Coração Cigano Seguir história

brokeen Maria Victoria

Jongin era liberdade demais para viver trancado nos braços de alguém, era pele quente no sol ardente daquela terra tropical. Kyungsoo era feito de descobertas, de simples amores e novas cores, queria alguém para trancar na gaiola de seu coração, mas ao ver o moreno, então soube. Seria ele quem o faria florescer, mas também seria o resultado de seu perecer.


Fanfiction Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#romance #drama #aventura #lgbt #fanfic #exo #kaisoo #brasil #viagem #Floresta-Amazônica
Conto
5
4609 VISUALIZAÇÕES
Completa
tempo de leitura
AA Compartilhar

Capítulo Único

As nuvens claras e o céu azul límpido passando pela janela como em um filme eram as únicas imagens atrativas ao meu olhar, e com certeza Baehyun no banco ao meu lado tagarelando alguma coisa sobre clima não era de longe algo interessante para assistir.

- Você só fica lendo esses livros, já não está cansado de ler todas aquelas pesquisas que somos obrigados a resumir? – Me poupei apenas em assentir enquanto passava para a próxima página do meu livro sobre pássaros. – Eu estaria com dor de cabeça agora se eu fosse você.

Fechei meu livro e suspirei, pronto para deter seus próximos comentários inoportunos, mas fui interrompido pela voz da comissária de bordo no autofalante informando sobre a nossa parada que aconteceria em alguns minutos. A mulher pediu para colocarmos os cintos e continuarmos calmos com as próximas turbulências que seriam causadas pela descida do avião.

Baekhyun finalmente se calou e eu agradeci aos céus, e só para ressaltar, um dos seus maiores medos eram aviões, - apesar de quase sempre vivermos usando-os como transporte -, e por isso, sua linda boquinha reclamona se calou assim que a primeira turbulência se fez presente.

Tentei segurar o riso assim que vi sua expressão aterrorizada e me concentrei em observar as cidades se aproximando conforme o avião descia. As áreas verdes começaram a ficar mais nítidas e o aeroporto também. O avião deu o seu último solavanco e começou a perambular pelo local, antes de finalmente parar.

Havíamos feito nossa parada no Aeroporto Internacional de Manaus - Eduardo Gomes. O lugar era enorme e de onde estávamos já era possível ver suas portas principais de entrada, além de que, graças ao catálogo que todos os residentes que participaram da viagem receberam, era possível ver nosso ponto de parada e informações sobre o local.

Baekhyun desceu a escada agarrado ao meu casaco enquanto tremia de medo. Tentei soltá-lo de mim, mas era como um carrapato preso em minha roupa.

- As turbulências já passaram Baekhyun, Meu Deus.

- Mas o avião ainda está aqui! – Notificou.

- Eu não havia percebido. – Rolou os olhos para mim.

- Por que acha que eu não parei de falar por um segundo? Era para esconder o meu pavor!

- Ah, isso pode ter certeza que eu nem percebi. – Ironizei.

- Para de zoar comigo. – Soou manhoso e ri de sua cara.

Nos dirigimos até o interior do aeroporto para pegar nossas malas, andamos até a fila e após pegá-las, seguimos o nosso instrutor para fora do local, e enquanto íamos até o estacionamento, deu para ver o nome do aeroporto na entrada.

- Você realmente está tão animado assim? – Encarou o céu com os olhos cerrados enquanto os raios de sol nos banhavam e afastavam todo o frio do ar condicionado do avião.

Já era possível notar o seu clima, Brasil.

- Claro que sim! Não leu todos os artigos sobre o bioma daqui? É tudo muito diversificado! Nunca tivemos a chance de ver algo assim. – Baekhyun sorriu.

- Sim, eu sei. Mas já viu também as probabilidades de sermos comidos por um jacaré ou uma onça? São muitas!

- Pare de reclamar, nem parece que se formou em ciências biológicas para se tornar um biólogo.

- Eu não precisei explorar nenhuma floresta para ganhar o meu diploma.

- Então não deveria tê-lo ganhado.

- Meu trabalho é estudar sobre flores e animais fofinhos, não arriscar a minha vida.

- Entra logo no ônibus e para com essa ladainha.

Bufou pela última vez antes de entregar suas malas para o embargador, fiz o mesmo com as minhas e finalmente entramos no ônibus. Todos os transportes que usaríamos a partir de agora eram fornecidos pelo Hotel em que iriamos nos hospedar, o Amazon Ecopark Jungle Lodge.

Coloquei meus fones para não ter minha leitura interrompida por Baekhyun novamente, mas assim que abaixei o livro para olhá-lo ao meu lado, vi que o rapaz havia caído no sono. Mesmo sendo um adulto, tinha vezes que Baekhyun parecia uma criança. Eu já havia me acostumado com o seu jeito, já que nossos anos de convivência praticamente exigiam isso, entretanto, era fofo observá-lo dessa forma.

Voltei para a minha leitura na parte em que falava sobre o pássaro Jaçanã. Eu já tinha lido outros livros sobre o mesmo tema, e por isso sabia um pouco sobre algumas espécies, tal como este em questão.

A Jaçanã é um dos destaques que vivem Amazônia, ela também é conhecida como Pássaro Jesus Cristo, pois é capaz de caminhar sobre as águas. As fêmeas apenas põem os ovos, e os machos são responsáveis por chocá-los e cuidarem deles quando nascem. Penso que talvez esse tipo de convivência deveria ser adaptada para a vida humana e, talvez assim, o machismo poderia cair por terra pelo menos nesse quesito.

Mas imagina, humanos seguirem atitudes de animais? Isso nunca seria aceito, porque somos consideramos superiores, entretanto, conseguimos trazer mais desastres do que controle, ao contrário dos animais, que são apenas vítimas de nossos caprichos.

Voltei para a minha leitura e após quinze minutos no ônibus, descemos no nosso destino. Cutuquei Baekhyun para que acordasse e finalmente ele abriu seus olhos, quando eu estava prestes a estapeá-lo para que se levantasse.

- Eu poderia muito bem te deixar para trás. – Joguei e ele resmungou algo em resposta, algum tipo de xingamento junto com reclamação, típico dele.

Havíamos chegado na Marina Tauá, lugar onde os barcos embarcavam e desembarcavam. E seria aqui que iriamos pegar um dos barcos fornecidos pelo Hotel para chegar até o mesmo.

Nossas malas foram levadas e fomos andando até a margem, onde o Trawler estava estacionado a nossa espera. As pessoas começaram a entrar e fizemos o mesmo, para enfim, seguirmos.

Navegamos pelo rio Rio Tarumã por quarenta e cinco minutos até finalmente chegarmos. Eu particularmente estava perdido em toda aquela imensidão que era o rio. Realmente era bonito de se ver como tais elementos do lugar me fascinavam, e eu tinha certeza que tal fascinação só tenderia a melhorar.

Descemos na areia fina e clara da margem para pegarmos nossas malas. Meus sapatos afundavam levemente na areia enquanto eu caminhava junto a Baekhyun até o Hotel. Subimos por um caminho elevado mais parecido com uma rampa, e ao observar de longe, era como se o Hotel estivesse sendo engolido pela floresta, e isso só fazia com que o meu interesse em avançar para o seu interior aumentasse.

O hall de entrada possuía pisos escuros e marrons, o lugar possuía uma iluminação casta e bonita, e seus tons eram todos marrons, cor de madeira. Havia um lustre no centro e logo à frente, o balcão de recepção. Nosso instrutor estava na frente, para poder pegar as chaves dos quartos de cada um e entregar aos respectivos donos.

Baekhyun pegou a chave de nosso quarto e seguimos para o corredor. Iriamos ficar no mesmo quarto, pois não havia necessidade de cada um ficar em um quarto diferente, além de que as despesas seriam maiores.

Paramos em frente ao nosso quarto, a porta de madeira escura estava prestes a ser aberta por Baekhyun, quando algo chamou minha atenção. Um cheiro diferente e um tanto exótico passou por nós, e meus olhos seguiram essa direção, dando em um homem alto que estava indo para um quarto. Não deu para ver o seu rosto, mas sua estatura era alta e... charmosa?

Meus pensamentos se recolheram quando Baekhyun me chamou para entrar. O quarto era mediano, e possuía duas camas forradas com colchas floridas, posicionadas uma ao lado da outra. Baekhyun jogou-se em uma delas enquanto eu observava a decoração. Ao lado das camas estava uma janela de vidro, dando vista à paisagem da floresta de fora.

O lugar era úmido e fresco, e havia um ar-condicionado, apesar de sua temperatura mediana. A decoração era simples e reconfortante, como eu geralmente gostava. Abri minha mala e tirei minha pasta de lá, onde havia todos os documentos sobre o trabalho, pesquisas e relatórios.

Esparramei todos que tinham relação com a Amazônia, que aliás, eu estava juntando há algumas semanas, assim que eu soube sobre a viagem. Organizei-os por espécie e localidade, anotando pontos específicos no mapa que a equipe de pesquisa havia nos entregado. Peguei um rolo de fita e passei tudo que estava ordenado na cama para a parede em frente às camas. E agora, aquela parede branca possuía uma função.

 

(...)

 

Ao fundo do toque do despertador havia uma voz aguda e um tanto irritadiça, que eu defini ser a de Baekhyun sem nem mesmo olhá-lo.

- Você já sujou a parede? Eu iria usá-la! – Exclamou.

- Tem outras paredes no quarto, Baekhyun.

- Mas não há nenhuma de frente para a minha cama, apenas essa! – Reclamou e suspirei, me levantando da cama e rumando até o banheiro.

Como estava em nosso catálogo, iriamos para um passeio de barco nessa manhã, e assim poderíamos conhecer mais sobre os lugares e os animais que vivem na região para começar nosso diário de campo. Baekhyun ficou em silêncio enquanto lia nossa grade de tarefas e íamos até o restaurante tomar nosso café da manhã.

