Broken Angel Seguir história

teffychan Steffanie Pinheiro

"Taehyung parecia um anjo para mim. Quando éramos crianças, ele era o anjo que iluminava a minha vida, mais brilhante do que o próprio sol. Mas agora ele partiu sem nenhum motivo aparente. Ele ainda parecia um anjo, mas estava diferente. Tinha se tornado um anjo corrompido, as asas negras mergulhadas nas trevas e o coração repleto de dor. Eu precisava do meu anjo de volta. Faria de tudo para que ele voltasse a brilhar mais uma vez".



Fanfiction Anime/Mangá Para maiores de 18 apenas. © Todos os direitos reservados

#drama #aventura #bts #jungkook #jimin #taehyung #naruto #tragédia #shounenai #crossover #orochimaru #juntaink #kabuto
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Capítulo Único - Save me

Notas Iniciais:

* História feita para o desafio crossover juntaink;

* Crossover de Naruto com BTS;

* Recomendo que assistam o vídeo para melhor compreensão da história.


____________________


Estava viajando há dias. Já tinha cruzado a fronteira entre a Vila da Folha e a Vila do Som, de acordo com o mapa não devia faltar muito para chegar. O problema era se ele iria querer voltar para casa.

Já tinham se passado meses, mas eu me lembrava como se fosse ontem. De como eu e os outros rapazes apaixonados por música decidimos formar uma banda, a BTS. Pequena no começo, mas que começou a fazer sucesso aos poucos e a ganhar espaço no mercado. Porém ele queria mais. Nunca era o suficiente para ele.

Taehyung queria se tornar famoso e rico o mais rápido possível. Ele era um integrante da BTS desde o inicio e sabia que demoraria até que ela se tornasse conhecida e começasse a dar lucro, mas ele não queria esperar. Então escolheu seguir o caminho mais fácil. O caminho rápido e errado, abandonando todos nós.

O grupo nunca mais foi o mesmo depois da partida de Taehyung. Ele era um dos principais vocalistas da banda, isso sem falar que um amigo de longa nada não poderia ser substituído tão facilmente. O grupo logo se desmantelou.

Não demorou muito para termos notícias dele, isto é, através da mídia. Suas músicas solo tocavam em todas as estações de rádio e a todo o momento eram anunciadas vendas de ingressos para shows ao vivo. Taehyung conseguiu o que queria, mas a que preço? À custa da felicidade dos amigos… e do próprio corpo.

Embora morássemos na Vila da Folha priorizamos o entretenimento dos moradores através da música ao invés do treinamento ninja. Todos nós tínhamos frequentado a Academia Ninja é claro, mas nosso verdadeiro talento era artístico e não no campo de batalha. Mas isso não significa que não sabíamos o que acontecia dentro da aldeia. Todos tinham conhecimento sobre a partida de Uchiha Sasuke e seu objetivo ao deixar a aldeia: treinar com Orochimaru a fim de se tornar forte o suficiente para se vingar de seu irmão e em troca, entregar seu corpo para aquele homem perverso. Ambos atingiram seus objetivos, Sasuke conquistou sua vingança e perdeu seu corpo ao se tornar hospedeiro de Orochimaru. Todos também sabiam que o melhor amigo dele, Uzumaki Naruto, não mediu esforços para salvá-lo, mas chegou tarde demais.

E agora a mesma coisa estava acontecendo com Taehyung. Ele nunca nos disse por que foi procurar Orochimaru, mas eu não podia permitir que ele tivesse o mesmo destino de Sasuke. Eu não posso falhar.

Apenas Jimin concordou em vir junto comigo. Nós três ensaiávamos desde crianças, então era claro o desejo dele de ter Taehyung de volta também. Em certo momento da viagem, encontramos uma caverna subterrânea, assim como estava descrito no mapa. Aquele lugar parecia um verdadeiro labirinto, cheio de bifurcações e portas que levavam a quartos vazios.

— Não vamos chegar a lugar nenhum assim, JungKook — Jimin falou depois de meia hora procurando em vão — Talvez a gente deva se separar para procura-lo.

— E se nos perdermos um do outro? De jeito nenhum! — discordei na hora — Você nunca assistiu filmes? Será que não sabe o que acontece quando os personagens se separam em situações como essa?

— Pelo menos um deles morre — uma voz masculina respondeu atrás de mim.

Virei-me mais que depressa e me deparei com um rapaz de óculos e cabelos brancos, embora ainda fosse muito jovem. Acho que eu já tinha visto aquela pessoa em algum lugar… ah, sim! Ele era servo do Orochimaru. Droga, aquilo não era nada bom.

— Pelo menos um de vocês sabe o que acontece quando companheiros se separam durante uma missão. Isso é bom — o rapaz caminhava tranquilamente em nossa direção, sem pressa alguma — No entanto, infelizmente foram tolos em virem aqui sozinhos. O que estão fazendo aqui?

— Viemos levar V de volta para casa — eu respondi, encarando-o nos olhos. É claro que sabíamos os nomes reais uns dos outros, mas estávamos tão acostumados a nos chamar pelos apelidos que criamos para a banda que era difícil evitar velhos hábitos.

— V? — ele repetiu. Um ar de compreensão se passou pelo seu rosto segundos depois — Ah, quer dizer Taehyung? Acho que ele tinha um apelido assim quando chegou aqui… mas ele o descartou já faz tempo — parou de caminhar quando já estava bem próximo de nós — Então me digam como pretendem leva-lo com vocês?

— Vamos descobrir o que ele está tão desesperado para conseguir a ponto de ter vindo procurar Orochimaru — Jimin respondeu. Estava um pouco assustado, mas fazia o possível para se manter firme. Ele também queria Taehyung de volta afinal — E então daremos isso a ele para que não precise recorrer aos métodos absurdos do seu mestre e pagar um preço tão alto.

— Acham mesmo que podem dar a Taehyung o que ele quer? — ele riu — Idiotas… se pudessem ele não teria deixado vocês e vindo procurar pelo Mestre Orochimaru — colocou a mão em uma bolsa que carregava na cintura e retirou algo dela. Imaginei que seriam Kunais ou Shurikens, armas padrão utilizadas por ninjas, mas não. Eram agulhas — Lamento garotos, mas é o fim da linha para vocês.

