Seus Olhos Seguir história

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Dizem que os olhos são o reflexo da alma e que eles dizem a mais pura verdade sobre você. Mas, e se você tivesse esse dom, de desvendar toda uma vida sem precisar disso, o que faria? Eren Jaeger é um garoto de dezesseis anos morando no sul da Califórnia, cego de nascença e com um futuro incerto, mas, com um dom que vai mexer com a alma e espírito de um homem amargurado. Levi Ackerman não terá lugar para onde fugir dos seus olhos.


Fanfiction Para maiores de 21 anos apenas (adultos).

#sonhos #música #flores #cego #drama #258 #riren #ereri
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Prólogo

"E se eu te falasse que com os olhos que tenho, eu enxergo tudo, você acreditaria? Tudo a minha volta é nítido, claro e desembaçado.

Pode parecer brincadeira ou até mesmo piada, mas a verdade é que eles realmente vêem tudo; a sua tristeza ou alegria, a maldade das pessoas, o preconceito. Eu os vejo nítido como água cristalina.

Se eu considero um dom?

Não.

Conseguir ver a maldade nas pessoas é doloroso, inquietante… é algo que eu nunca gosto de lembrar. A tristeza sempre é dobrada, a raiva triplica e a inveja… essa ultrapassa qualquer limite.

Mas, uma coisa ainda é boa nisso tudo. Sabe o amor? Aquele sentimento quente e que deixa você com um sorriso bobo? Esse fica quase infinito aos meus olhos, e eu digo quase, porque o amor que eu encontrei… foi tirado de mim."

– Eren! Você pode me ajudar por favor? – Ouvi mamãe me chamar com doçura, como sempre fazia.

– O que é? – perguntei levantando da cadeira que estava sentado, tateando-a pra achar minha bengala. – Já estou indo.

Oras, você deve estar se perguntando: mas porque uma bengala se você mesmo disse que seus olhos vêem tudo?

Sou cego, de nascença. Nunca tive o prazer de ver a luz do sol ou a beleza das estrelas mas, não é como se me fizesse falta. Não ver a beleza muitas vezes é uma benção, faz com que eu nunca sinta falta dela, entende?

Aliás, além da visão, temos outros quatros sentidos. Posso saber muita coisa apenas com eles. E também tem uma coisa, mamãe sempre me diz que tenho um quinto sentido; o de entender os sentimentos das pessoas, saber quem elas são. Ela fala que essa é a maior beleza dos meus olhos: enxergar dentro da alma.

Filosófico, não? Bem, de certa forma.

– Pode segurar esse vaso pra mim?

Estava perto da porta que dava acesso à agricultura que minha mãe tinha. Deixei a minha bengala encostada em alguma parede próxima e estendi a mão, sentindo logo a típica frieza da cerâmica.

– Recebi uma encomenda enorme Eren! – Ela começou contar animada. – Acho que é a maior encomenda da minha vida.

– Encomendas para…? – Comecei perguntando e me divertindo com o tom exaltado de voz.

– Girassóis! – respondeu – e são para um casamento!

– Girassóis para um casamento? Diferente… – Comentei sentindo ela colocar as suas mãos em cima das minhas, sinal de que era pra soltar. – Você colocou margaridas aí, não foi? Aposto que é o Reiner de novo.

Ouvi ela dar uma gargalhada.

– Acertou!

– Ele continua entregando elas em segredo?

– Sim, não sei quando aquele bobo apaixonado vai se declarar se verdade… tem quando tempo?

– Alguns meses…? – arrisquei.

Reiner era um cliente antigo da nossa loja. Ele trabalhava em um necrotério e antes de levar os mortos para o velório, ele sempre passava buscar as flores encomendadas para a data, mas hoje em dia ele não trabalha mais nisso. Ele agora é dono do próprio negócio.

Mas, mesmo tendo um estilo de vida diferente agora, ele nunca mudou. Há meses vem buscando flores e entregando a um certo cara chamado Berthold. Eu particularmente acho lindo quando ele fala dele, não consigo ver a sua expressão ou seu sorriso mas, tenho certeza absoluta de que ele sorri em apenas pensar. Seu tom de voz denuncia isso.

– Bem… acho que sim. – ouvi os passos da mamãe pararem. – você está bem meu filho? Ficou quieto de repente…

– Estou. É que eu estava pensando em como o Reiner e esse Berthold são sortudos. Ter um sentimento desses… – Respondi um pouco envergonhado.

– Você não sabe se Berthold sente o mesmo…

– Não estou falando de reciprocidade, estou falando unicamente do sentimento. Sendo correspondido ou não, é um bom sentimento.

– Você fala isso por causa do…

– Por causa de ninguém mãe. – Respondi mais seco do que queria.

Eu já tinha superado, pelos menos eu achava que sim. Boa tinha porque ela ficar tocando na ferida todas as vezes que eu falava de um assunto romântico.

– Ok. Vamos tentar organizar isso, o cliente dos girassóis vem logo e eu quero pelo menos um arranjo pronto. Pode fazer pra mim, meu bem?