O local estava cheio de pessoas, e além da nossa equipe, também havia vários turistas, tanto famílias, quanto casais ou pessoas sozinhas. Baekhyun e eu sentamos em uma mesa apenas para dois, e tivemos nossa comida servida logo em seguida.

Os pratos do dia para o café da manhã eram salada de frutas tropicais, café preto, pães, roscas e tipos variados de biscoitos. Tomei um gole do café e experimentei um pouco de cada, mesmo que eu não tivesse o hábito de comer muito na primeira refeição do dia.

Baekhyun fazia uma cara estranha assim que mordia um tipo diferente de comida e eu ria da cara dele. Apesar disso, ele afirmou ter gostado da maioria, menos da salada de frutas, pois tinha algumas frutas azedas demais.

Assim que nos levantamos, notei um homem sentado sozinho não muito longe da gente, lendo algum livro que não consegui ver o nome por causa da distância. Ele levantou o rosto, e pude vê-lo rapidamente antes de voltar a minha atenção para o nosso instrutor, que falava sobre as atividades que teríamos ao longo do dia e sobre as comodidades do Hotel.

Pegamos nossas mochilas com materiais que precisaríamos no passeio, e então, seguimos para a margem, onde iriamos pegar um barco motorizado e visitar novos lugares. O sol ainda estava nascendo, e por isso fomos prestigiados por uma visão linda do horizonte.

Nosso instrutor começou a falar sobre a fauna abrangente e a quantidade enorme de espécies que ia até mais que dois milhões, muitas delas exclusivas dessa região. Novas descobertas de espécies e subespécies são realizadas de forma corriqueira, tamanha a diversidade, e esse era o principal motivo de termos vindo até aqui.

Já havíamos visitado outros lugares, tais como a Tailândia, Austrália, Sibéria, Japão e Noruega. E eu esperava poder testemunhar belas experiências e descobertas aqui, como nos outros lugares.

Nosso instrutor continuou falando sobre a quantidade de animais marinhos que viviam aqui, e com sorte, poderíamos ver alguns. Após quinze minutos, eu pude ver algo se movendo no rio. E assim que outras pessoas perceberam, nosso instrutor nos avisou que eram botos cor-de-rosa se aproximando.

Os botos são golfinhos de água doce e por isso aparecem apenas nos rios, e especificamente na bacia do Orenoco e Amazonas. Sua cor pode variar bastante com a idade, atividade e local em que o animal vive. O animal também é popularmente conhecido por uma lenda.

Nessa lenda é contado que nas noites de lua cheia, próximas da comemoração da festa junina, o boto cor-de-rosa sai do Rio Amazonas, transforma-se em metade homem e vai para as comunidades próximas ao rio, encantando e seduzindo alguma moça bonita. O belo rapaz usa sempre um chapéu, leva as mulheres até a margem e as engravida. Após o ato, o rapaz volta a ser um boto cor-de-rosa e a moça volta a sua comunidade grávida.

Por isso que, na cultura popular brasileira mais antiga, a lenda do boto era usada para justificar a ocorrência de uma gravidez fora do casamento. E ainda nos dias atuais, principalmente na região amazônica, costuma-se dizer que uma criança é filha do boto quando não se sabe quem é o pai.

O instrutor complementou brevemente sua explicação sobre a espécie do boto com a lenda, e pude compreender facilmente por já ter lido curiosidades sobre ele. O barco estacionou na margem, e nossa equipe junto a alguns turistas desceram. O sol quase não podia ser visto por dentro da floresta, pois suas arvores volumosas e altas tampavam o céu e impediam as luzes solares. Caminhamos lentamente sobre o local, enquanto eu ouvia os resmungos de Baekhyun sobre a quantidade de pernilongos ao nosso redor.

- Eu vou sair daqui todo vermelho.

- Por que não trouxe repelente?

- Eu trouxe! – Bradou.

- Então passe.

- Mais do que eu já passei?

- Não é culpa do repelente sua pele ser tão sensível.

- Minha pele não é sensível, esses bichos que são persistentes. Eu quero voltar para Seul. – Choramingou.

- Certeza que o ar poluído de lá é bem mais agradável do que aqui. – Ironizei.

- Lá eu não sou chupado até a morte por pernilongos. – Rolei os olhos e tirei minha câmera do bolso da mochila para conseguir observar os macacos na copa das árvores.

Não era possível vê-los a olho nu, mas quanto mais avançávamos, mais espécies apareciam nos galhos mais baixos. Consegui tirar algumas fotos de saguis e micos-leões-dourados, macacos de pequenos portes, pois os outros ficavam na parte mais densa da floresta. E infelizmente, ambas as raças estavam em ameaçados de extinção.

Os pássaros sempre apareciam, e com sorte, eu consegui fotografar alguns antes que escapassem de minha visão. Um casal de araras vermelhas e amarelas estavam bem em cima de um galho perto de seu ninho, e dessa vez consegui fotografá-las.

Terminamos a caminhada e já era a hora do almoço. O calor havia aumentado consideravelmente e eu já me sentia cansado. Andamos de volta para o barco e perto da margem, havia uma família de lontras, sendo três no total. Consegui fotografá-las e assim que as pessoas se aproximaram, elas fugiram.

- Elas são tão fofas. – Baekhyun murmurou ao meu lado.

- Não era você que tinha dito que aqui só tinha animais selvagens?

- E eu disse alguma mentira?

- Não é como se uma lontra fosse avançar em você.

 - Mas elas poderiam.

- Lontras também podem ser animais domésticos, Baekhyun. – Ele rolou os olhos.

- Eu sei, mas não significa que são dóceis.  – Suspirei e vi um homem passando por nós enquanto ria, provavelmente da nossa discussão sem fundamento.

Passei por Baekhyun para entrar no barco, subindo por uma rampa, mas minhas botas acabaram escorregando e, antes que eu fosse cair direto no rio, alguém me segurou. Olhei alarmado para a pessoa ao meu lado, e vi que era o mesmo homem que estava rindo, o mesmo homem que estava lendo no restaurante e o dono do perfume que havia passado por mim no dia anterior. E além de ter um perfume tão agradável, por sinal, também era muito bonito.

- Está tudo bem? – Pigarreei e me separei dele, subindo no barco de uma vez. Processei suas palavras antes de responder e me dar conta que ele estava falando em inglês comigo.

Nosso instrutor e colegas de trabalho se comunicavam em coreano, já que todos somos coreanos, mas quando iriamos falar com pessoas nascidas aqui ou estrangeiras de outros locais, trocávamos o nosso idioma para o inglês.

- Sim... está sim, obrigado. – Murmurei em inglês. – Se eu tivesse caído junto com a minha câmera... Não posso nem imaginar.

- Então eu salvei algo valioso? – Ele sorriu de canto, e por um momento me perdi em seu sorriso.

- Com certeza. – Falei meio atordoado. O seu inglês era bom e pensei se ele seria algum norte-americano.

- Posso saber o nome da pessoa que salvei?

- Kyungsoo... – Pareceu surpreso.

- Você não é daqui, Kyungsoo. – Neguei. – Sou Jongin. – Apertou minha mão e retribui o cumprimento.

- E nem você, Jongin. – Ele sorriu e repeti o ato involuntariamente.

- Kyungsoo, está tudo bem? Deveria tomar mais cuidado. – Baekhyun se juntou a nós no barco.

- Sim, eu sei. - Jongin deu um aceno de cabeça e sumiu por entre as pessoas. O barco deu partida e voltamos para o Hotel.

 Enquanto Baekhyun reclamava sobre os insetos, eu observava o homem do outro lado do barco, com sua camiseta social estampada aberta até o terceiro botão, exigindo o peitoral moreno e extremamente... atraente.

- O que tem ali que você não para de olhar? Uma lontra eu tenho certeza que não é.

- Por que eu ficaria olhando para uma lontra?

- Porquê você é fissurado por animais? – Maneei a cabeça negativamente em descaso e me aproximei da rampa novamente quando o barco estacionou e todos começaram a descer para a margem.

- Faz muito que está aqui? Você parece bem focado. – O rapaz apareceu ao meu lado enquanto apontava para a minha câmera e me assustei com sua aproximação, tanto pelo movimento subido quanto por ele ser ainda mais bonito de perto.

Olhei para onde ele apontava e segurei a câmera em minha mão.

- Sim, eu gosto de estudar.

- Estudar? – Pareceu interessado. – Estudar lugares? – Assenti.

- Fauna, flora, tudo relacionado a isso. É o meu trabalho.

- Alguém tem um trabalho assim? É realmente fascinante. – Ele sorriu e sorri junto.

- Sim, muitas pessoas possuem um trabalho assim, e garanto que é realmente fascinante.

- E sua profissão se encaixa em qual desses trabalhos?

- Sou biólogo. – Ele pareceu surpreso.

- Além de Kyungsoo você também é biólogo, como é ser duas coisas tão interessantes ao mesmo tempo? – Abri a boca para responder, mas a fechei no mesmo momento, nublado por suas palavras. Ele sorriu e continuei no mesmo estado de perplexidade. – Te encontro depois, Kyungsoo? – Ele sorria enquanto falava, como se tivesse dizendo algo divertido. – Você já deve saber onde eu estou hospedado, não é a primeira vez que nos vemos, certo? – E continuou em frente.

Enquanto eu observava seus passos harmoniosos, uma coisa veio à minha mente novamente.

Da onde aquele homem era?

(***)

 

O mesmo barulho tocou no mesmo horário, então eu já soube de imediato que eu teria que me levantar. Corri para o banheiro para tomar um banho e assim que sai, vi Baekhyun praticamente tomando um banho de repelente.

- Quero ver eu sair todo vermelho daquele lugar de novo.

- Vamos visitar a flora hoje, você sabe né? – Ele suspirou.

- Tomara que nenhum inseto venenoso me pique.

- Se algum inseto te ver nesse estado eu garanto que eu eles vão correr de você.

- Que suas palavras tenham efeito. – Ri de sua expressão dramática e comecei a arrumar meu material.