Ele atirou todas as agulhas de uma só vez, que partiram em direções diferentes. Jimin me empurrou fazendo com que eu me abaixasse instante antes de ser atingido por uma delas.

— Foi por pouco — ele fingiu lamentar, retirando outro punhado de agulhas da bolsa — Essas não são agulhas comuns, sabem? Contêm veneno nelas, um só arranhão e vocês já eram.

— JungKook, vá na frente. Vou atrasá-lo o máximo que puder — Jimin sussurrou para mim, levantando-se.

— O que? Não posso te deixar aqui sozinho…

— Viemos até aqui para trazer V de volta para casa não foi? Então você precisa continuar! — Jimin lembrou — Não se preocupe, eu vou ficar bem. Confie em mim.

Eu hesitei. Não queria deixar um companheiro para trás. Por outro lado não podia desperdiçar o tempo que Jimin estava me dando. Dei meia volta e comecei a correr.

Corri pelo que pareceram horas, mas devia ser apenas alguns minutos. Vasculhei todas as portas que encontrei, mas elas só levavam a cômodos vazios. Até que, no final de um corredor, encontrei uma escada. Talvez levasse até a saída do esconderijo, se era o caso era difícil de dizer, pois ela terminava em um alçapão com a porta trancada dessa vez. Considerei explodi-la, mas não foi necessário, ela se abriu sozinha como se me convidasse a entrar a onde quer que ela levasse. Provavelmente era uma armadilha, mas eu não tinha muita escolha. Já tinha vasculhado todo o lugar, exceto ali.

A primeira coisa que notei foi que as escadarias levavam ao que parecia ser uma floresta. A segunda foi que o sol estava forte fazendo meus olhos arderem, visto que eu havia passado muito tempo em um lugar mal iluminado. E a terceira que eu finalmente o tinha encontrado.

No centro de toda aquela claridade Taehyung brilhava como um anjo, encarando-me do alto. Estava muito diferente do amigo que eu me lembrava. Não sorria mais, sua expressão estava vazia e havia uma marca negra em seu rosto que ele não possuía antes, semelhante a uma tatuagem, embora eu duvidasse que fosse isso.

— JungKook… há quanto tempo — ele pareceu tentar dar um esboço de um sorriso, mas não conseguiu — O que veio fazer aqui?

— Desde quando você faz perguntas idiotas? Vim te buscar, é claro — respondi, tentando esconder o misto de alívio e preocupação que sentia. Estava feliz em reencontrá-lo e ver que ele estava bem, na medida do possível. Porém, ainda que parecesse saudável estava muito diferente. Eu precisava tirá-lo dali antes que Orochimaru aparecesse. E ainda precisava ajudar Jimin — Vamos voltar para casa.

— Parece que você está mal informado. Eu já estou em casa.

— Aqui não é a sua casa! Seu lugar é conosco, na Vila da Folha — tentei lembra-lo disso — Estão todos preocupados com você, V. Por isso, volte para casa comigo.

— Não me chame de V! — dessa vez foi ele quem perdeu a compostura — Abandonei esse nome há muito tempo. No instante em que deixei a Vila da Folha e vim para cá. Esse nome ficou no passado.

— Tae… — eu experimentei chama-lo pelo apelido de infância ao invés do nome. Ele não se importou o que talvez fosse um bom sinal — Você precisa voltar comigo Tae. Não sabe o que Orochimaru é capaz de fazer com você.

— Não seja ingênuo JungKook. É claro que sei o que ele pode fazer — ele respondeu — Desista dessa ideia tola de me levar de volta para a Vila e vá embora enquanto pode. Eu não posso mais voltar… é tarde demais para mim — dessa vez Tae conseguiu sorrir. Um sorriso triste de partir o coração.

Sim, Tae parecia um anjo. Mas, agora que meus olhos tinham se acostumado com a luz do sol eu podia ver isso com mais clareza. Ele não se parecia mais com um anjo puro e benevolente. Era o tipo de anjo que foi devorado pelas trevas e que estava preso nelas até o último fio de cabelo. O tipo de anjo que ainda brilhava, de uma forma bela e única por fora, mas que já estava quebrado por dentro.

— Se você diz que “é tarde demais para você”, significa que deseja voltar, mas não pode?

— Não importa o que eu quero. Preciso ficar — sua expressão se tornou vazia novamente.

— Mas por quê? — minha paciência começava a se esgotar — Por que você não pode voltar? Vim até aqui para te levar de volta. Jimin veio comigo e está se arriscando neste exato momento lutando com aquele servo do Orochimaru para ganhar tempo enquanto conversamos. Será que você não dá valor á isso?

— Você trouxe o Jimin? — um leve ar de surpresa passou pelos seus olhos — Não pensei que você fosse idiota a ponto de trazer mais pessoas até este lugar, JungKook. E deixa-lo enfrentar justamente o Kabuto… é pedir para ele morrer.

— Não acredito que não se importa com o que acontece com Jimin.

— A questão não é me importar ou não. Conheço bem os dois e sei quem tem a maior probabilidade de vencer — Tae respondeu. Sua expressão permanecia neutra, mas o leve tom de preocupação em sua voz quando mencionei Jimin não passou despercebido. Talvez ainda houvesse uma chance de salvá-lo.

— Por que você veio até aqui afinal? — perguntei novamente — Você não é assim. Por que escolheu o caminho mais fácil ao invés de ficar com a gente?

— Tenho um objetivo e preciso alcança-lo, só vou conseguir fazer isso ficando aqui.

— Precisamente. Apenas eu posso dar o que o Taehyung quer — uma voz masculina se fez presente momentos antes de uma pessoa sair da floresta e se colocar ao lado de Tae.

Senti meu queixo cair ao encarar a figura diante de mim. Reconheci na hora, mas nunca pensei que veria aquele rosto novamente. Aparência jovial, pele pálida, olhos e cabelos negros… eu estava olhando para o corpo de Uchiha Sasuke, mas sabia que não era ele. Orochimaru tinha se apossado do corpo do garoto anos atrás. E faria a mesma coisa com Tae um dia.

— Orochimaru, não é? — fingi que não achava bizarro ver um inimigo com a aparência de um antigo morador da Vila da Folha — Que engraçado. Não foi essa a descrição que eu recebi de você.

