Flores para Wonhee Seguir história

wonhoslamen ryua .

onde kihyun acaba confessando seus sentimentos para wonhee da maneira mais inusitada possível. (kiho | fluffy ♡ fem!wonho ♡ one shot)


Fanfiction Todo o público.

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Camélias e tempestades.

A primeira coisa que notou ao abrir a porta de vidro logo de manhã foi a imensidão da cor rosa que se fazia presente. Pôde perceber com alegria que as camélias finalmente haviam florescido. Havia sido um pouco dificultoso criá-las com êxito, uma vez que elas precisavam de um bom ambiente para crescer e as ervas daninhas haviam dado uma bela dor de cabeça à Kihyun.


Sorriu satisfeito ao ver as flores que haviam desabrochado tão belamente e deixou sua bolsa atrás do balcão onde geralmente Minji ficava, indo trocar-se para poder, enfim, começar a trabalhar.


Yoo Kihyun era apenas um jardineiro qualquer de 21 anos. Trabalhava em um Jardim Botânico em tempo integral durante a semana, e aos sábados e domingos, cuidava de seu próprio jardim em casa. Podia-se dizer que Kihyun era um grande amante da natureza e ele não negava. A verdade era que havia começado a desenvolver seu amor por plantas desde pequeno. Sua mãe costumava ser uma ótima florista, fazia belos arranjos e cuidava de um grande jardim nos fundos de casa, e isso de certa forma havia influenciado muito em seu gosto. Ele viveu em uma parte mais rural durante a infância, e por isso, o cultivo de flores e plantas dos mais diversos tipos era algo comum do cotidiano. Cresceu envolto a este ambiente natural, e mesmo hoje ainda se apegava demais a ele, por isso denominava-se um verdadeiro amante de flores – e não ligava para quem o julgasse por isso.


Todos os dias fazia o mesmo caminho de sua casa até o trabalho, às vezes intercalando para a sorveteria ou o supermercado, e estava satisfeito assim. Sua vida era pacata, mas divertida à sua forma.


Terminou de amarrar o avental marrom em sua cintura e pegou as ferramentas, indo até as flores coloridas que cresciam em uma das paredes laterais da grande estufa totalmente coberta por japoneiras, que davam camélias das mais variadas cores – rosadas, matizadas, brancas, vermelhas, e até mesmo as raras amarelas, que cresciam mais no canto, perto do chão. As camélias fizeram parte da sua infância também, por isso tinha um grande carinho por elas e gostava de podá-las cuidadosamente. A camélia é uma bela flor. Há quem diga que a falta de perfume torna-a menos interessante, mas Kihyun discordava. Sem perfume, mas também sem espinhos; suas formas e cores as tornavam ainda mais belas de uma forma própria.


Estavam em setembro, o que significava que a primavera havia chegado. O chão dentro da estufa cobria-se de pétalas e as flores pareciam ainda mais coloridas e aromadas. As camélias rosadas estavam em maioria, então Kihyun colheu algumas para depois plantá-las cuidadosamente em um pequeno vaso branco decorado. Por ter uma mãe florista, o garoto também havia herdado um pouco de seus dotes. Arrumou-as de forma com que elas pudessem crescer livremente e deixou o pequeno papel cor-de-rosa dobrado junto a ela. Apenas esperaria Minji chegar para poder entregá-la.


A verdade era que Kihyun nutria um amor platônico por Lee Wonhee, a garota que trabalhava na sorveteria próxima ao Jardim Botânico.


Quando a viu pela primeira vez, apenas parada ali em toda sua plenitude, havia sentido um arrepio passar em seu corpo. Ele estava sentado no banco e ela encostada-se à placa do ponto de ônibus, enquanto conversava com uma garota ruiva também muito bonita, mas o Yoo não deu a mínima para esta.


Ao encará-la, Kihyun parecia ter corrido uma maratona sem sequer ter saído do lugar. Como alguém podia fazer seu coração bater tão forte assim? Sentiu-se tonto quando ela sorriu e por um momento tocou o céu quando sua risada ecoou pela rua, precisando de muito esforço para não sorrir junto por ser uma risada tão contagiante.