Tinham várias folhas de relatório sobre o dia anterior, e eu torcia para que a pesquisa continuasse dessa forma até o último dia. Tomamos café da manhã e assim que terminamos, nosso instrutor começou a dar uma introdução sobre o dia que teremos e o que iriamos visitar dessa vez.

Focaríamos na parte da flora dessa vez, visitando árvores famosas e diversas, além de plantas raras e populares. Entramos no barco e fomos levados até uma parte mais densa da floresta, onde a flora era mais abrangente, e por isso, nos foi dado um mapa para que não ficássemos perdidos facilmente.

E como eu imaginava, Jongin também estava presente no passeio, dessa vez com roupas mais apropriadas para o local, camiseta de manga comprida, calça jeans e botas. Mas mesmo que estivesse mais “coberto”, não deixava de esbanjar graça.

Tentei focar no que estava à minha frente para exercer bem o trabalho que me foi dado. Baekhyun estava um pouco mais afastado de mim, pois havíamos combinado de conseguir a maior quantidade de conteúdo possível, então por isso, deveríamos ficar em áreas separadas.

A cada planta capturada pela minha câmera, eu anotava algo sobre suas características e o pouco que eu sabia de minhas leituras. Encontrei várias bromélias no caminho, que são parecidas com abacaxis em seus formatos quando estão em seu último estágio de formação, e as que achei, ainda estavam em evolução, eram vermelhas e possuíam muitas pétalas.

- Elas são lindas. – Ouvi uma voz ao meu lado e me despertei de meus devaneios.

- Sim, são. – Respondi mesmo sem olhar para o dono da voz aveludada.

- Não é cansativo? – Tirei os olhos de meu bloco de notas e levantei os olhos para a pessoa, constatando ser o moreno de flertes certeiros e suspiros roubados.

- Nenhum pouco. – Sorri involuntariamente.

- Você realmente parece ser apaixonado pelo que faz.

- Passar quatro anos fazendo pesquisas e estudando sobre biomas fez isso comigo. – Ele riu levemente.

- Com certeza sua formação não possui apenas isso.

- Não mesmo. – Assenti.

- Essa flor, por exemplo, você sabe o que ela faz? – Apontou para uma Canarana, ela possuía brotos vermelhos intensos e caule verde.

- Ela pode ser usada para fins medicinais ou decorativos. – Simplifiquei e ele assentiu, interessado. – Você também está aqui porque gosta de tudo isso, não é? Não cruzaria o oceano para ficar passeando por florestas e vendo flores.

- E se eu disser que essa é exatamente a finalidade de eu estar aqui? – Levantei as sobrancelhas em espanto. – E aliás, como sabe que cruzei o oceano para estar aqui? Eu poderia muito bem ser um nativo do Brasil.

- O seu inglês é muito bom, Jongin, mas não é o suficiente para um norte-americano, e brasileiro eu tenho certeza que você não é.

- Está dizendo que brasileiros não podem ter um inglês bom?

- Estou dizendo que brasileiros não possuem um sotaque como o seu. – Ele parecia surpreso.

- Imagino que já tenha passado por vários lugares para conseguir distinguir esse tipo de coisa.

- Passei por lugares o suficiente. – Ele sorriu.

- Eu também, Kyungsoo. – Falou em coreano e me assustei.

- Como você...

- Sou sul-coreano, como você já deve ter imaginado. – Continuei em silêncio e sua expressão tornou-se entretida. – Ou achou que eu fosse japonês? Não acredito que até você tenha se confundido dessa forma.

- Você não é japonês. Japoneses não são ousados como você. – Ele riu alto. – Nunca fui flertado por um japonês.

- Ah, então você percebeu?

- Como eu não perceberia? – Um sorriso descarado estava estampado em sua face, e eu me perguntava como ele poderia parecer tão bonito até atrevido desse jeito.

Maneei a cabeça negativamente, tentando abafar um riso e continuei com minhas anotações. Mas eu sabia que não poderia perder tempo enquanto anotava, então tive uma ideia já que o tão ousado coreano estava ao meu lado e aparentemente desocupado.

- Jongin? – Ele olhou para mim. – Você pode tirar fotos das plantas que achar mais bonitas ou interessantes, por favor? Eu queria conseguir uma grande quantidade fotos para pôr no meu portfolio, mas tenho que anotar algumas coisas. – Lhe entreguei a câmera. - Você pode fazer isso por mim? – Ele assentiu sem problemas.

Então continuei escrevendo, tentando recordar os parágrafos dos livros sobre as plantas que eu havia encontrado e suas funções, seja medicinais ou simplesmente usadas para a estética. Quando terminei, pedi para que Jongin me entregasse a câmera novamente após lhe agradecer.

Fui passando as fotos e percebi logo de cara que havia algo de muito errado nelas.

- An... Jongin? Acho que se confundiu. - O moreno desviou o olhar para mim. - Tirou fotos minhas em vez das flores.

- Você disse para tirar foto do que eu mais achar bonito e interessante. Foi isso que eu fiz. – Deu de ombros.

- Mas eu não... - Parei no meio da frase quando me dei conta do que ele havia dito e percebi que meu rosto agora estava queimando. Abaixei os olhos para a grama. - Você não é nada sutil, Jongin. – Comentei quando deixei a câmera de lado.

- Eu nunca tentei ser. – Olhei para ele incrédulo, mas poupei minhas palavras seguintes enquanto observava o seu sorriso afoito.

 

(...)

 

Havíamos nos distanciado da floresta densa e passamos a procurar por locais mais húmidos, para então finalmente acharmos as plantas aquáticas. Jongin continuava próximo, seja para perguntar algo ou simplesmente para jogar conversa fora e fazer com que o meu rosto corasse a cada cinco minutos.

- Esse é um Aguapé. – Apontei para a flor próxima a nós dois.

- Parece ser bem grande quando olho para a sua raiz dentro d’água.

- Eles são grandes, possuem de um a oito metros de comprimento. – Tirei uma foto da flor lilás. – É uma erva aquática. – Ele assentiu. Ao longe pude ver várias vitórias-régias aglomeradas em um canto do lago, então fui até lá para ver melhor de perto.

- Eu conheço essas, são vitórias-régias. – Jongin comentou. – Existe uma lenda relacionada a ela, não tem?

- Sim, é do folclore brasileiro. Nessa essa lenda indígena, a vitória-régia é uma índia que se afogou após se inclinar no rio para tentar beijar o reflexo da lua. Para os índios, a lua era Jaci, por quem a índia estava apaixonada. As índias que Jaci namorava eram levadas para o céu e transformadas em estrelas. Apesar da tribo alertar Naiá que ela deixaria de ser índia se fosse levada por Jaci, ela não se importava porque estava apaixonada.

- Então, certa noite, sentada à beira do rio, a imagem da lua estava sendo refletida na água, parecendo estar diante de Jaci, inconscientemente Naiá se inclina para beijá-lo, cai no rio e morre afogada. E ao saber do ocorrido com Naiá, Jaci ficou bastante comovido e por isso quis homenageá-la, e em vez de transformá-la em uma estrela, a transformou em uma planta aquática, a vitória-régia, que é conhecida como a estrela das águas.

- Você realmente sabe tudo isso só por causa de uma planta? – Ri de suas palavras.

- É uma planta com vários significados, você não acha? – Ele sorriu.

 

(***)

 

- Acho que não vou servir mais como o seu parceiro, já que esse tal de Jongin está tomando o meu lugar. – Fiz de conta que eu não havia ouvido isso de Baekhyun e continuei organizando minhas fotos impressas junto com os relatórios.

- Você já organizou as suas anotações? – Olhei-o desinteressado.

- Eu fiz isso enquanto você conversava com o tal Jongin. – Rolei os olhos.

- Fomos muito mais produtivos com essa formação do que tendo você ao meu lado reclamando a cada cinco segundos.

- Eu quase morri quando fui tirar fotos daquelas plantas aquáticas gigantes!

- Trabalhar é arriscar a sua vida, Baekhyun. – Ele choramingou mais algumas coisas antes de sairmos do nosso quarto e irmos tomar nosso café da manhã.

Continuamos usando o mesmo mapa de antes, pois ele serviria para qualquer lugar que fossemos dentro da floresta Amazônica. Fomos para um local vasto e cheio de árvores altas e variadas, que segundo nosso instrutor, era o local onde era mais fácil encontrar aves de todas as formas. E hoje, eu estava especialmente mais animado do que nos dias anteriores, pois estudar aves era um de meus lazeres e tema para trabalho favoritos.

Baekhyun e eu estávamos separados como havíamos combinado e enquanto eu fazia minha observação, percebi que a maioria das árvores que eu encontrava enquanto caminhava pelo local eram Içaras, que é uma palmeira nativa da Mata Atlântica que tem formato de estrela, Mauritia flexuosa que tem folhas mais largas em forma de leque e, por fim a famosa castanha do Pará.

Após vinte minutos de caminhada, consegui achar um Galo da Serra, o que me fez muito sortudo, pois esse pássaro é considerado um dos mais bonitos da Amazônia. Sua coloração laranja avermelhada com preta e o seu topete pomposo fazia com que se destacasse de longe. Consegui capturar uma foto sua, mas logo depois ele havia desaparecido.

Chegamos perto da famosa Samaúma, árvore da Amazônia que encanta a quem com ela cruzar, porque ela é majestosa e imponente em sua forma de ser, considerada a maior do mundo. A árvore apresenta propriedades medicinais e é considerada pelos povos da floresta, uma árvore com poderes mágicos, protegendo inclusive as demais árvores e os habitantes da floresta onde ela vive.

A samaumeira é tipicamente amazônica, porém de acordo com pesquisas recentes ela é conhecida como a “árvore da vida” ou “escada do céu”. Ela possui uma copa frondosa, aberta e horizontal. Vista do alto, ela aparece acima das demais, como uma matriarca.

