The Queen Seguir história

lollipopmars Lollys Mars

A plateia gritava seu nome, os aplausos lhe invadiam os ouvidos, mas, atrás de si, o celular tocava, Philip a chamava, precisam dela no hospital. Todo o glamour substituído pelo pânico. Precisava ir. Haviam vidas a serem salvas.


Fanfiction Bandas/Cantores Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#drama #doctors #drag-queen #philip-lawrence #cardi-b #bruno-mars
1
1978 VISUALIZAÇÕES
Em progresso
tempo de leitura
AA Compartilhar

01

— E agora, com vocês: Crystal Futz! — O apresentador falou gritando contra o microfone.

Uma salva de palmas, acompanhada de gritos foi ouvida, enquanto o apresentador, um homem alto que estava usando um salto agulha preto, uma cartola vermelho sangue sob sua cabeça, uma meia calça arrastão da mesma cor da cartola e um terno de calças curtas e um blazer lustroso negro com uma calda que ia até o chão e arrastava-se graciosamente enquanto ele caminhava para fora do palco, dando espaço para a atração mais aguardada da noite.

As luzes ao redor se apagaram e apenas um feixe de luz foi posicionado no centro do palco. As cortinas roxas estavam fechadas, a expectativa era grande, todos estavam ali por ela.

Quase tão lentamente que chegava a doer, as cortinas foram sendo abertas e Crystal surgiu detrás delas.

A maquiagem era simples, os olhos haviam sido escurecidos nos cantos e usava um pouco de brilho prateado nas pálpebras. Na boca um batom nude e as bochechas traziam um rosa claro, tão claro que quase passava despercebido. O cabelo era castanho claro e havia sido escovado até ficar liso feito seda na raiz, embora o coque escondesse as ondas em que o cabelo havia sido moldado, era simples, porém elegante. Apesar da simplicidade, toda a extravagância havia sido guardada para o vestido.

Era um modelo sereia de renda florida vermelha com uma cauda curta e que ajustava-se perfeitamente às suas curvas. Os seios eram pequenos e arredondados e não faziam mais do que um pequeno volume sob o vestido, que possuía um longo decote em V até o meio da barriga. Nas costas, o vestido deixava um grande vão que ia quase até as nádegas, deixando a pele acobreada exposta. As mangas eram longas e iam até o pulso, também justas ao corpo.

Usava também um salto agulha feito sob medida, também na cor vermelha, e uma meia calça de renda vermelha florida, embora passasse despercebido sob o vestido.

A plateia gritou, assoviou o bateu palmas, enquanto Crystal ia até o centro do palco, o microfone que usava era pequeno e estava preso ao rosto, quase passava despercebido se não fosse o pequeno pedaço de fita que o mantinha preso ao seu rosto.

— Boa noite! — Falou, sua voz era suave, porém um tanto aguda. A plateia gritou em resposta. — Ouvi dizer que estavam esperando por mim. — Foi respondida com mais gritos. — Então deixemos de enrolação!

Crystal fechou os olhos por alguns segundos e então falou:

It doesn't matter if you love him, or capital H-I-M. — As primeiras notas tocaram. — Just put your paws up, ‘cause you were born this way, baby.

A batida eletrônica da música começou a tocar, o público pulava e dançava no ritmo da música enquanto Crystal agitava um dos braços fingindo pular junto com eles.

E então, no momento exato, começou a de fato cantar.

As palavras saiam com fluidez e no tempo certo e o público cantava junto, porém, ainda assim, a voz de Crystal se destacava na multidão.

Ela dançava, ainda com cuidado e com passos curtos, tentando ao máximo não pisar no próprio vestido e cair.

Quando chegou na segunda estrofe da música, dançarinos surgiram no palco, usando nada menos que uma simples lingerie preta e seguiram dançando atrás de Crystal, embora ninguém conseguisse tirar os olhos dela.

No momento em que proferiu a última sílaba da segunda estrofe, antes do refrão, Crystal puxou a saia do vestido e a atirou para um canto, soltou o cabelo e começou de fato a dançar, seguindo a coreografia original da música.

A parte de cima do vestido se tornou um body e a meia calça de renda ganhou total destaque, enquanto Crystal cantava e dançava.

A música seguia e Crystal estava arrasando. O público estava completamente envolvido e cantava junto e Crystal não poderia estar mais feliz. Nunca achou que conseguiria chegar ali. Parecia que a qualquer momento ela iria acordar e descobrir que tudo não havia passado de um sonho e ela ainda estava com seus pais no Hawaii.

