R.E.M. Seguir história

sr.-artie Sr. Artie

Resguardado dentro do abraço de um JungKook adormecido, Jimin estava quase acreditando que todos os momentos divididos com seu dongsaeng eram sonhos bastante vívidos, só que agradecendo infinitamente por saber que as lembranças compartilhadas por eles não eram devaneios de sua mente apaixonada, mas acontecimentos reais.


Fanfiction Bandas/Cantores Para maiores de 18 apenas.

#romance #gay #yaoi #lgbt #amizade #bts #jungkook #jimin #boyslove #fluffy #jikook #kookmin
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Capítulo Único: R.E.M.

Notas da História

JungKook e Jimin são pessoas reais, pertencem ao grupo BTS, e essa história aqui não passa de ficção.

História betada pela Rebel Princess (Nyah- Liga dos Betas)

História postada no Wattpad, Social Spirit e Nyah

*JiKook/KookMin*


Notas do Capítulo

Mds, eu apareci com fanfic JiKook no UN depois de, sei lá, 5 meses? A questão é que essa história deu um trabalho dos infernos e eu quase cogitei largar essa vida de fanfiqueiro jikook porque o meu surto foi pesado. Estou escrevendo essa história desde novembro do ano passado, então, trabalhei com cuidado nela e nas personalidades de Jimin e JungKook.

Antes que comecem a ler, eu sei que a primeira cena dessa história é quase improvável de acontecer, mas eu vi um vídeo sobre isso no twitter e imaginei, perfeitamente, o Jimin. Por isso, resolvi colocar aqui.

No mais, espero que apreciem a leitura.

R.E.M.

By: Sr. Artie

Capítulo Único


Havia pensado muito antes de tomar a decisão de ir parar ali. Analisou os prós e contras de se expor àquela situação e chegou à conclusão de que valeria a pena cada risco corrido para presenciar aquele momento. No começo, assim que chegou ao local e se deparou com pouquíssimas pessoas, acreditou que talvez tivesse tomado a escolha errada, mas a incerteza sumiu rapidamente, bastou que seus olhos captassem o primeiro sorriso de felicidade de um desconhecido.

Aquela experiência valeria mais que tudo.

O público pequeno era um medo, tinha uma chance maior de ser notado, mesmo que os olhos estivessem coberto por um óculos de sol escuro e o rosto escondido por uma máscara preta, assim como os cabelos castanhos que se mantinham ocultos por um gorro. Tinha tomado todas as medidas para que passasse despercebido, não desejaria chamar atenção para si, estava ali para dar suporte e não para ser alvo dos olhos alheios.

Aquele evento tinha uma importância enorme, considerando o histórico da Coréia, e, por mais que o contingente de pessoas no local fosse pequeno, nada tirava a legitimidade e relevância daquela atitude. Nenhuma minoria começa a sua luta ganhando, a caminhada era lenta, tinha ciência disso, por isso estava emocionado por tudo que acontecia bem diante de si.

Estava acontecendo em Seul a Parada LGBT.  As ruas estavam tomadas por pessoas, embora em menor número do que se costuma ver no ocidente, que celebravam a diversidade, reafirmando a sua existência. Como de praxe, alguns cristãos também se encontravam presentes, o objetivo, no entanto, era demonizar e diminuir a comunidade já apequenada. As palavras grosseiras e os cartazes desrespeitosos eram de embrulhar o estômago, corroborando ainda mais a necessidade da luta pela liberdade de expressão de LGBT.

Além das apresentações características, do trio e da marcha, havia, um pouco mais afastado de toda a movimentação, um grupo de mães e alguns jovens distribuindo abraços para indivíduos constituintes do grupo LGBT que sofriam com o desprezo e descaso dos seus familiares. A atitude singela tinha uma efeito enorme para aqueles que estavam sendo confortados depois de serem menosprezados e rejeitados por serem exatamente quem eram. Saber que alguém te amava, te entendia e te respeitava fugia àquilo que palavras poderiam expressar.

O coração, antes tomado pelo receio de ser descoberto, encheu-se de amor e carinho quando viu um menino pequeno e magro, por volta de 16 anos, receber o abraço carinhoso de uma mulher que estava ali. Desde o início, seu plano inicial era manter-se na surdina, assistindo e apreciando os gestos empáticos dos outros, porém não se conteve em permanecer parado observando todo o desenrolar das coisas. Enfiou-se no meio das mulheres mais velhas e dos adolescentes, que estavam compondo a pequena multidão, e começou a distribuir abraços também.

O primeiro que deu fora em uma menina, prendeu-a forte entre seus braços e murmurou palavras reconfortantes ao pé do ouvido. O mesmo processo se repetiu por um período curto de tempo até que resolveu ir embora, tinha tido uma sorte absurda de ter permanecido ali por tanto tempo sem ter sido reconhecido, mas não deveria abusar.

Com a calma semelhante a que tinha quando chegara ali e se sentindo bem mais leve, afastou-se do grupo reunido, caminhando para perto das vias da rua em busca de um táxi. Sem demora, conseguiu um veículo, dando ao motorista a informação do endereço para onde iria. No caminho da viagem, manteve-se calado, pensativo e, principalmente, feliz e de coração quente.