Ele costumava a observá-la de longe, descobrindo algum tempo depois que ela trabalhava na sorveteria do outro lado da rua. Desde então, passou a frequentar o lugar com mais frequência durante seus intervalos no trabalho, secretamente a observando enquanto estava ali. Ele sempre se sentava à mesa dos fundos, onde podia encará-la sem deixar muito óbvio, pois havia uma televisão pequena logo em cima de sua cabeça, então sempre que sentia que iria ser pego no flagra, desviava os olhos da garota para a TV.


A sorveteria era um lugar pequeno e simples, com a típica decoração americana – como toalhas vermelhas quadriculadas, paredes coloridas, vários quadros na parede de ícones da pop art, e uma decoração meio retrô. Até mesmo os uniformes das atendentes eram o mesmo tema, sendo ele uma saia plissada branca, com uma blusa vermelha e um lenço também branco amarrado no pescoço. Kihyun particularmente gostava de como as pernas curtas da garota ficavam bonitas embaixo da saia branca, fazendo contraste com a pele também clara, e de como seus pés pareciam ainda menores dentro das sapatilhas vermelhas.


Ele não tinha ideia de como falar com ela sem se enrolar, sua timidez não o deixava se aproximar muito, e até mesmo na hora de fazer um pedido acabava se perdendo na própria fala.


Mas então surgiu Minji, com seu sorriso encantador, olhos brilhantes e um ego enorme.


Minji era a colega de trabalho de Kihyun, uma garota animada e sem nenhuma vergonha. Falava alto e fazia o que queria, sem se importar com o que iriam pensar de si. Seu hobby favorito era fazer piadinhas com Kihyun sobre sua paixão, quando, na verdade, havia sido ela quem havia dado a ideia brilhante de presentear Wonhee com flores.


Todos os dias, Kihyun montava um vaso diferente com flores diferentes para presentear a garota. Ele fazia um arranjo bonito, plantava a flor e deixava um bilhete junto ao laço do vaso, geralmente com um poema bonito e/ou um elogio tímido.


Então, quando Minji chegava ao trabalho, entregava o vaso a Joohye – Sua namorada, que também trabalhava na sorveteria e era amiga de Wonhee. Joohye deixava o vaso junto às coisas da colega e ria baixinho de longe ao vê-la suspirar e sorrir contente ao ver os arranjos tão bonitos em seu armário, comentando o resto do dia o quanto eram bonitos e o quanto ela desejava saber quem estava por trás daquilo tudo.


Kihyun nunca havia, de fato, se declarado, não tinha coragem para tal. Minji vivia lhe impulsionando para tal, mas ele não conseguia ainda. Talvez um dia viesse a acontecer, mas por enquanto ele apenas se contentava em observá-la as espreitas e elogiá-la anonimamente.


Naquele dia em especial, não havia sido muito diferente.

Minji chegou, pegou o vaso com as camélias e entregou para Joohye, despedindo-se em seguida e indo colocar sua mochila junto à de Kihyun. A garota alcançou o avental preto e o amarrou nas costas, sorrindo.


– E aí, já viu sua namorada hoje? – Perguntou, começando com as provocações, e Kihyun revirou os olhos enquanto aguava algumas flores que desabrochavam.


– Logo cedo, Min? Você não cansa? – Reclamou, mesmo que houvesse um pequeno sorriso de canto em seus lábios. A garota riu colocando as mãos na cintura e o observou com um olhar desdenhoso.


– Na verdade não. É sempre legal te deixar envergonhado. – Disse dando de ombros e riu em seguida, fazendo Kihyun rir também.


Apesar de ser meio irritante às vezes, Minji era uma boa amiga, sempre aumentando seu astral com suas piadas a todo momentos, principalmente nos inadequados. Quando estava de bom humor até mesmo ajudava o garoto com suas crises existenciais.


E, bem, quando não estava, apenas o deixava falando sozinho, dizendo que ele estava fazendo drama. Seria cômico se não fosse trágico.


Mas em geral, nutriam uma boa amizade, saindo da fase “apenas colegas de trabalho” para algo bem maior. Eles eram grandes amigos, e apesar dos apesares, Kihyun não a trocaria por nada.


