O Pecado mora ao Lado Seguir história

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A sua paixão era platônica, nunca teria coragem de falar a ele, mesmo que fossem vizinhos e se vissem todos os dias. Se contentava apenas em vê-lo concertar os carros com a delicia do seu corpo nu. Bem, era isso que pensava até chegar um convite da irmã. Uma boate? Porque não? acabou de entrar na faculdade, precisa de diversão! Sim, a diversão seria uma lap dance daquele que sonhava todas as noites.


Fanfiction Anime/Mangá Para maiores de 18 apenas.

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Desentendido

Lá estava ele. Ah...ele era a minha perdição, sempre de ferramentas nas mãos e com o físico forte que se exibia com o tronco seminu. Mesmo coberto com graxa e outras sujeiras que eu achava nojento e nem sabia de onde vinha, eu não deixava de admirá-lo. Cabelos castanhos, pele morena e olhos verdes, como aqueles olhos mexiam comigo...

Desde que nasci, moro na mesma casa de sempre, com meus pais e minha irmã mais nova - que de nova não tem bosta nenhuma, é só idade mesmo, aquilo lá é um ser humano pervertido - Mikasa. Sempre tivemos uma vida pacata, e com pacata eu digo: Nada que um soco não resolva tudo, não é mesmo? Meu relacionamento com minha família não passa de estranho. Sempre fomos unidos, e mesmo sendo um pouco radicais, tínhamos vizinhos legais e que se davam vem conosco.

Daí que surge adelíciaque vive na casa do lado. Eren Jaeger era o seu nome. Se mudou para cá quando tinha dezessete anos, seus pais morreram em um acidente na empresa que eram funcionários. Zeke era seu irmão e nosso vizinho a anos e sendo o único parente próximo, foi com ele que veio morar.

Tinha quatorze anos na época e não dei muita bola quando chegou, quem os atendeu foi o meu pai mas assim vi seus olhos verdes pela primeira vez, foi como se o chão tivesse desaparecido dos meus pés.

///Lembranças///

– Venha Eren! – Zeke gritava enquanto abria o porta-malas e retirava algumas bolsas e pertences.

Eu estava ajudando meu pai a cortar o gramado e limpar toda a sujeira verde que ia ficando pra trás e notei que nem sinal da pessoa que Zeke chamava.

– Mas será possível...– O loiro deixou as malas no chão e marchou até a porta do passageiro e abriu dando um grito sem dó – Vai dormir o resto do dia? Acorda Eren!

Vi quando o moreno saiu do carro aparentemente tonto de tanto dormir e balbuciando qualquer coisa. Estava de roupas de verão, uma bermuda jeans clara até os joelhos, uma blusa regata preta, cabelos castanhos e um tênis simples e preto. Não consegui ver seu rosto, visto que saiu e ficou de frente pra Zeke que lhe dava algumas malas para levar. Este estava quase igual ao irmão mas era loiro e tinha barba igual a cor do cabelo. Vi quando se virou para mim e meu pai que estava um pouco mais ao fundo e acenou.

– Bom dia Levi, Bom dia senhor Arckeman!

– Bom dia, Zeke, está bem? Vejo que já trouxe o seu irmão. – Meu pai largou o rastelo encostado na entrada da casa e caminhou cumprimentando Zeke com um aperto de mão.

Virei-me desinteressado e continuei a varrer a sujeira, ouvido alguns burburinhos sobre como poderíamos ser amigos. Estava escrito idiota na minha testa? Essa era a única explicação plausível para isso. Rolei os meus olhos e continuei até ouvir ser chamado pelo meu pai.

“Hoje é dia…”

Me virei com a força do ódio e quando fui pra forçar um sorriso vi como o moreno sorria expectante e com olhos vívidos. Eram verdes elindos. Seu sorriso era largo e mal cabia no rosto.

Senti meu estômago revirar e o coração disparar sem motivos algum, fiquei um pouco em transe com aquelas sensações que não conseguia descrever. E o que eu fiz? Ah sim, pela primeira vez eu agi feito idiota e entrei na casa sem nem mesmo olhar para os irmãos.

Me sentia estranho. Eu senti nostalgia ao ver aquele sorriso e olhos luminosos, era como se eu já tivesse visto mas eu tinha certeza absoluta que não. Nunca tinha visto aqueles olhos, eram lindos demais para alguém se esquecer, então...