Ao chegar em casa, talvez escutasse umas reclamações do Namjoon ou dos outros hyungs, mas colocaria a culpa por ter saído sozinho no Tae ou no JungKook, que se recusaram em sair com ele. Passou dias insistindo e implorando aos dois mais novos para acompanhá-lo àquele evento, ouvindo fortes resignações de ambos sobre os mais diversos motivos para não ir, só que Jimin não estava interessado em saber dos riscos, ele apenas desejava estar lá para acompanhar tudo com seus olhos. Era importante apoiar quem não tinha suporte em casa, ainda mais quando se é tão invisibilizado pela sociedade.

A ação daquele grupo de mães, que consistia em dar apoio, conforto e, sobretudo, amor para aqueles que eram negligenciados por suas famílias, era esplêndida. A sociedade sofria por falta de empatia, pela incapacidade de se colocar no lugar do outro, mas ainda existiam pessoas boas que se preocupavam com os oprimidos e que buscavam apoiar a luta deles.

Jimin sabia as inseguranças que alguém prestes a se assumir para sua família sente, tinha passado na pele por aquilo e, por essa razão, estava tão decidido em ir ao evento e apoiar, mesmo que de longe, os envolvidos na produção, como também os homenageados, Chamava-se empatia e não sabia agir de forma diferente, sempre pensou mais nos outros que em si.

Lembra-se que insistiu por noites para que JungKook o acompanhasse, porém seu dongsaeng estava meio receoso devido a presença de várias pessoas em um local só e ele não estava errado, mas Jimin desejava ir, então foi; sozinho, mas estava lá no fim. Confessava que o evento tinha suprido suas expectativas. As ruas não estavam completamente lotadas, mas sabia que também havia chegado e partido cedo, então as chances de que mais pessoas chegariam para compor a multidão eram grandes.

Os pés cruzaram a porta de entrada do apartamento, enquanto segurava em mãos os óculos, a máscara e o gorro que usara para se manter oculto mais cedo.  Direcionou-se para o quarto que dividia com JungKook, seu percurso, no entanto, fora interrompido ao passar pela sala e encontrar Namjoon acompanhado de Tae, ambos sentados no sofá de tonalidade acinzentada. Os olhares alheios pousaram sobre si assim que entrara no cômodo espaçoso, os ignorou, cumprimentando os dois homens e seguindo seu caminho.

— Jiminie, você está vindo de onde eu imagino? — A voz de Namjoon soou antes que deixasse a sala, fazendo-o virar-se para conseguir encará-lo e respondê-lo.

— RM hyung, eu queria ir muito — desculpou-se antecipadamente, abrindo um sorriso amarelo, como se admitisse a culpa e estivesse um pouco arrependido de suas escolhas, porém ele, Namjoon e Tae — que se manteve calado — sabiam que o menor não se sentia dessa forma.

— Você se colocou em uma situação de risco alto, poderia ter acontecido algo — repreendeu, por mais que soubesse que Jimin tinha total consciência de suas atitudes e fosse alguém bastante maduro (mais que todos os membros). Era inútil censurar uma pessoa que sabia que não tinha feito o correto. — Enfim, o importante é que você retornou bem, vamos ser gratos.

Jimin sorriu por perceber que sua bronca não se estenderia e que Namjoon não havia ficado estressado ou com raiva. Apesar de tudo apontar para uma manhã atribulada e cheia de contratempos — caso tivesse sido identificado sozinho na rua —, tudo ocorreu perfeitamente bem, então, antes mesmo do líder pedir, já estava se sentindo grato. Coisas boas vêm para pessoas que pensam positivo, pensou.

O terceiro elemento presente na sala, Taehyung, ainda em silêncio, observava Jimin com o sorriso bordado no rosto. Conhecia-o bem o suficiente para saber que ele estava aliviado pela discussão com Namjoon não se alongar, além de ter conseguido ir para a Parada, o único tópico de assunto que o acastanhado tinha nos últimos dias. Estava feliz pelo amigo, contagiou-se pela felicidade que emanava do corpo dele, deixando escapar um riso baixo, fazendo barulho pela primeira vez.

Ainda em pé e com as mãos ocupadas, Jimin mantinha o olhar no mais velho presente ali, contudo, sabia que os olhos de Tae estavam presos nele, o analisando e, provavelmente, constatando cada pensamento que passava em sua cabeça, compreendendo as emoções que estava sentindo. O ruído de sua risada serviu apenas de confirmação.

— Se retornei bem, não foi graças ao Tae, que se recusou a ir comigo — disse olhando para o melhor amigo, assistindo-o conter a risada.

Deixou um Tae engasgado com o próprio riso e um Namjoon assustado na sala e voltou a caminhar em direção ao seu quarto. Estava cansado, acordou antes do usual para conseguir sair de casa sem ser visto e, assim, evitar uma discussão. Recordava-se que deixara JungKook dormindo e esperava que ele ainda estivesse da mesma maneira. Desejava deitar e envolver o corpo alheio entre seus braços, repousando a cabeça no peitoral definido e dormir.

Abriu a porta e se deparou com JungKook deitado, descansando calmo e sereno. Largou os objetos que trazia em mão em cima do criado-mudo disposto do seu lado da cama, retirou o casaco que vestia e trocou as roupas que trajava pelas que costumava usar para dormir. Evitando movimentos bruscos - para não despertar o outro - aconchegou-se ao corpo dele.

