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Capitulo Único


– Já tô indo! - “mas que inferno, não pode esperar cinco minutos” - pensava enquanto colocava três xícaras de expresso em uma bandeja prateada. – todo dia a mesma coisa, será que esse cara não tem olhos e não vê que só eu e a Hange está atendendo? Porque ele não pega no pé da loirinha de farmácia? – Resmungava baixinho passando pelo balcão indo em direção a mesa 7.

– Obrigada! – Três adolescentes, um ruivo com um corte rebelde, uma moça de cabelos castanhos amarrados em rabo de cavalo e um moço de aparência mais baixa e com a cabeça raspada, todos usavam um uniforme de escola, camisa branca, calça azul marinho e tênis baixo de cor preta, exceto pela menina que usava uma saia da mesma cor da calça dos garotos. Os três agradeceram em uníssono.

Saiu com a bandeja embaixo do braço, vendo mais duas mesas chamar pra ser atendida. Nelas, um senhor com roupas sociais e noutra uma mulher com aparência de executiva. Fez um movimento com o braço para indicar que já estaria disponível e regressou para atrás do balcão.

“ O que é que aquela infeliz, está fazendo?”

Assim e deixou a bandeja sobre uma das bancadas da cozinha, sentiu duas mãos pousarem em seu ombro e uma respiração em seu ouvido.

– Se está se perguntando o que a vadia mais conhecida como Annie, está fazendo...sinto em lhe dizer, os gemidos estão fora do controle lá em cima.

– Mas que caralho, Hange! Para de fazer isso!

Ouviu-se uma gargalhada alta e então um pedido de desculpas nada convincente.

Levi se virou e viu a amiga com o típico uniforme. Calças pretas, uma blusa de botões marrom, sapatos fechados, cabelo preso em um coque e um óculos fundo de garrafa, que na sua opinião era ridículo.

– Precisa parar de fazer isso quatro olhos. Quebrei duas xícaras semana passada por causa dessa sua mania ridícula.

– Se eu não fizesse isso, você iria morrer de mau humor. Olha só, já está até com um risinho. – Se aproximou colocando os dedos indicadores em cada bochecha do mais baixo que deixou o sorriso aumentar um pouco.

– Da próxima vez, eu faço aquele velho descontar do seu salário.

– Você não teria coragem…

– Pois não? – Levi se limitou a dar um peteleco em sua testa e se virar pra lavar alguns copos. – Hange, atende as mesas onze e quarto fazendo um favor.

– Okay. – E saiu pela porta pegando o bloco para anotar os pedidos. Levi suspirou.

“Uma hora essa coisa vai me matar do coração”

Continuou lavando mais alguns copos e pratos quando ouviu um barulho de algo quebrando e a voz de Hange um pouco alterada. Fechou rápido a torneira e saiu pra ver o que estava acontecendo.

Havia uma roda de pessoas envolta de alguma confusão. Saiu empurrando todos na sua frente sem pedir qualquer desculpa e se deparou com Hange catando alguns cacos de vidros, um adolescente - ou marginal, se preferir dizer - moreno de cabelos castanhos e olhos verdes, olhando-a com desdém e estresse.

– O que está acontecendo aqui? – Limitou-se fizer antes de deixar qualquer palavrão sair de sua boca. Pela política do “o cliente sempre tem razão” não poderia fazer nada para aquele monte de merda.

– Eu encontrei uma mosca no meu café. – Deu um olhar desafiador que Levi logo quiz quebrar.

–  Hã? Certeza? Agora, poderia me explicar porque dos cacos de vidros? – Pegou no braço de Hange e fez ela levantar – Vai lá pra dentro que eu resolvo isso. – Falou baixinho e ela assentiu.

– Eu me assustei e sem querer derrubei mas não preocupe, eu pago pelo estrago e...– Olhou pra onde a morena saia e em seguida pro homem mais baixo a sua frente. – e dou uma gorjeta pela limpeza. – Encolheu o ombro.

Aquilo foi a gota da água.