Porque?– Eren se perguntava ao ver um olhar do demônio em Levi.

– Levi é um pouco complicado de lidar, ele é muito sério e silencioso, não me admira ele ter feito isso. Bom...– Shiro deu de ombros e se colocou a andar de volta pra casa – Sei que vão voltar a se falar.

///Realidade///

Ainda me admiro como não entendi o que se passava comigo por um ano. Evitei totalmente o contato com ele e sempre fugia quando via que ele vinha conversar comigo.

Entrava em pânico como nunca tinha entrado antes. Geralmente tratava as outras pessoas com indiferença e palavras ríspidas mas com ele, eu nem conseguia falar. Até que um dia Mikasa reparou demais na situação e deduziu que eu poderia estar apaixonado.

Meu mundo caiu pro inferno.

Eu? Apaixonado? Por um homem?

Pois é, eu estava e senti um alívio imenso quando decidi assumir isso.

E quanto a Mikasa, essa se abria toda com Eren. E quando eu falo se abria toda, é porque se abria toda mesmo. Se tivesse a mínima oportunidade saltaria pro pau de Eren e só o próximo rei Arthur iria conseguir tirar.

Mas infelizmente (felizmente) ele nunca quis nada com ela, alegando que só via como amiga e que já tinha outra pessoa.

Depois disso, meu mundo ultrapassou o chão do inferno e foi parar sabe lá onde. Com os anos, reparei que sempre no começo da noite ele saia com uma garota loira de coque e olhos azuis-claros e na verdade ele até hoje faz isso e eu não sei bem o porque, então achei que fosse ela e deixei meus sentimentos de lado e nunca contei.

Hoje estou com dezenove faltando um mês de fazer vinte consegui uma vaga em uma das faculdades federais e continuo com a mesma enrolação. O cumprimento às vezes, visto que agora não passo tanto tempo em casa e ele continua com a mesma mania de vir conversar comigo com olhos expectantes do mesmo jeito que a primeira vez.

Se tornou ajudante na oficina mecânica de Zeke assim que terminou a escola.

Essa também é uma das coisas que foram frustrante para mim, nunca tive a oportunidade de estudar com ele porque, primeiro: Éramos de idades diferentes e segundo: a escola para respectiva séries eram separadas, quando tive a oportunidade de ir pra escola onde estudava, ele já tinha saído.

Bem, a vida não colaborou muito comigo, mas já aprendi a lidar com os sentimentos que sinto e deixar de lado quando preciso.

Suspirei deixando o vidro da janela onde estava embaçado. Estava sentado no sofá com uma xícara de chá preto na mão e com um cobertor sobre as minhas pernas encolhidas.

Era novembro e o esava um frio do Inferno em Berlim e eu não conseguia entender como aquele ser humano estava sem blusa alguma carregando várias caixas do lado de fora.

Ah, sim...eu tinha o costume de observar como um belo maníaco, eu lá tinha culpa se ele eragostosodemais pra desviar o olhar?

– Está babando de novo, Levi. – Mikasa apareceu na porta da sala com um sorriso divertido – Até quando vai ficar apenas babando sem falar nada?

– Quando você tomar vergonha na cara e parar de dar pra meio mundo. – Não me dei o trabalho pra olhar pra ela.

– Pelo menos eu pego quem eu quero – Deu de ombros e se sentou ao meu lado puxando um pouco da coberta. – É sério, Levi. É desde os treze anos.

– Tch. E daí? Eu tô muito bem assim.

– Não, não está. – Ela agarrou o meu braço e me puxou pra fora das cobertas.

Mikasa e eu sempre tivemos uma implicância um com o outro, batíamos um no outro as vezes mas era por pura brincadeira, entretanto, quando ela queria, tinha força descomunal no corpo dela.

– Me solta Mika. – Falei entre os dentes

– Não até você acabar com essa frescura, se você gosta do cara, fala! Você fala de mim mas é um covarde. Se passaram quantos anos? Você acha que ficar olhando pela janela vai fazer brotar um sentimento no coração dele?

Vi a porta da frente ser aberta e ela me arrastar pra fora e começar a descer as escadas.

