Virei taxista Seguir história

rafaelma90 Rafael Martins Augusto

Uma data ruim, pensamentos de uma vida dentro do carro e uma aventura fora dele. A história de um jovem taxista solitário pela cidade, seus medos, seus passageiros e as consequências disso tudo.


Romance Erótico Para maiores de 18 apenas.

#vireitaxista
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Eu não gosto do Natal

Pra mim, era só mais um Natal. Acho que desde que eu deixei de ser criança, nunca gostei muito dessa data. Reunir um monte de gente que eu não fazia questão, fixar um sorriso no rosto por obrigação social, comemorar algo que eu nem seguia, algo que mesmo que eu acreditasse, nem era hoje de fato. Que sorte que no táxi posso pensar o que eu quiser sem ninguém saber. E entre um passageiro e outro, essa era a temática que pairava em minha mente no dia de hoje.


Acordei cedo, botei uma roupa qualquer, porém, digna para quem não tem chefe e nem escritório, dei graças a Deus pelo ar condicionado do meu veículo e fui rodar. Hoje em dia é mais fácil rodar. A era dos aplicativos. Se eu não desativar em determinado momento, fico ali pra sempre. É corrida que não acaba mais. Pros que pensaram que o Uber ia acabar com o táxi, erraram feio. As paradas não acabam, elas se transformam. Locadora ficou na nuvem, o jornalismo é digital e o táxi tem o aplicativo como pai.


E fui assim até 13h. Horário que sempre parava pra almoçar. Eu sou chato com horário, reconheço. Sou chato porque ser pontual atualmente é ser chato. E tenho essas manias. Almoço é 13h. Não sei quem me falou isso, mas tenho como verdade absoluta. Sou capaz de questionar a origem e a credibilidade do Natal, mas não a do almoço. É aquilo, cada um tem para si o que é sagrado.


Dessa vez, comi na rua mesmo. Tava distante de casa e nem queria comer a comida que tinha em casa. Morar sozinho é bom. O ruim é isso, eu tenho que cozinhar. E eu não sei cozinhar. Tenho a habilidade de fazer umas experiências que não me deixam morrer de fome, mas pra quem vê a gastronomia como uma fonte de prazer, eu sou um grave atentado. Mas sigo fazendo as coisas. Cozinha funciona como terapia pra mim. Depois do táxi, claro. Mas cada um a sua maneira, sinto que é o que me mantém em dia com a saúde mental. Foco em uma receita, me isolo dentro do meu transporte e assim sigo rumo aos 31 anos. As pessoas vem falar de pegar sol, beber água, fazer exercícios. Porra nenhuma, o que um ser humano precisa é inventar uma receita para o dia e dirigir. A paixão pelos carros veio tarde na minha vida. Mas que bom que veio! Meu mundo acaba ficando dentro do carro. É ali que relaxo, planejo o dia, penso nas coisas, escuto minhas músicas e tomo minhas decisões.


Voltando ao almoço, pelo preço que paguei, até que esse Strogonoff estava bom. Também não tem muito erro. É um prato bem na zona de conforto. Qualquer coisa, joga uma batata, mistura e tá lindo. Peguei meu troco com desejos de feliz natal e retribuí. Devia ser a milésima vez que eu falava aquilo hoje, e ainda era início da tarde. Obrigado, feliz Natal pra você também. O que exatamente aquilo queria dizer? Sei lá, sei eu reproduzia melhor que um papagaio.


E pensando em que animal eu seria se eu fosse um animal, eu voltei pras ruas. Acho que eu seria um papagaio mesmo. E lamentei por não poder ser eu mesmo com meus passageiros. Esse era um assunto que eu gostaria de ter com a senhora que acabei de pegar, por exemplo. Mas como agradar o cliente é o objetivo, sempre deixo eles comandarem a direção da conversa. Acho que sou muito bom com isso. Sou melhor na conversa do que dirigindo. Acho que sou tão bom nisso, que os distraio e eles nem reparam que eu dirijo mal. E a senhora escolheu maternidade, ver os filhos saírem de casa e desejar netos. Eu não tenho nada disso, e nem quero, mas mergulhei fundo no tema. Acho que o segredo é não discordar profundamente e acrescentar leves pontos, quase que repetidos, mas com palavras diferentes. Pronto, mais uma corrida finalizada, mais uma avaliação de 5 estrelas no aplicativo e mais um feliz natal desejado.


E assim o tempo voou. Já eram 18h. Era o meu primeiro ano no táxi, nunca tinha trabalhado no Natal. E aí me veio uma ideia. Despencar pra casa da família lá longe é o caralho, vou ficar rodando. Eu gosto do meu trabalho, eu tô precisando de dinheiro e é a desculpa perfeita. O Bruno não pode vir, pois está trabalhando. Quem vai questionar isso? É até louvável. Então seria assim, ia rodar, ia aceitar todas as corridas possíveis e quando não aguentasse mais, ia dormir. Ao acordar, já nem seria mais Natal. Plano perfeito para essa data inútil.

3 de Abril de 2019 às 14:13 9 Denunciar Insira 120
Leia o próximo capítulo Fim da corrida

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elisa santoos elisa santoos
eu to querendo muito pegar um taxi com esse motorista. adorei cara, ficou bem descontraído e foda. parabéns mexmo
3 de Maio de 2019 às 12:18

  • Rafael Martins Augusto Rafael Martins Augusto
    Valeu Elisa, obrigado! Quem sabe um dia um taxista também não te renda uma boa história rs 17 de Maio de 2019 às 01:55
  • elisa santoos elisa santoos
    aikk, meu vo era taxista e ele contava umas pérolas. ele ja pegou o tony ramos no taxi e disse q era gente boa demais. antes disso, meu vô xingava o cara por achar ele metido kkk 17 de Maio de 2019 às 04:55
  • elisa santoos elisa santoos
    aikk, meu vo era taxista e ele contava umas pérolas. ele ja pegou o tony ramos no taxi e disse q era gente boa demais. antes disso, meu vô xingava o cara por achar ele metido kkk 17 de Maio de 2019 às 04:55
Silmara Silva Silmara Silva
MUITO BOM...
28 de Abril de 2019 às 14:47

Leonardo Dias Leonardo Dias
Cara, que máximo!
10 de Abril de 2019 às 18:32

  • Rafael Martins Augusto Rafael Martins Augusto
    Valeu Leonardo! Fico feliz que tenha gostado. Chegou a ler os outros capítulos? 14 de Abril de 2019 às 03:31
  • Leonardo Dias Leonardo Dias
    Venho lendo aos poucos! Quando puder dê uma olhada na minha história também! Abraço! 16 de Abril de 2019 às 19:33
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