A balada do amor inabalável Seguir história

anxiousfox Anxious Fox

Park Jimin, possuía uma vida nada comum e nem ao menos sabia se poderia chamar aquilo de vida. Havia dado tantas entradas no hospital local que mal podia contar em seus dedos. O motivo? Era seu tremendo azar, vinha desde acidentes leves até aqueles que poderiam muito bem tê-lo feito vestir o paletó de madeira para todo o sempre, tinha plena certeza de que alguém do outro lado o odiava com todas as suas forças sobrenaturais ou adorava vê-lo sofrer. E foi em um de seus acidentes idiotas, naquele em que fora “atacado” por uma geladeira que por algum motivo sobrenatural resolveu cair em cima de si, que ele deu sua típica entrada no hospital e apesar dos pesares, aquele não era um dia comum, pois foi neste dia, em seu sétimo acidente que recebeu um convite inusitado, ao qual fora obrigado a aceitar. Afinal, não é todo dia que o “Azar” invade seu quarto a procura da “Morte”.


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Caça e caçador

[O ano era 1997, onde novamente Jimin sonhava com borboletas-amarelas.]



“Mais uma vez?”

Pensou o garoto, que já sentia seu corpo latejar de dor em diversos lugares assim que despertou de um sono que mais pareceu durar milênios.

Lembrou-se vagamente dos sonhos confusos que tivera, costumava sonhar com o mesmo, as mesmas cenas, a mesma confusão misturada ao sentimento de “pena”, as mesmas borboletas-amarelas que o rodeavam brilhantes em um escuro extremo e lhe traziam uma tristeza imensa, aquela que já se tornara cotidiana para o garoto tão acomodado com a própria condição.

Jimin poderia ser considerado um tanto melancólico, não seria estranho para ele ser descrito com esta palavra em específico, já que ele estava habituado ao seu maior defeito. Apesar de todo este pré-julgamento ao qual ele sempre esteve e sempre estará fadado, acredite, ele possuía todos os motivos para tal comportamento.

Embora já estivesse acostumado com aquela situação, não deixava de se sentir ridiculamente frustrado, desafortunado, azarado e todos os “ados” possíveis, ao se ver preso naquele ciclo desde sua desastrosa puberdade.

Já que mais uma vez, depois de tantas vezes ele havia se “acidentado” novamente, já era a sétima naquele agourento ano que mais parecia se tratar apenas de reprises. Pela sétima vez sua vida esteve em um tremendo risco, daqueles que nenhum ser humano comum saia vivo, aqueles que estrelam as listas de “Mortes mais idiotas de todos os tempos” ou “Olha á que este puto conseguiu sobreviver!” bem sensacionalista mesmo quanto mais melhor, mas nada longe da realidade em que ele vivia de fato.

Seu corpo doía para um inferno e seu humor estava daqueles, mal havia se recuperado do último acidente ao qual passou bons-dias enfurnado em uma cama, naquela que sempre era posto, onde poderia de certa forma ser lembrado sempre de sua situação incomum, onde morria sempre e ao mesmo tempo nunca morria de fato.

Não gostou de se recordar do que havia acontecido, seus músculos doíam só de reviver a cena em sua memória, podia até mesmo ouvir o baque contra algo, o som de seus ossos se partindo, e em seguida vinha sua recuperação milagrosa pela qual já aguardava, mais uma vez ele não era levado para o além, sobrevivendo a um acidente fatal como todos os outros foram, ridículos acidentes, porém, fatais segundo um ser humano comum, termo ao qual ele não se encaixava de fato.


Abriu os olhos mesmo não querendo, estava de saco cheio daquela merda de vida azarada, ou sortuda dependendo do ponto de vista é claro, mas Jimin era “pessimista” então se pegava pensando no porquê de o universo querer tanto assassiná-lo, ele tentava evitar, mas não conseguia, gostava de criar teorias absurdas sobre o porquê de tudo que o cercava, apesar dos defeitos era dono de uma linha de pensamento um tanto incomum. Nunca sequer sonhou que as “forças cósmicas” — como ele gostava de chamar — poderiam muito bem-estarem lhe salvando da morte que o perseguia como o cão persegue o osso.