Alguns minutos depois, a música chegou ao fim e a ovação foi enorme, Crystal estava cansada, tentando recuperar o fôlego, porém e acima de tudo, estava feliz. Olhar para todas aquelas pessoas apreciando o que fazia era o melhor presente que ela poderia ganhar. Todos os gritos, as palmas e até mesmo algumas roupas de baixo jogadas ao palco. Aquilo era mais do que Crystal jamais sonhara.

Crystal se curvou, agradecendo ao público, sendo imitada pelos dançarinos atrás de si, e acenou para a plateia.

— Muito obrigada a todos vocês! — Falou ainda enquanto acenava graciosamente e então as luzes apagaram e ela saiu do palco.

Um dos dançarinos pegou em sua mão logo que ela se virou e a guiou para fora do palco, enquanto a plateia continuava a gritar seu nome.

Por trás das cortinas estava Philip, um homem negro e forte, e muito mais alto que Crystal seu melhor amigo e que sempre a acompanhava em suas performances. Ele a abraçou apertado e Crystal achou que fosse ser esmagada.

— Me saí bem? — Crystal perguntou ao amigo.

— Maravilhosamente bem! Um arraso total! Eu disse que você deveria cantar, não disse? Conseguiria um contrato fácil, fácil.

— Sabe que eu não vou seguir com essa sua ideia doida, Phil. Eu gosto das apresentações tudo, mas essa não é vida pra mim. — Crystal falou enquanto caminhava até o camarim.

— Você seria a maior de todas, Crystal. Você nasceu para ser uma estrela. Eu sei o que eu digo.

— Você só diz asneiras. Não nasci para ser estrela coisa alguma. Eu sou só a Crystal nas horas vagas.

— Não vamos começar com isso de novo. Se você não quer ouvir a diva que há dentro de você, não sou eu quem vai te convencer do contrário.

— Não vai mesmo. Agora cale a boca e me ajude aqui.

Alguém havia deixado a saia do vestido de Crystal em cima do pequeno sofá do camarim e Philip guardou-a na mala junto com o resto das coisas da Crystal.

Ajudou a remover os quilos de maquiagem, e em pouco tempo, Crystal havia voltado a ser Peter.

Ele pegou o telefone em sua bolsa e notou algumas chamadas perdidas da namorada. Ela iria certamente iria querer uma explicação e Peter não tinha certeza se estava apto para dá-la. Pelo menos não naquele momento. Estava feliz demais com a apresentação da noite e não queria estragar tudo brigando com a Belcalis.

Arrumou toda a bagunça que haviam feito e então levaram as coisas para o carro de Peter.
A dra. Almanzar poderia ser bem irritante quando queria.

Enquanto Philip dirigia de volta para casa, Peter ligou para a namorada.

— Hey babe. — Peter falou tentando parecer sexual o suficiente para convencer a namorada a não interrogá-lo tanto.

Onde você estava? — A mulher falou do outro lado da linha, pelo menos não parecia zangada.

— Estou com o Phil. Estamos indo para casa.

Onde estava o seu celular? Eu liguei um milhão de vezes e você não atendeu. Achei que algo tinha acontecido.

— Desculpa, querida. Esqueci o celular no carro.

Da próxima, faça o favor de prestar um pouco mais de atenção. Achei que você estava morto em uma vala qualquer. — Ela suspirou do outro lado da linha. — Nosso encontro ainda está de pé?

— Sempre. — Falou e desligou o telefone.

— Sabe que a Crystal daria uma ótima atriz com esse seu talento? — Philip falou sem tirar os olhos da estrada. — Inclusive, estive em contato com um produtor que adoraria fazer um comercial com a Crystal de estrela.

— Philip, nós já falamos sobre isso. A Crystal se limita a alguns shows. Nada de comerciais, nada de anúncios, rede sociais, vídeo clipes. Isso é muita exposição e eu já me exponho o suficiente.

— Se não quer se expor tanto, porque simplesmente não para?

— Sabe que não é assim tão simples.

— Peter, você não vai poder segurar essa máscara de médico hétero cis certinho pelo resto da vida. Em algum momento, você vai se defrontar com uma situação em que terá que escolher. Não dá para esconder a Crystal pra sempre. — Philip falou enquanto manobrava para entrar na garagem da casa que dividia com Peter. — A Crystal nasceu para brilhar, e você sabe disso.

— Veremos. — Peter falou enquanto tirava o cinto de segurança e começava a sair de dentro do carro. — Agora cala a merda da boca e me ajuda a colocar as coisas lá dentro.

1 de Abril de 2019 às 00:28 0 Denunciar Insira 119
Continua…

Conheça o autor

Lollys Mars Desde 2012 escrevendo altas merdas por ai.

Comentar algo

Publique!
Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a dizer alguma coisa!
~