0
3603 VISUALIZAÇÕES
Completa
tempo de leitura
AA Compartilhar

Capítulo único

Nervoso.

Era como estava desde que pegara a caixinha preto de veludo. Ficou horas ponderando um momento certo pra entregar e finalmente fazer a pergunta mais importante da sua vida.

O que ele iria responder? E se dissesse que não, o que ele faria?

Levantou-se da cama onde estava sentado e seguindo em frente parou na primeira gaveta da cômoda e abriu. Vasculhou as roupas que estavam cuidadosamente dobradas, pegou a caixinha e abriu. Duas aliança douradas apareceram e fizeram um reflexo típico do ouro. Acariciou com os dedos cada uma delas, lembrando-se de como tinha aquele desejo desde que começará a namorar com Levi. Não tinha dúvidas sobre o que sentia, queria o seu baixinho com ele o resto da vida, o amava.

Tinha certeza disso.

O problema era: E se ele negasse? Como seguiria sua vida? Não conseguia pensar num futuro sem ele. Sempre ouvira da boca de Levi que casamento era algo insignificante, uma tolice que não desejava para sua vida. Não saberia encarar o namorado pra fazer um pedido que poderia ser recusado.

Suspirou e fechou a caixinha. Olhou no calendário ficava ao lado de um espelho - deixado ali por Levi, já que o mesmo reclamava sempre do esquecimento de Eren - São Valentim estava chegando e seria um dia perfeito na perspectiva do moreno. O pedido de namoro foi feito nesse mesmo dia à quatro anos, completaria cinco nesse e além do presente, tentaria fechar a noite com o pedido.

Na sua cabeça parecia tão fácil, mas algo em sua mente o alertava que não seria assim como pensava.

Ouviu um barulho na porta que fez seu coração disparar, bem depressa correu para guardar a caixinha na mesma gaveta que tinha pego, tentou camuflar o melhor que podia e a fechou com rapidez.

Levi apareceu na porta com o mesmo rosto monótono de sempre e arqueou as sobrancelhas visto que Eren parecia agitado com alguma coisa.

– O que estava fazendo?

– E-eu? – Apontou pra ele mesmo. – Nada.

– Está gaguejando, Eren. – Falou andando pelo quarto procurando por alguma coisa que provasse que estava certo. E realmente estava. – O que esta mancha no carpete?

Eren olhou pro chão vendo uma mancha esbranquiçada no carpete de cor creme e logo tratou de tomar aquela desculpa pra si e desviar o assunto do seu verdadeiro nervosismo.

– Desculpa…– Encolheu os ombros e Levi deixou escapar sua temida e conhecida aura das trevas.

– Quantas vezes eu já disse que quero esse quarto impecável? Eu falo todo dia, Eren. Parece que se faz de surdo e burro. – Colocou os dedos na ponte do nariz e apertou. – Vai na lavanderia e traz os produtos que estão na segunda prateleira, quero limpar essa merda antes que fique pior.

– T-ta bom – Falou com o coração na mão. Mal sabia explicar o alívio que tinha sentindo de Levi acreditar naquilo. – Eu preciso disfarçar melhor ou ele vai descobrir antes do pedido. – Sussurrou pra si enquanto se erguia nas pontas dos pés para alcançar a segunda prateleira. Levou os produtos com calma e fez a melhor rosto de arrependimento que podia.

– Da próxima vez te faço limpar com a língua, entendeu? Quatro anos morando na mesma casa e não sabe o mínimo de uma higiene básica.

“Sim, completamente básica, esfregar o chão até sair a cor, é uma higiene completamente básica”– Pensava com uma ironia que nunca deixaria Levi saber, se não seus dias estavam contados.

– Anda, me ajudar. – Jogou um pano para mão do moreno que suspirou.

“Eu quero mesmo casar com ele?”

Ponderou por alguns segundos olhando Levi se abaixar para limpar a mancha.

“Sim, eu quero”– Deixou um sorriso escapar. Sim, era louco pra casar com um baixinho maníaco de limpeza, sua meta de vida era um tanto estranha, mas fazia um completo sentido na sua cabeça.

– Do que está rindo, idiota? Vai ficar parado ou ajudar a limpar essa porcaria que fez? Anda, mexa-se. – Direcionou o pior olhar que tinha antes de ver Eren se abaixar com rapidez e ajudar a esfregar.