Não deixei de registrar em minha câmera várias fotos de sua extensão, e após mais algumas horas, eu havia encontrado outros pássaros e tirado foto dos mesmos, como os Tucanos, algumas Araras, Ciganas e até uma Garça Moura. E por já ter colhido uma quantidade de material razoável, eu já poderia voltar para a margem, mas Jongin me conteve quando disse ter achado outra ave interessante.

- Você consegue ver ali no alto daquela árvore? – Apontou e assenti, era um Uirapuru vermelho com amarelo e com as asas pretas, ele era realmente adorável. - Posso contar a história desse pássaro? Não quero que pense que vim aqui sem saber de absolutamente nada.

- Você não parece ser algum ignorante. – Soltei.

- Então posso lhe provar que não sou um.

- Fique à vontade. – Ele sorriu satisfeito.

- O Uirapuru é o rei dos cantos na Amazônia, pois ele tem canto mais bonito da floresta. Ele é famoso tanto pelo seu canto quanto pelas lendas que os envolvem. – Concordei. – E ele também está associado ao amor por causa de uma lenda.

- Então você também gosta de lendas?

- O que eu estaria fazendo aqui se não gostasse delas? – Sorri. – De acordo com a lenda, o pássaro uirapuru tinha sido um jovem índio, chamado Quaraçá. Esse jovem adorava passear pelas matas tocando sua flauta de bambu, entretanto, ele era apaixonado por uma bela índia chamada Anahí, que era casada com o cacique da tribo. Sofrendo muito pelo amor impossível, o índio resolveu entrar no meio da floresta para buscar a ajuda do deus Tupã. E após ouvir a confissão do jovem, Tupã resolveu transformá-lo num pequeno pássaro colorido chamado Uirapuru, para assim livrá-lo do sofrimento. O pássaro então, voou pela floresta com seu forte e lindo canto. Então, toda vez que via Anahí, ele pousava e cantava para ela, que ficava maravilhada com o som daquele pássaro.

- O cacique da tribo também ficou encantado com o canto do pássaro e, com o objetivo de aprisioná-lo, se perdeu na floresta e nunca mais voltou. Anahí continuou a ouvir o canto de seu pássaro favorito, e para o jovem índio, ainda restava que a índia amada descobrisse quem ele era para desfazer o encanto.

- Então você também é interessado por pássaros?

- Sou interessado por tudo que me chame a atenção e me faça encantar.

- Então suponho que você seja bem seletivo, certo?

- Talvez. – Sorriu. – Mas confesso que aqui não foi muito difícil achar algo para explorar.

- Realmente, com tanta abundancia que existe aqui...

- Não estou me referindo à natureza. – Seu olhar penetrou em mim e eu jurava que ele havia criado um buraco em meu interior com a sua intensidade.

- Ah... – Quase me engasguei. – Mas há muitas coisas além da natureza também...

- Como sorrisos espontâneos e mentes que se deixam levar facilmente por algo encantador. – Citou e fiquei alguns segundos o observando, tentando encaixar suas palavras em algo que fizesse sentido.

- Você está se referindo ao que?

- Ao dito cujo que se encontra à minha frente. – Engoli em seco e suspirei.

- Eu nunca vou me acostumar com isso. – Murmurei.

- E eu nem quero que você faça isso.

- É divertido? – Virei-me para ele.

- Dizer palavras como essas? Eu garanto que sim.

- Tentar cativar alguém dessa forma tão sútil deve ser realmente agradável. Mas diga-se de passagem, que nem todos podem se deixar levar por palavras tão... indiretas ao mesmo que certeiras. – Ele estava sério agora.

- Eu pareço alguém que usa de indiretas para chegar em um objetivo?

- Você parece bem mais intenso do que isso. – Ele sorriu, mas não como antes, não como quando estava achando graça de algo ou estava sendo zombeteiro, sorriu como se estivesse prestes a ganhar uma aposta, sorriu vitorioso em frente a sua presa, e nesse momento, eu era a sua presa.

 

(***)

 

Jongin era o tipo de pessoa que poderia ser notada em qualquer lugar, com qualquer traje ou qualquer paisagem atrás de si, pois ele se destacava, aliás, ele era o próprio destaque. Em uma multidão, sempre teria um ponto em que atrairia o olhar, e nesse ponto estaria Jongin, sorrindo para algo ou encantando algo, pois era assim que ele era, encantador e galante.

E quanto mais tempo eu passava perto dele, mais eu me sentia fisgado por esse vigor que havia em seu interior, e mais envolto em suas engrenagens eu estava, sem perceber e sem nem ter a real intenção, como em um imã que te puxa para o abismo.

Um abismo que se chamava Jongin.

Já era noite quando ouvi batidas na porta de madeira do meu quarto. Baekhyun havia saído para jantar, mas eu havia preferido ficar no quarto complementando o meu diário de campo, para depois sair para comer. E assim que abri a porta, pensando que seria Baekhyun do outro lado dela - mesmo que ele tivesse uma chave da mesma -, eu nunca achei que me enganaria tanto.

- Jongin? – Era o moreno que se encontrava no corredor, e invés de trajar os seus sorrisos conquistadores, ele trajava algo mais sério.

- Estou atrapalhando? – Neguei levemente.

- O que faz aqui há essa hora?

- Não posso te fazer uma visita? – Arqueei uma sobrancelha.

- E com qual propósito? – Cruzei os braços, achando que isso serviria como uma forma mais rígida de um Kyungsoo acuado.

- Isso poderia ser um propósito? – Ele levantou um dos pés que usava chinelo, e pude ver sua tez inchada e avermelhada. – O que foi isso? – Me assustei.

- Bom, eu também gostaria de saber. – Puxei-o para dentro do quarto e o levei até a cama para que se sentasse.

Ele tirou o chinelo do pé e eu o levantei, colocando-o em meu colo. Seu calcanhar estava vermelho e inchado, parecia alguma picada de inseto.

- Onde você conseguiu isso? – Ele deu de ombros. – Como foi picado se estava com botas? – Examinei o local. – Ah... o inseto deve ter entrado em seu calçado. – Ele assentiu. – Não parece ter sido algo extremamente grave, mas se você for alérgico isso pode ser um problema. Você já foi em alguma enfermaria? – Negou. – Você só veio até aqui? – Assentiu. – Jongin, eu não sou médico.

- Mas pode se sair melhor que um.

- Eu só conheço sobre isso, posso não saber tratar.

- Acho que você é bom o suficiente para tal. – Suspirei e deixei seu pé em cima da cama.

- Você pode vir até aqui? Precisamos desinfetar isso. – Ele se levantou cuidadosamente e o ajudei a ir até o banheiro.

Ele se sentou no sanitário fechado e peguei o seu pé, passei sabão, água, depois álcool. Ele franziu o rosto e achei que estivesse machucando-o.

- Está ardendo muito?

- Está latejando.

- Faz muito tempo isso?

- Acho que foi pela manhã, mas só fui perceber agora por causa da dor.

- Um inseto voador não entraria em seu calçado para fazer isso, então suponho que tenha sido algum rastejante... Ah, você olhou dentro do sapato? Ele deve estar lá dentro.

- Eu olhei antes, tinha uma formiga, então achei que não fosse isso.

- Claro que poderia ser. – Repreendi. – A variedade de formigas aqui é muito grande, e a maioria delas podem ser venenosas. – Fui até o quarto e peguei algumas ervas medicinais que eu havia colhido antes. – Você deveria ser mais cuidadoso, isso pode inflamar e te trazer maiores problemas. – Levantei os olhos para ele, que me observava em silêncio. – O que foi?

- Você é sempre assim? – Franzi o rosto em dúvida. – Inteligente e expansivo dessa forma?

- Eu não estou sendo expansivo, eu só estou dizendo o que eu sei...

- Você não está sendo, você é. – Fiquei em silêncio. – Pode continuar contando sobre os seus saberes que eu não vou me importar. Aliás, eu viria aqui todos os dias para vê-lo falar. – Por um momento pensei que eu não gostaria de rebater suas afirmações, não gostaria de interrompê-lo e constatar suas asneiras, eu só gostaria que ele continuasse falando. – Alguém disse o quão bonito é o seu interior, Kyungsoo? O quão bonita é a sua diversidade particular e a sua inteligência? Pois bem, eu digo que estou aqui para lhe dizer isso, e fique claro que não estou sendo ignorante, aliás, pode me considerar o maior sábio por perceber isso, assim como outras pessoas também deveriam ter esse prazer.

- Alguém poderia dizer que você está sendo precipitado demais, Jongin. – Murmurei, com todo o meu interior em êxtase.

- Eu estou? – Ele sorriu. – Então eu diria que a minha precipitação é a maior convicção de todas. – Abaixei o os olhos, nublado pelo seu encantamento e incapaz de dizer alguma coisa. – Nunca achei que em todas as minhas viagens, eu fosse encontrar uma certeza como essa.

- Suponho que você tenha viajado muito, então. – Ele riu.

- Passei por cada canto da Europa após ter visitado meus lugares favoritos da Ásia. Depois segui pela América do Norte e agora estou aqui, esperando pelas experiências que a América do Sul me fará provar.

- Eu garanto que serão as mais inesquecíveis.

- Faço de suas palavras as minhas. – Sorrimos juntos.

 

(***)

 

No dia seguinte Jongin não havia ido ao passeio por causa das minhas recomendações para que ficasse em repouso e não piorasse o estado de sua ferida. Eu e Baekhyun ficamos juntos para complementarmos nossas pesquisas. Entretanto, mesmo que eu me mantivesse focado no trabalho, algo sempre fazia com que meu pensamento fugisse para outros lugares, outras descobertas, outros sorrisos...

- Kyungsoo? – Pisquei para Baekhyun, alarmado. – Você ouviu o que eu disse? Estamos falando da mesma coisa há dez minutos e parece que você não ouviu nada.

- Eu ouvi sim... Claro que ouvi.

- Então repita o que eu disse.

- Você estava dizendo sobre... sobre os animais e.... você disse algo sobre os peixes? – Baekhyun riu.