— Esse é o corpo do meu atual hospedeiro. Achei que gostaria de ver o rosto de um antigo conhecido — ele deu um sorriso torto.

— Na verdade é bizarro — admiti — Não vou deixar que a mesma coisa aconteça com o Tae. Devolva-o agora.

— Lamento garoto, mas acho que Taehyung tem uma opinião diferente da sua — ele respondeu com uma risada, apoiando ambas as mãos nos ombros de Tae.

— Sinto muito, JungKook. Mas eu já te disse que não posso voltar com você — Tae repetiu. Não estava mais inexpressivo. Havia um brilho estranho em seus olhos agora… algo maléfico que eu nunca tinha visto nele antes — Pare de insistir nessa besteira de querer me levar embora e saia daqui.

— Eu já disse que não vou embora sem você!

— E eu já disse que apenas Orochimaru pode realizar o meu desejo. Você não pode me dar o que eu quero.

— É isso mesmo… é assim que as coisas funcionam — o sorriso de Orochimaru tornou-se ainda mais perverso.

A pele de seu rosto começou a descascar e a adquirir um tom mais acinzentado, como se fosse uma cobra trocando de pele. Os cabelos negros cresceram indo até a cintura e ele se tornou estranhamente mais alto. Então aquela era a sua aparência verdadeira. Exatamente como a descrição que eu havia recebido do homem.

— Admito que seja impressionante você ter chego tão longe, infelizmente você perdeu a viagem meu rapaz. Como o próprio Taehyung disse apenas eu posso realizar o que ele deseja — ainda atrás do garoto, escorregou as mãos antes apoiadas nos ombros para baixo envolveu seu corpo até onde seus braços alcançavam. Como uma serpente impedindo que sua presa fugisse — E ele está ciente que o preço para isso é o próprio corpo.

— Tire as mãos dele sua cobra peçonhenta! — saquei meia dúzia de Kunais e atirei contra ele em um impulso sem pensar que Orochimaru praticamente usava Tae como um escudo humano e que meras Kunais não funcionariam contra ele. Mas não suportava vê-lo tocando Tae daquele jeito. Ele ao menos o soltou, sem ter sofrido nenhum arranhão, como tinha imaginado.

— Tae, por que você não faz nada? Por que não se afasta dele? — perguntei indignado.

— A resposta é óbvia não acha meu rapaz? — Orochimaru respondeu por ele — Taehyung não passa de uma marionete agora. E em breve se tornará o meu novo hospedeiro.

— É como ele disse, JungKook — Tae confirmou para minha surpresa — Não há nada para você fazer aqui. Vá embora.

— Receio que ele não possa mais fazer isso — Orochimaru falou — O garoto sabe demais, viu coisas demais… você terá que dar um jeito nele para mim.

Tae me encarou por longos segundos em silêncio. Seu rosto inexpressivo mudou sutilmente. Apenas alguém que o conhecia muito bem poderia perceber o pesar que seus olhos exibiam.

— Foi por isso que eu te disse para sair daqui enquanto tinha chance — ele lembrou — Eu te falei, não foi? É tarde demais para mim. E parece que agora é tarde demais para você também.

Em menos de um segundo ele se aproximou o suficiente para me golpear no rosto. Avançou novamente contra mim, mas consegui desviar dessa vez. Tae continuava atacando e eu sabia que precisava ataca-lo de volta, mas não conseguia fazer isso. Ele ainda era meu amigo, não queria machuca-lo. Tudo o que podia fazer era me defender.

Quando ele começou a se cansar, percebi como o olhar dele havia mudado. Não estava mais inexpressivo ou triste. Tae exibia um olhar feroz que não combinava com ele. Tinha um ar agressivo de alguém que seria capaz de fazer qualquer coisa para atingir seus objetivos. Magoar, ferir as pessoas que o amavam, se entregar de corpo e alma às trevas… e era exatamente isso que ele estava fazendo.

Ele ainda parecia um anjo para mim. Um anjo cruel, com suas belas asas negras tingidas pelas trevas, capaz de ferir qualquer pessoa que tentasse se aproximar.

Eu não aguentava mais. Por mais que me doesse, precisava ataca-lo antes que ele acabasse me machucando seriamente.

— Por que você está fazendo isso, Tae? — perguntei novamente — Não pode ser apenas para obter fama e fortuna do jeito mais rápido. Você sempre amou a música eu sei disso. Não se rebaixaria tanto a ponto de entregar o próprio corpo apenas para fazer sucesso rapidamente.

— Não é só por isso — ele confirmou, me atacando uma última vez antes de interromper a luta — Minha irmãzinha… você se lembra dela?

— É claro. Faz tempo que não a vejo, mas eu me lembro — confirmei, sem entender aonde ele queria chegar com aquilo — Mas o que ela tem a ver com isso?

— Tudo — ele respondeu — Ela estava doente quando deixei a casa dos meus pais, se lembra? E está piorando. Mas os remédios são caros e não temos como pagar pelo tratamento médico. Demoraria muito até eu conseguir ganhar o dinheiro de que preciso se continuasse com vocês por isso fui embora. Tornei-me um cantor rico e famoso em um estalar de dedos após conhecer Orochimaru, consegui o dinheiro que precisava para pagar pelo tratamento dela.

— Então, você… está fazendo isso pela sua irmã? — perguntei abismado. As peças finalmente começavam a se encaixar. Tae não era o tipo de pessoa que abandonaria os amigos por um motivo tão estúpido, ainda mais para seguir alguém inescrupuloso como o homem cobra. Mas, se era para salvar alguém que ele amava Tae fazia qualquer coisa sem se importar com os riscos que poderia correr.

— Eu precisava ajuda-la de alguma forma, o tempo estava se esgotando— ele cerrou os punhos — Mas isso também não funcionou. Nem todo o dinheiro do mundo pode ajuda-la, a doença da minha irmã não tem cura. Ela vai morrer.

— Tae… eu sinto muito — murmurei, sem saber o que dizer — Mas, se infelizmente esse for o caso, então… não há mais motivos para você ficar aqui.

— É aí que você se engana, meu jovem — Orochimaru se intrometeu — Eu estive realizando algumas pesquisas no meu laboratório particular. E encontrei uma cura para a irmãzinha querida dele.