“Vai ser anos longos, mas vai valer a pena”

– Uma pergunta, Eren. Gosta de ser tratado assim? Porque não é possível…

Eren o olhou nos olhos e soltou um dos sorrisos que mais abalavam com os sentimentos de Levi.

– Sim...– Beijou o rosto que estava próximo ao seu. – amo você, mesmo sendo ranzinza.

Levi arregalou os olhos, um pouco surpreso. Mesmo que estivesse acostumado com a personalidade romântica de Eren, não era sempre que falava o que sentia tão abertamente. Mas o sentimento não durou muito e deixou sua aura escapar de novo.

– Vai dormir no sofá esta noite, Eren. E não vai ser desculpa que vai me fazer voltar atrás.

Eren riu abertamente, já estava acostumado. Sabia que Levi voltaria atrás sim. Mas não o contrataria agora, somente quando estivesse abraçado com ele.

– Eu não sei o que fazer, Mikasa. – Eren perguntava com a voz claramente nervosa.

Estavam em um café pouco movimentado devido a véspera de feriado que todos iam viajar e presentear os amados em um lugar mais apropriado.

– Ele não vai ligar de ser em um castelo ou em casa Eren. Levi não é assim, pare de ficar nervoso por pouca coisa. – Falou enquanto bebericava um café amargo.

– Não é pouca coisa, Mika. É um pedido de casamento, tem que ser no mínimo marcante pra nós dois. Como eu iria conseguir isso fazendo o pedido em casa? – Deitou-se na sobre os braços que estavam na mesa com um ar desanimado. – Eu não consigo pensar em nada.

– Onde foi primeiro encontro de vocês? – Perguntou esporadicamente a fim de ter uma ideia.

– Bom...nós não tivemos um encontro propriamente dito, Mika. Nós nos conhecemos no primeiro ano de faculdade e tínhamos aula de física juntos, a professora sorteou as duplas e caímos juntos para estudar a sua matéria e dito isso nos conhecemos. Não éramos exatamenteamigos no começo mas também não éramos inimigos,éramos confortáveis na presença um do outro até que…

Houve um estalo em sua mente.

/Lembranças/

– Nesses registros vemos qual foi a importância das forças que regem os movimentos..– Estavam em uma excursão em um museu dedicado à ciência, o famoso e conhecido Deutsches Museum. A professora explicava mais a frente um dos mais importantes registro histórico e enquanto uns se maravilhavam, Eren e Levi abriam a boca. Não estavam como estudantes a ver pela primeira vez, eram veteranos e estavam ajudando com a excursão dos calouros. Toda aquela explicação já tinha sido vista por eles duas vezes, contando com essa, três. Era no mínimo entediante ficar ali.

– Não devia ter concordado em vir pela terceira vez aqui. – Levi sussurrou a Eren que balançou a cabeça em concordância.

– Eu nem sei porque eu vim, estamos nos últimos anos de nossos cursos e já vimos as ações das forças milhares de vezes – Bocejou e cruzou os braços – Queria ver algo mais interessante na cessão de eletricidade mas temos que ficar aqui, vendo esse monte de pirralho.

Levi deixou escapar um sorriso.

– Você falando deles? Já viu bem essa cara de criança desmamada que tem?

– Você é só um ano mais velho que eu, Levi. Não se ache o todo poderoso, por isso. – Apontou para ele, deu um sorriso tímido e logo tratou de fingir concentra na explicação já conhecida da professora.

Eren sentia seu estômago revirar toda vez que via Levi sorrir. Sabia o que aquilo significava, as vezes parava para vê-lo resolver as montanhas de cálculos da matéria que estudavam juntos, ficará seriamente concentrado e isso chamava atenção do moreno.

Tentou de todas as formas não aceitar o que começou a sentir pelo baixinho no começo. Por mais que fosse bem nas matérias e sempre tivera notas altas, era um pouco - senão muito - desastrado e isso resultava em ficar sem comer e ter pouca organização nas suas anotações. Levi sempre o criticava duramente tentado fazer o moreno ter mais atenção, até que começou a trazer alimento a mais para aula e dividir com ele. Às vezes anotava de forma bem mais organizada as explicações e entregava a Eren. Isso de certa forma enchia o coração do moreno de um sentimento que não sabia muito bem o que era no começo mas depois de se pegar várias vezes olhando com certo carinho para Levi, teve certeza de que gostava romanticamente do amigo.

