lara-one Lara One

A primeira fanfic feita para noromos e shippers, sem haver briga nenhuma. Podemos chamar de fic interativa. Você escolhe seu ‘lado do muro’, se quer romance entre os agentes ou não. Se for indeciso, leia as duas partes. Você decide.


Fanfiction Seriados/Doramas/Novelas Para maiores de 18 apenas.

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S02#09 - TAXIDERMIA

INTRODUÇÃO AO EPISÓDIO:

Fade in.

Montanhas Skyho – Norte da Califórnia - 6:29 P.M.

Um grupo quatro homens, armados com espingardas, caminham por entre a vegetação da floresta. Lang, um homem de uns 50 anos, alto, cabelos grisalhos e óculos, lidera a expedição.

LANG: - Por aqui. Devemos estar perto... Quando encontrarmos um exemplar adulto, quero que atirem pra matar. Não estraguem muito a pele.

HOMEM 1: - Já fazem dois dias que estamos procurando essa coisa! Sabe que ela não existe.

LANG: - Existe sim, eu vi uma porção deles.

HOMEM 1: - Por que essa criatura significa tanto pra você?

LANG: - É o troféu que quero ter na minha coleção.

HOMEM 1: - Ganharia mais dinheiro se dissesse onde o encontrou.

LANG: - Não. Quero ser o único a ter um exemplar dele. E não será exposto a ninguém. Isso é assunto meu.

Eles caminham mais alguns metros. Uma sombra projeta-se na vegetação. Lang para.

LANG: - (GRITA) Atirem!!!

Os homens começam a atirar.

O corpo de uma criatura símia, de três metros de altura, cai no chão.

Close nos enormes pés da criatura.

Lang engatilha a espingarda e vira-se para os colegas.

LANG: - Sinto muito, mas como eu disse, isso é um segredo.

Lang atira nos três colegas, que caem mortos.

VINHETA DE ABERTURA: A VERDADE ESTÁ NA CABEÇA DE CHRIS CARTER



BLOCO 1:

Arquivos X – 8:02 A.M.

[Som: Rolling Stones – Miss You]

Scully entra na sala. Mulder está com o controle do vídeo rebobinando uma fita.

MULDER: - Ainda bem que você chegou! Precisa ver isto, Scully.

Scully olha pra Mulder num semblante desconfiado.

SCULLY: - O que é 'isto', Mulder?

MULDER: - Sente-se. Primeiro preciso contar como 'isto' parou em minhas mãos.

Scully olha debochada. Senta-se. Mulder está empolgado.

SCULLY: - Comprou pelo correio?

MULDER: - Não, dessa vez não. Recebi de um amigo de longe.

SCULLY: - Mulder, desde quando tem amigos longe daqui? E desde quando tem amigos?

MULDER: - Ora, Scully, eu sou um cara popular... Foi presente de um sujeito que conheci numa lista de discussão sobre Ufologia.

Mulder aperta o play. Scully olha pra TV. Imagens de Lang retalhando animais.

SCULLY: - Desde quando gosta de 'Faces da Morte', Mulder?

MULDER: - (EMPOLGADO) Observe, observe...

Mulder avança a fita. Scully fica olhando com indiferença. Lang continua empalhando animais. Scully já está sacudindo as pernas, impaciente. Boceja, mexe o pescoço de um lado para o outro. Mulder aperta o play.

SCULLY: - É um taxidermista, Mulder. E daí? Taxidermistas empalham animais.

Corta para o vídeo. Lang está empalhando a criatura estranha, parecida com um gorila, mas de feições humanas. O corpo está disposto sobre duas mesas, pois a criatura tem cerca de três metros de altura. Scully, incrédula, levanta-se da cadeira e aproxima-se da TV. Mulder olha pra ela, sorrindo. Scully fica observando a imagem na frente da TV.

SCULLY: - Mulder, o que vem a ser isso?

MULDER: - Não sei. Mas gostaria de descobrir.

SCULLY: - Parece um... um macaco.

MULDER: - Não é um macaco, Scully.

Scully vira-se pra Mulder.

SCULLY: - Mulder, não vai me dizer que acredita que seja um monstro lendário...

MULDER: - Mais exatamente o Big Foot, Scully. Ou o Pé-Grande, como quiser.

SCULLY: - Mulder, isso é ficção! Aposto que é uma criatura feita de resina e...

MULDER: - Pode ser. Mas se observar, parece muito verdadeira.

SCULLY: - Talvez seja uma edição bem feita. (DEBOCHADA) Procure "FX" nos créditos finais da fita.

Mulder balança a cabeça negativamente. Desliga o vídeo.

MULDER: - Não, Scully. A fita foi analisada pelos nossos laboratórios e é legítima.

SCULLY: - Mulder, como pode acreditar num vídeo que recebeu pelo correio de uma pessoa estranha? Não é confiável. Já perguntou a ele como obteve essa gravação?

MULDER: - Ele a fez, Scully. É cinegrafista profissional.

SCULLY: - Mas... Pior ainda!

MULDER: - Pegue suas coisas, Scully. Vamos para a Califórnia. Pode levar seus trajes de banho. Aquele "maiôzinho" sem-vergonha de perninhas dos anos 50.

Scully olha incrédula pra Mulder.


Apartamento de Peter Thomas – Los Angeles – Califórnia - 3:21 P.M.

[Som: The Cure – Close to Me]

Mulder e Scully estão parados na frente da porta fechada.

Peter abre a porta. Peter é um cara magrela, alto, moreno, com um corte de cabelo semelhante ao do Robert Smith (vocalista do The Cure), completamente cheio de gel. Usa uma camisa estilo anos 70 e jeans rasgados. Fuma um cigarro.

MULDER: - Dead Man?

PETER: - F.H. Luther?

Scully olha pros dois, debochada. Os dois apertam as mãos.

MULDER: - Esta é uma amiga, Dana Scully.

Peter olha pra Scully, sorrindo. Fica interessado.

PETER: - Oi, legal te ver. Tudo bem?

Mulder olha pra Scully. Ela segura o riso, fazendo beiço.

PETER: - Entrem, por favor. Só não liguem pra zona do apê, falou? A empregada tá de folga.

Os dois entram. Peter fecha a porta. O apartamento é um quarto e sala, atulhado de livros, pastas e um computador de última geração perto da janela. Há uma câmera de vídeo e uma enorme TV numa estante. Várias fitas de vídeo. Scully começa a olhar uma prateleira, vendo livros sobre misticismo, ufologia e assuntos paranormais, todos catalogados e em ordem de assunto.

MULDER: - Minha amiga quer saber como conseguiu a gravação.

PETER: - Como eu disse, gravei a fita. Achei a coisa tão bizarra que fiz uma cópia. Achei que podia confiar em você.

MULDER: - O dono da fita sabe disso?

PETER: - Não, cara. Você vai me meter em encrenca, eu não posso fazer cópias de fitas de clientes. Trabalho com sigilo.

Scully aproxima-se de outra estante com fitas de vídeo. Só há títulos pornôs. Scully segura o riso, debochada.

MULDER: - Pode me dar o endereço do taxidermista?

PETER: - Posso, mas me deixa fora disso. O cara me ameaçou se eu revelasse essa gravação pra alguém.

MULDER: - Tudo bem, sabe que pode confiar em mim.

PETER: - O nome dele é Andrew Lang. Vou dar o endereço, mas peço sigilo de novo. Não fale nada dessa fita. Eu tenho muitos clientes. Se souberem que fiz uma cópia não autorizada, vou ficar desacreditado. Sabe que no meu ramo, as pessoas precisam confiar em mim. Não vá prejudicar o meu trabalho.


4:32 P.M.

[Som: Rolling Stones – Miss You]

Mulder dirige o carro. Scully está com um ar de deboche incontrolável.

SCULLY: - Mulder, o que o seu amigo internauta faz pra sobreviver?

MULDER: - Vídeos, Scully.

SCULLY: - Que tipos de vídeos, Mulder?

MULDER: - Vídeos.

SCULLY: - Mulder...

MULDER: - Tá, Scully. Ele faz vídeos pornôs.

SCULLY: - Ah... Então é assim que você mantém sua gaveta cheia?

MULDER: - (IRRITADO) Isso é um interrogatório?

SCULLY: - Não, claro que não.

MULDER: - Ele faz vídeos de casais que querem ser filmados enquanto... Você imagina. Por isso precisa de sigilo. A fita não é de domínio público, Scully. Fica apenas com quem solicitou a filmagem.

SCULLY: - Mulder, como pode confiar num cara que usa o nick de Dead Man e se parece com o Robert Smith?

MULDER: - E como você confiou num cara que se chama Múmia?

