tive um professor que trabalha numa empresa extremamente conservadora. Na clausula de contratação, ela não aceita pessoas LGBTQI, mulheres, homens casados, com filhos, fumantes, com diabetes, hipertensão, entre outros. Além de algo que não está escrito, mas é feito: não contratam pessoas negras, indígenas e descendentes destas. Sim, um absurdo e, sim, é a realidade de muitas corporações.

É muito complicado e não é um confronto direto que resolve. Há outras formas de abordar e, um dia, o preconceito cairá por terra. Só a nossa existência já é uma vitória.


A citada Park Miyoung (a.k.a. Magolpy) é uma cantora publicamente declarada lésbica. E Lee Chaelin (a.k.a. CL, do girl group 2NE1, mulherão da porra, quem me leva a loucura) sempre apoiou a comunidade abertamente.

4 de Junho de 2019 às 20:44 0 Denunciar Insira 0
Fim

Conheça o autor

Mari Saint ☼ Taekook ♒; Ascendente: Ships Flop; Lua: Minjoon; Mercúrio: Yoonseok; Vênus: Vmin; Marte: Hopekook; Júpiter: Sope; Saturno: MinV; Urano: Vkook; Netuno: Hopegi; Plutão: Namkook; Quíron: 2seok; Lilith: Yoonmin; Nodo: Jihope; Roda da fortuna: Taegi; Vertex: Taejoon; Meio do céu: Namseok (Fonte: meu mapa astral)

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