– Escuta aqui seu moleque de merda! – Agarrou-o pelo colarinho e atirou pra cima da mesa que estava próxima. – Fala algo parecido que te enfio todos esses cacos na sua boca, seu bosta! Aqui não se compra dignidade de ninguém, se tá acostumado a tratar os outros assim, problema teu! Acontece que eu não sou os trouxas que abaixa a cabeça para comportamento de retardados. – Deu um soco com a mão direita fazendo o osso do nariz estalar e a cabeça do moreno bater contra a mesa.

– Me desculpa! – O garoto tentava argumentar mas a pressão feita no seu colarinho deixava uma leve dificuldade em respirar. – É sério, desculpa!

– Eu não acredito! – A conhecida voz do patrão soou pelo estabelecimento. – O que está fazendo Eren? E Levi! É assim que se trata com cliente?

– Se ele for retardado, sim. É dessa maneira. – Largou o colarinho do garoto e se afastou. – E não me venha com esse olhar velho, não vou pedir desculpas a um garoto desses.

Estranhou o velho passar por ele sem dar uma bronca antes. Foi direto ao garoto que se levantava da mesa com a mão no nariz.

O mais surpreendente foi o tapa que o garoto recebeu de Pixis.

– Me desculpa, vovô. Acho que exagerei... – Eren abaixou a cabeça colocando a mão sobre o local do tapa e deixando de lado o nariz dolorido.

– O que deu em você pra fazer uma porcaria dessas? – Perguntou indignado.

– Eu tava estressado...– Respondeu baixo.

– E isso é motivo para humilhar os outros? – Perguntou Levi ouvindo aquela desculpa ridícula.

– Eu realmente achei uma mosca. – Apontou pro chão onde ainda havia cacos e no meio do café esparramado, tinha um pequeno bicho. – Deixei o estresse subir a cabeça e acabei atirando a xícara no chão.

– Isso não explica o porquê do seu rosto de satisfação ao ver Hange limpando isso. – Interveio Levi.

– É lógico! – Deixou a voz sair mais alta – Não faz mais que obrigação, foi ela quem me serviu com uma mosca. Que tipo de estabelecimento é esse vovô? Contrate pessoas com mais senso de limpeza. – Disse olhando pro velho de bigode e olhos claros.

– Eren, eu acho melhor você não falar isso...– Pixis falou um pouco receoso.

– Porque? É verdade, se fosse mais limpo não teria acontecido isso.

Olhou de canto vendo que Hange se aproximava e pegou um pedaço da conversa.

– Pixis, esse moleque tá com os dias contados.

Sentiu um frio na barriga ao olhar o funcionário mais baixo e este estava estranhamente silencioso com um olhar que congelaria o inferno.

– Você disse mais limpo? – Deixou a voz engrossar consideravelmente, assinando o moreno.

Levi não hesitou em segurá-lo pelo cabelo e arrastar até a cozinha.

– Que isso seu monstro, me larga! – Eren protestava mas o mais baixo fingia não escutar.

Hange gargalhava vendi a cena caricata, enquanto Pixis apenas balançava a cabeça negativamente, mesmo que concordasse com a ideia de Eren precisava de uma lição.

– Para caramba! – Tentou várias vezes se libertar das mãos em seu cabelo mas a diferença de força era visível. – Eu já pedi desculpas!

– Não foi suficiente, pirralho.

Entraram na cozinha e Levi ligou a torneira onde estava lavando a louça anteriormente e deixou que a pia enchesse, colocou o máximo de detergente que pode e mergulhou a cabeça do pirralho dentro da água com detergente.

Eren se debatia tentando sair pra não se afogar mas as mãos de Levi o empurrava com força. Sentia as bolhas de sabão se formar conforme tentava gritar. Assim que deu os segundos suficiente para Levi se satisfazer, puxou Eren pra fora fazendo-o cambalear e bater de costas com o balcão central e cair no chão enquanto tossia.

Levi se abaixou e bateu uma das mãos em uma das portas do balcão, cercando o garoto. Deixou seu olhar ainda mais sinistro.

– Espero que tenha aprendido a lição ou você precisa de mais alguma coisa?