SCULLY: - ... Aposto que sei o como e o porquê se identificaram.


CONTINUAÇÃO NOROMO (SEM ROMANCE):

MULDER: - ...

SCULLY: - Ambos gostam de Ufologia e de... fitas.

MULDER: - Tem alguma coisa a ver com isso?

SCULLY: - Claro que não, a vida é sua. E afinal, as fitas da sua gaveta não são suas, não é mesmo? São dele?

Mulder fica irritado. Scully disfarça o riso.


CONTINUAÇÃO SHIPPER (COM ROMANCE):

MULDER: - Scully, vai fazer ceninhas de ciúmes agora?

SCULLY: - Não, absolutamente.

MULDER: - Aposto que você acha isso excitante.

SCULLY: - Pra dizer a verdade, Mulder, qual é a graça de assistir você mesmo fazendo sexo? Não acha uma perda de tempo?

MULDER: - Como assim?

SCULLY: - Enquanto assiste, poderia fazer de novo...

MULDER: - Scully, isso é um convite?

SCULLY: - Não sou mulher de mandar convites, Mulder. Mando intimações.


Motel Sunny – Sacramento – Califórnia - 8:39 P.M.

Mulder bate à porta do quarto de Scully. Ela abre. Mulder entra.

MULDER: - Liguei para o sujeito. Disse que queria comprar algum animal raro empalhado. Falei que era colecionador.

SCULLY: - Ele acreditou?

MULDER: - Marcou um horário pra irmos até lá.

SCULLY: - Mulder, está convencido mesmo de que é o Pé-Grande?

MULDER: - ...

SCULLY: - Mulder, isso é lenda!


CONTINUAÇÃO NOROMO:

MULDER: - Lendas, Scully, podem ser verdadeiras. Existem muitos mistérios que o homem ainda não descobriu e que, na antiguidade, tinham completo sentido.

SCULLY: - Mulder, antigamente as pessoas baseavam-se em mitos para explicar as coisas! Hoje temos a razão.

MULDER: - Que nos levou ao caos. A humanidade era mais feliz quando esperava os solstícios e olhava para o céu, Scully. Pelo menos não comia brócolis híbridos e morria de febre aftosa.

SCULLY: - ... Mulder, está distorcendo as coisas!

MULDER: - Scully, pense nas coisas que a humanidade perdeu com o progresso!

SCULLY: - Mulder, pense nas coisas que ganhou!


CONTINUAÇÃO SHIPPER:

MULDER: - Lenda? (SACANA) Assim como o Yeti?

SCULLY: - ... Deixe o Yeti em paz, Mulder. Não conseguimos provas de que ele existia mesmo. Aliás, tudo o que conseguimos foi... Sabe o que foi.

MULDER: - Admita, pelo menos encontramos a maior de todas as verdades.

SCULLY: - ... Não vai me convencer com essa, Mulder.

Mulder aproxima-se dela. Beija-a no rosto.

MULDER: - E com isso, eu convenço?

SCULLY: - Não vai conseguir o que quer, Mulder! Não vou concordar com você, nem que apele pra chantagem romântica!

MULDER: - Está assim por causa das fitas.

SCULLY: - Não, sabe que não.

MULDER: - Está, eu conheço a minha menina malvada e ciumenta.

Scully solta-se dele.

MULDER: - Aposto com você que deve haver milhares de Pés-Grandes. Imagine Scully, uma floresta que cobre mais de 55 mil km2, que vai desde o Alasca atravessando os Estados Unidos, da Califórnia à Washington. Há relatos em Oregon, e inclusive o mais famoso e polêmico filme sobre o Pé-Grande. Em 1967, um cara chamado Patterson, registrou uma criatura símia passeando despreocupadamente, sem se incomodar com as pessoas que estavam ali. O filme é legítimo, mas questiona-se a altura da criatura e a reação dela ao ver Patterson e seu amigo. Nada normal para uma criatura dita selvagem, a não ser que seja mais evoluída do que nós.

SCULLY: - (INCRÉDULA) Baseado em qual evidência pode afirmar isso, Mulder?

MULDER: - Na minha intuição. E você sabe, eu sempre estou certo.

SCULLY: - (IRRITADA) Sua arrogância às vezes é irritante, sabia? O que eu faço aqui então, se não sirvo pra nada? Se meus argumentos e teorias estão errados? Mulder, você simplesmente ignorou o fato de que ainda nem fomos visitar aquele homem! Como pode alegar que ele tem um exemplar do Pé-Grande empalhado? Acredita mesmo que ele vai mostrar isso à você? Vai precisar de um mandado para revirar o local. E o quê vai alegar para conseguir esse mandado?

MULDER: - (DEBOCHADO) Meu charme?

Scully suspira.

SCULLY: - Mulder, você é irritante.


CONTINUAÇÃO NOROMO:

MULDER: - Boa-noite, Scully. Vejo você amanhã.

SCULLY: - Boa-noite, Mulder.

Mulder sai do quarto. Scully atira-se na cama, irritada.

SCULLY: - Pé-Grande...

Scully vai dormir.

Corta para o quarto de Mulder. Ele liga a TV e joga-se na cama.


3:21 A.M.

Scully está dormindo.

Mulder, em seu quarto, assiste filmes pornôs.

Scully continua dormindo...

Mulder continua assistindo "filmes educativos".


CONTINUAÇÃO SHIPPER:

MULDER: - Sim, sou irritante. Confessa, você gosta que eu te irrite.

[Som: Rolling Stones – Miss You]

Mulder joga-se na cama. Bate no colchão. Olha pra ela sedutoramente.

MULDER: - E então, Scully, quer fazer um filme?

SCULLY: - Que tipo de filme, Mulder?

MULDER: - Com muita censura.

SCULLY: - Tem enredo?

MULDER: - Dois agentes do FBI matam tempo enquanto investigam casos paranormais... Vem aqui, vem, quero investigar os seus mistérios...

Scully olha pra Mulder. Atira-se na cama, subindo no corpo dele. Começa a abrir a camisa dele e a beijar seu peito, desesperadamente.

MULDER: - Calma, mulher, calma! Não tava furiosa comigo?

SCULLY: - Mulder, acabou o expediente de trabalho.

MULDER: - Mas nem bati o cartão ponto!

Scully senta-se sobre ele.

SCULLY: - Mulder, você me irrita!

MULDER: - E é assim que você fica irritada?

SCULLY: - Cala a boca, Mulder! Quem dá as cartas por aqui sou eu!

Mulder estende os braços e fica paralisado.

MULDER: - Tudo bem, Scully. Todinho seu! Como você disse, acabou o expediente. Agora eu não tenho mais teorias. Nem vou discutir. Esse Arquivo 'M' é seu. Resolva-o sozinha.


3:21 A.M.

[Som: Rolling Stones – Miss You]

Scully está de costas pra Mulder. Ele agarrado nela, debaixo dos lençóis.

MULDER: - Se eu estiver certo e for o Pé-Grande?

SCULLY: - O que tem isso, Mulder?

MULDER: - Vamos fazer uma aposta?

SCULLY: - Por que tenho a sensação de que você está mal intencionado, Mulder?

MULDER: - Ah, vai, uma apostinha... (MORDE A ORELHA DELA)

SCULLY: - O quê vamos apostar, Mulder?

MULDER: - (COCHICHA) Se eu estiver certo, você passa a noite no meu apartamento. Bêbada.

SCULLY: - E se eu estiver certa?

MULDER: - Eu passo a noite no seu apartamento. Sóbrio.

SCULLY: - Não vale.

MULDER: - Scully, você nunca me viu completamente bêbado. Eu fico chato, começo a ficar deprimido... Você quando bebe, quer fazer 'coisinhas'...

SCULLY: - (RINDO) Para com isso! E-eu não faço coisinhas, tá? Se eu ganhar, Mulder, você vai me levar para o seu sofá.

MULDER: - (INCRÉDULO) Pro sofá? O que tem o meu sofá?

SCULLY: - Não sei, não descobri. Você comprou até uma cama, mas nunca me levou pra aquele sofá!

MULDER: - Não sabia que isso era tão importante pra você. Tudo bem, Scully, te levo pro sofá.

SCULLY: - ... Não sabe quantas vezes eu fiquei sentadinha ali, do seu lado, imaginando 'coisinhas' naquele sofá.

MULDER: - Que coisinhas, hein, Scully?

SCULLY: - Essas coisinhas...

Scully vai pra baixo do lençol.

MULDER: - Scully, saia já daí, mulher!

CONTINUAÇÃO NOROMO:

Scully dormindo.

Mulder dormindo com a TV ligada.

