Don't Be Silly Seguir história

noveluas Taynara C

Hayoung não sabe lidar com coisas que não envolvam uma pista de corrida e um cronômetro. E Namjoo não consegue evitar sua preocupação crescente com a loirinha de sorriso pequeno, que lhe toma os pensamentos e lhe faz cruzar o campus com lanchinhos preparados por si. Entre uma bobeirinha e outra, talvez elas se resolvam num dia qualquer de inverno.


Fanfiction Bandas/Cantores Todo o público.

#lésbica #lgbt #namjoo #hayoung #apink
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I Really Want You

O dia em Seul estava frio e o céu cheio de nuvens escuras, Namjoo corria pelo campus da faculdade, enrolada em seu cachecol vermelho e uma tiara também vermelha na cabeça. Queria chegar antes das dez e meia até a pista de corrida, tinha nas mãos uma entrega especial; dentro de uma bolsa creme, estavam o kimbap que ela preparou na noite anterior, os bolinhos que roubou da mãe e um chá de pêssego.

Hayoung estava uma pilha a semana toda, a competição de fim de ano se aproximava e a garota treinava cada dia mais. Começava de manhã e só deixava a pista quando a noite já havia caído há tempos. Namjoo se preocupava demais com a mais nova, fazendo tanto esforço em pleno inverno, cheia de paranoias na cabeça e sem tirar um tempinho mínimo para si mesma.

A de cabelos longos e castanhos avistou a loirinha quando se aproximou das escadas que levavam até a pista. A garota estava, como sempre, em seu moletom branco e calças pretas, os cabelos curtos mal presos e a respiração descompassada, provavelmente acabara de terminar mais um dos cem metros. Namjoo desceu as escadas apressada, mas se conteve em não gritar o nome de Hayoung, já que seria repreendida por chamar atenção demais.

Se sentou em um dos últimos degraus e esperou que a garota de virasse e a encontrasse ali, bem-comportada, quieta e com seu alimento nas mãos. Não demorou para que ela fosse até o banco de apoio para buscar água e avistasse a sorridente Namjoo. Pegou uma das garrafinhas disponíveis e foi até ela.

— Oi... — a morena disse, parecendo acanhada perto da mais nova.

— Oi, Nam — respondeu.

— Te trouxe kimpab e mandu, sabe... tinha um pouco lá em casa — mentiu e desviou o olhar do da loira.

— Não precisava, não se preocupe em vir até o outro lado do campus — falou enfática, mas ao perceber ser dura demais, continuou. —, mas mesmo assim, obrigada! — Sorriu minimamente.

Não era a primeira vez que Hayoung fazia a garota se sentir intrometida. Namjoo às vezes pensava em parar de se importar com a atleta, mas no fim acabava sucumbindo aos sentimentos que a maior causava em si. Inevitavelmente sentia necessidade de vê-la bem alimentada, com o sono em dia e animada para suas competições, e por isso continuava a agir da mesma forma, mesmo que recebesse quase nada em troca.

— Bom, sem problemas... eu vou indo, Hayoung — disse enquanto se levantava, sem encarar a garota. —, bom treino!

— Namjoo... — chamou, mas não obteve resposta, a morena subiu as escadas com certa rapidez e sumiu de vista.

¨¨

O resto do treino de Hayoung não foi como de costume. Depois de comer todos os lanchinhos que Namjoo preparou para si, sentiu o pesar no coração, por todas as vezes que afastara a morena. Não é como se ela não se sentisse extremamente encantada com o jeitinho dela e em como ficava animada com pouco. Além da forma como sempre se preocupava consigo. Mas a Oh não se sentia preparada para deixar que ela se aproximasse demais.

No entanto, há alguns meses vinha tendo mais e mais dificuldades para não ceder aos sorrisinhos fofos de Namjoo e não elogiar quando ela aparecia com suas tiarinhas fofas. Ou até mesmo não oferecer um beijinho de esquimó, para aquecer o narizinho perfeito da menor. Os pensamentos de Hayoung voavam longe e seu tempo na corrida aumentou consideravelmente, lhe rendendo uma bela bronca da treinadora.

