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mandyphantom Amanda Rocha

Baekhyun não se importava com as barreiras impostas quando o assunto era Park Chanyeol, o professor de física dono do seu coração todinho.


Fanfiction Bandas/Cantores Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#fluffy #chanbaek #exo #professor-x-aluno #colegialau
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You Still the One

– Pela última vez, Byun, eu não vou sair com você – O professor Park falava arrumando sua mochila enquanto tentava despistar o aluno enxerido.

Baekhyun soltou mais um de seus sorrisinhos sapecas e parou em frente ao homem que parecia emburrado, mas aquela era a carranca normal do professor sempre que o garoto dava uma de espertinho, então estava acostumado.

– Baekhyun, já passa das cinco horas, volte para casa, deve estar ficando perigoso – Respondeu enquanto saía do recinto com o jovenzinho em seu encalço.

– Realmente, é bastante esquisito para voltar sozinho… Minha casa fica do outro lado da cidade, sabe? Dá bem uma hora de caminhada, mas nesse esquisito… Se ao menos eu tivesse uma carona seria tão mais seguro voltar para casa, tudo bem que mamãe gosta mais do Baekbeom, mas acho que ela também iria chorar se alguma coisa acontecesse comigo, né? – O garoto falou de forma dramática, digno do Oscar, e Chanyeol encontrou-se preso na armadilha que o Byun armou com suas próprias palavras.

Não queria ter que lidar com o rapazinho no banco de carona incomodando-o mais do que o horário o obrigava, mas do jeito que era um docente preocupado até demais com seus alunos, não podia deixar Baekhyun voltar sozinho quando já estava escurecendo. Suspirou profundamente e falou sem o encarar “Vem, eu te deixo em casa”, caminhando em direção ao estacionamento.


Baekhyun aparentemente morava num bairro muito distante do colégio visto que quanto mais dirigia, mais longe pareciam estarem.

– ‘Tá perto? – Perguntava de olho no volante.

– Não, ei posso mudar a estação? – Baekhyun perguntou inclinando-se em direção ao rádio sem nem mesmo esperar uma resposta.

Chanyeol revirou os olhos e continuou a dirigir, aquele garoto não tinha jeito mesmo. American Jesus começou a tocar numa das estações e o estudante empolgou-se aumentando o volume e fazendo o solo da guitarra assustar o maior. Chanyeol desconcentrou-se um momento da estrada e por muito pouco não bateram em outro carro que vinha logo atrás, fazendo o garoto rir com a adrenalina e o adulto quase chorar, só Deus sabia o quão duro tinha sido para comprar aquela lata velha.

– Baekhyun! – Reclamou alto e abaixou o volume da música, ouvindo um resmungo do garoto ao lado.

– O que foi? Você não gosta de Bad Religion? – Perguntou com aquele mesmo sorrisinho travesso e Chanyeol concluiu que havia sido uma péssima ideia dar carona para ele – Qual é, professor Park, qual a graça de dirigir sem uma boa música? – Perguntou quando o homem parou num dos sinais.

– A graça é poder aproveitar o silêncio após um dia inteiro de gritaria no pé do ouvido, você não faz ideia de como a baderneira de vocês me deixa put- – Tapou a boca visivelmente surpreso pelo quase palavrão, como podia ser descuidado daquele jeito na frente de um aluno?

O estudante caiu na gargalhada e Chanyeol ficou visivelmente constrangido, não era de ficar xingando por aí, mas não era pago o suficiente para aguentar aquela selvageria todo santo dia, não havia amor à profissão que o salvasse daquele estresse.

– Tudo bem, eu também xingo pra caralho.

– Baekhyun!

Chanyeol repreendeu e recebeu uma risadinha em resposta, sinceramente estava começando a se questionar qual tipo de autoridade representava ali. Após cinco minutos de puro silêncio e apenas o som baixinho do rádio Chanyeol já estava dando graças pelo jovenzinho ter se acalmado, por isso quando se virou para checá-lo, percebeu que Baekhyun estava lendo sua caderneta de notas dando vários sorrisinhos.

Por um momento professor perdeu a atenção no volante e acabou deixando o carro morrer no meio da pista, por sorte não vinha ninguém atrás.

– O que você está fazendo? Me dê isso aqui! – Falou alto tomando o caderno bruscamente.

– Eu não acredito que você deu oito para o idiota do Sehun e eu vou ficar com cinco e meio!

– Silêncio! Eu não acredito na sua ousadia, Byun Baekhyun, que direito você acha que tem para mexer nas minhas coisas?

– Ele é tão burro, você sabia que ele fila do Kyungsoo em todo teste? Como é que ele vai passar de ano e eu não?

– Baekhyun você está me ouvindo?

– Isso é tão injusto! Eu até estudei uma hora antes para essa prova!

– Baekhyun pelo amor de Deus! Eu juro que vou parar esse carro e você desce aqui mesmo se não calar a boca! – Chanyeol praticamente gritou e aquela era a primeira vez que o garoto o via perder um pouquinho da calma.

Baekhyun o encarou atentamente e havia algo gratificante em estar vendo aquele outro lado do professor, por isso teve que reunir todas as forças para segurar o sorrisinho arteiro que insistia em nascer. Colocou a mão dramaticamente no peito e falou:

– Mas o senhor teria a coragem de me deixar aqui na rua? Sozinho e longe de casa?

Chanyeol respirou fundo, tinha atirado pedra na cruz para merecer aquele castigo, só podia ser. Encarou Baekhyun visivelmente cansado, sabia que o que quer que dissesse não iria surtir efeito, então só se conformou com a derrota naquela discussão e ligou o carro.

– Não precisa, chegamos – Baekhyun falou desafivelando o cinto.

O professor estava quase dando graças aos céus quando percebeu que estavam parados em frente à um restaurante de lámen. Olhou confuso para o garoto que sorria e perguntou o que diabos significava aquilo.

– Estou com fome, já é hora do jantar, sabe?

– Baekhyun, não, nós vamos para casa!

– Ah, mas assim sem nem um salgado? Poxa professor, achei que o senhor era mais romântico – O estudante falou com um biquinho no rosto.

– O-oqu-

– Estou brincando, se for com você eu não me importo com essas besteiras, mas… Eu ‘tô com muita fome…

– Baekhyun, eu não vou lhe levar para comer! – E justo quando o homem estava prestes a dar partida no carro, a barriga do garoto roncou tão alto que daria para ouvir na rua inteira.

Quase como se tivesse a habilidade de controlar seu estômago, Baekhyun colocou sua melhor carinha de cachorro abandonado e apertou a barriga enfatizando sua fome. O homem o deu uma longa encarada, daquele jeitinho cansado que usava quando chamava a atenção muitas vezes de um mesmo aluno, e estacionou o carro. Por mais que detestasse aquela situação, também estava com fome e talvez pudesse aturar Baekhyun por mais um pouquinho. Sinceramente, deveria cobrar hora extra da escola por aquilo.


