Assassino Seguir história

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Marcus M Antoniazzi


Quando são perdidos os padrões da razão, não é possível perceber o limite entre o real e a loucura. As mortes daquele fim de 1986 se tornaram um mistério para o investigador que buscava entender o que acontecia em Brooksfield. Nathan tinha certeza de que havia um responsável pelas mortes e iria se dedicar totalmente para encontrar o assassino que o presenteava com relógios. Nesse suspense, o autor conduz os amantes de investigação policial por uma história envolvente com boa dose de terror psicológico.


Suspense/Mistério Para maiores de 21 anos apenas (adultos).

#assassino #policial #mistério #terror #crime #suspense
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Rua Norlington

sexta-feira, 14 de novembro de 1986


1

Naquela estática noite, toda aflição estava voltada para a Rua Norlington. A noite parecia cada vez mais longa e sombria. A escassa luz do luar, pálida e lúgubre, se esgueirava pelos becos vazios da cidade preenchendo lentamente qualquer superfície que tocava.

O silêncio que tomava conta do pequeno bairro daquela vasta cidade, parecia tão ensurdecedor quanto o grito desesperado da vítima do apartamento 347 momentos antes.

A chuva congelante do outono escorria pelos chapéus dos policiais que guardavam a entrada do pequeno prédio. Eles o separavam dos curiosos que inconscientemente ansiavam por qualquer novidade do caso.

As duas horas e oito minutos que marcavam os ponteiros do relógio da igreja não eram capazes de afugentar as pessoas na frente do prédio onde tal atrocidade havia ocorrido.

No apartamento 347, os móveis estavam perfeitamente organizados e limpos. Os porta-retratos mostravam com orgulho fotos da jovem cercada de amigos em seus momentos mais felizes. Nada demonstrava conhecimento do acontecido, senão pelo rastro de sangue que guiava qualquer um que entrava pela porta da frente. O rastro de sangue formava um caminho tenebroso até o corpo ensanguentado da jovem mulher em seu quarto.

De bruços, como que implorando por misericórdia, a jovem mantinha suspenso um dos braços na beirada da cama. Ele gentilmente conduzia o sangue que lhe restava até seus dedos desfalecidos para, finalmente, formar lentas e generosas gotas que se somariam à poça no chão.

Seminua, mostrava uma silhueta harmoniosa, que contrastava com os cortes precisos e quase invisíveis no antebraço esquerdo e no delicado pescoço. Finos rios de sangue vermelho-escarlate jorravam do corte em seu braço, contrastando com a pele ainda rosada.

O banheiro do quarto ainda tinha um pouco do vapor do banho que embaçava o vidro do espelho e toda superfície transparente do ambiente. A porta entreaberta liberava parte da fumaça úmida e esbranquiçada que explorava a cena do crime com certa inocência.

A noite fria lá fora era bloqueada pelas janelas fechadas do apartamento, separando o frio glacial do calor confortável do ambiente. A recente fatalidade era incapaz de liberar os odores insuportáveis da morte, ou ainda os vermes que, inevitavelmente, se alimentariam daquela carcaça humana, mas ainda era uma cena de horror, os cortes, todo o sangue, nada daquilo tornava aquela cena mais fácil de encarar.

Os olhos vidrados da jovem pareciam assustados e um tanto incomodados com o olhar fixo do homem que observava atentamente a cena de horror, atrás da fumaça que subia da ponta de seu cigarro.

Era Nathan Kirten, um investigador experiente do departamento de polícia. Seus 45 anos pintavam seus cabelos, quase que totalmente grisalhos. Eles tinham certa harmonia com a barba e bigode curtos da mesma cor. O homem de estatura alta e pele clara, observava aquela jovem como se lembrasse de uma cena tão atormentadora quanto àquela.

O nome de sua esposa era Susan, morta quatorze anos antes por um criminoso que invadiu sua casa. Desde então, nunca se recuperou completamente de sua perda. Somente a nicotina podia acalmar seus nervos.

