Visco de Sangue Seguir história

kalinebogard Kaline Bogard

"Porém a medida que se aproximava da hora do almoço, começou a se sentir incomodamente observado. Nada parecia diferente, a não ser a sensação estranha. A ponto de Shino parar de treinar para observar ao redor em busca do que quer que tivesse despertando sua intuição. Nem precisou procurar muito." A história de uma inusitada amizade que é ameaçada quando começa a se tornar algo mais.



Fanfiction Anime/Mangá Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#drama #yaoi #Humor #lgbt #fns #fluffy #kiba #universo-alternativo #abo #linguagem-impropria #omega #shinokiba #shino #FNSdoRock
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The only thing...

Shino estava jantando tranquilamente com o pai quando o pior aconteceu.

Os dois viviam sozinhos na pequena casa periférica, mais próxima da floresta do que do centro da vila. A localização garantia não só sossego o bastante para a pequena família, mas também reforçava a fama de estranheza que envolvia pai e filho, integrantes do Clã Aburame e controladores de insetos.

Fazer as refeições tendo o silêncio como trilha sonora era regra. E, de certo modo, reconfortante.

Todos os dias preparavam o jantar juntos e comiam juntos. Exceto quando Shibi tinha alguma missão com o time ninja, nesse caso seu filho acabava sozinho na casa para dar conta das tarefas diárias.

Ambos acreditaram que naquela noite seria a mesma coisa, a mesma rotina de sempre. Até que os latidos desesperados ecoaram à frente da residência e Shino teve um péssimo pressentimento.

— Preciso ir — disse para o pai, largando a refeição inacabada à mesa.

— Tome cuidado — Shino disse tão somente. Confiava no filho. O adolescente não era dado a aventuras impulsivas ou sem justificativas.

 Além disso, os latidos lá fora soaram como um pedido de ajuda. Se Shino queria atendê-lo, não seria seu pai a impedir.

Shino rumou para a porta principal, pegando o grosso casaco que ficava pendurado no cabideiro à porta. A noite estava fria. Era meados de dezembro e nevava desde o dia anterior. Ainda que no momento não caísse neve do céu, ela se espalhava pelo chão e tornava o cenário uma câmara fria natural.

— O que houve, Akamaru? — perguntou para o grande cachorro de pelo branco agitado, que marchava de um lado para o outro, marcando as patas no chão branco.

O animal latiu duas vezes e tomou a direção da floresta, antes de voltar os próprios passos e latir de novo, como se pedisse que Shino o seguisse.

E foi atendido sem mais perda de tempo. Shino correu na direção indicada, com Akamaru atrás de si no começo, logo tomando a dianteira para mostrar o caminho certo. Corriam depressa, Shino, como aluno exemplar da Academia, era veloz o bastante para acompanhar o ninken. Os pés ágeis mal tocando o solo banco, marcando a neve com leves rastros.

A urgência de Akamaru contagiou Shino.

Nunca, em hipótese alguma, o cachorro entraria tão a fundo no território humano, ao menos não sem a companhia do dono. E ele não estaria tão desesperado caso algo grave não tivesse acontecido. Shino não conversava com cães, nem os compreendia. Todavia a linguagem universal do medo é algo que um mero olhar é capaz de traduzir.

Seguiram em silêncio urgente até o mais profundo da floresta e um tanto mais além, saindo em uma espécie de clareira, onde o céu da noite se descortinava sem estrelas, quase um círculo perfeito, cujo tapete de neve branquinha permanecia quase imaculado, não fosse a trilha de sangue.

— Kiba... — Shino sussurrou, um aperto comprimindo o coração juvenil. Compreendeu perfeitamente o desespero de Akamaru, pois ele se tornou o seu próprio desespero.

E sequer teve certeza de que poderia ajudar.

---

A amizade começou do jeito mais inesperado possível.

Um humano e um shifter.

Não que fossem inimigos naturais ou vivessem em guerra. Era mais um caso de animosidade tolerável. Humanos tendem a se deixar levar pela ganância. E shifters costumavam render algum dinheiro, algumas espécies mais do que outras. Tipos raros como o tigre branco, praticamente em extinção.