(♡)


Aquele dia se passou calmo e tranquilo, como todos os outros.


Ao final do expediente, Minji já estava cansada, mas Kihyun não parecia querer sair dali tão cedo, como usual. Em alguns dias, o Yoo gostava de ficar até mais tarde no trabalho, cuidando de detalhes pequenos que eram quase irrelevantes, mas totalmente importantes para ele.

Apesar de gostar bastante de flores, Minji nunca entenderia de fato aquele fascínio do melhor amigo pelas plantinhas coloridas.


– Tem certeza que quer ficar? – Insistiu a amiga enquanto colocava a blusa de frio. – Parece que vai chover hoje.


– Tudo bem, Min, eu não me importo, você sabe. Gosto de ficar aqui. – Ele disse dando de ombros, enquanto calmamente varria o chão pela segunda vez naquela mesma tarde.


– Bem, você quem sabe. – Jogou o capuz na cabeça, sabendo que não adiantaria discutir e colocou a bolsa nas costas. – Eu já vou indo, não esqueça o guarda-chuva. Até amanhã, Ki! – O garoto acenou, desejando uma boa volta para casa à amiga e em seguida voltou a recolher a sujeira.


Espiou rapidamente pela janela e viu que o tempo estava realmente começando a fechar. O sol já não estava mais lá, e nuvens carregadas pairavam, como se estivessem esperando o momento certo para derramar toda aquela chuva. Mas bem, ele não se importava de fato. Por ele, se pudesse, passaria o resto da vida dentro daquele lugar.


Porém, diferente do que estava pensando, não demorou muito a começar a chover. Começou devagar, uma pequena garoa, e ele não se preocupou tanto. Mas quando estava começando a considerar ir para casa, a tempestade começou.


Apesar de ter corrido para fechar todas as portas e janelas, deixando tudo protegido, o frio dentro da estufa ainda era grande, o forçando a vestir sua blusa de moletom, e pela janela, viu que a ventania lá fora só deixava o cenário ainda mais caótico.


O barulho da tempestade no telhado o deixava ligeiramente assustado, mas o aroma das flores o deixava relaxado na mesma proporção.


Espiou novamente a janela e cerrou os olhos ao ver um pontinho colorido em meio aquela chuva. “Que tipo de pessoa se arriscaria nessa chuva horrenda?”, pensou ao reconhecer o formato de um guarda-chuva.


Porém, arregalou os olhos aos reconhecer a estatura pequena e os cabelos curtos, não demorando a correr até a porta e abri-la rapidamente, recebendo alguns respingos de chuva no rosto.


– Wonhee! – Gritou o mais alto que pôde para tentar ser ouvido acima do barulho da chuva. A garota olhou perdida para os lados, tentando reconhecer de onde a voz viera, e correra até a estufa após conseguir enxergar Kihyun acenando para tentar conseguir sua atenção. Ele abriu espaço para que ela passasse, fechando a porta logo após.


– Oh, você está bem? – Perguntou por força de hábito, porque a garota claramente não estava. Os cabelos negros estavam molhados e grudados em seu rosto, as roupas estavam encharcadas, sua pele estava fria como gelo e ela tremia muito. – Está toda encharcada! Vou pegar uma toalha, vem comigo.


– E-Eu tive que ficar até mais tarde no trabalho hoje – Comentou ela enquanto o seguia pelo corredor extenso até o quartinho dos funcionários. Seus lábios estavam roxos e tremiam, sua voz saindo com dificuldade. – Não esperava que fosse chover tanto assim.


– Essa chuva foi realmente uma surpresa. – Respondeu, pegando duas toalhas do armário e a oferecendo. – Por um acaso você tem roupas extras? – Perguntou, percebendo que ela ainda usava o uniforme de trabalho. Ela assentiu em resposta, olhando em volta enquanto esfregava os braços. – Bem, tem um chuveiro ali. É pequeno, mas pelo menos é o suficiente pra tirar a água gelada do corpo. – Apontou o pequeno banheiro no canto da sala onde estavam e ela sorriu em agradecimento. Encaminhou-se até lá, a mochila molhada em forma de urso balançando nas costas.