Pessoas otimistas sempre foram raras e ele não tinha nada de raro em sua índole ou personalidade, estava desatado a quase todos os estereótipos usados para defini-lo. Era muito mais do que o pré-conceito baseado em primeira impressão que todos usavam para consigo, ou muito menos, novamente dependendo do ponto de vista de quem o julgava.

Acabou bufando quando deu de cara com aquele rosto tão conhecido, sendo impossível para si não revirar os olhos naquela direção sem vergonha e acanhamento algum, ele não tinha e nunca possui tal comportamento tão comum daquela sociedade. A vergonha.

— E aí doutor, tudo na paz? — murmurou sem ânimo algum para o homem que sempre o atendia, se tornou querido pelo médico em consequência das constantes visitas que fazia mesmo que sem querer.

O homem, aparentemente comum à sua frente nutria uma mistura de pena e curiosidade sobre o ser mais desafortunado que já havia tido o prazer de conhecer em vida. Era no mínimo intrigante para o doutor simpático um jovem como aquele, tão pequeno e aparentemente frágil ser tão resistente a acidentes catastróficos. Já até havia ponderado a possibilidade de o moleque ser um mutante das histórias em quadrinhos ou algo assim que costumava ler quando adolescente, já que era ridículo demais para ser real, apesar de não deixar de ser uma possibilidade. Ele apreciava Jimin de forma peculiar.

Depois de tantos anos de estudo e dedicação a medicina, profissão esta imposta a si desde o início de tudo, nada nunca lhe fez pensar em tantas possibilidades irreais que a habilidade de sobreviver a tudo do menino de nome Park Jimin. O jovem que parecia tão comum e apático a tudo, já que o mesmo, já não se importava há muito tempo com o que poderia vir a acontecer com seu corpo, o final era sempre o mesmo, não importava o desenvolver da trama se já sabia o final.

Já o garoto ainda estirado naquela cama de hospital, sustentava uma face fechada ao se olhar, mas que, na verdade era sua faceta mais relaxa apesar dos pesares.

Não gostava daquele lugar, aquele cheiro de doença e coisa esterilizada o deprimia.

Estava cansado daquela rotina de sempre ter que, no fim do dia acabar parando naquele lugar todo branco e com ares mais que tediosos em sua visão. Não era uma pessoa dramática, longe disso, mas já estava no limite de sua sanidade. Mal ele sabia que nunca foi tão são de fato.

— Já falei para me chamar de Jin — corrigiu de forma simpática e natural. Era íntimo o bastante daquele garoto para dispensar qualquer tipo de formalidade, não que tenham conversado muito, apenas se sentia responsável de alguma forma por aquele ser tão aparentemente frágil e indestrutível ao mesmo tempo.

— Deixa eu ver se eu entendi... você abriu a porta da geladeira, ela se quebrou de algum modo sobrenatural, caiu em você que fraturou três costelas, sendo que duas perfuraram seu pulmão direito que como consequência lhe deu uma hemorragia interna e agora você está aqui acordado, recuperado e conversando comigo normalmente — falou o médico, com um sorriso aberto no rosto, sendo tão ridiculamente simpático na opinião de Jimin que poderia cegar a qualquer momento o sempre emburrado garoto.

SeokJin apesar da aparência sempre tão calma e simpática era um tanto sádico. A atual apatia de Park Jimin o desagradava, gostava quando o garoto expressava algum tipo de dor, coisa ridiculamente rara e que agradava o doutor, já que era uma das poucas expressões tidas em Jimin que sempre sustentou uma máscara de indiferença indestrutível. O doutor era estranho, coisa que Jimin já havia notado, mas ignorado já que ele lhe atendia de graça sempre que precisava, era óbvia a curiosidade tremenda do mais velho por aquele fedelho sempre tão inerte. Jimin não reclamava do comportamento curioso do outro, pelo contrário, era um tipo de atenção estranha que lhe agradava, já que nunca costumou receber muita em sua vida.

— Não me pergunte nada, você sabe e eu sei que nada disso faz sentido, eu sei que era para eu ter morrido, de uma forma bem estúpida, mas era. — confessou o outro que já havia se entediado com a situação repetitiva, era sempre assim, acidentes estúpidos que tentavam a todo custo lhe matar da forma mais boba e vergonhosa possível, a morte parecia zoar muito com a sua cara e apesar de já ter se acostumado, ainda lhe tirava horas que deveriam ser gastas com tarefas mais significativas em sua visão.