CONTINUAÇÃO HALF SHIPPER:

Mulder e Scully dormem, cada um em seu quarto, talvez pensando um no outro. Quem sabe?

CONTINUAÇÃO SHIPPER:

Mulder e Scully, estão dormindo no mesmo quarto e transando alucinadamente.



BLOCO 2:

Residência de Andrew Lang – 10:21 A.M.

Mulder e Scully aguardam na varanda da casa. A porta abre-se. Lang olha pra eles, desconfiado.

MULDER: - Senhor Lang? Sou Mulder, liguei para o senhor...

LANG: - Ah, pode entrar, senhor Mulder. Esta é sua esposa?

SCULLY: - (CORTANTE) Irmã. Sou a irmã dele.

Mulder olha pra Scully, incrédulo.

LANG: - Entrem.

Os dois entram. A sala está repleta de animais empalhados por sobre os móveis e paredes.

LANG: - Podem olhar à vontade... Que tipo de animal você procura?

MULDER: - Alguma coisa exótica.

LANG: - É colecionador?

MULDER: - Na verdade, minha 'irmã' é quem coleciona essas coisas. Confesso que eu prefiro os bichinhos vivos. Mas ela tem um senso mórbido.

Scully olha pra Mulder erguendo as sobrancelhas.

LANG: - Coleciona animais, senhorita...

SCULLY: - (IRRITADA) Senhora Scully. Dana Scully. Sou viúva.

Mulder olha pra Scully, incrédulo.

LANG: - Sinto muito.

SCULLY: - Na verdade estou herdando o hábito do meu marido. Ele era um colecionador de animais empalhados, desde insetos até animais de médio porte. Depois que ele faleceu...

Mulder vira-se e disfarça que olha pra um coelho empalhado, enquanto ri.

SCULLY: - ... Fiquei com pena de vender sua coleção. Então comecei a apreciar a taxidermia... é a maneira que tenho para mantê-lo vivo dentro de mim.

LANG: - Entendo... Geralmente as pessoas veem esse tipo de coisa como um hobbie macabro. Com os movimentos de defesa pelos animais, o trabalho tem ficado difícil. As pessoas me condenam pelo serviço, e muitos taxidermistas já se aposentaram. Alguns animais estão extintos e a fiscalização sempre vêm aqui. Entende que não disponho de muitos exemplares, mas... Se quiser algum em especial, posso ajudá-la, se tiver um pouco de paciência. Tenho alguns amigos que podem conseguir o que quiser, mas cobrarei a taxa de serviço deles.

SCULLY: - Eu gostaria de alguma coisa mais exótica. Dinheiro não será problema.

LANG: - Insetos?

SCULLY: - Não, tenho muitos insetos. (DEBOCHADA) O senhor empalha raposas?

Mulder olha pra Scully.

LANG: - Sim.

SCULLY: - É bom saber. Sou alérgica à raposas. Tenho rinite.

Mulder fica olhando pra Scully, boquiaberto.

SCULLY: - Pensei em um animal de grande porte...

LANG: - Como onças?

SCULLY: - Gorilas.

LANG: - Tenho um amigo africano que pode mandar um gorila já empalhado. Certos animais são difíceis de se conseguir na América...

SCULLY: - Não teria algum que eu pudesse ver? Tenho fascínio por primatas.

MULDER: - (DEBOCHADO) Ela adora macacos grandes e peludos, com um Q.I. abaixo de 30... Coisa de mulher...

Scully olha pra Mulder, debochada.

LANG: - Infelizmente não tenho nenhum exemplar de primatas. Mas prometo que resolverei isto.

SCULLY: - Gostaria que fosse o mais rápido possível.

LANG: - Sem problemas. Pode me dar seu telefone?

SCULLY: - Estou hospedada no Motel Sunny.

Corte.


Mulder e Scully entram no carro. Colocam o cinto de segurança.

MULDER: - Qual de nós dois mentiu mais? De onde tirou a ideia de ser minha irmã?

SCULLY: - E de onde tirou a ideia de que eu gosto de macacos grandes e peludos com QI abaixo de 30? Você não é peludo, embora eu questione se o seu QI consegue superar os 30!

MULDER: - Viúva... Ahn! Você é uma grande mentirosa, Scully!

SCULLY: - Como vai conseguir revirar aquele lugar, Mulder? Ele nunca vai mostrar o que você está procurando!

MULDER: - Scully, por isso aprendemos a vigiar casas e a entrar sorrateiramente nelas.

SCULLY: - Mulder, você não vai invadir propriedade particular!

MULDER: - Não vou invadir, Scully. Vou entrar e dar uma olhadinha.

SCULLY: - Eu não acredito, Mulder!

MULDER: - ... O que quis dizer com 'empalhar raposas'?

SCULLY: - Nada. Foi apenas uma piada.

MULDER: - Você não sabe fazer piadas, Scully. Esse é o meu departamento.

SCULLY: - Esqueci que o meu departamento é ficar séria e científica.

MULDER: - ... Não quis dizer isso.

SCULLY: - ... Vamos embora, Mulder.

MULDER: - ...

SCULLY: - Acha que só você pode ser irônico por aqui?

MULDER: - Scully, piadas não combinam com você. Você não é criativa. É séria demais. Não sabe fazer piadas.

Mulder liga o carro.


CONTINUAÇÃO NOROMO:

[Som: The Cure – Close to Me]

Os dois ficam em silêncio. Scully olha pela janela, emburrada.


CONTINUAÇÃO SHIPPER:

[Som: Rolling Stones – Miss You]

SCULLY: - (INCRÉDULA) Acha que não sei fazer piadas?

MULDER: - ...

SCULLY: - ... (SÉRIA) Mulder, sabe que eu sonhava com você todos os dias?

Mulder estufa o peito, se achando o máximo.

SCULLY: - (DEBOCHADA) Imaginava que estava no elevador do FBI, ali, sozinha... Então você entrava, nuzinho, vestido apenas com seu sobretudo... Ficávamos nós dois ali. Sozinhos, no elevador. Então, você virava-se pra mim, abria o sobretudo e dizia: Scully, agarra no 'grandão'...

MULDER: - (EMPOLGADO)

SCULLY: - E então eu agarrava na única coisa grande que eu via: o seu nariz!!!!

Mulder olha pra Scully, incrédulo. Scully fica rindo. Mulder fica emburrado.

MULDER: - Vai, fica falando mal! Sua mentirosa.

SCULLY: - (RINDO) ...

Scully passa a mão no nariz dele. Mulder desvia o rosto.

SCULLY: - Mulder, sabe que adoro o seu nariz...

MULDER: - ... (EMBURRADO)

SCULLY: - É sexy... Ah, Mulder, não fica assim...

MULDER: - Não estou 'assim'. E não fala mais comigo! Depois a gente conversa sobre essa história.

SCULLY: - ... Faz uma piadinha, vai?

MULDER: - Não. Não brinco mais com você! Você ofendeu meu nariz e ofendeu outras coisas mais sensíveis.

SCULLY: - Ah, Mulder... Deve haver alguma coisa em mim que você pode fazer alguma piada.

MULDER: - Há. Mas fica pra próxima, Scully. Vai ter troco. Aguarde.

SCULLY: - (DEBOCHADA) Uh, que medo! Ele tá bravinho! Ele vai morder... Au, au, au!

MULDER: - (IRRITADO) Me aguarde! Só espere pra ver. Você pediu, Scully, depois não reclame! Sua insuportável! Preferia você quietinha, cética e séria.

SCULLY: - Uh! Ele não gosta da Dana... Ele gosta da agente Scully...

MULDER: - Tem um nome pra isso, sabia? Chama-se dupla personalidade. Mas tem cura, não se preocupe.

SCULLY: - Sério? E o psicólogo aí está se oferecendo pra ajudar?

MULDER: - Não. Estou aposentado. Procure outro terapeuta.

SCULLY: - Hum... Preciso de terapia ocupacional até o final da tarde. Alguma sugestão?

MULDER: - Escreva um livro de piadas sobre o meu nariz! Que tal essa: Agente Scully investiga numa tarde, a criatura conhecida por Pé-Grande, mas descobre o Nariz-Grande.

SCULLY: - Por que numa tarde?

MULDER: - Porque de noite você vai descobrir o que eu realmente tenho de grande.

SCULLY: - Uh!!!!!!!!!!!!! Empolguei!!!!


Motel Sunny – 7:18 P.M.

Mulder está sentado na cama, mudando os canais da TV pelo controle remoto. Scully entra.

SCULLY: - Mulder, consegui informações. O senhor Lang tem o hábito de jogar pôquer nas quintas-feiras à noite.