Kihyun suspirou assim que a porta fechou, dando-se conta da situação em que estava. No desespero em deixá-la bem e aquecida, acabou esquecendo momentaneamente de seus sentimentos, que voltaram com tudo assim que ele se sentou no sofá pequeno que havia ali. Droga, porque ela tinha que ser tão bonita e mexer tanto com o seu coração?


Queria tanto poder cuidar dela, abraçá-la e protegê-la do frio… Bagunçou os cabelos, irritado. Seria tão mais fácil se ele tivesse coragem em admitir seus sentimentos, mas não, tinha que ser um “bundão” – como dizia Minji.


Levantou-se, indo até a cozinha pequena improvisada do Jardim Botânico. O café havia acabado, mas por sorte havia sobrado um pouco de chá das ervas que colhera outro dia. Esquentou, esperando que ela gostasse.


Alguns minutos depois, o chá ficou pronto no momento em que a garota entrou na cozinha. Dessa vez ela usava uma calça jeans clara e uma blusa de moletom que parecia quente.


– Você gosta de chá? – Perguntou ele enquanto desligava o fogo e ela assentiu devagar, sorrindo um pouco. Agora que a euforia havia passado, ambos estavam tímidos e desconcertados. Eram de certa forma estranhos, já que nunca haviam conversado muito diretamente, apenas cumprimentos básicos por terem amigas como Minji e Joohye em comum. Ela aceitou a caneca que lhe foi oferecida, a segurando entre as mãos para esquentá-las enquanto seguia Kihyun novamente até o sofá.


– Acredito que nunca fomos devidamente apresentados, apenas nos cumprimentamos por educação – Comentou ela após dar um gole no chá e Kihyun se juntou a ela na risada baixa, ambos envergonhados. – Eu sou Lee Wonhee. – Disse ela sorrindo, estendendo a mão e Kihyun sorriu de volta, apertando a mão pequena e macia.


– Yoo Kihyun. É um prazer finalmente conhecê-la direito. – Disse ele entrando na brincadeira e ela riu, mostrando seus dentes branquinhos, o que fez com que Kihyun sorrisse também.


O restinho daquela tarde se seguiu bem diferente do que ele imaginava. Eles começaram a conversar e a se conhecer, e logo já estavam rindo como se fossem velhos amigos.


Kihyun se abriu mais para ela, já que a moça pouco sabia sobre ele. Contou sobre sua vida pessoal, seu trabalho e o amor que tinha pela natureza, descobrindo que ela também gostava bastante de flores.


Wonhee, por sua vez, também contou mais sobre si, dividiu alguns de seus momentos embaraçosos que vivia passando e lhe arrancou várias risadas. Ela era uma verdadeira tagarela, mas Kihyun não se importava em ouvir cada palavra de saía de sua boca. Cada segundo em que passou na companhia dela lhe fez se apaixonar ainda mais por aquela garota de olhos simpáticos e sorriso brilhante.


(♡)


– Estou preocupada com a minha florzinha – Disse ela após um tempo, depois de recuperar-se da crise de risos que tiveram. Kihyun secou os olhos e ela apoiou os pés pequenos cobertos por meias em cima do sofá, abraçando os joelhos contra o peito. Kihyun teve vontade de apertá-la, tamanha a fofura. – Acabei esquecendo-a no trabalho, não vou poder aguá-la durante a noite...


– Como assim?


– Ah – A garota corou, escondendo parcialmente o rosto entre os joelhos – Eu tenho… Digamos que um admirador secreto. Todos os dias ele me manda flores e bilhetes fofos, e eu sempre levo elas pra casa e planto no meu jardim. – Ela contou com um sorriso e por um momento Kihyun ficou tenso. Ele forçou um sorriso e se endireitou no sofá.


– Oh! É mesmo? E… Esse admirador… Você não faz nem ideia de quem seja? – Perguntou, engolindo em seco.


– Não – Respondeu ela de forma tristonha, cutucando o pequeno rasgo de sua meia. – As flores sempre estão lá quando chego ao trabalho, então nunca tive a chance de ver quem é… Gostaria de saber, admito. – Ela suspirou, sorrindo.