— Pois é, você já está praticamente recuperado, passou algumas horas em coma e novamente sua recuperação foi humanamente impossível, sobrou apenas poucos hematomas e logo a dor passará. Tem alguém lá em cima que realmente gosta de você Jimin. Ou eu sou um médico muito foda mesmo, enfim, sinta-se grato. — explicou rindo bobamente, causando o som estranho característico de sua risada.

Seokjin adorava o tempo que passava com o outro, já que sua rotina era pesada demais e Jimin lhe tirava dela rapidamente. Não conseguia mais se surpreender com as façanhas daquela criança, afinal, Park havia acabado de completar seus dezenove anos e já havia encarado a morte sete vezes seguidas apenas naquele ano. Às vezes se pegava pensando em como a vida do garoto era antes de toda essa sequência de tragédias o perseguir, mas logo espantava esses pensamentos, já que aquele jovem não teria graça nenhuma para ele sem essa sua peculiaridade tão particular. Jin não era lá de boa índole também afinal, mas quem era atualmente, não é? Não podemos julgar.


O paciente permaneceu em silêncio logo após a fala do outro, não tinha mais perguntas, apenas voltou a fechar os olhos que já estavam irritados pela luz fluorescente do local insanamente branco. Segundos depois, pode ouvir os passos do doutor se afastarem e o som da porta sendo fechada, tornando o cômodo mais frio e silencioso que de costume.

Gostava daquela sensação, não sabia ao certo o motivo, mas desde que o azar passou a persegui-lo se pegou gostando do frio que tanto desprezava dois anos atrás, passou também a adorar o escuro, algo do qual sentia um medo tremendo pouco tempo atrás, agora lhe trazia conforto junto da baixa temperatura. Era como se braços invisíveis o rodeassem em um carinho terno e cuidadoso no meio do frio junto ao breu.

Sabia o quanto isso poderia soar estranho, por isso nunca deixou seus pensamentos escaparem por entre seus lábios.

Jimin não se comunicava com frequência, em sua visão tal ação demandava muito esforço mental, algo que o desagrava imensamente, por isso na maioria das vezes que o fazia por livre e espontânea obrigação o diálogo soava automático e sem emoção alguma, coisa que quase ninguém notava de verdade, já que grande parte dos seres humanos gostava apenas de ser ouvido e não de ouvir outra pessoa de fato. Talvez este fosse o grande motivo de ter se tornado alguém tão sozinho, incapaz de abrir-se com alguém, ou de encontrar alguém que realmente quisesse lhe escutar verdadeiramente e dialogar de forma não egoísta, sem esperar nada em troca, apenas escutar e falar, naqueles dias isso não existia ou na verdade nunca existiu.

Já não possuía família por perto, amigos muito menos, tinha conhecimento de que seu dia poderia estar perto. Lhe perseguindo cada vez mais rápido, o toque frio da morte o alcançaria de vez qualquer dia desses, apesar de ele não saber se estava pronto ou não para a partida, ao menos sabia que não faria falta a ninguém. Ele não conhecia o medo da morte, se um dia conheceu já havia se esquecido da sensação por completo.


Park Jimin era vazio naquele mundo, mas apenas naquele.


Foi imerso nestes típicos pensamentos que sentiu o ar se tornar ainda mais frio, frio o bastante para o fazer abrir os olhos e procurar pela existência de algum ar condicionado na intenção de desligá-lo, aparelho este que não foi encontrado por sua visão.

Seus olhos ainda um tanto dispersos, foram totalmente acordados quando deram de cara com uma pessoa ridiculamente próxima a seu rosto, a ponto de fazê-lo prender o ar em susto.

Se fixou involuntariamente em olhos extremamente escuros, de formato suave e acriançado que lhe encaravam com uma curiosidade aparentemente insaciável. Os lábios alheios mirados em seguida, estavam entreabertos como os de uma criança curiosa com seu novo brinquedo.