- Se o assunto fosse sobre aquele turista, eu tenho certeza que você teria prestado atenção.

- Não seja ridículo.

- Não estou sendo, estou sendo realista. – Suspirei.

Terminamos nossa pesquisa e voltamos para o Hotel. Fiquei algum tempo usando de meu tempo para descansar, pois eu sabia que esse dia não estava sendo feito para focar em alguma coisa, pois eu sempre estava distante demais para prestar atenção em algo.

Eu estava voltando da área de lazer quando vi alguém encostado na parede ao lado de meu quarto. Um homem alto com algo na mão. Quando cheguei perto, ele se virou para mim como se tivesse sido despertado. Era Jongin.

- Boa noite. – Sorriu para mim e retribui. O que estava em suas mãos agora se encontrava em suas costas, como se ele estivesse o escondendo.

- Boa noite. – Respondi. – Está esperando algo?

- Sim, alguém, na verdade. – Ele se aproximou e senti algo subindo dentro de mim.

Kyungsoo, você não é mais um adolescente, pare com isso.

- E esse alguém já chegou? – Perguntei como quem não quer nada.

- Ele está na minha frente. – Olhei para atrás, surpreso.

- Oh, não tem ninguém atrás de mim. – Jongin riu, mas logo em seguida assumiu aquela expressão que ele fazia e que eu não sabia como descrever, só sabia que a cada vez que ele fazia isso, meu estômago descia uma montanha russa.

- Sim, porque a pessoa é você. – Ele tirou a mão de suas costas, com aquilo que ele estava escondendo. Constatei ser um buquê de Begônias amarelas, elas pareciam com rosas, mas suas pétalas eram mais arredondadas e eram lindas.

- Jongin... – Murmurei surpreso, recebendo o buque de sua mão.

- Eu não sabia qual escolher porque você parece ser apaixonado por qualquer tipo de flor, então eu peguei essa, pois era a única que você ainda não tinha visto aqui.

- Mas eu conheço ela. – Sorri para ele enquanto absorvia o aroma das flores.

- Como eu imaginei que fosse. – Ele sorriu. – Então deve conhecer o significado dela, certo? – Após pensar um pouco sobre o assunto, percebi o quão nervoso eu estava. Suspirei fundo antes que ele dissesse algo. – Ela significa felicidade, delicadeza e cordialidade.

- Você sabe que esse não é o principal significado dela, não é? – Indaguei ansioso. – Vai esperar que eu diga? – Ele riu fraco, vendo o quão inquieto eu estava.

- Eu não faria isso. – Ele se aproximou. – Passei muito tempo pesquisando sobre ela para deixar você dizer.

- Então nós dois sabemos, certo? – Ele sorriu e delicadamente acariciou o meu rosto.

- Posso te fazer um pedido? – Assenti inebriado. – Pode me acompanhar até o restaurante? Eu gostaria de ter um jantar agradável com você. – Aceitei o seu convite, mesmo que eu não estivesse em vestes apropriados e apenas causais.

Jongin se encontrava quase na mesma situação que eu, mas diferente de mim, ele ficava impecável em qualquer traje. Após eu guardar o buquê em meu quarto, descemos para o restaurante, onde havia poucas pessoas por causa do horário. O teto era feito de madeira e possuía várias lâmpadas espalhadas pelo local, trazendo mais tranquilidade e menos claridade. Sentamos em uma mesa para dois e após alguns minutos fomos servidos com salmão e vinho.

- Você está apenas viajando pelo mundo? – Perguntei.

- Sim. - Soou simples e me perguntei se era apenas isso.

- Sem nenhum propósito? – Ele sorriu e ficou em silêncio. – Não está à procura de nada? Não se interessou por nada?

- Está falando a respeito de relacionamentos ou trabalho?

- Estou falando a respeito da vida. – Tomou um gole de vinho.

- E o que é a vida para você, Kyungsoo?

- É criar experiências novas, gostar de seu trabalho, fazer novas amizades, novos relacionamentos... – Parei quando percebi que ele não iria entrar em um consenso comigo. – É melhor você dizer isso, pois acredito que não partilhamos de pensamentos iguais.

- Por que eu não possuo uma profissão?

- Eu não quis dizer isso.

- Deve estar pensando que eu sou bancado pelos meus pais, nunca cursei nada e estou apenas gastando a minha vida em viagens, certo?

- Eu não sou como as outras pessoas que passaram pela a sua vida e pensaram o mesmo.

- Não estou te acusando de um pensamento comum, estou apenas dizendo a realidade, porque é assim que as pessoas pensam quando não sabem nada sobre você.

- Então eu gostaria de saber, Jongin. – Ele umedeceu os lábios e sorriu.

- Eu sou formado em relações internacionais. – Levantei as sobrancelhas em surpresa. – E não, eu não estou aqui para estudar a política do país ou a economia dele, eu apenas estou aqui para exercer a minha vida. Eu quero entender sobre tudo, quero viver tudo sem simplesmente estar sentado em uma cadeira em frente ao meu computador. Porque é muito fácil alguém simplesmente se formar, arrumar um emprego e achar que já sabe de tudo. Eu não sou assim, Kyungsoo. – Fiquei em silêncio, observando-o e me perguntando como fui achar alguém assim.

Conversar com Jongin era como estar nas nuvens, flutuando em suas palavras e o seu falar tão melódico e bonito. E por um momento eu pensei que seria bom ter alguém assim ao meu lado. Por muito tempo eu nunca tive alguém para me acompanhar, para contar nos dias complicados, eu simplesmente tive a mim mesmo, e talvez fosse por isso que o meu coração anda tão alheio e sensível, e facilmente pude ser levado pelas ondas que aquele moreno criava.

- Você pretende parar em algum lugar? Ter alguma estabilidade? – Ele riu.

- Você está falando como os meus pais.

- Eu não estou querendo ser impertinente, só quero saber se todas essa sua vontade do saber e descobrir vai acabar algum dia.

- Ninguém nunca consegue saciar a vontade do saber.

- Mas uma hora temos que procurar nos estabilizar em algo.

- O mundo está em constante movimento, Kyungsoo. Por que eu também não posso estar? – Sorri com suas palavras. – Você também está em constante movimento, não está?

- Alguém como eu não consegue simplesmente ficar parado. Há algo muito maior que eu nesse mundo, e essa verdade maior se chama natureza. E é por ela que eu sou apaixonado e pretendo conhecê-la o máximo que eu puder.

- É bonito ver como você é empenhado.

- Também é bonito ver como você é inspirado.

- As duas coisas andam em sintonia, você não acha? – Parei na metade do meu gole do vinho e me forcei a tomar o resto. – Sabe, eu estava pensando aqui... há diversos sabores dessa terra que eu já provei, e diversos outros que não faço a mínima ideia do que sejam, e entre todos esses, há também os que não são originados desse solo, que vieram de fora, e que para mim, me parecem ainda mais interessantes. – Olhei para ele curioso.

- Está falando da culinária estrangeira? O que gostaria de provar?

- Bem, têm várias delas, mas tem uma que não me sai da cabeça agora.

- Qual?

- A sua boca. – Engoli em seco.

- Isso não é culinária, Jongin.

- Mas é de provar, não é? – Ri de sua intrepidez e terminei de tomar o meu vinho.

- Não é algo tão interessante assim. – Afirmei.

- Como não seria? – Seu olhar não saia de meus lábios e eu temia suas próximas ações.

Mas não por não desejar o mesmo, e sim por não saber controlar meus atos, e principalmente o que iria crescer dentro de mim em seguida. Porque isso era algo que eu não poderia controlar.

Depois que terminamos de comer, Jongin fez questão de pagar a conta, por mais que eu insistisse que seria melhor pelo menos dividirmos. Já no corredor, estávamos nos despedindo.

- Tenho algo para te mostrar amanhã. – Jongin disse.

- O dia mal acabou e você já está pensando no amanhã? – Ele riu levemente.

- Não gosto de perder tempo.

- É perceptível. – Sorri para ele.

- Espero que outra coisa também seja perceptível. – Arqueei uma sobrancelha em dúvida, mas não tive tempo para pensar, pois todo o meu pensamento foi interrompido pelos seus atos.

Jongin me beijou e não o repeli. Seus lábios eram macios e gentis e deixei com que o beijo seguisse. Seu corpo alto prensou o meu menor contra a parede, e pude sentir o seu calor emanando para mim. Suas mãos estavam em minha cintura e rosto, enquanto eu apoiava em seus ombros.

Jongin beijava extremamente bem, o gosto de vinho havia se misturado em nossas bocas e eu ansiava por mais de sua parte, mesmo que não fosse o momento propício. Nos separamos depois de alguns segundos e pude sentir os seus lábios se desgrudando dos meus.

- Nos vemos amanhã, certo? – Ele indagou ainda muito próximo de mim, e assenti, inebriado pelos seus encantos.

 

(***)

 

- Você jantou depois que eu? Não te vi quando cheguei. – Assenti enquanto estudava algumas pesquisas. Era o primeiro final de semana que estávamos passando no Brasil, e por isso, nosso instrutor deixou com que descansássemos nesses dias, pois na outra semana ainda teria muito trabalho a fazer.

- Fui mais tarde do que você.

- Isso eu sei, mas sozinho eu tenho certeza que não foi. – Levantei meus olhos do notebook para um Baekhyun esparramado e sorridente na outra cama.

- Você anda me vigiando? – Ele riu de minha indignação.

- Se está revoltado assim é porque é verdade, não é? – O sorriso descarado aumentou. – Calma, eu não estou te julgando ou algo assim. – Ergueu as mãos em rendição. – Só acho engraçado quando você está todo apaixonado. – Rolei os olhos.

- Eu não estou apaixonado. – Baekhyun apontou para o vazo de flores no criado mudo ao meu lado.

- Não é o que parece. – Suspirei. - Se não está, então não demorará muito para ficar. – As flores de begônia estavam no vazo transparente. – Você sabe muito bem o que isso significa, não é? E eu acho que o tal turista também.