¨¨

Do outro lado do campus, Namjoo tentava prestar atenção na professora, mas seu olhar estava perdido, encarando a lousa vazia. Estava chateada por mais uma vez ter cedido à Hayoung e mais uma vez ter sido tratada com frieza. Um bico estava há tempos formado em seus lábios e Bomi não deixou de reparar na cara emburrada da amiga.

— Nam, por que você tá de bico? — perguntou, arrumando os óculos redondos no rosto.

— Nada... — respondeu baixo, sem encarar a amiga.

— Quem nada é peixe — falou divertida, tentando conseguir mais atenção da Kim.

— Bomi-ah, acho que vou desistir de vez de Hayoung — disse, ignorando a piadinha.

— Ela continua te tratando mal?

— Não... não exatamente, ela só... não liga — respondeu, retorcendo os lábios.

— Mas Nam, você já foi clara com ela? Sobre o que sente? Já a chamou pra sair? — sussurrou, para que a professora não percebesse a conversa.

— Hum... não.

— Então, não acha que deveria fazer isso antes de desistir? — Levantou as duas sobrancelhas para a amiga, em incentivo.

— Ela não vai aceitar, não sei se aguento um “não” direto.

— Nam, você tem que tentar. Acha que foi fácil conquistar Chorong? — Negou com a cabeça à sua própria pergunta.

Namjoo continuou pensando no que Bomi falou, em como deveria ser mais assertiva com a mais nova e deixá-la saber que cruzava o campus porque gostava dela e porque queria garantir que ela estava bem e que se alimentaria. Que aquilo não era incomodo algum, que ela não se importava nem um pouco de passar um pouco de frio na arquibancada enquanto pudesse assisti-la correndo e fazendo o que gosta.

¨¨

Naquela noite, Hayoung demorou a dormir e acabou gastando algumas horas no instagram da mais velha. Sorriu quase o tempo todo, riu dos vídeos fofos que Namjoo postou com a cachorrinha, com as amigas e uma foto que havia postado no dia anterior. Na legenda — um lanchinho especial —, seu coração se apertou, lembrando de como foi fria com ela. Depois de desligar o celular e tentar dormir novamente, tomou a decisão de que daria mais atenção para a Kim, mesmo que fosse tarde demais. Se entregaria a toda aquela situação e aos sentimentos que cresciam dentro de si.

¨¨

Hayoung tinha a manhã livre dos treinos e aproveitou para cruzar o campus até o prédio do curso de humanas. Se sentou em um dos bancos em frente a ele e esperou que por acaso, Namjoo ainda não tivesse entrado e a visse ali. Jogou algo bobo no celular, vez ou outra olhando para a entrada, até que sentiu o estômago roncar e lembrou-se que não havia comido nada antes de sair de casa. Mesmo com receio de perder a menor passando por ali, foi até a cantina mais próxima.

Não demorou nem três minutos para que voltasse, mas enquanto descia as escadas da cantina, viu Namjoo passando com uma das amigas. Pensou algumas vezes se deveria chamá-la ou apenas deixar para outra hora. Mas entre uma opção e outra, ela apenas usou habilidade e correu até ela.

— Nam! — falou ao chegar perto da garota, que tinha um sorriso no rosto, que diminuiu consideravelmente ao vê-la ali.

— Ah, Hayoung... o que faz aqui? — perguntou meio desconfiada.

— Hum, então... — Não sabia bem o motivo de estar ali, além de querer vê-la. — Você tá livre hoje? — perguntou no susto.

— Hoje? Tipo...

— Tipo a tarde.

— Ah... — suspirou frustrada. — Não estou, tenho ensaio de jazz...

— Ah, sim, entendi... sem problemas. Eu te vejo outra hora então... — falou desconcertada, sentindo que Namjoo lhe dispensara com muita classe e atuando muito bem sobre ter um compromisso.