Era um restaurante de lámen muito do jeitosinho, com compartimentos separados para os clientes ficarem à vontade e música ambiente calma e agradável. Assim que adentraram o estabelecimento Chanyeol pediu uma mesa para dois e o garoto não conseguiu evitar o coração saltitando pelo corpo ao observar o homem agindo tão responsável, iria enfartar a qualquer dia.

Acomodaram-se numa das mesas e a atendente que veio anotar os pedidos pareceu chocada demais quando colocou os olhos no jovem.

– Senhor By-

– Ah! – Baekhyun deu um grito assustando todos ao redor, principalmente a mulher – Puxa, eu esqueci minha carteira em casa, será que o senhor poderia pagar hoje?

– Eu não acredito… – Chanyeol bufou massageando as têmporas, qual seria a próxima gracinha?

– Já que a resposta é sim, eu gostaria de um clássico com verduras e ele também.

– Ei! – Chanyeol protestou, mas o garoto estava certo.

– C-certo - A mulher parecia meio desconcertada e o professor não deixou de observar sua falta de tato com a clientela, talvez ela fosse novata – Gostariam de alguma bebida?

– Um copo d’água está de bom tamanho – O homem respondeu orando para que Baekhyun não pedisse nada, tinha contas para pagar no fim do mês.

Quando o garoto ordenou o mesmo, quase ficou de joelhos e agradeceu. A atendente foi embora e Chanyeol achou que cairiam naquele silêncio típico de estranhos, mas como se tratava de Baekhyun, com certeza não faltaria assunto.

– Professor eu preciso saber com que homem estou saindo, então tenho uma pergunta muito séria para fazer.

– Nós não estamos saindo, Baekhyun.

– Não mude de assunto, você não vai escapar dessa.

“Puta que pariu, eu só queria ir para casa dormir…”, Chanyeol pensou já se preparando para a bomba, fez sua melhor cara de entediado e abusou mais um pouquinho dos deuses para que ele calasse logo a boca.

– L ou Kira? – Perguntou assim, na lata.

– Quê?

– Vamos, sem enrolar, L ou Kira? Pense bem no que vai dizer – Baekhyun parecia sério demais encarando o homem como se a sua resposta fosse a salvação do mundo.

Chanyeol coçou a cabeça, fazia quanto tempo que tinha assistido Death Note? Ainda estava no ensino médio quando o anime lançou e naquela época era um otaku fervoroso, hoje em dia sequer lembrava de cinco desenhos. Fez um esforcinho para tentar lembrar o enredo e meio que falou no automático:

– Kira.

Baekhyun, ofendidíssimo, colocou a mãozinha no coração e não fez questão de esconder a cara de decepção em seu rosto.

– Eu pensei que o senhor era uma pessoa boa! Como você pretende manter meu amor dessa forma?

– Eu não pretendo coisa nenhuma, Baekhyun, e segundo, você deve aprender a respeitar a escolha dos outros.

– Mas isso não é escolha, é nazismo!

– O qu-

– Como o senhor pode apoiar alguém que usa o coitadinho do L logo após ele falar que o considerava o único amigo que já havia feito na vida?

– E o que isso tem a ver com nazismo, Baekhyun?

– Tudo!

Chanyeol estava confuso e indignado, que tipo de pergunta e reação eram aquelas? Não era como se fosse levar a sério as besteiras que Baekhyun falava, mas por que tinha ficado tão irritado? Bem, certamente era falta de sono, aquela era a sua desculpa para tudo na vida (e talvez fome a considerar o horário).

– Tá, vai o L, tanto faz.

– Agora sim você tem o meu amor, mas não é como se você precisasse mudar de opinião, meu coração continua sendo todinho seu.

E lá estava aquele sorrisinho quadrado cheio de alegria, tão brilhante que poderia cegar um desavisado. Mesmo que jamais fosse admitir, o Park achava que o garoto ficava uma gracinha animadinho daquele jeito, mas para não dar corda, guardava aquilo para si. Quando os pedidos chegaram, Baekhyun parecia que não comia há meses, saiu devorando tudo sem se importar com o macarrão queimando a língua. Não conseguiu evitar uma risadinha quando ele se engasgou com um pedaço de carne e tossiu de um jeito estranho.

Voltaram a conversar besteiras, na verdade Baekhyun voltou a perguntar um monte de besteiras, tipo sua cor favorita, se tinha algum bichinho de estimação, quais bandas era fã e mais um bocado de coisa que nenhuma outra pessoa com quem tinha saído havia perguntado. Apesar de achar chato para caralho aquele interrogatório como se estivesse sendo fichado, Chanyeol sentia um calorzinho engraçado no fundo do estômago por ver alguém tão interessado em si e nas coisas que fazia, era bom poder falar sobre si mesmo.

– E seu tipo ideal, qual é? Preciso saber caso eu tenha que cortar o cabelo ou perder uns quilinhos.

Chanyeol suspirou, sabia que em algum momento iriam entrar no campo amoroso e sinceramente aquela pergunta em específica era bastante delicada, ainda mais depois do Byun falar que precisava se adequar aos seus conceitos.

– Eu não tenho um tipo ideal, qualquer pessoa que seja do bem já está de bom tamanho.

– Muito suspeito para alguém que escolheu o Kira – O garoto estreitou os olhos.

– De novo esse assunto?

– Tudo bem, não está mais aqui quem falou – Baekhyun levantou as mãos em sinal de rendimento.

– Além do mais, você não deve se encaixar em padrão de ninguém para fazer uma pessoa feliz, procure alguém que vá gostar de você independente de limitações.

Baekhyun o encarou com a expressão em branco e Chanyeol ficou sem graça, tinha aquela maldita mania de ser filosófico demais em momentos inapropriados. Abaixou os olhos para sua comida e ajeitou os óculos em silêncio, mas quando tentou espiar o garoto discretamente percebeu que ele estava com as bochechas vermelhas e aquela era a primeira vez que via o Byun tão sem graça.

Baekhyun abriu a boca para falar alguma coisa, mas então uma mulher interveio do nada e ambos tomaram um susto.

– Byun Baekhyun, quantas vezes eu vou ter que reclamar para você não ficar ocupando nossos funcionários com seus pedidos? Se você está com fome vá lá dentro e faça sua comida, essa área é para os clientes e… Quem é esse? – A mulher perguntou quando os olhos caíram sobre Chanyeol.

O homem estava completamente fora da terra tentando entender aquela cena e se atrapalhou todo na hora de levantar. Por algum motivo sentira a necessidade de se apresentar formalmente.