– Mika...olha...– senti um nó na minha garganta. Sabia que era tudo verdade mas eu não tinha culpa.

– Você vai falar com ele, Levi. E vai ser agora. Eu ou nunca mais olho na sua cara.

Não…eu não vou. – Tentei falar firme mas ela continuava me arrastando começando a chegar na calçada onde ele ainda estava trabalhando com algumas caixas.

Comecei a me desesperar quando vi que ele nos notou e até arrumou os cabelos que agora estava na altura do ombro.

– Oi Mika, Oi Levi. – Abriu mais um daqueles sorrisos que mexiam comigo. Meu coração bateu mais rápido.

– Vai falar sim. – Falou entre os dentes e eu comecei a puxar meu braço. Vi que Eren que aproximava – Levi! Para!

Eren ficoi confuso. Meus olhos corriam entre o meu braço preso por Mikasa e o moreno que começava a ficar com um aparência de preocupado.

– O que foi, gente?

Aquele foi o meu limite.

Eu não quero, okay?– Puxei meu braço com força e me soltei. – Eu não quero falar merda nenhuma Mikasa, será que não entendeu que eletemoutra pessoa enuncaficaria comigo?

Mikasa arregalou os olhos.

– Ele... não...– Ela começou por falar.

– Levi...– Ouvi Eren chamar e foi então que a ficha caiu.

Meus olhos estavam voltados até agora pra Mikasa e eu por um momento esqueci-me de Eren, olhei para ele e vi como seus olhos passaram de preocupação para algo que não consegui decifrar.

– Você…

– Eu vou embora – Senti meu estômago revirar e estava com um nó na garganta. Saí a passos rápidos ouvindo Eren me chamar juntamente de Mikasa mas não dei bola, continuei até chegar em casa e entrar no meu quarto. Não tive a insanidade de deixar a porta aberta porque eu sabia que Mikasa viria, a tranquei e sentei na cama.

O que eu tinha feito? A boca da Mika um dia me mataria. Sempre quis manter-me longe porque eu sabia o que viria acontecer. Preferia ficar calado do que sentir a dor de uma rejeição.

– Levi. – Escutei Mikasa chamar. – Me desculpe eu...não sabia...eu – ouvi a voz dela fraquejar. Sinal de que estava começando a chorar. Ela passava de uma completa pessoa raivosa a uma pessoa completamente sensível.

Suspirei e andei até a porta e a destranquei. Ela entrou com os olhos marejados e ficou parada em cima do tapete cinzento que estava no chão.

– Não precisa ficar assim. – Sentei-me de novo. – Suas intenções foram boas mas eu já sabia de algumas coisas e...por isso não falei nada e nem queria.

– Espero que você fique bem…

– Eu vou ficar – Ela veio em minha direção e sentou-se do meu lado e me abraçou.

Eu não sentia tristeza, era somente um vazio. Já tinha me acostumado a saber que o moreno tinha outra pessoa e que saia com ela quase todos os dias. Mas acabei por me levar por aquele abraço e me aconcheguei nele.

///Alguns dias de depois…///

– Leviiiiiiiii! –Meu deus do céualguémtiraessa louca daqui – Vamos Levi, vai ser legal.

Hanji estava tentando me convencer a sair junto com ela e aqueles loucos que ela chamava de amigos e eu não iria nem se me pagasse. Queria manter a minha sanidade intacta.

– Já disse que não. – Falei em um tom frio e cortante

– Você deveria ir. – Ouvi a voz de Mikasa atrás de mim.

Ótimo, duas retardadas tentando me levar ao inferno.

Eu odiava pessoas, pessoas suadas, pessoas bêbadas, pessoas drogadas. Uma boate tinha tudo isso em um combo.

Era meio óbvio a minha escolha.

E mesmo assim estavam a meia hora tentando me convencer do contrário. Estávamos na sala de casa, Hanji estava comigo para fazer um trabalho de biologia e Mikasa estava vadiando depois de ter chegado do trabalho e simplesmente do nada começaram com um assunto de uma boate gay onde tinha dançarinossuper interessantes- na visão da Hanji, então vocês podem imaginar pessoas muito estranhas. Eu é que não queria me misturar com mais gente que salivava por qualquer porcaria que pode se servir de amostra - incluindo corpos mortos.