Namjoo viu a loira se afastar, com um sentimento confuso no peito, até o dia anterior, ela estava decidida a se afastar. Mas vê-la perguntando se estaria livre, com aquela carinha fofa que tinha, os cabelos curtos soltos, fez seu coração amolecer e também odiar o ensaio de jazz. Bomi que estava ali o tempo todo, encarava a amiga olhar Hayoung se afastar, como numa cena de filme.

— Que cena mais linda! Ô Namjoo, acorda! — Estalou os dedos em frente a amiga.

— Ai, que foi?

— O ensaio de jazz é amanhã — falou, com um bico nos lábios e as sobrancelhas levantadas.

— Claro que não, maluca, hoje é sexta-feira! — exclamou.

— Nossa, você é que tá doida, hoje é quinta-feira, Namjoo, quinta!

A morena a olhou desconfiada, com o cenho franzido, tentando raciocinar o porquê sentia que era sexta-feira. Pegou o celular, apenas para conferir e irritar a melhor amiga. A tela indicava quinta-feira e ela se sentiu mesmo muito doida. Se irritou ainda mais quando percebeu ter dispensado a loira sem ao menos ter necessidade. Afinal, sempre queria atenção da Oh e quando teve a oportunidade, deixou escapar.

— Que droga, agora ela nunca mais me chama pra nada...

— Você fala como se vivesse no século passado e não pudesse apenas mandar uma mensagem pra ela, dizendo “ei, estou livre sim”! — Bomi falou, começando a caminhar novamente em direção a sala de aula.

— Não sei se devo... na verdade nem sei o que ela realmente queria.

— Teimosa feito uma porta. — Fez uma careta para a amiga e se distanciou, deixando Namjoo para trás, emburrada e pensativa.

¨¨

Eram duas e meia da tarde e Bomi caminhava em direção ao prédio de exatas, para buscar a namorada, quando encontrou Hayoung sentada embaixo de uma das árvores, com as pernas encolhidas, arrancando todas as pétalas de uma margarida amarela. A garota a olhou com certa pena e atrevida como era, se aproximou, cansada daquele papelão todo que rondava a Kim e a Oh.

— Ei, Hayoung! — chamou a atenção da mais nova.

— Unnie, oi — respondeu.

— Então, tá de boas aí?

— Sim, meu dia tá quase vazio de aulas e treinos...

— Hum... então, a Namjoo se confundiu, o dia da nossa aula de jazz é amanhã. Ela tá lá na biblioteca agora, você devia levar ela pra tomar café! — sugeriu, quase mandando a garota se levantar da grama e ir buscar a crush.

— Bomi-ah, acho que ela não tava mesmo querendo sair — disse, terminando de arrancar as últimas pétalas. —, pelo menos não comigo.

— Aí, deixa disso menina! Vai lá, vai. Confia em mim! — incentivou, quase puxando a loira pelo braço e a levando ela mesmo.

Hayoung pensou um pouco, encarando a melhor amiga de Namjoo e levantou tão rápido que Bomi se assustou e soltou um risinho animado. Recebeu um último incentivo silencioso e saiu correndo pelo campus. Não daria mais sopa para o azar e chegaria naquela biblioteca o mais rápido possível.

¨¨

Namjoo estava com a cara afundada em um dos livros que a professora mais chata indicara, quase morrendo de tédio e ainda se acusando de ser lerda demais. Olhava ao redor da biblioteca e via todas aquelas pessoas estudando numa quinta fria, sem nada melhor para fazer, não que essa fosse a verdade, mas era assim que ela se sentia naquele ambiente. Como uma garota tediosa e abandonada.

Olhou para uma parede cheia de janelas e viu Hayoung olhando para dentro, apressada e parecendo ter a respiração descompassada. Quando os olhos da loira encontraram os seus, as duas pareciam assustadas, mas ao mesmo tempo cheias de expectativas. Namjoo queria saber o que ela fazia ali, mas não poderia falar e a outra não a ouviria de qualquer forma.