Gostar de Levi era um problema, não sabia sua orientação sexual, sequer conversavam sobre tal assunto, tinha medo de perder uma amizade na qual se deu tão bem, visto que era bastante explosivo e afastava as pessoas com o temperamento forte. Levi era um dos únicos que sabiam lidar com aquilo e ficou do seu lado, mesmo estando errado às vezes. Entre contar o que sentia e perder a amizade, ponderou em esconder os sentimentos.

O que era completamente sufocante. Sentia ciúmes várias vezes ao vê-lo conversar com algumas pessoas, às vezes se pegava conversando com ele mas ao invés de olhar nos olhos, se fixava na boca convidativa que tinha. Quando dormiam na casa do outro, se controlava ao máximo para não tocar aquele rosto sereno e calmo, queria sentir os cabelos negros e macios e não podia. Era uma tortura, mas pelo bem, nunca contaria.

– Está distraído, está bem? – Sentiu o toque da mão de Levi em seu ombro e se virou para ele.

– Estava somente divagando, não tem nada de interessante pra ver aqui. – Encolheu o ombro e pediu aos deuses que Levi não notasse o coração acelerado somente por aquele toque.

– Quer fazer algo interessante? – Perguntou dando um meio sorriso, levantou a mão e chamou a atenção da professora. – Vamos ao banheiro e já voltamos.

A professora assentiu e sem tempo de perguntar alguma coisa, sentiu a mão de Levi agarrar o seu punho e começar a arrastá-lo pelo museum.

– Aonde vai? – decidiu perguntar assim que viu a placa do banheiro masculino a vista. – Está realmente falando sério o assunto do banheiro?

Levi nada respondeu e apenas continuou andando, sem nunca largar o braço do moreno e entrou no banheiro, escolheu um dos sanitários do fundo e o empurrou pra dentro.

– Ei! – Disse se apoiando na parede pra não cair perto do vaso. – Pra que isso? – Assim que se virou viu Levi se trancar com ele no banheiro. – L-levi?

– Sei que não é o melhor momento nem o melhor lugar pra falar disso, mas não aguento mais. Até quando vai esconder o que sente por mim?

– O-que? – Sentiu o rosto ficar quente. Ele sabia? O tempo todo? – N-não sei do que está falando...Levi eu não gosto de ficar preso…

– Para! Não desvie o assunto, Eren. Porque não diz, isso pra mim é sufocante. Tentei te dar tempo, sabia que era alguém inexperiente nisso mas porra quase dois anos? Tem medo do que? – Cercou o moreno com os dois braços e se aproximou. – De acabar com a amizade?

O ar dos pulmões desapareceu, não conseguia focar em mais nada a não ser as orbes cinzas-azuladas que Levi tinha.

– Medo de não ser recíproco? Medo de não dar certo? Medo por sermos dois homens? Me diga qualquer coisa, Eren. Eu não gosto de me expor mas isso está ficando agoniante.

As palavras de repente desapareceram. Não tinha o que falar e se ponderasse bem, não tinha a concentração necessária para isso. Sentia a respiração de Levi perto do seu rosto, seus olhos eram expectantes, esperavam uma resposta.

E se lhe beijasse? Ou até mesmo abraçasse? Como seria sua reação? Se mostraria positivo ao seus sentimentos?

– Tch. Você é muito mole. – Em um movimento rápido sentiu a gola de sua camisa ser puxada para baixo e os lábios de Levi tocaram o seu.

Um arrepio surgiu em todo o seu corpo e seu rosto ficar quente, ainda mais quando Levi tocou de leve com língua os lábios do moreno, pedindo passagem. Eren não sabia o que fazer apenas cedeu à passagem que pedia e deixou que Levi tomasse o resto.

O beijo ao contrário do que Eren esperava, seguiu calmo. Levi repousou uma de suas mãos na lateral do rosto do moreno e a outra tomou-lhe posse da cintura, fazendo pequenos carinhos com o polegar em ambos lugares. Assim que se separam, Levi encostou a sua testa na de Eren e deixou que as respirações se encontrasse enquanto mantinha o carrinho no rosto do mais alto.