Hanji era louca por essa coisas, além de ser fissurada em pornografia. Era cada coisa que ela assistia. Como eu sabia? Uma vez ela me fez assistir, alegando que seria o presente de aniversário para ela.

Me arrependo até o último fio de cabelo. Prefiro gastar todas as minhas economias do que ver penetração dupla por quase duas horas de novo.

Aquela coleção era do demônio e não de um ser humano normal.

– Por favor Levi. – Ela começou a falar em tom raro de preocupação. – Você não tem vida. Fica segurando sentimentos pela delícia e não sai pra nada. Até quando?

– Como você...– Não deixei transparecer demais a minha surpresa mas, só Mikasa sabia disso...ou então. – Mikasa...– Falei entre os dentes.

Ela deu de ombros.

– Não bota a culpa em mim, não disse nada. Dessa vez sou um inocente – Ela ergueu as mãos em um sinal de desistência, se levantou do sofá e veio até a mesa onde estávamos com vários papéis espalhados e dois Notebooks ligados.

– Ora Levi...– Hanji se levantou da cadeira e começou a andar de um lado pro outro com as mãos nas costas. – Você é uma pessoa que esconde bem os sentimentos e nunca deixa nada transparecer nessa sua carinha monótona. Logo...– ela parou ficando de frente pra mim – uma pessoa dessas ficar visivelmente nervoso com um “Oi” de outra, é no mínimo suspeito.

– Mas eu nunca…

– Já sim! Você desviou o caminho e entrou em casa e deu um cumprimento gaguejando. – Falou em tom autoritário que eu não quis desfazer. – Agora, vai ou não vai com a gente e esquecer um pouco dessa paixonite ridícula?

Suspirei e concordei com a cabeça. Gritinhos histéricos foram ouvidos e eu sabia que a minha morte estava assinada.

///Três dias depois///

Após aquela cena que me deixou sem chão, veio o convite e parando pra pensar, não era de todo mal. Iria me divertir - ou pelo menos eu estava tentando pensar assim - ver algumas pessoas -que Hanji insistia que eu visse - seria uma noite normal, onde haveria adolescentes normais ou não, se fosse olhar pelo lado que era uma boate gay. Talvez Hanji quisesse que eu arrumasse alguém ou pelo menos algo pra noite mas... infelizmente, eu não era isso que eu ia fazer lá. Era só uma companhia e nada mais.

Já estava passando das seis da tarde quando resolvi começar a arrumar qualquer coisa pra vestir quando vi que Hanji ligava pra mim.

– O que é?

Delicado como sempre, Levizinho– Ela deu uma de suas risadas e continuou –vou passar aí pra me arrumar e garantir que você vai estar mais gato do que sempre.

– Gato como? – Perguntei em um tom desinteressado.

Ora, você é cobiçado pela metade das pessoas da faculdade Levi, tem fangirls por toda parte naquele lugar, só você que não vê.

– Tch. Eu não tô interessado nisso, Hanji.

Sim, eu sei. Mas não custa ir mais bonito do que já é. Em trinta minutos eu estou aí.

Desliguei sem nem mesmo responder.

Mikasa já estava no banho e sinceramente, aquela mula parecia estar morta lá dentro. Caralho, quem fica quase quarenta minutos no embaixo do chuveiro?

– Mikasa, eu preciso tomar banho – Bati com força na porta do banheiro.

Sem resposta.

– Mas que caralho você está fazendo aí? – Sem resposta de novo.

– Mikasa, sai da bosta desse banheiro e deixa o Levi entrar. – Ouvi minha mãe gritar da cozinha. –Anda garota!

– Tô saindo, mãe.

Semicerrei os olhos, aquela vadia estava me ignorando.

Ela abriu a porta e deu um sorrisinho cínico.

Você tá fodida. – Falei antes de entrar e fechar a porta.

Mas que beleza…

– Você bebê shampoo, o caralho? – gritei enraivecido. Porra. Não era possível, além de me atrasar, ela tinha literalmente bebido o meu shampoo e deixado pouco.

– Estou me preparando pra uma surpresa neném. Sugiro que também faça isso.

– Você é maluca? – Do que ela estava falando?

Ouvi uma risadinha. Era a minha irmã mas sinceramente, parecia mais a filha do demônio.