O desconhecido permanecia debruçado sobre o corpo de um Jimin assustado e confuso, que logo notou uma espécie de cajado estranho e aparentemente pesado na mão esquerda do invasor que o encarava fortemente. O objeto era daqueles vistos em desenhos animados, possuía um formato peculiar na ponta onde argolas soltas o circundavam parecendo serem feitas de um metal dourado de outro mundo, cintilavam como estrelas chegando a machucar seus olhos já sensíveis pela luz. Se perguntou como não havia notado a entrada daquele cara em seu quarto de hospital, achou estar sonhando acordado por um instante, mas logo espantou tal hipótese, não era de sonhar com pessoas, muito menos com este tipo de garoto peculiar, sua imaginação era forte, mas não criativa a este ponto.

Todas essas observações foram feitas pelo garoto ainda deitado na cama, em apenas três segundos, segundos esses que pareceram passar devagar pelo susto. Mas Jimin logo agiu, em um reflexo rápido tentou empurrar com seus músculos doloridos o desconhecido com cara de psicopata menor de idade de cima de si, entretanto, seu alvo pareceu se teletransportar do local antes que as mãos do baixinho o atingissem, reaparecendo um pouco mais afastado da cama do garoto. O invasor cruzou seus braços ainda com o objeto estranho em uma de suas mãos, sustentava um olhar reprovador na direção de Jimin, uma criança um tanto ousada em sua concepção.


“Que porra ta acontecendo?”


Pensou Jimin, que também ponderou seriamente em voltar a dormir e fingir que não existia um moleque parado no meio do seu quarto lhe encarando de cara feia.

— Que porra é… — tentou gritar, mas logo sua voz pareceu ter sido roubada, não pode terminar a frase já que nenhum som escapou de sua garganta. Encarou incrédulo o cara desconhecido, que levou o indicador na frente dos lábios em sinal de silêncio enquanto franzia o cenho visivelmente irritado com a reação desesperada do outro, que mesmo sem voz tentava berrar, sibilando palavras sem som.

Jimin não sentia medo, mas experimentava de uma irritação sem igual naquele momento, coisa que nem se lembrava mais como era.

Afinal, o que aquele cara estava fazendo ali?

Jimin não possuía nada para ser roubado, era um ser humano letárgico e nada interessante em sua visão, aquela perturbação era demais em sua rotina sempre tão regrada.

— Por que caralhos você não morre? — questionou o invasor notoriamente irritado, tanto em sua face quanto em sua voz.

Havia sido difícil para ele tomar coragem e quebrar as regras para se comunicar com aquele garoto maldito, que passou a atrapalhar seu trabalho pouco tempo atrás, era Park Jimin o culpado pelas advertências que passou a tomar frequentemente nos últimos tempos e por este motivo já não ia com a cara do moleque de cabelo amarelo.

Apesar da expressão espantada do outro ser divertida para si, notou que não deveria aparecer tão de repente para o humano, havia se esquecido o quanto eram sensíveis ao inusitado.

— Que merda é essa? Quem é você? — disse finalmente, pensando que se, ainda não estivesse um tanto debilitado, cairia no soco com o desconhecido que já odiou assim que pôs seus olhos. Jimin era temperamental em seu âmago, grande defeito seu que nunca havia sido notado antes.

— Eu to aqui tentando fazer meu trabalho e te ajudar nessa sua vida de merda e você me vem com essa atitude sem educação… — expressou o desconhecido espantando Jimin com seu tom firme e nervoso que não combinavam em nada com sua voz, juvenil e macia. Jimin se calou por estantes, não por estar temeroso e sim por estar chocado com tamanho abuso daquele merdinha que invadiu seu quarto do nada.

— Cadê aquele corno? — O moreno boca suja que sustentava o cajado indagou, olhando ao redor parecendo procurar alguém com uma expressão que na opinião do loiro, parecia tão confusa quanto estúpida.

— Do que tá falando? Quem é você e o que estava fazendo em cima da minha cama e por que caralhos você tem um cajado? — questionou o outro exaltado e cheio de gestos exagerados.

O rapaz de negro finalmente resolveu responder alguma pergunta, ao olhar no seu relógio imaginário e notar que já estava sem tempo para aquela situação chatinha. Limpou a garganta antes de dizer a que veio, contaria tudo de uma vez ao “cabelo-de-milho”, seria mais fácil e rápido, ele estava com pressa afinal.

