Ele (não) existe Seguir história

unlimited May Sant

Jongin, com apenas 26 anos, tinha mais de 56 romances publicados, embora ninguém soubesse disso. O jovem escritor anônimo que levou fama e dinheiro para dezenas de socialites e professores charlatões, tem a oportunidade de estrear no mercado literário com um livro só seu, com o seu nome na capa e tudo mais. Isso, com apenas uma condição: sua editora queria conhecer Kyungsoo, seu adorável namorado, e criar uma campanha de marketing incrível com o casal. Algo realmente simples de resolver, se Kyungsoo, de fato, existisse. RESPOSTADA | SOOKAI | CHANBAEK | Sehun!FEM | NINI!WRITER


Fanfiction Bandas/Cantores Para maiores de 18 apenas.

#exo #kaisoo #sookai #niniwriter #exofanfics
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.quando a vida imita a arte


Alguém me disse uma vez que “Se você não está disposto a parecer um idiota, você não merece se apaixonar”. E, okay, eu nunca pensaria em mim mesmo como dono daquele olhar bobo ou me ver simplesmente cedendo a assistir aquele jogo de basquete idiota de que Kyungsoo tanto gostava apenas porque ele queria estar comigo enquanto assistia seu time do coração ganhar mais um campeonato na MBA.

Entendam, eu ODEIO basquete, mas amo presenciar  a sua animação assistindo as partidas, amo como Kyungsoo tenta me explicar o que eu não entendo (e não ligo, aliás) do jogo, mas acima de tudo, amo os intervalos porque são neles  que toda a sua atencão é depositada em mim.

Então, okay, se apaixonar é parecer meio idiota, é odiar tanto, mas tanto um esporte e ainda estar disposto a ficar e assistir porque quer estar com quem se ama, é olhar para aqueles olhos grandes e aquele sorriso de coração e pensar que sim, aquele era o seu lugar no mundo.

(Tell me whats love. Epílogo, pg. 404 - K. J. I.)



O telefone tocou, a terceira vez num curto espaço de dez minutos, mas Jongin estava muito ocupado impedindo Jangoo de sair da banheira e espalhar água e sabão pelo banheiro para se preocupar.

— Porque você simplesmente não o leva a uma pet shop? — Baekhyun perguntou irritado com o telefone que não parava de tocar e consigo mesmo por ter aceitado ajudar o amigo com labrador de pelagem clara com a idade mental de um filhote enquanto se afastava, completamente molhado, em direção a sala onde o aparelho fixo continuava a tocar, com insistência. Fosse o que fosse, aparentemente não podia esperar.

Jongin suspirou e voltou sua atenção a Jangoo que continuava a se forçando para fora do seu abraço.

— Jangooni… fique parado garotão. Senta! Aff, ‘cê não me dá moral nenhuma — resmungou.


Quando conseguiu terminar o banho e secá-lo, deixou que o cachorro corresse para o seu cantinho e seguiu atrás do melhor amigo que ainda não havia terminado a ligação e parecia anotar algo de costas para para ele. Imaginando se tratar do namorado de Baekhyun (ou ex, ele ainda não tinha certeza), foi para cozinha, afim de lhe dar alguma privacidade. Pensou em preparar algo para comer, dar banho em Jangoo era uma luta e o esforço sempre o deixava  faminto, mas decidiu que era melhor tomar uma banho primeiro e se livrar daquele cheiro de cachorro molhado. Ao se virar em direção ao corredor, deu de cara com o mais velho sorrindo como um louco para ele. Arqueou uma sobrancelha ligeiramente curioso.

— Que foi? Chanyeol se desculpou? — O mais velho negou. — Então qual é desse sorriso estranho?

— SM Book’s aceitou o seu manuscrito — disse simplesmente, sem rodeios.

Jongin ficou parado absorvendo a informação e quando aquelas palavras finalmente fizeram sentido em sua cabeça, ele simplesmente caiu no chão da cozinha, desmaiado.

— Nini!!





Jongin era uma bolinha saltitante e reluzente de felicidade, mas também era só nervos enquanto aguardava a agente literária no restaurante para uma reunião onde seria explicado tudo o que ocorreria a partir do instante em que o contrato fosse assinado. Ele bem queria que Baekhyun estivesse com ele, mas era algo que precisava ser feito sozinho e o  melhor amigo estava em meio a uma crise no namoro, não podia simplesmente largar tudo para que Jongin não surtasse.

Ele era um adulto de 26 anos, saberia lidar com isso.

Esperava, ao menos.

Quando ele avistou, entrando no restaurante, uma mulher muito bonita, de saltos e vestindo um conjunto de terninho e calças sociais de cores claras, sentiu-se repentinamente desleixado. Supôs que deveria ser ela já que vinha em sua direção ao lado do garçom que a atendeu e se repreendeu. Deveria ter se arrumado melhor, mas não, preferiu se sentir confortável consigo mesmo – e ele também não tinha em seu guarda-roupa nada mais social do que do que aquela tentativa lamentável de camisa “fashion” que ganhou de Chanyeol (Chanyeol não deveria presentear ninguém com roupas, deveria ser considerado um atentado!). Respirou fundo, secando as mão suadas no jeans rasgados de lavagem desbotada e se levantou quando ela parou a sua frente com um sorriso cordial no rosto magnífico. Era uma mulher alta, loira e de olhos castanhos emoldurados por longos e espessos cílios. Sua maquiagem era simples, para o dia, sem exageros. Era realmente linda.

— Kim Jongin? — Ele percebeu que ela tinha a língua meio presa e o escritor considerou aquilo extremamente fofo.

— S-sou eu — gaguejou. — Oh Sehun-ssi, é um prazer.

— Apenas Sehun é o suficiente, temos quase mesma idade — disse dispensando qualquer formalidade e sentou-se, agradecendo o garçom que lhe entregou o menu antes de se afastar, dizendo para chamá-lo assim que estivessem prontos para pedir — Vamos fazer os nossos pedidos, então poderemos começar a reunião — sorriu.

— Bem, Jongin — ela só começou de fato a falar sobre o que realmente importava quando a sobremesa foi servida, antes disso, eles apenas concordaram que a comida estava deliciosa e o ambiente agradável, dispensando vez ou outra algum comentário aleatório sobre o tempo ou o trânsito. Sehun, era uma mulher simpática e comunicativa, o que ajudou e muito em seu nervosismo. — Eu adorei seu manuscrito, claro que ainda precisamos acertar alguns pontos, mas fique tranquilo quanto a isso, você participará de todo o processo e nós conversaremos sobre as mudanças antes que elas de fato ocorram — Jongin assentiu, ansioso. — Mas — continuou —, eu não pude deixar de notar a semelhança.

— Semelhança? — Indagou preocupado.

— Entre você e o personagem principal, sem mencionar seus nomes similares. Isso deve significar algo, estou certa?

Ele, sinceramente, nunca havia se preocupado com isso. O nome Jongho surgiu naturalmente ainda no início enquanto os personagens não passavam de rascunhos e ideias. Já sobre a sua personalidade, Baekhyun havia mencionado o quanto se pareciam, mas nunca se importou, talvez estivesse sendo proposital ao descrevê-lo. Enquanto pensava, sem perceber, sorriu pequeno e a mulher achou ter compreendido o que aquele singelo gesto significava.

