Pelas Estações Seguir história

senhorasolo Elane Santiago

Jyn não tinha dúvidas que Cassian era o grande amor da sua vida, e não foi o tempo que disse isso. Ele sabia que ela era a mulher que ele queria para a vida, pois não havia um dia do resto dos seus anos que ele conseguisse imaginar sem ela.


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#258 #cassian-andor #jyn-erso #star-wars #rebelcaptain #jassian #fanfic
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Outono é a nossa estação favorita

+ Na primeira vez que a viu, ela tinha o cabelo comprido e era outono.

Lembra-se bem da rajada de vento que espalhou as folhas secas que trabalhou boa parte da manhã ajuntando. Ela passava na rua no momento, e, talvez por obra do destino – se ele acreditasse nessas coisas – o vento carregou as folhas justamente na direção dela.

Foi uma visão engraçada. Ele recorda-se de rir da estranha se debatendo para tirar as folhas secas de seu rosto e do cabelo. Ele pediu desculpas, mas ela respondeu que ele não tinha que fazer isso, pois não podia controlar o vento. Ambos riram; era verdade. Mas foi uma boa desculpa para se falarem.

Ela era linda. Estava usando uma calça jeans azul escura, com uma blusa preta e uma parka verde musgo; parecia estar indo a algum compromisso, pois estava bem arrumada e maquiada. Mas os seus olhos eram duas esmeraldas que não seriam jamais esquecidos por ele. Não resistiu a elogiá-la. Ela sorriu com o elogio, agradeceu-o e despediu-se.

Procurou-a, nas semanas seguintes, pelo bairro. Para ela aparecer por ali, poderia ser uma vizinha nova. No entanto, não viu mais a mulher.

 

Na segunda vez que a viu, era inverno e ela tinha cortado o cabelo.

Ele tomou o mesmo elevador em que ela estava no prédio em que ele trabalhava. Já tinha se esquecido dela, mas eles reconheceram-se tão logo se reencontraram. Dessa vez ela usava roupas mais quentes, mas trazia o casaco pesado no braço. Cumprimentou-a e fez o mesmo elogio de antes; reforçou-o em sua língua materna, o espanhol, de que era linda e não que estava linda.

A mulher britânica – característica que ele havia notado no primeiro encontro, todavia esqueceu-se – não compreendeu e replicou-lhe estar lisonjeada após receber a tradução. Comentou que ele era o primeiro mexicano que ela conhecia pessoalmente. O homem redarguiu que estava honrado por saber disso e novamente riram.

Então repararam que não conheciam o nome um do outro.

— Chamo-me Cassian — informou ele. — Cassian Andor.

— Prazer em conhecê-lo, Cassian. Sou Jyn Erso — respondeu ela. Estendeu a sua mão para apertar a dele, mas Cassian segurou gentilmente seus dedos e virou a palma para baixo, beijando o dorso da mão dela rapidamente.

— O prazer é meu, Jyn. Você possui um lindo nome.

— Obrigada — respondeu com um sorriso, disfarçando o rubor nas bochechas virando a cabeça para frente.

O elevador parou no oitavo andar e ele anunciou que ela ali que sairia.

— Que tal tomarmos um café, qualquer dia desses? — ele sugeriu.

— É uma ótima ideia — ela disse. Abriu a bolsa e retirou um bloco de notas e uma caneta, anotou seu telefone e entregou para ele. — Me ligue.

— Ligarei — assegurou.

 

Na terceira vez em que a viu, ainda era inverno e a barba dele havia crescido.

Combinaram de se encontrar numa cafeteria perto do local onde ele trabalhava. Conversaram bastante, ele soube o que o ela fazia da vida. Jyn era uma artista plástica. Isso o admirou muito. Contou que trabalhava principalmente com materiais reciclados, mostrou no celular algumas imagens de esculturas que fez e quadros que pintou com tintas ecológicas.

Ela acabou emendando o assunto da importância da ecologia, do cuidado com o meio-ambiente, reciclagem do lixo e afins. Mal percebeu que estava tão envolvida naquele assunto porque Cassian não a interrompeu em nenhum momento. Ele não sabia ainda, mas ela tinha dificuldade de conversar com as pessoas e de confiar nelas, porém, falar sobre estes assuntos sempre a empolgava e ele a deixou confortável o suficiente para se abrir; só mais tarde notaria o quanto estava à vontade com ele.

Cassian pensou em como alguém tão bonito por fora como ela, podia ser também linda por dentro, e ainda produzir coisas realmente magníficas de se admirar.

Enquanto ela falava com paixão do seu trabalho, Cassian soube que havia se apaixonado por ela, aquela mulher única e maravilhosa.

— Desculpe-me, acabei me empolgando e nem deixei você falar — ela disse após dar-se conta que apenas ela estava falando.