- Não leve isso à sério, Baekhyun. – Ele sorriu, sentado-se na cama.

- Não sou eu quem deveria levar isso à sério, é você, Kyungsoo.

 

(...)

 

Eu estava voltando da área de lazer com alguns livros na mão, cansado de procurar algo atrativo para ler, quando fui puxado para um corredor por mãos fortes. Soltei o ar que havia prendido quando vi Jongin sorrindo brincalhão para mim.

- O que está fazendo? – Continuou sorrindo.

- Deveria parecer mais atento, senhor Do Kyungsoo. – Ergui as sobrancelhas.

- Como sabe o meu sobrenome? – Ele mostrou uma página arrancada de uma revista qualquer, e lá estava o meu nome, junto ao do instrutor e o restante da nossa equipe. – Onde arranjou isso? – Soei surpreso.

- Eu estava apenas folheando algumas revistas quando achei isso. Eu não sabia que você era tão famoso assim, Do Kyungsoo. – Empurrei o seu ombro de leve em descaso.

- Foi apenas uma descoberta que havíamos feito quando fomos para a Tailândia.

- Então eu conheço um biólogo famoso? Estou começando a duvidar de quem você diz ser, Do Kyungsoo. – Neguei, rindo.

- Pare de me chamar dessa forma, eu não sou tão importante assim.

- Você não é importante? – Pareceu espantado. – Não é o que a minha mente diz a cada cinco segundos. – Pareci confuso. – Por que acha que eu estaria folheando revistas no meio da Amazônia? Porque eu estava entediado e precisava dispersar minha mente do baixinho que sempre aparecia para me atentar.

- Suponho que esse baixinho não seja eu. – Ele negou veemente.

- É um tal de Do Kyungsoo, um famoso biólogo, conhece? Ele aparece em revistas de vez em quando. – Gargalhei. – Preciso levá-lo para um passeio, já que nessas minhas aventuras entediantes acabei achando um lugar. – Ele pegou em minha mão novamente e me levou para os fundos do Hotel.

Eu já havia andando bastante pelo local, já que eles haviam nos fornecido o mapa, mas por causa do tempo, sempre sobrava algum lugar que eu nunca havia ido antes. Nos aproximamos mais da floresta que ficava por trás do Hotel, o cobrindo, e conforme íamos avançando, era possível ouvir o barulho das cigarras, o canto dos pássaros e o escorrer de água. Já era possível ver a piscina natural quando paramos, haviam várias delas nos circundando, junto com a mata atrás.

- Eu nunca tinha vindo aqui. – Olhei fascinado para o lindo local.

- Eu vim apenas uma vez e quis te mostrar. – Me aproximei das piscinas, as bordas eram feitam de pedras e haviam alguns bancos nas beiradas. – Tudo que é bonito deveria passar pelos seus olhos, Kyungsoo. – Voltei-me para ele.

- Obrigado. – Fui sincero.

- Não deveria me agradecer agora. Só podemos agradecer por algo quando o testamos antes. – Franzi o rosto, confuso. Ele pegou em minhas mãos e me levou até a beirada da água.

- O que vai fazer?

- Você não quer entrar? – Indicou a piscina. – Estamos mais afastados, podemos ficar só nós dois. – Minhas mãos começaram a formigar.

- Não sei...

- Não posso aceitar isso. – As palavras sérias vieram junto com um sorriso.

- O que você vai... – Já era tarde demais.

Segundos depois estávamos imersos na água.

- Jongin! – Exclamei perplexo.

- O que foi? – Ele estava rindo. – Não gostou? Não vai ficar reclamando, não é? Que tipo de biólogo que você é? – Dei murros leves em seu ombro.

- Um que não é jogado em piscinas naturais contra a sua vontade.

- Contra a sua vontade? Quando? – Suspirei, sabendo que não adiantaria começar uma discussão que eu iria perder.

- Você é impossível. – Murmurei.

- Ah, eu sou? Já está sabendo muito sobre mim, não acha? Que tal contar algo sobre você? – A parte onde estávamos era mais rasa, e por isso podíamos ficar em pé e conversar confortavelmente.

- Tenho um irmão mais novo... Sempre gostei de Biologia e ciências em gerais... O que você quer ouvir?

- Como está a sua vida amorosa? – Ri, mais por vergonha do que por graça.

- Devo falar do desastre dos últimos meses ou dos últimos anos?

- Não é possível que ninguém tenha se interessado por você, Kyungsoo.

- Já teve alguns... Mas nunca algo que fosse fixo, nada que viesse para suprir meus desejos.

- E o que seria isso?

- Segurança, talvez. – Jongin assentiu, divagando pelo desconhecido por mim.

- Segurança ás vezes pode significar muitas coisas.

Estávamos próximos o suficiente para podermos sentir a respiração um do outro, Jongin sorriu travesso e mergulhou, se afastando de mim. Quando voltou, bati com a mão na água, fazendo voar em seu rosto. Ele fez o mesmo comigo e começamos a fugir um do outro, brincando para não sermos pegos.

A brincadeira acabou quando Jongin me segurou pela cintura e puxou para perto, a centímetros de distância. Sua mão passou delicadamente pelo meu rosto, contornando o meu queixo e boca. Dessa vez fui eu quem se aproximou primeiro, selando meus lábios aos seus. Ele me segurou com mais força e contornei seus ombros com os meus braços. Sua sintonia era lenta e gentil de uma forma saborosa.

Eu realmente adorava o seu beijo.

Quando nos separamos ofegantes, eu percebi que Jongin tinha os olhos mais lindos que eu havia visto, eram comuns, mas tinham uma curiosidade admirável, seu cabelo era preto e sua franja descia até acima de seus olhos, o seu sorriso possuía um esplendor maravilhoso, e eu achava lindo como sorria.

Jongin era lindo.

 

(***)

 

Já era tarde quando eu voltei para o mesmo local. Jongin tinha ido para o seu quarto tomar um banho e eu também tinha feito o mesmo, e já que estava livre por algumas horas, voltei para a piscina natural para fotografar e conhecer mais.

Eu havia me distanciado, seguindo pelo lago que era a fonte das piscinas, havia uma cerca provavelmente delimitando as fronteiras, mas eu não me importei com isso. Mais atrás haviam bambus, e neles, estavam as orquídeas. Me aproximei delas para vê-las de perto e ouvi um chacoalho próximo. Me assustei com um movimento no meio das árvores e em seguida vi algo cair do alto dos bambus e correr até mim.

Era uma cobra.

Para tentar me esquivar dela, eu acabei tropeçando em uma pedra na beirada do lago e em seguida, cai. Sentindo a água gelada tomar todo o meu corpo.

 

(...)

 

Uma corrente de água subiu pelo meu corpo e fui obrigado a cuspi-la antes de me engasgar. Meus olhos foram abertos e em cima de mim estava Jongin, todo molhado. E eu sabia que não me encontrava em uma situação diferente.

- Você está bem? – Indagou, afoito.

- O que aconteceu? – Sentei-me no chão de pedra e Jongin se afastou para me dar espaço.

- Você caiu no lago, o que estava fazendo? – Engoli em seco e suspirei forte.

- Eu estava... tirando fotos. – Procurei pela minha câmera.

- Ela caiu no chão quando você caiu no lago. – Notificou e agradeci mentalmente. – Acha que a salvação da sua câmera é a coisa mais importante agora? Você poderia ter morrido afogado.

- Eu não morreria afogado, Jongin... – Parei quando lembrei-me do ocorrido. Eu tentei emergir, mas algo estava segurando o meu pé, um galho estava no fundo do lago e meu pé estava preso nele.

- Não foi o que me pareceu. – Ele parecia mais sério do que eu já tinha visto antes. – Sorte sua que eu havia voltado aqui para procurar por você já que eu não estava te achando.

- Está tudo bem agora. – Certifiquei e ele me ignorou.

- Você é um biólogo, mas não entende dos perigos que esse lugar pode te oferecer?

- Está repreendendo um biólogo por exercer o seu trabalho? – Olhei-o desafiador e Jongin suspirou.

- Estou o repreendendo por arriscar sua vida.

- Eu não estava arriscando a minha vida.

- Não foi o que me pareceu.

- Eu apenas me assustei e cai. – Insisti.

- Mas isso poderia ter tirado a sua vida. Estou tentando lhe dizer que não pode deixar algo tão banal tirar algo precioso de você, entendeu? Isso não serve apenas para um biólogo, serve para qualquer pessoa.

- Eu não sou uma criança para precisar ouvir isso de você.

- Então ouça como um adulto que precisa saber se precaver. – Suspirei e Jongin se levantou, indo embora.

 

(***)

 

Já faziam dois dias que havíamos voltado para as pesquisas, mas ao contrário do que eu pensei, Jongin não estava participando. Cogitei a ideia de questioná-lo, mas eu sabia que procurar por uma resposta não seria o certo até que nos encontrássemos antes.

Baekhyun e eu estávamos voltando das visitas quando vi Jongin saindo de seu quarto. Baekhyun se apressou para entrar no quarto e me deixou plantado no corredor. Então era a hora de conversar com ele.

- Você não está participando mais? – Jongin parou para me escutar.

- Das visitas? – Assenti. – Achei melhor não ir. – Sua resposta passou a me incomodar quando pensei sobre os seus motivos.

- Por que? Você pareceu tão interessado nos assuntos.

- Eu ainda continuo interessado. – Enfiou a mão nos bolsos.

- Então por quê não participou?

- Porque você não é uma criança, e por isso não precisa de super visionamento.

- O que isso tem haver comigo? – Ele suspirou.

- Se eu fosse, estaria mentindo para a mim mesmo dizendo que eu não estava indo para ver você e ocasionalmente me preocupando caso você fizesse algo impulsivo.

- Então está dizendo que só não participou dos passeios por causa de mim? Jongin, isso... – Estava pronto para contra-atacar, mas parei, mesmo que ele não fosse me deter. - Pode ir quando você quiser, eu não quero ser uma preocupação.