— Eu imagino como deve ter sido difícil ouvir tantos tantos não’s em uma história tão importante pra você — ela disse e Jongin voltou a olhá-la, ouvindo atentamente. — O gênero ainda não é bem aceito no mercado literário, mas quando eu li, eu realmente consegui sentir a pureza por trás de cada palavra e vendo esse sorriso, consigo ver que os sentimentos que descreveu também são puros e genuínos.

— Sim, realmente são — admitiu, sem pensar.

— E saber que não se trata apenas de ficção, que é real me deixa ainda mais animada com os caminhos que podemos tomar.

— C-como?

— Por hora, vamos deixar assim, conversaremos sobre isso depois — disse e então mudou se assunto. — Porque ele não veio com você, eu teria adorado conhecê-lo.

— Ele, quem?

— Kyungsoo, seu namorado, quem mais? — Ela riu graciosamente, achando a atitude abobalhada do mais novo escritor da SM book’s uma graça. — Bem, nós teremos outras oportunidades — e sem saber bem o que fazer, Jongin apenas assentiu.

É, ele estava ferrado.




— VOCÊ O QUE?

— Tecnicamente, Sehun supôs tudo sozinha — deu de ombros, sem graça.

— E você não negou — o mais velho respirou fundo encarando a figura encolhida de Jongin em seu sofá. — O que vai fazer agora?

— Não faço ideia. Talvez eu apenas invente algo quando ela me pedir para conhecê-lo.

— E até quando?

— Ah, Baek, não é como se meu livro dependesse de um namorado imaginário para ser lançado. Uma mentirinha nunca matou ninguém.

Baekhyun sentou ao seu lado e suspirou, deitando a cabeça no encosto do sofá. Por algum tempo permaneceram calados até que ele se lembrou de algo. Olhou para o amigo novamente.

— Nós ainda vamos no encontro da nossa turma?

— Quer ir? Se não quiser tudo bem, eu sei que o Chan  vai e vocês, bem...

— Que se dane o Chanyeol, Junmyeon hyung vai estar lá… — riu alto ao ver Jongin corar. — Garoto bobo.

— Pretende ir com que roupa? — Baekhyun entrou no banheiro em meio ao vapor do recente banho de Jongin que se secava, sem se importar com o amigo invadindo seu espaço de roupão e máscara facial.

— Não tenho certeza — murmurou, envolvendo a toalha em torno da cintura, e apanhando uma menor para secar os cabelos antes de finalizar com o secador. — O que você acha?

— Hm… use algo sexy, mas que deixe espaço para a imaginação daquele sunbae — disse pensativo.

— Certo, acho que posso fazer isso — riu. — E você? Está mesmo bem em ir sabendo que o Chan também vai estar lá?

— Sabe o que me deixa irritado com ele, realmente? Não é nem o fato dele não querer morar comigo, mas a covardia de não admitir isso na minha cara e ficar criando desculpas como se ainda fossemos crianças. Estamos juntos a quase oito anos, não são oito semanas — bufou. — Nós praticamente passamos mais tempo juntos do que separados, qual a droga do problema de dar um passo adiante nesse relacionamento? Ele acha mesmo que eu tenho tempo pra brincar de vidinha? Que eu vou deixar os meus planos e lado, me deixar para depois? — Desabafou. Jongin o encarava boquiaberto. Baekhyun nunca dizia de fato o que estava sentindo, preferia resolver sozinho ou ao menos lidar com as próprias frustrações sem preocupar ninguém no processo e vê-lo falar tanto e parecer genuinamente chateado pela primeira vez desde que decidiram dar aquele tempo, o fazia se perguntar o quanto o mais velho não estava suportando sozinho.

— Talvez ele só não se sinta preparado ‘pra uma responsabilidade dessas — disse. — Eu não tenho conversado com Chanyeol desde que vocês brigaram, em respeito a você, mas nós dois sabemos que ele não brincaria com os seus sentimentos, ao menos não conscientemente.

— Eu não sei de mais nada — admitiu. — Mas eu não quero pensar nesse idiota hoje, quero pensar só em como o você vai conquistar o seu primeiro amor.

— Aish hyung, não fale assim — Jongin riu, constrangido indo em busca da roupa perfeita.

O bar estava cheio e assim que desceram no táxi, Jongin se arrependeu de ter ido até ali. Odiava lugares cheios e gente conversando alto, mas guardou para si a constatação enquanto via Baekhyun caminhar animado em direção a mesa reservada para a reunião da sua turma da faculdade. Ele viu o amigo cumprimentar aquelas pessoas e ignorar Chanyeol completamente ao que se lembrava de alguns e sorria, sentando-se tão discreto o quanto lhe permitia ser.

Costumava ser um garoto quieto na época da faculdade, de óculos grandes e redondos pendendo na ponte do nariz que estava quase sempre metido nos livros se não estivesse com o melhor amigo (às vezes, ele tinha o nariz enfiado nos livros mesmo na companhia de Baekhyun,algo que causava o seu ódio). Ele era simpático, mas tímido, as coisas melhoraram com o passar dos anos, entrementes, estar novamente na companhia daqueles fizeram parte da sua vida universitária causava-lhe o sensação de que havia retornado a aquele tempo. Que era o mesmo garoto bobo apaixonado pelo sunbae.

— Eu imaginei que vocês ainda seriam amigos mesmo… vocês não se desgrudavam! — Uma mulher, Sully disse enquanto os demais assentiram em concordância.

A conversa continuou por algum tempo, até Jongin decidir que precisava se levantar, escondendo a frustração de não ter conseguido falar diretamente com Junmyeon até o momento. Ele estava lá, sentado a sua frente e Jongin não tomava uma iniciativa, não dizia um oi ou o elogiava, e ele estava lindo, ainda mais bonito do que se lembrava se isso fosse possível, mas ele só continuou a bebericar sua cerveja ouvindo histórias do passado até precisar realmente ir ao banheiro. Ele nunca teve mesmo uma bexiga potente.

Pediu licença e se levantou, apressando os passos em seguida quando viu que eles não podiam mais vê-lo.

Riu de si mesmo lavando as mãos, passando-as em seguida no cabelo, ajeitando-os no lugar. Ao sair do banheiro, no corredor, deparou-se com Junmyeon apoiado na parede.

— Sunbae? — Jongin chamou, ganhando sua atenção.

— Não conseguimos nos falar ainda, não é? Queria falar com você.

— Sobre…? — Jongin sentiu o coração bater com força e tentou conter sua expressão diante a expectativa.

— Bem, eu vou me casar! — Contou, feliz. O mais novo deixou escapar um som surpreso, no entanto logo seus lábios forjaram o sorriso mais sincero que pode e o abraçou.

— Que boa notícia, sunbae. Como se chama? — Obrigou-se a perguntar.

— Você a conhece, é a Soojung. Lembra-se dela?

— Claro, claro… da turma de direito, certo?

— Exatamente! — Riu. —Eu ia mesmo contatar você e o Baekhyun, mas como surgiu esse encontro de última hora, esperei pra poder contar pessoalmente.

— Eu realmente fico feliz por você, sunbae.

— E você, como anda?

— E-eu? — Pensa, pensa, pensa… — Bem, eu acabei de assinar com uma editora...