Shifters lobo eram bem comuns, ainda que o instinto aguçado os fizessem bons predadores. O valor das presas de marfim alcançava alto preço no mercado negro.

E isso era o maior ponto que os impedia de conviver bem com os humanos. Cada raça construiu sua comunidade e tentava viver bem, respeitando tratados de convivência pacífica. E Konoha era um ótimo exemplo dessa tênue paz duradoura.

Shino sabia que além da floresta, fora das divisas da vila, havia uma comunidade shifter vivendo. Um grupo grande de lobos com a qual nunca teve contato, só via rastros ocasionais aqui e ali.

Humanos não se metiam com eles e vice-versa.

Não sentia curiosidade por conhecê-los, sua personalidade não era do tipo que se envolve em boatos e mistérios e tenta desvendá-los. Shino aprendeu desde muito jovem a ver o mundo de modo mais prático e realista. Viu em seu pai o espelho que o moldou de um jeito muito peculiar.

Descobriu a importância de traçar planos e objetivos e dar o seu melhor por eles.

Então Shino decidiu que queria ser um grande ninja como seu pai e entrar para a Academia de Konoha. Nunca conheceu a mãe, cujo paradeiro perguntou uma vez ao pai e a resposta vaga sinalizou o assunto como algo tabu. Desistiu de tentar entender aquilo.

Enquanto a maioria das crianças matava aula e se enfiava na floresta, indo até os limites permitidos para tentar encontrar algum shifter e conseguir contato com eles, Shino preferia ir para a calma e silêncio do lago, sentar-se na grama e estudar, treinar, aperfeiçoar as técnicas que dominava enquanto crescia.

E foi num dia muito quente de verão, um domingo, que Shino preparou o bento, pegou uma grande pilha de livros e foi se refugiar nas margens do lago. Seu pai estava em missão há uma semana, sem previsão de volta. Mas àquela altura, com seus dezessete anos, Shino já era mais do que capaz de se cuidar sozinho.

Os planos eram de passar o dia estudando para o exame que prestaria no ano seguinte, para ingressar no caminho jounin.

Não era nenhum gênio como os Uchiha ou os Hyuuga. Precisava estudar, se esforçar e se dedicar para atingir seus objetivos!

A primeira metade da manhã passou rotineira, sem nada que merecesse destaque. Shino treinou com os insetos, aprimorou a técnica de controle e algumas táticas de combate corpo-a-corpo. O silêncio não era absoluto, conseguia identificar sons da natureza exuberante que reinava naquele local.

Porém a medida que se aproximava da hora do almoço, começou a se sentir incomodamente observado. Nada parecia diferente, a não ser a sensação estranha. A ponto de Shino parar de treinar para observar ao redor em busca do que quer que tivesse despertando sua intuição.

Nem precisou procurar muito.

— Yo! Desculpa se te atrapalhei — o garoto sentado no alto de um galho acenou, o cão sentado ao lado dele rosnou — Sossega, Akamaru!

Parecia ter a mesma idade de Shino, dono de cabelos curtos castanhos bagunçados e um sorrisão enorme de presas afiadas. Marcas vermelhas no rosto trigueiro remetiam a algum Clã que Shino desconhecia. Mas o que impressionou o rapaz foram as roupas rústicas e diferenciadas e, acima de tudo, a emanação fluída de Chacra. Aquele desconhecido era claramente um shifter!

— Yo — respondeu sem saber o que esperar da situação.

— Pode continuar treinando. Akamaru e eu estamos só de passagem! — foi a despedida para que saltasse do galho para outro e sumisse das vistas de Shino, seguido de perto pelo ninken. Tão ágil, que Shino se perguntou se era um shifter macaco!

Foi um encontro rápido. Nunca tinha visto um shifter na vida, todavia mal teve tempo de refletir ou aprofundar o contato antes que o desconhecido escapasse. Muito provavelmente seria a única vez que encontraria com alguém daquela raça.

Shino pensou que seria algo interessante para contar aos netos, sobre a breve e única vez que viu um shifter na vida.