- E você não é. Kyungsoo, não quero que pense que eu acho que você é uma criança... Eu simplesmente estou me preocupando mais do que eu achei que iria. E por isso, não quis que essa situação te atrapalhasse.

- Me sinto grato, mas não deve achar que na primeira oportunidade eu iria arriscar a minha vida por algo banal.

- Mas foi isso que você fez da última vez. – Suspirei. – Eu não vou te repreender novamente, não tenho esse direito. – Concordei e ele pôs um fim no assunto. – Você pode vir comigo?

- Onde? – Ele me levou para fora novamente, em uma área mais vazia do hotel, onde havia apenas grama e o começo da areia da margem do rio. – Por que aqui?

- Pode esperar um pouco? Eu já volto. – Assenti.

Ele voltou com um lençol em mãos, colocou-o no chão e esticou o tecido para que sentássemos.

- Não estamos no ensino médio, sabia? – Ele riu fraco.

- Gosto de viver todos os dias como se fosse o primeiro da minha juventude.

- Espero que nunca envelheça, então. – Sorriu para mim.

- Todos envelhecem, mesmo que não queiramos. A velhice vem junto com a maturidade, e por isso evitamos aquilo que já vivenciamos de uma forma ruim porque achamos que tudo irá se repetir, mas isso é um erro. A maturidade é um erro.

- Eu não vejo dessa forma.

- Alguns lados da maturidade te impedem de tentar novamente, isso é um erro.

- Então gostaria de tentar ser um idiota novamente?

- Não, esse é o lado bom da maturidade. É como as faces de uma mesma moeda. – Concordei.

- Eu não gostaria de ser careta, ser velho interiormente mesmo que eu não passe da casa dos vinte anos. Ter o pensamento atrasado é a pior coisa que existe.

- Concordo. – Ele deitou-se no lençol, cruzando os braços atrás da cabeça. - Eu gostaria de crescer junto com o mundo, saber sobre as suas verdades e o que há escondido por trás de todas as miragens que achamos ser o caminho certo para a nossa vida.

- São milhares delas, não há como saber tudo.

- Se há tantas delas, como descobriu o seu verdadeiro caminho? O que o fez estar aqui, Kyungsoo? – Olhei de cima para ele.

- O meu amor pelo o que eu faço.

- E como você descobriu que amava tal coisa?

- Eu... – Parei para pensar. Não fazia tanto tempo assim, mas saber quando começou era o meu maior desafio. Eu não sabia quando, mas sabia como. – O conforto e a realização faz com que você goste do que está fazendo. Isso é algo que eu me identifiquei, e a cada momento que eu conseguia êxito em algum trabalho que eu havia posto esforço, eu descobria que gostava ainda mais daquilo, entende? Não é algo que nasce do nada ou que sempre existiu, é algo que é criado dentro de você.

- Eu gostaria de ouvir as suas palavras todos os dias. – Sorri, levantando o rosto e desviando de seu olhar por ter certeza que eu estava corando.

Jongin e os seus feitos sobre mim.

- Há tantas estrelas... – Comentou, se levantando e ficando sentado como antes. – Eu gostaria de muito de continuar aqui com você. – Se virou em minha direção, tocando o meu rosto.

- Eu não vou embora, Jongin. – Sorriu, aquele sorriso que não possuía nada de inocente e que sempre me surpreendia com os seus próximos atos.

Seus lábios vieram até os meus, os friccionando saborosamente da forma que apenas ele fazia. Seu corpo pendeu para o meu e ele acabou me deitando no lençol. O beijo lento de antes apenas se intensificava conforme ele se aproximava. Eu realmente adorava beijá-lo.

Encerramos o beijo e abri meus olhos, e tudo o que eu via era Jongin. Seus olhos estavam selvagens e ansiosos, e eu poderia dizer que sentia na pele tudo que ele transmitia apenas com o olhar.

- Seus olhos poderiam se misturam aos céus por causa do brilho deles. – Comentou baixinho em meu ouvido, fazendo meus pelos se arrepiarem. - Mas não me refiro ao brilho das estrelas ao citá-los, me refiro à imensidão que existe dentro deles e que me é proporcionado ao ouvir suas belas palavras.

Antes que eu pudesse sequer cogitar uma resposta, seus lábios já estavam nos meus novamente. Jongin estava completamente em cima de mim dessa vez, com as pernas ao redor de minha cintura enquanto me beijava, acariciando-me em lugares nunca tocados por ele antes.

Com atos simples, ele conseguia levar qualquer pessoa às alturas, mas ele não se encaixava em algo tão simplório, apenas o fazia para que eu pudesse sentir uma palinha do que ele poderia oferecer, e se isso fosse para trazer-me ainda mais vontades, ele estava mais do que certo em suas hipóteses.

- Jongin, vamos entrar? – Assentiu afoito, se levantando.

Já estávamos no corredor de nosso quarto.

- Boa noite. – Falei, mesmo sabendo que eu não queria deixá-lo.

- Boa noite, Kyungsoo. – Havia algo no seu tom que não se parecia nada com uma despedida. – Essa noite... parece muito solitária, não? Não gostaria de me fazer companhia? – Pude sentir todo o meu interior se agitar com o seu convite, o nervosismo lado a lado ao desejo fluindo dentro de mim.

- Não há convite melhor para se aceitar, Jongin. – Sorriu malicioso e me puxou rapidamente, colando o seu corpo ao meu.

Seus lábios tocaram os meus calorosamente, e pude sentir toda a carga de seu corpo passando para o meu, me carregando de forma eletrizante. Andamos juntos até a porta de seu quarto enquanto ainda nos beijávamos, não nos importando se alguém apareceria ou não.

Jongin foi rápido em abrir a porta robusta, parando nossos selares vez ou outra para fechar a porta e trancá-la novamente, apagar a luz e nos guiar até a sua cama. Seu corpo pendeu o meu para trás, deitando-me de uma vez. Minhas mãos passavam por todo o seu tronco, sentindo a textura de sua regata fina e o que havia por baixo dela.

Percebendo meu incomodo, ele fez questão de arrancá-la, maravilhando-me com a visão de seu tórax nu. Jongin era moreno de uma forma linda, seu abdômen possuía formas de alguém que malhava e por isso atraia ainda mais o meu olhar. Suas mãos foram para o cós de minha calça, subindo por dentro da barra de minha camiseta e tocando minha pele sensível.

Suspirei fundo enquanto ele explorava o local, selando meu pescoço e clavícula. Puxei os fios escuros de seu cabelo quando depositou um chupão em meu pescoço, mordi o lóbulo de sua orelha e ele voltou-se para mim, me beijando com ainda mais desejo.

Suas mãos rápidas tiraram logo minha camiseta, nos deixando em situações semelhantes. Puxei o cós de sua calça contra mim, aproximando nossas virilhas uma da outra. Jongin suspirou fundo e apertou minha cintura contra si, fechei meus olhos com força quando ele desceu sua mão até o volume de minha bermuda e apertou o local.

Desabotoei a sua calça e deixei-a assim até que ele tomasse uma providência. Ele a desceu ainda mais, deixando-a nos joelhos e deixando em evidência o seu volume coberto pela cueca box que precisava de atenção.

Empurrei-o para o lado, ficando em cima de seu corpo. Desci a única peça de roupa que faltava para deixar o seu membro livre e finalmente poder lhe dar atenção. Jongin me olhava como uma presa, e assim deixei que ficasse, acariciando sua glande molhada e toda a sua extensão.

Ele fechou os olhos, envolto nas sensações que eu estava lhe oferecendo. Umedeci os lábios quando abaixei-me lentamente e lambi o topo, recolhendo todo o pré gozo antes de começar a chupá-lo. Ele era extenso e grosso, mas eu conseguia lhe envolver bem. Já era possível ouvir os sons de Jongin, envolvido naquilo que eu estava fazendo.

- Kyungsoo, pare antes que eu me desfaça em você. – Murmurou sôfrego.

Atendi aos seus pedidos e fui levado de volta para abaixo de si, Jongin tirou minha bermuda rapidamente, tocando meu pênis com luxúria e reclamei baixinho por causa de sua demora. Minha cueca já não estava mais em meu corpo e Jongin envolvia meu membro com sua mão calorosa e firme. Fechei os olhos, indo para as ondas que ele estava me levando, mal me dando conta que ele já estava se preparando.

- Fique tranquilo, tudo bem? – Assenti enevoado.

Jongin usou um de seus produtos para aliviar minha tensão, depositando-o em minha entrada. Foi cuidadoso em introduzir seus dedos e após acostumar-me consigo dentro de mim, ele colocou sua glande. Respirei fundo, sentindo-o pulsar dentro de mim.

Jongin era cuidadoso, mas extremamente intenso. Eu sentia todo o meu corpo vibrar e ringir a cada estocada, como se eu fosse ser transportado para outra dimensão. Seus movimentos eram deliciosos, e a forma como me distraia do incomodo era melhor ainda. Nossos sons se misturavam, inebriantes e extasiados.

Quando abri meus olhos, certo de que eu havia me desfeito e ele também, tudo que eu via era Jongin. E essa era a imagem mais linda que havia visto. O suor brilhava em seu rosto e sua expressão era ainda mais fúlgida, trazendo toda aquela vastidão para dentro de mim.

 

(***)

 

Já era de manhã quando me acordei, eu estava coberto pelo cobertor e sentei-me na cama ao observar as movimentações de Jongin. Ele estava se vestindo, e já era esperado o que iria fazer em seguida. Quando colocou sua regata e terminou de calçar o tênis, segurei sua mão para que não fosse simplesmente embora, pois o que havia ocorrido na noite anterior não era algo simples para ser deixado para atrás.

Mesmo que não houvessem palavras ditas para comprovar o que eu estava prevendo, eram óbvios os sinais de meu coração. Jongin não era alguém que conquistava permanentemente, ele era como a lua, possuía várias fases e nenhuma delas seriam iguais as minhas, pois eu não possuía nenhuma.