Sua vida solitária o lembrava a todo instante de sua esposa, de seus momentos juntos, do seu sorriso envolvente. Nathan nunca mais foi o mesmo. Em seus piores momentos, prometia vingança ao responsável, mas a sua consciência logo o desencorajava. Foi impossível encontrá-lo quatorze anos antes e hoje, seria dez vezes mais difícil. Mas ele nunca desistiria, isso o manteve vivo por quatorze anos e o manteria por mais mil anos, se preciso.

Novamente ali estava ele, encarando um corpo inanimado nos olhos, buscando respostas. Parecia conversar com ela mentalmente, tentando entender o que havia acontecido.

Ele não conseguia parar de pensar nos últimos momentos daquela jovem mulher e nas infinitas perguntas que fazia a si mesmo – Como isso aconteceu? Ela realmente se matou? O corte no pescoço, ela não conseguiria fazer aquilo sozinha. Onde está a arma do crime? O que estou fazendo aqui, porra?

O relógio de bolso prateado aberto ao lado do cadáver em cima da cama gritava por atenção. Checou seu relógio novamente e sacou um pequeno caderno onde fez suas últimas anotações antes de se levantar, gravando para sempre suas suspeitas no papel.

Foi até o relógio em cima da cama, que marcava nove horas, dezessete minutos e três segundos. O relógio estava tão imóvel quanto a garota assassinada, exibindo com orgulho os ponteiros parados.

Por um momento, Nathan pensou ter visto um dos ponteiros se mover, como que se brincasse com sua sanidade. O investigador esfregou os olhos com a outra mão e, como se nunca tivesse acontecido, o ponteiro havia voltado para a sua posição inicial.

Mais uma vez o corpo atraiu sua atenção, obrigando-o a encarar os cortes e sua postura. Nathan nunca se acostumou com casos como este, nunca teve a chance de ter um filho com Susan, então sempre vê os jovens mortos como um possível filho que poderia ter tido em outra realidade menos perversa e cruel.

Todo o sangue parecia ter sido esvaído daquele corpo, mas a cor da pele dela sugeria uma temperatura agradável e serena, quando comparada àquela noite fria. Nathan queria a cobrir com o cobertor, ela parecia sentir frio, parecia incomodada com algo. Várias pessoas estranhas dentro de seu apartamento a observavam sobre sua cama, enquanto outros fotografavam sua nudez mórbida.

Mas ela não se protegia dos flashes das câmeras, não tentava bloquear a visão dos policiais, tampouco tapar seus seios com as mãos. Ela não podia fazer nada disso porque estava morta.

Nathan havia revirado o quarto centenas de vezes e não havia encontrado nada de relevante. O detetive olha novamente para a jovem e, acenando com a cabeça para outro policial, sai do quarto em direção à porta de entrada com as suspeitas que o incomodavam. O corte em seu pescoço deixava claro para Nathan que alguém havia matado aquela jovem mulher e não saber a resposta para essa pergunta o deixava impaciente.

O medo e o nó na garganta que sentia, não vinham da atrocidade decorrente no apartamento 347, mas sim devido à frieza com que encarou aquele e tantos outros assassinatos durante sua vida profissional. Involuntariamente, sua consciência o protegia das barbáries com que, como policial, teve que conviver.

O apartamento estava cheio de policiais, os flashes das câmeras tomavam conta do lugar. Eles pareciam relâmpagos de uma forte tempestade iminente.

Antes de sair, esbarrou-se com dois policiais que traziam uma maca para carregar a jovem, inerte. Isso confirmou a realidade da situação ao êxtase de sua descrença do acontecido. Nathan era experiente, mas nunca conseguiu evitar sua humanidade. Os casos o envolviam em sua complexidade e mistério, forçando sua total dedicação e exigindo que seus sentimentos fossem deixados de lado e que o seu lado profissional assumisse o controle.

Ele vestia o chapéu ao mesmo tempo em que descia as escadas da entrada principal do prédio, que terminavam nos tijolos de pedra que formavam a calçada da Rua Norlington. Automaticamente, sua mente buscava qualquer prova que pudesse ajudar na solução do caso.

Até o momento, a sua única certeza era a arma do crime utilizada: uma lâmina muito bem afiada. Não poderia ser uma simples faca, seu corte foi tão preciso quanto ao de um bisturi manuseado com muito cuidado por um cirurgião.