Eren arregalou os olhos. A aura daquele nanico era assustadora, nem palavras saiam da sua boca, apenas assentiu e viu Levi sorrir de lado.

– Assim espero.

Saiu de perto do moreno, pegou um pano que estava em cima do balcão e atirou pra Eren.

“Porque ele tá fazendo isso? Ele quase me afogou, ele tem problema de personalidade?”

– Não tenho problemas de personalidade, pirralho.

– QUÊ? – Deixou escapar e o outro não conteúdo a risada.

– Sei que estava pensando isso, não sou ruim…

“Claro, você é super gente boa” – Pensou em tom irônico.

– Apenas não gosto de que falem da minha limpeza. Tenho problemas com isso.

“Isso deu pra perceber”

– Já acabaram? – Entrou Pixis na cozinha enquanto Levi se dirigia a pia e tirava a tampa da mesma, fazendo a água escorrer.

– Esse cara é louco vovô! – Protestou Eren.

– Não reclama Eren, você merecia pior. Aliás… acho que vou seguir sua sugestão Hange… – A morena que vinha logo atrás do velho, deu um sorriso sinistro. – Você vai começar a trabalhar aqui, e seu instrutor vai ser o Levi.

– O que? – Responderam em uníssono e em um tom de desgosto.

– Você anda muito mimado e eu acho que achei a pessoa certa pra te fazer abaixar esse nariz.

– Mas nem fudendo Pixis, mal tenho tempo de atender os clientes porque você fica comendo a puta da Annie o dia inteiro. Não quero.

– São ordens. Ou fica sem o emprego.

– Você é um filha da puta, Pixis.

– Vai começar amanhã, Eren. E se não vier, já sabe. Vai ficar sem sua preciosa mesada. Se não trabalhar não terá dinheiro.

– Mas vovô, eu nem sei opinião sobre isso!

– E nem vai dar, amanhã, ou sem dinheiro esse mês. Já estou dando a oportunidade de trabalhar aqui, se contente com isso. – Saiu fazendo uma referência a Hange que ainda estava com um sorriso no rosto.

Eren bufou e se levantou do chão.

– Muito obrigado, nanico. Arruinou a minha vida.

– Pelo que eu vi da conversa, você arruinou sozinho e eu que tô pagando o pato. Só um aviso, abre às sete da manhã, se não tiver aqui esse horário, te busco pelos cabelos, sei onde é a casa do seu avô e eu não quero problemas com meu salário, então é melhor colaborar.

Eren saiu pisando duro, viu algumas pessoas cochichar sobre o ocorrido mas não ligou, passou direto pela porta de entrada fazendo uma promessa interna.

“vou infernizar a vida desse nanico, até ele não me aguentar mais” – Acabou por se arrepender do pensamento quando lembrou do olhar e da força que o outro tinha.

– Inferno, vou ter mesmo que aguentar aquela praga. – Sussurrou baixinho passando pelas pessoas na rua.

– HANGE VOCÊ ESTÁ FRITA! QUE IDEIA MALUCA É ESSA? – Levi lavava os pratos com rapidez.

– De nada coisinha linda do meu ser. – Disse, pegando um dos pratos e começando a secar.

– Você só pode estar de brincadeira…

– Admite Levi. Você sempre secou o Eren quando ele vinha aqui, tá aí a oportunidade perfeita para conquistar ele. – Deu um sorriso de lado quando ouviu o colega suspirar.

– Com conquistar, você conta enfiar a cara dele na água? Porque se contar, ele já está apaixonado. – Fechou a torneira pra agora lavar os copos.

Hange gargalhou.

– Okay, foi um mau começo mas tu pode consertar isso a partir de amanhã, olha que maravilhoso.

– Hange, vem cá? – Levi se virou e viu como a amiga sorria. – Você fez isso de propósito, não é?

– Oops…

– Você é insana, eu quase perdi o meu emprego, sua demente.

– Você seca esse garoto tem quase dois anos Levi e às vezes eu pego ele te olhando. Foi só juntar os pontos. Só não sabia que ele iria fazer isso. Cara, ele podia ter morrido. – Fechou a porta de um dos armários.