Jimin estava em sua posição favorita para dormir: os braços envolvendo o tronco de JungKook e as pernas de ambos entrelaçadas. Aproveitando a tranquilidade do momento, os olhos fecharam-se e a respiração regularizou-se, tornando-se suave e lenta. Permaneceu quieto por intervalo curto de tempo, esperando que o sono tomasse conta de si, mas o coração ainda batia eufórico, não permitindo que, enfim, dormisse.

A sua mente ainda mantinha-se presa nos acontecimentos que havia presenciado nas ruas de Seul. Talvez jamais conseguisse expressar a significância do momento em que abraçou a menina de estatura franzina e sussurrou-lhe palavras de conforto. Jimin, assim como os demais meninos do grupo, tinha o desejo de ajudar seus fãs, de devolvê-los, em maior escala, o amor que recebiam e, por isso, tentavam ajudá-los a superar as dúvidas e inseguranças que eles mantinham em relação a si. Era uma forma de retribuir, por mais que achasse que não conseguiam transpassar todo o sentimento que nutriam.

Hoje, havia ousado um pouco mais e tentado usar algo além de sua música e dança para amparar alguém que precisava. Com seu carinho e positividade, tratou de colocar dentro de alguém que tinha tão pouco aquilo que transbordava de si: amor. Sabia que sua experiência fora oposta da maioria; quando se assumiu para sua família — primeiro seu pai — não houve gritos ou choro, apenas apoio e era eternamente grato aos seus familiares por respeitarem-no da forma que era.

Desejava que sua experiência não fosse um exceção e que outros tivessem a sorte de desfrutar do apoio e amparo que recebeu. As duas famílias que possuía, aquela que era de berço e a outra que se formou ao ingressar no BTS, o acolheram e o amaram. Por esse motivo, continuaria a pregar, ao lado dos meninos, a mensagem de amar a si mesmo, porque, no fim do dia, integrantes da comunidade LGBT eram apenas pessoas e todos merecem se sentirem amados, confortáveis em sua própria pele e amar quem realmente eram.

Um fato engraçado era que, antes de seu pai saber, assumiu-se para os seus hyungs e Tae. Não tinha certeza se “se assumir” era a expressão certa, pois nunca conseguiu esconder dos outros o amor que nutria pelo maknae, então não foi inesperado quando contou quem realmente era. Contudo, os surpreendeu ao estar acompanhado de JungKook, assumindo o relacionamento que, após todo o melodrama, finalmente tivera seu início.

Falar com seu pai havia sido inusitado, diferente das milhões de possibilidades que imaginara. Discutiu por dias com JungKook se deveriam abrir aquele tópico para suas famílias e, em sua opinião, não era a hora certa para isso. O mais novo insistiu um pouco, argumentando que teriam que revelar o fato mais cedo ou mais tarde, mas Jimin não tinha interesse em manter essa parte importante de sua vida oculta de seus parentes pelo resto da vida, só não se sentia pronto ainda.

Como de costume, JungKook acabou apoiando sua decisão, e os dois prometeram que estariam juntos quando decidissem abrir aquela parte deles para outras pessoas além dos seus amigos. Jimin, no entanto, não esperava que quebraria aquela promessa com tanta facilidade. Em um dos seus intervalos de férias, quando estava visitando a casa de seus pais em Busan, apenas contou tudo; sem dificuldades, as palavras deixaram sua boca.

Ao desembarcarem em Busan, seu pai estava esperando por ele e por JungKook, que também tinha sua família morando na mesma cidade. É claro que o mais velho sabia do apreço que Jimin nutria pelo seu dongsaeng, era bastante explícito e ele não tentava esconder ou suprir o que sentia. No entanto, daquela vez, as coisas não estavam como outrora, conseguia enxergar a aproximação maior e o contato expressivo entre eles.

Seu filho sempre fora afeito a toques, estava na sua essência doce doar ao outro, independente de quem fosse, ternura. Então, não estranhava o carinho e cuidado excessivo que ele demonstrava pelo maknae do grupo, como costumava ver nas entrevistas que davam. Só que, naquele momento, sua paternidade o alertava que existia algo além de Jimin sendo Jimin, mas resolveu guardar para si os pensamentos que sua intuição despertara. Manteve-se assistindo, pelo retrovisor, os dois sorrindo, o coração alegre pelo felicidade notável que inundava o banco de trás do automóvel.

Depois que deixaram JungKook em casa e foram em direção a sua, Jimin escutou algumas perguntas referentes a proximidade dos dois e pensou seriamente em desconversar — até tentou —, mas seu pai olhou para ele e falou manso:

— Sabe que pode me contar qualquer coisa, sim?

Tinha medo de ser julgado e encontrar na pessoa que mais o encorajava a seguir seus sonhos na vida conforto e condições para falar abertamente sobre  quem era e sobre o que estava sentindo, não era como se ele tivesse a capacidade de se manter calado após ouvir isso.

Desejava contar a seu pai sobre a sensação de estar apaixonado por alguém incrível como JungKook, da mesma forma que tinha liberdade para falar sobre a sua carreira de idol. Ele sempre estivera ao seu lado e não queria que ele perdesse alguma parte de sua vida, ainda mais quando era uma tão importante.

O coração acelerou as batidas, os olhos castanhos varreram o interior do carro, concentrando-se no assoalho, e a língua passou por cima dos lábios secos, umedecendo-os. O nervosismo e a indecisão consumindo-o devagar até que a mão do mais velho alcançou a sua, acariciando-a.