— Woah! Sério? Vai ser um escritor então? Você queria muito isso, não é? Estou orgulhoso — sorriu.

— E também… estou namorando, há alguns meses, mas não acho que vá se converter em um casamento tão cedo.

— Não pense assim — disse movendo-se para abraçar seus ombros. Retesou-se sutilmente. — Vamos voltar? Já devem estar se perguntando sobre a gente — o mais novo assentiu, mas do que preparado para deixar esse assunto de lado. — Vamos marcar um dia  para nos encontrarmos, um encontro de casais. O que acha?

— Uma ótima ideia, v-vamos marcar sim.

— EU. SOU. UM. IMBECIL.

— E eu não posso nem negar.

— Como eu pude? Já não me basta a confusão com a Sehun-ssi? Eu… eu… argh!

— Seu celular está vibrando…

— Ah! Eu quero que se… ah, oi Sehun-ssi — Jongin mudou o tom ao perceber de quem se tratava.

— Como vai, Jongin? — Ela não deixou que respondesse. — Eu sei que está tarde, mas eu não sossegaria até te dar essa notícia.

— O que ‘tá acontecendo?

— A equipe de marketing concordou com a minha ideia de promover o seu livro, divulgando que é uma história real e o melhor de tudo, queremos que você e o seu namorado participem da divulgação.

— Como é?

— Converse com ele e me ligue, okay? Convença-o. Todos nós estamos ansiosos pela sua resposta.

— Mas… m-mas… — Jongin não conseguiu formular nenhuma frase coerente antes do telefonema terminar.

— O que foi?

— Tô fodido.




Baekhyun digitava furiosamente quando uma xícara de café fumegante foi deixada ao seu lado, sobre a mesa. Ele sorriu quando Chanyeol deixou um selar no topo da sua cabeça, apoiando, em seguida, nos ombros do mais novo, analisando o que tanto escrevia. Relaxou na cadeira sentindo-se confortável com a familiaridade da situação, como sentia falta de simplesmente estar com ele...

— Ainda falta muito?

— Já estou terminando — disse esticando-se todo ao que Chanyeol se afastava, dando espaço para espreguiçar. — Vou terminar, revisar e enviar para o meu chefe, então podemos jantar — avisou.

— Comida chinesa? — Perguntou.

— Comida chinesa — Concordou com um sorriso.

Depois de ter o arquivo enviado, alcançou o celular e digitou uma mensagem para Jongin perguntando se estava bem e como ele não havia visualizado, supôs que estivesse ocupado com alguma coisa. Teve que rir baixinho ao se lembrar da encrenca em tinha se metido e clicou na nova notificação que havia chegado do facebook. Enquanto se levantava de sua cadeira num cantinho da sala onde tinha feito seu escritório, olhou Chanyeol abrir a porta para o entregador e reagiu com um haha na publicação de Junmyeon, sacudindo a cabeça em negação. As piadas de tio ainda permaneciam em seu repertório.

Baekhyun deixou o aparelho sobre a bancada e foi ajudar Chanyeol a pôr a mesa. Ao pegá-lo novamente, havia uma mensagem de Jongin.


Jonginie:

Junmyeon sunbae quer se encontrar comigo e com o meu namorado

na semana que vem

e Sehun não para de me mandar mensagem perguntando sobre a resposta do Kyungsoo

estou perdido

Me:

tem razão

eu não tenho ideia de como te ajudar

eu me ofereci para fingir ser seu namorado

mas você me rejeitou

(emoji chorando)

Jonginie l:

não vou colocar o hyung nessa encrenca

sem contar que você não faz o meu tipo

Me:

bonito?

encantador?

gostoso?

todas as opções anteriores?

Jonginie:

(risos)

eu só queria encontrar um Kyungsoo por aí...

Me:

...

I HAVE IDEA!

Jonginie:

qual?

Baekhyunie?

Baekie?

YA! Byun Baekhyun!

Na barra de pesquisa do facebook, Baekhyun digitou Kyungsoo e sorriu maliciosamente com os resultados.

[...]

Jongin voltava de sua corrida matinal quando se deparou com aquela fila de homens parados no seu corredor. Alguns deles eram realmente bonitos e ele se sentiu constrangido por estar daquele jeito, todo suado e com a franja amarrada no topo de sua cabeça. Retirou a presilha do cabelo, ajeitando-o como podia e entrou em seu apartamento apenas para encontrar a sua sala vazia, exceto por sua mesa de vidro movida para o canto da parede onde Chanyeol e Baekhyun estavam sentados, parecendo muito divertidos com a situação.

— O que está acontecendo? — Sussurrou nervosamente, certificando-se de fechar a porta antes de perguntar.

— Um casting, o que mais seria? — Baekhyun respondeu, arrumando os óculos de armação redonda no rosto bonito e entrelaçou as mãos sobre a mesa. — E se eu fosse você, dava um jeito nessa bagunça — olhou-o de cima a baixo, como se o analisasse.

— Um... o que?! Enlouqueceu, foi?

— Uma seleção para encontrarmos um Kyungsoo — riu. — O interessante é que todos realmente se chamam Kyungsoo. Achei que seria mais convincente.

— M-mas!...

— Vamos, vamos, não temos muito tempo. Há pelo menos cem Kyungsoo’s lá fora para serem entrevistados — disse levantando-se e o arrastando em direção ao seu quarto.

— Você disse a eles que... Ai que vergonha — choramingou.

— Acha que eu sou o que? Um amador? — perguntou, fingindo-se de magoado. — Eu, claramente menti, eles pensam que é um comercial. Só o nosso Kyungsoo saberá a verdade e duvido que recuse depois de ver o que estamos dispostos a pagar.

— Estamos?

­— Sim, estamos. Você acha que ele vai aceitar te namorar de graça?

— Obrigado, melhor amigo, você sabe como levantar a minha autoestima — resmungou enquanto Baekhyun praticamente puxava a roupa para fora de seu corpo e o empurrava para o banheiro.

— Você entendeu o que eu quis dizer — fungou. — Não demore!

Mais apresentável, Jongin voltou a sala, não exatamente confiante de que aquilo daria certo. Arranhou a garganta para Baekhyun e Chanyeol que riam e se davam beijinhos. Rolou os olhos, sorrindo fraco, feliz por terem se acertado e sentou na cadeira livre ao lado do melhor amigo.

— Onde está Jangoo?

— Na área de serviços — Baekhyun respondeu. — Podemos começar?

— Isso não vai mesmo dar certo — resmungou mais foi completamente ignorado.

— An Kyungsoo!

Um homem alto, de cabelos curtos, passou pela porta e imediatamente, Jongin o descartou. Ele não se parecia em nada com o seu Kyungsoo. Ouviu Baekhyun fazer algumas perguntas e o dispensou, cinco minutos depois com a promessa de que ligariam quando tivessem um resultado. Baekhyun sorriu para ele e Jongin pensou em como era dissimulado.

Dezessete Kyungsoo’s depois e Jongin tinha plena a convicção de aquilo não funcionaria. Ele havia sido muito imaginário em sua descrição, não havia se inspirado em alguém em especial, era impossível que um Kyungsoo como seu personagem existisse. Seu telefone tocou, era Sehun. Choramingou. Enquanto atendia, Chanyeol chamou o próximo candidato.