– Eu odeio que falem da minha limpeza e você sabe disso.

– Pois então, você tinha que se aproximar dele de alguma forma.

– Você quer dizer da pior pior forma, não? Eu quase perdi meu emprego Hange, fiquei puto da vida, agora vou ter que cuidar de um pirralho.

– Pirralho que você quer pegar.

– Hange!

– Admite que você tá feliz, Levi!

– Okay, eu gostei da ideia mas acho que não vai dar certo.

–  E porque razão?

– Eu posso matar ele qualquer hora se ele continuar com os insultos pra minha limpeza.

– Eu dou um jeito nisso.

……………………………………………………..

– Aquele babaca, ele me paga. – Dizia entre os dentes enquanto passava uma pomada pelo nariz para aliviar a dor.

– A quem você refere-se? – Perguntou uma voz feminina que andava no corredor.

– Do Levi, Sasha, do Levi.

– Aquele cara do café?

– Ele mesmo.

– Foi ele quem te fez isso?

– Foi.

– E como foi apanhar da sua alma gêmea? – Disse em um tom divertido aparecendo pelo parapeito da porta.

– Aquele cara é um ogro, ele enfiou a minha cabeça na pia com água e detergente, só porque eu falei da limpeza do lugar, o cara é maluco.

– Maluco e gostoso.

– Gostoso...pode até ser – Sentiu o rosto ficar um pouco quente. – Não sei se vou suportar essa ideia de ficar do lado dele o tempo todo, Sasha. Uma coisa é ver ele de longe, a outra é trabalhar com ele, ainda mais agora que descobri aquela mania maluca.

– Faz um esforço, não vai ter outra oportunidade. – Sasha apareceu completamente atrás do moreno, entrando no box do banheiro que tinha ao lado.

– Eu sei disso mas, e se ficar muito na cara?

– Que você tem uma paixonite nele? É até bom que ele saiba, vai que ele alivia o seu castigo. – Ela abriu um pouco o box e deixou a cabeça aparecer – ou piorar, ele tem cara de sádico. Já pensou Eren, você amarrado nunca cama, sem ver nada e ele te chupando?

– Cala a boca Sasha! – Disse sentindo uma ansiedade em sua barriga crescer. Tinha que admitir que a imagem que se formou em sua cabeça foi excitante.

– Se esforça moreninho, eu já vi várias vezes ele te olhando, é só ter jeito com a fera que tu consegue.

– Como se você soubesse a força que ele tem, mal consegui me mexer com ele me pegando pelo cabelo.

– Então vai ter que se comportar, foi um começo ruim mas vai poder consertar a partir de amanhã.

– Assim eu espero. – Terminou de passar a pomada também pela bochecha e se olhou no espelho e viu o próprio rosto ficar vermelho. – Ele ficou tão próximo de mim...– Sussurrou.

…………..……...…………………………………

– Mas que merda! – Eren levantou correndo e tropeçando pela coberta. Eram sete e dez da manhã, teria que correr e muito se não quisesse o rosto dentro de uma pia novamente.

Vestiu a primeira coisa que viu no guarda-roupa. Uma calça jeans preta, uma blusa amarela sem estampa e colocou o tênis de sempre. Saiu correndo sem nem mesmo tomar café ou cumprimentar Sasha que estava sentada na mesa da cozinha bebendo um iogurte. Teve tempo apenas de correr e pegar um ônibus, sentou no primeiro banco vago e torceu para que Levi relevasse aquele pequeno deslize.

Olhou pela janela as pessoas indo e vindo, entrando em prédios, alguns catadores de lixo já trabalhando pra deixar a cidade limpa.

Suspirou.

“Quero que a minha vida tome um rumo diferente a partir de hoje, sei que não posso reclamar de nada que o vovô me dá, mas, queria ter ido pra faculdade assim que terminei o ensino médio, talvez eu comece a pagar um curso a partir deste mês”

– A essa hora já teria te dado uma surra, fiz bem em falar o horário errado.