MULDER: - Que dia é hoje?

SCULLY: - Quinta-feira.

MULDER: - ... Scully, sabia que há vários relatos de pessoas que afirmam terem visto criaturas símias, mas de aparência quase humana, nas florestas da Montanha Skyho? É o território do Big Foot, ou Sasquatch, como preferir.

SCULLY: - Mulder, não comece. Vai perder sua noite. Vai encontrar um gorila e se o encontrar, teremos um belo processo contra o senhor Lang. Como alguém pode gostar de ver animais empalhados? Isso é hediondo, Mulder! Esse homem deveria ser preso! Ninguém tem o direito de matar os animais, para expô-los como troféus!

MULDER: - Concordo com você, Scully. Poderia conseguir um mandado contra ele, mas não haviam animais em extinção por ali. E além disso, eu não quero me expor. Quero primeiro me certificar de que ele tem realmente um exemplar vivo do Pé-Grande. Como e onde ele o achou.

SCULLY: - Acredita mesmo nisso, não é Mulder?

MULDER: - Scully, como cientista, você devia saber que a todo o momento a ciência descobre espécimes que achava extintas ou que eram de completo desconhecimento da humanidade! Em 1952, nas Ilhas Comore, encontraram um cardume de celacantos, peixes que achavam estarem extintos há 80 milhões de anos!

SCULLY: - Mulder, esses peixes já tinham registro na história! Como pode achar que o Pé-Grande, que é uma lenda, possa existir?

Mulder levanta-se. Pega-a pelo braço e a faz sentar-se na cama.

MULDER: - Scully, os primeiros relatos sobre o Pé-Grande vieram dos índios, que o chamavam de Sasquatch, ou Povo da Floresta. Quando por volta de 1950, os primeiros lenhadores começaram a derrubar a floresta, os relatos começaram a aumentar cada vez mais. As pessoas viam uma criatura escura, de mais de três metros de altura, aparência símia, que deixava enormes pegadas. Era o Diabo da Montanha, como chamavam.

SCULLY: - Mulder, tentar explicar esse fenômeno com uma série de histórias independentes contadas por entusiastas amadores, baseado em pegadas que não são evidências confiáveis, é um completo absurdo!

MULDER: - Mas Scully, os contos folclóricos das lendas são o elemento vital para a investigação. A Criptozoologia se baseia nessas lendas para descobrir espécimes que pensava não existir ou estarem extintas. Sabe que a todo o dia, novas espécies são descobertas.

SCULLY: - Tudo bem, Mulder, é um mundo ainda desconhecido. Mas é improvável que exista tal criatura.

MULDER: - Não vai me convencer, Scully.

SCULLY: - Mulder, impressão minha ou estamos de novo jogando 'quem sabe mais'?

MULDER: - Adoro jogar isso, Scully.

SCULLY: - Tudo bem, Mulder. Sabe que tenho mudado minha opinião nos últimos tempos a respeito de certas coisas. Mas sabe também que preciso de provas, de evidências.

MULDER: - Eu sei, é o seu serviço.

SCULLY: - Ainda estamos jogando?

MULDER: - Claro.

SCULLY: - Confesso, Mulder, talvez o seu Pé-Grande exista mesmo.

MULDER: - (INCRÉDULO) Scully?

SCULLY: - Existem evidências fósseis de um primata gigante que pode ser o seu Sasquatch. Uma espécie chamada Gigantopitecus, que viveu na Ásia há centenas de milhares de anos. Foi o maior primata que já viveu na Terra. Foram encontrados restos de mandíbulas e crânios fossilizados, numa caverna na China. Indicavam que a espécie media mais de três metros de altura e mais de 400 quilos.

MULDER: - (PERPLEXO E FELIZ)

SCULLY: - As mandíbulas e crânios indicavam que o crânio do Gigantopitecus era duas vezes maior do que um crânio humano. Após sua extinção na Ásia, acredita-se que tenha sobrevivido...

MULDER: - ... Atravessando o Estreito de Bering...

SCULLY: - ... Utilizando a mesma rota de imigração humana, feita há 11 mil anos...

MULDER: - ... Ele é primo do Yeti, que procurou refúgio nos Himalaias...

SCULLY: - Talvez.

MULDER: - Scully, estamos concordando?

SCULLY: - Não. Mulder, tudo isso é provável, mas como uma espécie pré-histórica iria viver nas montanhas da Califórnia, perto da civilização, sem ser descoberta?

MULDER: - Scully, já vimos isso em Jersey.

SCULLY: - Hum... Tá, tá certo. Mulder, prometo que vamos pegar seu Sasquatch pra você ficar feliz. Tá bom? Ah, essas crianças, quando querem um brinquedo...

Mulder olha catatônico pra Scully.


CONTINUAÇÃO NOROMO:

Scully levanta-se e vai pra seu quarto.

Mulder tira a camisa e se joga na cama. Fecha os olhos, com um sorriso nos lábios.


CONTINUAÇÃO SHIPPER:

Scully deita-se na cama. Mulder tira a camisa e se joga na cama, sorrindo. Fecha os olhos, ainda com um sorriso nos lábios.

SCULLY: - Por que está sorrindo?

MULDER: - Estou feliz. Você acredita em mim.

SCULLY: - Claro que acredito em você. Só não acredito nas suas loucuras. Preciso de evidências, Mulder, sabe disso.

MULDER: - ... Ah, Scully! Você acredita em Ets, acredita no Pé-Grande... Acho que posso morrer agora. Estou num estado letárgico de felicidade, proporcionado pela sua cumplicidade na minha busca. Como diria Bill Mulder, você é a minha costela.

Scully aproxima-se dele. Mulder se afasta, debochado.

MULDER: - Mas em compensação, você veio com aquela maçã desgraçada.

SCULLY: - Que maçã?

MULDER: - A história do nariz. Eu não me esqueci disso.

Scully sobe em cima do corpo dele. Beija seus olhos. Vai narrando e beijando.

SCULLY: - Amo seus olhinhos... Seu narigão... Sua boca...

MULDER: - (MANHOSO) Não, não me venha com essa. Tô de mal.

SCULLY: - O seu queixo...

MULDER: - Para, Scully. Beijinhos não são desculpas...

Scully beija o pescoço dele. Morde seus ombros.

MULDER: - Precisamos vigiar a casa do senhor Lang.

SCULLY: - (MURMURA ENQUANTO BEIJA O PESCOÇO DELE) Pode ser depois? Ele só sai às dez.

MULDER: - ... Tem certeza?

SCULLY: - Absoluta...

Mulder a empurra e fica por cima dela. Desabotoa sua blusa. Scully fecha os olhos.

MULDER: - Ok, Scully. Você é uma cientista, não é mesmo?

Scully abre os olhos.

SCULLY: - Claro que sou.

MULDER: - Gosta de provas, não?

SCULLY: - Preciso de provas para acreditar, Mulder. É meu trabalho e...

MULDER: - Vou te provar o que é pequeno por aqui...

Scully arregala os olhos. Tenta sair debaixo dele e não consegue.

SCULLY: - (RINDO) Não, Mulder... Não, por favor...

MULDER: - Não?

SCULLY: - Sim! Mulder, me dá um minutinho?

MULDER: - Pra quê?

Scully agarra as grades da cama.


CONTINUAÇÃO NOROMO:

Mulder assiste o noticiário na televisão.

Scully lê um livro sobre animais pré-históricos.


CONTINUAÇÃO HALF SHIPPER:

Mulder assiste um filme pornô na televisão. Scully lê um livro sobre Romeu e Julieta.


CONTINUAÇÃO SHIPPER:

[Som: Rolling Stones – Miss You]

Aviso: O conteúdo a seguir contém cenas de sexo e nudez e é impróprio para menores de 14 anos. Se você tem menos de 14 anos, por favor saia dessa página e desconecte-se da rede. Não me responsabilizo por processos judiciais. Se insistir, verifique antes se seus pais estão dormindo. E não tente fazer isso em casa, pode ser perigoso.

São três e meia da manhã. Para evitar transtornos com menores de 14 anos que ficam até tarde na Internet, esta roteirista foi dormir. Portanto, ponham uma música de que gostem, relaxem, fechem os olhos e imaginem a cena erótica mais quente que já viram em algum filme, utilizando Mulder e Scully. Eu disse no início que a fic era interativa. Portanto, interajam! Eu tenho que dar tudo mastigado pra vocês? Ora, salvem o arquivo, e nessa parte escrevam o que quiserem! Usem a imaginação... é ainda a melhor forma de se fazer sexo seguro.

Boa noite, vou usar a minha imaginação. E dessa vez, vocês não vão saber o que imaginei.



