Homunculus Seguir história

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Furo e um "inominável", abandonado por todos no passado ele volta a sua cidade natal atrás de seu passado conturbado. Zoe Wright é uma universitária comum, que vive sua rotina normalmente até que um dia seu mundo vira de ponta cabeça.


Drama Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#drama #378 #acao #romance
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Encontro predestinado

Pisar fora do ônibus de viagem era um alívio profundo para as pernas dormentes dos passageiros cansados, afinal de contas a viagem de 18 horas havia terminado. Morte e seu discípulo desembarcaram na cidade.

Não eram nem 4:30AM quando amanhecer ensolarado apareceu, as poucas nuvens no céu violeta da alvorada dançavam ao som das badaladas dos sinos da grande igreja de Great Lake.

“Eles” sabiam sobre todos os tipos de pessoas que se preparavam para seu dia-a-dia na cidade. Great Lake ficava no coração do estado, mesmo a aquela hora da manhã as padarias perto da rodoviária não paravam de produzir seus produtos doces, exalando o cheiro do pão feito na parte da manhã. Boates, bordéis e bares da cidade fechavam as portas assim como as lojas e indústrias começavam a se abrir.

A grande lagoa estava como sempre com suas águas límpidas, calmas como sempre, o resto do mundo para aquela imensa massa de água não importava.

Por outro lado, “ela” se movia sobre os lençóis.

O relógio já marcava 05:00 AM quando Zoe resolveu finalmente levantar da cama e se dirigir ao banheiro. Como sempre fazia, ela escovou os dentes, lavou o rosto e seus olhos azuis para espantar o sono, passou protetor solar em suas leves sardas e penteou seus longos cabelos ruivos em um rabo de cavalo, era o começo de seu longo dia.

Era prático para Zoe escolher suas roupas, para a ocasião ela vestirá uma roupa confortável, o short preto de tectel, uma camisa cinza de algodão e os tênis de corrida; o visual perfeito para caminhada.

Correr ao redor do lago era comum para a maior parte dos habitantes da região central da Great Lake, assim como também era a atividade favorita de Zoe. O trajeto escolhido era sempre pelo calçadão de pedras cinza-fosco, por lá dava para sentir o calor do sol e sentir no rosto a brisa fresca e temperada que soprava por sobre o lago, pela brisa era possível sentir os aromas das flores que cresciam ao redor do calçadão em canteiros ornamentais: madressilvas, cravos vermelhos como sangue, margaridas brancas e brilhantes, rosas de diversas cores e orquídeas de todos os tamanhos.

Pelos 45 minutos que se seguiram Zoe escutava suas músicas favoritas: os sucessos dos anos 80 e 90, era costume cumprimentar todos os pedestres quando estes passavam por ela, simpatia era algo gratuito e singelo que ela tentava expressar a todos.

Era sua rotina.

Rotina…

Era o que ela pensava até ver as duas pessoas que caminhavam na direção oposta.

Sua visão escureceu e uma tontura súbita a atingiu. A situação não era de todo anormal, somente significava mais um de seus ataques de pânico.

As frequências dos ataques diminuíram com os anos, era comum ao menos um ou dois desses episódios todos os meses. Tentando respirar fundo ela diminuiu a velocidade e procurou apoio com sua mão dominante: a esquerda.

-Mas o que? - Zoe recuperou o equilíbrio rapidamente quando alguém a segurou por debaixo do braço de apoio. Mãos fortes e calejadas a arrastaram para cima, a pegada era forte porém gentil.

-Você está bem? Precisa de um médico?- antes de terminar a frase, a consciência de Zoe voltou o suficiente para observar com mais atenção às pessoas que a apoiaram.

Segurando seu lado direito estava uma menina com cerca de 14 anos, pequena e delicada, cabelos brancos como neve, seus olhos cor castanho-avermelhado. Ela estava trajando um vestido de tom gótico-vitoriano, meias longas e uma bota cano alto. Uma personagem completa.

Em sua frente, segurando o braço esquerdo de Zoe estava um rapaz com mesma idade que a sua, cabelos pretos como a noite, olhos verdes claros e abaixo deles olheiras de insônia, hematomas no rosto e pescoço formavam manchas roxas em sua pele clara, em seus braços horríveis cicatrizes de cortes. Ele estava vestido simples com uma blusa de frio vermelha, calça jeans surrada, um tênis sujo e uma mochila feita de jeans nas costas.

-Obrigado – disse Zoe recuperando o próprio equilíbrio – isso acontece as vezes mas… sempre e inesperado.