— Pode me falar, Jiminie.

Levantou o olhar para encarar o homem que ocupava o branco da frente do carro e percebeu que estavam parados, o cenário por trás dos vidros mostravam que já tinham chegado em casa. Suspirou baixo, hesitante. A mão áspera que envolvia a sua apertou-a mais uma vez, encorajando-o.

Cedeu.

— Hum, é…  — entre gaguejos e ainda incerto, tentava formular uma frase para que o outro fosse capaz de compreender  — eu gosto do JungKookie.

— E por que está nervoso para me contar isso?

— Ah, appa…  — parou por alguns segundos e procurou as próximas palavras. — Não é o gostar da mesma forma que gosto do Tae, entende? Jungkookie é diferente.

— Eu entendo — respondeu sincero.— Basta olhar para vocês que qualquer um é capaz de dizer que ele diferente. Ele sabe como você se sente?

Acenou em resposta, não estava em condições de falar. De todas as reações, jamais passara por sua cabeça tamanha serenidade que seu pai expressava naquele instante. O choro estava travado em sua garganta e as lágrimas se acumulavam em seus olhos, prestes a caírem.

— Oh, por que está quase chorando?  — Perguntou preocupado. — JungKook-ah gostar de você é algo bom, certo? Alguém destratou algum dos dois pelo que sentem? Um dos outros meninos?

— Não, não, não!  — Pôs-se a falar apressado.  — Os outros membros sabem sobre nós e eles nos apoiam. Appa, estou chorando porque estou feliz.

E realmente estava. Desabafar sobre aquele assunto e não receber gritos e xingamentos, como tinha lido em alguns relatos na internet, mas apenas aceitação e respeito, tinha superado seus maiores devaneios. A primeira lágrima verteu e o primeiro soluço de choro escapou pelos lábios grossos.

Sim, estava feliz.

A mão do senhor tocou o rosto molhado, limpando os olhos úmidos.

— Se está feliz, sorria  — disse. — Imagina o número de perguntas que sua mãe irá fazer se perceber que estava chorando?

Jimin sorriu. Não queria ter que lidar com o interrogatório materno logo após confidenciar ao seu pai a maneira como se sentia. Desceram do automóvel e o mais velho ajudou-o a carregar as malas para dentro de casa, deparando-se com a sua mãe na soleira da porta de entrada.  

O sorriso que ostentava intensificou-se, mas nem o maior deles faria com que seus olhos vermelhos e a cara inchada de choro passasse despercebida.

—  Esteve chorando?  — A senhora preocupada questionou assim que Jimin aproximou-se.

— Saudades de Taehyung  — disse a primeira desculpa que lhe veio à mente. Não esperou por uma resposta e saiu em direção ao seu quarto, seu pai estava acompanhando-o. Ao romperem para dentro do cômodo e largarem as malas, Jimin teve sua atenção chamada.

— Não precisa acelerar seu tempo e contar a ela sobre isso, basta falar quando se sentir confortável  — aconselhou, colocando um fim na distância entre eles e acolhendo Jimin em seus braços. — Vou estar ao seu lado sempre, meu filho.

Esperou que seu pai saísse do quarto e jogou-se sobre a cama, ligando para Jungkook em seguida. Houve dois bipes antes da ligação ser atendida.

— Alô?

— Eu contei!

Nem percebeu a felicidade que tomou conta de si apenas em relembrar aquele momento, o sorriso adornando o rosto redondo enquanto se aconchegava mais ao lado de JungKook. Não tinha mais as lágrimas que escorreram pela bochecha e mancharam a pele, que foi limpada pelo seu pai. Todavia, a sensação única de júbilo e alegria ainda permaneciam ali e sabia que JungKook se esforçava  para fazê-lo alguém feliz.

Ao pensar no passado de ambos, no entanto, Jimin precisava confessar que sua devoção não era fruto do desejo de se declarar para JungKook. Na verdade, sua vontade era fazer com que o público o conhecesse, enxergasse além da personalidade introvertida que ele possuía e não criasse acerca dele uma imagem ruim.

Talvez, Jimin optasse por uma postura mais contida em outras circunstâncias, porém, tratando-se de JungKook e de seu comportamento retraído, reconhecia que isso não seria o suficiente para retirá-lo das sombras em que havia decidido estar. O main vocal era acanhado na época que marcou o debut e, provavelmente, ele permaneceria dessa forma perante os olhos alheios, mas havia tanto dele para ser mostrado.

Certamente, permanecer acuado e preso à figura protagonista de uma outra  pessoa era algo medíocre demais para JungKook — alguém apaixonante e um prodígio por excelência — e, embora ele não permitisse que o público enxergasse todo seu potencial e talento, Jimin conseguia vê-lo perfeitamente, cada uma de suas nuances e as sutilezas que o tornavam tão único, tão ele.

Por isso, exaltou JungKook incontáveis vezes, o elogiou de modo fascinado para que os outros, aqueles que estavam de fora, conseguissem visualizar qualquer uma das qualidades que o maknae possuía. Aproveitou a quantidade exagerada de olhares sobre si e a direcionou a ele, quer fosse por mencioná-lo em cada uma das respostas para as perguntas que lhe foram feitas ou por agarrá-lo com frequência, apenas para transpassa-lhe a sensação de descontração e normalidade, tirando-o do desconforto de estar diante das câmeras.