Tive que tomar meu banho com o que tinha. Mas não se engane, ela teria a sua vingança cruel. E como se não bastasse, Hanji estaria aqui em pouco tempo...a sim, seria maravilhoso. Tinha que ter esperança de pelo menos a saída seria boa.

////////////

– Então...como estou? – Perguntou Hanji dando uma volta em seu próprio corpo e deixando que o pouco pano que seu vestido preto tinha, rodasse. – Bonita, não?

Sim...ela estava. Aliás, nem parecia a Hanji que gostava de mexer com uma amontoado de sujeira, parecia uma pessoa completamente diferente. Mas só para não perder o costume…

– Horrorosa como sempre.

Vi com diversão seu rosto amuar de uma forma instantânea, isso nunca perderia a graça.

– Nem hoje um elogio? – Fez um rosto pensativo – Mas quem sabe depois da noitada, não? – Abriu um sorriso que não se comparava nada com o amuamento de antes.

Isso estava estranho demais. Primeiro a Mika com aquelas indiretas que eu simplesmente não entendi nada, agora a Hanji. Ok. Ela não era a pessoa mais sã dessa terra mas que estava mais estranha que o normal, estava.

– O que vocês estão fazendo? Eu quero uma explicação agora ou eu não vou. – Falei em um tom seco

– Nós? Nada, ora! – Mikasa apareceu com um vestido vermelho de alças finas e que terminava no meio das coxas. Uma bota preta de cano e salto alto e com alguns adereços que claramente eram bijuterias mas adornavam complemente com o resto da vestimenta, cabelos soltos e maquiagem pouco exagerada mas pendente pro preto.

A olhei de cima a baixo com um sorriso cínico e olhos semicerrados.

– Como se eu não conhecesse vocês. Nós vamos do que? Táxi, Uber?

– Uma amiga vem nos buscar. Já ouviu falar da Annie, certo?

Encostei na parede lateral do corredor onde Hanji também parou para esperar Mikasa escovar os dentes.

Se eu não me engano Annie era uma das amigas de Hanji que tinha uma...espera.

– Vamos na boate da sua amiga? Aliás, quantos anos ela tem pra ter uma coisa dessas?

Hanji soltou uma risadinha.

– Ela tem trinta e dois anos e a boate é dela junto com o pai, não é exatamente dela. Ela conseguiu alguma convites pra hoje e ela que vai vir nos buscar. Não se preocupe, não vai gastar dinheiro com esse tipo de coisa. Só com bebidas ou quem sabe alguém interessante.

– Era óbvio que vocês vão com esse intuito, vou só pra beber. – Dei um sorriso forçado.

Em seguida ouvimos o barulho de uma buzina, ao menos uma parecida decente, chegou pontualmente no horário.

– Vamos Levi! É hoje que você desencalha! – Hanji saiu aos pulos pelo corredor.

Talvez eu tivesse assinado mesmo a minha carta de morte.

///Eren – Algumas horas antes///

–Já disse que não vou hoje, Annie...– Falei em um tom desanimado pelo áudio do WhatsApp. Na verdade estava com um desânimo muito incomum para tudo durante esses dias. Desde que Levi deixou escapar que sentia alguma coisa mas fugiu de mim, eu fiquei assim.

Sem ânimo.

Era estranho o nosso relacionamento. Ele não se lembrava de mim e isso me frustrava demais.

Quando disse que já tinha uma pessoa, não me referia a outro alguém, mas sim, ele. Era ele que eu gostava desde que era uma criança. E eu tinha quase certeza de que esse sentimentos era mútuo na época, então só me restavam perguntas agora.

Porque ele esqueceu?

///Lembranças///

– Vem Levi! – Gritei e vi como Levi se esforçava para correr e acompanhar meu ritmo.

Estávamos no parque que tinha perto da casa do meu irmão, ele tinha me buscado para passar o final de semana e agora eu tentava fazer Levi sair da preguicite aguda que tinha.

– Você sabe...que eu não faço...ai – Ele parou de correr perto de um escorregador e botou as mãos nos joelhos – Esse tipo de coisa...– Ele estava arfando de cansaço e por um momento resolvi ter piedade.