— Do Kyungsoo!

Quando o candidato entrou, o mundo pareceu parar para Jongin que, simplesmente se esqueceu da mulher no outro lado da linha, desligando a ligação e ficando literalmente de queixo caído enquanto o analisava. Até a altura! Ele pensou. Seu personagem era alguns centímetros mais baixo do que o seu protagonista. Também tinha os mesmos olhinhos redondos, lábios que formavam um coração ao sorrir e aquela expressão suave, séria. Jongin riu e o Do o encarou com uma sobrancelha arqueada.

— Do Kyungsoo? — Baekhyun chamou, atraindo a atenção do rapaz, piscando para Jongin no processo. — Pode nos falar um pouco de você?

— Bem, eu sou do interior... me mudei para Seul há alguns meses. Tenho 28 anos e sou ator, estou tentando, na verdade — disse olhando para o escritor vez ou outra, curioso com a reação anterior.

— Do Kyungsoo-ssi, você pode nos dar licença por um instante? — Ele assentiu, afastando-se para a estante na outra extremidade da sala, olhando os livros ali. Haviam muitos, o proprietário daquele apartamento deveria mesmo gostar de ler. — O que você achou? — Baekhyun perguntou ao amigo, notando o brilho em seu olhar que ainda não havia se desviado do desconhecido.

— É ele — sussurrou de volta.

— Tem certeza?

— Você leu meu livro, Baekie — suspirou. — É como se eu o houvesse descrito.

Baekhyun sorriu, assentindo.

— Certo. Do Kyungsoo, você pode me acompanhar? — Perguntou, indicando a varanda. — Eu vou direto ao ponto, okay? — O Do assentiu. — Isso não é um casting para um comercial, nós estamos procurando um namorado para o Jongin — explicou ao que Kyungsoo arregalava os olhos. — Está vendo aquele idiota com aquela cara de paspalho para você? —Apontou por cima dos ombros, onde, através do vidro o escritor não tirava os olhos deles. — Aquele é o Jongin, ele fez a besteira de inventar uma mentirinha para algumas pessoas e agora está em apuros, é uma longa história, mas não é como se não fossemos pagá-lo por seus serviços.

— Vocês querem um acompanhante de luxo? — Indagou descrente.

— Nada disso, se tocar no meu bebê, aquele grandão ali, acaba com você — ameaçou, mencionando Chanyeol, apesar de saber que o namorado não machucaria uma mosca. — Queremos que finja ser o namorado de Jongin e o pagaremos por isso. Simples, aceita?

— É uma loucura, mas não é como se eu estivesse recusando trabalhos.

— Ótimo, vou fazer o contrato — avisou voltando para sala, sendo seguido pelo Do. — Por hora, — disse, jogando uma cópia do manuscrito que estava sobre a mesa para o mais velho. — Leia, absorva e seja o Kyungsoo dessa história. Nosso sucesso depende de você... hyung.

— Não seja tão dramático, Baekie — Jongin murmurou batendo o rosto contra o tampo de vidro.

— Kyungsoo aceitou, não é ótimo? — Suspirou. — Traga suas coisas para cá, quando voltar o contrato estará pronto para ser assinado e a primeira parte do seu pagamento será depositada.

— Não fale dessa forma, Baekhyun!

— Calado, garoto — olhou para o rapaz. — Porque não está fazendo o que eu disse?

— Lendo o livro ou indo buscar as minhas coisas? — Kyungsoo perguntou risonho, para provocar. — Afinal, porque eu tenho que morar aqui?

— E eu lá faço as coisas pela metade? Faça o que eu estou dizendo, Do Kyungsoo.

— Okay, okay.  Já estou indo — riu baixinho. — Tchau namorado, tchau amigos do meu namorado...

Jongin só voltou a respirar quando a porta foi fechada. Estava vermelho.

— Acha que ele vai voltar?

— Porque não voltaria?

— Porque isso é loucura?

— Apenas confie em mim.

— E os outros Kyungsoo’s lá fora?

— Resolva isso, Chanyeol. Preciso descansar — disse a caminho do quarto de Jongin que o seguiu. Chanyeol balançou a cabeça e suspirou.

Kyungsoo leu o contrato duas vezes, apenas por garantia. Era um simples contrato de sigilo, não parecia haver pegadinhas. Olhou para Baekhyun que permanecia sério, sentado à sua frente. Pegou a caneta entre eles.

— Entendeu tudo? — Ele perguntou. — Todas as regras? Nada de relacionamento. Beijos apenas quando necessário, se eu descobrir que você está se aproveitando da situação, ah, você estará em apuros... nada de confusões, vocês serão figuras públicas, portanto nada de escândalos. Nós devemos sempre saber onde está e você deve morar aqui até o fim do contrato.

— Que será depois do lançamento, mas aqui não diz quando será.

— A editora ainda não deu uma data, mas o namoro de vocês, assim como o contrato terminará na data de estreia. Alguma pergunta?

— Precisamos dormir no mesmo quarto?

— Há um quarto de hóspedes aqui, não se preocupe... será que eu preciso acrescentar no contrato “nada de se esgueirar para o quarto do meu bebê”?

— Baekhyun!! — Jongin gritou.

— Certo, certo. Você só tem que assinar agora, acima do seu nome — Kyungsoo fez conforme foi dito e deslizou o papel para Jongin, sentado ao lado do amigo. — Agora você, Jonginie — disse. — Pronto, agora vocês são oficialmente namorados — sorriu. — Vamos comemorar! Gosta de comida indiana, Kyungsoo hyung? — Perguntou se levantando para ligar para o restaurante.

— Ele é sempre bipolar assim?

— Às vezes... ele é pior.

Eles estavam sozinhos, era o primeiro dia juntos e Jongin não tinha ideia do que fazer. Queria agir naturalmente, mas era simplesmente impossível obrigar seu corpo a ir até a sala e sentar-se ao lado dele. Jongin estava na cozinha, com o notebook sobre a bancada de onde podia ver Kyungsoo concentrado na tevê, ele parecia fascinado com a ideia de assistir o jogo de basquete que passaria naquela noite na imensa tela e o escritor apenas permitiu, com um sorriso ao passar pela sua cabeça que ele também era viciado no esporte.

— É coincidência demais... — murmurou.

— Disse alguma coisa? — Kyungsoo o encarou por cima do encosto do sofá.

— Eu... perguntei se quer uma cerveja.

— Adoraria — Jongin assentiu, indo até a geladeira e pegando algumas antes de ir para a sala, deixando as latinhas sobre a mesinha de centro e sentou-se em sua poltrona, olhando para a tevê sem se interessar de fato pelo que acontecia.

— O que você faz da vida? — Kyungsoo perguntou abrindo uma latinha e bebendo um gole, deixando que Jangoo deitasse a cabeça em seu colo.

— Eu sou... fui um Shadow Writer.

— O que é isso?

— Eu escrevia livros, mas outras pessoas levavam o crédito.

— Wow. Isso não é... errado?

— Tecnicamente não. Meu nome estava lá, nos créditos, só não era o nome em letras garrafais. Muitos escritores fazer isso hoje em dia — deu de ombros. — Não era o que eu queria, mas foi o que consegui até conseguir lançar meu próprio livro — sorriu, sem jeito. Kyungsoo balançou a cabeça, em entendimento.