No momento em que ela encarou o rapaz nos olhos, notou que o tom verde oscilava de claro a escuro à medida que os segundos passavam; ela pensou ser só uma má primeira impressão, mas o rapaz continuou a evitar o seu olhar.

-Você não tem de se preocupar em se explicar, e só tomar mais cuidado ao sair sozinha – disse ele de uma forma tão intensa que a fez sentir um arrepio na espinha.

Um momento de silêncio constrangedor se seguiu até ser quebrado pela pequena garota.

-Você conhece alguma cafeteria que vende um bom muffin de chocolate? – sua voz a deixou tonta por mais alguns instantes, até que o rapaz estalou os dedos em frente ao rosto dela tirando-a de um transe.

-Eu conheço? – Zoe por algum motivo tentava se lembrar de onde conhecia aquela voz infantil.

-Não sei? Conhece? - desta vez a garota se aproximou como se a intimida-se.

-Sim – Zoe voltou a si novamente - me sigam, e por aqui.

***************************************************************************

15 minutos depois os três estavam sentados em uma mesa circular da cafeteria: CoffeBear era popular entre os alunos da faculdade pelo seu visual anos 70: com seu chão quadriculado, paredes vermelhas cheias de quadros e posters de filmes e séries antigas. De longe já se via seus letreiros neon; em seu cardápio variado eles vendiam de quase tudo, inclusive os muffins que a garota de cabelos brancos solicitava de minuto em minuto a seu companheiro.

-Você tem mais algum pedido? – disse o desconhecido pronto para dispensar a garçonete de olhar duro e expressão amarga que os anos trabalhados lhe deram – pode pedir qualquer coisa, se bem que para esse tipo de fraqueza eu recomendo algo mais forte... como um café puro.

-Obrigada, mas não é necessário - Zoe estava meio sem jeito para responder a aquela preocupação, era estranho em como sensação peculiar emanava da dupla.

Como se lê-se sua mente a garota de cabelos brancos quebrou novamente o silêncio:

-Não se sinta mal, todos sempre tem essa impressão de nós na “primeira” vez – um sorriso discreto brotou em seu rosto enquanto ela fazia sinal de aspas com as mãos – veja, ele não gosta de apresentações então irei começar - a garota colocou a mão no peito respirou fundo e o estufou - eu me chamo Thanatos, o Anjo da Morte mas, você pode me chamar de Nekros se quiser, e um apelido adorável você não acha? - a garota nem tomou fôlego e continuou - você, como você se chama?

-Meu nome é Zoe Wright.

Ela esperou durante um tempo, mas os que estavam diante dela não demonstraram reação alguma a aquele nome, então ela tomou iniciativa e disse:

-E você? - foi inútil tentar se manter firme, quando ele a encarou seriamente, Zoe sentiu como se ele a conhecesse melhor que ela mesma – Qual o seu nome?

Os pedidos foram entregues assim que ela terminou sua pergunta, haviam 3 xícaras que exalavam fumaça espessa e aroma forte de café em dois deles havia algo parecido com creme, com cuidado a garçonete as depositou uma a uma a frente de cada pessoa sentada na mesa. Zoe tomou um longo gole de café (puro) sentindo o sabor amargo e doce que preenchiam a boca esperando uma resposta.

-Eu abdiquei de meu nome a alguns anos atrás, isso me torna um “inominável”, isso torna a vida um pouco mais complicada - ele deu um sorriso discreto para sua própria piada - pode me chamar pelo meu apelido quando for se referir a mim – disse ele sem demonstrar nenhuma emoção – Furo.

E lá estava, mais uma coisa para incomodar a mente de Zoe, uma pessoa sem nome já era bizarro mas, falta de detalhes era o que realmente a deixava tonta. Tantos pensamentos causaram um certo desconforto, e com o desconforto um longo momento de silêncio sobre suas palavras, quase encerrando de vez a conversa.

-Vocês se mudaram recentemente para esta cidade?- indagou Zoe afastando os pensamentos vazios e problemáticos.

-Não. Ele veio rever algumas pessoas - a garota levantou uma sobrancelha, por fim ela se aproximou de Zoe para sussurrar algo, como uma criança confidenciando algo a um amigo - além de que esperávamos encontrar o irmão dele por aqui, mas desse objetivo já desistimos – disse a garota Nekros em tom de deboche.

-Bem, foi legal conversar com você Zoe, mas, temos que ir... agora – disse Furo, ele parecia incomodado com os últimos comentários da garota chamada Nekros, por isso levantou-se abruptamente da mesa.