— Isso é sério?!

— É uma vacina. Ele vai aplicar a cura quando chegar o dia em que irá possuir meu corpo — Tae explicou — Uma vida por outra.

— Isso é um absurdo! Quem garante que ele não está enganando você?

— Vou aplicar a vacina antes de transferir minha alma para o corpo dele para que Taehyung veja com os próprios que a vacina funciona. Talvez até permita que ele se despeça da irmã — Orochimaru sorriu como se estivesse sendo muito generoso — Depois disso o corpo dele será meu.

— Tae, não acredite nele! Está na cara que ele está mentindo!

— Você não pôde fazer nada para ajudar o seu amigo. Por isso ele veio procurar a mim — Orochimaru falou — Já chega de conversa. Acabe logo com ele Taehyung.

Ele voltou a me atacar sem pensar duas vezes. O brilho feroz tinha retornado para seus olhos. Ele tinha melhorado bastante durante os meses que passou com Orochimaru, tinha que admitir. Era difícil contra-atacar e eu recuava cada vez mais. Até que fomos parar em um rio raso que eu não tinha notado que havia ali. Lutar dentro d’agua era mais complicado, isso retardava um pouco meus movimentos. Precisei me focar apenas nos movimentos dos braços enquanto tentava retornar para a terra firme, mas Tae percebeu essa fraqueza e me acertou com um chute no estômago, derrubando-me no rio. Nem de longe era fundo o suficiente para me afogar a água batia pouco acima dos meus tornozelos, mesmo enquanto eu estava sentado. O problema era que Tae estava em cima de mim, apontando uma Kunai para o meu coração.

— Fim da linha, JungKook. Devia ter ido embora enquanto podia.

— E você deveria ter voltado comigo para a Vila quando eu mandei — rebati — Vai mesmo fazer isso? Vai acabar comigo?

— É o que eu preciso fazer — ele respondeu. A ferocidade em seus olhos parecia ter diminuído um pouco, mas ele estava impassível — Se eu quiser salvar minha irmã, preciso fazer isso.

— Precisa acabar com a vida de um amigo? — perguntei — Não precisa fazer isso, Tae. Podemos encontrar outra maneira de salvá-la. E de salvar você também. Volte comigo.

— Eu não posso mais ser salvo — ele não queria fazer isso, eu podia notar. Seus olhos agora espelhavam a tristeza que havia em seu coração. Quantas vezes ele devia ter passado por uma situação dessas por ordem de Orochimaru? Talvez por isso acreditasse que não tinha mais salvação.

— Você realmente quer fazer isso? — perguntei — Por que está hesitando?

— Eu… não quero machucar você, mas…

— Então não me machuque — ergui a mão e toquei o rosto dele, do lado onde havia uma marca negra desenhada na bochecha. Não sei onde ela começava já que as roupas a

escondiam, mas havia uma linha desenhada até seu olho, dando a impressão de que lágrimas negras escorriam por sua face — Volte para casa comigo.

— O que está fazendo Taehyung? — Orochimaru surgiu na margem do rio — Mandei acabar com ele. Não se esqueça de que eu sou o único que pode curar a sua irmã, não ele. Você quer que a sua preciosa irmãzinha morra?

— Não…

— Então faça o que eu mandei e acabe logo com isso!

Antes que qualquer um ali pudesse se mexer, agulhas voaram pelo ar em nossa direção. Orochimaru desviou com facilidade, é claro. Eu me abaixei sentindo meus cabelos e minhas roupas ficarem encharcadas. Tae pulou para se desviar, mas foi atingido por uma das agulhas no pescoço e caiu no chão imóvel. Olhei na direção de onde as agulhas foram lançadas e arregalei os olhos ao ver o responsável.

— Jimin?!

— Desculpe a demora. Aquele cara era mais forte do que eu pensei — ele se aproximou de nós, mancando com a perna direita. Estendeu a mão me ajudando a levantar — Você está bem?

— Eu sim, mas o Tae não. Por que você atirou nele e não no Orochimaru, seu idiota?!

— Sejamos francos, isso não funcionaria contra o Orochimaru — ele respondeu. Infelizmente precisei concordar — E o Tae parecia dividido entre te atacar ou não então achei melhor deixa-lo inconsciente um pouco. As agulhas daquele cara são bastante eficientes quando não estão envenenadas, sabia? Se acertar no lugar certo dá para colocar a pessoa para dormir!

— Ora… então quer dizer que tinha mais um — Orochimaru sorriu parecendo feliz por ter mais uma presa — Não me diga que conseguiu derrotar o Kabuto?

— Não foi nada fácil passar por ele. Principalmente com todas aquelas agulhas venenosas, Kunais venenosas, Shurikens venenosas… é sério o seu servo é muito venenoso — Jimin nunca perdia a chance de fazer uma piada, era impressionante.

— Essa é a especialidade do Kabuto. Você deve estar sentindo isso na pele, não é? — o sorriso de Orochimaru se alargou.

— O que ele quer dizer com isso? — eu o encarei preocupado — Jimin… não me diga que…

— Como eu disse antes, aquele cara é muito venenoso. Não consegui escapar do veneno dele — Jimin apertou a perna direita, onde havia um curativo improvisado do qual escorria sangue. Forçava um sorriso para que eu não me preocupasse mas, considerando o tempo que ficou lá embaixo o veneno devia estar se espalhando rápido pelo seu corpo — Desculpe JungKook, mas terei que deixar Orochimaru por sua conta. Eu fico aqui com o Tae.

— Acha mesmo que pode me enfrentar sozinho, moleque? — Orochimaru riu — Você não é ninguém. Não pode salvar Taehyung e seu outro amigo logo irá morrer envenenado. Você não pode fazer nada sozinho.

Aquelas palavras doeram. Não porque eram cruéis e sim porque eram verdadeiras. Vim até aqui, mas não consegui salvar Tae, simplesmente porque ele não queria ser salvo. Ele veio procurar ajuda com alguém sem caráter porque os amigos não eram capazes de ajuda-lo. Eu não tinha uma cura para a irmã dele e também não tinha uma cura para o veneno que se espalhava pelo corpo de Jimin. Nesse ritmo ele morreria lentamente, sofrendo e agonizando de dor. Eu não podia ajudar nenhum dos meus dois amigos.

