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No mundo em que eu vivo, todos somos iguais, exceto se você for uma ômega, escárnio e vergonha da sociedade. Ora, o que vocês esperavam? As ômegas são consideradas filhas de Freya, a deusa do sexo e da sensualidade. Dessa forma, você retrata fielmente o seu cheiro afrodisíaco, a sua beleza inigualável e o seu poder irresistível de sedução, o que naturalmente provoca um grande sentimento de ciúme e inveja por parte das demais fêmeas. Além disso, como Loki gosta de enfatizar, Freya é considerada uma deusa promíscua e que já seduziu todos os deuses, inclusive Odin. E, é daí que ganhamos a fama de devassas e destruidoras de lares, sendo vistas apenas como um divertimento sexual ou um simples objeto de procriação. O meu caso é ainda pior. Como se não bastasse ser uma ômega, nunca manifestei minha loba e muito menos tive o meu primeiro cio. Portanto, sou tida como uma loba fraca e amaldiçoada pelos deuses. Ou seja, como eu ainda tive a audácia de sonhar que o meu predestinado aceitar-me-ia de bom grado? Principalmente depois de terem tramado tamanha armadilha contra mim, colocando-me como uma impura, diante de toda a alcateia? Jamais que ele me assumiria. De qualquer forma, agora, pouco isso me importa. Estou indo embora, ainda que seja a contragosto. E mesmo que eu precise selar esse amor aqui dentro de mim, nunca mais voltarei para os seus braços. Reescreverei a minha própria história, independente do que os deuses determinaram para mim.


Fantasia Épico Para maiores de 21 anos apenas (adultos).

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Capítulo 1


UM NOVO AMOR


Capítulo 1


"Não quero ser tudo pra ele, quero ser apenas quem ele não trocaria por nada."

Filme O primeiro amor


No mundo em que eu vivo, as mulheres de nossa sociedade possuem alguns de seus direitos garantidos. Muitas, por exemplo, são proprietárias de terras. São também autorizadas a conduzir rituais de sacrifício e ritos de adoração aos nossos deuses. E, se preferirem, podem ainda ingressarem nas expedições colonizadoras; ou, em caso de ataque, cooperar ativamente na defesa de nossa aldeia. Isso se você não for uma ômega, como eu.

Agora, no caso, por exemplo, eu estou sentada em um canto pouco iluminado de uma das muitas salas do grande casarão do nosso Alfa, onde se realiza uma reunião de extrema importância. É uma câmara bem ampla e rústica, bem ao nosso estilo, os lupinos. A imensa mesa de madeira pura comporta não somente ele, mas seu beta e os seus seis conselheiros. Ao todo, oito pessoas.

Encolhida do jeito que estou e sendo definida como uma loba ômega, embora ela ainda não tenha se manifestado fisicamente, naturalmente que muitos pensariam que eu sou uma simples serva ou escrava. Todavia, eu não sou. Sou a irmã de seu beta e, como tal, auxilio no que for possível e necessário em ocasiões como essa.

Não que devêssemos nos deter aos detalhes que envolvem uma possível hospitalidade. O caso aqui é sério o bastante para nos prendermos a essas pequenas minúcias. Mas, como uma ômega e sendo a irmã de quem eu sou, é meu dever cuidar desses pormenores. Ao menos, é para isso que estou sendo treinada.

A reunião continua por horas a fio, cada um expondo o seu lado, principalmente no que diz respeito à possibilidade de avançarmos ainda mais a oeste. Quanto a mim, como instruída anteriormente, mantenho a cabeça baixa, ouvindo cada frase e sem dizer uma única palavra. E, dessa forma, reprimo por muitas vezes o meu sorriso apaixonado, ao perceber a forma sábia e admirável com que o Erik dirige a reunião. Ele até me lembra uma daquelas frases de Dwight Eisenhower:


"Não se é líder batendo na cabeça das pessoas. Isso é ataque, não é liderança."


Erik é exatamente assim. Pressiona daqui, elogia dali, instiga um, concorda com outro, inflando os egos e manipulando todos, sem que eles se deem conta disso. Mas, não se engane. Ele ainda mantém sua natureza tempestiva, fria e agressiva, principalmente sendo o que é.

Em um determinado momento da reunião, meu irmão pigarreia, sinalizando que eu deva novamente encher suas respectivas canecas com uma das nossas melhores cervejas artesanais. Servindo-os, ainda sinto o olhar penetrante do Erik sobre mim e todas as células do meu rosto se aquecem. Quando por fim levanto o meu olhar, ele desvia o seu. E, é justamente nesse ponto específico que sou surpreendida com as palavras de um desses velhos banguelas:

— Precisamos de uma Luna. Não podemos perder mais tempo esperando a tua companheira, Erik. Nem sabemos se algum dia ela aparecerá. — meu sangue chega borbulhar dentro de mim. — Precisamos ampliar as nossas terras e adquirir novos escravos humanos. Para tanto, é fundamental que a nossa alcateia tenha uma Luna.