Ele segurou minha mão, e com um sorriso ligeiro direcionado a mim, selou as costas dela. E essa foi a última vez que senti seus lábios quentes em minha tez, antes de se retirar do quarto e seguir pelo corredor.

Quando a porta bateu algo dentro de mim se afundou junto com todas as palavras que eu tinha para lhe dizer. E então algo ficou claro em minha mente, Jongin não era de escutar, era de fazer e ir embora. Era de começar algo e deixar pelo meio, inacabado e abandonado. Assim como a noite que tivemos.

Então imaginei, quantas noites assim foram deixadas para trás em suas viagens? Quantos amores perdidos e paixões momentâneas?

E ao supor tais situações, percebi que, eu era uma dessas noites inacabadas. Eu não era a pessoa que ficaria em sua mente por algum tempo, eu era apenas uma pessoa que passou por ela em alguns segundos, se não minutos contados em horas.

Simples horas, simples amores, simples histórias.

Algo simples demais para ser lembrado por alguém que era tudo, menos simples.

Jongin era conquistador, cheio de palavras bonitas e significados que se iam com o vento. Coisas que me faziam apaixonar facilmente e infelizmente, o fez. As palavras antes ditas por ele agora não faziam mais sentindo para mim, pois não era possível que alguém pudesse dizê-las e simplesmente ignorá-las logo depois.

Existia algum ser humano assim?

Certo de que eu deveria procurar por respostas, eu voltei ao meu quarto. Tentando colocar em minha cabeça algo que fizesse sentindo e acalmasse a agitação que estava plantada em meu coração.

 

(...)

 

Já era tarde quando bati à sua porta, pronto e ao mesmo tempo despreparado para dizer tudo que estava guardado dentro de mim sem as suas respostas.

Será que a noite anterior não tinha sido boa o bastante? Eu havia feito algo de errado? Ou ele simplesmente não gostava de caras como eu? Que eram úteis apenas por uma noite e cheios de chatices nos outros momentos?

Eu não sabia organizar os meus pensamentos e só pude paralisá-los quando Jongin abriu a porta. Ele parecia surpreso, e me perguntei se ele achou que eu nunca iria questioná-lo ou sequer citar o ocorrido.

- Kyungsoo? – Soou hesitante.

- Sim, eu posso entrar? Ou tem outro acompanhante seu aí dentro? – Ele me olhou em dúvida.

- Não entendo o que está fazendo.

- Muito menos eu entendo o que você está fazendo. – Cruzei os braços já dentro de seu quarto.

- Está querendo alguma coisa? Deixou algo aqui? – Engoli em seco, realmente surpreso pela sua falta de consideração.

- Você só pode estar brincando, certo? – Seu rosto ainda estava nublado pela confusão.

- Por que eu estaria brincando?

- Você disse que entendia e parecia querer também na noite passada. O que eu fiz de errado para você começar a agir dessa forma?

- Eu estou agindo de alguma forma?

- Exatamente Jongin, você não está agindo.

- Você está querendo explicações, não é? – Sorriu fraco, talvez pela incredulidade. – Desculpe se funciona para você de outra forma, mas...

- Como assim funciona? Jongin, você está pensando que eu sou o quê? Realmente vale todo o esforço conquistar alguém por todos aqueles dias para chegar no seu propósito e fingir que nada aconteceu depois? Realmente vale isso tudo? Vale iludir outras pessoas? Vale fazer de conta que elas não significam nada quando anteriormente significavam tudo? – Ele estava neutro dessa vez, parecia que finalmente havia entendido o que eu estava querendo dizer.

- Eu não tive a intenção de te tratar desse jeito, eu simplesmente...

- Não sabia como me tratar. – Complementei. - Você não sabe tratar pessoas como eu, certo? – Suspirei fundo, tentando afastar a tensão. – Mas eu achei que você soubesse como eu sou, soubesse como me tratar e soubesse o que estou procurando. E eu sei que você sabe muito bem disso, Jongin. Eu não estou procurando mais uma aventura, eu não quero deixar meu coração vibrar por qualquer um e depois deixá-lo à deriva, sozinho e se desfazendo para ser reconstruído por alguém e ser quebrado novamente, eu não sou assim! – Deixei claro.

- E você acha que eu não sei? Eu não me deito com estranhos, Kyungsoo.

- Então a meta de todas as suas viagens é conhecer alguém o suficiente para poder transar com ela? É isso? – Meus olhos já estavam se enchendo d’água, arrasado.

- Não, não é assim. – Suspirou.

- É assim, sim. Você só não quer admitir para não querer me decepcionar, pois eu sou um estúpido fraco.

- Não fale assim de si mesmo.

- E o que você quer que eu pense sobre mim depois de suas últimas ações?

- Eu sou o estúpido fraco, Kyungsoo. Eu não me aproximo das pessoas para me aventurar com elas e depois deixá-las, não pessoas como você, Kyungsoo. Todos os outros... todos eles sabiam qual era o meu propósito, pois tínhamos isso em comum. Mas você não... Você é diferente, e eu quis me aproximar, quis senti-lo, porque em você tinha algo que eu nunca havia provado antes, a segurança, a certeza, e eu passei tantos anos procurando pela insegurança e a inconstância achando que esse era o melhor para mim até conhecer você.

- Por que está dizendo isso se você vai embora depois? – Deixei com que as lágrimas saíssem, como os cacos de meu coração se despejando.

- Se você estiver ao meu lado, eu não terei razões para ir, a não ser que seja junto de você.

- O quê? – Murmurei.

- Eu não corro atrás de certezas, Kyungsoo. Mas por causa da sua insistência, eu acabei a encontrando. – Caminhou até mim, em sintonia com as batidas de meu coração, e então senti o seu selar em minha boca. O beijo delicado terminou após alguns segundos.

- Por que você fez isso? – Indaguei, me referindo ao modo que estava agindo antes. – Por que não foi até mim? Você sabe que eu não iria te repelir.

- Eu não sabia como agir porque eu nunca fiz isso antes. Eu iria me sentir um estúpido se eu fosse até você e você simplesmente me afastasse como um idiota.

- Você sabe que eu não faria isso. – Pareci decepcionado.

- Sim, eu acabei sendo um idiota de qualquer forma.

- Não teria sido se viesse até mim. – Ele sorriu levemente.

- Agora que eu sei disso, não vou mais me afastar. – Me abraçou e retribui o contato, sentindo o seu cheiro que eu tanto gostava. – Lembra-se do que eu disse? Sobre as faces da maturidade? Agora ela serve para que eu não seja mais um idiota. – Sorri abobalhado.

- Espero que isso sirva de lição. – Ele assentiu antes de voltar a me beijar.

 

(***)

 

Eu já havia terminado o meu diário de campo, e por isso, já estávamos de saída. O tão demorado e magnifico trinta dias haviam passado rapidamente, pois todo dia era incrível, assim como o anterior. Todas as minhas descobertas valiam a pena todo o esforço dado, assim como o trabalho de toda a equipe.

Baekhyun estava ao meu lado quando entramos no Trawler. Ele estava extremamente animado por conta do encerramento do seu diário de campo, e eu estava feliz por ele, já que ele realmente estava esperando muito por isso. Agora só faltava a avaliação de nosso instrutor.

Baekhyun tocou o meu ombro e disse que Jongin estava me esperando na beirada do barco, próximo ao cais. Fui até onde ele estava, sendo recebido por um selar na bochecha.

- Como você está se sentindo? – Perguntou enquanto o ar batia contra nossos corpos, refrescando a ansiedade que ardia em meu corpo.

- Estou muito bem, e você? – Sorri para ele e recebi o ato de volta.

- Estou ótimo, aliás, por que eu não estaria bem se estou ao seu lado? – Ri baixinho. – Ah, tenho algo para te mostrar. – Encarei-o surpreso. Jongin sempre havia algo para mostrar, e essa era uma de suas melhores qualidades, pois nunca havia tédio ao estar com ele. Ele tirou a mão das costas, erguendo-a para mim, segurando várias flores de begônia dentro de um buquê. - Acho que agora eu posso dizer o significado dela, não posso? – Jongin tocou a flor e assenti, ansioso. – Ela está associada à inocência e à lealdade do verdadeiro amor. E geralmente são indicadas para namorados apaixonados. – Sorri para ele e peguei as flores.

- Então é isso que você quer dizer?

- Sim, Kyungsoo. Eu sou apaixonado por você. – Segurou meus ombros com delicadeza e senti meu coração saltar metros de distância dentro do meu peito. – Posso te trazer a maior segurança do mundo? – Ri de suas palavras.

- Está perguntando se pode namorar comigo? – Assentiu, abobado. – Ainda acha que não irei aceitar? – Ele riu.

- Gostaria de me acompanhar nessa jornada, Do Kyungsoo? – Sorri reluzente.

- Seria um prazer, Kim Jongin. – Sorriu de volta.

E assim ficamos, soltos no enorme mundo que nos rondava, prontos para qualquer aventura e conhecimento que poderíamos obter, pois essa era a maior riqueza que qualquer universo poderia nos oferecer.  

O saber.

E não seria melhor participarmos de tudo isso juntos, com todo o amor que nos rondava. E agora, eu poderia ter a certeza. Eu era totalmente apaixonado por Jongin, assim como ele havia declarado ser por mim.

Juntos por um só propósito e uma só união.

 

16 de Novembro de 2018 às 19:11 1 Denunciar Insira 3
Fim

Conheça o autor

Maria Victoria Ol� caro visitante, sou apenas uma pseudo escritora que passa o tempo surtando por k-idols e sofrendo por animes, al�m de aclamar todos os livros da Cassandra Clare, sejam bem vindos ao cantinho das minhas hist�rias!

Comentar algo

Publique!
Maria Victoria Maria Victoria
19 de Janeiro de 2019 às 10:38
~

Histórias relacionadas