– P-prazer senhora, me chamo Park Chanyeol, sou o professor de física do Baekhyun.

A mulher o encarou por uns segundos meio desconfiada e então aliviou a expressão abrindo um sorriso gigante para o homem.

– Oh meu Deus, desculpe a grosseria! O Baekhyun está sempre dando trabalho, sinto muito por você presenciar isso. Vamos, sente-se, espero que esteja gostando da refeição, nosso restaurante não é nenhum cinco estrelas, mas a comida é feita com muito amor. Sou a mãe do Baekhyun, prazer em conhecê-lo.

– E-está uma delícia, muito obrigado.

– Eu que agradeço sua vista, o Baekhyun não nos avisou que viria jantar – A senhora Byun olhou com fogo nos olhos para o garoto e ele fingiu não ter visto.

– Eu vim trazê-lo até em casa de última hora, não sabia que esse era um restaurante da família, não precisa se desculpar.

– Imagina, eu agradeço muito pelo cuidado com o nosso Baekhyun, não precisava trazê-lo – Ela sorriu acolhedora, embora Baekhyun soubesse da bronca que levaria mais tarde por abusar do professor. – Por favor sirva-se à vontade, é pela casa.

– N-não precis-

– Eu faço questão, tenha um bom apetite.

Antes que Chanyeol pudesse responder qualquer coisa, a mulher já foi se despedindo, mas não sem antes dar mais uma encarada no filho e logo em seguida mandar um sorrisinho educado para o homem. “Impressionante como ela atua na frente dos outros…”, Baekhyun pensou ao observar a mãe se afastar.

Virou-se para Chanyeol que o encarava meio perdido e falou simplista:

– Eu moro aqui.


Depois de se despedir dos Byun (por que a mãe chamou o pai, o irmão mais velho e a avó de Baekhyun para conhecerem o professor de física), o estudante guiou Chanyeol até a porta de entrada do estabelecimento/casa. Não trocaram muitas palavras depois de serem interrompidos pela mulher e jantaram em silêncio, um contraste muito grande para quem estava tagarelando e o Park se perguntava o motivo.

– Obrigado pela carona, até que não foi ruim para um primeiro encontro.

– Por Deus, Baekhyun, não foi um encontro.

Chanyeol revirou os olhos, nem sabia por que levava a sério aqueles comentários de um aluno, mas algo no fundo achava aquilo tudo muito engraçado.

– Verdade, quem é que leva a mãe num encontro, né? – Soltou uma risadinha ao ver o homem revirar os olhos outra vez.

– Boa noite, Byun - Respondeu já dando de costas e ao ouvir um “ei”, parou para encarar a voz.

Baekhyun aproximou-se subitamente e ficou na pontinha dos pés, Chanyeol congelou e sua mente ficou em branco quando sentiu os lábios macios do garoto beijando sua bochecha. Sentiu o corpo perder os movimentos por um minuto e toda a terra parar de girar, por aquela não estava esperando. Baekhyun correu para dentro do estabelecimento sem nem olhar para trás e o professor agradeceu mentalmente por aquilo, não saberia com que cara iria encontrá-lo no dia seguinte caso ele tivesse visto suas bochechas ardendo em vergonha.

“Ah, estou ficando velho demais para isso…”, pensou consigo enquanto ligava o carro e partia em direção ao apartamento.


Não sabia bem quando tinha começando a gostar de Chanyeol, mas não era novidade para ninguém que Baekhyun era louco pelo professor bonitinho de física e deixava bem claro para todo mundo. Vinha sendo assim desde a metade do segundo ano quando o homem entrou para substituir o professor antigo. Mas também, como não ser? Ele era alto, muito alto, cheirava bem, tinha aquele cabelo encaracolado que caía bonitinho sobre os olhos de cachorrinho, a boca cheinha parecia muito gostosa de beijar e seu corpo… Nossa, quando ele usava aquelas camisas de botão mais apertadas o garoto só faltava desmaiar. Fora os óculos redondinhos que conferiam aquele charme inocente.

Mas além disso Chanyeol também tinha um bom coração, era bastante atencioso com cada aluno que vinha lhe procurar, suas aulas eram tão gostosas que conseguia transformar o aluno mais desinteressado num nerd completo, falava de forma suave e o garoto tinha descoberto numa de suas stalkeadas a sua conta antiga do SoundCloud onde postava alguns covers muito legais com aquela voz grossa e rouca.

Em resumo ele era o homem dos sonhos de Byun, só havia um porém que os separava: Chanyeol era seu professor. Não que realmente fosse empecilho para o garoto, era jovem e despreocupado com o mundo, mas o professor sabia bem das consequências de namorar um aluno, ainda mais um menor de idade. “Mas eu faço dezoito anos mês que vem!”, Baekhyun sempre rebatia quando o homem enfatizava a diferença entre eles, ainda assim não era o suficiente para conquistar o docente, embora Chanyeol também não fosse lá muito velho, vinte e cinco anos ainda.

Um mês já havia se passado e Baekhyun fazia questão de ficar até tarde todos os dias para voltar para casa com o docente, fingia que estava estudando (quando na verdade estava dormindo na biblioteca) e então fazia o mesmo drama de sempre que estava muito tarde para voltar sozinho. Chanyeol já não caía mais naquela ladainha, mas mesmo assim sempre levava o garoto até em casa e todas as vezes precisava recusar o convite para jantar (de graça!) no restaurante.

Baekhyun se sentia feliz com aquele avanço, pois nunca faltava assunto durante o trajeto, ainda que o professor Park fosse um tanto quanto quieto, mas estava tudo bem por que o Byun falava pelos dois.  Era muito engraçado como aquele homem de quase dois metros ficava todo sem graça quando o aluno fazia alguma piadinha de duplo sentido ou jogava uma cantada aleatória, seu rosto parecia pegar fogo de tamanha vergonha e ele sempre respondia: “Se comporta, Byun, ou eu não te dou mais carona”, embora ambos soubessem que ele daria sim.

Conversavam sobre o tempo, teorias da relatividade e espaços paralelos, esses sim eram assuntos que faziam o docente falar e falar e Baekhyun ficava encantado em como seu rosto inteiro se iluminava quando ele falava sobre um assunto que entendia. Era tão bonito de assistir que seu pobre coraçãozinho apertava, puxa como gostava de Chanyeol! Era ainda mais bonitinho quando ele percebia que estava falando demais e acabava ficando sem graça de tanto tagarelar, daí ficavam em silêncio ouvindo o rádio e o garoto sentia uma paz interna que mal sabia explicar.