— Eu to falando de você morrer moleque, bater as botas, ir para o beleléu, comer capim pela raiz, virar presunto, tu não morre, poxa! — respondeu sem respirar muito durante cada palavra indignada, Jimin se esforçou para acompanhar cada uma delas e no fim concluiu que teria que meter uns tapas no cara doido, talvez estivesse drogado ou algo assim.

Com uma expressão nada agradável no rosto, Jimin deixou claro o ódio ali, que até o momento era bem recíproco, fazendo o moreno a sua frente soltar:

— Muito bem Park-cara-de-bosta-Jimin, vou ser mais claro, eu sou o azar, apareci aqui para te ver de perto e eu tenho um cajado porque preciso canalizar energia de vez em quando, tipo quando quero levar um cuzão como você para o outro lado. — confessou revirando os olhos.

— O Que? — Aquilo já estava perdendo a graça para Jimin, não sabia se ria ou se simplesmente saía andando dali.

— O Que, o que? — replicou.

— Como assim você é o azar, por que quer me matar, idiota? — respondeu dando a entender o quão óbvio era.

— Primeiro, cuidado com a boca, segundo, esse não é bem o meu nome, mas em resumo eu sou o azar encarnado, aquele que define se você vai se fuder ou não, aquele que mexe com as probabilidades de dar merda em situações críticas, e bem… já passou da hora de você morrer, faz quase dois anos, desde aquele dia em que teu micro-ondas explodiu. — Jimin se lembrava daquele acidente besta, tentou fazer pipoca e seu micro-ondas simplesmente se suicidou explodindo em pedaços que machucaram seu rosto, mas não chegaram a atingir lugares vitais.


“Que maneira idiota de tentar matar alguém, deve ser por isso que ele sempre falha”


Pensou o menor com um sorriso presunçoso nos lábios, aquela história sem fundamento era tosca demais, porém, não deixava de ser cômica.

Notando uma quase calma no olhar do outro, o “Azar” sossegou um pouco aquele estresse todo e abriu um sorriso largo que se tornou um pouco assustador e encantador ao mesmo tempo, nada condizente com seu trabalho, mas gostava daquele contraste em si. Embora sua forma física fosse o que menos lhe preocupava, sabia o quão humanos eram superficiais e o quanto se ligavam na estética, por causa disso havia escolhido aquela aparência, não era inofensiva, mas não deixava de possuir um ar inocente. Não que tal coisa estivesse afetando Park, o garoto não se atraía por nada nem ninguém naquele mundo, não sabia se era por ser um tanto amargurado demais, ou por simplesmente ser sexuado, não parava muito para pensar nesses assuntos, estava focado demais em não se machucar novamente, odiava hospitais afinal.

— Não conseguiu me “matar” até hoje, então por que acha que vir aqui vai te ajudar? — indagou, fazendo o moreno pender a cabeça para o lado com a pergunta tão direta, não esperava aquilo mesmo.


“Humano estranho esse, ele não parece ter medo e nem duvidar do sobrenatural”


Pensou o tal “Azar”, que focava no rosto alheio com certo estranhamento, a reação daquele humano lhe pareceu tudo menos normal, jurava que sairia correndo para longe de si, já que ele estava literalmente tentando matá-lo por dois anos inteiros. Foi naquele momento, que a entidade notou que o moleque na sua frente era mais anormal do que imaginava, a letargia contida naquele rosto mesmo com aquela situação era surreal. Mas naquele momento, tinha assuntos mais importantes para tratar além da esquisitice do moleque a sua frente, deixaria tais assuntos para mais tarde.

— Qual a sua relação com a morte, Park Jimin? — perguntou, curto e grosso, já que, o fato de Park Jimin não ser completamente afetado por ele o irritava profundamente. Era a morte, literalmente a “Morte” que simplesmente resolvia tirar folga toda vez que o relógio batia avisando que o moleque estava fazendo hora extra na Terra, estava de saco cheio daquela merda toda causada pelo humano de merda.

O alvo da questão franziu seu cenho em confusão, afinal o que aquele cara estava lhe dizendo?

— A “Morte”? — indagou, fazendo aspas com os dedos em um deboche óbvio.