Não… não, eu não podia pensar desse jeito. Se derrotasse Orochimaru poderia vasculhar o laboratório dele. Se o veneno que circulava nas veias de Jimin tinha sido produzido ali, então devia existir um antídoto em algum lugar daquele laboratório também. E se aquele homem estivesse falando a verdade, também poderíamos levar a vacina que curaria a irmã de Tae.

Mas eu precisava derrota-lo antes.

Tentar usar Kunais e Shurikens contra ele era perda de tempo. Justus normais também não funcionariam. Nesse caso…

Mordi meu próprio dedo, fazendo-o sangrar e realizei um rápido sinal de mãos. Infelizmente ele pareceu perceber o que eu estava tramando e me imitou.

Em poucos instantes havia uma serpente e um falcão gigantes no meio da floresta.

— Já apelou para isso? — ele debochou.

— Situações desesperadas pedem medidas desesperadas.

— Devo parabenizá-lo por conseguir realizar uma técnica de invocação sendo tão jovem. Mas não pense que isso irá te salvar.

Ele abriu a boca e de dentro dela saiu uma serpente. Céus, ele tinha uma serpente dentro do próprio corpo! Mas não era só isso. De dentro da serpente saiu uma espada, que ele sacou como se estivesse muito acostumado a fazer isso. Nossa, que cara nojento!

De cima da cabeça da serpente gigante ele começou a me atacar. Depois do que aconteceu com Jimin, eu não duvidava nada que a mesma poderia conter veneno na lâmina então ainda em cima do meu falcão voei para longe dele, mas a serpente era quilométrica. Não importava quanto mais alto voássemos, ela conseguia erguer a cabeça para nos alcançar.

Lancei uma Kunai contra ele, que desviou facilmente. Orochimaru não percebeu o fio cortante que estava amarrado nela quando a puxei de volta e que o acertou, causando um leve arranhão em sua bochecha. Não foi nada de mais, porém foi o suficiente para irritá-lo.

— Acho que já chega de brincadeira. Está na hora de acabar com você — Ele me atacou com a espada novamente no mesmo instante em que atirei várias Kunais contra ele, dessa vez cheias de papel-bomba. Elas explodiram todas de uma só vez, perto o suficiente do alvo para atingi-lo mesmo que indiretamente. No entanto Orochimaru tinha me golpeado também.

A boa notícia era que a lâmina da espada não continha veneno afinal, a má é que ela tinha atravessado minha barriga.

Quando a fumaça se dissipou, vi que Orochimaru estava coberto de fuligem. Algumas partes de sua pele estava descascando novamente como a de uma cobra quando troca de pele.

Ele estava distraído. Era agora ou nunca.

Ignorando a dor que sentia, saltei para o galho de uma das poucas árvores que não tinha sido destruída pelo fogo dos papéis-bomba, permitindo-me assim que meu falcão voasse mais livremente.

— Obrigado por descer até aí. Desse jeito será mais fácil acabar com você — Orochimaru exclamou ao me ver em cima da árvore. Ainda mantinha um sorriso no rosto, mas estava visivelmente irritado.

— Sabe o que eu gosto nas cobras, Orochimaru? — perguntei retoricamente — Elas são facilmente devoradas por pássaros.

Era verdade. Meu falcão deu o bote para devorar a cobra que Orochimaru invocou instantes depois de eu terminar a frase. O homem sobressaltou-se e saltou para longe da cobra pouco antes dela ser devorada por completo. Aquilo o enfraqueceu consideravelmente. Os animais que invocamos estão diretamente ligados a nós por um pacto de sangue. Ele me encarou cheio de ódio e em seguida seus olhos se voltaram para Tae. Provavelmente pretendia realizar o ritual de transferência de alma agora.

— Nem pense nisso — Jimin colocou-se entre os dois. Sua respiração estava entrecortada, mas no estado em que Orochimaru estava não seria páreo para ele.

E então uma nuvem de fumaça surgiu ao lado do homem revelando a figura de um rapaz quando se dissipou.

— Mestre Orochimaru! O senhor está bem?

— Eu pareço bem para você, Kabuto? — ele respondeu ríspido.

— Você ainda está vivo? — Jimin exclamou pasmo.

— O que aconteceu? — Kabuto o ignorou — Não me diga que esses garotos…?

— Aquele maldito falcão devorou Manda — ele resumiu a história. Estava começando a ficar com dificuldade para respirar — Esse esconderijo não é mais seguro.

— Mas e o TaeHyung…?

— Esqueça! — Orochimaru cuspiu um pouco de sangue — Precisamos sair daqui. Depressa!

Kabuto assentiu e realizou o Jutsu de teletransporte, levando Orochimaru consigo. Não sem antes lançar um olhar maldoso para mim e principalmente para Jimin, assim como Orochimaru que nos encarou com puro ódio antes de desaparecer.

— Jimin — caminhei até ele o mais rápido que consegui — Como você está?

— Morrendo, eu acho — ele forçou um sorriso. Agora que Orochimaru tinha partido ele não precisava mais se fingir de forte. Tinha se largado no chão ao lado de Tae.

— Eu não devia ter te deixado sozinho…

— Não tínhamos outra escolha. Além do mais, você não está muito melhor do que eu — Jimin apontou para o ferimento na minha barriga — JungKook… se você voltar para aquela base subterrânea vai encontrar uma espécie de laboratório no terceiro corredor a direita. Têm medicamentos, ataduras e uma porção de outras coisas naquele lugar. E também… se existe alguma cura para o veneno que esta me matando, então é lá que está.

Eu assenti e voltei a montar no meu falcão. Seria mais rápido chegar até lá nele. Infelizmente ele não cabia naquele labirinto, de forma que precisei me despedir dele temporariamente e procurar sozinho.

Jimin tinha razão, havia um laboratório secreto no caminho que ele indicou. Encontrei com facilidade gazes e ataduras, o que indicava que Orochimaru provavelmente as estava usando já tinha algum tempo. Estanquei o sangramento em meu corpo e fiz um curativo improvisado do melhor jeito que pude. Teria que cuidar melhor desse ferimento quando voltasse para a Vila, mas eu precisava encontrar o antídoto para o veneno primeiro. E havia muitos frascos naquele lugar, de todos os tipos, tamanhos e cores que se possa imaginar. Felizmente estavam rotulados. Eu não sabia qual veneno tinha infectado Jimin então peguei todos os que estavam rotulados como “antídoto”. Antes de sair de lá, vi no fundo da sala um frasco muito pequeno com um líquido vermelho e uma seringa ao seu lado. Era o único frasco que não tinha rótulo. Se fosse o que eu estava pensando… bom, não fazia mal nenhum levar comigo, não é?