Um mês naquela situação e Baekhyun já estava louco, tinha certeza de que Chanyeol era sua alma gêmea e podia jurar que em alguns momentos ele parecia retribuir suas investidas, não era possível que aquelas orelhas vermelhas e suspiros sem graça fossem pura encenação. Notava os olhares discretos que o homem lhe lançava nas aulas e a forma como ele era sempre muito polido mesmo quando o garoto soltava alguma gracinha, nunca o ignorando ou sendo frio e aquilo o deixava louco, pois não sabia se era interesse pessoal ou apenas Chanyeol sendo um professor atencioso. Tinha até reparado em como ele tentava disfarçar a vergonha ajeitando os óculos.

– Eu acho que você tá é precisando ir num psiquiatra pra estar alucinando desse jeito – Jongdae riu quando Baekhyun contou cheio de suspiros sobre os momentos no carro.

– Nossa, muito obrigada pelo incentivo – Falou revirando os olhos.

– Disponha.

Baekhyun estendeu o dedo do meio para o outro garoto e voltou a caminhar, não merecia um melhor amigo daqueles. Era hora do almoço e ambos gostavam de aproveitar no jardim da escola, sem gritaria ou corre corre por causa das filas gigantescas do refeitório, eram apenas os dois amigos lanchando juntos e nada mais. Mas naquela segunda tinha um plano em mente, algo completamente fora de sua rotina.

Enquanto atravessavam os corredores distraidamente, Park Chanyeol cruzou a vista dos garotos e o mundo de Baekhyun parou por um instante. Ele estava usando aquela camisa social branca que ficava apertada nos braços e a calça preta que marcava o bumbum, aquele mesmo conjunto que fazia com que o garoto sentisse as bochechas queimarem e o estômago contorcer. Será que conseguiria falar com ele sem parecer atrapalhado demais?

– Começou… Boa sorte. – Jongdae anunciou quando percebeu o amigo se esgueirando entre o vão do corredor.

Baekhyun mal ouviu as palavras do garoto enquanto seguia o professor o mais discretamente possível, estava na hora de colocar seu plano em prática. Tinha revirado na cama a noite inteirinha ensaiando cada fala e como se aproximaria do professor, em teoria parecia bonito até demais, mas na prática...

Chanyeol sempre passava seus intervalos na sala dos professores e havia alguma coisa mágica sobre aquele cubículo. Era engraçado ver todos os docentes juntos interagindo e comendo juntos, mas quando Baekhyun espiava pelo lado de fora da janela, o professor sempre estava sozinho. Ele sentava-se numa mesinha perto da estante de livros e ficava comendo quietinho enquanto mexia no celular. Como era esquisito demais passar o intervalo inteiro observando o professor, podia ser que ele conversasse com alguém quando o garoto ia embora, mas era tinha quase certeza que ele ficava isolado daquela maneira até as aulas recomeçarem.

Por isso naquela segunda-feira Baekhyun o convidaria para passarem o intervalo juntos, como se fosse mais outro encontro, só que dessa vez sem a mãe o fazendo passar vergonha. Gostava daquele avanço com o professor durante aqueles longos trinta dias, mas… Queria se aproximar ainda mais, estar em sua companhia mais do que aqueles momentos no carro.  Segurou a marmitinha que havia preparado e respirou fundo, “Vamos lá, Baek, você consegue”, mentalizou para si mesmo e marchou em direção ao professor.

O que não esperava era a pequena interferência de Kim Minseok, a professora de literatura que falava baixinho e passava livros gigantes para lerem. Baekhyun sentiu toda a confiança esvair quando ela cutucou Chanyeol na frente da sala dos professores assim que ele ia adentrar.

– Professor Park.

– S-sunbae – Chanyeol cumprimentou a mulher meio perdido.

– Você está indo almoçar?

– Sim.

– Posso lhe acompanhar?

– C-claro...

Baekhyun sentiu um aperto esquisito no peito quando observou o professor corar de levinho e assentir para a mulher acompanhando-a logo atrás. De todos os dias para convidá-lo ela tinha que escolher justo aquele? Quis interromper aquela ceninha com alguma dúvida urgente de física que não poderia ser adiada de modo algum… Mas estaria sendo ridículo e não tinha direito algum.

Tudo bem, ainda teria vários outros dias para chamá-lo e não era a professora Kim que o faria desistir, não era fraco assim. Deu meia volta e rumou em direção à Jongdae, seria zoado para caralho, mas pelo menos tinha alguém para compartilhar as frustrações.


Baekhyun amava as quartas-feiras pois era o dia em que tinha duas aulas seguidas com o professor Park. Por mais que fosse um professor legal, par o resto dos alunos era um mártir ter que escutar sobre fórmulas e teorias, mas o garoto era hipnotizado pela voz grossa do homem e o tempo passava tão rápido que sequer notava. Naquele dia em especial ele parecia mais alegre e disposto explicando hidrostática e sequer repreendeu o Byun quando ele fez uma piada sexual um pouco alto demais.

“Essa merda tá estranha”, pensou quando ele se despediu alegremente da turma e saiu pela porta, Baekhyun nunca o vira tão radiante em meses, sempre estava com a cara destruída (de uma forma linda) e todo indisposto, mas até mesmo sua coluna parecia perfeitamente alinhada naquele dia. Não que não estivesse adorando vê-lo tão radiante daquele jeito, certamente havia acontecido algo muito bom consigo e se Chanyeol estava feliz, Baekhyun também estava.

Quando as aulas daquele dia terminaram, Baekhyun seguiu para a sala onde Chanyeol estava lecionando para importuná-lo como de praxe. Gostava de ficar falando besteira enquanto ele arrumava o material, não era muita coisa, mas era um dos melhores minutinhos do dia. Pegou sua mochila e se despediu que Jongdae que estava ocupado demais secando Junmyeon, a presidente de classe, para poder responder.

A sala 2-B ficava no andar de cima e por isso sempre apressava o passo para não perder o docente de vista, para o garoto o tempo que passavam sozinhos era o insuficiente, não queria desperdiçar nenhum segundo a mais. Quando virou a esquina percebeu que o professor já saía da sala com sua mochila nas costas e notebook na mão, prontamente se preparou para oferecer ajuda, mas aí a professora Kim entrou em seu campo de vista e Baekhyun involuntariamente se escondeu num vão.

Os dois caminhavam animados cheios de risinhos para lá e para cá e Baekhyun sentiu o corpo esquentar num misto de raiva e chateação. Sabia que aquele ciúme era completamente irracional, não tinha o direito de exigir nada de Chanyeol, mas estava sendo escanteado por causa da professora de literatura que estava roubando os únicos minutos de felicidade que tinha direito.

– Eu sei! Eles são incríveis demais, mal posso esperar para vê-los tocando ao vivo! – Chanyeol balançava as mãos no ar e sorria animado.

– Não me diga, sequer estou dormindo direito só de lembrar que finalmente assistirei aquela mulher maravilhosa cantando ao vivo.

– Ela tem uma voz incrível.