BLOCO 3:

Residência de Andrew Lang – 10:01 P.M.

[Som: The Cure – Close to Me]

Mulder e Scully observam a casa, de dentro do carro.


CONTINUAÇÃO NOROMO:

Estão em silêncio.


CONTINUAÇÃO SHIPPER:

MULDER: - Acha realmente que tenho o hábito de procurar problemas?

SCULLY: - Mulder, se você procura problemas, eu estou aqui.

MULDER: - Uau!

SCULLY: - Gostou dessa?

MULDER: - Acho que quero passar o resto da vida preocupado...

SCULLY: - Não se empolgue muito com isso, Mulder.

Lang sai de casa. Entra no carro e parte.


Mulder e Scully descem do carro. Caminham até a casa. Mulder arromba a fechadura. Eles entram, acendendo as luzes.

MULDER: - Odeio esse lugar, cheio de bichos nas paredes. Parecem vivos.

SCULLY: - Concordo com você.

MULDER: - Tem uma porta aqui. Acho que dá no porão.

SCULLY: - Ótimo, primeiro os curiosos!!!

Mulder abre a porta. Desce as escadas.


Motel Sunny - 11:09 P.M.

Mulder entra em seu quarto, numa fisionomia de irritação. Scully atrás dele.

MULDER: - Onde aquele cara esconderia um animal de três metros de altura?

SCULLY: - Talvez ele não tenha aquele animal.

MULDER: - Mas você viu a fita! Como não encontramos nada?

SCULLY: - Mulder...

MULDER: - Não, não quero explicações.

SCULLY: - O que vai fazer?

MULDER: - Vou voltar lá e esperar por ele. Vou abrir o jogo, sem denunciar meu amigo.

SCULLY: - Acha que ele vai confirmar a existência de tal criatura, Mulder?

MULDER: - Eu tenho meus métodos, Scully.

Mulder sai. Scully senta-se na cama. Suspira.


Residência de Andrew Lang – 1:13 A.M.

Lang coloca a chave na fechadura.

MULDER: - Onde o escondeu?

Lang olha para o lado. Mulder está sentado na varanda, mostrando sua credencial. Mulder levanta-se e vai até ele.

MULDER: - FBI, agente Fox Mulder.

LANG: - Não sei do que está falando.

MULDER: - Tenho informações de que possui um exemplar do Pé-Grande.

LANG: - O FBI se interessa por isso?

Mulder o segura pela camisa.

MULDER: - Olha aqui, seu desgraçado empalhador de animais, eu não vou perder meu tempo com você!

LANG: - O que quer saber?

MULDER: - Onde está?

LANG: - Eu vendi.

MULDER: - Conta outra.

LANG: - Vendi. Mas posso te levar aonde capturei um deles.

MULDER: - Deles?

LANG: - Existem muitos, senhor Mulder.

MULDER: - Me levaria até lá?

LANG: - Claro. Sem problemas. Se é isso o que quer pra me deixar em paz.

MULDER: - Não confio em você. Quero levar um guia comigo.

LANG: - Tudo bem, arranje um.

Mulder pega o celular. Disca. Lang olha pra ele, sério e irritado.

MULDER: - Scully, arrume suas coisas, vamos acampar. Estou aqui na casa do senhor Lang e quero que venha pra cá imediatamente. Preciso que tome conta dele, enquanto resolvo um problema...


7:33 A.M.

Lang dirige o carro. Mulder está ao lado dele. Scully está no banco de trás.

MULDER: - Se tentar uma gracinha, Lang, eu mesmo vou empalhar você.

LANG: - Preciso da minha espingarda! É para defesa própria! Você não sabe com que criatura está lidando!

MULDER: - Eu sou a sua defesa própria. Agora acelera isso, o guia está nos esperando na subida da montanha.


Montanhas Skyho - 8:21 A.M.

[Som: Rolling Stones – Miss You]

O carro aproxima-se da subida. O guia está sentado numa pedra. Tem os cabelos no estilo de Ron Wood, dos Stones. Usa uma calça jeans rasgada e camiseta sem mangas, mostrando as tatuagens pelos braços.

O carro para. Os três descem. O guia vai até eles.

JIM: - Ei, devem ser os federais. Prazer, sou Jim Forrest, o guia de vocês.

Scully olha pra Mulder, segurando o riso.

JIM: - ... Vamos subindo? Temos uma longa jornada.

MULDER: - Esse cara que está comigo sabe o caminho. Mas quero que você confirme, Jim. Não confie nele, é perigoso.

Jim olha pra Lang, ameaçador.

JIM: - Sem problemas, cara.

Scully vai até o carro e tira uma mochila enorme.

JIM: - Ei, moça, é só um passeio, não vamos ficar muitos dias...

SCULLY: - Preciso levar meu equipamento.

JIM: - Ah, tudo bem. Eu também levo sempre o meu.

Jim pega uma enorme mochila. Tira de trás de umas árvores, uma escopeta e um rifle com mira telescópica. Os põe em volta do pescoço. Coloca a mochila nas costas. Mulder arregala os olhos.

JIM: - Equipamento de segurança, podemos precisar.

Jim vai subindo a montanha. Mulder olha pra Scully.

MULDER: - Quem esse cara pensa que é? O Rambo?

SCULLY: - Mulder, acho que vamos entrar numa fria, sabia disso? Vamos nos embrenhar numa floresta desconhecida, na companhia de um maluco homicida e de um empalhador de animais.

MULDER: - Temos outra alternativa?

Mulder pega sua mochila. Pega outra mochila e troca com Scully.

MULDER: - Scully, leve suas coisas, eu levo as minhas e o equipamento.

Mulder olha pra Lang, que coloca sua mochila nas costas.

MULDER: - E você, mantenha-se sempre na minha frente. Se tentar fugir, eu atiro. E estou falando sério.


5:11 P.M.

Jim para numa clareira.

JIM: - Vamos montar acampamento aqui. Vai escurecer logo.

Jim aproxima-se de Mulder, que está colocando a mochila de equipamentos no chão.

JIM: - Cara, você tá procurando mesmo o Pé-Grande?

MULDER: - Estou.

JIM: - Puxa, isso é demais! Sabe que já vi um deles por aqui? É assustador, irmão. Podes crer. Olha, saca só, eu tava parado, fumando um cigarro e o bicho saiu de trás de uma árvore, pulou em mim e...

Scully puxa Mulder pelo braço.

SCULLY: - Mulder, não acredite nele. 'Fuma' demais. E não são cigarros.


8:28 P.M.

[Som: The Cure – Close to Me]

Mulder está sentado no chão, ao lado da fogueira. Observa o falso 'Ron Wood' sentado perto dele, enrolando um baseado. Lang está lendo uma revista, ao lado de uma lanterna. Scully prepara uma câmera fotográfica, fixando-a no tronco de uma árvore. Jim oferece à Mulder.

JIM: - Quer?

MULDER: - Não, obrigado. Sou careta.

JIM: - ...

MULDER: - Me diga uma coisa. Por que tem uma escopeta e uma arma com mira telescópica? Não sabe que isso é proibido...

JIM: - Corta essa, federal. Eu não atiro nas pessoas. É que você precisa ter todo o cuidado quando entra nessa floresta. Não imagina o que tem aí.

MULDER: - Você traz os turistas até aqui com essas armas?

JIM: - Claro que não. As trouxe porque vamos procurar o Pé-Grande. Levo minhas 'crianças' sempre que vou caçar.

MULDER: - Caçar? O que caça por aqui com isso? Mamutes? Dinossauros?

Scully aproxima-se. Senta-se ao lado de Mulder.

SCULLY: - Tudo pronto. Instalei a câmera e o sensor de infravermelho. Qualquer coisa que se movimentar por ali, dispara a câmera. Teremos uma fotografia. Instalei sensores sísmicos também.

JIM: - Querem ver uma coisa legal? Já que você é cientista...

Jim levanta-se. Oferece sua mão à Scully. Scully segura a mão dele e ele a ajuda a se levantar.

JIM: - Venha, federal. Vai gostar de ver isso.

Mulder olha pra Lang.

MULDER: - Venha. Não vou deixá-lo aqui sozinho.

Lang levanta-se contrariado. Jim entra através de uns arbustos, segurando uma lanterna. Para.

Close no chão, onde há rastros de pés enormes. Mulder fica boquiaberto. Agacha-se e examina a pegada.

MULDER: - Onde vai dar isso?

JIM: - Desaparece no mato. Nunca ficam por muito tempo. Estamos numa floresta, a chuva e orvalho se encarregam de apagar as evidências, cara.

Scully agacha-se. Examina a pegada, ao lado de Mulder.