Retornei até onde meus amigos estavam e entreguei todos os frascos rotulados como “antídoto” para Jimin.

— Algum desses tem que servir. Sabe qual foi o veneno que ele usou contra você?

— Sim… ele disse que o veneno que me atingiu foi feito a base de raiz de aconitum — Jimin respondeu. Estava respirando com dificuldade, mal conseguia se mover — Kabuto se tornou muito falante quando pensou que já tinha vencido a luta… o erro de todo vilão. Revelar seu plano quando acha que já venceu — ele forçou uma risada, mas começou a tossir cuspindo sangue.

— Certo, não se esforce — depositei os frascos no chão e comecei a procurar pelo correto — Aqui está. Antídoto para veneno de aconitum.

— Tem certeza de que é esse?

— É o que está escrito no rótulo — respondi, entregando o frasco para ele. Jimin retirou a tampa e sorveu o líquido até a metade visto que não tinha outra opção — Se sente melhor?

— Igual… deve demorar um pouco para fazer efeito — ele murmurou — Mas, JungKook… o Tae…

Ele não terminou a frase e nem era preciso. Taehyung permanecia inconsciente e eu me perguntava o que ele iria fazer quando acordasse. Agora eu finalmente compreendia os motivos dele. Não concordava mas, conhecendo Tae entendia o porque dele estar disposto a sacrificar a si mesmo.

Orochimaru ficou tão enfraquecido que sua única prioridade se tornou afastar-se de onde estávamos e fugir para sabe Deus onde sem se importar em deixar Tae para trás. Era a chance que precisávamos para leva-lo de volta.

Retirei a agulha do seu pescoço, que deixava seu corpo dormente e o impedia de acordar. Em poucos segundos Tae recobrou os sentidos. Sentou-se e coçou atrás da cabeça, um pouco confuso, tentando se situar. Notou então onde estávamos. As chamas ao longe que ainda consumiam parte da floresta contrastando com o rio perto de nós. Jimin e eu ao seu lado. E nenhum sinal de Orochimaru ou Kabuto por perto.

— O que vocês fizeram? — ele colocou-se de pé e cambaleou um pouco. Provavelmente ainda estava tonto devido ao efeito anestésico da agulha em seu pescoço — Onde está Orochimaru?

— Ele partiu — respondi, levantando também — Para onde eu não sei e nem quero saber. Mas ele te deixou para trás.

— Você está mentindo.

— Não estou — garanti — Depois que aquela serpente dele, Manda, foi devorada ele ficou em um estado deplorável. Tentou se apoderar do seu corpo, mas Jimin não deixou. Então Kabuto surgiu aparentemente do nada e o levou embora.

— Jimin? — Tae olhou para o lado. Jimin ainda respirava com dificuldade, porém não tanto como alguns minutos atrás. Parece que o antídoto estava começando a fazer efeito — O que aconteceu com ele?

— Fui envenenado por Kabuto — Jimin respondeu — Mas JungKook trouxe o antídoto para mim a tempo. Você sabe o que dizem, vaso ruim não quebra — ele deu uma risada.

— Você é louco… os dois são — Tae murmurou — Jimin, você podia ter morrido envenenado. E JungKook, você… você enfrentou Orochimaru sozinho? Isso é suicídio! Ele podia ter te matado… eu podia ter te matado.

— Mas não matou — me aproximei um passo dele, com cautela — Orochimaru disse que eu não era ninguém. Que eu não conseguia fazer nada sozinho, mas ele estava errado. Consegui salvar Jimin do veneno a tempo. E também consegui salvar você.

— Já disse várias vezes, é tarde demais para mim — ele tocou a marca negra desenhada em seu rosto — Eu não posso ser salvo…

— É claro que pode! — exclamei, sobressaltando-o — Existe um Jutsu de Selamento para isso e você sabe — respirei fundo, tentando me acalmar — Escute Tae, o seu lugar não é aqui é com a gente. Você mesmo disse que veio procurar Orochimaru, não porque queria, mas

porque precisava da ajuda dele. Então nos deixe te ajudar. Ele foi embora e te abandonou. Significa que não precisa mais de você.

Ele demorou a responder. Devia estar considerando se valia a pena ou não voltar conosco para a Vila. Se conseguiria atingir seu objetivo caso fizesse isso. Se era ou não isso que desejava. Embora esta última parte fosse óbvia.

— Existe a possibilidade de ele vir atrás de mim quando se recuperar. Você sabe disso, não é?

— Acho que é mais provável que ele procure por um novo hospedeiro — respondi o mais suavemente que consegui ao notar que ele estava considerando a ideia de voltar conosco — Mas, independente de quem ele escolha, vamos pensar em um jeito de acabar com ele antes que mais algum inocente sofra.

— Isso não vai me ajudar. Sem os poderes dele não poderei salvar minha irmã — Tae lembrou o motivo que o tinha levado ate ali. Não se importava em se tornar hospedeiro de Orochimaru se isso pudesse salvar a vida de sua irmã caçula — Vocês tiraram de mim a única chance que eu tinha de salvá-la.

— Quer dizer isso? — eu mostrei o pequeno frasco com o líquido vermelho junto com a seringa — Peguei isso no laboratório dele. Era o único frasco sem rótulo e estava com uma seringa ao lado, então tenho o palpite de que talvez ele não estivesse mentindo sobre ter uma cura para a sua irmã no fim das contas.

Ele arregalou os olhos, me encarando por um momento. Depois retirou o frasco das minhas mãos observando-o como se fosse um grande tesouro.

— Tem certeza de que isso pode ajuda-la?

— Não — admiti — Mas acho que é a melhor chance que nós temos.

— A única chance na verdade — Jimin colocou-se de pé. Não estava mais pálido e sua respiração tinha voltado ao normal. Pelo jeito o antídoto já tinha funcionado. — Se quiser saber se funciona ou não é melhor levar isso logo até ela.