E ele não podia ter se enganado mais.

No dia seguinte, quando o treino de Shino alcançava a pausa para o almoço, o rapaz teve a mesma sensação de ser observado. Olhou para o galho de árvore que ficava a uma boa distância e lá estava o menino shifter de novo, com o cachorro ao lado e o sorriso nos lábios.

— Olá — dessa vez foi o humano quem cumprimentou primeiro.

— Yo! Que coincidência! — algo na exclamação pouco natural deu a certeza de que não tinha nada de coincidência naquele encontro — Tava passando por aqui e vi você... pode continuar a treinar, Akamaru e eu já estamos indo! Adeus!

A interação um pouco mais longa intrigou Shino, porém o shifter já desaparecia ligeiro, roubando qualquer chance de continuar o diálogo!

Pois bem, paciência era uma de suas qualidades. Deixaria as coisas rolarem, afinal, não podia fazer nada mais além disso!

Precisou de pouquíssima paciência para matar a charada, verdade seja dita. No terceiro dia, desconfiando que seria novamente observado, Shino descobriu o motivo que guiava o shifter até a sua presença. E foi algo inusitado.

— Yo! — o cumprimento atraiu a atenção do rapaz quando ele estava prestes ter uma pausa para descanso.

— Olá. Tudo bem? — resolveu ir um pouco além na parte social. Não comentou sobre o encontro na escola, não era como se tivesse muitos amigos para poder contar algo incrível assim. Seu pai ainda não tinha voltado. Então era um segredo somente seu.

— Tudo bem! — o desconhecido respondeu. Deu a impressão de que iria embora de novo, mas a voz de Shino o manteve no lugar.

— Meu nome é Shino, Aburame Shino.  E o seu?

O shifter hesitou um pouco. Por um instante Shino acreditou que ele simplesmente daria as costas e iria embora, mas ele sorriu e respondeu:

— Kiba! Inuzuka Kiba.

— Prazer em conhecer, Kiba.

— Ah, o prazer é meu também — ele voltou a sentar-se no galho, parecendo desistir de ir embora — O que é aquilo ali...?

Apontou na direção das coisas de Shino, empilhadinhas no chão junto ao tronco de uma árvore.

— Minha mochila.

A resposta pouco criativa fez Kiba girar os olhos.

— Não, besta. Eu quero saber o que é que você está comendo. Eu senti o cheiro de longe, mas não reconheci o que é.

Tudo se encaixou como as peças perfeitas de um quebra-cabeças. Shino compreendeu que o almoço que vinha trazendo naqueles três dias foi a isca que atraiu o shifter.

— Curry — respondeu. Ele preparou em quantidade muito grande. Sobrou para mais de um dia, então trazia comida requentada para os treinos. Talvez shifters não conhecessem o prato estrangeiro.

— Curry?

— Quer experimentar? — ofereceu.

Shino viu a luta interna que Kiba travou. O rosto era uma mistura de curiosidade, expectativa e receio. Talvez não fosse tão fácil para um shifter se aproximar de um humano, principalmente de um que mal conhecia.

Segundos se passaram sem que ele respondesse, tentado ao extremo em aceitar a comida, embora as regras claras de sua raça proibissem contato com seres humanos.

— Não vou machucá-lo — Shino garantiu — Se estiver com medo posso deixar meu bento aqui e você pega quando eu for embora.

A frase deve ter soado muito ofensiva. Porque Kiba inflou feito um balão e o sorriso desapareceu.

— Cla-claro que eu não tenho medo de você. Se eu quiser te derroto com um único golpe!

Shino ergueu as sobrancelhas. Sabia que shifters eram mais rápidos e mais fortes do que humanos. As chances de ser vencido eram reais.

— Por favor, não me machuque — o pedido foi uma espécie de acordo de paz. Acariciou o ego do shifter que voltou a sorrir.

— Não vou te machucar! — Kiba saltou da árvore, seguido de perto por Akamaru.