SCULLY: - Vou buscar o gesso. Farei um molde para analisar. Talvez seja uma farsa, Mulder.

MULDER: - Talvez...


2:10 A.M.

Mulder está dormindo em sua barraca. Scully entra, segurando uma lanterna.

SCULLY: - Mulder?

MULDER: - ... O que foi?

SCULLY: - Precisa ver isto.

Mulder levanta-se. Scully sai da barraca. Mulder a acompanha. Scully caminha até uma mesa que improvisou perto da fogueira, onde colocou um molde da pegada, suas parafernálias científicas e um pequeno microscópio. Jim dorme ao lado da fogueira, roncando.

MULDER: - Onde está o Lang?

SCULLY: - Algemei-o em sua barraca. Mulder, olha pra esse molde.

MULDER: - O que tem, Scully?

SCULLY: - A pegada tem 37 centímetros de comprimento. Analisando bem, descobri que o peso do corpo é distribuído para a frente. O centro de peso do tornozelo é mais à frente do que o de um pé humano. Se tivéssemos um bípede ereto, com mais de 2,5 metros e ele andasse à maneira de um humano, quanto mais à frente o tornozelo deveria ser. Calculo pela profundidade da pegada, que essa criatura tem mais de 700 quilos, Mulder.

MULDER: - Scully, o que está me dizendo? Ainda estou dormindo...

SCULLY: - Mulder, achamos alguma coisa. E essa pegada não é falsa e nem é de um ser humano. Mas é de um primata. Podemos confirmar isso com um Primatologista em Washington. Mas tenho certeza absoluta do que lhe falei. Pegadas são uma boa evidência da estrutura de um animal. E estas não poderiam ter sido forjadas com tamanha habilidade. Veja isto.

Scully coloca o molde sob o microscópio. Mulder aproxima-se e olha.

SCULLY: - Percebe as reentrâncias? Mulder, é perfeito. Temos aí as marcas das saliências do pé da criatura.

MULDER: - Scully, amo você, sabia?


CONTINUAÇÃO NOROMO:

Scully abaixa a cabeça e a balança negativamente.


CONTINUAÇÃO SHIPPER:

SCULLY: - Mulder, não me fale em amor numa hora dessas...

MULDER: - (DEBOCHADO) Lang está algemado?

SCULLY: - Mulder, não podemos! E o Pé-Grande?

MULDER: - Scully, e o 'Nariz Grande'?

SCULLY: - (RINDO) Mulder, não!

MULDER: - Scully, não vamos dormir, ficaremos acordados. Só vamos vigiar o lugar de outra maneira. E afinal de contas, se você ficar aí acordada, fazendo barulho, o Pé-Grande não virá.

SCULLY: - Mulder, não. Acho perigoso. E se eles acordam, o que vão pensar de nós?

MULDER: - Acha que ligo pro que pensam de nós?

SCULLY: - Mulder...

MULDER: - Mulher, vá já pra aquela barraca. Isto é uma ordem!

SCULLY: - Não recebo ordens de homens, Mulder. Sou feminista convicta.

MULDER: - Tudo bem, então me mande ir pra aquela barraca que eu vou sem discutir. Eu sou feminista também.

SCULLY: - Mulder, você não tem um pingo de caráter e autoestima, sabia?

MULDER: - Scully, quando se trata de você eu perco tudo, até o juízo!

SCULLY: - Mulder, acho melhor não. Vá pra sua barraca, eu vou pra minha.

MULDER: - Scully, me acostumei a dormir do teu lado. É vício! Please!

SCULLY: - ... Tá certo, Mulder, mas se me tocar eu vou gritar e sabe disso.

MULDER: - Não pode ficar sem gritar?

SCULLY: - Não. Eu gosto de gritar.

MULDER: - Mas só por hoje?

SCULLY: - Não dá, Mulder. É impossível não gritar.

MULDER: - Sério?

SCULLY: - (RINDO) Mulder, você acredita em tudo o que digo?

MULDER: - Juro que vai ser um exorcismo discreto.

SCULLY: - ... Mulder, estou com o diabo no corpo hoje. Vai levar horas e sabe que não temos tanto tempo.

MULDER: - O que tem contra coisas rápidas, Scully?

SCULLY: - Coisas rápidas são rápidas, Mulder. E eu gosto que tudo demore muito.

MULDER: - Também gosto! Mas quando não dá, coisas rápidas são boas... Por exemplo, fast food.

SCULLY: - Não se iguala à um delicioso jantar romântico à luz de velas.

MULDER: - Tá, mas serve pra matar a fome.

SCULLY: - Não, Mulder. Gosto de coisas demoradas e ponto final.

MULDER: - Mas nem experimentou isso ainda!

SCULLY: - Mulder, eu já disse. Coisas rápidas não são comigo.

MULDER: - Má, Scully, você é má.

SCULLY: - Vá dormir, Mulder.

MULDER: - Vá você. Vou ficar aqui vigiando, pensando no fast food que você me negou.

Scully sai rindo. Entra em sua barraca. Mulder senta-se no chão. Emburrado.


4:11 A.M.

Mulder cochila sentado. De repente um barulho enorme de uma explosão no meio do mato. Mulder levanta-se assustado. Scully sai da barraca. Jim sai do meio do mato, segurando a escopeta que ainda exala fumaça e o rifle de mira telescópica.

JIM: - Yahoo! Precisam ver o veado que eu matei.

Jim ergue um chifre. Mulder olha pra Scully, incrédulo.

JIM: - Pena que só sobrou o chifre...

Mulder se irrita.

MULDER: - Olha aqui, seu louco desgraçado, você quase me matou de medo! Onde já se viu caçar veados com esse armamento de guerra? Isso não é uma selva com Vietcongues, imbecil!

JIM: - É... Acho que por isso eu nunca consigo pegar um veado inteiro.

MULDER: - Ah, acha que é por isso? Você explodiu o bicho, seu maluco, lunático!

SCULLY: - Mulder...

Scully segura Mulder pelo braço. Jim olha pra cima.

JIM: - Patos!

Começa a gritar e atirar freneticamente. Mulder e Scully se atiram no chão, chovendo patos pra todos os lados e por cima deles.

SCULLY: - Mulder, encare assim: Pelo menos teremos jantar pra uma semana.

MULDER: - Eu vou atirar nesse cara, Scully. Eu vou atirar nele, me segura!



BLOCO 4:

8:17 A.M.

Lang caminha à frente. Mulder atrás dele. Jim vem conversando com Scully, carregando alguns patos pendurados pelo corpo.

JIM: - Sabe cozinhar patos?

SCULLY: - Odeio patos.

JIM: - É uma carne dura, mas é só saber cozinhar...

SCULLY: - (INDIGNADA) Qual é o seu problema? O que esses animais fizeram pra você? Por que age como um selvagem, atirando em tudo o que se mexe?

JIM: - Eu não atiro em tudo o que se mexe... Coelho!

Jim começa a atirar no coelho. Mulder dá um pulo, ficando catatônico, tenso e assustado. Scully tapa os ouvidos e se encolhe. Mulder avança em Jim, descontrolado.

MULDER: - Olha aqui, filho de uma puta, se fizer isso de novo, antes que eu tenha um ataque cardíaco, vou atirar em você com essa escopeta, até sobrar só um fiapo desse seu cabelo de roqueiro maluco, me entendeu, seu bosta?

JIM: - Calma, cara. Não gosta de coelhos?

MULDER: - Coelho? Olha o que sobrou do coelho! Nem dá pra identificar que seja um coelho!

JIM: - ... Tá bom, eu não faço mais isso.

MULDER: - Que merda! Vamos embora.

Eles continuam caminhando. Mulder empurra Jim pra sua frente.

MULDER: - (IRRITADO) Vou ficar de olho nos dois. E se usar essa porra de novo, eu juro que faço você a engolir pelo lado oposto da boca!

Scully segura o riso. Mulder está irritado, doido pra atirar num deles.

MULDER: - Desculpe, Scully. Até me esqueci que tinha uma mulher por aqui. Mas estou furioso com esses dois!

SCULLY: - Mulder, tenho dois irmãos, se lembra? Ainda não me viu ficar uma fera. Não gostaria de que eu despejasse o meu dicionário de palavrões. Os seus são até suaves...

MULDER: - Me faz um favor? Não diga pra esse cara que eu me chamo Fox ou ele se empolga e resolve atirar em mim e o outro vai me empalhar!


10:18 P.M.

[Som: The Cure – Close to Me]

Novo acampamento. Jim assa um pato. Mulder olha pra ele, irritado. Scully continua suas pesquisas. Lang olha pra Mulder.