É verdade que esse assunto não é colocado em pauta pela primeira vez; uma vez que, como o velho disse, precisamos de terras mais férteis, climas mais amenos e escravos, visando futuras riquezas. No entanto, é a primeira vez que minha loba fica em alerta e o meu coração bate de forma tão sôfrega dentro de mim. Ele até me olha pelo canto de seus olhos e meu coração bate ainda mais rápido, martelando sem piedade o meu peito. Chego arfar diante das emoções que me atingem.

— Eu escolho Kiara do clã Aakjaer. — é categórico.

— Eu não disse, Hakon? — ainda escuto as palavras desse velho tagarela se dirigindo ao meu irmão, festejando. — Nosso Alfa jamais nos decepcionaria. — continuo despejando o líquido em sua caneca, incrédula com o que acabo de escutar. Não é possível. — A filha de Aakjaer é a melhor escolha. Uma loba forte e poderosa. Uma verdadeira filha das Valquírias.

Ele só cala a maldita boca quando, por um descuido meu, sua caneca transborda e o molha. Antes fosse proposital, mas não é.

Eu ainda demoro uns bons segundos para reagir diante de toda essa situação em que me encontro. Ainda formulando essa novidade em minha cabeça, tenho todos os olhares voltados para mim, e eu apenas me divido entre os deles e o do Erik, que não esboça uma única reação. Frio como uma pedra de gelo.

A minha reação seguinte é tempestiva, como sempre. Sentindo o coração quase que em frangalhos, saio dali, batendo o pé e com os olhos cheios de lágrimas. Fico no corredor, andando de um lado para o outro. Por um lado, penso que compreendi mal sua decisão. Não creio que ele se casará com outra pessoa. Não mesmo. Por outro lado, em alguns momentos, sinto-me imensamente destruída por imaginar que eles estão lá dentro discutindo todas as cláusulas de um possível e iminente casamento. Um casamento que não será meu.

Isso não é real. Não é e não é.

Não me perguntem por quanto tempo fiquei como uma barata tonta nesse corredor. Eu não saberia lhes responder. Pode ser que tenham sido meros minutos ou algumas horas. O caso é que me pareceu uma eternidade, até o instante em que vi os anciãos saindo dali, um por um e juntamente com o meu irmão, que me envia um de seus olhares mais amorosos, cúmplices e cheios de piedade.

Suspiro.

— Apenas entre lá e conte a ele sobre como nós nos sentimos.

A voz da minha loba ecoa dentro de mim. Mas, diferente das outras ocasiões, seu incentivo não surte muito efeito. Em especial, quando posso escutar os passos irrequietos do Erik. Por algum motivo, ele não me parece muito propício a ter um diálogo como o que pretendo. De qualquer forma, se as conversas e as negociações sobre ter uma Luna se iniciaram, eu não posso mais me dar ao desfrute de ser uma ômega medrosa e vir a perdê-lo para todo o sempre. Isso realmente está fora de cogitação. Portanto, tudo o que me resta é respirar fundo, tentar acalmar as batidas desenfreada do meu pobre coração e entrar naquela sala. Só que eu não contava com um pequeno detalhe. Jamais imaginaria que quando entrasse por aquela porta e escutasse o meu nome sendo sussurrado pelos seus lábios, minha cabeça fosse dá um nó... E que nó!

Eu me esqueço completamente do meu principal objetivo de estar aqui. O único pensamento que passa pelos meus neurônios é o quanto ele é lindo. Um lindo de morrer. Com a pele bronzeada, extremamente másculo, com os olhos de um azul penetrante, os cabelos dourados como o sol e os lábios finos, a palavra "lindo" chega ser até um impropério. Ele é um verdadeiro deus!

Ele anda em minha direção, passa por mim, olha o lado de fora e fecha a porta. Eu ainda fecho meus olhos, permitindo que seu cheiro viril e amadeirado entre por completo pelas minhas narinas. Eu só me dou conta de como estou parecendo uma loba boba e apaixonada, quando ele pára bem na minha frente, com os braços cruzados e com toda sua pose imponente.

— Alguma coisa errada, ruivinha?

Decido, então, seguir com o meu plano inicial.

— Eu vim conversar sobre o teu casamento. — respondo sem nem ao menos respirar, colocando minhas mãos para trás de minhas costas, camuflando os meus tremores.