— Eu estou lendo o seu livro, não é mesmo uma história real? — Jongin negou. — De qualquer forma, não é como se eu precisasse me esforçar para interpretar a mim mesmo — riu. — Tem certeza de que não é nenhum stalker?

— Fique quieto — riu baixinho. — Jangooni, desça daí — mandou quando o cachorro começou a se esfregar no estofado. — Aff, ele não me escuta mesmo.

— Jangoo, desça! — Kyungsoo mandou e para o espanto de Jongin, ele fez o que foi dito, indo se sentar em sua caminha.

— Ótimo, ele te escuta, mas não escuta a mim. Perfeito! — Resmungou enquanto seu namorado de mentira ria voltando a prestar atenção ao jogo que voltava do comercial.

[...]

Baekhyun desceu primeiro do táxi. Logo em seguida, Kyungsoo e Jongin. Deram as mãos e Baekhyun assentiu, aprovando a ato.

Durante a semana que antecedeu a reunião, eles conversaram, combinaram como agiriam um com o outro e tentaram se acostumar com a presença alheia. Kyungsoo era um ator, com ele não haveria problemas, o motivo da irritação de Baekhyun no momento era Jongin que não parava de transpirar e murmurar que estragaria tudo.

— Vai mesmo, se não parar de surtar — o mais velho disse, impiedoso.

— Grosso.

— Certo, desculpe, mas você precisa se acalmar. Kyungsoo leu o manuscrito, você conhece sua história, não há maneira de isso dar errado, a menos é claro, que você não se acalme.

— Tudo bem, você está certo — respirou fundo enquanto Baekhyun pagava o taxista. Olhou Kyungsoo, que sorria para ele e tentou se acalmar, devolvendo o sorriso.

— Pronto? — Ele perguntou.

— Nenhum pouco. Vamos lá.

Sehun os esperava na recepção realmente feliz por finalmente conhecer Kyungsoo.

— É possível que você seja ainda mais bonito do que eu imaginei? Que inveja de você, Jongin-ah! — O escritor apenas riu, tentando esconder o constrangimento enquanto Kyungsoo sorria pequeno, tímido e ele não sabia dizer se isso já fazia parte da atuação ou era real. — E você deve ser Baekhyun — Sehun cumprimentou o mais velho e pediu para que a seguissem até a sala onde ocorreria a reunião.

Na maior parte do tempo, Jongin apenas ouviu o que a equipe de marketing tinha a dizer sobre a promoção, ouviu as sugestões de Baekhyun e viu Kyungsoo concordar algumas vezes quando a pergunta era dirigida a ele. Quando o assunto mudou, Jongin se viu mais participativo, afinal eram sobre as mudanças do livro e de fato, sua opinião contava nas decisões e ficou feliz, tudo o que não queria era que seu livro fosse outro ao ser finalmente publicado.

— Nós não pretendemos saturar a imagens de vocês expondo-os na mídia, serão poucas entrevistas, prometo, durante a pré-venda para que a atenção do público esteja completamente voltada para vocês — Sehun sorriu. — Acho que isso é tudo por enquanto.

Depois de se despedirem, Jongin e Kyungsoo fizeram companhia a Baekhyun até que ele tomasse um táxi para casa. Os dois ainda tinham um compromisso antes que pudessem finalmente dar adeus aquele dia estressante, na visão do escritor, claro.

— Juízo, vocês dois — Baekhyun disse antes de entrar no carro, ganhando o revirar de olhos do melhor amigo e uma risadinha do ator.

— O café que o sunbae disse para encontrá-lo não é muito longe daqui — Jongin disse, enfiando as mãos enluvadas nos bolsos do casaco e empurrando Kyungsoo levemente com o ombro para que o seguisse.

— Porque temos que encontrá-lo?

— Porque ele é um amigo — deu de ombros como se fosse óbvio.

— Mas porque eu estou indo junto? — Perguntou e quando não foi respondido, apressou os passos apenas para parar a sua frente, bloqueando o caminho. — Porque eu estou indo junto? — Repetiu e Jongin desviou o olhar para os carros na rua. — Ele é algum ex-namorado?

— Nós nunca namoramos.

— Mas queria, não é? — Deu uma risadinha maliciosa. — Okay, vamos logo, estou congelando aqui — resmungou voltando a andar e em um gesto fofo, Jongin pegou uma de suas mãos, colocando-a dentro do seu bolso e sorriu timidamente. — Minha outra mão pode cair e tudo bem então? ­— Provocou, balançando a mão livre de dedos longos como os de um pianista.

— Como você é chato, homem! — Resmungou parando e tirou uma das suas luvas, dando a ele e então enfiou novamente as mãos desprotegidas dentro do bolso.

— Bem melhor assim — o ruivo rolou os olhos, mas estava sorrindo.

O café em questão ficava há apenas algumas quadras do prédio da editora e quando entraram, Junmyeon e Soojung já os esperavam sentados na mesa que haviam escolhido. O mais velho acenou quando os viu. Kyungsoo fez uma careta e Jongin lhe deu uma cotovelada.

— Se comporte.

— Se comporte você, ele é um homem comprometido e você também. Tire esse sorriso bobo do rosto — mandou enquanto arrastava um Jongin de sobrancelha arqueada até a mesa. — Desculpe o atraso, estávamos em uma reunião que parecia não acabar nunca — Kyungsoo disse simulando um sorriso agradável, sentando-se ao lado oposto do casal, trazendo o moreno junto.

— Tudo bem, Jonginie avisou que poderiam demorar um pouco. Sou Junmyeon e essa é minha noiva, Soojung — a moça sorriu ao ser apresentada — você deve ser Do Kyungsoo, certo? Prazer.

— Igualmente — o mais baixo respondeu educadamente, analisando o cardápio. — Já sabe o que vai pedir, Jagiya? — Jongin arregalou os olhos e corou enquanto o outro casal ria. Sem pensar, ele estapeou o seu ombro.

— Pare com isso — riu sem graça.

— Não reprima o rapaz assim, Jonginie — Junmyeon riu. — Jungie não gosta que eu a chame de bebê ­ — disse a Kyungsoo como se confidenciasse algo e foi a vez de Soojung se constranger.

— Vocês são horríveis.

— Acho que vou querer um cappuccino e uma torta, e você Nini-ah? — Perguntou.

— Pode ser o mesmo... Soo.

[...]

— Sem pânico, mas acho que talvez possa ter perdido Jangoo — os dois rapazes que entravam no apartamento, tranquilos e pensando seriamente em pedir comida por telefone ao invés de fazer o jantar, estancaram no lugar olhando para um Baekhyun preocupado no meio da sala.

— Como assim?! — Jongin perguntou, tentando manter a calma e não matar o melhor amigo.

— Esqueci meu celular no balcão, então vim buscar. Eu deixei a porta aberta por dois minutos e quando fui me despedir dele, não o encontrei em lugar nenhum. Me desculpe Jonginie.

— Eu não acredito nisso...

— Nós vamos encontrá-lo — foi Kyungsoo quem disse. — Ele não pode ter ido tão longe... tem algum lugar que você costuma levá-lo?