LANG: - Esse doido vai nos matar.

MULDER: - É bom que ele seja doido, porque se você fugir, tá ferrado. Ele atira em qualquer coisa que se move.

LANG: - Estamos perto. Há um monte de Pés-Grandes do outro lado daquelas árvores. É melhor ficar na vigília.

Lang olha pra Scully. Mulder não percebe. Jim oferece um pedaço do pato.

JIM: - Aí, federal. Quer um pato?

MULDER: - Não, quero a sua cabeça!

JIM: - Shi, mano, vai ficar aí mordido comigo o resto da noite? Relaxa, cara! Quer fumar unzinho?

MULDER: - Não.

JIM: - ... Tá certo. Quer um gole de uísque?

MULDER: - Não tente me agradar. Quero que cale essa sua maldita boca!

Lang entra em sua barraca. Mulder levanta-se, indo atrás dele, tirando as algemas de seu bolso. Scully senta-se perto do fogo. Jim olha pra ela.

JIM: - Quer unzinho?

SCULLY: - Não.

JIM: - Sabe que conheço as pessoas pela aparência delas? Você parece ser o tipo certinha, mas é uma doida, pior do que eu.

Scully ergue as sobrancelhas.

JIM: - Você é do tipo que gosta de tatuagens, rock pesado, cerveja e baseado.

SCULLY: - Errou amigo.

JIM: - Não, eu não errei. Seu parceiro é que não sabe com quem está lidando. Você tem medo que ele descubra seu lado perverso.

SCULLY: - (INDIGNADA) Ei, ei, ei! Quem pensa que é pra ficar achando coisas a meu respeito?

JIM: - Tá vendo? Você é uma gata selvagem, FBI. Aposto que a Madonna não é páreo pra você. Seu desejo é escandalizar. Você precisa disso. Você é uma falsa puritana, escondida atrás do rótulo que sua família e a sociedade impuseram. Na verdade, você gostaria de mudar o mundo. De fazer dele um lugar livre de preconceitos e rótulos.

SCULLY: - ...

JIM: - Abre o jogo, maninha. Concordo com você, somos da mesma tribo. Paz e amor, rock e cerveja, sexo e sacanagem.

Scully abre a boca, olhando pra Jim, incrédula. Mulder aproxima-se. Senta-se ao lado dela.

MULDER: - Algum problema?

SCULLY: - N-não, nada.

MULDER: - Ele está te incomodando?

SCULLY: - Não, estou fazendo terapia de autoconhecimento.

MULDER: - ?

SCULLY: - Vá dormir, eu faço o primeiro turno.


2:12 A.M.

[Som: Rolling Stones – Miss You]

Scully, sentada ao lado de Jim. Os dois bebem no gargalo da garrafa. Scully já está ficando bêbada.

SCULLY: - Hum, isso é bom.

JIM: - Mana, precisava ver o que pintou naquela noite. Tava o maior rolo, compreendeu? Os tiras chegaram, levaram a galera pro xadrez, deu o maior quebra pau.

SCULLY: - E a banda?

JIM: - Ah, depois daquela noite a gente acabou. Não dava, sabe? Os caras tavam exagerando, já tavam no pó, viciadão, assim, ó, tremendo. Daí nem rolava som, só droga e porrada.

SCULLY: - Isso é mal...

JIM: - É, mana, é mal. Quer mais uísque?

SCULLY: - Não, eu não posso beber muito...

JIM: - Vai, confessa aí pro teu mano. O federal boa pinta é teu homem, não é?


CONTINUAÇÃO NOROMO:

SCULLY: - (SORRI) Não! Somos apenas grandes amigos.

JIM: - Ah, conta outra! Confessa!

SCULLY: - ... E você, tem namorada?

JIM: - Ah, tenho uma mina que leva uns lances comigo aí, mas nada de sério, falou?


CONTINUAÇÃO SHIPPER:

SCULLY: - É. O 'federal aí' é o meu homem.

JIM: - Ele não tem nada a ver com você! A não ser o fato de que é meio doido também.

SCULLY: - Nós dois somos doidos. Cada um a sua maneira.

JIM: - Aposto que ele é um babaca.

SCULLY: - O Mulder? Não, é só impressão. O Mulder é mais comportado do que eu, mas não é babaca. É esperto até demais.

Os dois se olham. Começam a rir. Mulder sai da barraca. Olha incrédulo.

MULDER: - Scully, o que...

SCULLY: - Hum, o que o quê, Mulder?

MULDER: - Você está bebendo?


CONTINUAÇÃO NOROMO:

SCULLY: - E daí? Não posso beber?

MULDER: - ???

SCULLY: - Ah, Mulder, me deixa em paz!

Scully levanta-se, quase caindo. Mulder a segura. Scully olha nos olhos dele. Começa a rir. Já está completamente fora de si de tanta bebida.

SCULLY: - Hum, Mulder, seu danadinho... O que está passando nessa sua cabecinha taradinha, hein?

MULDER: - (PERPLEXO) Scully, o que está acontecendo com você? Esse louco te deu alguma droga?

SCULLY: - Hum, droga, Mulder! Me larga!

MULDER: - Se te largar você vai cair! Vem, te levo pra cama...

SCULLY: - Não, eu vou sozinha. Me solta!

MULDER: - Scully, não vai chegar até a barraca. Vem, vou te levar pra cama.

SCULLY: - Hum, Mulder... E o que vamos fazer na cama?

Scully ri sozinha. Mulder olha pra ela, assustado.

MULDER: - Scully, espero que não se lembre disso amanhã. Vai ser constrangedor.

Mulder a carrega até a barraca. Scully tropeça nas pernas, cai, segura-se nele, ri debochadamente.

SCULLY: - Hum, Mulder, não faça nada que viu naquelas fitas que não são suas... Danadinho... Ai, tô tontinha!


CONTINUAÇÃO SHIPPER:

Scully oferece a garrafa quase vazia pra Mulder.

SCULLY: - Quer um pouquinho?

MULDER: - Scully, você tá bêbada de novo?

SCULLY: - Não, não tô... (ENROLANDO A LÍNGUA) ... Tô só um pouquinho...

MULDER: - Vai dormir, eu fico aqui.

Jim levanta-se.

JIM: - Mana, vou tirar um ronco, depois a gente se fala.

SCULLY: - Tá, mano.

Jim entra na barraca.

MULDER: - Mano? Que 'irmandade é essa'? A irmandade Johnny Walker???

SCULLY: - É... Hum, tô tontinha, Mulder... Acho que exagerei.

MULDER: - Vem, levanta daí.

Scully tenta se levantar, apoiando-se nos joelhos. Fica ajoelhada na frente de Mulder, olhando pras calças dele.

SCULLY: - (RINDO MALICIOSA) Hum, sabe que tive uma ideia...

MULDER: - (IRRITADO) Nem pensar. Levanta daí.

Mulder a puxa pelos braços, erguendo-a.

SCULLY: - (MANHOSA) Ai, seu monstrinho! Você machucou euzinha...

MULDER: - Ah, agora é tudo 'inho', não é mesmo? Até meu nariz?

SCULLY: - O que tem seu narizinho, Mulderzinho?

MULDER: - Scully, vai dormir. Você tá de porre.

SCULLY: - Tô, não... Hum, me põe na cama, vai...

MULDER: - Scully...

Scully segura-se nele. Passa suas mãos pelas costas dele. Desce-as, agarrando seu bumbum.

SCULLY: - Ah, seu taradinho, vamos fazer coisinhas... (RI)

MULDER: - Não, você é que vai fazer uma coisinha: dormir. Temos que acordar cedinho. E você vai 'dormirzinho' porque está de 'porrezinho', e tá deixando 'euzinho' bem doidinho...

SCULLY: - Hum, fiquei chateadinha... Você magoou euzinha...

MULDER: - Ah, Scully, me desculpa, mas eu vou ter que ser canalha... Não dá pra resistir.

SCULLY: - Canalhinha, meu adoradinho canalhinha... Vamos pra barraquinha, fazer um amorzinho gostosinho...

Mulder a toma nos braços. Ela segura-se no pescoço dele, abrindo sua camisa.


6:16 A.M.

O sol está despontando. Mulder, sentado do lado de fora da barraca, espreguiça-se. Jim sai da barraca.

JIM: - E aí, federal? Pronto para cruzar a fronteira do desconhecido?

MULDER: - ...

JIM: - Vamos nessa. Segundo o seu amigo empalhador, a aldeia do Big Foot é atrás daquelas árvores.

Mulder levanta-se.

MULDER: - Vou fazer um café. Tem alguém que vai acordar com dor de cabeça.

JIM: - ... Você tem sorte, ela é uma lebre e tanto.