— E então, Tae? Vai voltar com a gente? — perguntei pela última vez, lhe estendendo a mão.

Ele me encarou por alguns instantes. Não era mais fúria ou tristeza que seus olhos exibiam. Era receio. Dúvida. Como se estivesse sofrendo um conflito interno. Era a hora de ele escolher de qual lado deveria ficar. O lado que garantia a vida de sua irmã em troca do sacrifício de sua vida ou o lado onde ele poderia viver junto dos amigos de quem gostava e se importavam com ele, mas sem nenhuma garantia de que sua irmã viveria.

— Está bem. Vamos voltar para casa — ele segurou minha mão, esboçando o primeiro sorriso verdadeiro em meses.





Embora tivesse dito isso, Tae não voltou direto para a casa onde morava quando chegamos a Vila da Folha. Rumou direto para a casa de seus pais que cuidavam de sua irmã caçula. Ignorou a preocupação da mãe e o sermão do pai sobre o fato de ter passado tanto tempo com Orochimaru e foi direto até o quarto da irmã. Ela estava de fato à beira da morte. Não conseguia mais se levantar da cama, não falava, mal conseguia abrir os olhos. Não havia outra escolha. Nenhum médico conseguiu salvá-la, ele estava sem opções. Tae inseriu o líquido vermelho na seringa e injetou no braço dela. A menina fechou os olhos e não abriu mais. Permaneceu assim durante quase vinte e quatro horas, embora seu coração continuasse batendo. E então, quando completaram exatos dois dias desde que ela tomou a injeção saiu do estado de coma. Voltou a falar. Conseguia se mexer, teria até saído da cama se seus pais não dissessem que ela estava se esforçando demais e que ainda precisava de repouso.

Quando Taehyung teve certeza de que sua irmã estava curada retornou para a casa onde morava sozinho, perto de nós. Contou que o antídoto havia funcionado de forma casual, mas era evidente a felicidade estampada nos olhos dele. E quando todo aquele alvoroço passou, começamos a considerar reunir todos os nossos amigos para formar a banda novamente. A vida de ninja era incrível, mas também éramos apaixonados pela música. E a ideia de ser cantor e ninja ao mesmo tempo era emocionante. Principalmente com todos os meus amigos ao meu lado. Agora que Tae retornou para nós e até voltou a usar o nome artístico, V, minha vida parecia completa novamente.

Tae sempre se pareceu como um anjo para mim. Ele era o anjo que iluminava minha vida quando éramos crianças. Foi uma tortura vê-lo se tornar um anjo corrompido pelas trevas, com suas asas tingidas de negro, olhos de pura maldade, e um coração repleto de tristeza por estar sozinho, algo que ele nunca foi antes. Mas era um alívio ter conseguido tirá-lo da escuridão, para que o meu anjo pudesse ser purificado e brilhar novamente. Dizem que os olhos são os espelhos da alma se for verdade, consegui ver tudo isso acontecer. Agora eu via o quanto Tae estava feliz. Que nunca se importou de fato em se tornar rico e famoso da noite para dia, pois seu objetivo era outro. E, uma vez que o tinha alcançado, podia viver em paz ao nosso lado mais uma vez. O meu anjo pôde voltar a brilhar, puro como era antes e iluminando a minha vida novamente.



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Notas Finais:

História postada também no Nyah! Fanfiction.




15 de Março de 2019 às 19:17 13 Denunciar Insira 4
Fim

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Karimy Karimy
Olá! Escrevo a você por causa do Sistema de Verificação do Inkspired. Caso ainda não conheça, o Sistema de Verificação existe para ajudar os leitores a encontrarem boas histórias no quesito ortografia e gramática; verificar sua história significa colocá-la entre as melhores com relação a isso. A Verificação não é necessária caso não tenha interesse em obtê-la, então, se não quiser modificar sua história, pode ignorar esta mensagem. E se tiver interesse em verificar outra história sua, pode contratar o serviço através do Serviços de Autopublicação. Sua história foi colocada em revisão pelos seguintes apontamentos retirados dela. 1)Pontuação: "Em certo momento da viagem encontramos" em vez de "Em certo momento da viagem, encontramos"; falta de vírgula em vocativos, como em "Lamento garotos, mas é o fim" em vez de "Lamento, garotos, mas é o fim". 2)Verbo: uso de dois verbos na narração: "priorizamos o entendimento"; "é claro"; "não posso falhar" — no presente do indicativo — e "nosso verdadeiro talento era artístico" — no pretérito do indicativo, tempo verbal mais recorrente da história. Aconselho que escolha apenas um tempo verbal para a narração e se mantenha nele. 3)Acentuação: "procura-lo" em vez de "procurá-lo"; "leva-lo" em vez de "levá-lo"; "O que?" em vez de "O quê?". Obs.: os apontamentos acima são exemplos, há mais o que ser revisado na história além deles. Aconselho que procure um beta reader; é sempre bom ter alguém para ler nosso trabalho e apontar o que acertamos e o que podemos melhorar, assim como ajudar-nos com a gramática e ortografia. Caso se interesse, esse recurso também é disponibilizado pelo Inkspired através do Serviços de Autopublicação. Além disso, também temos o blog Tecendo Histórias, que dá dicas sobre construção narrativa e poética, e o blog Esquadrão da Revisão, que dá dicas de português. Confira! Bom... Basta responder esta mensagem quando tiver revisado a história, então farei uma nova verificação.
21 de Abril de 2019 às 09:35