– Sim, e se me permite dizer, acho que é uma das melhores da geração.

– Não posso discordar.

Baekhyun forçou a audição e aparentemente estavam conversando sobre alguma banda ou cantor que ambos gostavam bastante e iriam ver ao vivo. Espera, ao vivo? Os dois? Num show? Seu coração acelerou e a mente começou a trabalhar à mil, eles estavam indo a um encontro?

– Vou até tomar um calmante para dormir na sexta, por que do jeito que sou ansiosa vou ficar acordada até sábado de noite.

– Tem razão, mas se não fossem tantas provas para corrigir eu também não conseguiria arranjar sono.

– Puts, é verdade! Só pegar algumas provas para corrigir e o sono vem na hora.

– Tiro e queda.

O casal ria trocando piadinhas acadêmicas e Baekhyun nunca se sentira tão excluído. Era claro que em algum momento Chanyeol iria encontrar alguém à sua altura para viver lado a lado e ele seria apenas um aluno apaixonadinho, talvez sequer fosse o primeiro da lista. O professor era jovem, simpático, bonito, charmoso e um bocado de outras coisas legais, era mais do que previsível que aquilo fosse acontecer. Mas como todo garoto que se apaixona pela primeira vez na vida, sentia que lá no fundinho havia uma pequena esperança.

– Baekhyun? - A voz grossa se fez presente.

– P-professor?

Estava tão perdido em seu próprio mundinho que sequer percebeu quando o homem se aproximou, sentiu o corpo inteiro tremer.

– O que você está fazendo escondido aí?

– Com quem voc... Ah, olá Baekhyun, tudo bem? – A professora Minseok o cumprimentou sorridente daquele jeito meigo de sempre e o coração do estudante doeu um pouquinho.

– Já passa das quatro horas, deveria estar voltando para casa, seus pais vão ficar preocupados.

– E-eu estava esperando você… – Falou todo sem jeito por ter que admitir aquilo na frente de outro docente.

Chanyeol suspirou e disse:

– Você não tem jeito, né? Vem, vou te levar em casa.

Estar no carro de Chanyeol sempre era excitante e ao mesmo tempo enervante, ainda que já estivesse um tantinho quanto habituado àquelas caronas diárias. Ajeitou-se no banco de carona e limpou a garganta, atraindo a atenção do professor.

– Então… Amiga nova? – Perguntou quebrando o clima.

O jeito como o rosto de Chanyeol se iluminou com a pergunta era dolorosamente bonito.

– Ah, sim, Minseok… Digo, a professora Kim é uma pessoa muito boa.

– Sei… Vocês parecem bem juntos.

– É verdade, ela é uma boa companhia.

Chanyeol sequer notou as entrelinhas daquela conversa, mas acabou falando sem pensar e a cabecinha ansiosa de Baekhyun já se pôs a maquinar vários cenários onde eles caminhavam de mãos dadas e trocavam beijos ao pôr do sol. Ficou triste com a imagem mental e se irritou todo.

– Que cara é essa? - Chanyeol perguntou segurando um risinho quando o sinal fechou e o encarou.

– A única que eu tenho – Respondeu sem se importar de soar grosseiro.

Chanyeol o encarou sem palavras, era a primeira vez que via Baekhyun ser tão arisco consigo, principalmente quando ele era todo amores e sorrisinhos. Sequer conseguiu pensar numa resposta quando o sinal abriu e voltou sua atenção para a estrada. “Adolescentes…”, acabou concluindo que tudo aquilo era culpa da maldita puberdade e preferiu ficar em silêncio, sabia bem como os hormônios eram traiçoeiros naquela idade.

Quando estacionou o carro em frente ao restaurante, Baekhyun agradeceu seco e fechou a porta, mal dando oportunidade do homem se despedir ou concluir alguma coisa sobre aquele comportamento. O garoto sabia bem como o arranjar uma dor de cabeça.


– E aí ele falou na maior naturalidade do mundo em como a professora Kim era a mulher dos sonhos dele, você acredita na cara de pau? – Baekhyun praticamente esbravejou enquanto comia um salgadinho furiosamente.

– Ai Baekhyun, como você é dramático, duvido que ele tenha dito isso - Jongdae falou calmamente sem desgrudar os olhos do Resident Evil.

– E você estava lá por acaso?

– Nem preciso, te conheço desde os sete anos.

– Ah, vai se foder.

– Tá.

Jongdae ficava insuportável quando se grudava naquele maldito Playstation, não prestando atenção em nada que Baekhyun falava, mas pelo menos ele não se negava a escutar o chororô do amigo. Era uma quinta-feira de tarde, deveriam estar na escola, mas o amigo tinha finalmente colocado as mãos naquele jogo e só iria largar do quarto quando zerasse a história, seus pais nunca estavam em casa, então era de boa ficar por ali o dia inteiro. Quanto à Baekhyun… Bem, não precisava de muito para matar aula (menos as de física).

– Eu não acredito que eles estavam combinando um encontro – Soltou indignado após um tempo observando o amigo jogar.

– Por que não combinariam? A professora Kim é bonita para caralho.

– Muito obrigada pela observação, seu merda.

Jongdae soltou uma risadinha e Baekhyun preferiu ignorar para não arrebentá-lo no soco ali mesmo.

– Foi mal, mas cara, o que eu quis dizer é que em algum momento isso iria acontecer… Eu sempre tentei abrir teus olhos pra isso.

– Eu sei, tá ok? Mas não é como se eu pudesse simplesmente enterrar toda essa merda e fingir que ele nunca existiu, porra Jongdae, eu vejo ele todo dia!

– Eu entendo, mas… Cara, eu não sei o que te dizer, eu sei o quanto você gosta do professor Park e apesar de tudo eu quero te ver feliz, ‘cê é o meu melhor amigo.

Awn, essa foi a coisa mais gay que você já disse durante todos esses anos.

– Vai se foder - Jongdae estendeu o dedo do meio, mas estava rindo – Mas falando sério, se ele tiver mesmo saindo com a professora Kim, você precisa seguir em frente, eu não quero te ver insistindo numa batalha perdida, entende?

– Eu sei...

E Baekhyun de fato sabia, sua razão gritava aquilo todos os dias e agora mais do que nunca, por que se Chanyeol estava de fato com a professora Minseok, não tinha muito o que fazer. Ele sabia do seu interesse nele mais do que ninguém, a escola inteira sabia, e se mesmo assim ele preferia sair com outra pessoa, o mais certo a se fazer era estender bandeira branca. Mas… Por que era tão difícil? Já pensou em ir a festinhas e sair com gente da sua idade, mas Baekhyun não gostava daquela coisa de sair e beijar qualquer um, não era do seu feitio, era um demissexual convicto que gostava do professor e apenas ele, não tinha quem mudasse aquilo.   