Kihyun admirou seus olhos brilhando e sorriu singelo. Ficou deveras tentado em contar a verdade, mas pensou que talvez aquele não fosse o momento certo. Queria fazer algo especial em sua revelação, mas não havia nada de especial em uma noite escura e chuvosa.


– Bem, espero que você descubra logo. - Disse ele sorrindo, tirando a garota de seus devaneios e ela sorriu também assentindo.


– A chuva já está diminuindo - Observou ele, após ficar um tempo em silêncio. – Deveríamos aproveitar para ir embora agora, antes que ela volte a aumentar? – Ela olhou para a janela atrás dele e assentiu, concordando. Ambos se levantaram e passaram a arrumar as coisas, preparando-se para ir embora.


Wonhee comentava algo vez ou outra, para não deixar o ambiente no maior silêncio, uma vez que havia percebido que Kihyun ainda estava tímido demais para tentar puxar assunto. Antes de partirem, porém, a garota lembrou de pedir algumas dicas ao jardineiro para cuidar de suas flores, uma vez que ela era péssima com esse tipo de coisa.


– Eu realmente não levo jeito pra isso, mas elas são lindas demais para eu deixar morrer. – Eles riram juntos e ela ofereceu o pequeno caderno que levava consigo para o trabalho, para que ele pudesse escrever algumas dicas de como plantá-las e deixá-las sempre radiantes.


A garota agradeceu, pegando o caderno de volta e franziu a testa ao olhar para as páginas em que ele havia escrito, o sorriso diminuindo um pouco. Contudo, não falou nada, apenas observou Kihyun tirar o avental e pegar a mochila, após terminar de fechar todo o lugar, para poderem, enfim, ir embora.


A chuva já havia parado, apenas um leve chuvisco caía. Kihyun abriu seu guarda-chuva, oferecendo parte dele para a garota, uma vez que o dela havia quebrado por conta do vento forte de outrora, e juntos, partiram para o ponto de ônibus que ficava logo na esquina.


Por não ser um guarda-chuva tão grande, a garota ficava encostada em si, o que fazia as bochechas de Kihyun corarem. Sua vontade era de passar o braço sobre os ombros dela, em um abraço de lado, e beijar sua bochecha macia, mas sabia que não podia. Portanto, apenas andou lado a lado com ela, até chegarem ao seu destino. Wonhee estava estranhamente quieta dessa vez, hora ou outra franzindo o cenho e olhando para os pés, como se estivesse em um conflito interno.


Kihyun fechou o guarda-chuva, agora que estavam embaixo da cobertura do ponto de ônibus. – O ônibus vai demorar um pouco, já está meio tarde e essa é uma das últimas linhas. – Comentou ele, no intuito de tentar puxar uma conversa, mas a garota apenas assentiu, sem realmente prestar atenção, encarando os tênis molhados.


Ele achou um pouco estranho, afinal, estava tudo bem até agora, mas resolveu ficar na sua também e não falou mais nada. Talvez ela só estivesse envergonhada ou com frio.


Estava mexendo nos fios desfiados da manga de sua jaqueta quando ouviu a voz baixa lhe chamando. Ele virou em sua direção e as bochechas da garota estavam coradas.


– Você é meu admirador secreto. – Disse ela, inclinando um pouco a cabeça como se questionasse.


– O… que? – Ele estava confuso. Porque isso agora? Engoliu em seco.


– Você é meu admirador secreto! – Exclamou ela, agora rindo animada, dando um passo em sua direção ao que ele deu um pra trás.


– Eu… Eu n-não…


– Não adianta negar! No momento em que vi suas anotações no Jardim Botânico eu suspeitei. Eu reconheceria sua caligrafia em qualquer lugar. – Kihyun quis se bater. Os bilhetes. É claro que ela reconheceria sua letra, ele escrevia para ela todo santo dia. Droga! Deveria ter pensado nisso antes.


– Wonhee, eu… – Sua voz sumiu ao encarar o rosto iluminado da garota e ela riu mais uma vez.