  • Steffanie Pinheiro Steffanie Pinheiro
    Olá. Desculpe a demora para responder. Fiz como você me aconselhou e pedi ajuda a uma pessoa para betar a história para mim. Pode me dizer se está tudo ok agora? E obrigada pelos conselhos, vou procurar ajuda de um beta em histórias futuras. Até mais. 23 de Abril de 2019 às 13:24
  • Karimy Karimy
    Olá, autora! Peço para que dê mais uma olhadinha na sua história, ainda encontrei algumas coisas que precisam de reparo, como estrutura e concordância: "Já tinha se passado meses, mas eu lembrava como se fosse ontem. De como eu e os outros" em vez de "Já tinham se passado meses, mas eu lembrava como se fosse ontem de como eu e os outros" — o verbo "ter" só é impessoal quando tiver o sentido de "existir" se trocado na frase ou oração, por exemplo: "Tinha muitos bolos gostosos naquela padaria = "Existia muitos doces gostosos naquela padaria" ou quando o verbo "ter" estiver atuando como auxiliar do verbo "haver", como em: "Já tinha havido milhares de reclamações como a sua antes", fora isso o verbo vai para o plural normalmente. O segundo caso: "de como eu e os outros" está funcionando como oração subordinada objetiva da oração principal, veja bem: "mas eu me lembrava"; lembrava-se de quê? "de como eu e os outros...". 27 de Abril de 2019 às 05:55
A Louca dos Cavalos A Louca dos Cavalos
Eu também coloquei Blue Bird na minha história, a música é linda. <3 Amo demais. Me lembra momentos alegres. Obrigada pela leitura. Gostei bastante da história e ficou bacana a maneira que misturou os universos, para mim fez todo sentido. Valeu a pena. Meu Orochimaru <3 Amo esse homem em toda as circunstâncias. Bom desafio! Bjss de cavalinhos <3
4 de Abril de 2019 às 20:00

  • Steffanie Pinheiro Steffanie Pinheiro
    Oii! Essa música é linda demais, né? Uma das minhas aberturas preferidas de Naruto <3 Fico muito feliz que tenha gostado da mistura desses fandons! Orochimaru é imprevisível, sempre dá um jeito de se salvar, ele é incrível! Kissus e obrigada pelo review *-* 15 de Abril de 2019 às 21:31
Laiana Claro Laiana Claro
Como Army há alguns bons anos, eu já havia previsto boa parte do plot logo no início. Engraçado, não é? Por eu conhecer tão bem o Tae, sempre pareceu óbvio que desde o início o objetivo dele não era fama ou riqueza. No entanto, mesmo que para mim o plot tenha sido previsível, eu gostei da forma que você o conduziu. Um ponto que eu preciso comentar é que há alguns poucos erros ao longo do conto, mas nada que prejudique o entendimento do leitor. São coisas que uma revisão rápida dá conta de corrigir, mas mesmo assim, decidi avisá-la. Boa sorte com o desafio!
25 de Março de 2019 às 18:43

  • Steffanie Pinheiro Steffanie Pinheiro
    Oii! Sim, o Taehyung jamais faria isso por fama ou riqueza, no fim das contas ele tinha um propósito maior e estava disposto a sacrificar qualquer coisa para salvar a irmã dele, ele também jamais abandonaria os amigos sem motivo. No fim ele foi quem mais sofreu. Obrigada pelo aviso, vou revisar a história. Obrigada por comentar! Kissus^^ 2 de Abril de 2019 às 20:13
Yuui C. Nowill Yuui C. Nowill
Confesso que não sou ligada em nenhum dos fandons (talvez um pouco mais de Naruto), mas a história ficou interessante. Você mesclou os dois universos, achei interessante! E o humor do Jimin foi muito quebra-gelo para muitas cenas KKKKK Eu achei o Orochimaru e o Kabuto meio caricatos, mas afora isso gostei bastante da sua escrita. Fiquei com dó de Manda, mas né, não tem como competir com um falcão :/// RIP Manda. Enfim, parabéns pela história produzida !
22 de Março de 2019 às 00:40

  • Steffanie Pinheiro Steffanie Pinheiro
    Oii! Foi meio difícil conciliar os dois universos, mas são duas cousas que eu amo <3 Que bom que deu para você entender a história mesmo sem conhecer o fandom =) Jimin é um fofo, a historua em si era realmente triste e eu precisava de alguém pra aliviar um pouco a tensão, ele era perfeito pra isso. O Orochimaru é bastante manipulador e realmente oferece o que a pessoa desejar em troca de conseguir o corpo dela pra ser seu novo hospedeiro. E o Kabuto é um servo fiel dele, então não tinha como não aparecer no último instante para salva-lo. Manda era cruel igual ao dono kkkkkkk E não tinha chances de ganhar de um Falcão :v Uma morte triste, mas foi melhor assim, seu sacrifício não será esquecido u_u Muito obrigada! Kissus^^ 24 de Março de 2019 às 10:32
Neeca Ashcar Neeca Ashcar
Olá, tudo bem? Meu nome é Neeca e sou embaixadora e uma das responsáveis pelo desafio Crossover. Notei que os fandons apresentados na história não se encontra nas notas iniciais, como solicitado em regras. Peço que pode gentileza adicione para não te prejudicar no desafio. Você insere no texto mesmo da história, podendo utilizar ou não as ferramentas que o editor padrão do inkspired oferece. Outra coisa, a tag do desafio não está correta, a tag para que outros autores localize sua história é #juntaink Quaisquer dúvidas, verifique as demais regras no edital. E pode me encontrar na comunidade contos e mini-contos, tem um tópico sobre o desafio lá, aqui nesse comentário e no Facebook Neeca Ashcar. Muito obrigada pela atenção. Boa Sorte! :)
20 de Março de 2019 às 16:18

  • Steffanie Pinheiro Steffanie Pinheiro
    Oi, tudo sim, obrigada. Desculpe, escrevi a tag do desafio errado. Coloquei os nomes dos fandons nas notas iniciais, está correto assim? Obrigada por me avisar^^ 20 de Março de 2019 às 21:30
J�lia Tunucci J�lia Tunucci
Oii, Stéffanie! Não sei se você assiste Dorama e/ou conhece um dorama chamado Odisseia Coreana, onde tem o Rei Demônio Wu, que é jurado no programa dum programa tipo The Voice e comecei a rir imaginando o Orochimaru nesse papel, mas achei a forma como você escreve e interligou as realidades muito boas parabéns pela criatividade e pela escrita <3
20 de Março de 2019 às 15:00

  • Steffanie Pinheiro Steffanie Pinheiro
    Oii! Já assisti alguns doramas, mas esse eu não conheço. Nossa, agora eu que tô rindo imaginando o Orochimaru em um dorama kkkkkkkk Vou procurar pra assistir depois. Muito obrigada! Eu me diverti muito escrevendo essa história, foi um desafio e tanto, fico feliz que tenha gostado do resultado <3 Kissus^^ 20 de Março de 2019 às 15:18
~