– Jongdae, levanta essa bunda, eu tenho um plano.


Oh Sehun podia ser burro como uma porta, mas se tinha uma coisa que o garoto sabia era como forjar uma identidade falsa, era conhecido pelo seu trabalho impecável e ainda por cima cobrava baratinho, por isso não estranhou quando Baekhyun apareceu com Jongdae em seu encalço durante o almoço.

– Beleza, seis mil won – Falou sem tirar a atenção do seu prato.

– Pô Sehun, não rola nem um desconto? Tipo leve dois e pague um?

– Tá me achando com cara de supermercado?

– Qual é, quebra esse galho pra gente – Jongdae interviu.

– Eu já estou quebrando um galho concedendo maioridade à dois malucos que nem vocês – Respondeu incisivo.

Baekhyun suspirou, não tinha jeito, a fama já deveria ter subido à cabeça e agora podia agir arrogante daquele jeito. Bufou meio irritado e tirou a nota da carteira, infelizmente teria que pagar pelos dois já que Jongdae estava sendo arrastado para seu planinho. Sehun sorriu satisfeito quando viu o pagamento e recolheu bem rapidinho, estariam mortos caso algum fiscal os pegassem negociando.

– Agora sim as coisas começam a andar, final do dia tô te esperando na frente do portão, vê se não atrasa muito.

– Que seja.

Deu meia volta e acompanhou o melhor amigo até o jardim, metade do caminho já estava andada, agora só precisaria arranjar uma boa desculpa para sua mãe lhe deixar sair de casa em pleno sábado à noite.

– Eu não acredito que você vai mesmo ter a cara de pau de aparecer naquele bar, Baekhyun pelo amor de Deus, sobrou algum neurônio aí? – Jongdae perguntou mastigando seu sanduíche.

– É claro que sobrou, por isso estamos executando esse plano com maestria.

– Claro, claro – O moreno soltou uma risada debochada e ignorou o olhar incisivo do outro – mas me diz aí, como que a gente vai chegar lá? É longe pra caralho esse show.

– Para isso que existe uma coisa chamada irmão mais velho.

Jongdae o olhou confuso, até onde sabia Baekbeom não era muito de contribuir com as presepadas de Baekhyun.

– E como diabos ele vai ajudar?

– Ele tá me devendo um favor depois de eu pegar uma calcinha azul jogada no cesto de roupa, e a menos que nossa mãe tenha virado uma adolescente de novo, aquele fio dental só podia pertencer à algum rabo de saia que ele leva escondido para o quarto.

– Filho da mãe… – Jongdae riu da esperteza do amigo.

– O único problema é convencer a velha… Ela sabe bem o tipinho do filho mais velho e com certeza não quer o caçula indo pelo mesmo caminho.

Precisava pensar em algo ou então seria barrado de sair e sabia que ir escondido definitivamente não rolava, seria ainda pior quando voltasse para casa, não queria nem pensar na surra que levaria. Pensou em dizer que iria dormir na casa de Jongdae, mas seus pais nunca estavam em casa e não teriam como sustentar a mentira caso não atendessem o telefone durante a noite.

– E se você só disser que quer sair? Como um adolescente normal ou sei lá.

– Não! Claro que não, ela provavelmente iria passar o resto da semana reclamando que eu arranjo tempo para tudo menos estudar e que esse tempo eu poderia estar aproveitando com a cara nos livros, diferente do meu pai que tá sempre dizendo pra eu… Aproveitar a adolescência! – Pulou de onde estavam sentados e Jongdae levou um susto – É isso! Eu só preciso falar com o meu velho, ele vai dar um jeito de convencer ela e aí é de boa para a gente.

– Então tá ok chegar: “Oi pai, eu tô saindo pro bar encher a cara e stalkear meu professor de física” – O amigo falou numa imitação barata da voz de Baekhyun e levou um soquinho no braço.

– Claro que não, seu idiota, eu tenho que omitir a última parte.

– Então quer dizer que tudo bem encher a cara? – Perguntou risonho, o  senhor Byun era uma figura.

Baekhyun deu de ombros e ambos riram, parecia que o plano estava indo nos conformes.


Ao final do dia Baekhyun e Jongdae se encontraram com Sehun no portão da escola, suas identidades falsas em perfeito estado e tão bonitas que quase pareciam reais.

– Caralho Sehun, cê é um gênio! – Jongdae falou animado segurando sua carteira em mãos.

– Pois é, quem diria que uma porta como você conseguia ser bom nesses esquemas ilegais, deveria entrar pra máfia – Baekhyun falou sem nem se tocar da ofensa.

– É o quê? – Sehun perguntou já ficando vermelho.

– N-nada não, obrigada Sehun, você é dez! – Jongdae falou puxando o amigo para longe e soltando um “tá maluco?”.


Convencer o senhor Byun foi tão fácil quanto tirar doce de criança, na verdade ele ficou super empolgado em como o caçula estava demonstrando interesse em festinhas e finalmente tirar o rabo gordo da cadeira e passar a noite jogando League Of Legends. Antes de ir se arrumar passou no quarto do irmão e deixou o aviso que o favor estava sendo cobrando, mal dando tempo do mais velho responder àquela ousadia. Tomou um banho bem tomado e se arrumou impecavelmente para aquela noite, queria estar tão bonito que Chanyeol só teria olhos para si e mais ninguém, nem mesmo a professora Kim.

Quando o relógio apontou exatamente às 19:30 Jongdae bateu na porta do seu quarto e para quem não estava muito afim de ir para um bar até que estava todo produzido. “Sei lá, vai que eu arranjo umas bocas adultas para beijar”, respondeu todo cheio de malícia e Baekhyun revirou os olhos. Caminharam silenciosamente até a porta de entrada orando para que a senhora Byun não os encontrasse, mesmo que tivesse o aval do pai, ela poderia armar um circo ali mesmo e adeus festinha.

– E onde pensa que você está indo todo arrumado assim, Byun Baekhyun? – A mulher perguntou com os braços cruzados bem no final do corredor.

Baekhyun engoliu em seco, pelo visto suas orações já não estavam surtindo tanto efeito. Fingiu um sorriso amarelo e limpou a garganta, precisaria usar sua voz mais mansinha com a fera.

– Nós vamos sair, mãe…

– Sair? Para onde? Com quem? E quem deixou? – O rosto da mulher já começava a ficar vermelho e o garoto já podia ouvir o wasted brilhando bem a sua frente em letras garrafais.

– É-é q-que…

– Ora essa querida – O senhor Byun interveio quase como um anjo e Baekhyun jurou ter visto sua auréola brilhando – Deixe os garotos aproveitarem a juventude, ja já eles vão estar velhos demais para curtir a vida, nosso Baek merece – Ele usou aquela voz esquisita de casal e o garoto quis vomitar.