– Porque você nunca contou antes?! Quer dizer, eu nunca imaginaria que fosse você! – Ela se aproximou dele e ele suspirou, abaixando a cabeça, as bochechas subitamente queimando.


– Eu não sei… Vergonha, eu acho. De tantas outras pessoas que poderiam ser… Acho que eu não queria te decepcionar. – Murmurou, sem realmente encará-la. Seus tênis nunca pareceram tão interessantes naquele momento.


– Kihyun. – Ela andou até ele, parando em sua frente. Já não ria mais, mas havia um leve traço de sorriso em seus lábios. Ele levantou minimamente os olhos para encará-la. Sua voz era suave quando disse: – Eu estou feliz por ser você. E depois de hoje, eu penso que não poderia ser alguém melhor.


– Não está… Decepcionada? – Perguntou com o resto de voz que lhe restava. Ainda estava nervoso com tudo aquilo.


– Porque eu estaria?! Você é tão incrível quanto eu pensei que fosse. – Ela deu um passo a mais para perto dele.


Ele engoliu em seco. Desviou os olhos do rosto da garota por um segundo, observando ao longe o ônibus começando a subir a colina. Seriam apenas alguns minutos para que ele chegasse.


Então, com o máximo de coragem que havia reunido naqueles poucos segundos, voltou a encará-la, puxando-a para perto e enfim grudando seus lábios nos dela.


A primeira coisa que percebeu, era que seus lábios eram incrivelmente macios. De perto, ela cheirava a perfume feminino, sorvete de baunilha e Pinho Sol* – o que era uma mistura estranha se fosse parar pra pensar, mas gostosa e até mesmo divertida, assim como ela.


Acariciou sua bochecha macia durante o beijo com uma das mãos, enquanto a outra a puxava para ainda mais perto pela cintura. Wonhee passou os braços por seus ombros, acarinhando os cabelos ralos do pescoço. O beijo era calmo, eles estavam se descobrindo, assim como mais cedo, mas de uma forma bem melhor agora.


Wonhee nunca pensou que Kihyun fosse aquele por trás das palavras bonitas que lia todos os dias, assim como Kihyun nunca pensou que admitiria seus sentimentos por ela em uma noite fria, após uma grande tempestade. Alguns males serviam para o bem, afinal.


Eles se separaram um tempo depois, e ela apoiou as mãos em seu peito, o encarando com as bochechas coradas.


– Ainda não acredito que era você esse tempo todo. – Murmurou ela, desacreditada, e ambos riram baixinho. Kihyun, sem saber exatamente o que dizer e envergonhado demais para conseguir fazer qualquer coisa, apenas sanou sua vontade e beijou rapidamente a bochecha avermelhada, no mesmo momento em que os faróis do ônibus apareceram no começo da rua.


Eles se abraçaram uma última vez antes dela se soltar e fazer sinal para o ônibus. Antes de subir, porém, ela virou-se, olhando para ele uma última vez naquela noite.


– Nos vemos amanhã? – Perguntou ela e ele assentiu, sorrindo.


– Nos vemos amanhã. – Confirmou e ela sorriu.


– Não esqueça minhas flores. – O sorriso do garoto aumentou ainda mais.


– Jamais. Mas a flor mais bonita você já sabe qual é. – Disse ele sem pensar muito e ela riu, um tanto corada, negando com a cabeça e entrando no ônibus. E ele partiu, deixando Kihyun para trás, com um sorriso bobo nos lábios e um rosto um tanto avermelhado.


“O que acabou de acontecer aqui?”, se perguntou, rindo sozinho e colocou as mãos no rosto, sentindo-o quente. Estava ainda mais apaixonado, se possível.


E tudo isso por causa de um pequeno vaso de flores, destinado para a flor mais bonita que já havia conhecido.

23 de Novembro de 2018 às 00:56 0 Denunciar Insira 0
Fim

Conheça o autor

ryua . oi! eu sou a ryua, e gosto de coisas fofas e gays, tipo eu. gosto também de escrever histórias em cima de coisas bobas que penso durante os intervalos dos meus dias. 🌸 monsta x, exo, ggroups & fluffy stuff.

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