JungKook não era apenas introvertido ou um dongsaeng malcriado com seus hyungs, ele era inteligente, sagaz e um exímio gênio. Apaixonar-se por ele era inevitável, amá-lo não era uma escolha, após conhecê-lo verdadeiramente, era uma fatalidade. E Jimin sentiu isso na pele quando se descobriu caindo de amores pelo seu companheiro de grupo.

Então, Jimin continuou com sua estima pelo maknae e endossou seus comentários apaixonantes, tornou evidente a forma como se sentia, deixando claro para qualquer um, inclusive JungKook, os seus sentimentos. Não importava se estavam perto ou longe das câmeras, ele continuava exaltando e se declarando, porque, no fundo, sabia que possuía chances de ser correspondido.

Contudo, quando JungKook já tinha olhos suficientes sobre si e suas investidas tornaram-se sufocantes demais, Jimin deu um passo para trás e se resguardou. Reciprocidade não era o motivo pelo qual havia tomado suas escolhas, mas, como qualquer pessoa apaixonada, desejava que seus sentimentos fossem retribuídos propriamente. Rejeição machuca e o mais velho não sabia permanecer em um lugar quando não era bem-vindo.

Preservar-se diante dos outros, no entanto, não significava abandonar JungKook, isso nunca fora uma possibilidade. Continuou cuidando com esmero do seu dongsaeng, dando-lhe comida boa, enxugando suas lágrimas e incentivando-o quando estava desacreditado em si.

Só que esse tratamento mais discreto, apesar da minúcia e diligência, não eram suficientes para satisfazer JungKook, que queria para si bem mais após os anos regados de elogios e mimos por parte de Jimin. Ao notar que aquele por quem nutria sentimentos estava se afastando pela sua falta de amabilidade, não lhe restou outro caminho além de buscar a atenção que fora perdida.

Os papéis se inverteram e foi a vez de JungKook se expressar abertamente sobre a maneira que se sentia em relação a Jimin, porém sem a veemência exacerbada que o outro empregava ao falar sobre o maknae. Todavia, mesmo na ausência de exageros, estava claro, radiante como uma manhã de sol, os sentimentos que guardava pelo seu hyung.  

Devagar, sem pressa e progressivamente, foram construindo as bases para que fossem capaz de edificar uma relação terna e afeiçoada. Decerto, o crescimento gradual do relacionamento não fora suficiente para tornar o namoro uma experiência sem conturbações, existiram momentos em que precisaram se adequar um ao outro, procurando a melhor forma de se encaixarem, semelhantes a peças de lego, para conseguirem respeitar os limites e espaços de ambos, embora os ultrapassassem às vezes.

Ainda quando pensava nos dias recentes, Jimin não romantizaria o relacionamento que tinham a ponto de tentar transparecer que viviam sempre em uma harmonia perfeita, isso seria mentir. Eram um casal comum, possuíam seus altos e baixos, brigavam e se entendiam, desafinavam em algumas notas e atingiam a excelência noutras, porque amavam-se acima de tudo.

Humanos não eram perfeitos, Jimin e JungKook também não. Com seus defeitos, aprendendo um pouco sobre o outro em qualquer nova oportunidade,  iam descobrindo que o amor não se resumia aos momentos felizes, existiam dificuldades — pequenas e grandes — que deveriam superar ao longo dessa caminhada, mas carregavam a certeza que, independente daquilo que acontecesse, tudo estaria bem se continuassem juntos.

Demorou um pouco para que a mão de JungKook segurasse a sua e, agora que estavam unidas, não deixaria que se soltassem.

JungKook era incrível em tudo que se predispunha a fazer, o título de maknae de ouro não lhe foi dado por simples acaso. Ele se doava àquilo que amava e, por essa razão, se dedicava por inteiro a amar Jimin, era empenhado em dar-lhe um motivo para sorrir a cada novo dia, pois sabia que seu hyung fazia o mesmo por ele.

O mais velho gostava de definir JungKook como um presente — e, talvez, seu remetente fosse uma entidade divina —, porque ele era uma caixa de surpresa peculiar, única e, por isso, nunca sabia o que esperar dele. Os regalos que mantinha escusos dentro de si eram valorosos e significativos e sempre surpreendiam Jimin.

Meses atrás, por exemplo, quando estavam em Malta, gravando o Bon Voyage 3, Jimin ganhou uma evidência irrefutável, um testemunho sem precedentes, do quanto JungKook esteve permanentemente atento a ele e, de modo simplista e o mais autêntico possível, procurava proporcionar momentos memoráveis, tatuando em sua memória acontecimentos inolvidáveis.

Momentos são efêmeros, desgastam-se como a mesma facilidade que um cubo de gelo se derrete sob a influência abrasadora dos raios solares, mas as lembranças criadas perpetuam-se, continuam registradas na mente e, quando visitadas, rememoram os mesmos sabores e sensações vivenciados. JungKook não tinha intenção de criar outra coisa além de memórias que inebriassem Jimin de felicidade.

Por isso, em uma noite fria e clara por causa da lua que enfeitava o céu noturno, em que os membros do grupo, com exceção de Taehyung que não estava presente, atravessaram a cidade em um passeio de barco, seguindo a programação do Bon Voyage, decidindo ausentarem-se da conversação para irem se recolher, JungKook viu uma oportunidade de dar a Jimin uma recordação única.