– É claro…

Uma coisa que ainda não contei, lembra-se dos sentidos? Quando se perde um, os outros que sobram tendem a ficar mais apurados e nesse meu caso, o meu tato é mais apurado do que qualquer coisa. Todos os arranjos de flores para encomendas são feitos por mim. Minha mãe fala que são as coisas mais lindas do mundo e que com certeza seria vencedor de concurso florais pelo mundo. Eu particularmente acho um exagero, mas quem sou eu pra falar, não é? Eu nem vejo o que faço, o melhor é confiar na opinião dela.

Peguei os vasos da medida que ela me recomendou e fui aos poucos pegando as fitas e flores que achei que iriam combinar com os girassóis.

Depois de tantos anos na mesma casa e mexendo nas mesmas coisas, eu basicamente decorei as cores e lugares de tudo sem nunca ver. Sei por exemplo que dá esquerda para direita ficam a ordem de vasos, do mais baixo ao mais alto ou também, que na primeira gaveta do balcão direito há fitas vermelhas.

Sentei em um dos bancos perto da mesa de trabalho e senti que minha mãe também sentava e então comecei, pegando um ou dos girassóis de cada vez.

Sei que no fim, estava no meu último arranjo quando ouvi a típica campainha tocar e acabei ouvindo passos.

– Bom dia senhor… – começou falando a minha mãe saindo do banco e indo até o balcão principal onde ela geralmente atendia.

– Ackerman. Levi Ackerman. – Ouvi responder.

A sua voz era grave, até demais para os padrões masculinos. E levemente rouca.

– Oh, sim. Como o senhor está? Achei que viesse mais tarde.

– Pois, eu também. Tive alguns imprevistos… – Respondeu – Você já tem alguma coisa pronta?

– Ah sim, meu filho está terminando de fazer as últimas…

Sabia que os dois estavam olhando pra mim, e como estava de costas para aquele homem, apenas levantei a mão em um cumprimento e continuei com meu trabalho.

– … quer ir vendo as outras flores? Penso que não vai usar somente os girassóis, certo?

– Ah sim, quer dizer… não, você tem copos de leite? Aprecio elas também.

– Temos sim… venha por aqui.

Ouvi os passos de que se afastaram, se eu fosse resumir aquele homem apenas pela voz eu diria que, ele era sério, não havia sorrido ainda e tinha manias de limpezas. Não o ouvi tocar em nada desde que tinha chegado, geralmente os clientes vão pegando nos vasos e se debruçando nos balcões.

Depois de ter terminado o último, comecei a organizar as fitas que não tinha usado e foi aí que ouvi apenas passos de uma pessoa voltando e logo em seguida a voz da minha mãe gritar.

– Eren, devolva três dólares à ele, meu filho. E comece a mostrar os arranjos que fez.

Não entendi muito aquela ordem mas, se foi o que pediu… Me dirigi até o caixa que ficava do meu lado direito e de lá retirei os três dólares. O dinheiro era cuidadosamente organizado e por isso, pra mim era fácil saber qual nota estava em que lugar. Aproveitando que já ia entregar o dinheiro, peguei um dos vasos para colocar em cima do balcão, que provavelmente ele estava de frente, e aí que foi o meu erro.

Não sabia que mamãe havia esquecido o banco, ela sempre tira pra eu não tropeçar e cair, mas, acho que ela estava tão empolgada com a encomenda que nem sequer deu conta.

Revirei-me em cima do banco deixando o vaso pular das minhas mãos e quebrar sobre o balcão e por puro azar, bem em cima do cliente que teria possíveis manias de limpeza.

– Ah mas que merda…! – Ouvi ele reclamar enquanto eu tentava me levantar em cima dos cacos que caíram junto comigo. – Você é cego por acaso, garoto?

Eu simplesmente gelei.

Na hora eu não pensei que ele não sabia da minha situação, e contando que eu estava de costas, ele não iria adivinhar que eu era cego. Mas mesmo assim eu gelei.

Uma irritação passou pelo meu corpo me fazendo levantar em uma velocidade que nem mesmo eu sabia que conseguia.

Ajeitei o troco do tal de Ackerman nas mãos e o encarei. Sabia onde ele estava, o som me guiava para a direção das pessoas e então, o encarei com tudo.

Outra coisa que vocês não sabem é que, mamãe me diz que os meus olhos são verdes, os mais lindos verdes. Assim como o verde das plantas e flores, e que, mesmo com a cegueira eles não mudaram, não há mancha, não há nada.

Então penso que ver os meus olhos tão expressivos e irritados tenham dado um certo… desconforto no homem. Apenas respirei fundo e estendi a mão.

– Seu troco senhor.

– Tch.

Senti que ele estendeu a mão embaixo da minha e então soltei o dinheiro.

– Tenha um bom dia. E aliás, senhor Ackerman, eu sou mesmo cego.

30 de Maio de 2019 às 23:46 0 Denunciar Insira 118
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