— O parque, mas...

— Vamos olhar lá e você Baekhyun, desça pelas escadas de incêndio e olhe nos andares, talvez ele nem tenha saído do prédio e só esteja brincando por aí — o mais velho assentiu e Kyungsoo sorriu tentando passar tranquilidade a Jongin enquanto o arrastava para fora outra vez.

— Jangoo! Aqui garoto! — Jongin gritou, outra vez. Estavam há algum tempo fazendo o mesmo caminho que o escritor costumava fazer com o labrador quando o levava para passear. Jangoo gostava daquele parque porque haviam muitas crianças e mesmo já tendo quatro anos, era um eterno filhote, adorava brincar. Fungou.

— Vamos encontrá-lo — Kyungsoo tentou animá-lo olhando em volta. — Ele tem identificação na coleira?

— Sim, mas meu Jangooni é tão bonito... será que vão me devolver?

Depois de algum tempo de busca e com a certeza de que ele não estava lá, voltaram para o prédio e na portaria encontraram Baekhyun conversando com o porteiro?

— Nada?

— O senhor Kim disse que não viu Jangoo passar por aqui — murmurou, seus olhos estavam vermelhos. — Me desculpe, mesmo, Jongin.

— Tudo bem Baekie, eu sei que não foi por mal — Jongin falou baixinho indo em direção ao elevador.

— Eu devia ter sido mais cuidadoso, eu sei como Jangoo é atentado e em como o Nini é apegado a ele...

— Ele vai aparecer, Baekhyun — o mais velho disse, sorrindo pequeno para ele ao que apertava seu ombro em um gesto de conforto.

Fazia uma semana desde o desaparecimento de Jangoo e Jongin estava preocupado, não havia como esconder. Ele e Kyungsoo saiam todos os dias pelo bairro na esperança de encontrá-lo, esperança essa que estava começando a desaparecer. Jangoo era bonito e bom com crianças, começava a duvidar de que fosse vê-lo novamente um dia, esperava, no entanto, que seus novos donos fossem bons para ele e não se estressassem muito com a sua bagunça.

Kyungsoo o observava do outro extremo do camarim enquanto algumas moças tentavam dar um jeito em suas olheiras, também estava preocupado com o labrador, mas alguém precisava manter a calma ou estariam perdidos.

Era a primeira entrevista deles e foi preciso muita força de vontade para convencer Jongin a ir, ele não queria fazer outra coisa que não envolvesse ver as fotografias de Jangoo ou procurá-lo.

— Pronto querido — uma das maquiadoras disse Kyungsoo agradeceu, levantando-se da cadeira e indo em direção de Jongin, entrementes, antes que pudesse dizer qualquer coisa, Baekhyun entrou com dois copos de café.

— O produtor me pediu pra avisar que vocês têm cinco minutos — avisou, sorrindo pequeno para o amigo e acariciando seu cabelo feito em um topete charmoso, entregando um dos copos a ele e o outro a Kyungsoo. Jongin assentiu, sorrindo de volta e se levantou.

— Você ‘tá parecendo um idol — o escritor disse. — Já pensou na possibilidade? — o mais baixo rolou os olhos.

Partiram para o estúdio e sentaram-se no sofá que lhes foi indicado. Entrelaçaram as mãos e Jongin passou a brincar com os dedos bonitos de Kyungsoo. Parecia estranho, mas eles, com pouco tempo de convivência, sentiam-se próximos, acostumados com a presença um do outro e cada vez ações como aquela pareciam naturais e nada premeditadas.

O apresentador se aproximou para cumprimenta-los e logo todos da produção faziam silêncio enquanto alguém, com as mãos, enumerava a contagem regressiva para entrarem no ar, ao vivo. De repente, Jongin começou a suar frio e Kyungsoo apertou sua mão, encorajando-o e ele respirou fundo.

— Boa noite — o apresentador sorriu para a câmera indicada —, como prometido, o escritor de Tell me whats love está aqui comigo para uma entrevista acompanhado de Do Kyungsoo, que, se aquelas páginas significam alguma coisa, logo será conhecido por nós como príncipe encantado. — Jongin riu alto enquanto Kyungsoo corava por debaixo da maquiagem e desviava o olhar. — Oh, ele é realmente tímido, que graça!

— Você já leu então, Jongdae-ssi? — Jongin perguntou.

— De que adianta a influência, se não pudermos usá-la de vez em quando? — O apresentador riu acompanhado de seus convidados. — Nossas redes sociais ficaram simplesmente enlouquecidas desde a notícia da entrevista, então eu, pessoalmente, separei algumas perguntas de nossos telespectadores para vocês. Espero que estejam preparados — os dois riram e assentiram. — Estou falando sério, há algumas perguntas aqui que, bem, não são qualquer coisa... a primeira pergunta é fácil: “como se conheceram?”

— Vão ter que ler o livro para descobrir —Kyungsoo respondeu risonho —, mas eu posso adiantar que caranguejos fazem parte da história — Jongin rolou os olhos, mas continuou sorrindo.

— Essa daqui, bem, eu precisei ir conferir a rede social e eu ainda não acredito que essa pergunta saiu da mente de uma criança de quinze anos, ‘tá feliz fanservice? “Quem de vocês é o seme e se há alguma cena mais quente no livro?”

Surpreso, Jongin ficou vermelho.

— Isso é... pessoal e não era algo que eu estava interessado em escrever...

— Jonginie adora me provocar porque sou tímido, mas é só fazer uma perguntinha mais pesada que ele desaba — Kyungsoo e Jongdae riram.

— Então, por hoje é só — Jongdae disse, depois de quase uma hora de entrevista. — O lançamento de Tell me whats love está previsto para a primeira semana de março, mas a pré-venda começa hoje e se eu fosse vocês, corria para o site da SM book’s porque eles preparam uma surpresa incrível aos primeiros compradores! Até a semana que vem!

Quando as câmeras desligaram, Jongin e Kyungsoo agradeceram e Jongdae os fez prometer que autografariam seu livro. Respirando aliviados, eles voltaram para o camarim.

— Eu achei que você fosse explodir — Kyungsoo o provocou.

— Eu não imaginei que fariam esse tipo de pergunta — Jongin respondeu abrindo a porta do camarim onde Baekhyun estava... chorando?

— Baekie? O que aconteceu?

— Encontraram o Jangoo. Acabaram de ligar para o seu celular do abrigo de animais, encontraram ele andando por aí e o levaram para lá.

— Ele está bem? — Kyungsoo perguntou.

— Aparentemente, apenas assustado.

— Nós podemos ir buscá-lo? — Jongin pediu, ansioso.

— Vou chamar um táxi.

— Meu bebê, meu bebê, meu bebê... — o escritor murmurava em meio às lágrimas, abraçando o labrador sem se importar com a evidente sujeira em seu pelo. — Ele parece magro, não parece? — Olhou para Kyungsoo que estava agachado junto a ele, acariciando-o, feliz por estar bem. — Não acha Baekhyunie?

— Pra mim ele só parece sujo, não é seu safado? — disse aliviado e agradeceu os voluntários do abrigo, Jongin não estava em condições de fazer nada além de se agarrar ao animal como se sua vida dependesse disso.

[...]