Eren deu um pulo com a voz grave que soou do nada, bateu a cabeça no vidro.

– Mas que caralho! – Passou a mão pela parte dolorida da cabeça.

Olhou pra trás e viu a simpatia em pessoa com um sorriso divertido.

– Já não era pra estar no café? – Perguntou acompanhando o baixinho com olhos, vendo ele parar na sua frente se apoiando em uma barra de ferro do bando que estava sentado.

– Não.

– E porque caralhos você me mandou vir às sete da manhã?

– Se eu tivesse dito que o horário real, que é às oito, você teria chegado às nove. Dei uma hora pra você chegar, tem agradecer.

Eren abriu a boca por um instante, aquele nanico estava brincando com a sua cara, não estava?

– Eu não acredito nisso! Você me fez sair correndo de casa seu demente, não comi nada, tô com fome e sono! Que tipo de ser humano é você? Seu imbecil?

Ele se aproximou de Eren, nunca mudando sua expressão de tédio, mesmo que estivesse se divertindo pelas relações do garoto. Deixou que sua respiração batesse no ouvido do outro e sorriu um pouco quando ouviu o mesmo perder o fôlego.

– Gosto de ser mau com as pessoas, bebê. – Sussurrou e logo se afastou pra ver a expressão ruborizada do outro.

Eren se limitou a se virar novamente para janela.

“O que esse louco está fazendo?” – Sentia o coração disparado e a mente nublada.

Como seria aquela voz falando mais vezes em seu ouvido?

Como seria ela falando ou gemendo o seu nome?

Mordeu o lábio inferior, sentindo a temperatura subir.

Como seria aquela voz dizendo que quer devorá-lo de todas as formas?

“Acho que encontrei meu afrodisíaco”

Fez uma nota mental de que devia ter cuidado com aquela voz da perdição.

Enquanto isso, Levi não tirava os olhos do moreno, viu perfeitamente quando o mesmo mordeu os lábios e aquilo foi tentador.

Sempre o observou de longe, sentia um desejo imenso por aquela pele morena e aqueles olhos verdes, nunca puxou assunto ou fez algo para que se aproximassem, nunca é fácil contar uma atração homossexual. Tinha receios. Mas, ver que ele estava afetado por apenas algumas palavras ditas, sabia o que tinha que fazer. E nada iria fazer com que desistisse.

Chegaram juntos ao café de Pixis. Annie já tinha aberto e estava arrumando as mesas.

– Espero que dê menos hoje. – Falou Levi entre os dentes.

– Espero que consiga pegar o Eren, você não está dois anos secando ele atoa. – disse no mesmo tom e Eren viu o leve rubor aparecer no rosto do mais baixo.

Colocou a mão sobre o próprio rosto e viu que estava até pior que o outro.

Foram até atrás do balcão, entrando na cozinha e Levi abriu um dos armários onde continha os uniformes. Pegou um par e entregou ao moreno.

– Tem um banheiro depois daquele corredor – Disse apontando pra esquerda. – Só se trocar que começo a te ensinar.

Eren estranhou o tom seco mas não quis contestar o que havia acontecido, quem sabe no trabalho ele era mais sério, não é mesmo?

Seguiu como indicado e entrou tirando o uniforme do saco plástico.

Levi olhava no relógio de pulso com extrema concentração.

– 1...– dizia com calma. – 2...3… – Olhou pro corredor do banheiro com um sorriso.

– SEU FILHO DA PUTA RETARDADO, QUAL É O TEU PROBLEMA?

– Olha ele como ficou lindo – Dizia Annie entre as risadas.

– Você está lindo, Eren! – Esboçou um elogio sério mas sem perder o sorriso, quando teve o colarinho tomado por uma das mãos do moreno.

– Eu só vesti isso porque não tinha que ver com meus próprios olhos essa sacanagem, você deve estar brincando comigo – Falou quase num sussurro de raiva aproximando cada vez mais o seu rosto com o de Levi.

– É claro que eu estou – Levi decidiu ser direto. – Mas não podia perder essa cena. – Agarrou no punho do moreno e o virou encostando na parede. – Agora se me permite, queria aproveitar essa exposição.

