Milagre Seguir história

valdieblack Valdie Black

O reencontro de Clara Oswald e o Doutor foi um milagre, mas talvez a Garota Impossível não esteja pronta para todas as mudanças que virão. (12/Clara - Final alternativo de Twice Upon a Time)


Fanfiction Seriados/Doramas/Novelas Impróprio para crianças menores de 13 anos. © Doctor Who não me pertence, fanfic escrita sem fins lucrativos.

#fanfiction #whouffaldi #doctor-who #twelfth-doctor #twice-upon-a-time #clara-oswald
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Milagre

Não sabia como tinha chegado ali. Era um cenário de guerra, porém estava tranquilo. Talvez porque todos já tinham caído. Pegava os flocos de neve com as mãos mas não sentia frio. Não sentia nada, apenas um vazio dentro de si. Era como se ela não fosse uma pessoa de verdade. Faltava alguma coisa para isso.


- Clara! - ouviu uma voz familiar gritar.


Olhou para trás e viu o Doutor correndo até ela. Riu-se com o jeito desengonçado dele. Era aquele mesmo Doutor de cara fechada e corações moles. O terno dele estava rasgado em várias partes e a aparência no geral era a de alguém que acabou de sair de uma batalha.


- Você está aqui. - ele disse quando chegou perto dela. Tinha alegria e alívio na sua voz. - Eu a procurei por toda parte.


O Doutor ia abraçá-la mas Clara se afastou.


- Isso é um sonho? Eu estou sonhando? - ela perguntou, olhando em volta assustada.


- Não, isso é real. Eu juro.


- Não pode ser. Isso é obviamente uma armadilha dos meus inimigos, eles me mantém desacordada em algum lugar enquanto realizam seus planos contra a humanidade.


O Doutor sorriu melancólico. Clara falava igual a ele.


- Não, Clara, isso não é uma armadilha. Acabou.


- Como assim “acabou”?


- Nossas vidas… elas chegaram ao fim. Eu estive esperando por você esse tempo todo. Sabia que um dia iria chegar e não fugiria do corvo.


Clara riu, sarcástica.


- Espera, então você quer que eu acredite que isso aqui é o paraíso?


- De forma alguma. Eu nunca entraria no paraíso. Nós dois somos memórias conservadas num sistema complexo. Veja.


O Doutor segurou suas mãos para lhe mostrar. Clara notou que elas estavam transparentes, como se ela fosse uma fantasma.


- Então… eu não sou a Clara?


- Sim, você é.


- Mas eu não tenho o corpo dela, só as lembranças.


- Clara queria continuar vivendo depois da morte, e aqui ela está. Você é a Clara.


- E quanto a você?


- A mim?


- Sim, desde quando você morre?


- Ah…


O Doutor voltou seu olhar para o campo de batalha.


- Todos temos que aceitar nosso fim. Até eu teria que morrer algum dia.


- Você não aceitou, você se rendeu!


- Clara, eu não podia continuar…


- Você não é o Doutor, é uma farsa. O Doutor que eu conheci não desistiria.


- Eu não desisti, Clara. Todo esse tempo, tudo que eu queria era encontrar você. Quando recuperei minhas memórias sabia que havia apenas uma maneira de ficarmos juntos para sempre. Eu teria que morrer.


Clara balançou a cabeça. Era exatamente por isso que o Doutor apagou suas memórias dela, caso contrário ele não conseguiria seguir em frente.


- Isso é errado! Você tem de voltar. O planeta precisa de você, quem irá nos salvar?


- Eu já ajudei tantas pessoas e a Terra encontrou vários meios de se proteger. Não posso dar um tempo? Descansar?


- Não. Você é o Doutor, ou era…


Afastou-se dele mais uma vez e deu-lhe as costas.


- Clara…


- Não quero mais falar com você. Preciso ficar sozinha.


- Clara, ainda sou eu.


- Não, você não é mais o Doutor. Não sei quem você é.


- Doutor ou não, eu ainda amo você.


Ela correu, sem querer mais ouvir uma palavra dele. Estava desolada. Tudo que queria era ficar com o Doutor, mas não assim, não às custas do sofrimento da humanidade. Tropeçou e caiu de cara na neve.


- Calma, garota, desse jeito vai acabar se machucando.


Clara olhou para cima e viu um velho senhor de capa, segurava uma bengala e parecia exausto. Ela o achou estranhamente familiar mas não sabia por quê.


- Vamos, levante-se. O chão não é lugar para uma moça jeitosa como você, hum?

O homem a ajudou, segurando-a pelo braço enquanto ela se levantava.


- Dia difícil?


- Você não tem ideia.


- Ah! O meu também não está sendo muito fácil.


Ele sentou-se num banco próximo e bateu a mão nele, indicando o lugar ao seu lado.