A senhora Byun observou os garotos da cabeça aos pés e ponderou os prós e contras de deixar seu pequeno sair para a noite, mas bastou uma apertadinha na cintura (que não passou despercebido pelos jovenzinhos, infelizmente) para que ela amolecesse um pouquinho.

– Tudo bem, mas quero você de volta antes da meia noite, entendeu?

– Mas m-

– Entendeu, Baekhyun? – Ela foi incisiva e o garoto sabia que era melhor não questionar.

Assentiu vigorosamente e tratou de sair rapidinho antes que ela mudasse de ideia, “Fique de olho nesse celular, se você não atender eu vou lhe buscar pelos cabelos!”, ouviu a mulher gritando lá trás e só respondeu com um joinha.

O carro de Baekbeom já estava estacionado na rua e ele parecia entediado demais (ou puto demais) enquanto fumava um cigarro esperando os garotos.

– Que demora da porra moleque, quase desisti – Resmungou ligando o motor e dando partida.

– Aqui o endereço – Respondeu ignorando os resmungos do mais velho.

– Isso é na puta que pariu! Baekhyun você sabe o preço da gasolina?

– Você também sabe o preço do hospital caso a mamãe descubra que você tá levando mulher lá pra casa?

O homem engoliu em seco e tratou de ficar quietinho, realmente estaria fodido caso não fosse o mais novo a descobrir aquela calcinha jogada no cesto, precisava ser mais atento.


Chanyeol não se sentia empolgado há eras, pela primeira vez em tempos Bridge Sounds estaria tocando na Coréia e não podia perder de jeito algum o show de uma de suas bandas preferidas. Na verdade, iria perder sim, pois não conhecia ninguém que também curtisse a banda e era meio acanhado de ir sozinho, ainda bem que tinha conhecido a professora Minseok e ainda bem que ela também era uma ávida fã da cultura underground. Mal acreditava que aquela mulher fofinha tinha um gosto tão distinto e que agora eram amigos, tudo isso por que ela tinha reconhecido-o de uma foto antiga.

Não podia negar, estava feliz de um jeito que não se sentia há tempos, finalmente tinha alguém para conversar durante os almoços e trocar piadas nerds e Minseok não era do tipo de mulher frágil ou cheia de frescuras, muito diferente de sua aparência delicada. Fora da escola ela falava muito palavrão e a primeira vez que a ouviu xingar quase teve um infarto de susto e apesar do pouco tempo de amizade sentia como se a conhecesse a vida inteira, por isso naquela noite não evitou o sorrisão ao encontrá-la perto do bar reservando um lugar para si.

– Desculpa a demora, cheguei muito atrasado?

– Que nada, relaxa, eu estava aqui mexendo no celular enquanto você não vinha.

– Ah, certo.

Ficaram ambos conversando por um bocado de tempo e Chanyeol se perguntava como que aquela mulher tão pequena e delicada bebia como um marinheiro, sempre tomando um shot aqui ou uma cerveja acolá e ainda que não fosse muito fã de bebida sempre aceitava quando a sunbae o oferecia, talvez devesse ter maneirado um pouco.


Por volta das 22:00 a banda finalmente subiu ao palco e Chanyeol sentiu o coração acelerar ao vê-los tão de pertinho, quase como se pudesse tocá-los. A vocalista se apresentou e foi recebida com uma salva de palmas, sua voz era doce mesmo sem efeito algum e o homem adorava escutá-la cantar para dormir. Quando os primeiros acordes começaram sua cabeça estava girando e mal conseguiu se manter de pé para assistir a banda, ficou sentadinho no banquinho do bar vendo tudo longe da multidão que havia se formado perto do palco. Minseok cantava junto e se sentiu estimulado a cantar também, sabia cada música de cor devido aos inúmeros covers para seu SoundCloud.

E seguiu assim durante mais ou menos uma hora até a banda fazer um rápido intervalo e Chanyeol precisar ir ao banheiro. Avisou a Minseok e seguiu em direção ao toalete, o lugar estava um tanto quanto movimentado, mas ainda assim conseguiu se locomover sem muita dificuldade. O que o homem não contava era com um par de olhos de cachorrinho o encarando e um sorriso quadrado brilhando em meio à todas aquelas pessoas. Piscou os olhos e tentou enxergar melhor através dos óculos redondinhos, aquele era Baekhyun? Não, claro que não era, não podia ser, Baekhyun era de menor e não tinha idade para entrar num lugar daqueles. Não por enquanto.

Mas quando o garoto se aproximou com um Jongdae em seu encalço o professor concluiu que não era nenhuma alucinação de bêbado.

– Olá professor! – Ele cumprimentou feliz que só e Jongdae apenas deu um aceno de cabeça.

– B-Baekhyun? O que você está fazendo aqui? – Chanyeol pareceu surpreso ao mesmo tempo que desnorteado.

– Aproveitando o show, ué – Respondeu simplista.

– Mas você não tem idade para estar aqui, seus pais sabem disso?

– Não seja estraga prazeres, professor, estou apenas aproveitando minha juventude.

– Mas esse não é lugar para aproveitar nada, você tem que fazer as coisas de acordo com a sua idade.

E lá estava aquele tom responsável de sempre que Baekhyun já estava familiarizado. Soltou uma risadinha e continuou:

– Está tudo bem, prometo que não ingeri nadinha fora refrigerante nem injetei nada no meu braço.

Chanyeol engasgou apenas com a percepção de Baekhyun, seu aluno, ter noção daquelas coisas em tão tenra idade. Tossiu um pouquinho e ajeitou os óculos no rosto.

– Ainda assim, isso não é lugar para vocês dois, vem, eu vou levá-los para casa.

– Nesse estado? Professor, achei que fosse mais responsável.

“Puts, é verdade”, Chanyeol repreendeu-se mentalmente enquanto se dava conta de que tinha ingerido álcool o suficiente para causar um acidente, ainda mais com seus alunos no banco de carona. Respirou fundo, não tinha muita opção senão ficar de olho nos garotos até sua sobriedade voltar e levá-los para casa.

– Tudo bem, acho que não tem problema ficar um pouquinho, mas depois que o show terminar eu vou levá-los em casa, entenderam?

– Claro! – Baekhyun assentiu todo sorrisos e seu coração não poderia estar mais agitado.

Após ir ao toalete e voltar para o bar, Chanyeol explicou toda a situação para a professora Minseok e os garotos ficaram um tantinho acanhados pela presença da mulher, embora ela tivesse os tratado o mais gentil possível. A primeira coisa que fez foi pedir uma água e uma porção de anéis de cebola ao garçom, precisava ingerir algo saudável para poder afastar aquela embriaguez, o que não era exatamente um problema visto que não era lá muito fã de álcool.


