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cheanderella m. jung

1947. Anunciaram mais uma guerra. O mundo se encontra outra vez em estado de caos. Potências mundiais se posicionam num embate que pode traçar o novo rumo do globo. Dormir é difícil quando se pensa neste fato. Apesar de não se verem armas e bombas de novo, é inegável que saibamos como mais um confronto pode causar consequências crueis aos seres humanos. 1968. Jeongguk, aos 18, está inconformado. A guerra do Vietnã parece estar consumindo sua cabeça, o adoece, causa dores profundas, a real consequência do que é a dicotomia política do mundo estava sendo vista desde os anos 50. A população parecia não ver. Jeongguk via e sentia. Não aguentava mais. E por esse mesmo motivo que ele fugiu de casa e foi parar num Bedford engraçado com três hippies peculiares buscando o significado da palavra "viver".


Fanfiction Para maiores de 18 apenas.

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Tempos de guerra


As pessoas dormiam mais uma noite tranquila naquele ano. 1947. A ascensão de uma guerra pairou pelos ouvidos dos cidadãos do mundo inteiro, uma intensa dualidade de ideais políticos e econômicos, valores sociais e mundiais que definiriam o futuro dos países depois de anos traumáticos, não que estes também não fossem. A partir daquele momento as mudanças seriam tão bruscas como o acordar repentino de um sono profundo, de modo que causariam tonteiras e apertos no coração. Dormir, antes da guerra começar, era fácil.

Arrasados com os horrores das guerras passadas, muitos decidiram tomar novos rumos que talvez pudessem gerar reviravoltas na vida de suas famílias. Imigrantes de alguns países, passaram a adentrar outros lugares a fim de reconstruir o que perderam, famílias cujos pais ou filhos foram separados pela atrocidade humana, gente que vira todo tipo de coisa ruim e viu partir muito do que amavam, não aguentavam viver em caos interno e externo. Nos últimos dois anos que sucederam a Segunda Guerra Mundial, pessoas de outras nações passaram a saltar de seus países de origem para os que não foram tão quebrados, muitos italianos passaram a morar no Brasil, alemães e austros foram para fora da Europa, caracterizados como refugiados. O final da década de 40 foi o mais turbulento que as pessoas poderiam ter registrado na história da humanidade. Vivenciar um período de medo, receio e sobrevivência, não passa pela cabeça de muitas pessoas, mesmo nos dias de hoje.

Os anos 1947 pareciam menos tensos para alguns. Aos que imigraram em outro país, uns e outros conseguiram remontar suas vidas. Trouxeram heranças, ou tentaram criar novos rumos por si sós. Novos negócios poderiam ter levantado o astral de muitos, mas nem todos se satisfizeram, muita gente continuou desempregada e desamparada, principalmente em países onde a guerra teve o seu auge. Claro que no caso dos países como os Estados Unidos, pode-se ver uma breve exceção. O desenvolvimento econômico ali parecia ser desenfreado, o desenvolvimento armamentista nunca foi tão notório, de modo que invejasse outros países. Até que esse foi um dos motivos para, dois anos depois, as pessoas perceberem que dormir realmente seria um desafio.

Tudo porque dois países vencedores decidiram de repente, se bicar. Estavam crescendo, de jeitos diferentes, mas cresciam no mesmo nível e isso parecia tão engraçado até que um de repente foi cutucar o outro. Sistemas econômicos opostos, valores diferentes, em 1949, vieram à tona. E o mundo viu mais uma vez, anunciarem uma guerra.

Deu para aliviar quando o confronto não começara fisicamente. Seria loucura, muita gente morreria, com a evolução tecnológica, bombas mais que atômicas, armas capazes de dizimar milhões, o mundo viraria pó em seis meses. Claro que isso não significou que não haveriam problemas no mundo, a guerra em si era um problema, mas em outros lugares alguns nem imaginavam que haveriam de fato contato entre exércitos, coisa que veio somente 3 anos depois do anúncio de que o capitalismo e o socialismo estavam em disputa, a primeira guerra depois do caos dos anos 40. As Coreias foram zona de combate, separadas por ideias dicotômicos, vivenciaram o horror de ver o país ser maquete de duas potências, muita gente fugiu dali e essa situação afetou muitas pessoas, pois a guerra afeta o ser humano que percebe que o mundo é mais que seu ego, e é por isso que as décadas seguintes seriam tão complicadas.

No Estados Unidos as coisas andavam. Período engraçadinho, inovações de todos os jeitos, tinha gente inventando coisas que nem mesmo o maior futurista poderia ter sugerido, uns estilos de música impactantes, o cinema em chamas, carros bonitos que os cidadãos cobiçavam. Planos e Conferências aconteciam em foco nas questões políticas dos países, iniciavam os primeiros passos de um novo linear. Alguns dormiam bem em suas noites, iam para as escolas, seguiam suas vidas. Outros ficavam com o coração na mão, não sabiam como lidar. Alguns só de pensar em guerra de novo sentiam vontade de desistir de viver. Viver. Palavra difícil no século XX.

A juventude era uma das que mais percebiam esses detalhes. Claro, nem todos se afetavam negativamente, muitos pareciam adorar essa disputa, obviamente parecia empolgante o tanto de coisas novas surgindo de outros buracos para provar que tal potência tinha mais capacidade para dominar o globo. Todavia outra parte desse meio não conseguia se sentir bem, pois sabia que haveriam coisas drásticas acontecendo no mundo por causa disso. Sabia que as segregações continuariam, rompimento de laços voltaria a ser frequente, pais perderiam filhos e vice-versa, para quem tem o coração sensível, fatos tais quais estes citados eram de tirar a paz de espírito.

Aos que vieram de outros lugares, as coisas ficariam difíceis, principalmente aos que saíram da Ásia e Europa, se integrar em novos territórios claramente era denominado um problema. Preconceito de todos os lados, e mais segregação. Se tem uma coisa que as pessoas ao menos deveriam detestar, era a forma como os endinheirados gostavam de jogar à margem aqueles que eram diferentes em seus valores e posições socais, deveria ser óbvio enxergar o erro nisto, perceber o resultado desastroso, as tragédias que giraram em torno deste mesmo fenômeno, o mundo, se nasceu do caos, nasceu da segregação. Muitos tinham noção disso, mas num mundo onde o dinheiro sobrepõe a humanidade, dava receio se levantar para fazer algo.

Talvez anos mais tarde fizessem isto. A evolução humana não para, as pessoas estão se conscientizando, devagar como foi a nossa criação, mas sabe-se que uma hora haverá uma intervenção, nem que fosse do jeito mais bizarro possível, mas repleto de significados, sentimentos e pedidos de paz.

Um dos que fariam parte disto, no futuro, era uma pequena semente coreana germinando no ventre de uma imigrante no sul da Califórnia que, junto do marido, esperava pelo nascimento de alguém que eles sentiam um amor imenso, tal qual poderia sentir pelas pessoas, assim que se fizesse pessoa. Ainda era pequeno, mas semeava esperança. Em 1950, no início da Guerra Fria, os Jeon esperavam o menino Jeongguk nascer.

5 de Dezembro de 2018 às 15:49 0 Denunciar Insira 0
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