- Ainda bem que nos encontramos. Podemos desabafar um pouco um com o outro, hum?


Clara sentou-se próxima a ele.


- Meu nome é Clara, ou era… é um pouco difícil de explicar.


- Eu sou o Doutor. Bem, meu nome original não era esse mas acabei me afeiçoando a ele. Também é um pouco difícil de explicar no momento.


Ela arregalou os olhos.


- Você é o Doutor?!


- Em carne e osso. Vejo que já ouviu falar de mim. - ele riu-se.


- Sim, já…


Sabia que não devia contar ao Doutor sobre seu próprio futuro, ia alterar sua linha do tempo.


- Ah, sim, sim… o velho Doutor de Gallifrey. Não é fácil ser ele, sabe? Penso que talvez… meu tempo esteja acabando.


- Não diga isso. Você ainda tem muito tempo pela frente.


- É o peso do tempo que deixei para trás que me importuna. - ele suspirou. - Está começando a me alcançar.


- Sempre quando pensamos que é o fim, na verdade é apenas um novo começo.


- Ah, uma frase muito sábia, Clara. Diga-me, qual é o nome do rapaz que a deixou tão abalada hoje, hum?


- Como sabe que estou assim por causa de um homem?


- Oh, você é uma moça tão bonita. Geralmente as moças bonitas gostam de chorar pelos namorados.


- Bem, ele não é um rapaz. Na verdade, ele é muito velho.


- Então, deixe-o, minha querida. Você não pode perder sua vida por causa de um velho, hum?


Clara sorriu.


- Infelizmente, Doutor, acho que não tenho mais vida para perder.


Ela mostrou suas mãos transparentes. O Doutor as analisou.


- Hum… entendo… acho que consigo fazer um xarope para isso. Preciso apenas voltar a minha TARDIS e pegar os materiais necessários.


- É muito gentil, mas acho que agora não posso reverter isso.


- Então não pense nisso, minha querida, olhe para frente. A vida pode ser curta, mas a morte é tão longa…


- O problema é que este homem que reencontrei… eu não sei se é o mesmo homem por quem me apaixonei muito tempo atrás.


- Claro que ele não é, minha querida, nós mudamos o tempo todo. Ainda mais um velho. Ele deve ter passado por muitas mudanças ao longo da vida.


- Mas tenho medo que ele tenha mudado tanto que não seja mais o Do… o homem que eu amo.


- Hum… toda vez que mudamos temos medo de perder algo nosso. Acredito que o que me mantém centrado são as pessoas da minha vida. Talvez o seu velho não tenha medo de mudança porque ele está sempre com você e isso o faz lembrar de quem ele é.


- Ele sempre amou todas as pessoas, agora parece que ama apenas a mim.


- Minha querida, amar uma pessoa é amar um mundo inteiro! Não existe amor egoísta. Quando aprendemos a amar alguém fica fácil amar as outras coisas. Veja a mim, por exemplo, eu amo minha neta Susan e por causa dela acabei conhecendo e amando vários outros seres.


Clara sorriu, sentindo-se mais segura com as palavras dele.


- Você é muito sábio também, Doutor, para alguém tão jovem.


O Doutor achou graça.


- Eu? Jovem?


- Sim, um rapaz. Eu vejo isso em seus olhos.


- Obrigado, minha querida.


Clara lhe deu um beijo na bochecha e levantou-se.


- Até breve, Doutor. Espero que nunca desista.


- Adeus, Clara. Foi ótimo conhecê-la… apesar de que tenho a sensação de que já a vi em algum lugar antes.


Ela não lhe respondeu. Andou de volta pelo mesmo caminho que usara para chegar ali e encontrou o outro Doutor, o seu Doutor.


- Doutor!


- Clara!


Ele sorriu para ela como se fosse a primeira vez que a estivesse encontrando, Clara viu que havia lágrimas em seus olhos.


- Sinto muito, Doutor.


- Não, eu sinto muito. Sei que lhe causei muita dor e é tudo culpa minha…


- Sim, é sua culpa por ter me dado os melhores anos da minha vida.


- Clara?


- Eu te amo, seu velho estúpido. Nunca mais quero me separar de você.


Ela segurou as mãos do Doutor e deu-lhe um beijo nos lábios.


- Feliz natal, Doutor.


- Feliz natal, Clara Oswald,


O natal sempre trazia as melhores lembranças para os dois e agora ficariam juntos nessas lembranças para sempre.



22 de Janeiro de 2019 às 00:06 2 Denunciar Insira 0
Fim

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A Louca dos Cavalos A Louca dos Cavalos
Gostei dessa história. As conversas com o outro Doutor foram tão lindas. A vida pode ser curta, mas a morte é longa. Bela frase. Parabéns. Bjss de cavalinhos <3
26 de Julho de 2019 às 10:44

~