Em um gesto involuntário e impensado, caminharam até a borda do barco e observaram a imponência e vastidão do véu líquido negro que se estendia além do horizonte, escapando do alcance de seus olhos. Próximos, com os corpos quase colados, unidos pelas mãos envolvidas, admiravam o espetáculo que era a esfera prateada refletida na lâmina d’água, enquanto o vento gelado colidia contra seus rostos.

— Jimin-ssi, você se lembra quando falou que seu sonho era andar de mãos dadas comigo à beira do mar? — Perguntou, a voz um tom acima do normal para conseguir ser ouvido por causa do barulho da ventania. — Acho que, nesse momento, não estamos vivendo seu sonho, mas o agora é bem melhor do que qualquer fantasia que idealizamos em algum instante de nossas vidas.

O olhar mantinha-se concentrado na mão pequena que repousava sobre a sua, abandonando, nos segundos seguintes, o aperto sossegado entre ambas palmas e se dirigiu ao par de íris castanhas, ao passo que um sorriso furtivo nascia, revelando a protuberância dos seus dentes.

Contagiado pela alegria do outro, Jimin sorriu. JungKook estava certo, nem nos seus maiores delírios fantasiados eles terminariam daquela maneira apaixonada. O sentimento de pertencimento que cultivavam tinha raízes fortes, grandes e espessas, o símbolo ideal para o elo que os unia e para transpor a convicção necessária que o amor por eles compartilhado era concreto, real.

— Uma vez, não sei se você se lembra, o grupo fez um teste psicológico durante uma entrevista — retomou a fala, referindo-se a revista Haru Haru — e precisávamos dizer o primeiro nome que associávamos a alguém ao ouvir palavras específicas, como neve e chuva — JungKook comentou manso. — Nesse dia, eu te relacionei com o oceano e achei engraçado como o significado coube direitinho naquilo que você representa para mim.

— Ah, eu lembro — elucidou, fingindo casualidade. — Mas realmente não me recordo qual era o significado de oceano para aquele teste — mentiu, permitindo aos olhos vagarem pelo manto preto cravejado de bordados prateados acima de si, ansioso para ouvir as próximas palavras de JungKook.

O sorriso discreto de JungKooK aumentou, enquanto a pele na região próxima aos olhos enrugou-se, criando um relevo próprio. Ele conhecia o namorado suficiente para saber que Jimin ainda se lembrava do significado de oceano para aquele teste específico. Contudo, pelo comportamento inquieto que seu hyung demonstrava, conseguia inferir que a vontade dele era escutá-lo falar sobre a definição atribuída à palavra que o representava com excelência.

— Oceano simbolizava a pessoa que tem impacto sobre mim — iluminou a memória do outro, embora não precisasse. — Com certeza, eu sou uma soma de todos os hyungs, mas foi você, Jimin-ssi, que mais esteve lá por mim, sempre me incentivando e me apoiando — esclareceu o motivo de vê-lo tão bem retratado em um mero conjunto de letras, encarando o homem ao seu lado, esperando-o retribuir o olhar afetuoso.

Jimin correspondeu o afeto expresso nos olhos de JungKook, tentando reprimir a felicidade desmedida que insistia em se espalhar pelo rosto, porque a quentura que ardia em seu peito não era suficiente para satisfazê-la, ela desejava se exibir, ser vista.

— I’ll be there for you, JungKookie —  cantou sua última sentença, fazendo referência à música usada no GCF in Tokyo e, dessa vez, não ousou conter o sorriso, autorizando a felicidade sobrepujante dentro si a se espalhar pelo seu semblante. — Sempre.

O espaço diminuto que os separava desvaneceu-se, enquanto Jimin colocava-se nas pontas do pés para alcançar a boca de JungKook, dando-lhe um selinho ingênuo. As mãos, que estavam unidas em um aperto vigoroso, soltaram-se com naturalidade e logo os seus braços rumaram ao pescoço de JungKook, que depositava suas palmas na cintura desenhada do outro.

Inconscientemente, aprofundaram o beijo manso e, repentinamente, a candura dos seus gestos sumiu. Os dedos miúdos de Jimin esconderam-se sob os fios vermelhos desbotados daquele à sua frente — até onde o chapéu permitia —, despreocupado, massageando a nuca macia, descendo, em seguida, pelo peitoral rígido; enfim, cansando-se de estar nas pontas dos pés.

Quando Jimin fez menção de quebrar o ósculo para se estabilizar adequadamente sobre o pavilhão do barco, as mãos de JungKook abandonaram o delineado esbelto de seu afago caloroso, envolvendo-o com seu braço direito para que a boca colada a sua não se separasse, e levando o esquerdo para trás de seu corpo, segurando o guarda-corpo entre a palma para garantir segurança.

Todavia, JungKook não esperava que o metal estivesse escorregadio, deslizando entre o aperto de seus dedos, fazendo-o dar um passo em falso, desequilibrado. Jimin falhou em segurar o sorriso por vê-lo completamente atrapalhado, perdido em suas ações, findando, apesar da reluta do maknae, o beijo.

JungKook não se exaltou por ver o companheiro sorrindo dele, na verdade, o acompanhou, misturando o barulho de seu riso ao ruído túrbido do vento. Observou, atento, as bochechas redondas de Jimin elevarem-se em virtude do sorriso, engolindo as escleras brancas de seus olhos, formando dois vincos escuros abaixo de suas sobrancelhas, permitindo que o característico eye smile, que o perseguia sempre que sorrisse, dominasse seu rosto. Um suspiro baixo escapuliu de si ao contemplá-lo tão espontâneo ali, referto de felicidade, pleno.