– Um bisturi. Isso! Talvez a arma utilizada fosse realmente um bisturi – sussurrou Nathan.

Puxou novamente seu caderno de anotações e, sem hesitar, adicionou “lâmina muito bem afiada” logo depois de “jovem, aproximadamente 23 anos, assassinada em seu quarto, cortes precisos no antebraço esquerdo e no pescoço”.

Pouco depois de guardar seu caderno com anotações do caso, o policial percebeu a presença de uma silhueta que observava toda a movimentação na frente do prédio. Provavelmente um homem, usava chapéu e uma capa de chuva, estatura alta, parecia bastante calmo analisando tudo de longe.

Ao perceber o interesse de Nathan, sumiu como uma sombra pelo beco em que estava. A suspeita corroía a mente de Nathan, forçando-o a perseguir o homem instintivamente.

Todos os olhares se voltaram ao policial que corria pela rua vazia em direção ao beco, abandonando o cigarro incompleto pelo caminho. Nathan parecia convicto, dobrou a curva confiante e seguiu pelo beco como se soubesse o paradeiro do suspeito.

Ignorando completamente qualquer obstáculo que se opusesse a ele, percebe um vulto saindo em direção à rua ao lado. Mais que depressa, corre em direção ao suspeito ordenando que ele pare ao mesmo tempo em que saca sua arma do coldre em sua cintura.

Preparado para o combate, Nathan age como um verdadeiro predador perseguindo sua presa que tenta fugir desesperadamente. Em sua mente, não poderia ser outra coisa. O investigador estava certo de que tinha encontrado o responsável pela morte da jovem mulher.

Ao alcançar o fim do beco, por um instante, olha para ambos os lados da rua vazia e sombria e, como num piscar de olhos, é atingido por algo que o derruba instantaneamente. Não pôde prever tal golpe, foi rápido e certeiro.

Uma chuva forte começa ao mesmo tempo em que um fio de sangue escorre pelo seu rosto. Por um segundo, permanece no chão sem reação ouvindo o homem se distanciar pelo centro da rua vazia.

Rapidamente se levanta e aponta a arma na direção do homem e o disparo fez com que o suspeito parasse, sem alternativa.

Se aproximando cautelosamente do homem caído, com a arma apontada em sua direção, ordena:

– Não tente nada estúpido.

O suspeito sem reação, acolhe a perna atingida grunhindo um som indistinguível de dor. Sem chapéu, Nathan alcança o homem deitado no meio da rua enquanto outros policiais chegam com reforços.

Oficial Blake, ao se aproximar, imobilizando o suspeito com um par de algemas, ergue-o levando até o banco de trás da viatura. Após se certificar de fechar a porta da viatura, pergunta:

– Você está bem Nathan? Está sangrando.

Nathan responde automaticamente, erguendo a mão ao corte:

– Sim, na verdade acertei o maldito também. Leve-o para o departamento, acho que está envolvido nessa merda.

Blake pergunta, preocupado:

– Você precisa ir ao hospital?

– Não, estou bem.

– Acho que deveria ir para casa e voltar somente quando melhorar – insiste o jovem policial.

Nathan acena com a cabeça para Blake e volta à ruela onde fora atingido para recuperar seu chapéu enquanto Blake leva o suspeito ao departamento de polícia.

Ao chegar ao beco, avista a barra de metal utilizada para atingi-lo logo ao lado de seu chapéu e, ao se abaixar para apanhá-lo, percebe uma silhueta imóvel, o encarando de dentro do beco. Como que uma ilusão, desaparece em forma de vulto, congelando sua espinha como o medo que sentira antes.


2

No dia seguinte, no departamento de polícia, Nathan, com um curativo no topo da cabeça, interroga o suspeito já medicado que se recuperava do projétil que atravessou sua perna direita.

Nathan, presunçosamente, pergunta:

– Por que diabos a matou?

O homem, sem hesitar, responde com um sorriso irônico no rosto:

– Não sei do que está falando. Não matei ninguém.

Nathan insiste apoiando firmemente as mãos na mesa:

– Por que a matou? Sei que está envolvido nessa merda!