Mulder olha pra Jim.

MULDER: - Modere a sua língua quando se referir a minha parceira. Ela é minha amiga, nada mais que isso.

JIM: - Ora, federal, posso ser maluco, mas não tanto.

MULDER: - ... Vou acordar o imbecil do Lang.

Mulder caminha até a barraca de Lang. Ele não está lá. Fugiu. Mulder fica furioso.

MULDER: - Droga! Como o desgraçado escapou?

JIM: - Ele sumiu?

MULDER: - Sumiu.

JIM: - Ah, não precisamos dele mesmo.

MULDER: - ... Não confio naquele sujeito. Pode ter mentido.

JIM: - Vamos descobrir isso. É só atravessar aquelas árvores.

Scully sai da barraca, com a mão na testa. Mulder olha pra ela. Jim afasta-se deles, recolhendo suas coisas.

MULDER: - Vou fazer um café.

SCULLY: - Tá.


CONTINUAÇÃO NOROMO:

Scully fica constrangida com a situação.

SCULLY: - Mulder, eu... Me desculpe por ontem... Eu nem lembro o que aconteceu, mas... me desculpe.

MULDER: - Ora, Scully, não me deve desculpas. Afinal a vida é sua, não é mesmo?

SCULLY: - ...

MULDER: - Mas foi engraçado. Nunca vi você daquele jeito...

SCULLY: - (NERVOSA) Eu... Mulder, eu disse alguma coisa que... que não deveria ter dito?

MULDER: - (DEBOCHADO) Não. Você não disse nada que não deveria ter dito.


CONTINUAÇÃO SHIPPER:

Scully fica constrangida com a situação.

SCULLY: - Mulder, eu... O que aconteceu?

MULDER: - Adoro isso, você nunca se lembra de nada.

SCULLY: - Mulder, isso não é justo! O que fez comigo?

MULDER: - Eu??? Eu não fiz nada! Você é quem fez!

SCULLY: - (ENCABULADA) Mulder!

MULDER: - Psiu, não chama a atenção do maluco ali.

SCULLY: - ... O que você fez comigo?

MULDER: - Tudo.

SCULLY: - Tudo o quê?

MULDER: - Tudo, menos o que está pensando. Scully, você caiu no sono. Fui dormir do lado de fora da barraca. Não aconteceu nada pra você ficar vermelha. Mas eu queria que tivesse acontecido...

SCULLY: - Mulder, você é um crápula, aproveitador de mulheres bêbadas! Como pode fazer isso?

MULDER: - ... Lang escapou.

SCULLY: - E agora?

MULDER: - Acho que fugiu daqui, ele conhece o caminho.

SCULLY: - Mulder, vou arrumar os equipamentos e vamos prosseguir. Quero voltar pra Washington! Não aguento mais tanto mosquito!

Scully vai arrumar suas coisas. Mulder olha pra floresta.

MULDER: - Vi alguma coisa se mexendo.

SCULLY: - Onde?

Mulder saca arma. Scully também. Mulder sinaliza para ela ir pra um lado, enquanto ele vai pra outro. Jim olha pra eles.

JIM: - Querem ajuda?

MULDER: - Não. Fique quieto aí.

JIM: - Tá.

Mulder e Scully caminham lentamente por entre árvores e vegetação, procurando alguma coisa.

[Som: The Cure – Close to Me]

Corta para Scully. Ela percebe um movimento no meio de uns arbustos. Mira a arma. Um coelho sai correndo. Scully abaixa a arma e ri. Lang aproxima-se por trás dela e a agarra pelos braços. Scully dispara a arma.

Mulder ouve o tiro.

MULDER: - (GRITA) Scully?

Mulder corre em direção à parceira, mas encontra apenas a arma caída ao chão.

MULDER: - (GRITA) Scully!!!!

Mulder se desespera. Jim aproxima-se correndo, segurando sua arma com mira telescópica.

JIM: - O que foi, cara?

MULDER: - O Lang. Aposto que ele pegou a Scully.

Jim engatilha a arma. Olha pra Mulder.

JIM: - Ok, parceiro, vá por ali que eu vou por aqui. Atire pra matar.

Jim embrenha-se na mata. Mulder fica catatônico olhando pra ele.

MULDER: - Ei, seu imbecil, isso aqui não é um filme de ação! Não pode atirar nas pessoas desse jeito! Você tá mais pra Kurt Cobain do que pra Kurt Russell, idiota!


7:14 A.M.

Scully, amordaçada e amarrada numa árvore. Lang afia uma faca, numa pedra.

LANG: - Sabe, agente Scully, você vai completar a minha coleção.

Scully arregala os olhos. Tenta se soltar, gritar, mas não consegue. Lang aproxima-se dela com a faca.

LANG: - Só há um animal ainda que não possuo na minha coleção. Um ser humano.

SCULLY: - mmm...

LANG: - Vou empalhar você. Vai ficar linda assim pro resto da eternidade, sem nunca envelhecer.

Scully fecha os olhos, respira ofegante. Jim chega por trás de Lang e aponta a arma em sua cabeça.

JIM: - Cara, que chato! Você se meteu com a maninha, tá ligado? E ninguém se mete com ela. Acho melhor largar essa faca ou eu vou estourar você como um coelhinho. (RI) Nem vai dar pra empalhar, porque com sorte, vai sobrar só uma orelha.

Lang tenta reagir, mas Jim golpeia ele com a arma. Lang cai no chão. Pega a faca. Jim bate duas vezes com o cabo do rifle na cabeça de Lang. Lang cai desmaiado, com o sangue correndo das têmporas. Mulder aproxima-se correndo.

MULDER: - Você o matou?

JIM: - Não, foi só um chá pra acalmar os nervos...

Mulder desamarra Scully. Scully tira a mordaça, assustada. Abraça-se nele.

JIM: - Vou voltar pro acampamento e pedir apoio pelo rádio.

MULDER: - Faça isso.

Jim sai correndo. Scully olha pra Mulder, ainda tonta.

SCULLY: - Mulder, mas e o Pé-Grande?

MULDER: - Esqueça o Pé-Grande, Scully. Não vou arriscar sua vida de novo. Vou colocar esse palhaço atrás das grades.

SCULLY: - Mulder, eu...

Scully desmaia. Mulder a arrasta até outra árvore. A põe sentada, escorada na árvore. Senta-se ao lado dela. A abraça.

Mulder olha pra algumas pinhas caídas no chão.

As pinhas tremem suavemente. Mulder põe a mão no chão, sobre as folhas caídas. Sente um pequeno tremor, percebendo a enorme sobra que para à frente dele. Mulder ergue a cabeça e vê aquela criatura de três metros de altura. Mulder não consegue nem erguer a arma, de tanto medo. A criatura olha pra ele com indiferença. Caminha até Lang. Pega-o com uma das mãos e o joga por cima dos ombros.

Mulder observa. Scully ainda está desmaiada. A criatura olha pra Mulder. Mulder retribui o olhar. A criatura desaparece entre a vegetação, levando Lang nas costas.


FBI – Arquivos X – 6:31 P.M.

Scully observa Mulder, que está sentado de frente pra ela, em sua cadeira, observando-a também, enquanto segura uma caneta nas mãos.

MULDER: - Não sei por onde começar esse relatório, Scully.

SCULLY: - ... Tem certeza que viu o Pé-Grande, Mulder?

MULDER: - Vi, Scully. E parece que ele tem um senso de justiça muito bizarro. Levou Lang para vingar-se da perda do amigo.

SCULLY: - ...

MULDER: - O que me intriga é onde o Lang poderia ter escondido o Pé-Grande que embalsamou. Seria a prova mais concreta que poderíamos ter.

SCULLY: - Talvez tenha vendido, Mulder.

MULDER: - Não, Scully, ele nunca venderia aquilo. Era obcecado demais. Nunca saberemos onde ele o escondeu.


Corta para a residência de Lang.

[Som: The Cure – Close to Me]

Câmera de aproximação por dentro da casa, de cômodo em cômodo, até chegar na sala de troféus.

Close de uma parede, onde o reboco recente, é muito visível.

Fade out.


X


07/03/2000

30 de Novembro de 2018 às 22:38 3 Denunciar Insira Seguir história
1
Fim

Conheça o autor

Lara One As fanfics da One são escritas em forma de roteiro adaptado, em episódios e dispostas por temporadas, como uma série de verdade. Uma alternativa shipper à mitologia da série de televisão Arquivo X. https://www.facebook.com/laraone1

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Karimy Lubarino Karimy Lubarino
Olá, autora. Está faltando o texto da história.
January 14, 2020, 10:56

~

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