— Eu não me importo — ele retrucou. — Quando você falava sobre as coisas que ama, a vida pareceu fazer sentido para mim.

Até ele se admirou da sinceridade daquelas palavras que usou. Devia estar parecendo um bobo querendo ganhá-la com palavras bonitas.

— Desculpe, pareço um idiota.

— Não, não parece.

Ela também sabia que estava apaixonada. E ao contrário das outras vezes em que se apaixonou na vida, ela não negou para si mesma. Cassian não era perfeito, mas parecia perfeito para ela. Jyn não era a mulher que ele idealizou em seus sonhos, mas era mais do que ele podia esperar algum dia amar.

Aquele inverno foi, ironicamente, o mais caloroso de suas vidas.

 

A primavera chegou e com ela veio o momento mais feliz da vida deles até então.

Sabia que era muito cedo ainda. Cedo demais, para falar a verdade. Mas Cassian sabia que ela era a mulher da sua vida e queria passar o resto de seus dias ao lado dela. No entanto, por receio, ele guardou aquilo para si e deixou que relacionamento deles evoluísse naturalmente.

Ela nunca foi tão íntima de alguém como era com ele. Cassian a fazia tão bem e era tão bom para ela, que ela era grata por tê-lo conhecido. Eles estavam juntos há pouco tempo, mas ela já o amava. Praticante do carpe diem, não procurava pensar no futuro. Vivia aquela paixão a cada dia como se fosse o primeiro e o último.

Qualquer um que os visse juntos sabia que eram feitos um para o outro, como duas peças de quebra-cabeça que se encaixam perfeitamente uma na outra.

 

Com o verão, ela cortou ainda mais o cabelo e fez uma franja, enquanto ele adotou por definitivo a barba.

Nesse período vieram os primeiros problemas, mas nada que danificasse aquela fantástica conexão que existia entre os dois. Eles se conheceram melhor, puderam perceber os defeitos um do outro, o que ela não gostava nele, o que ele detestava nela. Mas nem isso diminuiu o amor entre eles. Porque aprenderam o que o amor era e o que significava, que aquelas coisas faziam parte, que um relacionamento não é perfeito, nem um conto de fadas, mas autêntico, real e fiel quando existe entrega e cuidado.

Jyn aprendeu a amar os defeitos de Cassian antes mesmo de o verão acabar. Ela não conseguia viver sem aquele jeito implicante dele, sem suas provocações e mania de organização. Da parte dele, a mulher que amava não podia ser – justamente – a mulher amava sem sua chatice e desorganização, sem seu gênio difícil. Ambos eram teimosos e tinham a personalidade forte.

No último mês daquela estação, ele disse que a amava pela primeira vez. Antes estavam satisfeitos apenas com as atitudes, nenhum dos dois sentia necessidade e nem obrigação de declarar verbalmente o que já sabiam em seus corpos, mentes e almas. Entretanto, foi justamente por esta certeza já enraizada, que ele tão naturalmente declarou que a amava e que a adorava após fazerem amor.

Ela sabia. Sempre soube, desde o encontro no café sabia.

— Eu também me amo — ela respondeu em tom de brincadeira.

Ele riu. Sua risada era adorável. Jyn o acompanhou rindo também, antes de beijarem-se mais uma vez. Quantas vezes já haviam se beijado naquela noite? Não tinha a mínima noção. Faziam isso a cada instante; era uma necessidade, como respirar.

— Eu amo você, Cassian — disse.

— Poderia até dizer que me amo também, porque não é mentira, mas aí seria repetitivo — redarguiu.

— Seu idiota! — Bateu o travesseiro na sua cabeça.

— Ah, e é assim? — Atacou-lhe com cócegas que a fizeram gritar.

— Pare! — Gritava e ria, tentava se esquivar e afastar as mãos dele de sua barriga.

Quando enfim conseguiu escapar dele, correu para fora do quarto. Ele veio atrás. Iniciaram uma espécie de pique-pega desajeitado pela casa dele. Ambos estavam nus, rindo, correndo, gritando, tome nota, às duas da manhã.

— Chega Cassian, vamos acordar os vizinhos desse jeito — ela disse. A mesa da sala de jantar estava entre eles, do outro lado Andor ainda tentava pegá-la. Ele ia para um lado, ela ia para o outro.

— Dane-se! Eu não ligo. — Correu para um lado, Jyn para o outro. Ele já sabia que ela faria isso e mudou para o lado que ela foi. Sem alternativa, ela correu para o corredor, de volta para o quarto, mas ele a alcançou antes de chegar à porta. — Te peguei!

Ela gritou de novo. Mais cócegas que ela bateu nele para que parasse.

— Você não sabe brincar — ele reclamou.