O homem mordia os beiços com raiva entre as insanas gargalhadas, dizendo:

– Eu não a matei.

Nathan continua:

– Alguém mais está por trás disso?

O homem olha em sua direção e responde:

– Você sabe muito bem quem a matou.

Nathan confuso, se levanta em ira e agarra o suspeito pelo colarinho:

– Do que está falando?

– Não vai encontrá-lo, ele é apenas uma sombra. Você não pode prender ele em uma cela. Você consegue prender fumaça com as mãos?

Sem avisar, Blake invade a sala abrindo a porta pela metade com um envelope grosso na mão direita que se apoiava no batente, pedindo que Nathan saísse por um minuto.

Do lado de fora da sala com a placa INTERROGATÓRIO, logo acima do batente, Blake explica que o homem se chama Garret Hammergate, um viciado com vários crimes registrados, desde perturbação até assaltos. Garret é conhecido por morar nas ruas e assaltar pessoas vivendo uma rotina constante de prisões pouco duradouras.

A mente de Nathan começa a processar toda aquela informação recém adquirida, tentando ligar os pontos.

De volta à sala, Nathan com fotos da jovem assassinada do apartamento 347, pergunta à Garret:

– Conhece esta mulher?

Garret confirma acenando a cabeça pouco antes da segunda pergunta de Nathan:

– Quem a matou? Por quê correu quando fui em sua direção? Pode tornar isso tudo mais fácil para você.

O suspeito então responde, com ironia:

– Eu não a matei, apenas fiz o que ele me disse para fazer.

Nathan insiste:

– Se não a matou, quem foi? Quem é ele? O que ele disse para fazer?

Garret responde, ainda gargalhando:

– Ele me disse para levar o relógio – Nathan paralisa, enquanto o homem conclui – e que você saberia o que fazer com ele.

O policial se levanta e sai da sala em direção à sua mesa ao som das risadas insanas do homem. Ele está à procura do relógio que estava na cena do crime, revira todas as gavetas até encontrar o envelope plástico com o relógio de bolso ensanguentado.

Mais uma vez, olha o aparelho quebrado enquanto o retira do envelope. Após alguns instantes, busca seu caderno no bolso de seu casaco que cobria o encosto de sua cadeira, procurando qualquer informação relevante entre suas anotações.

Nathan não sabia o que fazer, o relógio era tão comum quanto o que guardava no bolso, mas pertinentemente, o policial procurava por qualquer relação com o crime.

Ao inclinar o relógio, percebe um sutil barulho dentro do pequeno aparelho. Era o som de alguma peça que estava solta, um parafuso talvez. Ao retirar a tampa traseira do relógio, se depara com um pequeno pedaço de papel amarelado dobrado de forma simétrica. Mais que depressa, pega o pedaço de papel desdobrando-o.

As letras falhadas sugeriam que aquilo fora escrito por alguma máquina de datilografia, e as palavras bem arranjadas da frase enigmática diziam:


“Nem tudo que pode ser visto, representa o que você realmente é.

A”


Lendo aquela frase, Nathan teve a certeza de que havia um responsável pela morte da jovem mulher e ele estava tentando conquistar sua atenção.

– Quem deixaria uma mensagem depois de matar uma pessoa? – pensou.

Toda aquela situação penetrava a mente de Nathan de forma descontrolada, aguçando sua necessidade de compreendê-la.

Blake o interrompe novamente, mas agora com a certeza de que algo está errado. Apesar de jovem, Blake conhecia Nathan há muito tempo, sabia quando ele desconfiava de algo, então o indaga:

– Nathan, o que é isso? O que ele disse?

– Não é nada, ele apenas – responde Nathan ao mesmo tempo em que esconde o relógio de volta na gaveta – ele está tentando se safar dessa.

– Mas você está certo de que ele é o responsável?

– Se você está perguntando se temos provas contra ele: não, não temos. Mas eu tenho certeza de que está envolvido com essa merda.

– Como você está? – Nathan olha confuso para Blake.

– De que está falando?

– Do corte – responde Blake, apontando para o curativo em sua testa.

– Claro, o corte. Está melhor, na verdade nem foi tão feio assim.