Passou a mão pela coxa esposa do moreno. Eren estava com uma perfeita roupa de empregada francesa. Levi havia planejado aqui, e como previu, Eren caiu fácil na sua armadilha.

– L-levi…?

– O que foi? Não gosta? – Deixou seus lábios roçarem nos do moreno.

Eren fechou os olhos expectante por um beijo. Não podia negar que queria aquilo, mas também não podia ser dessa forma.

A mão de Levi subiu para seus quadris, levantando a roupa preta de tinha na parte de cima. Sentiu alguns espasmos de prazer ao sentir o toque frio de Levi.

Aquela mão explorando seu abdômen era delicioso.

– Você realmente não quer? – Perguntou Levi ao pé de seu ouvido.

Aquele foi o limite.

Usou uma das mãos livres para puxar o rosto de Levi e o beijou. Um beijo fervoroso, ambos tentavam por um ritmo e isso causou uma briga por dominância.

Levi encostou ainda mais seus corpos, usando um braço para levantar a coxa de Eren pro alto e apertar com vontade aquela bunda que sempre observou com desejo. Com a outra mão foi até a nuca do moreno e puxou o cabelo pra trás. Aproveitou a exposição pra beijar ao longo do pescoço do moreno que arfava devido aos beijos molhados que Levi deixava naquela região sensível.

– Acho melhor irmos ao banheiro. – Conseguiu dizer entre os gemidos e Levi assentiu. O puxou com rapidez e o empurrou pra dentro do cômodo pequeno, prensando-o novamente na parede, só que dessa vez usando os dois braços pra rever Eren.

Sentiu um arrepio ao ver que Eren entrelaçava as pernas em torno de sua cintura.

– Quero que seja obediente Eren, prometo te ensinar direitinho.

…………….……………………………………….

Depois de várias estocadas violentas Eren e Levi chegaram no limite, gemendo o nome um do outro, enquanto espasmos de prazer ainda domidavam os seus corpos.

Eren estava quase deitado na tampa do vaso sanitário com Levi por cima, com uma mão apoiada na parede tentando recuperar o fôlego.

– Não acredito que dê uma briga passou pra isso...– Falava entre as arfadas e com os batimentos rápidos.

– Eren, eu sempre te desejei. – Levi decidiu ser direto. Havia tempos que observada o rapaz e tinha um certo sentimento. Não podia esperar mais, principalmente depois do que havia acabado de acontecer.

Eren enrubesceu e desviou o olhar. Não podia negar aquela frase. Também o desejava. Também tinha que ser sincero.

– E-eu também, Levi. – Tentou olhar nos olhos do funcionário e se surpreendeu com o sorriso terno que se formava nos lábios do outro.

– Que bom. – Foi apenas essa resposta que ouviu antes de Levi tomar a sua boca em um beijo carinhoso e cuidadoso que Eren retribuiu de bom grado, deixando seus braços circularem o pescoço do outro.

Assim que se separaram, Levi se levantou dando a mão ao moreno que por pouco não escorregou. Suas pernas estavam fracas.

– Precisa de apoio?

– Não precisaria se não tivesse sido tão bruto. – Disse em um tom emburrado, estava um pouco irritado pelo estado que seu corpo se encontrava.

– Mas foi você quem pediu que fosse mais rápido e mais forte. – Levi deixou sua mão escorrer por entre as nádegas do mais alto.

– Cala boca seu retardado. – Empurrou o mais baixo mas não com muita força, este deu um sorriso. – Do que você está rindo.

– Você não disse mais nada sobre a roupa de empregada.

Eren arregalou os olhos e deu uma boa olhada em si mesmo.

A raiva tinha voltado com tudo, abriu a porta com força e saiu batendo o pé no chão – Nem tanto.

– QUE FIQUE CLARO QUE FOI A PRIMEIRA E A ÚLTIMA VEZ!

“Aham, eu acredito” – Pensava enquanto o seguia pelo corredor.

25 de Janeiro de 2019 às 22:26 0 Denunciar Insira 0
Fim

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