— Eu não gosto de cócegas.

Cassian revirou os olhos e entrou no quarto. Ela foi atrás dele. Pegou uma toalha no guarda-roupa e entrou no banheiro. Estava insuportavelmente quente aqueles dias. Ademais, a brincadeira deixou-o suado. Não demorou muito para ela entrar na ducha junto com ele, assim como não custou muito tempo para estarem se agarrando dentro do box do banheiro.

Pela manhã ela não foi embora. Era domingo e passariam o dia todo juntos antes de Jyn ir para sua casa. Estavam deitados no sofá da sala, assistindo um programa de auditório na televisão.

Cassian adorava aquilo. Eram tão cúmplices, tão íntimos. Poderia ficar ali com ela o tempo todo que não se cansaria disso. Ok, admitia que trocaria a posição de vez em quando, porque seu braço já estava cansando, mas isso era fácil de se resolver.

Simplesmente não queria que ela fosse embora. Queria que ficasse, que estivesse com ele debaixo do mesmo teto definitivamente, e não só quando ele ia ao seu apartamento ou ela ia à sua casa.

— Jyn? — chamou-a.

— Sim?

— Estive pensando, e quero que venha morar aqui comigo. — Foi direto ao assunto.

Jyn sentou-se. De repente Cassian temeu a reação dela.

— Morar com você aqui? — perguntou.

— Não, debaixo da ponte. — Ela deu uma tapa no braço dele. — Estou brincando.

— Não podemos.

— Por que não?

— Eu não fui criada dessa forma, Cassian.

— Não compreendo. — Sentou-se também. — De que forma?

— Meus pais, eles eram muito conservadores. Não é de bom tom morar com você não sendo sua esposa.

— Fez muito sentido essa justificativa — replicou ironicamente. — Minha nossa, você dorme aqui, eu durmo na sua casa, mas você não pode morar comigo porque não somos casados. Realmente, faz muito sentido.

— Para! — Empurrou-o levemente. — Você sabe que não é isso.

— Jyn, eu te conheço o suficiente para saber que você não se importa com isso — disse seriamente. — O problema é o seu pai, não é? — O silêncio dela foi a resposta. — Sabe que ele não vai aprovar.

— Por ele não tinha nem saído de casa — admitiu.

— Por que não nos casamos então? — ele propôs.

— Cassian... — Arregalou os olhos, sem acreditar no que ele acabara de dizer.

— Há muito quero falar de casamento com você, agora vi uma oportunidade. — Ela não conseguiu dizer nada, mas estava atenta a cada palavra que ele proferia. — É tudo que eu mais quero, e não pense que estou fazendo isso para entrar no padrão do que é correto para o seu pai. E se você não quiser aceitar, eu vou entender. Não vou lhe pressionar, não vou ficar raiva. Ou, sei lá, podemos esperar mais, eu só não quero que se afaste de mim.

— Sim — disse ela.

— Sim o que? — perguntou confuso.

— Sim, eu aceito me casar com você.

— Sério? — Ela assentiu e ele colocou as mãos na cabeça, abrindo a boca sem conseguir proferir nenhuma frase. Ela riu achando-o engraçado.

 

O outono finalmente veio e eles viajaram para o interior, para Cassian finalmente ser apresentado a Galen Erso. Ele havia deixado o cabelo crescer um pouco nos últimos meses, mas barbeou-se naquele dia especialmente para conhecer o futuro sogro. Jyn ainda mantinha os cabelos curtos e cortava regularmente a franja.

Ela estava linda com um chapéu preto e uma calça de sarja marrom com uma jaqueta preta; usava o anel de noivado no dedo anelar da mão direita. Cassian estava tentando passar a imagem de não tinha se arrumado demais e que era sempre bem-apessoado; vestiu calça jeans e camiseta social com blazer.

Estava receoso, Galen poderia não gostar dele. Não sabia ele que o velho Erso tinha também o receio de não gostar no noivo da filha e decepcioná-la por isso. Mas acabou que os dois homens se deram muito bem.

 

Também naquele mesmo outono, fez-se um ano que se conheciam.

Era engraçado pensar que tudo começou por culpa do vento e de umas folhas secas. Que se não fosse por aquele dia que ela passou em frente à sua casa e o encantou com seus olhos de esmeralda, eles nunca viveriam aquele amor.

Jyn não tinha dúvidas que Cassian era o grande amor da sua vida, e não foi o tempo que disse isso. Ele sabia que ela era a mulher que ele queria para a vida, pois não havia um dia do resto dos seus anos que ele conseguisse imaginar sem ela.

Casaram-se no outono seguinte. Podiam esperar até menos, pois na primavera já tinham tudo relacionado ao casamento organizado. As coisas de Jyn já estavam na casa nova que compraram juntos, o resto que não precisava foi vendido. Mas decidiram estender mais, queriam que a cerimônia acontecesse no outono porque era a estação favorita deles.