Nessa época tinha onze anos e ele oito. Para uma criança pequena e escassa de atividade física – porque ficava a maioria do tempo na casa – Levi era extremamente inteligente. E eu o admirava por isso. Ele não se parecia com as outras criança que simplesmente gostavam de comer areia e atacar pedras nas paredes dos vizinhos. Ele era sério e mesmo comigo, recusava-se algumas vezes de brincar.

A primeira vez que o conheci, foi uma vez que também tinha ido até a casa de Zeke, e eu recebi um chute na canela quando chamei-o pra brincar – insistindo muito – mas não veio e disse que preferia fazer todos os exercícios de matemática ao invés de correr e ficar suado feito um porco.

E de fato fez. Quando voltei do parque, a lição que estava fazendo, estava terminada e impecavelmente correta.

Foi quase um ano enchendo-lhe o saco pra sair e agora estávamos aqui. Com ele a perder os pulmões.

Me aproximei dele e passei a minha mão sobre os cabelos negros e macios que tinha.

– Desculpa, sempre esqueço que você não me acompanha muito bem.

– “não acompanha muito bem” – Imitou a minha fala com a voz esganiçada. – Eu não gosto desse tipo de coisa. – Falou em tom amuado.

– Então porque faz? Se não gosta, é só falar. Não tem que fazer só porque eu faço.

Vi ele arregalar um pouco os olhos.

– Bem...isso…

Ah! Ele ficava uma gracinha envergonhado. Era como ver uma fera abaixar a guarda se deixando levar por algum carinho.

Peguei em sua mão e comecei a arrastá-lo para um dos escorregadores que tinha uma casinha.

– O que você tá fazendo?

– Indo descansar…

Subi os degraus sem largar a sua mão e sentei no “chão” de metal que a casinha tinha e o puxei até cair em cima de mim.

Ele tentou se levantar mas única coisa que conseguiu, foi se ajeitar sobre o meu corpo. E foi aí que eu o apertei. Passando uma das mãos sobre o cabelo e o rosto.

– Pode descansar, agora.

///Realidade///

Alguns meses depois disso, meus pais mudaram de casa e ficou muito ruim de vir na casa do meu irmão. Soube também que Levi teve uma crise de asma, na qual desmaiou pela falta de ar e ficou algumas horas sem consciência e respirando por aparelhos. Na época eu queria ir vê-lo mas como era longe, minha mãe não quis me levar e falou que eu poderia saber dele pelo Zeke. Desde então, meus pais faleceram e eu fui morar com meu irmão e foi aí que eu soube que ele não sabia quem eu era mais.

Certo, fiquei seis anos sem vê-lo mas, esquecer? Eu não esqueci, como ele pode? Foi a crise que afetou o cérebro? Ou ele simplesmente se perdeu na amizade que tínhamos?

Foi completamente frustrante ver que ele me virou as costas quando eu, estava com o coração saltando pra fora do peito.

E doía cada vez que ele me cumprimentava sem me olhar nos olhos e sem expressão alguma.

Queria agarrá-lo e dizer todas as brincadeiras que fazíamos, dizer a comida favorita dele e desafiar ele a correr de novo comigo pra ver se ele continuava o mesmo sedentário. Ver ele perder compostura com um gesto de carinho, iguais os dias que nós ficávamos juntos. Mas porra, porque ele esqueceu?

Ouvi meu celular tocar novamente. Era Annie.

– Já disse que não vou Annie. – Atendi e já falei em um tom seco.

Não foi pra isso que eu liguei, quer sair? sem ser pra boate? Você anda cabisbaixo demais, não parece o meu Erenzinho. Quero ver o teu sorriso brilhante de novo.

– Olha Annie...eu…

Não precisa falar nada do que aconteceu, é só sair, se divertir, beber um pouco e relaxar te trago em casa antes de ir pro meu turno. Prometo.

– Sem me dar bebidas estranhas, em! – Acabei por concordar, estava dia e não iria fazer mal sair e em algum pra tempo ficar melhor.

Em alguns minutos a loira apareceu na frente de casa, sai e acabei por olhar pra casa de Levi,seria impossível ter ele de novo?

*O próximo capítulo é o último e vai sair entre essa semana e a outra, estou um pouco lotada com a facul, tenha um pouquinho de paciência, okay?

O que achara?

22 de Março de 2019 às 14:11 0 Denunciar Insira 1
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