– Tem que tomar cuidado Nathan, aquele homem poderia ter te matado.

– E eu vou fazê-lo se arrepender por isso. Pode apostar que vou – responde confiante.

Blake observa a determinação do homem engajado no novo caso. Podia ver em seus olhos que não iria parar antes do fim. Impedi-lo seria como tentar remover o osso de um cão feroz e faminto.

– Quase me esqueci, a vítima é Ashley Monhyll. Ela trabalhava no escritório de advocacia há dois blocos daqui. Tinha 23 anos de idade, estava terminando o curso de direito. Não encontramos nenhum contato dos familiares, parece que morava sozinha.

– Obrigado Blake, vou investigar as evidências. Ver o que elas me dizem. Algo me diz que não se trata de um suicídio.

– Acredita que Garret fez isso?

– Ele é o principal suspeito, mas não descarto o envolvimento de outros.

– Encontrou algo na cena do crime?

– Somente muitas perguntas sem resposta – responde vagamente.

– E não é assim todas as vezes?

A ironia do policial incomoda Nathan, mas ele está preocupado demais para se importar. Sua resposta vazia encerra a conversa, para que ele pudesse continuar a investigação:

– Sim, é claro.

– Se precisar de qualquer coisa, me avise. Até mais Nathan.

Nathan não parou de pensar por um minuto sequer naquele maldito relógio, nem mesmo a conversa com Blake pôde distraí-lo. Aquele pedaço amarelado de papel despertou algo no investigador que sempre achava alguma forma de pensar em Susan e como aquele criminoso havia escapado impune. Aquilo não poderia acontecer novamente, dessa vez a vítima seria vingada.


3

O detetive observa a mensagem letra por letra, escritas com segundas intenções. A frase se destacava do vazio esbranquiçado da superfície do papel. O enigma, seguido de um A maiúsculo, não contava tudo à Nathan, apenas o que o incomodava mais.

Nathan desejava ter encontrado uma simples carta suicida que poderia facilmente encerrar o caso revelando a possível verdade escrita à tinta. Suas palavras uniriam o assassino e a vítima ao mesmo desfalecido corpo que jazia sobre a cama do apartamento 347. Seria o suficiente para cessar a tortura que começava a se instalar ao redor de Nathan. Enquanto pensava, uma brisa arrepiante se choca contra a pele de seu pescoço, ouriçando os delgados pelos que brotavam dos poros, feito raízes milenares. Porém, nenhum bilhete foi encontrado no quarto da jovem, nenhuma mensagem senão aquela dentro do relógio de bolso prateado.

Sua consciência dizia para si mesmo – Alguém está brincando com você, Nathan. Você tem que encontrá-lo. Ele quer que você o encontre.

Os ponteiros do relógio pendurado na parede parecem resistir ao movimento paralisando o tempo, enquanto as sinapses incessantes percorriam seu cérebro cansado, carregando toda a dúvida para dentro. O vento uiva sua chegada pelas frestas, trazendo consigo o frio que toma conta da sala calma e vazia do departamento de homicídios.

Junto com o vento, Blake entra mais uma vez na sala, abrindo a porta com certa impaciência. O que trazia nas mãos parecia tê-lo convencido antes mesmo de dar espaço à dúvida incômoda do questionamento. Estendendo uma das mãos, oferece o papel como uma oferenda, dizendo:

– Você precisa dar uma olhada nisso. Os policiais encontraram em uma das gavetas do quarto da vítima. Parce importante.

O investigador observa as palavras manuscritas em um tom azul típico de canetas esferográficas, cético. O conteúdo daquela possível carta suicida poderia indicar o que havia passado por sua cabeça anteriormente, mas a desconfiança sobrenatural que sentia o incomodava de forma insuportável.

Nathan não podia suportar a dúvida em seus pensamentos, ele tinha que ver o corpo mais uma vez. Talvez encontrasse algo que tivesse passado despercebido ou que o médico-legista pudesse ter descoberto. Ele estava certo de que encontraria respostas no necrotério.

20 de Abril de 2019 às 04:38 1 Denunciar Insira 8
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MM Marcus M Antoniazzi
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4 de Maio de 2019 às 20:04
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