Kyungsoo relia o roteiro do comercial que faria naquele dia quando Baekhyun, seu novo empresário (bem, todos assumiram que o mais velho agenciava tanto ele quanto Jongin e acabaram deixando estar, ele estava fazendo um bom trabalho até então), entrou no apartamento sem bater, como de costume.

— Segura isso pra mim? — Ele pediu e Kyungsoo pegou, sem entender, o pote de shake de proteínas e não que ele usasse, mas conhecia aquela marca, era famosa entre os idols e, consequentemente, entre os adolescentes.

— O que está fazendo?

— Dinheiro. Segure e sorria — mandou e quando Kyungsoo parou de ler o rótulo para olhar o mais novo, se surpreendeu com o flash. Baekhyun rolou os olhos. — Sorria, hyung, sorria! — Foi a vez de Kyungsoo rolar os olhos, mas sorriu e acabou se divertindo, fazendo algumas poses.

— O que estão fazendo? — Ouviram do corredor e ao se virarem, depararam-se com a figura descabelada de Jongin que havia acabado de acordar.

— Dinheiro, de acordo com Baekhyun — Kyungsoo deu de ombros.

— Isso são horas?

— Hoje é sábado, não enche — resmungou indo para a cozinha.

— Ué, o que deu nele?

— ‘Tá assim, desde de ontem quando descobriu que eu vou beijar uma moça no comercial — sussurrou.

— Deixe o ciúme para as câmeras, Nini, essa expressão vai te dar rugas mais cedo — Jongin apertou os olhos para os dois, mas preferiu o silêncio.

— Jangooni, larga a bota do Jongin! — O cachorro resmungou, mas obedeceu Kyungsoo e deixou o calçado de lado indo se sentar aos seus pés. — Bom garoto.

— Que absurdo! — Jongin resmungou e com um pote de biscoitos, voltou para o quarto.

O comercial era sobre uma nova linha de perfume da marca que o contratou. Era simples e sua gravação foi rápida, mas Kyungsoo estava feliz, sentia como se seu sonho finalmente pudesse ser realizado e tudo graças uma ideia insana e, segundo Baekhyun, as coisas só tendiam a melhorar, recebia propostas todos os dias, nem todas eram boas, mas aparentemente, até uma ponta em um dorama estava sendo avaliada no momento.

Ainda de longe, na entrada do prédio em que morava temporariamente, viu uma cena que não agradou. Não entendeu porque se sentia tão incomodado, mas se aproximou e percebeu que quando Junmyeon o notou, rapidamente deixou de acariciar o rosto de Jongin. O escritor olhou para trás encontrando o olhar sério de Kyungsoo que passou reto por eles, sem cumprimenta-los.

— Acho que nós o aborrecemos — Junmyeon disse, um minuto depois, constrangido. — Acho que deve subir.

— Tudo bem se eu for agora, sunbae?

— Vai lá, depois conversamos — Junmyeon aproximou-se e beijou sua testa, sobre sua franja e se afastou, em seguida, sorrindo e partiu. Jongin ficou parado no lugar por algum tempo vendo-o se afastar, antes de se lembrar de Kyungsoo, então ele correu para dentro, em direção aos elevadores.

O ator não estava na sala quando entrou e depois de tirar os sapatos, seguiu para o quarto que ele ocupava. Bateu antes de entrar.

— Kyungsoo? — Chamou. Ele também não estava ali, mas a luz do banheiro estava ligada e o chuveiro ligado podia ser ouvido. Resolveu voltar para a cozinha, terminar o jantar que havia começado antes de Junmyeon telefonar avisando que estava lá embaixo e queria conversar. Balançou a cabeça quando se lembrou do assunto e disse para si mesmo que deixaria aquilo para depois.

Quando Kyungsoo voltou a sala, Jongin tirava algo de forno e que parecia cheirar bem.

— Junmyeon vem jantar aqui?

— Hm? Não, porque? — Imaginou que a pergunta se devia ao que viu e sem razão aparente, se sentiu constrangido. — Eu me lembrei que você havia dito que gostava de carne assada e tinha essa receita que eu vi hoje à tarde...

— Está assistindo canal culinário agora? — Brincou se aproximando da bancada e se inclinando para ver o que tinha na assadeira. Sentiu a boca salivar.

— Eu estava entediado! — Se defendeu. — Vai querer ou não? — Perguntou, repentinamente mal-humorado.

— Claro, claro...

— Eu vou pegar os pratos!

­— Ah... e o que o Junmyeon queria? — Kyungsoo perguntou como quem não quer nada e gemeu com o sabor da carne. — Isso ‘tá muito bom.

— Obrigado e... nada demais, ele só queria conversar.

— Eu achei que tinha estragado o clima.

— Não havia clima nenhum, Soo. Pare de falar besteiras e coma.

[...]

Podia parecer que não, mas Jongin estava nervoso. Baekhyun havia desaparecido com Chanyeol e Kyungsoo estava fazendo um teste e chegaria atrasado para o lançamento. Sehun estava com ele, arrumando sua gravata a todo momento e dizendo como ele era o homem mais bonito daquela festa. Sorriu para a mulher. Nesse mês haviam se tornado extremamente próximos ao ponto de se sentir mal por estar mentindo para ela.

Mas se tudo ocorresse como planejavam, sua mentira estava com os dias contados, entrementes, não estava satisfeito com aquela resolução. Contudo, era a noite uma noite especial e nada além de sua estreia como escritor deveria ser importante, nem mesmo o seu coração apertado ao se imaginar sem Kyungsoo. Aquele mês havia sido... diferente.

— Jongin-ah? — Sehun chamou. — Kyungsoo-ssi chegou — avisou apontando em sua direção, e ele estava lindo vestindo aquele terno que Baekhyun escolheu. Ele o odiava, tinha certeza disso, mas estava ótimo. — Vou deixar vocês sozinhos, acho que só ele vai te acalmar nesse momento — sorriu calmamente enquanto se levantava, seu vestido azul e brilhante delineando perfeitamente seu corpo e beijou Kyungsoo na bochecha quando ele se aproximou.

— Onde está Baekhyun? — Perguntou sentando-se ao seu lado. Se algum dos dois se deu conta do suave beijo que Kyungsoo simplesmente deixou nas costas da sua mão, resolveram não comentar sobre isso.

— Eu não tenho certeza, ele disse que haviam algumas pessoas com quem deveria conversar, mas o Chan foi com ele, então tenho minhas dúvidas sobre o tipo de conversa está tendo e com quem... — Kyungsoo riu. — Como foi o seu teste?

— Estou confiante. Sabe, nada disso estaria acontecendo comigo se não fosse por essa loucura... eu tenho tanto a agradecer.

— Não vamos falar disso agora, tudo bem? Podemos ser só Jongho e Kyungsoo essa noite? Nada de mentiras e contratos malucos, só... nós dois. — Kyungsoo apenas sorriu.

Apesar de que querer que aquela noite durasse para sempre, tudo pareceu passar rapidamente. O seu discurso e o de Sehun, as poucas palavras de Kyungsoo. Tudo passou como se fossem simples minutos e não as horas que sabia de que havia passado naquele salão.

Pelo menos, quando Jongin deitou a cabeça no travesseiro consciente da presença de Kyungsoo logo no quarto em frente ao seu, parecia mais certo da decisão que precisava tomar. Agora sabia a quem seu coração realmente pertencia.