— E você acha mesmo que irei conversar esse tipo de assunto com você? — a mudança de seu humor é nítida. Sua inédita rispidez me atinge, enquanto eu o vejo se afastar e se sentar em uma poltrona de couro marrom, próxima à lareira e de frente para mim. — Não seja tola, Alana. Você é só uma criança.

— Não sou mais uma criança, Erik. — esbravejo irritada. — Será que você ainda não percebeu isso?

— Então, me diga sua idade. — ele sorri de canto e eu fico muda ao perceber o quão sujo ele está jogando comigo. — Vamos! Diga-me.

— Completo dezoito anos daqui a quatro semanas. — respondo de queixo erguido. — Idade o suficiente para saber quem é o meu companheiro. — Corro um risco enorme; mas, decido confrontá-lo, mesmo sendo uma ômega e ele, o nosso Alfa. Pelos deuses! O que vocês esperam que eu faça? Estou a ponto de perder o grande amor da minha vida.

— E eu posso saber quem é o seu companheiro? — pergunta com desdém.

— Você. — afirmo sem pestanejar, orgulhosa com a minha recente descoberta ousadia.

Ousadia ou não, o ar fica tenso entre nós e o silêncio perdura por um longo tempo. Erik apenas anda até a janela, fitando o lado de fora por uma infinidade de segundos. Eu ainda mantenho minhas esperanças intactas, mesmo ele me vendo apenas como uma loba ingênua e infantil. Até que ele se vira para me fitar e eu percebo a forma congelante com que ele me olha. Não consigo me recordar de um único dia ou de uma única ocasião em que ele tenha se voltado para mim com a expressão tão séria e carrancuda. Eu chego tremer diante do profundo medo que me acerta.

— Esse casamento é um acordo político. — começa — Preciso de uma Luna poderosa que possa fortalecer alcateia — todas as minhas esperanças estão sendo minadas lentamente, de acordo com as palavras que ele me diz. — E ninguém melhor que Kiara de Aakjaer para nos oferecer tal coisa, em um momento em que precisamos ampliar os nossos domínios. — fico literalmente de boca aberta. Ele realmente não sente o laço que nos une? Eu não acredito nisso. — Quanto a você, Alana. Sejamos sinceros, o que você tem a me oferecer?

— O maior amor do mundo. — sussurro. A minha coragem e esperança vão se dissolvendo pelo ar.

— Ruivinha... — sua voz sai com uma espécie de súplica. — Não.

— Eu sou tua companheira, Erik. — murmuro de modo apressado, tentando o convencer.

— Não me diga uma coisa dessas

— Mas, é a verdade. — minha voz sai em um tom mais alto. — Não é possível que você e o teu lobo não sintam a nossa ligação.

— Por Odin, Alana! — grita, bagunçando os cabelos. — Essa ligação não será possível.

— Por quê? — choramingo.

— Porque ela não existe. — explode, desviando o olhar. — Além disso, o que você poderia me oferecer? — volta a me perguntar.

— Eu seria capaz de qualquer coisa para ser uma excelente companheira e a melhor Luna que nossa alcateia poderia ter. — minha causa está quase perdida e as lágrimas já ameaçam fugir pelos cantos dos meus olhos.

— Não diga tolices! Você é só uma criança.

— Eu sou uma ômega... — ignoro suas últimas palavras. — Dizem que somente as ômegas são capazes de saciar os alfas.

— Saciar quem? — uma gargalhada nervosa sai de sua boca — — Você nem ao menos teve teu primeiro cio, não emana o cheiro característico de uma loba e nunca a manifestou. — respira fundo. — Sem contar que, como você mesmo disse, é uma ômega. Uma ômega, Alana. — repete, perfurando meu coração com suas palavras duras e cruéis. — Juntando tudo isso, podemos dizer tranquilamente que você é uma amaldiçoada. Uma indigna!

— Você está me rejeitando? — pergunto de cabeça baixa e com as lágrimas já inundando os meus olhos. O golpe final está preste a vir e eu já posso visualizá-lo vindo com rapidez e precisão em direção do meu coração.

— Saia, Alana. — ele me dá as costas.

Humilhada, uso as mangas do meu vestido para enxugar minhas lágrimas que não cessam por um único segundo. Dolorida com suas palavras e principalmente por confundir meus sentimentos, vou até a porta. Eu só quero sair daqui e o quanto antes. Giro o trinco e saio, tentando recuperar o fôlego e a razão de viver, enquanto novas lágrimas surgem em meus olhos como poderosas cascatas.

13 de Maio de 2019 às 18:15 0 Denunciar Insira 1
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