Sim, JungKook era um homem perdidamente apaixonado e, às vezes, bobo de amor.

— Venha aqui — pediu.

Forçou um pouco os pés contra o chão, usando o impulso para alçar seu corpo para cima e conseguir se sentar sobre o guarda corpo de metal, abrindo as pernas para abrigar o corpo de Jimin e puxando os braços dele em direção a sua cintura, um convite tácito para abraçá-lo.

— JungKookie, você pode escorregar de novo e cair — avisou.

— Só não me deixei cair — explicou simplista. — Jiminie, estou em suas mãos.

A face de Jimin estava descansando sobre o tecido preto da camisa de JungKook e o rosto do outro repousava contra o seu cabelo castanho. Embora apenas enxergasse as fibras negras do tecido, pelo tom de voz contente, imaginou que o mais novo estaria com um sorriso envergonhado ornando e se injuriou por não conseguir vê-lo naquele instante.

Mantiveram-se parados, por alguns minutos, concentrados às respirações tranquilas e aos ritmos letárgicos de seus corações. Entretanto, logo o barulho do vento fora perturbado pelo som da voz receosa de Jimin.

— JungKook-ah, nada disso é irreal, certo?

— Nada disso — afirmou convicto.

Um diálogo leve iniciou-se entre eles e as últimas horas da noite desgastaram-se sem que percebessem, absortos no aconchego desfrutado. Vento, estrelas e um clima de romance era tudo que ambos precisavam para apreciarem a sensação enervante de paz.

Jimin pegou o telefone que estava no bolso de seu calção e colocou uma música lenta para tocar e, em seguida, abriu a camêra, levantando o seu braço para que a lente frontal registrasse aquele momento singelo. O flash clareou o rosto de JungKook, o assustando.

—  JungKookie, olhe para a câmera.

Ao dirigir seu olhar para o aparelho, JungKooK visualizou o rosto sorridente de Jimin reproduzido na tela. Involuntariamente, como todas as vezes em que o via feliz por estar consigo, sorriu. Levantou a mão para frente de seu rosto e fez um sinal de V com os dedos, como Tae sempre fazia, e seus lábios formaram um bico estranho, induzindo Jimin a rir brando.

A luz branca do flash aproximou-se da face de JungKook quando Jimin tentou mostrar o que ele havia terminado de fazer, capturando com mais nitidez o brilho aprazível de seu sorriso. Um pouco acanhado, quebrou o gesto de sua mão, levando-a até a ponta de seu chapéu por um breve instante, para então repousá-la sobre o metal que estava sentado.

A claridade da luz distanciou-se de si, enquanto Jimin retornava a posição original do início da filmagem. Os sorrisos ainda estavam estampados nos rostos e o gosto adocicado de felicidade alastrado em suas bocas. O flash apagou-se, a gravação encerrou-se e, novamente, eram apenas o vento, as estrelas e o clima de romance.

Contudo, JungKook não precisava de um cenário extraordinário para dar a Jimin recordações fabulosas. Outra vez que o maknae fez Jimin suspirar apaixonado fora em uma manhã de sábado, quando Jimin saía de seu banho e o flagrou em uma cena bastante reconfortante, a qual acalorou e acalentou seu coração: JungKook estava em uma videochamada com seu pai e conversava animado sobre o companheiro que o observava à espreita.

— Então, onde ele está? — O senhor do outro lado da tela perguntou.

— Ah, Sr. Park, Jiminie está no banho nesse momento e ainda deve demorar um pouco — disse um pouco incerto sobre suas palavras, como se não tivesse certeza como introduzir o assunto que desejava.

De onde estava, Jimin conseguia enxergar a inquietação que JungKook tentava conter. Os olhos vagavam pelo interior do quarto, raramente se concentrando na tela do aparelho para observar a pessoa com quem falava. Por causa de encontros passados, sabia que ele não tinha grandes problemas de timidez com o seu pai e se perguntou o motivo daquele comportamento atípico.

— Pensei que ele queria falar comigo e estava ligando para mim, mas acho que você é quem quer conversar, JungKook-ah — a voz estava doce, reconfortante, escondendo um pedido mudo para que o outro se acalmasse, pois conseguiu perceber o nervosismo dele.

— Imagino que o senhor saiba que vamos sair em turnê nos próximo dias — opondo-se ao que o mais velho esperava, não havia animação na voz e JungKook ainda parecia pensar bem em cada palavra antes de pronunciá-la. — Eu queria que, antes disso, nossas famílias pudessem jantar juntas, faz algum tempo desde que fizemos algo do tipo — esclareceu o motivo de sua chamada.

— Entendo — anuiu, pensativo —, mas pela proximidade não acho que vamos conseguir fazer com que esse encontro aconteça — lamentou-se. — Jimin me contou que os ensaios estão pesados, então é um pouco díficil que vocês consigam uma folga para vir nos visitar.

O Sr. Park já havia ligado algumas vezes e perguntado quando o visitaria novamente e Jimin ainda lembrava perfeitamente a angústia que sentiu ao informá-lo que passariam mais alguns meses sem se verem ou se abraçarem. Tinha anos que morava longe de sua família, mas isso não significava que lidava bem com a distância. A saudade era um sentimento com o qual havia se acostumado, porém incomodava certas vezes.