A Oh fez sinal para que ela saísse dali e ela concordou de bom grado. Pegou suas coisas, guardou o livro da professora chata de volta na prateleira e saiu as pressas. Chegou até Hayoung, sem saber o que dizer, o que perguntar ou como agir, deveria explicar o que fazia ali? Dizer que se enganou sobre o jazz?

— Oi...

— Oi, Nam. — Sorriu largo para a garota. — Encontrei Bomi, ela me disse que estava aqui.

— Bomi? Ah...

— Ela disse também, que você se enganou com o dia do ensaio.

— Sim, é que achei que hoje fosse sexta-feira — riu de si mesma.

Hayoung riu da mais velha, achando-a ainda mais fofa que em outros dias. Sua cabeça revirava um pouco, sem saber bem o que fazer em seguida. Afinal, nem quando perguntara se ela estaria livre, tinha alguma ideia na cabeça, e muito menos naquele momento, que saiu correndo sem ao menos pensar direito.

— Então... — começou. — Sabe, eu precisava te dizer uma coisa ou na verdade... te perguntar.

— E o que é?

— Você ficou chateada aquele dia, não ficou? — perguntou, sem especificar nada.

— Hum... um pouco, sabe — respondeu, estava mais que na hora de ser sincera. —, mas eu entendo, você tem suas coisas pra fazer e não precisa de alguém te importunando...

— Namjoo, não seja boba! — disse mais alto do que planejou. — Quer dizer, desculpa, a boba na verdade era eu, porque acabei sendo um pouco fria quando você aparecia nos meus treinos de bom grado, com algum lanche, chá ou apenas para torcer por mim.

— Foi mesmo, Hayoung. Apenas me diga que não quer que eu faça isso, sabe, eu posso parar.

— Não, não! A verdade é que eu acho que não vou poder ser uma boa namorada, eu não sei lidar com muitas coisas que não são a pista de corrida...

Namjoo corou violentamente, Hayoung avançara vários sinais ao dizer que não seria uma boa namorada. Afinal, isso nunca fora mencionado e mesmo que a Kim fosse apaixonada pela mais nova, nem em seus sonhos imaginou ser a namorada da Oh. Não que não quisesse, apenas nunca conseguiu realmente cogitar a ideia.

— Na-namorada... — disse, sem conseguiu concluir o pensamento.

— Mas eu posso tentar fazer o melhor possível, você pode me dizer tudo que espera de uma namorada e eu... — Percebeu os olhos arregalados da mais velha e parou o que dizia, percebendo como estava sendo direta. — Nossa, acho que fui rápido demais... nem sei se é isso mesmo...

— Não seja boba, Hayoung. — Sorriu. — Mesmo que eu não tenha percebido de imediato, tudo que fiz pra você e toda a preocupação que você me causou, significavam sim, que eu queria ser sua namorada. Quer dizer... que quero ser.

A Oh respirou aliviada ao ouvir a mais velha dizer aquilo, seria vergonhoso e desesperador se ela dissesse que estava redondamente enganada. Sentiu vontade de se aproximar mais e talvez fazer o que queria desde ontem, esquentar a pontinha do nariz bonitinho da morena. Mas sabia que aquele não era o lugar e que ainda talvez fosse muito cedo para tanta proximidade. Se limitou a sorrir e dizer:

— Então, nesse caso, posso pagar um café de mil wons pra você?

— Nesse caso, pode sim — respondeu sorrindo e entrelaçando sua mão gelada à quentinha pelo bolso do moletom de Hayoung.

¨¨

Agora, Hayoung divide seus pensamentos entre suas corridas e sua namoradinha fofa e sorridente. Que lhe leva lanchinhos, chás, sucos e o que mais ela possa querer, entre um treino e outra ou entre uma aula de cálculo e uma de química. As duas, às vezes, pulam algumas para aproveitar do pouco sol disponível no inverno, no jardim dos fundos da universidade. Namjoo divide seu cachecol vermelho com a mais nova, que a acolhe nos braços e aquece seu nariz bonito com um beijinho de esquimó.

4 de Março de 2019 às 18:11 0 Denunciar Insira 0
Fim

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Taynara C Tata, 24y

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