Aproximou-se tentando parecer descontraído mas, apesar de jovem, Shino era capaz de ver a tensão por baixo de cada movimento. O outro garoto estava muito atento ao ambiente, pronto para qualquer reação em caso de um ato suspeito vindo do humano.

Evitando gestos bruscos, Shino foi até a própria mochila e pegou o bento, que ainda estava um pouco morno, entendendo-o na direção de Kiba, junto com um par de hashi.

A curta distância que os separava foi vencida em dois passos. O interesse na iguaria desconhecida varreu qualquer precaução que o shifter pudesse ter (fato que não se aplicava ao ninken, pois Akamaru continuava com as orelhas bem eretas e os olhos fixos no humano). A tampa foi retirada e o curry aspirado com prazer.

— O cheiro é bom! — Kiba exclamou com os olhos brilhando. Passo a língua pelos lábios, salivando em antecipação — Posso mesmo?

— Claro — Shino confirmou.

Então Kiba atacou a comida, provando de algo saboroso que viria a se tornar um de seus pratos favoritos. Em segundos o curry desapareceu do bento, devorado antes do arroz branco, mas nada foi desperdiçado. Nem mesmo um grãozinho branco. Ele comeu de pé mesmo, pouco interessado em sentar.

— Isso é uma delícia! Você que fez? — perguntou para Shino, com arroz nas bochechas.

— Sim, foi eu.

— Obrigado! — devolveu o bento vazio e o par de hashi numa postura muito mais descontraída e relaxada do que antes. A boa comida serviu como garantia de que Shino não oferecia perigo em vias de fato.

— Por nada — o rapaz humano teve uma súbita inspiração — Posso trazer mais amanhã. Você quer?

— Quero! — Kiba nem hesitou — Ah... eu sou um shifter, acho que você não notou isso. Você tem cheiro de humano, dá pra sentir de longe. Não precisa ter medo de mim.

— Tudo bem. Não terei.

Kiba sorriu e acenou. Saltou escalando a árvore em que Shino colocara as próprias coisas e desapareceu por entre os galhos. Akamaru latiu e seguiu o garoto, indo tão ágil quanto o shifter.

Em silêncio, Shino assistiu. Depois voltou os olhos cobertos pelos óculos de sol para o bento vazio em suas mãos. Não podia acreditar na loucura daqueles últimos dias. Não apenas encontrou um shifter, mas interagiu com ele e até o alimentou!

Nunca teve interesse em se aproximar de tais criaturas. Mas agora que aconteceu, tornou-se curioso. Quis saber mais sobre o tal Inuzuka Kiba que ousara entrar em contato por causa de comida!

Falando em comida, o curry tinha acabado.

Precisaria chegar em casa e preparar mais.

Shino acabou perdendo interesse em continuar treinando. Juntou os poucos pertences e voltou para casa, para fazer mais arroz e cozinhar a carne com molho.

Começava assim uma inusitada amizade, que logo se transformaria em algo a mais, unindo dois jovens tão diferentes, levando-os até a triste noite fria em que a pura neve se mancharia de sangue, e dor poderia se tornar o derradeiro acorde de inverno.

 

I just wanna be with you

Right here with you, just like this

 

Shino&Kiba

Notas Finais:


Música Tema: I Don't Want to Miss a Thing (Aerosmith)


Divulgação:

Página FNS

Grupo FNS


Quarta-feira tem mais. Serão 03 partes no total. Obrigada por apoiar o ship ♥

28 de Novembro de 2018 às 11:29 2 Denunciar Insira 1
Leia o próximo capítulo ... that I want to keep...

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Karina Mello Karina Mello
Eita! Já estou ansiosa pelos próximos capítulos 😊 Kiba como sempre tão dado kkkk Eu amo essa paciência do Shino com Kiba tão romântico 😍😍
28 de Novembro de 2018 às 20:00

  • Kaline Bogard Kaline Bogard
    Huahsuasha colocou comida no meio, Kiba se rende fácil! Essa paciencia é algo que faz do Shino um ótimo professor! E a pessoa perfeita pra lidar com o Kiba ♥ Obrigada 29 de Novembro de 2018 às 03:28
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