— Também acho que não teríamos tempo de ir — concordou. — Mas Bang PD  comentou que queria levar nossos familiares para assistirem algum dos shows no Ocidente — informou, incerto de como prosseguir com o diálogo. A boca pequena fechou-se por meros segundos, antes de um suspiro audível escapar pelos seus lábios, denunciando o desassossego dos pensamentos alheios.  — O que eu quero dizer é que posso conversar com os outros membros e tentar convencê-lo a trazer nossas famílias no dia do aniversário do Jimin, se isso não for um problema e o senhor estiver de acordo.

Nesse momento, o Sr. Park percebeu que havia se precipitado em seu julgamento ao arbitrar que JungKook estaria nervoso por conversar consigo. Na verdade, ele estava extremamente ansioso, eufórico, com a expectativa de dar ao Jimin um presente singelo, mas de valia imensurável.

— Isso seria maravilhoso, JungKookie — disse, animado.

— Jiminie já me contou que há nove anos não comemora o aniversário com a família, ele merece isso — a voz estava um pouco melancólica pelo namorado que passara quase uma década sem celebrar o seu nascimento adequadamente com seus familiares.

— Ele vai ficar feliz — afirmou reflexivo, imaginando a cena.

— Ele vai — com um aceno tímido, aquiesceu; enquanto um sorriso brotava em seu rosto, desenhando os sinais de felicidade incontestável. — Eu ligo para o senhor novamente quando tiver alguma notícia.

— Vou ficar esperando, JungKookie, tenha uma tarde agradável — pediu, balançando a mão diante da telefone para se despedir.

— Guarde segredo — pediu sorridente, repetindo o gesto do mais velho antes de encerrar a ligação.

Saindo do recanto em que se manteve oculto, Jimin aproximou-se de JungKook, que estava deitado na cama após findar a chamada de vídeo. De cima, observou o rosto cravejado com uma felicidade quase palpável, manifestando-se no sorriso imenso. Sorriu. As surpresas que o dongsaeng guardavam dentro de si sempre eram puras e amáveis e, decerto, não deveria esperar nada diferente.

JungKook se surpreendeu pela chegada inesperada de Jimin ao quarto, sentando-se sobre os joelhos com uma pressa inimaginável, apenas para encará-lo ao passo que tentava esconder o semblante sorridente para não estragar o presente que havia planejado.

— Jiminie, você saiu do banho — comentou o óbvio.

Enquanto JungKook forçava-se a esconder a satisfação bordada em sua face para não deixar transparecer a felicidade que se apoderava de si, Jimin sequer tentou segurar o sorriso que surgiu ao vê-lo tentar disfarçar a alegria que o consumia para conseguir surpreendê-lo em algumas semanas durante seu aniversário.

— JungKookie, eu amo você.

Talvez ninguém começasse uma conversa daquele jeito, se declarando francamente, mas Jimin o faria qualquer uma das vezes em que sentisse necessidade ou vontade, porque não havia motivos para se resguardar com JungKook, estavam destinados a serem o final feliz um do outro.

Jimin poderia se referir a JungKook como um sonho, a diferença, no entanto, era que nada daquilo que provinha dele não era uma ilusão fabricada durante seu sono. JungKook era real e as memórias que havia criado com ele também, não existiam devaneios ou fantasias, somente a veracidade dos momentos sublimes experienciados por ambos.

Sorriu singelo, com a atenção de volta a cama em que estava deitado ao notar a movimentação ao seu lado e sequer estranhou quando JungKook buscou se livrar de seu abraço, ainda de olhos fechados, enquanto descia um pouco o seu corpo, obrigando Jimin a levantar a sua cabeça do peitoral alheio. Como de costume, o mais novo envolveu o outro com seus braços, ao passo que descansava o seu rosto na curvatura do pescoço esguio para, enfim, enterrar seu nariz na pele cálida e sentir o cheiro cítrico e refrescante tão característico de seu companheiro.

Permaneceu por uns segundos naquela posição confortável, não se importando muito com a quantidade exagerada de beijos cândidos que depositou sobre a derme quente ou com as reclamações feitas por Jimin, em voz baixa, entre os risos alegres que lhe escapuliam. Parou apenas quando julgou suficiente o número de selinhos dado e, sem ao menos abrir os olhos, se reconheceu em casa.

Jimin era seu lar.

As pálpebras revelaram as escleras brancas e as íris escuras, as quais observaram o olhar atento de Jimin sobre si.

— Bom dia, Jimin-ssi — saudou, sonolento.

Quanto a Jimin, caso ele precisasse criar uma alegoria para definir como era deparar-se com JungKook ao despertar, em sua cabeça, metáfora alguma se encaixaria com tanta precisão quanto o contato dos primeiros raios de sol depois de uma longa noite fria: aquece a pele gelada e reconforta, transmitindo uma sensação singular de paz, tão única que a alegria que te inunda, transborda, e em seu rosto surge um sorriso imenso, um preâmbulo perfeito para deixar claro o júbilo que tomaria conta do dia que compartilhariam juntos, o qual nem havia começado ainda.

— Bom dia, JungKookie.


16 de Janeiro de 2019 às 17:12 0 Denunciar Insira 121
Fim

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