Me:

Podemos conversar amanhã?

Não esperou uma resposta para poder adormecer.

[...]

Kyungsoo havia decidido deixar claro sobre como se sentia a respeito de Jongin naquela manhã, mas foi frustrado quando, ao acordar, descobriu que ele já não estava mais em casa.

Preparou um café simples e torradas depois de encher a vasilha de Jangoo e comeu sem prestar atenção em nada, o que era bom, uma vez que o café estava forte e as torradas queimadas. Meia hora depois, Baekhyun lhe ligou, dizendo que precisavam conversar e Kyungsoo avisou que estava indo para o seu apartamento. Tomou um banho rápido e se certificou de que Jangoo tinha tudo o que lhe era necessário, não sabia quando ele ou Jongin voltariam.

Segurava com força a pasta que Baekhyun havia lhe entregado com a promessa de que pensaria a respeito. Riu, descrente consigo mesmo, olhando distraído as vitrines a caminho de casa, a caminho da casa de Jongin. Era incrível como a vida gostava de brincar ele e agora seria obrigado a escolher entre duas coisas que queria muito, era como se nunca pudesse ter tudo o que desejava, sempre precisaria escolher entre um ou outro. Sua família ou estudar artes, sua família ou sua sexualidade, uma vida fácil e simples em Daegu ou o seu sonho em Seul e agora seu sonho ou Jongin.

Aquele papel... ele não podia simplesmente recusar, mas Jongin...

— Jongin? — Franziu o cenho ao vê-lo na companhia de Junmyeon, tomando café. Os dois conversavam e sorriam e Kyungsoo pode ver o momento em que o mais velho pegou em sua mão.  Não queria ver mais, não precisava de mais nada para saber que Jongin nunca seria seu.

Daquela vez, ao menos, sua decisão pareceu mais fácil, embora não tenha sido menos dolorosa, de ser tomada.

— Desculpe fazê-lo esperar tanto, mas você realmente me pegou de surpresa naquele dia, sunbae.

— Mas, pelo visto tomou sua decisão — Jongin assentiu, sorrindo pequeno enquanto destruía um pequeno bolinho com os dedos. Junmyeon o parou, segurando sua mão. — E então?

 — Eu te amei por muito tempo hyung. Mesmo, até um mês atrás, quando eu te vi depois de tanto tempo, achava que ainda te amava, mas agora eu sei que o meu coração é dele, só dele — suspirou. — Eu não posso aceitar os seus sentimentos, sinto muito.

Jongin demorou para voltar para casa. Depois de se resolver com Junmyeon, tudo o que ele queria era se declarar para Kyungsoo, mas estava nervoso, sentia que era correspondido, mas tinha medo de ter entendido errado e por isso, só entrou em seu apartamento no começo da tarde encontrando-o silencioso. Jangoo parecia estar em meio a um sono gostoso no seu cantinho e todas as janelas estavam fechadas. Estranhou.

— Kyungsoo? — Chamou. Ele não disse que sairia naquele dia, apesar de não terem conversado na noite anterior. Entrou no quarto que pertencia ao ator e estranhou encontrá-lo arrumado, Kyungsoo era tão bagunceiro...

Com um sentimento estranho no peito, abriu o guarda-roupa só para descobrir que suas roupas não estavam mais lá. Apanhou o seu celular no bolso de trás da calça, ligando para Baekhyun.

— Eu ‘tô um pouco ocupado, Nini. Podemos nos falar depois?

— Onde está o Kyungsoo?

— Como assim?

— Ele não está aqui e todas as suas roupas não estão mais no armário, ele não te falou nada?

— Conversei com ele essa manhã sobre o contrato que querem assinar com ele para um filme chinês. Kyungsoo só me disse que pensaria, mas pensando agora, ele parecia perturbado com alguma coisa.

— Ele vai pra China? Por quanto tempo?

— Cinco meses, mas ele ainda não disse que aceitaria.

— Porque é que ele recusaria? — Indagou bagunçando o cabelo, frustrado. — Quando ele vai?

— Se ele aceitar, em dois dias.

[...]

Baekie hyung:

Kyungsoo hyung acabou de entrar no avião

ele me pediu pra bão te dizer nada

*não

queria fazer uma surpresa

(emoji de olhos tapados)

sou um cúmplice tão ruim…

Jongin leu a mensagem, sentindo seu coração bater desesperadamente na caixa torácica. Ele ainda tinha quase duas horas e meia antes de finalmente revê-lo, mensagens e vídeos-chamadas já não eram mais o suficiente.

Me:

pra ele

pra mim, você é um perfeito cúmplice

risos.

Ele fechou o notebook onde escrevia seu segundo livro e dessa vez, nada de histórias que pudessem trazer problemas, apenas uma inocente fantasia. Uma saga de três livros se tudo ocorresse conforme planejou. Jangoo latiu como se o apressasse e ele riu.

— Eu sei, eu sei... estou indo seu mandão.

O aeroporto internacional de Incheon estava um inferno. Jongin continuava a prestar atenção no painel de pousos, bagunçando vez ou outra o cabelo que agora tinha um tom rosado e sorriu de forma deslumbrante quando viu que o avião de Kyungsoo havia pousado e memorizando o portão de desembarque, seguiu até lá.

Tentou procurá-lo, erguendo-se na ponta dos pés, mas além de haver muitas pessoas, Kyungsoo ainda era baixinho. Riu, ele ficaria realmente bravo se soubesse dos seus pensamentos.

Só não podia perdê-lo ali, Kyungsoo não sabia que estava vindo para recebê-lo, havia pedido a Baekhyun que não dissesse nada, queria fazer uma surpresa para Jongin, que já sabia e planejava surpreendê-lo ali.

Aos poucos, cada vez menos pessoas passavam pelo portão e nada de Kyungsoo, Jongin estava começando a ficar aflito quando viu alguém todo de preto, com os olhos pequenos por causa do sono e bocejando, segurando uma bolsa e um casaco. O escritor riu, ele provavelmente caiu no sono durante o voo e alguém precisou acordá-lo.

Ao vê-lo, Kyungsoo sorriu e se apressou para alcançá-lo.

— Baekhyun — resmungou.

— Baekhyun — sorriu antes de abraçá-lo. — Estava com saudades, yeobo.

— Eu também — Kyungsoo se afastou para olhar o rosto inquestionavelmente feliz do mais novo e selou seus lábios rapidamente, mas nem por isso com menos amor. — Eu também, Jagiya.

11 de Novembro de 2018 às 19:21 1 Denunciar Insira 3
Fim

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Gabi Almeida Gabi Almeida
AAAAAAAA que coisa mais linda sério, eu queria mais!! A melhor coisa de Kaisoo que eu já li na minha vida tão simples e complexo, eu acho que passei a fic toda sorrindo. eu estou apaixonada! Eu adorei cada ponto da fic, a construção dos personagens foi linda e eu, como Kyungsoo utt, amei o modo como ele foi construído na fic, pq saiu do clichê do Soo ser um cuzão de cara amarrada e colocou ele mais leve. Sei lá, eu só amei essa fic, queria mais
11 de Novembro de 2018 às 14:22
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