— Você não o conhece? Não é possível… aquele filho da puta nunca vem te buscar quando é preciso, eu jurava que vocês poderiam ter algum tipo de relação. — confessou, parecendo falar mais consigo mesmo do que com Jimin.

— Olha, dá pra sair do meu quarto, eu estava tentando dormir e você atrapalhou, eu não faço ideia de quem você seja, se for realmente o “Azar” gostaria de te mandar para a puta que te pariu, pois por sua causa eu me fodi muito esse ano. Se esse tal de “Morte” aparecer por aqui eu te aviso, agora, por gentileza… some daqui! — berrou, de saco cheio daquele papo sem sentido, apesar da raiva contida em sua voz, ele não afetou o outro a sua frente que apenas revirou os olhos para o menor. Deixando claro que o tal Azar não estava nem aí para suas lamúrias ou ordens sem educação, na verdade, o Azar estava nem aí para quase tudo, característica tosca que possuía em comum com aquele humano.

— Está tudo bem por aqui senhor? — questionou a enfermeira que entrou no quarto com pressa ao ouvir os berros do paciente que ecoaram pelos corredores, pegando de surpresa o pobre Park, que achou que finalmente se livraria daquele cara chato pra caralho.

— A senhorita poderia retirar este rapaz do meu quarto, ele invadiu e não tem minha permissão para permanecer aqui. — ordenou, sorrindo vitorioso para moça que pareceu perdida com a pergunta no início, fitando todo quarto, ato que a fez de confusa ficar preocupada com o paciente que provavelmente estava vendo coisas onde não tinha.

— Que rapaz senhor Park? Sente-se bem? — perguntou, preocupada já que, provavelmente teria de chamar o psiquiatra do local para examinar o pobre rapazinho que parecia estar alucinando.

Jimin arregalou os olhos na direção no Azar, sabia que não estava louco e teve certeza disso quando viu a cara de deboche do moreno a sua frente, prendendo o riso com uma das mãos, era óbvio que o Azar apareceria apenas para seu alvo, apenas Jimin conseguia enxergá-lo afinal.

Segurou o palavrão que desejou mais-que-tudo soltar, dispensou a enfermeira dizendo ainda estar um pouco tonto de tudo que ocorreu e que precisava apenas dormir um pouco. Focou seus pequenos olhos naquele cara a sua frente, desejando tudo não passar de um pesadelo, mesmo sabendo não estar sonhando e disse.

— Te chamarei de Jungkook a partir de agora, porque pelo visto você gosta muito de me fuder não é mesmo? — indagou, com ódio palpável na voz. Jungkook foi um "ex-colega" de Jimin que há muitos anos não via — sim, ele já teve um amigo — E esse tal Azar invasor de quartos de hospitais era ridiculamente semelhante ao colega de infância de Park, com o qual teve desavenças. Grande coincidência, o cara que estava tentando lhe matar ser um clone de um imbecil que esteve em seu passado sombrio.

— Uh! Gostei do nome, mas relaxa eu não quero te fuder. Não nesse sentido, enfim, sinta-se honrado por essas duas coisas, já que apenas você pode me ver. — avisou, deixando uma piscadela para o loiro que revirou os olhos que já doíam de tanto serem revirados. Seu plano era fingir que o outro não existia até ele sumir de vez, mas o “Azar” agora denominado de “Jungkook” se aproximou de sua cama novamente, sorrindo de lado, causando estranhamento em Jimin que recuou de forma automática se afundando ainda mais nos travesseiros fofos em suas costas.

— Sei que minha presença não é estranha para você Park, pare de fingir é óbvio e mais… Parabéns você será meu mais novo assistente. — revelou, ainda sorrindo daquela forma que Jimin descobriu odiar. A pose superior daquele cara lhe deixava fulo da vida, tão fulo que nem ao menos notou estar sentindo algo além de sua típica indiferença.

— O Que? — berrou, desconfortável com a aproximação, odiava qualquer tipo de contato físico desde a infância, algo ainda não superado por ele. Eram coisas demais para se assimilar em apenas alguns minutos.

— Você vai me ajudar a encontrar a morte Jimin. — revelou azar sorridente demais diante aquela situação toda.

16 de Maio de 2019 às 16:58 0 Denunciar Insira 0
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