-Mas já?– disse Nekros – eu não comi nada ainda, e só tomei desse café amargo com creme. Espere só até saírem alguns bolinhos...

-Vamos… agora, depois eu te compro bolinhos – disse Furo enquanto colocava uma nota de 20 euros sobre a mesa – use o troco para comprar algo doce para você, como forma de agradecimento e claro - ele parecia apressado em encerrar aquela situação.

Zoe não pode fazer nada além de vê-los saírem da cafeteria e passar de frente para a vitrine enquanto a garota acenava para ela.

***************************************************************************

Até tomar um banho, trocar de roupa e sair novamente já passava das 09:15 AM;

Foi outra corrida até Zoe finalmente alcançar Chloe em seu trajeto diário até a faculdade.

-Onde você esteve Zoe? – Chloe parecia impaciente, sua melhor amiga era assustadora quando zangada, mas sua feição mudou em poucos segundos – aconteceu algo com seu irmão?

-Não. Não é nada demais foi só um garoto que eu vi hoje...

-Então finalmente chegou naquela idade hein – disse Chloe abraçando Zoe – isso e muito bom Zoe, não é normal para jovens de 22 anos ainda não terem entrado nessa onda de puberdade.

-O que? Pare com isso – ela se sentiu envergonhada com o comentário da amiga. Ao contrário de Zoe que era tratada como a esquisita da sala, Chloe era popular, alta, com pernas finas, olhos verdes e cabelos loiros naturais, basicamente uma modelo famosa para seus colegas – eu diria que todo interesse foi só porque eles me passaram uma sensação peculiar.

“Sensação peculiar” Zoe pensou nessas palavras enquanto ela e a amiga adentravam pelos portões da faculdade.

23 de Maio de 2019 às 09:51 1 Denunciar Insira 1
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Karimy Karimy
Olá! Escrevo-lhe por causa do Sistema de Verificação do Inkspired. Caso ainda não conheça, o Sistema de Verificação existe para ajudar os leitores a encontrarem boas histórias no quesito ortografia e gramática; verificar sua história significa colocá-la entre as melhores com relação a isso. A Verificação não é necessária caso não tenha interesse em obtê-la, então, se não quiser modificar sua história, pode ignorar esta mensagem. E se tiver interesse em verificar outra história sua, pode contratar o serviço através do Serviços de Autopublicação. Sua história foi colocada em revisão pelos seguintes apontamentos retirados dela: 1)Acentuação: "Furo e um "inominável" em vez de "Furo é um "inominável". 2)Pontuação: "abandonado por todos no passado ele volta" em vez de "abandonado por todos no passado, ele volta"; "sua cidade natal atrás de seu passado" em vez de "sua cidade natal, atrás de seu passado"; "fechavam as portas assim como" em vez de "fechavam as portas, assim como"; "estava como sempre com suas águas límpidas" em vez de "estava como sempre, com suas águas límpidas"; "Segurando seu lado direito estava uma menina" em vez de "Segurando seu lado direito, estava uma menina". 3)"quando amanhecer ensolarado apareceu" em vez de "quando o amanhecer ensolarado apareceu"; "dia-a-dia" em vez de "dia a dia"; "a aquela hora da manhã" em vez de "àquela hora da manhã"; "às pessoas que a apoiaram" em vez de "as pessoas que a apoiaram". Aconselho que dê uma olhadinha mais atenta aos parágrafos; há muitas palavras que se repetem com frequência e que podem ser omitidas, trocadas por sinônimos ou até mesmo excluídas. Obs.: os apontamentos acima são exemplos, há mais o que ser revisado na história além deles. Aconselho que procure um beta reader; é sempre bom ter alguém para ler nosso trabalho e apontar o que acertamos e o que podemos melhorar, e os betas do Inkspired, quando contratados, fazem uma análise detalhada da sua história e a enviam através de um comentário. Caso se interesse, esse recurso também é disponibilizado pelo Inkspired através do Serviços de Autopublicação. Além disso, também temos o blog Tecendo Histórias, que dá dicas sobre construção narrativa e poética, e o blog Esquadrão da Revisão, que dá dicas de português. Confira! A história está bastante interessante, mas é recomendável que procure alguém que possa ajudá-lo a corrigi-la no quesito ortografia e gramática. Bom... Basta responder esta mensagem quando tiver revisado a história, então farei uma nova verificação.
25 de Maio de 2019 às 06:08
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