O resto do show se passou tranquilo e Chanyeol às vezes se esquecia da presença dos garotos e começava a agir como um verdadeiro fanboy sempre que a vocalista o encarava. Minseok e Jongdae riam da situação enquanto Baekhyun o observava encantado, não cansava de como o sorriso do homem parecia genuinamente feliz e tampouco da sua voz rouca acompanhando a música, era o próprio paraíso na terra.

– Agora nos despedimos com um pequeno cover para os casais apaixonados -  A vocalista anunciou e o instrumental de You’re Still the One começou a tocar num arranjo muito gostoso.

Chanyeol adorava aquela música e ver uma de suas bandas preferidas cantando ao vivo era uma experiência indescritível, tão maravilhosa que seus olhinhos se encheram d´água. Baekhyun também conhecia aquela música, vez ou outra tocava nos alto-falantes do restaurante e se pegava cantarolando junto.

Ironicamente era uma música que se encaixava na situação dos dois, apesar de tanto tempo ser se passado em seu coração só havia Chanyeol e mais ninguém, não importava o quanto tentasse. A melodia calma começou a ecoar e Baekhyun tinha que concordar que a cantora era realmente incrível, sua voz conseguia embalar todos e de tão imerso na música o garoto achou que talvez aquela fosse a oportunidade perfeita para tentar algum movimento e talvez ter alguma lembrança daquela noite.

Arriscou uma olhadinha para as mãos do professor que repousavam no balcão e respirou fundo, era agora ou nunca. Sem nem mesmo conseguir desviar o olhar do palco, Baekhyun colocou sua mãozinha perto o suficiente para o homem sofrer um sobressalto e ambos congelarem. Sentiu o calor que emanava do outro e em como ele estava tremendo tanto quando si mesmo, céus, aquele momento parecia ser feito de vidro, apenas um movimento em falso e tudo desmoronaria.

Baekhyun sentiu o coração parar no instante em que seu mindinho fora entrelaçado ao do professor e a realização de que estava sendo correspondido bateu em sua porta. A respiração parecia mais pesada e de repente tudo parecia tão longe, as pessoas, o lugar e até mesmo a música, eram apenas ele e o professor compartilhando o momento mais íntimo que poderiam ter. Piscou lentamente os olhos se certificando de que não era um sonho e soltou todo o ar pela boca, o sangue corria quente pelas veias e a cabeça estava dando voltas.

Tomando todo o cuidado do mundo, Baekhyun arriscou olhar para o docente e seu rosto parecia indecifrável parcialmente coberto pelas luzes do local. Não sabia dizer se ele estava envergonhado ou nervoso, mas continuava ali segurando seu mindinho sem nenhuma pretensão de soltar. O garoto voltou a encarar a banda e a música já estava perto do fim, será que aquela troca de carinhos também?

– Nós agradecemos à cada um que veio nos prestigiar hoje, muito obrigada por apoiar nosso trabalho, vocês são demais! – A cantora curvou-se em agradecimento e a multidão rompeu em aplausos.

Quase como se tivessem tomado um susto, ambos aplaudiram meio sem jeito e Chanyeol parecia nervoso demais para se dar conta de que o show havia finalmente terminado.  Seu coração batia tão forte que parecia explodir dentro do peito, o que tinha sido aquilo? Não tinha coragem de encarar Baekhyun, sequer conseguia se mexer e mantinha o olhar fixado na banda que ia aos poucos desaparecendo dentro dos bastidores.

– Chanyeol? – Minseok o cutucou e ele virou bruscamente para a mulher.

– Sim?

– O show terminou, você vai ficar levá-los?

– E-eu...

Chanyeol não sabia o que fazer, não podia simplesmente enfiar Baekhyun em seu carro depois do que tinha acontecido, mas tinha prometido que iria levá-los até em casa e não podia usar a desculpa de que estava bêbado, pois já tinha se recuperado há tempos. Tentou olhar discretamente para Baekhyun, mas ele parecia entretido demais encarando os pés para tentar decifrar no que o garoto estava pensando, então só respondeu:

– Vou levá-los sim.


Se Chanyeol não achava que tinha como a vida ser mais filha da puta do que já era achou errado. Jongdae aparentemente não iria dormir na casa do amigo e morava bem antes dele, por isso quando o garoto desceu do carro e agradeceu a carona, só restaram ele e Baekhyun. Pela primeira vez o silêncio era realmente desconfortável e se não fosse pela música tocando no rádio o clima seria muito pior. Espiou Baekhyun quietinho no banco de trás através do retrovisor e foi pego de surpresa quando ele o encarava de volta, desviou o olhar sentindo o rosto pegar fogo e o coração bater forte, ajeitou os óculos no rosto e focou toda a atenção na estrada.

– E-então… Legal o show, né? – Baekhyun fora o primeiro a puxar assunto, como sempre.

– S-sim, muito legal...

Voltaram ao silêncio habitual e pela primeira vez o garoto não usou da situação para soltar alguma gracinha, chegava até a ser estranho. As luzes dos postes refletiam contra os vidros do carro e era possível enxergar como o garoto estava vermelho no banco de trás. Chanyeol queria poder falar alguma coisa, aquela era a primeira vez que a situação deles tomava uma proporção tão assustadora e não sabia o que fazer com a constatação de que sim, talvez estivesse apaixonado por Baekhyun, seu aluno, de menor. Estava aterrorizado.

Para sua sorte as ruas estavam vazias, então o percurso até a casa do garoto foi bastante rápido e em questão de minutos já estava estacionando em frente à residência. Quando destravou o carro para Baekhyun descer, fingiu que não estava tremendo da cabeça aos pés e reuniu toda sua coragem para desejar boa noite.

Baekhyun continuou parado no mesmo canto e não fazia menção alguma de que iria sair do carro. Chanyeol estranhou aquilo, mas não disse nada, não sabia o que dizer e no fundo sentia que ele queria falar sobre o que aconteceu mais cedo.

– Professor… O que eu sou para você? – A voz baixinha do garoto veio forte como um trovão.

Chanyeol respirou fundo, precisariam ter aquela conversa em algum momento.

– Você é o meu aluno, Baekhyun – Falou sério e sentiu uma pontada esquisita no peito.

– Somente isso?

O homem nunca se sentira tão nervoso desde a apresentação de seu trabalho de conclusão de curso, era como se estivesse pisando em gelo fino e a qualquer momento pudesse ruir.

– Somente isso, Baekhyun.

Não teve tempo de observar a expressão do garoto quando ele murmurou um “obrigado pela carona” e saiu com tudo pela porta do carro. Soltou todo o ar que não lembrava de estar prendendo, “Ah, eu estou muito velho para essas coisas…”.




9 de Fevereiro de 2019 às 07:39 0 Denunciar Insira 119
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