– Essa calma...– Começou por sussurrar – Ela me lembra o mar e seus olhos apesar de verdes, costuma ser mais profundo que um. Não sabe o fascínio que tenho por eles. – Levi se desencostou e abriu os olhos. – Sou tão apaixonado por ti.

Eren mais uma vez não segurou a surpresa e as lágrimas que caíram com a afirmação. O abraçou com força e pediu desculpas por nunca ter notado nada, por nunca ter tomado uma iniciativa.

Com mais algumas semanas, seguiu-se o pedido de namoro por parte de Levi em um dia de São Valentim e depois de um ano passaram a morar juntos, e estão nisso a quase cinco.

/Lembranças/

– Vai pedir-lhe em namoro em um museu? – Perguntou a asiática com divertimento.

– Não sua idiota, em alguma praia. Se tivesse prestado atenção no que contei, saberia o significado disso. – Encolheu os ombros.

– Estava brincando Erenzinho, você vai achar uma praia agora!

– Quero que ponha a venda. – Falava Eren enquanto colocava Levi no banco do passageiro. – O que vou fazer é uma surpresa Levi, sei que vai gostar - ou não – pensava enquanto via o companheiro por a venda contragosto.

– Não quero me arrepender de confiar em você. – Disse e se acomodou no banco.

Eren nada respondeu, fechou a porta do carro e entrou no lado do motorista e começou a conduzir.

Encontraram uma praia que estaria mais deserta devido às mudanças bruscas de tempo e por precaução resolveu checar a previsão do tempo do lugar umas vinte vezes. Com mais ou menos meia hora de viagem, percebeu que Levi havia caído no sono. Sorriu perante a expressão tranquila do namorado e se focou novamente na estrada.

“Espero que tudo dê certo”

– Levi? – Bastou chamar uma vez e viu o menor começar a se mexer no banco e se espreguiçar.

– Já chegamos? – Perguntou curioso ao sentir que Eren retirava o cinto de segurança e passou as uma das mãos no seu rosto. Deixou-se levar por aquele carinho e sorriu.

– Quero que se descalce e segure a minha mão, pode fazer isso? – Perguntou já usando a outra mão pra pegar a mão de Levi.

– Não sei pra que tanto mistério…

– vai gostar, tenho certeza. – Deu um beijo no rosto e segurou mais firme – Pronto?

– Sim.

A praia estava exatamente como queria , deserta e limpa. E o mais importante era a paisagem que se encontrava. O céu estava em uma penumbra rosada pro roxo e como queria, tinha escolhido chegar no local ao pôr do sol. Talvez os deuses estivessem de certo modo a colaborar com os seus planos.

Começaram a lentamente a pisar na areia e logo Levi reconheceu que se tratava de uma praia.

– Uma praia?

– Hum? Sim...mas não tire a venda agora.

– Tch.

Assim que Eren julgou andar o suficiente largou as mãos do mais baixo e pediu que esperasse um pouco, deixando Levi um pouco receoso. Tirou a caixinha do bolso, abriu e se ajoelhou em uma posição clichê.

Ainda de olhos vendados, Levi ouviu um aclarar de garganta que logo seguiu palavras.

– Eu procurei milhares de formas de fazer isso e a melhor que consegui foi essa, Levi. Até hoje recordo das primeiras palavras que me disse. Que meus olhos eram profundos como o mar e que a calmaria entre nós, dava a sensação de estar dentro dele. – As mãos de levi começaram a ter um leve tremor,ele não estaria fazendo isso, não?– Pois agora eu lhe digo, deixe-me aprofundar mais nesse mar que é o nosso amor, deixe-me dar um passo que eu julgo importante. Quero passar o resto da minha contigo, Levi. Quero te provar todos os dias as verdades que lhe digo e se precisar pedir mais de uma vez, assim eu farei. – Segurou uma das mãos de Levi e respirou fundo vendo que com alguma pressa Levi usava a outra mão pra tirar a venda. Seus olhos estavam marejados e um tanto vermelhos.

Olhou para a caixinha e deixou um soluço escapar.Quem diria que ele a quem tanto me evitou, estaria fazendo isto.

– Casa comigo?

– Sim...

*Perdoem qualquer erro, ela ainda não foi revisada.

11 de Março de 2019 às 22:57 0 Denunciar Insira 0
Fim

Conheça o autor

Comentar algo

Publique!
Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a dizer alguma coisa!
~