Por essa razão, Jyn e Cassian inventaram uma reforma na casa nova. Fizeram dois quartos há mais, aumentaram a cozinha, realizaram pequenas melhorias na fiação e iluminação da casa, reformaram a garagem, aumentaram-na para poder comportar até dois carros, criaram um estúdio para Jyn e também um jardim na parte da frente da casa.

  Quando o outono finalmente veio, realizaram o sonho de unirem-se. Todos os seus amigos e parentes próximos estavam lá. Apesar de não ser uma cerimônia pomposa, foi muito bonita.

Assim que os Andor-Erso puseram o pé no jardim de sua casa, eis uma surpresa. Uma rajada de vento espalhou as folhas secas do monte de folhas em que duas crianças brincavam. Dessa vez, Jyn não foi acertada pelas folhas, mas foi impossível não relembrar aquele momento enquanto assistiam o casal de irmãos rindo com as folhas secas voando e correndo atrás delas.

As crianças pararam quando descobriram o casal observando-os. A menina apontou para o irmão que eles pareciam uma princesa e um príncipe, correu até eles e o seu irmão mais velho veio junto.

— Nossa, você parece uma princesa! — disse a menina.

— Obrigada — Jyn agradeceu.

— Você é uma noiva? — perguntou o menino.

— Acabamos de nos casar na verdade — respondeu Cassian.

Os irmãos arregalaram os olhos. A mãe apareceu para chamá-los, mas ao ver o casal, desejou felicidades a eles, que agradeceram. Depois entraram na casa; a limusine ainda os esperava do lado de fora.

Trocaram de roupa, pegaram as malas e voltaram, para serem levados até o aeroporto, onde embarcariam para o México para a lua-de-mel. Jyn procurou as crianças com os olhos, mas não os viu mais. Não conseguiu tirá-las da cabeça durante toda a viagem, pensava na forma como elas brincavam com as folhas secas justo quando eles chegaram.

Cassian notou a esposa pensativa. Conhecia bem Jyn para saber o que ela estava pensando, mas não quis tratar daquilo naquele momento. Uma coisa de cada vez, ele pensou consigo mesmo.

O fato é que Jyn também deixou para lá aquele assunto. Os dois seguiram com suas vidas e aquilo foi esquecido.

A vida era normal para eles. Viviam um dia de cada vez, cada um cuidando das próprias coisas e trabalhando como se a única novidade era que agora estavam casados. Havia as partes ruins, como em todo casamento, mas no geral, o que tinham era o que consideravam como a autêntica felicidade: não a ausência da tristeza, da raiva, da frustração, das decepções, mas quando as coisas boas fazem todas as demais ruins valerem a pena serem enfrentadas, suportadas e ignoradas.

Mais três outonos e eles decidiram que queriam ser pais. Passaram algum tempo tentando até que Jyn finalmente engravidou. Nunca estiveram tão felizes! E foi no verão, com cinco meses de gestação, que Jyn notou que o bebê nasceria no final do outono.

Cassian juntava as folhas secas num monte no quintal de casa quando ouviu Jyn gritar por ele. A bolsa havia estourado, o bebê – era um menino – estava para nascer e ela já sentia as dores do parto. Nasceu poucos dias antes de completar nove meses, mas completamente saudável e os pais deram-lhe o nome Graham.

— Os cabelos dele são escuros, como os seus — disse Jyn, segurando o pequeno Graham nos braços, no quarto da maternidade.

— Ele tem seus olhos, querida — comentou Cassian.

— Ele é perfeito.

— Tem certeza? Achei o narizinho dele meio torto.

— Você não muda! — Riu.

— E teria graça se fosse diferente? — ele perguntou.

— Nenhuma. — Sorriu para o marido, que a beijou.

— Eu te amo, Jyn.

— Eu te amo, Cassian. — Olhou para o filho. — E nós te amamos.

— Para todo o sempre — completou ele.

Aquele amor forte, intenso e genuíno perpetuou-se pelas estações.

 

“Amor é dado de graça
É semeado no vento,
Na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
E a regulamentos vários.
 
Eu te amo porque não amo
Bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
Não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
Feliz e forte em si mesmo.”
- Carlos Drummond de Andrade
27 de Novembro de 2018 às 01:13 0 Denunciar Insira 3
Fim

Conheça o autor

Elane Santiago Não sei como vim parar aqui. Só queria viajar na TARDIS ao lado do 8º Doutor, conquistar Westeros com meu sabre de luz, me juntar aos Vingadores depois de ter reunido todas as esferas do dragão e conhecido os Beatles. Mas virei uma escritora fracassada viciada em café.

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